Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Vocês sabem o que aconteceu no Brasil no dia 13 de maio de 1888 ? Pois então, neste dia a Princesa Izabel assinou a famosa Lei Áurea, a que acabava com a escravidão no país.
Mas parece que alguns senadores ou alguns empresários, como querendo brincar de história, ou faltaram à aula no dia em que este episódio foi contado, ou andaram aprendendo como foi a História Brasileira naquela Nova História Crítica, escrita pelo escroque Mario Schmitt . Vocês não sabem quem é a figura? Ah, mas deveriam, porque foram os livros deste jumento que o governo Lula andou comprando para distribuição aos estudantes das escolas públicas. Sabem do que mais ? Apesar do veto a novas aquisições, em 2005, e de sua exclusão do Guia do Livro Didático de 2008, a Nova História Crítica continuou sendo distribuída pelo MEC. Só este ano, já foram enviados 89 mil exemplares da coleção a escolas públicas. O governo gastou R$ 12 milhões com uma obra que, pela quantidade de imbecilidades e grosseiras falsificações da história que contém, jamais deveria ter entrado numa sala de aula. A princesa Isabel é uma mulher "feia como a peste e estúpida como uma leguminosa" e o Conde d?Eu é um "gigolô imperial" que enviava meninas paraguaias para os bordéis do Rio de Janeiro.
Acharam pouco ? Pois a lista de sandices é imensa. De sobremesa segue mais uma das “delícias”: "Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum princezinho salvador?"
Pois não bastava as atrapalhadas cretinas que o presidente do senado andou aprontando (e continua), agora um grupo de senadores achou de serem mais realistas do que o rei e se intrometeram numa patacoada. Claro que a história, neste caso, deve ter dois lados. E sou inclinado a acreditar que um dos “lados” não está nada preocupado com “trabalho escravo”, e sim com alguma pilantragem de fundo financeiro. Os próximos dias deverão revelar quem tem ou não razão. Mas que há alguma forma de sacanagem, disto não se tem dúvidas. Da parte de quem é o que veremos.
Mas o surreal no caso é que a investigação de trabalho escravo, a cargo do Ministério do Trabalho, foi interrompida bruscamente. E não porque não exista trabalho escravo no Brasil. Existe e está espalhado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Aliás, graças a ações iniciadas no governo Fernando Henrique, mais e mais fiscais do Ministério do Trabalho tem autuado empresas e empresários para por fim a esta chaga que ainda infesta o país.
A reportagem é de Elvira Lobato para a Folha de São Paulo:
Governo pára ações contra trabalho escravo
Grupo do Ministério do Trabalho responsável pelo trabalho alega pressão de senadores em autuação a uma fazenda
Empresa responsável pela criação da comissão do Senado refuta a acusação de condições precárias de trabalho e quer investigação
A secretária de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho, Ruth Vasconcelos Vilela, suspendeu ontem as ações de fiscalização de combate ao trabalho escravo, em reação à intervenção de senadores na autuação aplicada à Fazenda Pagrisa, no Pará.
Vocês sabem o que aconteceu no Brasil no dia 13 de maio de 1888 ? Pois então, neste dia a Princesa Izabel assinou a famosa Lei Áurea, a que acabava com a escravidão no país.
Mas parece que alguns senadores ou alguns empresários, como querendo brincar de história, ou faltaram à aula no dia em que este episódio foi contado, ou andaram aprendendo como foi a História Brasileira naquela Nova História Crítica, escrita pelo escroque Mario Schmitt . Vocês não sabem quem é a figura? Ah, mas deveriam, porque foram os livros deste jumento que o governo Lula andou comprando para distribuição aos estudantes das escolas públicas. Sabem do que mais ? Apesar do veto a novas aquisições, em 2005, e de sua exclusão do Guia do Livro Didático de 2008, a Nova História Crítica continuou sendo distribuída pelo MEC. Só este ano, já foram enviados 89 mil exemplares da coleção a escolas públicas. O governo gastou R$ 12 milhões com uma obra que, pela quantidade de imbecilidades e grosseiras falsificações da história que contém, jamais deveria ter entrado numa sala de aula. A princesa Isabel é uma mulher "feia como a peste e estúpida como uma leguminosa" e o Conde d?Eu é um "gigolô imperial" que enviava meninas paraguaias para os bordéis do Rio de Janeiro.
Acharam pouco ? Pois a lista de sandices é imensa. De sobremesa segue mais uma das “delícias”: "Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum princezinho salvador?"
Pois não bastava as atrapalhadas cretinas que o presidente do senado andou aprontando (e continua), agora um grupo de senadores achou de serem mais realistas do que o rei e se intrometeram numa patacoada. Claro que a história, neste caso, deve ter dois lados. E sou inclinado a acreditar que um dos “lados” não está nada preocupado com “trabalho escravo”, e sim com alguma pilantragem de fundo financeiro. Os próximos dias deverão revelar quem tem ou não razão. Mas que há alguma forma de sacanagem, disto não se tem dúvidas. Da parte de quem é o que veremos.
Mas o surreal no caso é que a investigação de trabalho escravo, a cargo do Ministério do Trabalho, foi interrompida bruscamente. E não porque não exista trabalho escravo no Brasil. Existe e está espalhado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Aliás, graças a ações iniciadas no governo Fernando Henrique, mais e mais fiscais do Ministério do Trabalho tem autuado empresas e empresários para por fim a esta chaga que ainda infesta o país.
A reportagem é de Elvira Lobato para a Folha de São Paulo:
Governo pára ações contra trabalho escravo
Grupo do Ministério do Trabalho responsável pelo trabalho alega pressão de senadores em autuação a uma fazenda
Empresa responsável pela criação da comissão do Senado refuta a acusação de condições precárias de trabalho e quer investigação
A secretária de Inspeção do Trabalho, do Ministério do Trabalho, Ruth Vasconcelos Vilela, suspendeu ontem as ações de fiscalização de combate ao trabalho escravo, em reação à intervenção de senadores na autuação aplicada à Fazenda Pagrisa, no Pará.
No início de julho, 1.064 trabalhadores (a maior parte, cortadores de cana) tiveram seus contratos rescindidos por estarem em situação considerada pelos fiscais análoga à de trabalho escravo.
Em carta enviada no final da tarde de ontem ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, Ruth Vilela, comunicou a suspensão da fiscalização e afirmou que os senadores desqualificaram a inspeção que constatou a existência de trabalho escravo e projetaram ""insegurança sobre as ações desenvolvidas pelo Ministério do Trabalho".
Por pressão de entidades empresariais do Pará, o Senado instaurou, há dez dias, uma comissão especial externa, de oito senadores, para averiguar as rescisões dos contratos trabalhistas feitas pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel, subordinado a Ruth Vilela, na Pagrisa. O presidente da comissão, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), e mais os senadores Romeu Tuma (DEM-SP), Kátia Abreu (DEM-TO), Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Cícero Lucena (PSDB-PB) estiveram, anteontem, na sede da fazenda, anteontem, em Ulianóplis, a 450 Km de Belém, e, depois ouviram moradores e empregados na Câmara Municipal.
A assessoria de Jarbas distribuiu nota, em Brasília, segundo a qual a relatora da comissão, Kátia Abreu, e o presidente consideram que a Pagrisa oferece condições adequadas de trabalho, contestando, portanto, a fiscalização.A fazenda é parte da Usina Pagrisa, produtora de açúcar e de álcool. A Petrobras suspendeu a compra de álcool da usina, em razão do relatório que apontou o trabalho escravo.
A fiscalização aconteceu entre 28 de junho e 8 de julho, e ela sofreu autuações por 21 supostas irregularidades trabalhistas. O Ministério Púbico do Trabalho, do Pará, abriu processo criminal contra a empresa sob a acusação de trabalho análogo a escravo.
No ofício enviado ao ministro Lupi, a secretária de Inspeção do Trabalho (que ocupou o cargo também durante o governo Fernando Henrique Cardoso) diz que suspendeu a fiscalização para assegurar que os fiscais tenham ""um mínimo de segurança para o correto e escorreito exercício de suas atribuições, livres da ingerência de fatores estranhos à ação administrativa"".
Outro lado
O diretor e acionista da Pagrisa, Fernão Villela Zancaner, disse à Folha que a empresa refuta a acusação de trabalho escravo e quer uma ""investigação profunda" sobre o caso. Segundo ele, durante a inspeção do Ministério do Trabalho, as federações da indústria, agricultura e do comércio do Pará, além da OAB regional, estiveram na fazenda.
Segundo ele, a criação da comissão no Senado foi iniciativa do senador Flexa Ribeiro, que também foi ao local enquanto acontecia a fiscalização. A mobilização política, segundo ele, se estendeu à Assembléia Legislativa do Pará.
O empresário disse que desde o bloqueio das compras de álcool pela Petrobras, a empresa aumentou a produção de açúcar e está armazenando o álcool que produz. Segundo ele, a empresa tinha 1.670 funcionários no momento da inspeção, e 1.064 tiveram rescisão contratual. Para Zancaner, os empregados foram seduzidos pelo seguro desemprego e pelas indenizações.