sexta-feira, fevereiro 27, 2009

PAC de que mesmo? Será de aceleração da criminalidade?

Adelson Elias Vasconcellos

Há questão de duas semanas atrás, a revista Veja publicou uma entrevista com o senador pernambucano, Jarbas Vasconcellos, em que ele desanca o sarrafo no seu partido, o PMDB, considerando-o uma confederação de corruptos, destacando Sarney e Renan Calheiros, não poupando nem ao governo Lula, cujo programa Bolsa-Família foi taxado de comprador de votos. Até aí, surpresa alguma. Dias depois, no jornal mineiro O Tempo, o senador gaúcho, Pedro Simon, também do PMDB, como que endossou as palavras de Jarbas Vasconcellos.

Tanto num caso quanto noutro, e noutros tempos, já seria motivo de escândalos e páginas e mais páginas de opiniões, favoráveis ou não, na mídia. O que se viu foi um sonoro e respeitável silêncio. Alguns muxoxos isolados e nada mais. É como se, de repente, os acusados combinassem que, se permanecessem em silêncio, talvez ninguém voltasse ao assunto e todos logo se esquecessem.

Ontem, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, afirmou que quem repassa recursos a entidades que cometem atos ilícitos também comete uma ilegalidade. De acordo com o ministro, há uma lei que proíbe esse tipo de repasse. Referia-se ao movimento MST que, em Pernambuco, assassinou quatro vigias de uma fazenda que havia sido invadida e que, contrariando decisão judicial, dito movimento se negara em desocupar.

Qual a reação do governo? Silêncio total. Vejam: três autoridades atiram farpas ao governo e a reação que se tem é de mutismo completo.

Contudo, a fala do ministro Gilmar Mendes, tanto quanto as entrevistas de Jarbas Vasconcellos e Pedro Simon, demonstram o quanto o país está sedado em relação às lambanças que se cometem nos gabinetes do poder. E, significativamente, comprovam que os partidos que deveriam ser oposição, não conseguem afinar um miserável discurso em defesa da sociedade brasileira.

O que aconteceu em Pernambuco, e que motivou a fala do presidente do STF, tem o que de diferente ao que estamos assistindo ao longo dos últimos 6 anos? É impressionante o crescimento não apenas de invasões mas, também, de mortes motivadas por conflitos rurais, e todos, sem exceção, estabelecidos a partir das invasões do MST.

Já se provou aqui, e em alguns poucos espaços que ainda respeitam o estado de direito democrático, que o tal MST e suas congêneres já deixaram, há muito tempo, de se comportar como “movimento social”. Suas ações se coadunam com formação de quadrilha para a prática de crime. São bandoleiros, selvagens, criminosos e, em alguns casos e momentos, são terroristas na mais pura expressão da palavra.

Soube-se, ontem, e a propósito das reportagens que alguns veículos de comunicação compuseram com base nas afirmações de Gilmar Mendes que, nos seis anos, o MST recebeu do governo federal cerca de 50 milhões de reais em “doações” do Tesouro. Pergunto: que destino foi dado a tanto dinheiro se o movimento vive do fruto oriundo de sua clandestinidade? Quais assentamentos foram beneficiados com a distribuição destes recursos? O que de útil foi construído? Resposta: nada, absolutamente nada de útil. O que se sabe é que em muitos acampamentos foram instaladas escolas que ensinam a prática do terrorismo, como se passarem por vítimas aos olhos da imprensa, sabe-se, por exemplo, que em muitos acampamentos alguns “ensinamentos” são transmitidos por terroristas importados das FARCs, e a maioria do batalhão de desvalidos vivem miseravelmente, não plantam, não cultivam,não criam, nada vezes nada. E, ainda, exigem que a sociedade sustente sua ociosidade.

Infelizmente, ainda tem quem aplauda e incentive a baderna que o MST promove por todo o país. Reparem no seguinte: você, cidadão comum, chega diante de uma residência qualquer, empunhando uma picareta, e vai logo arrebentando o portão, invadindo a residência alheia, quebrando tudo o que encontra pela frente, agredindo as pessoas que ali residem. O que se pode esperar que aconteça? É lógico, você será preso, processado e condenado. É o que manda a lei. É o que ordena a ordem social e legal, para que todos possam ter seus direitos respeitados e, deste modo, viver em harmonia. A lei, no fundo, não busca punir quem a transgride, isto é apenas uma conseqüência: o objetivo maior é preservar a convivência harmoniosa entre as pessoas, e para que uns não prevaleçam sobre os outros pela força e barbárie.

Qual o maior mandamento da constituição brasileira? A de que todos são iguais perante a lei, independente de credo, raça, religião, ideologia política. Sendo assim, se a lei veda que eu invada a propriedade alheia, assaltando-a e depredando-a, por que, para o MST, ela deve ser simplesmente ignorada?

Quando o MST começou a dar o ar de sua graça, as invasões eram feitas em áreas abandonadas do poder público, ou, em propriedades cujos proprietários nelas nada produziam. Porém, de um certo tempo para cá, tais invasões têm sido feitas em propriedade economicamente produtivas, . as depredações tem se dado em propriedades onde há laboratórios de pesquisa, e tudo se dá ao arrepio da lei e da ordem, a mesma lei que me puniria se tentasse fazer ou cometer os mesmos crimes.

Ora, quem incentiva que o crime seja praticado, não toma providências para coibi-los e punir os responsáveis, e, ainda assim, continua a distribuir verba pública para patrocinar tais ações, não há como negar, é conivente num primeiro momento, cúmplice num segundo. Sendo autoridade pública, comete crime de responsabilidade sujeita a ser exonerada de seu cargo. Não é uma questão de opinião ou de gosto, ou de preconceito contra os "pobres" como querem alguns: trata-se de um mandamento legal. E, após seis anos em que se distribuiu R$ 50 milhões de reais, com o conflito rural se agravando cada vez mais, com mortes e mais mortes se sucedendo de forma impune e sem condenação ao menos verbal ao movimento, tal comportamento de parte do governo federal se configura, sim, em crime de responsabilidade e, como tal, deve ser encarado. Onde está a oposição que não denuncia ao Ministério Público tais práticas, exigindo que os praticantes de crimes desta natureza sejam, imediatamente, inquiridos e, se for o caso e é, dada a reincidência, exemplarmente punidos. Não interessa se neles se envolvem ministros, secretários, deputados, senadores, prefeitos, vereadores, o bispo da esquina ou até mesmo o presidente da república. Como também não interessa se qualquer um deles conta com a simpatia de 90% da população. Se são criminosos, devem, de acordo com a lei, serem processados, julgados e condenados.

Quanto a informação das doações para o MST, é bom ressalvar: os quase R$ 50,0 milhões foram para as entidades ligadas DIRETAMENTE ao MST. Contudo, se formos considerar tudo o que tem sido repassado a título de REFORMA AGRÁRIA, teríamos nesta conta mais de R$ 200,0 milhões, em 2008. Ora, com tanta grana assim, fica difícil entender que este governo tenha uma política séria para o assunto, considerando-se os resultados que todos conhecemos, como, também, fica praticamente impossível entender os motivos de tanta invasão. A menos, é claro, que se considere que, quanto mais invasões maior o dinheiro pirateado dos cofres públicos para movimentos que, a rigor, se dedicam unicamente a prática indiscriminada de ilícitos. Daí a importância de alguém, como o presidente do STF, vir a público para, corajosamente, denunciar a omissão dos entes públicos. Numa época em que dizer a verdade sobre o governo atual se torna quase uma heresia, dada a leniência com que é tratado pela opinião pública e, principalmente, pela classe política e grande parte dos meios de comunicação, é de aplaudir o desprendimento do ministro. É preciso mais do que coragem, é preciso caráter.

Portanto, a afirmação do ministro Gilmar Mendes deve ser enfatizada e merecer profunda reflexão e imediata ação, não apenas da oposição mas, também, de toda a sociedade, ou de pelo menos de parte daqueles que desejam tornar o país uma pátria de paz e de igualdade.

Não pode o MST continuar agindo impunemente sem que seja cobrado por suas ações ilegais, como, do mesmo modo, não pode o Estado continuar abençoando tais práticas criminosas mantendo os cofres públicos franqueados para tais movimentos ou bandos. A sociedade não paga impostos para que estes sejam revertidos para grupelhos que lhe roubam e assaltam, não pode continuar financiando o crime contra ela própria.

Isto é o mínimo que se espera de um governo responsável, porque, do contrário, ele não terá moral alguma para mandar prender quem quer que seja. Aliás, não terá mais é nenhuma legitimidade para continuar a ser governo. E, especificamente, em relação ao governo Lula, o que dele se espera é que seu PAC seja de aceleração do crescimento econômico, não da criminalidade, como temos visto desde 2003. Quanto ao Ministério Público, bem... vale para ele o mesmo questionamento que fizemos em relação aos Tribunais de Contas: para que serve mesmo?

Mendes cobra atuação dura do MP contra invasão de terra

Mariângela Gallucci - de O Estado de S.Paulo

Sobre 'carnaval vermelho', presidente do STF diz que é ilegal repasse de recursos públicos para movimentos

BRASÍLIA - Em reação ao "carnaval vermelho", o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, disse nesta quarta-feira, 25, que é ilegal o repasse de recursos públicos para movimentos sociais que invadem terras. O ministro também cobrou uma atuação mais enérgica do Ministério Público contra os invasores.

"O financiamento público de movimentos que cometem ilícito é ilegal, é ilegítimo", disse. "No Estado de Direito, todos estão submetidos à lei. Não há soberano. Se alguém pode invadir sem autorização judicial, ele se torna soberano, logo está num quadro de ilicitude", afirmou.

Em 2001, o STF analisou a legalidade do Estatuto da Terra, que proíbe o repasse em caso de invasões. Os ministros rejeitaram um pedido de liminar para que partes da lei fossem derrubadas. O fato foi lembrado por Gilmar Mendes para demonstrar que os repasses não podem ser feitos para movimentos que invadem propriedades públicas e privadas. "O tribunal rechaçou a inconstitucionalidade", afirmou o presidente do Supremo.

Mendes cobrou uma atuação dura do Ministério Público (MP) no caso. Segundo ele, o MP tem de agir para buscar a punição dos sem-terra que participaram das invasões ocorridas em São Paulo e Pernambuco e para descobrir se houve repasse de recursos públicos. "É preciso que a Justiça dê a resposta adequada, que o MP tome as providências, inclusive para verificar se não está havendo financiamento ilícito a essas instituições", afirmou.

O presidente do STF condenou as invasões no Carnaval e os assassinatos cometidos em Pernambuco. "Em geral, esse tipo de conflito começa com característica de protesto, manifestação política, e tem redundado em violências às vezes contra os próprios invasores, às vezes contra pessoas que defendem áreas ou terras. Isso não interessa à ordem pública, não interessa à paz social", afirmou.

"Eu tenho impressão de que a sociedade tolerou excessivamente esse tipo de ação, por razões diversas, talvez um certo paternalismo, uma certa compreensão, mas isso não é compatível com a Constituição, isso não é compatível com o Estado de Direito", declarou.

Em São Paulo, militantes ligados a José Rainha Júnior, dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST), invadiram no final de semana 20 fazendas, num processo que foi chamado de "carnaval vermelho". Em Pernambuco, quatro seguranças foram mortos numa chacina ocorrida no interior do Estado.

As declarações de Mendes seriam dadas inicialmente apenas a TV Justiça, mas a assessoria do ministro preferiu convocar uma coletiva. O Ministério do Desenvolvimento Agrário, por meio da assessoria de imprensa, disse que não vai comentar a entrevista do ministro Gilmar Mendes.

Líder dissidente do MST desocupa fazendas e pede diálogo (?)

José Maria Tomazela - de O Estado de S.Paulo

Rainha liderou invasões de 20 fazendas no Pontal do Paranapanema, durante o chamado 'Carnaval Vermelho'

O líder dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST) José Rainha Junior decidiu nesta quarta-feira, 25, desocupar as 20 fazendas invadidas no Pontal do Paranapanema, oeste do Estado de São Paulo, durante o chamado "Carnaval Vermelho". Em duas áreas, as fazendas Pouso Alegre e das Cobras, no município de Dracena, os sem-terra devem permanecer porque os proprietários estão negociando a desapropriação com o Incra. Rainha disse que a decisão de recuar, tomada em conjunto com lideranças de outros movimentos, é um " gesto de boa vontade para o diálogo" com o governo estadual. "Esperamos que assim o secretário Marrey receba os movimentos, pois ao contrário do que ele pensa, nossa luta não é política."

Na terça-feira, o secretário da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Marrey, disse que as invasões tinham pretexto político e que não receberia os sem-terra. Uma reunião marcada para hoje teria sido cancelada. A jornada de invasões ocorreu em protesto contra a lentidão da reforma agrária na região e contra o projeto do governador José Serra de regularizar áreas com mais de 500 hectares supostamente devolutas no Pontal. O grupo de Rainha, cujas ações não são reconhecidas pelo MST, quer ainda que o governo federal assuma as funções do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) na região. Os sem-terra não vão esperar possíveis ordens judiciais para saírem das propriedades, segundo Rainha. Até a tarde de ontem, nenhum mandado de reintegração de posse tinha sido expedido pela justiça. "Estamos dispostos a resolver o conflito com entendimento", disse o líder.

Ele contou que havia solicitado uma audiência com Marrey juntamente com líderes do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast), Brasileiros Unidos pela Terra (Uniterra) e Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MTST) antes de anunciar a jornada de invasões. "O secretário disse que tinha marcado a audiência e cancelou por causa das ocupações, mas eu não estava sabendo. Vamos desocupar e esperar que ele nos chame." Os sem-terra decidiram pedir também uma audiência com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel para discutir o repasse de verbas para os assentamentos de São Paulo. "Queremos saber se o Itesp usou todo o recurso repassado pelo Ministério." No início da noite de ontem, os sem-terra começaram a deixar as fazendas ocupadas em Presidente Bernardes e Mirante do Paranapanema. De acordo com Rainha, os grupos completam as desocupações nos outros 13. municípios na manhã de hoje. A assessoria de imprensa da Secretaria informou que o secretário Marrey não iria se manifestar sobre a decisão dos sem-terra.

Prisão
A União Democrática Ruralista (UDR) pediu ontem a prisão de José Rainha e de seu braço direito, Sérgio Pantaleão, por terem articulado as invasões do "Carnaval Vermelho". Os pedidos foram protocolados pelo presidente da entidade, Luiz Antonio Nabhan Garcia, no Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-8) de Presidente Prudente e na Procuradoria Geral de Justiça do Estado. A Procuradoria, órgão do Ministério Público Estadual, deve remeter o processo aos promotores criminais dos 16 municípios onde ocorreram invasões. A Polícia Civil informou que vários líderes das invasões já foram identificados e serão indiciados em inquérito.

De acordo com Garcia, as invasões são crime e, como foram praticados por bandos, caracterizam a formação de quadrilha que enseja a ordem de prisão. A UDR também quer processar civilmente as lideranças para que sejam reparados os danos morais e materiais causados pelas invasões. "O fato de desocuparem, independentemente da reintegração, não desobriga de indenizar os danos", disse. Rainha alega que não cometeu crime algum. "As ocupações foram pacíficas e isso consta dos relatórios feitos pela Polícia Militar." As invasões fazem parte da luta do movimento social, alegou. "Sou liderança, mas não participei das ações, pois nem estava no Pontal", disse.
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***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Resumo em uma frase apenas o sentido do que pede o tal “dissidente”: com bandido, enquanto praticando crimes, não há diálogo. Mais, terra invadida deve imediatamente ser, além de reintegrada aos seus donos legítimos, retirada do processo para reforma agrária. E, o que já deveria ter sido feito há muito tempo: corte-se o ganha-pão desta gente, que é a doação de recursos públicos.

Para que fique bem registrado, Jaime Amorim, coordenador do MST em Pernambuco, ao admitir os quatro homicídios praticados por seu grupo, saiu-se com a seguinte declaração: “Aqueles que matamos não eram pessoas comuns”. Ou seja, ele ainda acha que fez a “coisa certa”, que lhe cabe o “direito” de escolher a quem matar, apenas por tentar interceptar sua prática ilegal. Quando se chega a tal absurdo, a tamanha estupidez e, de parte do Poder Público, não se assinala uma única reação, mesmo que de indignação, fica claro o tom que rege o governo atual. Ainda bem que o Poder Judiciário já esboça uma reação. E, certamente, logo a sociedade perceberá qual a verdadeira face de tais movimentos que, de sociais, não têm absolutamente nada.

No dia em que o senhor José Rainha respeitar as leis e a ordem pública, aí ele poderá sentar para negociar. Até lá, que pare de agir como bandido.

Itália prende 50 brasileiros por falsificação de documentos

Guilherme Aquino, De Milão para a BBC Brasil

A polícia da Itália prendeu um grupo de 50 brasileiros acusados de produção e uso de documentos falsificados. As prisões ocorreram durante uma operação realizada entre domingo e segunda-feira na província de Mantova, no norte da Itália.

Os suspeitos foram surpreendidos pelos policiais em casas e apartamentos alugados nas cidades de Mantova, Porto Mantovano, Virgilio, Quistello e Curtatone. Não houve resistência e nenhum brasileiro tentou fugir ao cerco policial.

Cerca de 100 policiais e 30 guardas municipais participaram da operação. Não foram divulgados os nomes dos suspeitos detidos.

O grupo é acusado de falsificar passaportes, carteiras de identidade e de motorista de Portugal e da Espanha, países da União Europeia. Os policiais apreenderam mais de cem passaportes e carteiras de identidade e de motorista.

Urgência
Com esses documentos, brasileiros ilegais na Itália podiam ir a uma agência dos Correios para regularizar a situação no país. Eles recebiam, então, um kit de acesso para dar entrada à permissão de estadia e à carteira de acesso gratuito ao sistema de saúde do país.

Como "cidadão comunitário", o brasileiro irregular poderia trabalhar e viver na Itália sem maiores problemas. A policia encontrou 48 kits com diferentes integrantes da quadrilha.

De acordo com as autoridades, o golpe custava cerca de 3 mil euros (aproximadamente R$ 9 mil) para os clientes. O valor variava dependendo da urgência e do tipo de documentação.

Entre os 50 brasileiros flagrados pela polícia italiana na operação de segunda-feira estavam homens, mulheres e transexuais. Do total, 29 receberam ordem de expulsão do país - eles têm cinco dias para ir embora.

Dois foram presos por não respeitar o prazo para deixar a Itália, uma vez que já tinham sido notificados anteriormente. Os outros brasileiros envolvidos vão responder, em liberdade, ao inquérito conduzido pelo procurador adjunto Giulio Tamburini.

Investigação
Durante as investigações, a polícia cruzou os pedidos de residência e de carteira de saúde pública - que dá acesso aos tratamentos médicos públicos - em todos os municípios da região de Mantova.

"O golpe vinha sendo investigado há alguns meses. Chegamos até a quadrilha depois que um brasileiro foi detido em uma operação de rotina com um documento falso", disse uma fonte da Questura de Mantova - instituição policial responsável pela operação - à BBC Brasil.

No final de 2007, quatro jovens brasileiros em um carro foram parados em uma "batida" policial de rotina, em Curtatone. O veículo não tinha sido submetido à revisão bienal obrigatória.

Ao receber a multa, o proprietário apresentou uma carteira de motorista espanhola. Os policiais desconfiaram do documento e descobriram que a marca d'água era falsa. O mesmo ocorreu com uma carteira de identidade apresentada por um dos passageiros.

Agora, os investigadores querem descobrir a origem dos documentos, a gráfica em que eles eram impressos e se existe alguma ramificação com quadrilhas no exterior.

Em janeiro de 2009, a polícia espanhola desmontou um esquema semelhante de falsificação de documentos.

Na chamada "Operação Carioca", 33 brasileiros foram presos e descobertos cinco laboratórios usados para a emissão dos passaportes e das carteiras de identidade de vários países, entre eles a Itália.

Tecnologia
A polícia italiana tem se equipado para coibir este tipo de crime. As patrulhas rodoviárias usam sofisticados aparelhos capazes de identificar as mínimas deformações do documento exibido em relação ao original.

Para descobrir a carteira falsa, eles usam raios infravermelhos e ultravioletas, além de micro-câmeras especiais e da observação com lentes de aumento e microscópio iluminado. Os policiais colocam à prova os sistemas de segurança dos documentos para verificar se são autênticos.

A falsificação de documentos é um dos crimes mais comuns na Itália e quase todos os dias surge uma denúncia nos jornais. O fraude atinge também o mundo do futebol. Para driblar a cota permitida de jogadores extra-comunitários, alguns dirigentes de clubes apelam para o submundo com o objetivo de facilitar a imigração de jogadores.

Um processo no tribunal de Vicenza, em que sete jogadores brasileiros de futebol de salão estão envolvidos em um escândalo de passaportes falsos, está chegando agora na sua fase final.

A Itália, junto com Portugal, é um dos países que mais recebe imigrantes brasileiros. De acordo com dados oficiais, os brasileiros legalmente presentes em território italiano somam cerca de 60 mil. Não existem dados sobre os brasileiros irregulares no país.

Desde que assumiu o poder, o governo do primeiro-ministro Silvio Berlusconi tem endurecido as medidas contra os clandestinos e dificultado a entrada de estrangeiros no país.

Segundo dados do Ministério do Interior, somente nos primeiros sete meses do ano passado, 4.082 estrangeiros irregulares foram expulsos da Itália, um aumento de 15,2% em relação ao mesmo período de 2007 - outros 3.810 foram barrados nas diferentes fronteiras italianas.
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***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Antes que algum cretino saia por aí acusando o governo italiano de xenofobia ou retaliação pelo refúgio concedido ao italiano criminoso, Cezare Battisti, é bom que se diga que não se trata de um caso isolado. Bandos e quadrilhas de brasileiros têm sido desbaratadas tanto na Itália, quanto na França, Espanha e Inglaterra, nos últimos anos, e com bastante frequência. Quase sempre pelos mesmos crimes. Um pouco abaixo, encontram-se o tráfico mulheres para a prática de prostituição.

Há sim, em vista disto, um certo preconceito em relação à presença de brasileiros, mas, convenhamos, temos dado motivos para tanto. É bom frisar que se trata de uma minoria que sai daqui para praticar sua paixão pelo crime lá fora, achando que lá, tanto quanto aqui, permanecerá impune.

Lamentavelmente, acabam os justos (a maioria) pagando pelos cretinos e maus cidadãos. Porém, precisamos refletir que se trata de uma cultura fruto de um modelo parido nas teias de um Estado omisso quanto ao crime e, principalmente, em relação aos criminosos. É um processo educacional distorcido que acaba incutindo nos fracos de caráter a noção falsa de que o crime compensa.

Somos, sim, um país de bárbaros e selvagens. Mudar esta realidade não será tarefa fácil, tampouco trabalho duro para uma geração apenas.

O Líder e a História

Demétrio Magnoli, Estadão

“A partir de hoje me consumirei a vida toda ao serviço do povo venezuelano.” No momento da vitória no referendo, Hugo Chávez adicionou à paráfrase de São Paulo o seguinte: “Hoje vocês escreveram meu destino político, que é igual ao meu destino de vida.” As ideias de consagração pessoal a uma causa transcendental e de comunhão absoluta entre a vida pública e a privada definem a persona do Líder revolucionário, uma figura que só deixa o poder na hora da morte.

Joseph Stalin, o “guia genial dos povos”, governou a URSS durante quase três décadas, entre 1924 e 1953. Adolf Hitler, o Fuhrer, conduziu a Alemanha desde 1933 até a catástrofe nacional, que coincidiu com a imolação pessoal, em 1945. Benito Mussolini, o Duce, liderou a Itália por mais de 30 anos, até sua execução em praça pública. Mao Tsé-tung, o “farol da revolução”, reinou no antigo Império do Centro durante 27 anos. Kim Il-sung, o “eterno presidente”, mandou na Coreia do Norte ao longo de 45 anos e, antes de morrer, transmitiu o poder a seu filho. Fidel Castro, o “comandante”, ultrapassou todos os demais, atormentando os cubanos por meio século antes de transmitir o cargo a seu irmão. Hugo I, da Venezuela, propõe-se a conduzir pessoalmente sua revolução até 2030, quando estaria com 76 anos e ultrapassaria a marca de três década no poder.

No plano imaginário, o Líder deve eternizar-se no poder pois é detentor de um tipo particular de carisma. Ele tem uma sabedoria indefinível, mas superior à dos demais: um pacto secreto com a História e uma consciência especial do destino de uma nação ou de toda a humanidade. “Chávez une o que é diverso: o povo”, explica Aristóbulo Istúriz, dirigente do PSUV, o partido chavista. O Líder é infalível.

No plano político, a perpetuação do Líder funciona como solução para a carência de regras de sucessão típica dos regimes revolucionários. Como o sistema político se fecha em torno do partido da revolução, a competição pelo poder degrada-se em conspirações no interior do círculo dirigente. Para evitar a crônica instabilidade, em nome de uma ordem duradoura, o Líder governará até morrer. Nas palavras de Istúriz: “Na Venezuela, não há período de governo normal, tradicional. Não há programa de governo, e sim processo revolucionário. Isso requer tempo.” Sim: muito tempo.

Para os revolucionários, História se escreve com maiúscula. Os democratas escrevem história com minúscula. A democracia sustenta-se sobre uma convicção negativa: a ideia de que a história não tem “leis” nem destino. A metáfora do “trem da História” expressa a crença dos revolucionários na existência de uma ordenação da aventura humana cuja fonte é natural, econômica ou divina. Esta crença lhes confere uma chave mágica dos portais do futuro e o lugar político especial de partido que fala em nome do progresso. A oposição a tal partido representa uma negação das “leis da História”, um desvio que deve ser banido. Na democracia, pelo contrário, vigora o consenso de que a história não se dirige a nenhum lugar particular. Dele decorrem a crença de que ninguém detém uma verdade superior e o princípio pelo qual todos os partidos têm o direito legítimo de almejar o governo. A Venezuela encontra-se num ponto decisivo da transição entre a democracia e a tirania revolucionária.

O referendo venezuelano chamou os cidadãos a dizer se aprovavam uma emenda que “amplia os direitos do povo”, permitindo a reeleição indefinida. O ministro Celso Amorim, vergonhosamente, defendeu a natureza democrática da emenda chavista. Mas democracia não é igual a vontade da maioria. Democracia é o regime que exprime a vontade da maioria pela mediação das instituições representativas, conserva o equilíbrio de poderes e preserva as liberdades públicas e os direitos da minoria. A vontade da maioria sem as demais qualificações é o fundamento da tirania. A passagem da democracia para a tirania se dá pela extinção do Estado como ente público. No caso dos regimes revolucionários, o Estado é convertido em apêndice do partido da revolução - e em instrumento da vontade do Líder.

As democracias protegem-se da subordinação das instituições públicas a um Líder pela limitação do direito à reeleição, uma garantia da alternância de dirigentes no poder. Mas, por si mesma, a aprovação da emenda que permite a reeleição indefinida não significa a implantação de uma tirania. A democracia estiola-se na Venezuela porque o Estado se transforma em patrimônio de uma corrente política particular. O resultado do referendo reflete a identificação crescente do Estado com o PSUV.

No país de Chávez, a presidência controla o Parlamento, o Judiciário e a comissão eleitoral. Os militares fazem a saudação chavista. O presidente da República é o presidente do PSUV. Os ministros são altos dirigentes do partido. Os funcionários públicos são compelidos a agir como ativistas do partido. A polícia reprime manifestações da oposição. Os recursos públicos financiam os “coletivos”, grupos de militantes partidários que atuam em projetos sociais, nas periferias, e como milícias de choque oficialistas, atemorizando opositores. Capturado pelo chavismo, o Estado perde seu caráter público.

Segundo Chávez, o referendo é parte de “uma nova doutrina constitucional que tem como vanguarda a Venezuela”. Processos plebiscitários costumam acompanhar a implantação das tiranias. Governos democráticos e ditaduras em crise terminal podem perder plebiscitos, mas regimes revolucionários não os perdem pois o Estado não será derrotado no jogo em que é parte e juiz. Depois do fracasso no referendo de 2007, Chávez aprendeu o segredo para vencer disputas plebiscitárias. Basta introduzir a violência de Estado na equação política, esvaziando de conteúdo as regras que asseguram as liberdades públicas. A democracia não tem lugar no “terceiro ciclo da revolução bolivariana”.

Precarização no governo do PT

Estadão

A política de pessoal do governo Lula é a perfeita negação do discurso do PT em favor de um serviço público estável. Correta na essência, pois representa um estímulo ao servidor e uma garantia de prestação de contínuos e bons serviços para a comunidade, a estabilidade do serviço público defendida no discurso petista tem rendido ao partido e a seus candidatos apoio e votos no funcionalismo. Mas, como mostrou reportagem de Sérgio Gobetti publicada há dias pelo Estado, esse discurso não passa de propaganda eleitoral. Na prática, o governo Lula vem fazendo o contrário do que propõe o PT.

Em 2008, por exemplo, o governo bateu o recorde na contratação de temporários, de acordo com o Ministério do Planejamento. Até 31 de outubro, conforme o relatório mais recente da Secretaria de Recursos Humanos do governo federal, 17.530 profissionais tinham sido contratados por tempo determinado, um número maior do que o total de servidores efetivos admitidos no período.

Destaque-se que, ao contrário do governo Fernando Henrique Cardoso, que procurou conter o crescimento da máquina administrativa, o do PT inflou o quadro de servidores efetivos. Projetos de lei de iniciativa do governo, já aprovados ou em exame pelo Congresso, acelerarão esse processo nos próximos anos, pelo menos até 2011, já na gestão do sucessor de Lula. Mesmo assim, a contratação de temporários supera a de funcionários concursados. Desde o início do governo Lula, foram contratados 82 mil temporários.A contratação de serviços de trabalhadores não concursados pode ser feita diretamente com pessoa física - é o caso tratado pela reportagem do Estado -, pelo prazo máximo de dois anos. A terceirização, outra forma de contratação de serviços fora do quadro dos servidores regulares, geralmente se faz por meio de contratos com empresas, por tempo indeterminado e para a execução de tarefas - como limpeza, telefonia e segurança - que não exigem qualificação específica para o serviço público. Mas já há contratos de terceirização para tarefas típicas do serviço público, e por isso consideradas mais nobres, como as funções de gerência e assessoria técnica nos Ministérios. Existe ainda a possibilidade de contratação de estagiários pelo governo federal.

Os gastos do governo com esses tipos de contratação aumentaram, em valores corrigidos pela inflação, de R$ 2,66 bilhões em 2003, primeiro ano do governo Lula, para R$ 4,22 bilhões. Ou seja, o custo desses contratos aumentou 58% em termos reais nos seis primeiros anos do governo do PT.

É a escolha da precarização do trabalho - e não da prometida estabilidade - no serviço público federal.

Não há um motivo único para tantas contratações. A alegação genérica do governo é a necessidade de contratação de profissionais para cobrir a falta de servidores efetivos para atender a situações emergenciais. Na prática, as razões são outras. Em alguns casos, o governo contrata temporários com o claro objetivo de reduzir custos com pessoal. Esse é o motivo para a contratação de professores universitários por tempo determinado, os profissionais temporários mais numerosos na área federal. Os temporários, substitutos dos professores efetivos, em geral recebem cerca de um décimo do vencimento dos concursados.

O uso repetido desse expediente - quando vence o contrato de um temporário, contrata-se outro - mostra que esta não é uma situação de emergência. É apenas um jeito que a administração federal encontrou para, sem deixar buracos no calendário letivo por falta de docentes, gastar menos enquanto não resolve um problema sério - a qualidade da gestão das universidades federais, que não contratam professores efetivos no número necessário.
Mas o adiamento da solução definitiva também tem custos. Para conseguir contratar engenheiros temporários para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o governo precisou oferecer remuneração maior do que a paga aos efetivos. É um sinal de que os vencimentos dos efetivos está abaixo da média de mercado, problema que precisa ser solucionado. Mas, para isso, será necessário elaborar um projeto e negociar sua aprovação no Congresso. O governo optou pelo caminho mais curto, embora mais caro: contratar temporários.

Bancos têm 100 mil carros de inadimplentes

Toni Sciarretta, Folha de São Paulo

Para evitar retomada, instituições financeiras estendem prazos e negociam perdão de parte de multa e juros atrasados

Maior volume de carros recuperados deve chegar a partir de março devido à demora no processo por tentativas de negociação


Os bancos brasileiros têm em conjunto um estoque de pelo menos 100 mil carros recuperados de clientes inadimplentes, o equivalente à metade das vendas mensais de veículos novos no país, para desovar no mercado de autos usados. Esse estoque é mais um motivo de pressão no segmento de usados, que vive queda sem precedente nos preços e cuja falta de liquidez trava as ações para retomar a venda de carros novos.

Os principais bancos que financiam veículos relatam que o volume de recuperação cresceu de 20% a 30% no início do ano em relação ao que acontecia até setembro. Já leiloeiros e empresas terceirizadas de recuperação veem alta de até 50% no número de veículos que costumava chegar aos pátios.

Segundo o Banco Central, o sistema financeiro tinha uma inadimplência média de 4,3% em dezembro, o maior nível desde 2002. Se todos esses carros voltassem ao mercado, somariam até R$ 3,506 bilhões -o valor efetivamente recuperado, no entanto, é sempre menor do que a inadimplência total porque os bancos procuram esgotar todas as possibilidades de negociação.

A retomada também não costuma cobrir o valor da dívida financiada devido à depreciação e aos custos envolvidos na recuperação. Do dinheiro arrecadado em leilão, parte cobre a dívida em aberto no banco e o restante volta ao cliente para indenizar as prestações pagas, como define o Código de Defesa do Consumidor.

No Bradesco, o volume financeiro de carros recuperados triplicou no ano passado até dezembro -saltaram de R$ 76,1 milhões, no final de 2007, para encerrar o ano em R$ 207,5 milhões. Só a recuperação de carros teve um impacto de R$ 300,3 milhões na contabilidade do banco, sendo R$ 92,892 milhões em provisão para perdas. O Banco do Brasil teve recuperação de R$ 20,7 milhões no final de dezembro, ante R$ 584 mil no final de 2007.

O Santander/Real, cuja financeira Aymoré é uma das líderes no setor, não diferencia as receitas provenientes de recuperação de veículos e imóveis (que têm a menor inadimplência do mercado), mas reporta um volume retomado de R$ 277,7 milhões em dezembro -no ano anterior estava em R$ 192,8 milhões. Outro líder do mercado, o Banco Votorantim, não detalha em seu balanço o crescimento da recuperação, mas os executivos afirmam que se trata de uma das menores do mercado. Itaú e Unibanco ainda não divulgaram resultados.

Infraestrutura limitada
A retomada de carros pelos bancos está tão alta que esbarra inclusive na infraestrutura limitada de pátios, que se esgotaram em São Paulo e lotam áreas no interior do Estado.

Apesar da preocupação crescente com a inadimplência, o volume de carros retomados representa pouco mais de 1% dos 9 milhões de veículos alienados no país, segundo a Fenabrave (associação das concessionárias). Na conta dos bancos, de cada 4 financiamentos inadimplentes, apenas 1 termina com a retomada.

Para o presidente da Fenabrave, Sergio Reze, a recuperação de veículos cresceu junto com a inadimplência, mas encontra-se ainda em um patamar "absorvível" pelo mercado, criando oportunidades para lojas de usados, empresas de recuperação, leiloeiros e administradores de pátios.

"Os 100 mil [veículos recuperados] estão dentro dos padrões normais. É um pouco mais de 1% dos financiamentos. Se fosse uma coisa de outro mundo, viraria um negócio para a gente [concessionárias]. Se os leilões vendem, não há encalhe. O problema dos bancos acaba virando um negócio para terceiros", disse Reze.

Maior leiloeiro de veículos do país, Luiz Fernando Sodré Santoro afirma que vendeu 5.300 carros em janeiro em seu pátio em Guarulhos (Grande São Paulo), 20% mais do que em janeiro do ano passado. "Em fevereiro, o movimento continua firme. Quem compra um carro no leilão costuma pagar, no mínimo, 30% menos", disse.

"Temos um aumento de mais de 50% de veículos retomados desde o final do ano", disse Mário Cássio Maurício, da CNVR (Comercialização Nacional de Veículos Reintegrados), que faz a recuperação de carros.

O maior volume desses carros, no entanto, só deve chegar aos pátios a partir de março, refletindo a inadimplência de janeiro. Isso porque a reintegração da posse de um veículo alienado pode demorar até três meses, dependendo da disputa judicial. "Infelizmente, quando a inadimplência sobe, a atividade de cobrança aumenta, incluindo a recuperação. A inadimplência de 4,3% ainda é administrável. O que me preocupa é a curva [crescente]. Onde ela vai parar?", disse Luiz Montenegro, presidente da Anef (associação dos bancos das montadoras).

O ‘Bolsa Acomodação’

Adriana Vandoni, site Prosa & Política

O governo através do seu Bolsa Família está consolidando a acomodação na pobreza de uma massa de trabalhadores em potencial, indivíduos com mais de 18 anos que não se interessam pela própria qualificação profissional. Foi o que revelou a matéria “Plano para qualificar beneficiários do Bolsa-Família fica só no papel“ de Roldão Arruda, no Estadão. Ou os próximos governos têm coragem para exigir a contrapartida dos que recebem o benefício, ou teremos uma população paga para se manter na pobreza, incapaz de lutar e acomodada nessa situação. Teremos uma população que recebe benefícios, mas cuja única contrapartida será a de participar de quatro em quatro anos para dar continuidade a governos que mantenham programas que continuem garantindo a permanência deles onde estão: na miséria e dependentes de esmolas.

Chegamos ao ponto em que se medidas não forem tomadas para romper com essa acomodação, gerações pagarão pela acomodação que o programa instituiu na faixa mais carente.

Esses programas são chamados erroneamente de “Programas Sociais” e apresentados como dadivosidade do governante, quando na verdade são “programas de solidariedade”, válidos, claro, mas não como um programa de governo que vise o combate à desigualdade social. Projetos com a função determinada de combater a desigualdade só são eficazes quando há a exigência de contrapartidas que impulsionem a pessoa a sair da situação em que se encontra, e com rígida fiscalização do cumprimento delas. Inserir excluídos, qualificando-os, vai além da solidariedade, é uma estratégia econômica. Aumenta a mão de obra produtiva no país, barateia a produção brasileira, insere essa população no mercado de trabalho, diminui o déficit da Previdência, aumenta o consumo, enfim, combater a miséria não quer dizer apenas gesto de bondade do governante. É bom para o pobre desqualificado profissionalmente, que passa a consumir, com isso gerando mais empregos e aumentos de salários para os já empregados, e possibilitando o aumento do lucro de empresários para realizarem novos investimentos. Um ciclo virtuoso que não ocorrerá com os atuais programas.

Projeto social precisa ter contrapartida, data para começar e para terminar. Se ao longo do tempo a número de assistidos aumenta, é sinal que algo está errado. Um governo sério se vangloriaria ao diminuir a quantidade de gente que necessita ser assistida por programas sociais, não pelo aumento de assistidos.

Mas o governo não está preocupado com nada que vá além da criação de novos benefícios sem contrapartida, para consolidar essa pobreza inercial, e como o governo Lula já entra em sua fase final, e nada foi feito nesse sentido, resta-nos esperar que o próximo governo resolva essa questão. Mas não será uma tarefa fácil.

Politicamente não será possível nem traçar datas em anos futuros para a extinção do programa na forma como está, o desgaste político seria enorme!, além das conseqüências sociais que se criaria, já que muitos já deixaram seus empregos para viver na pobreza inercial criada pelo programa. Nessa impossibilidade, embora em um primeiro momento pareça um contra-senso, creio que a exigência de contrapartidas só será possível concedendo novos benefícios além dos que já existem, mas que sejam distribuídos apenas àqueles que cumprirem metas de qualificação profissional.

Além desses novos benefícios, e na impossibilidade de criar metas para a extinção dos já existentes, correções anuais só deveriam ser implementadas de acordo e para quem cumprisse as contrapartidas exigidas. Os acomodados na miséria acabariam sendo estimulados pelos ganhos das correções concedidas aos que aderirem aos planos de requalificação e qualificação profissional.

Caso nada seja feito, estaremos fadados a construir uma faixa de cidadãos que se perpetuará na pobreza, dependente do clientelismo e populismo político.

Mas será que há alguém interessado em acabar com isso?

60% dos postos de saúde têm barreira para idosos

Tribuna da Imprensa

Um estudo inédito realizado em sete estados do País mostra que 60% dos postos de saúde têm barreiras arquitetônicas para idosos e pessoas com deficiência, como escadas e ausência de rampas e corrimões, o que dificulta o acesso a esses serviços. Na avaliação conjunta realizada pelas universidades federal e católica de Pelotas (RS) foram visitados 240 Unidades Básicas de Saúde sorteadas em 41 municípios com mais de 100 mil habitantes de estados do Sul e Nordeste do País (RS, SC, AL, PB, PE, PI e RN).

"A presença de degraus, a falta de corrimãos, rampas, banheiros adaptados para cadeirantes e salas de espera inadequadas foram uma constante", concluíram os pesquisadores no trabalho publicado na última edição da revista Ciência & Saúde Coletiva. Eles avaliaram ainda as calçadas das unidades, estas inadequadas em 67% dos casos.

Estima-se que 23% da população do País é idosa ou tem algum tipo de deficiência. Os pesquisadores visitaram unidades comuns e aquelas pertencentes ao Programa Saúde da Família (PSF). As regiões de estudo foram escolhidos pelo Ministério da Saúde, que financia uma avaliação da expansão do PSF para grandes cidades cujo objetivo é orientar as prefeituras.

Os direitos das pessoas com deficiência e idosos são garantidos pela legislação nacional, na Constituição Federal e na Lei Orgânica da Saúde. Já Associação Brasileira de Normas Técnicas tem diretrizes para a construção de prédios acessíveis. "Além disto, sabemos que estamos passando por uma transição demográfica, de envelhecimento da população, e existe necessidade de se prepare o terreno para isso", diz um dos autores do trabalho, o fisioterapeuta Fernando Siqueira, do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Universidade Católica. "Para ter acesso à saúde, é preciso acesso no plano físico", afirma o pesquisador, que considera o resultado alarmante.

Um dos problemas mais frequentes relatados pela pesquisa foi a ausência de rampas de acesso e, mesmo quando elas existiam, não tinham corrimões. Para piorar, a maioria das unidades também não dispunha de cadeiras de rodas para transportar os pacientes. Os pesquisadores não divulgaram dados por município.

A cidade de São Paulo, que não foi alvo do estudo, apesar de ter avançado na adaptação das unidades de saúde, ainda tem problemas em relação à acessibilidade, segundo o Conselho Municipal de Saúde.

"As unidades que têm escada ganharam elevadores, mas quase sempre eles estão quebrados", afirma Francisca Chagas, representante das pessoas com deficiência. A unidade de Santa Cecília, no centro, é uma delas. "Eles me perguntaram se eu poderia subir. Até é bom porque faço exercício", disse Maurício Monge, de 50 anos, que, apoiado em uma muleta, descia devagar a escada.

Segundo a prefeitura, 90% dos postos garantem a acessibilidade e, na unidade, os médicos descem a escada quando necessário. "Mas o fato de ter rampa não significa que a unidade é acessível Ela pode ter rampa e não ter elevador", diz a vereadora Mara Gabrilli (PSDB), que participou de CPI que tratou da acessibilidade.