Adelson Elias Vasoncellos
O senador tucano Arthur Virgílio foi muito além de criticar a ação do governo no caso do dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique e sua esposa, D. Ruth Cardoso. Propôs, em tom de desafio, que o atual e ex-presidente, conjuntamente com as respectivas esposas, e mais os vice-presidente de antes e de agora, também conjuntamente com suas respectivas esposas, abrissem seus sigilos quanto aos gastos com cartões corporativos para a CPI. Como se vê, aposta de alto risco.
Para quem tem a mania de ainda encher a paciência de acusar o ex-presidente FHC por todos os males pelos quais padece o o Brasil, como é o caso do senhor Luiz Inácio e sua malta, além, é claro, dos jornalistas genuflexos ao lulo-petismo, talvez até pensasse que FHC iria desconversar.
Sabem qual foi a resposta ? O homem topou.
Fernando Henrique Cardoso (FHC) topou abrir o sigilo das chamadas contas tipo B (quando são usados cheques para efetuar pagamentos) e de cartões corporativos dele e de sua mulher, a ex-primeira dama Ruth Cardoso, no período em que foi presidente da República, entre 1998 e 2002.
Uma carta escrita à mão por FHC autoriza a quebra de sigilo e está a caminho do gabinete do senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado.
O cuidado de FHC em escrever a carta com sua própria letra é para garantir que ninguém invalide depois a autorização dizendo que ela partiu de um assessor dele.
De certa forma, essa atitude serve para forçar Lula a responder de próprio punho ao pedido feito ontem por Virgílio, para que ele e FHC permitam a quebra de sigilo de gastos deles e de suas respectivas esposas.
Se Lula responder que não topa, além de pegar muito mal para ele, Virgílio poderá ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) alegando ter-lhe sido negado o acesso aos dados.
Virgílio já havia pedido ao STF o acesso aos dados sigilosos. Mas teve que retirar sua ação por não conseguir provar que as informações lhe foram negadas
Claro que a turma do DEM no início até quis gritar, mas acredito que Marco Maciel até topa participar do “bingo”.
Se assim for, vamos ver qual será a reação de Lula e do vice José Alencar. Particularmente, tenho para mim, que Lula vai fugir da briga com uma desculpa qualquer e ainda vai querer acusar FHC de alguma coisa. É bem do seu feitio. Mas, aí, não tenham dúvidas, vai escorregar na banana.
O fato é que, somente no período de Lula, os gastos dos cartões corporativos passaram, primeiro, a ser sigilosos, e segundo, fugiram do controle com uma brutal elevação, fosse do total gasto fosse dos saques em dinheiro vivo feitos à boca do caixa com os tais cartões. E foram exatamente estes os fatores que deram motivos para a abertura de CPI. Do tempo de FHC nunca houve o exagero tampouco o sigilo.
Portanto, Lula, seu vice e respectivas esposas, foram postos à prova . São bem consistentes os números que indicam, da parte do governo atual, o pagamento de despesas pessoais feitas com dinheiro público.
A versão dada pelos governistas quanto a existência do dossiê já foi brejo adentro. O próprio TCU se encarregou de carimbar como “mentira” as história mal contadas por Dilma, Tarso Genro e até do próprio Lula.
Vocês vão ver logo a seguir, a carta em que o ex-presidente FHC enviou, autorizaando a quebra de sigilo seu e de D. Ruth, e onde também deixa claro que, em seus dois mandatos, tanto os gastos com cartões quanto as contas tipo B, não receberam o carimbo de “sigilosas”. E que, tanto um quanto o outro, foram auditados e aprovados pelo TCU. Sigilo é coisa do governo atual. Vale lembrar, ainda, que, mesmo sem sigilo, nunca se soube que nos oitos anos de mandato de FHC, a segurança nacional tenha corrido algum tipo de risco ou sofrido alguma espécie de ameaça. E reparem na conduta civilizada de FHC: não agride, não ofende, não se exalta e ainda lança um véu de credibilidade sobre o governo atual. De fato, educação e civilidade não é para qualquer um...
Assim, não resta outra alternativa para Lula e José Alencar senão toparem o “bingo’ lançado pelo Arthur Virgílio. Fugir parecerá a todos aquilo que realmente é: que o sigilo é muito mais para encobrir ilegalidades do que defender a segurança nacional... Mas eu ainda duvido que eles tenham desprendimento e grandezas moral e de caráter. Aliás, os governistas agora usarão todos os meios possíveis para “esvaziar” a CPI e deter as investigações. A arma do covarde, quando confrontado com a verdade, é fugir.
"Estimado senador Arthur Virgílio:
Respondendo a carta em que vossa excelência me pede para autorizar a suspensão de sigilo sobre os gastos em cartões corporativos ou nas contas B (que se referem a suprimento de fundos) durante meu governo desejo esclarecer que:
1) Nunca houve sigilo nos gastos do Gabinete da Presidência durante meus dois mandatos, mesmo porque não há amparo legal para tal procedimento. Consultei a respeito ministros da Casa Civil e de Relações Institucionais, bem como o secretário-geral da Presidência, que me afiançaram que uma única vez, no início de meu primeiro mandato, lançou-se mão de reserva para a compra de material criptografado e de portas detetoras de metais. Mesmo neste caso, contudo, as contas foram devidamente prestadas ao Tribunal de Contas da União.
2) Não preciso, por conseqüência, abrir mão de prerrogativa que não usei e que é discutível. Basta requisitar as ditas contas à Casa Civil da Presidência da República.
Parece-me estranho, entretanto, que se inicie as apurações revisando contas de meu período governamental, já aprovadas pela Secretaria de Controle Interno da Presidência e pelo Tribunal de Contas da União. Os fatos determinados que deram origem a CPI dos cartões corporativos têm a ver com alegadas retiradas de vultuosas quantias de dinheiro por meio de cartões de crédito na atual administração. Estas é que teriam sido glosadas pelo TCU.
Ainda assim, e apesar da evidente intenção política de confundir a opinião pública como o vazamento recente de informações parciais e destorcidas das contas de meu governo (cuja autoria espero venha a ser efetivamente apurada pelo governo, pois tal procedimento constitui crime), se for para avançar as investigações e abranger o que de fato está em causa, não vejo inconveniente em que o PSDB peça que a CPI tome conhecimento das referidas contas, tanto no meu como no atual governo. É a única maneira de ambos governos se livrarem de suspeitas que, no meu caso, são infundadas e espero que também o sejam no caso do atual governo.
Com minhas cordiais saudações,
Fernando Henrique Cardoso."
O senador tucano Arthur Virgílio foi muito além de criticar a ação do governo no caso do dossiê sobre os gastos do ex-presidente Fernando Henrique e sua esposa, D. Ruth Cardoso. Propôs, em tom de desafio, que o atual e ex-presidente, conjuntamente com as respectivas esposas, e mais os vice-presidente de antes e de agora, também conjuntamente com suas respectivas esposas, abrissem seus sigilos quanto aos gastos com cartões corporativos para a CPI. Como se vê, aposta de alto risco.
Para quem tem a mania de ainda encher a paciência de acusar o ex-presidente FHC por todos os males pelos quais padece o o Brasil, como é o caso do senhor Luiz Inácio e sua malta, além, é claro, dos jornalistas genuflexos ao lulo-petismo, talvez até pensasse que FHC iria desconversar.
Sabem qual foi a resposta ? O homem topou.
Fernando Henrique Cardoso (FHC) topou abrir o sigilo das chamadas contas tipo B (quando são usados cheques para efetuar pagamentos) e de cartões corporativos dele e de sua mulher, a ex-primeira dama Ruth Cardoso, no período em que foi presidente da República, entre 1998 e 2002.
Uma carta escrita à mão por FHC autoriza a quebra de sigilo e está a caminho do gabinete do senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado.
O cuidado de FHC em escrever a carta com sua própria letra é para garantir que ninguém invalide depois a autorização dizendo que ela partiu de um assessor dele.
De certa forma, essa atitude serve para forçar Lula a responder de próprio punho ao pedido feito ontem por Virgílio, para que ele e FHC permitam a quebra de sigilo de gastos deles e de suas respectivas esposas.
Se Lula responder que não topa, além de pegar muito mal para ele, Virgílio poderá ingressar no Supremo Tribunal Federal (STF) alegando ter-lhe sido negado o acesso aos dados.
Virgílio já havia pedido ao STF o acesso aos dados sigilosos. Mas teve que retirar sua ação por não conseguir provar que as informações lhe foram negadas
Claro que a turma do DEM no início até quis gritar, mas acredito que Marco Maciel até topa participar do “bingo”.
Se assim for, vamos ver qual será a reação de Lula e do vice José Alencar. Particularmente, tenho para mim, que Lula vai fugir da briga com uma desculpa qualquer e ainda vai querer acusar FHC de alguma coisa. É bem do seu feitio. Mas, aí, não tenham dúvidas, vai escorregar na banana.
O fato é que, somente no período de Lula, os gastos dos cartões corporativos passaram, primeiro, a ser sigilosos, e segundo, fugiram do controle com uma brutal elevação, fosse do total gasto fosse dos saques em dinheiro vivo feitos à boca do caixa com os tais cartões. E foram exatamente estes os fatores que deram motivos para a abertura de CPI. Do tempo de FHC nunca houve o exagero tampouco o sigilo.
Portanto, Lula, seu vice e respectivas esposas, foram postos à prova . São bem consistentes os números que indicam, da parte do governo atual, o pagamento de despesas pessoais feitas com dinheiro público.
A versão dada pelos governistas quanto a existência do dossiê já foi brejo adentro. O próprio TCU se encarregou de carimbar como “mentira” as história mal contadas por Dilma, Tarso Genro e até do próprio Lula.
Vocês vão ver logo a seguir, a carta em que o ex-presidente FHC enviou, autorizaando a quebra de sigilo seu e de D. Ruth, e onde também deixa claro que, em seus dois mandatos, tanto os gastos com cartões quanto as contas tipo B, não receberam o carimbo de “sigilosas”. E que, tanto um quanto o outro, foram auditados e aprovados pelo TCU. Sigilo é coisa do governo atual. Vale lembrar, ainda, que, mesmo sem sigilo, nunca se soube que nos oitos anos de mandato de FHC, a segurança nacional tenha corrido algum tipo de risco ou sofrido alguma espécie de ameaça. E reparem na conduta civilizada de FHC: não agride, não ofende, não se exalta e ainda lança um véu de credibilidade sobre o governo atual. De fato, educação e civilidade não é para qualquer um...
Assim, não resta outra alternativa para Lula e José Alencar senão toparem o “bingo’ lançado pelo Arthur Virgílio. Fugir parecerá a todos aquilo que realmente é: que o sigilo é muito mais para encobrir ilegalidades do que defender a segurança nacional... Mas eu ainda duvido que eles tenham desprendimento e grandezas moral e de caráter. Aliás, os governistas agora usarão todos os meios possíveis para “esvaziar” a CPI e deter as investigações. A arma do covarde, quando confrontado com a verdade, é fugir.
"Estimado senador Arthur Virgílio:
Respondendo a carta em que vossa excelência me pede para autorizar a suspensão de sigilo sobre os gastos em cartões corporativos ou nas contas B (que se referem a suprimento de fundos) durante meu governo desejo esclarecer que:
1) Nunca houve sigilo nos gastos do Gabinete da Presidência durante meus dois mandatos, mesmo porque não há amparo legal para tal procedimento. Consultei a respeito ministros da Casa Civil e de Relações Institucionais, bem como o secretário-geral da Presidência, que me afiançaram que uma única vez, no início de meu primeiro mandato, lançou-se mão de reserva para a compra de material criptografado e de portas detetoras de metais. Mesmo neste caso, contudo, as contas foram devidamente prestadas ao Tribunal de Contas da União.
2) Não preciso, por conseqüência, abrir mão de prerrogativa que não usei e que é discutível. Basta requisitar as ditas contas à Casa Civil da Presidência da República.
Parece-me estranho, entretanto, que se inicie as apurações revisando contas de meu período governamental, já aprovadas pela Secretaria de Controle Interno da Presidência e pelo Tribunal de Contas da União. Os fatos determinados que deram origem a CPI dos cartões corporativos têm a ver com alegadas retiradas de vultuosas quantias de dinheiro por meio de cartões de crédito na atual administração. Estas é que teriam sido glosadas pelo TCU.
Ainda assim, e apesar da evidente intenção política de confundir a opinião pública como o vazamento recente de informações parciais e destorcidas das contas de meu governo (cuja autoria espero venha a ser efetivamente apurada pelo governo, pois tal procedimento constitui crime), se for para avançar as investigações e abranger o que de fato está em causa, não vejo inconveniente em que o PSDB peça que a CPI tome conhecimento das referidas contas, tanto no meu como no atual governo. É a única maneira de ambos governos se livrarem de suspeitas que, no meu caso, são infundadas e espero que também o sejam no caso do atual governo.
Com minhas cordiais saudações,
Fernando Henrique Cardoso."





