Adelson Elias, Vasconcellos
Dona Dilma disse que não há dossiê algum, Tarso Genro disse que é indecente e Lula afirmou ser “mentira”. Desmentidos oficiais de parte do governo. Certo? Porém, dona Dilma sempre “ciosa” de suas responsabilidades, disse que vai abrir “sindicância” para saber porque as informações vazaram. Ah, é, mas peraí: que informações, minha senhora ? As do dossiê ? Então há dossiê e é isto que importa.
Lula chegou ao ponto de afirmar “ ... Se não fiz dossiês em 2005, na época em que precisava fazer enfrentamentos, por que os faria agora. A quem pode interessar isso agora?". Pois é, né Lula, a diferença é que em 2005 foi o ano do mensalão, e como não havia mensalão do PSDB para investigar, não havia como montar “dossiês”, não é mesmo. E, já que falamos de passado, que tal o dossiê anti-tucano nas eleições de 2006, com gente da cozinha do presidente ? Então, se venha agora com este papo furado porque não cola.
Tem gente, inclusive que ainda questiona: o que o governo ganha com isso ? Ganha e ganha muito porque consegue praticar um crime e dele se esquivar. E o crime beneficia a ele próprio, já que a investigação toca no uso de dinheiro público. Além disto,
Mas repare ainda em outra “frase” da dona Dilma: a de que está sendo montado uma espécie de arquivo, por ordem do TCU. E que, referente ao governo Lula, já foi feito o trabalho e que agora está sendo feito referente ao período de 1998 a 2002. Apesar de ser uma original extravagância do governo atual, cinco anos depois, cadastrar despesas do governo anterior a ele, sabe-se que o governo atual está sim, no momento, debruçado sobre despesas do período de FHC. Portanto...
Na verdade, o que precisa ficar claro é o seguinte: tanto a CPI das ONGs quanto a dos cartões corporativos, e de acordo com o que manda o manual para instalações de CPIs, só foram instaladas a partir de um fato determinado. E qual foi o fato ? Do lado das ONGs, além da fabulosa fortuna transferida sem critérios para tais entidades e cujo volume cresceu muito nos últimos anos, também havia relatórios do Tribunal de Contas informando e relatando inúmeras irregularidades, por exemplo, do tipo de se continuar transferindo recursos mesmo que uma e outra entidade não fizessem a necessária prestação de contas.
De parte dos cartões vale aqui registrar que os números são impressionantes. Quando de sua criação, era obrigatório que cada pessoa portadora de cartão, exibisse mensalmente o extrato de gastos para que o mesmo fosse exibido no Portal da Transparência. Porém, a história acabou diferente, através de um decreto do senhor Luz Inácio, foram liberados “apenas” a exibição de menos de 3% do total, o resto permanece sob sigilo.
Aqui, vários foram os artigos com dados e números através dos quais demonstramos o abuso e a total falta de transparência para os gastos.
Foi tanto o incremento no volume de despesas que, para um governo que assumiu com um total gasto de 14,0 milhões no governo anterior sendo pouco mais de 4,0 no Gabinete da Presidência, que ficou visível a falta de controle em 2007, quando chegou a 75,0 milhões de gastos, sendo 56,0 milhões em saques de dinheiro em espécie.
E foi exatamente o fato determinado que motivou e justificou a CPMI dos cartões. Quisesse o governo atual, ou mesmo o PT investigar gastos do governo anterior, fosse nos cartões (que nada havia pelo volume até baixo), ou mesmo das contas tipo B, deveria, das duas, ter tomado ao menos uma medidas: ou instalasse um CPMI sobre aquele período, ou solicitasse ao Tribunal de Contas uma auditoria. Como não fez, não pode agora acenar “ameaçadoramente”, com o intuito de constranger, intimidar e chantagear, uma CPMI instalada com o fito de investigar aquilo a que se propôs investigar: o abuso e a falta de transparência nos gastos dos cartões corporativos.
Portanto, fez bem a Revista VEJA em informar a existência do tal dossiê, sem contudo escorregar no terreno pantanoso de divulga a totalidade de seu conteúdo. Seu trabalho é jornalístico, não policialesco, e a serviço dos governantes imorais. Compete, conforme já manifestei anteriormente, que a oposição, primeiro, caia fora do circo que se tentou armar, a começar pelo moleque do tal relator que se nega em fazer o trabalho que lhe compete. Se o seu desejo é não investigar coisa nenhuma e ainda ficar “criando” clima, que caia fora.
Se as oposições desejam levar a sério esta investigação, devem além de caírem fora, denunciar a farsa e bater nos tribunais para que o governo cumpra com o dever constitucional de prestar contas do modo como aplica e gasta o dinheiro que não lhe pertence. Ele é da sociedade e deve ser usado em benefício dela e não, também conforme já disse, apenas para ostentação e gastos pessoais de meia dúzia de favorecidos.
Lá no alto, quando analisamos a versão da dona Dilma, chamamos de “extravagância” do governo atual, recadastrar, cinco anos depois, despesas realizadas pelo governo anterior para atender pedido do TCU... Poderíamos, até, naquele momento, chamar a dita senhora de mentirosa. Estávamos tentando ser.. como vou dizer... generosos com a gerentona do PAC. Até porque temos em nossos arquivos, reportagem na qual, em 2006, o próprio TCU já travava uma briga de foice com governo Lula por conta de sua negativa em fornecer para a análise, justamente as despesas efetuadas com cartões corporativos pelo... governo Lula. Na época, o TCU reclamava que somente tivera acesso a menos de 10% do total executado...
Como o TCU não é chefiado por gente tipo o “controlador” que comanda a CGU, hoje, veio à luz o necessário esclarecimento do TCU sobre a tal recomendação que Dilma falou:
Está lá, na Folha de São Paulo, reportagem de Marta Salomon e Silvana De Freitas:
Dona Dilma disse que não há dossiê algum, Tarso Genro disse que é indecente e Lula afirmou ser “mentira”. Desmentidos oficiais de parte do governo. Certo? Porém, dona Dilma sempre “ciosa” de suas responsabilidades, disse que vai abrir “sindicância” para saber porque as informações vazaram. Ah, é, mas peraí: que informações, minha senhora ? As do dossiê ? Então há dossiê e é isto que importa.
Lula chegou ao ponto de afirmar “ ... Se não fiz dossiês em 2005, na época em que precisava fazer enfrentamentos, por que os faria agora. A quem pode interessar isso agora?". Pois é, né Lula, a diferença é que em 2005 foi o ano do mensalão, e como não havia mensalão do PSDB para investigar, não havia como montar “dossiês”, não é mesmo. E, já que falamos de passado, que tal o dossiê anti-tucano nas eleições de 2006, com gente da cozinha do presidente ? Então, se venha agora com este papo furado porque não cola.
Tem gente, inclusive que ainda questiona: o que o governo ganha com isso ? Ganha e ganha muito porque consegue praticar um crime e dele se esquivar. E o crime beneficia a ele próprio, já que a investigação toca no uso de dinheiro público. Além disto,
Mas repare ainda em outra “frase” da dona Dilma: a de que está sendo montado uma espécie de arquivo, por ordem do TCU. E que, referente ao governo Lula, já foi feito o trabalho e que agora está sendo feito referente ao período de 1998 a 2002. Apesar de ser uma original extravagância do governo atual, cinco anos depois, cadastrar despesas do governo anterior a ele, sabe-se que o governo atual está sim, no momento, debruçado sobre despesas do período de FHC. Portanto...
Na verdade, o que precisa ficar claro é o seguinte: tanto a CPI das ONGs quanto a dos cartões corporativos, e de acordo com o que manda o manual para instalações de CPIs, só foram instaladas a partir de um fato determinado. E qual foi o fato ? Do lado das ONGs, além da fabulosa fortuna transferida sem critérios para tais entidades e cujo volume cresceu muito nos últimos anos, também havia relatórios do Tribunal de Contas informando e relatando inúmeras irregularidades, por exemplo, do tipo de se continuar transferindo recursos mesmo que uma e outra entidade não fizessem a necessária prestação de contas.
De parte dos cartões vale aqui registrar que os números são impressionantes. Quando de sua criação, era obrigatório que cada pessoa portadora de cartão, exibisse mensalmente o extrato de gastos para que o mesmo fosse exibido no Portal da Transparência. Porém, a história acabou diferente, através de um decreto do senhor Luz Inácio, foram liberados “apenas” a exibição de menos de 3% do total, o resto permanece sob sigilo.
Aqui, vários foram os artigos com dados e números através dos quais demonstramos o abuso e a total falta de transparência para os gastos.
Foi tanto o incremento no volume de despesas que, para um governo que assumiu com um total gasto de 14,0 milhões no governo anterior sendo pouco mais de 4,0 no Gabinete da Presidência, que ficou visível a falta de controle em 2007, quando chegou a 75,0 milhões de gastos, sendo 56,0 milhões em saques de dinheiro em espécie.
E foi exatamente o fato determinado que motivou e justificou a CPMI dos cartões. Quisesse o governo atual, ou mesmo o PT investigar gastos do governo anterior, fosse nos cartões (que nada havia pelo volume até baixo), ou mesmo das contas tipo B, deveria, das duas, ter tomado ao menos uma medidas: ou instalasse um CPMI sobre aquele período, ou solicitasse ao Tribunal de Contas uma auditoria. Como não fez, não pode agora acenar “ameaçadoramente”, com o intuito de constranger, intimidar e chantagear, uma CPMI instalada com o fito de investigar aquilo a que se propôs investigar: o abuso e a falta de transparência nos gastos dos cartões corporativos.
Portanto, fez bem a Revista VEJA em informar a existência do tal dossiê, sem contudo escorregar no terreno pantanoso de divulga a totalidade de seu conteúdo. Seu trabalho é jornalístico, não policialesco, e a serviço dos governantes imorais. Compete, conforme já manifestei anteriormente, que a oposição, primeiro, caia fora do circo que se tentou armar, a começar pelo moleque do tal relator que se nega em fazer o trabalho que lhe compete. Se o seu desejo é não investigar coisa nenhuma e ainda ficar “criando” clima, que caia fora.
Se as oposições desejam levar a sério esta investigação, devem além de caírem fora, denunciar a farsa e bater nos tribunais para que o governo cumpra com o dever constitucional de prestar contas do modo como aplica e gasta o dinheiro que não lhe pertence. Ele é da sociedade e deve ser usado em benefício dela e não, também conforme já disse, apenas para ostentação e gastos pessoais de meia dúzia de favorecidos.
Lá no alto, quando analisamos a versão da dona Dilma, chamamos de “extravagância” do governo atual, recadastrar, cinco anos depois, despesas realizadas pelo governo anterior para atender pedido do TCU... Poderíamos, até, naquele momento, chamar a dita senhora de mentirosa. Estávamos tentando ser.. como vou dizer... generosos com a gerentona do PAC. Até porque temos em nossos arquivos, reportagem na qual, em 2006, o próprio TCU já travava uma briga de foice com governo Lula por conta de sua negativa em fornecer para a análise, justamente as despesas efetuadas com cartões corporativos pelo... governo Lula. Na época, o TCU reclamava que somente tivera acesso a menos de 10% do total executado...
Como o TCU não é chefiado por gente tipo o “controlador” que comanda a CGU, hoje, veio à luz o necessário esclarecimento do TCU sobre a tal recomendação que Dilma falou:
Está lá, na Folha de São Paulo, reportagem de Marta Salomon e Silvana De Freitas:
No intervalo de poucas horas, o Tribunal de Contas da União derrubou ontem a versão apresentada mais cedo pelo governo para tentar explicar o vazamento de dados sigilosos sobre despesas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o TCU, não foi pedida nenhuma informação da base de dados do Planalto.
Em sua última edição, a revista "Veja" diz que o Planalto preparou dossiê com gastos do governo tucano. A ameaça de divulgação dos dados teria por objetivo constranger a oposição na apuração dos gastos com cartões corporativos do governo Lula, na CPI dos Cartões.
O TCU fez três auditorias sobre cartões no governo Lula. Em 2006, obteve dados sobre as despesas com suprimento de fundos do Planalto limitadas ao período entre 2002 e 2005.
O relatório encaminhado ao tribunal na ocasião não continha dados como os divulgados pela revista, referentes a gastos de 1998 a 2001 do ex-presidente, de sua mulher, Ruth Cardoso, e de assessores, além de detalhes sobre gastos secretos.
Assim, tal como ocorrera na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, que acabou derrubando o Antonio Palocci, e também mais adiante com o tal dossiê anti-tucano, o que se nota é que o vício de bisbilhotar a vida alheia como forma de intimidação, não se trata apenas de um vício, trata-se sim de um método de governo que, invariavelmente, as esquerdas sempre adoraram empregar por onde passaram, muito próprio de regimes autoritários.
E, o uso por parte do governo, de informações sigilosas para chantagear adversários, mais do que transformar o Estado Democrático em Estado policial, se configura na prática de crime, passível, portanto, de condenação judicial.
Tem a oposição aí todos os elementos, presentes e passados, para um enfrentamento direto com o governo. Resta saber se, a exemplo de 2005 com o mensalão, uma vez mais irá se acovardar. Na apenas para o país, mas especialmente para o fortalecimento das nossas instituições democráticas, é de se esperar que não.
Em tempo: perguntado sobre o dossiê, Lula se apressou em dizer “é mentira”. É mentira de quem mesmo, Lula ?