quarta-feira, dezembro 16, 2009

Homenagem de magistrados ao MST???

Renato Pacca, Traduzindo o juridiquês, O Globo

Nenhum grande órgão de imprensa noticiou o que vai abaixo e consta no site do MST. Leiam, por favor, pois se me contassem eu custaria a acreditar. Comento ao final.

Na noite desta quinta-feira (3/12), a diretoria da Associação de Juízes pela Democracia (AJD) entregou ao MST uma homenagem especial. Em São Paulo, os magistrados comprometidos com a transformação social entregaram a militantes do Movimento uma pintura inédita, que representa a luta de Dom Quixote contra os ‘moinhos da opressão’.

O reconhecimento é realizado anualmente pela Associação, e é concedido a personalidades que lutam pela democracia e pelos direitos humanos. Nos seus quase vinte anos de existência, a entidade já homenageou nomes como Evandro Lins e Silva e Fabio Konder Comparato, entre outros. Neste ano, homenageou o MST como um personagem coletivo, pela trajetória de 25 anos de lutas por Reforma Agrária.

Na atividade, representaram o MST os militantes João Paulo Rodrigues e João Pedro Stedile, de São Paulo, e Joba Alves, de Pernambuco. Pela diretoria da Associação, participaram em torno de 15 pessoas.

Sobre a AJD

O ideal de reunir institucionalmente magistrados comprometidos com o resgate da cidadania do juiz, por meio de uma participação transformadora na sociedade, num sentido promocional dos direitos fundamentais, concretizou-se em 13 de maio de 1991, com a fundação, nas dependências da Faculdade de Direito da USP, da Associação Juízes para a Democracia.

A AJD, entidade civil sem fins lucrativos ou interesses corporativistas, tem objetivos estatutários que se concretizam na defesa intransigente dos valores próprios do Estado Democrático de Direito, na defesa abrangente da dignidade da pessoa humana, na democratização interna do Judiciário (na organização e atuação jurisdicional) e no resgate do serviço público (como serviço ao público) inerente ao exercício do poder, que deve se pautar pela total transparência, permitindo sempre o controle do cidadão.

Hoje, passados mais de dez anos, a entidade se expandiu. De âmbito nacional, encontrou companheiros em todos os quadrantes do país. Organiza cursos e seminários; mantém estreito contato com a universidade e com o mundo da política; edita o jornal "Juízes para a Democracia", com tiragem atual de 20.000 exemplares; e publica a "Revista Justiça e Democracia", que já se encontra no quarto número, divulgando o debate institucional sobre a comunidade judiciária e trazendo informações e artigos técnicos que se vinculem a uma visão mais moderna, libertária e humana da experiência jurídica.

A entidade tem manifestado insistentemente a pretensão de ser participativa, visando o aprimoramento do Judiciário para adaptá-lo a dar respostas eficazes a conflitos cada vez mais complexos e inéditos que surgem na sociedade de massa e, também, de trabalhar para que a mentalidade e a cultura jurídica dos juízes se abram para novas posturas, buscando na heterointegração da lei e na interdisciplinariedade uma visão crítica que leve à realização substancial da democracia e à justiça social.

Notem o absurdo: Juízes homenageiam o MST, pela luta do movimento em prol da "democracia e dos direitos humanos". Logo o MST, que não respeita decisões judiciais, que comete crimes e se pretende acima da Lei e da Justiça. Veja a noção que esse pessoal do "direito achado na rua" tem da democracia, subvertendo todo o conceito! Esse é o quadro...

Mas existe uma particularidade irônica que vale a pena ressaltar. Os magistrados não leram (e obviamente os integrantes do MST também não) a fantástica obra de Cervantes. Se leram nada entenderam, pois a homenagem consistiu na entrega de uma pintura que representa a luta de Dom Quixote contra os "moinhos da opressão".

Ora, Cervantes colocou Dom Quixote como um sujeito que perde a razão já depois de uma certa idade, após ler muitos romances de cavalaria, e resolve sair pelo mundo com esses ideais equivocados. Nesse sentido, o prêmio da AJD ao MST é sintomático.

As fantasias de Dom Quixote são desmentidas pela realidade e ele só recupera o juízo no final da vida. Será que o MST e a AJD conseguirão o mesmo ou continuarão a lutar contra os "moinhos da opressão"? É mais fácil esperar bom senso de Rocinante...

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Repulsivo? Deprimente? É pouco para qualificar esta turma que perdeu não apenas o senso do ridículo, mas o respeito por si mesmo. E o raio que é a gente que paga por “tudo isso”, por todo este lixo, por toda esta bandalheira...

Governo Kirchner suspende fusão de empresas do Grupo Clarín

Ariel Palácios, de O Estado de S. Paulo

Desde o ano passado, grupo denunciou casos de corrupção; imagem do casal despenca entre argentinos


Quase 57% dos argentinos acreditam que Cristina tenha imagem negativa

BUENOS AIRES - O governo da presidente Cristina Kirchner desferiu mais um golpe contra o Grupo Clarín, ao declarar a suspensão da fusão entre as empresas de TV a cabo Cablevisión e Multicanal, controladas pelo maior holding multimídia da Argentina.

Paradoxalmente, a fusão de ambas empresas havia sido autorizada no dia 9 de dezembro de 2007, último da jornada do governo do marido da presidente Cristina, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007). Na ocasião, Kirchner permitiu que o Grupo Clarín obtivesse o controle de 50% do mercado de TV a cabo na Argentina.

A suspensão da fusão decretada pela comissão terá duração de 60 dias. Nesse período o organismo analisará quais serão os passos a seguir para implementar o fim da fusão.

Os Kirchners estão em pé de guerra com o Clarín desde o início do ano passado, época na qual o grupo de mídia afastou-se do casal presidencial - com o qual havia tido boas relações durante seis anos - e transformou-se na principal fonte de denúncias de casos de corrupção dentro do governo.

Ao longo dos últimos meses, e especialmente desde a derrota nas eleições parlamentares de junho, o governo acusou a imprensa de realizar uma "campanha" contra o casal Kirchner. A presidente Cristina afirmou que é vítima de um "fuzilamento midiático" e indicou que vários setores da imprensa são "golpistas".

Recentemente, o governo conseguiu que o Parlamento aprovasse a polêmica "Lei de Mídia", que implica em graves restrições à atuação dos grupos de mídia. Os diretores da Cablevisión emitiram um comunicado no qual chamam a suspensão de "abusiva e arbitrária". O Grupo Clarín pedirá a anulação da resolução que suspende a fusão.

O Grupo argumenta que fez investimentos nas duas empresas mais além dos planejados originalmente. De um total de US$ 182 milhões previstos inicialmente, o Grupo Clarín investiu US$ 632 milhões nos dois últimos anos. As duas empresas - que também são provedoras de internet - geram 62% do faturamento do Grupo Clarín.

Em setembro, outro organismo do governo, o Comitê Federal de Radiodifusão havia emitido uma resolução negando o pedido de fusão feito dois anos antes. Na época, Kirchner - considerado o verdadeiro poder no governo da esposa - teria ordenado a seus assessores e aliados um peculiar modus operandi contra o Grupo Clarín: "batam até que joguem a toalha".

Imagem
Uma pesquisa realizada pela consultoria Mangement & Fit indicou que o ex-presidente Kirchner, deputado federal desde a semana passada, tem uma imagem negativa popular de 62,3%. Logo atrás dele está sua esposa Cristina Kirchner, com 56,9% de imagem negativa.

A diplomacia da provocação

Estadão

O chanceler Celso Amorim deixou para o assessor internacional do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, e o secretário-geral do Itamaraty, Antônio Patriota, a missão de se reunir com o secretário-assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA, Arturo Valenzuela, que começou por Brasília a sua primeira visita oficial à região. Partindo da premissa de que um diplomata de sua importância só deve falar com seus iguais - e daí para cima -, Amorim há de ter imaginado que, se ele próprio se sentasse à mesa com a principal autoridade do Departamento de Estado para as Américas, estaria dando uma demonstração pública de apequenamento do Brasil diante dos EUA. Como se a estatura de uma nação na cena internacional tivesse algo a ganhar com miudezas dessa ordem. Diplomata habilidoso, Valenzuela não se deu por achado. Após duas horas com o assessor Garcia, declarou que "foi uma conversa ótima. Temos diferenças que são normais". A resposta de seu interlocutor foi igualmente amável e conciliadora.

Puerilidades pontuam a política do governo Lula em relação ao país que mais conta no mundo. Há poucas semanas, Brasília cometeu a impropriedade de divulgar uma mensagem reservada de Obama a Lula, que entrou no fax do Planalto, não por acaso, na véspera da visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Vista da perspectiva de Washington, a carta era uma deferência ao Brasil. Para piorar as coisas, o assessor Garcia se permitiu dizer que a conduta do presidente americano deixava um "sabor de decepção". Ironicamente, quando o titular da Casa Branca se chamava George W. Bush, a atitude brasileira diante dos EUA era muito mais amena. O "cara", como diria o seu sucessor, se dava melhor com o texano ronceiro. Lula, como se sabe, tem horror a líderes cerebrais e uma compulsão para se mostrar superior a eles. Essa circunstância dá um sabor de provocação à diplomacia lulista no que diga respeito aos americanos.

Não bastasse a megalomania que a orienta, o presidente parece convencido de que a projeção do País no mundo será tanto maior quanto mais a política externa brasileira se caracterizar pelo contencioso com os EUA, para além das divergências normais no relacionamento bilateral. Essa tolice é insuflada por um antiamericanismo reminiscente dos anos Geisel, sob a ditadura militar. Confundindo diplomacia assertiva com a busca de pretextos para criar marola, o Itamaraty só muito raramente se esforça para minimizar ostensivamente os atritos com Washington. Enquanto isso, enfatizando a política de diálogo de Obama, o seu enviado para a América Latina investiu na distensão. "Apenas temos diferentes avaliações sobre alguns tipos de assuntos", disse Valenzuela a jornalistas brasileiros antes de embarcar. O primeiro desses assuntos é a política nuclear do Irã.

Mais do que a própria acolhida a Ahmadinejad, o que calou nos EUA foi o endosso de Lula ao inquietante projeto iraniano. Teerã, declarou, "tem o direito de desenvolver um programa nuclear com fins pacíficos" - isso depois de tudo que o país fez para ocultar dos inspetores internacionais as suas atividades no setor, das sanções que lhe foram impostas pelo Conselho de Segurança da ONU e da sua recusa de enviar urânio ao exterior de onde o receberia de volta enriquecido o suficiente apenas para aplicações civis. Lula imagina que o Brasil poderia mediar entre o Irã e os EUA. É a mesma soberba que o leva a falar em promover a paz entre israelenses e palestinos, esquecido de que nenhuma iniciativa do Itamaraty de resolver desavenças mesmo entre os vizinhos deu algum resultado - nem entre a Argentina e o Uruguai, na questão das papeleiras, nem entre a Venezuela e a Colômbia, por causa do acordo militar colombiano-americano.

O Brasil, subordinando-se indiretamente a Hugo Chávez, respalda a Unasul, que não passa de uma pífia tentativa de criar um foro regional sem a presença dos EUA. No caso da crise hondurenha, o realismo de Washington, ao reconhecer que as eleições presidenciais zeraram o problema da deposição do presidente Manuel Zelaya, deixou patente a futilidade do alinhamento brasileiro com o dono do chapelão que há três meses adorna a embaixada em Tegucigalpa. A fixação antiamericana do Itamaraty é um chavismo de segunda.

Entenda o que muda com a Venezuela no Mercosul

BBC Brasil


Adesão da Venezuela ainda depende de aprovação do Congresso paraguaio

O Senado brasileiro aprovou, nesta terça-feira, o protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul. A decisão ocorre depois de meses de discussões entre parlamentares governistas e de oposição.

Com a aprovação do Senado, o ingresso efetivo do país no bloco passa a depender apenas do Congresso paraguaio, que esperava a decisão do Brasil para votar.

O protocolo foi assinado em 2006 e deve ser aprovado por todos os integrantes para que o país se torne um membro integral do bloco. Argentina e Uruguai já ratificaram o ingresso da Venezuela no Mercosul.

Abaixo, a BBC Brasil responde a algumas perguntas sobre os impactos da entrada da Venezuela no Mercosul.

Que impacto a entrada da Venezuela no Mercosul deverá ter no bloco e nas relações com outros países?

Setores contrários à entrada da Venezuela no Mercosul afirmam que o governo do presidente Hugo Chávez deixa a desejar em relação ao respeito aos princípios democráticos e que a adesão de seu país pode ser prejudicial ao bloco.

De acordo com analistas consultados pela BBC Brasil, o estilo "personalista" de Chávez pode ser motivo de temor em alguns países da região.

"É um tipo de governo que, de alguma forma, traz outro comportamento para dentro do Mercosul", diz Sônia de Carmago, professora da PUC-Rio. Segundo ela, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem uma atuação "agregadora" em política externa, o presidente venezuelano é mais intempestivo e cultiva um "nacionalismo exacerbado".

José Alexandre Hage, professor de Relações Internacionais da Trevisan Escola de Negócios, questiona ainda como o bloco irá agir diante de problemas que a Venezuela tradicionalmente tem, como os conflitos com a Colômbia.

"Se a Venezuela entra no Mercosul, de certa forma estamos corroborando os problemas dela. E a rivalidade que a Venezuela tem com a Colômbia, por exemplo? Como fica o bloco?", questiona.

O discurso antiamericano do presidente da Venezuela também é visto por alguns como um problema, e há o temor de que possa prejudicar as relações do bloco com os Estados Unidos. "Uma alta dose de Chávez no Mercosul pode aumentar uma ideologização antiamericana", diz Hage.

Há ainda o temor de que a presença da Venezuela prejudique as negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

No entanto, o argumento dos defensores do ingresso da Venezuela no Mercosul é o de que não se pode impedir a entrada do povo venezuelano no bloco devido à atual circunstância política e que deixar o governo Chávez isolado seria pior.

"O problema não é a Venezuela, todo mundo quer que a Venezuela faça parte do Mercosul. O problema é o governo Chávez", diz Georges Landau, conselheiro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

A Venezuela deve se beneficiar da integração comercial com o Mercosul. De acordo com alguns analistas, também o bloco teria benefícios com o ingresso do país.

"Do ponto de vista de se criar um bloco político mais coeso, a entrada da Venezuela pode ajudar. De certa forma, os países que compõem o Mercosul são muito parecidos na essência, com governos de centro-esquerda, com traços de um certo nacionalismo. O Chávez é um pouco mais denso nesse nacionalismo, isso pode dar ao bloco um pouco mais de consistência", afirma Hage.

O ingresso da Venezuela no Mercosul pode aumentar o poder de influência de Hugo Chávez na região?

Alguns analistas afirmam que o ingresso da Venezuela no Mercosul dará a Chávez mais poder de influência na região. O país, que já integra a Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) e a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), ganharia um palco importante.

"Aumenta o grau de projeção de Chávez, tem muito mais espaço de articulação", diz Hage. "Ganharia um palco muito melhor que Unasul e Alba, que são expectativas, enquanto o Mercosul, apesar da crise, realmente existe."

Como os venezuelanos veem a adesão do país ao bloco?
Um dos principais opositores de Chávez, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, esteve no Brasil em outubro e defendeu a aprovação da entrada da Venezuela no Mercosul. O líder opositor disse que o povo venezuelano não pode ser punido com o isolamento por causa do governo Chávez.

Além disso, há a expectativa de que, com a entrada da Venezuela, aumente o poder de pressão do Mercosul sobre o governo Chávez, para que cumpra pré-requisitos democráticos. Em uma audiência no Senado, Ledezma disse que a adesão da Venezuela ao Mercosul seria uma chance de "enquadrar" Chávez.

O Protocolo de Ushuaia, parte do Tratado de Assunção, que criou o Mercosul, afirma que "a plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração" do bloco. Em caso de não cumprimento das cláusulas democráticas, um país pode sofrer suspensão.

"A Venezuela é uma democracia em termos formais, mas tem uma forma de governo muito autoritária", diz Sonia de Camargo.

No entanto, alguns analistas afirmam que os resultados práticos desse tipo de pressão por parte do Mercosul podem ficar aquém do esperado. "Não há mecanismos para isso, porque o Mercosul é muito pouco institucionalizado", diz Hage.

Apesar das limitações, alguns defensores do ingresso da Venezuela no Mercosul afirmam que é melhor ter o país no bloco, atendendo a algumas regras, do que independente e sem controle.

Qual o impacto econômico da adesão da Venezuela ao Mercosul?
No ano passado, a balança comercial do Brasil com a Venezuela alcançou US$ 5,7 bilhões, com superávit de US$ 4,6 bilhões para o Brasil.

Desde 2007, o Brasil passou a ser o segundo sócio comercial do país, ficando atrás somente dos Estados Unidos, principal consumidor do petróleo venezuelano.

A Venezuela importa 70% do que consome, a maior parte da Colômbia e dos Estados Unidos. Defensores afirmam que o ingresso do país no Mercosul traria vantagens econômicas e fortaleceria o PIB do bloco. Também estenderia o bloco para o norte da América do Sul, com influência na região caribenha e benefícios para os Estados da região norte do Brasil.

Para fazer parte do Mercosul, a Venezuela tem de cumprir critérios, entre eles a adoção da Tarifa Externa Comum (TEC), vigente no comércio do bloco. Críticos afirmam que a Venezuela ainda não cumpriu esses critérios e não aceitou o tratado de tarifas comuns com terceiros países.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A verdade é que, com ou sem a Venezuela no Mercosul, isto não afetaria a relação entre Brasil e o país vizinho. Se a relação já era boa antes, mesmo que o Senado tivesse recusado seu ingresso, dada a dependência da Venezuela às importações, a relação tenderia a se manter no mesmo nível.

O que se passa, de fato, é que havia um forte lobby das empreiteiras brasileiras com interesses localizados naquele país e que pressionaram por sua aprovação.

É bom lembrar que são as empreiteiras as maiores doadoras para as campanhas eleitorais, como a de 2006, e no ano que vem,k teremos eleições novamente, portanto, os caixas dos partidos estão ávidos por doações generosas.... Portanto, a aprovação se deu muito mais para manutenção da relação comercial dos doadores com os beneficiados. No fundo, os senadores agiram em causa própria. O Mercosul, neste casso, serviu apenas como pretexo para encobrir as verdadeiras razões... Como venho afirmando há muito tempo, tanto o Senado quando a Câmara se tornaram verdadeiras casas de tolerância. E explícita, no seu pior sentido.

Por que continuam se enfurecendo contra Honduras?

Alejandro Peña Esclusa, Mídia Sem Máscara

A defenestração de Zelaya jogou por terra simultaneamente o projeto expansionista do FSP e o multimilionário negócio das FARC.

Mesmo depois que Honduras mantivesse um processo eleitoral limpo e transparente. Mesmo depois que se cumprisse cabalmente com o Acordo Guaymuras, posto que o Congresso já decidiu, por uma ampla maioria de 111 votos contra 14, que a restituição de Zelaya é inconstitucional. E mesmo depois que Micheletti se comprometesse a entregar o poder em janeiro, ainda existem setores da comunidade internacional que continuam exigindo a restituição de Zelaya.

A que se deve esta obstinação? Por que tanto enfurecimento? Por ignorância? Por desinformação? Não. A explicação tem a ver com motivos muito diferentes dos que se esgrimem.

Quando as instituições hondurenhas decidiram destituir Zelaya, a fim de salvaguardar devidamente sua Constituição, desencadearam - sem saber e sem propor - um poderoso complô internacional.

O plano, elaborado pelo Foro de São Paulo (FSP), consistia em utilizar Honduras, El Salvador e Nicarágua, para expandir a revolução bolivariana por toda a região, com o objetivo final de apoderar-se do México. Além disso, as FARC - que constituem o principal cartel da cocaína do hemisfério - tinham em Honduras um de seus principais centros de aprovisionamento para o transporte da droga para os Estados Unidos.

A defenestração de Zelaya jogou por terra simultaneamente o projeto expansionista do FSP e o multimilionário negócio das FARC.

A Chávez e seus aliados do Foro de São Paulo pouco lhes importa o bem-estar de Zelaya ou a democracia hondurenha; só lhes interessa desestabilizar tanto o atual governo de Micheletti, quanto o próximo de Porfirio Lobo, para colocar um títere no poder que lhes permita retomar seus planos de expansão.

Muitos dos que pedem a cabeça de Micheletti não o fazem por defender a democracia, senão porque, em sua qualidade de membros do Foro de São Paulo, vêm seus turvos interesses seriamente afetados.

Os hondurenhos já demonstraram sua vocação pacífica e seu apego às leis. Depois das eleições ocorridas no passado 29 de novembro, já não se pode lhes exigir nenhuma outra explicação.

Agora corresponde aos críticos de Honduras explicar por quê continuam desestabilizando esse país: O fazem para agradar a Chávez? Por acaso receberam maletas cheias de petrodólares? O fazem porque estão envolvidos no negócio do narcotráfico? Ou porque são aliados das FARC?

As respostas a todas estas perguntas estão contidas nos computadores de Raúl Reyes. Já é hora de que toda a informação registrada nesses computadores saia à luz.

* Presidente de UnoAmérica

Tradução: Graça Salgueiro

Campanha da Ficha Limpa

Arlindo Montenegro, Alerta Total


O endereço é: http://caranovanocongresso.blogspot.com/ - responsável pela campanha da Ficha Limpa, que reuniu 1 milhão e meio de assinaturas para um projeto lei de iniciativa popular, que o Sr. Temer engavetou. Se fosse Lei ainda este ano, nas próximas eleições não haveria lugar para a candidatura dessa gente, que responde a processos por ladroagem e outras “espertezas”.

A lei atual permite que os acusados por crimes diversos se elejam e reelejam, sem dificuldade. Entre os que estão no Congresso, contam-se sete mensaleiros, cinco sanguessugas e envolvidos em escândalos diversos, como o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, acusado de corrupção e de quebrar o sigilo bancário do caseiro que o denunciou e hoje amarga a corda rebentada no lado do fraco.

Eles voltam ao Congresso, porque a legislação que eles mesmos fizeram é indulgente e se protegem com imunidade, foro privilegiado e saídas jurídicas de interpretação das Leis para beneficiar privilegiados. Vale ainda o espírito corporativo que mobiliza os parlamentares. Na última legislatura, a Câmara absolveu onze deputados flagrados no mensalão.

Os analistas e juristas de renome, recomendam que se endureça a legislação eleitoral, para que os envolvidos em crimes sejam proibidos de se candidatar. Defendem ainda, a adoção do voto distrital, em que as listas de postulantes são circunscritas a pequenas regiões, o que diminui a chance de candidatura de figuras suspeitas e bizarras e estreita o vínculo do eleitor com o candidato.

É preciso encontrar alguma para impedir que estes senhores voltem ao Congresso. Ficha Limpa neles! Enquanto não temos a Lei, podemos fazê-la valer, divulgando à exaustão os nomes e “pecados” dos prováveis postulantes, dos que são indignos do voto cidadão. Podemos ainda levantar e divulgar os nomes de governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores pendurados em processos judiciais. A lista básica, ponto de partida é:

JOSÉ GENOÍNO, Deputado (PT-SP). Acusações – Ser um dos chefes do mensalão e avalizar os empréstimos fajutos do lobista Marcos Valério para o PT.

VALDEMAR COSTA NETO, Deputado (PL-SP). Acusações – Chefiar o mensalão no PL, desviar dinheiro da prefeitura de Mogi das Cruzes e tentar comprar votos durante a última eleição.

JOÃO PAULO CUNHA, Deputado (PT-SP). Acusações – Integrar a quadrilha dos mensaleiros e receber 50 000 reais do valerioduto.

JOSÉ MENTOR, Deputado (PT-SP). Acusações – Participar do mensalão e receber 300 000 reais de um doleiro em 2004, em troca da exclusão do nome do meliante do relatório da CPI do Banestado.

ANTONIO PALOCCI, Deputado (PT-SP). Acusações – Desviar recursos públicos destinados à coleta de lixo de Ribeirão Preto no período em que foi prefeito. Ordenar a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa.

PAULO MALUF, Deputado (PP-SP). Acusações – Desviar recursos de obras públicas durante sua gestão como prefeito de São Paulo (1993-1996) e enviar ilegalmente o dinheiro roubado para contas no exterior.

JADER BARBALHO, Deputado (PMDB-PA). Acusações – Desviar dinheiro do Banco do Estado do Pará, da Sudam e da reforma agrária.

FERNANDO COLLOR, Senador (PRTB-AL). Foi o principal beneficiário do esquema de corrupção montado pelo empresário PC Farias, o que o levou a deixar a Presidência da República.

PEDRO HENRY, Deputado (PP-MT). Acusações – Receber e distribuir mensalão no PP e participar da máfia dos sanguessugas.

Vamos lembrar também outros, entre os que ficaram conhecidos como “os 40 os ladrões” de dinheiro público que estavam encastelados no governo do PT, integrando uma "sofisticada organização criminosa", que se especializou em "desviar dinheiro público e comprar apoio político", com o objetivo de "garantir a continuidade do projeto de poder" do PT e de socialismo do Foro de São Paulo.

José Dirceu – deputado cassado do PT e ex-ministro da Casa Civil. Formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa

Delúbio Soares – ex-tesoureiro do PT. Formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa.

Silvio Pereira – ex-secretário-geral do PT. Formação de quadrilha, peculato e corrupção ativa.

Luiz Gushiken - Ex-ministro da secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica e quadro do PT. Peculato

Henrique Pizzolato – Ex-diretor do Banco do Brasil e membro do PT. Pecultado, corrupção passiva, lavagem de dinheiro.

Paulo Roberto Galvão da Rocha – Deputado federal (PT-PA) Lavagem de dinheiro

Anita Leocádia Prestes – Ex-assessora de Paulo Rocha. Lavagem de dinheiro.

Professor Luizinho – Ex-deputado (PT-SP). Lavagem de dinheiro.

João Magno – Ex-deputado (PT-MG). Lavagem de dinheiro.

Pedro Corrêa – Deputado cassado (PP-PE). Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro.

José Janene – Ex-deputado (PP-PR). Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro.

João Cláudio Genu – Ex-assessor do PP na Câmara. Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro.

Jacinto Lamas – Ex-tesoureiro do PL (hoje PR). Formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro.

Antônio Lamas – Ex-assessor da liderança do PR. Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro.

Bispo Rodrigues – Ex-deputado do PR-RJ. Corrupção passiva, lavagem de dinheiro.

Roberto Jefferson – Deputado cassado do PTB-RJ. Corrupção passiva, lavagem de dinheiro.

Emerson Eloy Palmieri – Tesoureiro do PTB. Corrupção passiva, lavagem de dinheiro.

Romeu Queiroz – Ex-deputado (PTB-MG). Corrupção passiva, lavagem de dinheiro.

José Rodrigues Borba – Ex-deputado (PMDB-PR). Corrupção passiva, lavagem de dinheiro.

Anderson Adauto – Ex-ministro dos Transportes. Corrupção ativa, lavagem de dinheiro.

José Luiz Alvez – Ex-chefe de gabinete de Anderson Adauto. Lavagem de dinheiro.

Divulgue, multiplique, aja!

NESTA EDIÇÃO:

* O verdadeiro Brasil não é o mesmo do discurso e propagandas oficiais
*** Comentando a Notícia
* O rapaz do navio
*** Sebastião Nery
* Senado brasileiro deu mais um passo rumo à decadência e ao descrédito
*** Comentando a Notícia
* Bom dia, ditadura
*** Guilherme Fiuza, Revista Época
* Às favas com a livre imprensa
*** Sérgio Augusto - O Estado de S.Paulo
* Foco é ''controle social da mídia''
*** João Domingos, Estadão
* Na calada da noite
*** Estadão
* Quando o Brasil começou a se ferrar
*** Ipojuca Pontes, Opinião Livre
* As mentiras do programa partidário do PT
*** Blog Pauta em Ponto
* Da ilha-presídio, com coragem
*** Rodrigo Constantino, site Instituto Millenium
* A epidemia de mediocridade infesta o Supremo
*** Augusto Nunes, Veja online
* O governo, sem o Lula da propaganda, é um desastre
*** Adelson Elias Vasconcellos
* O terrorismo dos ambientalistas
*** Adelson Elias Vasconcellos
* “Não existe aquecimento global”, diz representante da OMM na América do Sul
*** Por Carlos Madeiro, UOL
* Aquecimento medieval
*** José Sérgio Osse, Revista Aventuras na História, Ed. 74/Set.09
* Por que você deve desconfiar de tudo (ou quase tudo) que ouve e lê sobre o aquecimento global
*** Pedro Burgos, Revista Superinteressante
* O voto a voto em favor da CENSURA!
*** Adelson Elias Vasconcellos
* Celso de Mello condena censura e critica abusos de magistrados
*** O Globo
* Para jurista, Corte não deve adotar postura burocrática
*** Walter Fanganiello Maierovitch, Estadão

O verdadeiro Brasil não é o mesmo do discurso e propagandas oficiais.

Comentando a Notícia

Semana passada, em discurso no Maranhão, Lula disse que o povo estava na merda e que ele, Lula, queria tirar o povo dela. Pois bem, a partir de hoje, conforme afirmamos no post anterior, iniciaremos a publicação de uma série de artigos produzido pelo site /Contas Abertas, e alguns outros espalhados pela imprensa brasileira, detalhando a situação do povo brasileiro, e o que especificamente tem sido feito pelo governo federal para tirar o povo daquela situação deprimente que o falou.

As reportagens comprovarão aquilo que já em 2006 afirmávamos em um dos nossos primeiros artigos postados no blog: a de que a classe política, seja ela de que nível for, se porta e se comporta como verdadeiros gigolôs da nação.

Sim, quando falo de classe política me refiro a todos os poderes. Ontem, a arrecadação de impostos no Brasil chegou a impressionantes 1 trilhão de reais. Olhando-se para os indicadores do país, convenhamos é dinheiro demais para governo de menos.

E isto é reconhecido pelo próprio IPEA, que foi aparelhado miseravelmente pelo petismo botocudo, e mesmo assim, não conseguiu disfarçar a realidade dura e cruel de um país que é excelente apenas no discurso hipócrita de Lula e na propaganda cada mais dispendiosa. Quanto maior a verba em publicidade torrada pelo governo Lula para se autopromover, maior a mentira que se conta. É, tem tudo a ver... Contar mentiras deve custar muito caro, mesmo...

Parte do estudo feito pelo IPEA foi noticiado pelo Jornal Nacional, da Globo. Por ele, não resta a menor dúvida que o Brasil está mais para quinto mundo, do que quinta economia mundial.

A realidade acaba se impondo de forma muito mais incisiva do que a farsa que se tenta incutir no sentimento do brasileiro.

É ele quem sofre para ser atendido por uma rede pública de saúde virada em caos, sucateada, abandonada, esquecida. É o brasileiro quem padece da cada vez mais crescente insegurança pública. Os honestos se tornaram prisioneiros em suas próprias casas, enquanto a bandidagem, de alto e baixo escalão, continua livre, leve e solta. Os políticos corruptos continuam a assaltar os cofres porque, em nome da governabilidade, tudo lhes é permitido. Aa educação continua torrando dinheiro onde não precisa, e deixando de investir em qualidade que é o que interessa. Os níveis estão a cada ano despencando. A infraestrutura continua um descalabro, e onde vai parar tanto dinheiro que dizer gastar na sua recuperação, é que ninguém sabe. Isto é, no fundo a gente até sabe onde é que ele não vai parar: na recuperação da própria infraestrutura.

O aparelhamento do Estado continua sendo tocado a todo vapor, a tal ponto que, um em cada cinco trabalhadores com carteira assinada, é hoje funcionário público. A elevação dos gastos tendem a subir acima da produção das riquezas do país e a tendência é que não este governo que tratará de estancá-los. Pelo contrário: se pudesse numa canetada única Lula estatizaria toda a economia, nos remetendo ao passado de trevas, atraso e mais desigualdade e miséria. Ou seja, se hoje um terço está na merda, a política de igualdade das esquerdas é colocar na mesma situação os outros 2/3 do país.

Segue a reportagem e o vídeo do Jornal Nacional sobre a recente pesquisa do IPEA. Diante da arrecadação de impostos, chega ser constrangedor ver que todo este dinheiro está servindo para privilegiar apenas os detentores do poder e seus asseclas. O Estado brasileiro foi privatizado em favor deles. Tanto a reportagem da Globo quanto a pesquisa do IPEA não deixam dúvidas sobre isso.

Nunca se esqueçam, porém, de que Lula está no poder há sete anos. Resolver neste período todos os problemas, já seculares alguns, que atormentam os brasileiros, é claro que não seria possível. Mas, convenhamos, pelo Brasil que recebeu, pelo tanto que arrecadou, pelo período em que já está no poder, cuja maior parte coincidiu com o melhor momento da economia mundial em todos os tempos, dava sim para ter avançado mais, ter realizado mais, ter investido mais e melhor. Portanto, o título do post anterior faz todo o sentido: O governo Lula, sem a propaganda, é um desastre. Isto não só é reconhecido pela pesquisa do IPEA. A pesquisa do IBOPE da semana passada e que comentamos abaixo, revelou que este é o real sentimento do povo brasileiro.

População brasileira sofre com falta de serviços básicos, aponta pesquisa

Pesquisa do Ipea revela ausência dos serviços públicos no país. Carência afeta principalmente os municípios mais pobres.



Um estudo divulgado nesta terça-feira (15) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) fez um retrato da oferta de serviços públicos no Brasil e mostrou que em quase um terço das cidades há carências nas áreas de educação e saúde.

Crianças brincam nos quintais o dia inteiro. As mães precisam trabalhar, mas quem vai ficar com os filhos pequenos?

“Trabalho aparece, mas eu não posso fazer porque não encontro creche para minha filha. As únicas da região são pagas, e eu não tenho condições”, diz uma jovem.

Esta é a realidade em 29,52% das cidades brasileiras. Em todas há escolas públicas de ensino fundamental. Mas, segundo a pesquisa, faltam creches.

O estudo reúne informações sobre cada um dos 5.564 municípios do Brasil e mostra falhas na presença do poder público: cidades que ainda não oferecem para a população serviços básicos, como educação e saúde.

Um em cada três municípios não possui pronto-socorro público. Na Região Sudeste está o maior índice de cidades sem esse atendimento: 32%. Ao todo, 428 cidades do país não têm sequer um médico do Sistema Único de Saúde (SUS).

Já o número de funcionários públicos está crescendo. Segundo a pesquisa, um em cada cinco brasileiros com emprego formal trabalha para os governos municipais, estaduais ou federal.

Na área da assistência social, 31,1% dos municípios não oferecem acesso a esse serviço público.

E na maioria das cidades – ao todo, 4.425 – não existem agências da Previdência Social. Moradores que precisam dar entrada na aposentadoria ou na licença-maternidade, por exemplo, têm que se deslocar para outros municípios. A ausência dos serviços públicos afeta principalmente os mais pobres.

“De maneira geral, é aquele contingente da população que não tem recursos próprios para utilizar o setor privado e por isso depende do setor público. Portanto, a base da pirâmide social é a mais afetada pela baixa presença do estado”, revela o presidente do Ipea, Marcio Pochmann.

O rapaz do navio

Sebastião Nery


RIO – Magro, alto, jovem, elegante, cabelos bem negros, olhos apertados, ele terminou em 1930 um curso de pós-graduação de Medicina em Paris, pegou um navio para voltar ao Brasil. Era outubro, estourou a Revolução de 30, liderada pela Aliança Liberal, que ele apoiava.

Só soube a bordo. Quando o navio tocou em Salvador, entraram José Américo de Almeida, Juarez Tavora e Juraci Magalhães, que acabavam de comandar a revolução no Nordeste e vinham para o Rio acertar com Getúlio a composição dos governos estaduais.

O rapaz só os conhecia de nome. Ficou lá de longe, no seu canto, numa mesa do navio, almoçando sozinho e olhando os três, com inveja de não estar participando do movimento vitorioso, que apoiou à distância.

Herois
Passaram-se os anos. Em 1937, José Américo foi candidato à presidência da República. Getulio deu o golpe de 1937, a candidatura de José Américo morreu e o rapaz magro, alto, jovem, elegante e de cabelos negros, que estava no navio, foi nomeado secretário do interventor Benedito Valadares, de Minas.

Depois, prefeito de Belo Horizonte.

Em 1955, o rapaz do navio saiu candidato à presidência da Republica, exatamente contra Juarez Távora, um de seus heróis de 1930, derrotou-o, elegeu-se. Em 1960, o rapaz do navio resolveu articular uma candidatura de união nacional para enfrentar Jânio Quadros. Tentou lançar Juraci Magalhães, o terceiro de seus heróis de 30, mas não conseguiu.

Juscelino
No navio de outubro de 1930, nenhum dos três heróis da revolução podia imaginar que o magro, alto, jovem e elegante passageiro, almoçando sozinho lá no canto do navio, era Juscelino Kubitscheck, o unico dos quatro que um dia ia ser presidente da Republica.

Por isso Cicero, o orador romano, disse que a historia é a mestra da vida (“magistra vitae”). E Horacio, o poeta romano, advertiu :

- “A Historia refere-se a ti. Apenas o nome está trocado”.

Dilma
O PT anda histérico e vai gastar 6 milhões e meio em um congresso para oficializar o apoio de Lula à candidatura de Dilma Roussef. O PT acha que basta Lula apoiar para Dilma ganhar. O erro de Caetano foi apenas dizer que Lula é um analfabeto histórico, que não sabe das coisas.

Caetano não conhece o PT. Pior do que o de Lula, o analfabetismo histórico do PT é amplo, geral e irrestrito. O PT acha que eleição é uma reunião de Centrais Sindicais : é só dividir certinho o dinheiro do FAT e do Imposto Sindical, que a eleição está garantida. Esperem para ver. Os 70% de apoio popular de Lula não significam apoio eleitoral para ninguém.

Getulio e Janio
No Brasil, por mais prestigio popular que tivesse, jamais presidente algum elegeu seu sucessor. O presidente Dutra chegou ao fim do governo com respeito da Nação e apoio popular. Fez de tudo para impedir a volta de Getulio. Juntou PSD, UDN, PSB, PDC, todos os pequenos partidos, e com Otavio Mangabeira tentou desesperadamente uma união nacional, que nem conseguiu organizar. Getulio ganhou sozinho, com o PTB.

Juscelino, depois de um governo consagrador e de inteiro sucesso, sabendo que o general Lott não ganharia de Janio, tentou armar uma candidatura que unisse PSD, UDN, PTB : Osvaldo Aranha, Juracy Magalhães, etc. Não conseguiu. Janio atropelou e ganhou disparado.

Collor e Lula
Em 89, com Sarney na presidência, 23 dos 24 governadores, a maioria dos senadores, deputados, prefeitos e vereadores, o PMDB considerava-se imbatível. O PDT e o PT, nascendo das cinzas da ditadura, achavam que Brizola ou Lula eram invencíveis. Ganhou Fernando Collor.

Em 94, Lula imaginou unir toda a esquerda e derrotar Fernando Henrique, que só tinha o Plano Real e Itamar Franco. Lula perdeu. Já em 2002 Lula derrotou a poderosa maquina governista tucana e se elegeu.

Há dois anos Dilma é a candidata de Lula e do governo de Lula, usando escancaradamente, escandalosamente, a maquina do governo, com a proteção e a conivência intolerável da Justiça Eleitoral. E mesmo assim ainda não conseguiu passar de 15% para 20% nas pesquisas.

A única Historia que Dilma conhece é a do filme de Lula.

Meirelles
Para Lula pôr na vice de Dilma o endinheirado Henrique Meirelles, do Banco Central, o Planalto e o PT estão rifando Michel Temer do PMDB, alegando que ele tem um processo no Supremo. Ora, Lula foi obrigado a fazer uma Medida Provisória nomeando Meirelles ministro, para livra-lo de uma penca de processos na Justiça e ele só responder no Supremo.

Flamengo
Guga deu a Lula suas raquetes. Nunca mais jogou tênis. Roberto Carlos entregou a Lula a camisa da seleção. O Brasil perdeu e Roberto Carlos nunca mais jogou na seleção. Agora o Flamengo leva para Lula a taça do Brasileirão. Coitado do meu Flamengo. Lula só dá sorte para ele. Para os outros, é um azarão horroroso. Seca cachoeira e pimenteira.

Sarney
Tudo que é feito no Amapá Sarney diz que foi ele quem fez. Agora, o Ancelmo Góis conta no “Globo” que “roubaram as luzes de balizamento do aeroporto de Macapá (Amapá”). Até isso Sarney fez?

Senado brasileiro deu mais um passo rumo à decadência e ao descrédito

Comentando a Notícia

É claro que a instituição deve ser separada da podridão que infesta a alma de seus atuais ocupantes. Porém, regra geral, diante de um povo tão desinformado em quase sua totalidade como o nosso, não interessa separar o joio do trigo. É tudo vinho da mesma pipa. Sendo assim, e não é de hoje, ouço gente por todo o lado brandindo um “tem que acabar com o senado”. “Aquilo é um antro de gatunos”. “O senado só serve para envergonhar o país”, são coisas que vão tomando conta das ruas. Claro, não se vê passeatas, gritos de ordem, bandeiras do PSTU, PSOL, MST e congêneres tremulando entre cartazes exibindo desaforos os mais diversos contra a instituição. Afinal, Lula, o companheiro, ainda está no poder. Não dá prá bagunçar o governo do companheiro que mantém o cofre aberto à solidariedade dos amigos.

Mas é impossível a gente não sentir certa vontade de pedir pelo fim do senado. Que se fecha a estrovenga, que só causa dor de cabeça, e despesas inúteis. O Senado, pelo menos com sua atual composição, se tornou um repositório de salafrários. Impossível qualificar aquilo lá de outra forma. É pura nojeira.

O pior é que os safados, sabendo da quase nula credibilidade que ainda conservam perante a opinião pública, não se cansam de enxovaslhar ainda mais a instituição.. E nem por isso deixam de praticar o cretinismo, o fisiologismo, além de continuarem a aprovar QUALQUER ASNEIRA enviada pelo Executivo, mesmo que ela afronte os interesses do país. Mal passado a PEC do Calote, já ensaiam aprovar outra PEC, a dos cartórios, verdadeiro comboio de trens da alegria, já estudam “flexibilizar” a Lei de Responsabilidade Fiscal, que abrirá caminho para futura quebra da estabilidade econômica tão duramente conquistada, sem falar nas pizzas escandalosas da Petrobrás, do MST, dentre tanta porcaria e nojeira jogada para debaixo do tapete, nos aumentos escabrosos em favor de si mesmos, suas regalias, pricilégios. Só não se procure ética, honra, caráter, dignidade. Esta gente sequer sabem o significado deste conjunto de valores.

Sem dúvida, o Senado se tornou uma verdadeira casa de tolerância, onde as prostitutas são agradadas com os mimos do orçamento e dos cargos, mandando às favas qualquer decoro, ou noção de decência e responsabilidade para com o país e o povo que dizem representar. Negativo: os salafrários representam apenas seus próprios e mesquinhos interesses, quase todos tachados de ilícitos e vigaristas. Verdadeiras marionetes balançando-se na complacência de um povo sem força ou poder de reação.

A última nojeira produzida por estes picaretas decadentes foi a aprovação inconsequente e ilegal do ingresso da Venezuela no Mercosul. Sacudiram a bandeira do interesse econômico, acima do interesse institucional. O protocolo de criação do Mercosul veda terminantemente o ingresso de países membros em flagrante desconcerto com a democracia . Como o que move os pilantras é apenas o interesse econômico, particularmente aquele que os favorece, chutaram o decoro, a legalidade, as instituições democráticas, enfim, chutaram sua própria vergonha e honra para receberem de braços abertos o mais cretinos dos atuais ditadores latinoamericanos.

Enfim, este bando de ignóbeis maus representantes do povo brasileiros, deprimentes sob todos os sentidos, selaram o destino, de maneira sórdida, o agonizante  Mercosul. Aquilo que deveria ser um condomínio de democratas em busca de maior intercâmbio econômico para seus povos, foi transformado de forma espúria em imenso palanque de doutrinação vagabunda do bolivarianismo  mais degradante e anárquico de que se pode ter notícia.

TODOS aqueles que votaram pelo ingresso da Venezuela deveriam ser expulsos do país, degredados para a Venezuela ou Cuba, sem direito a pensão ou aposentadorias. Traíram a confiança do povo brasileiro, porque duvido que qualquer pesquisa de opinião pública, indicasse que a maioria imensa dos brasileiros aprovasse ingresso de tão repulsivo canalha no Mercosul. Até Sarney que, quando presidente do país, foi um dos fundadores do bloco, desaprovava a ideia de se admitir a presença repugnante de Chavez.

Por respeito ao meu próprio estômago, vou me eximir de comentar aqui as declarações cretinas tanto de Wellington Salgado quando de Aloísio Mercadante em favor de Chavez. Não merecem sequer serem citados. Além de ridículas, são patéticas tanto na forma quanto no conteúdo.

A reportagem é Jefferson Ribeiro para o Portal G1.

Senado aprova ingresso da Venezuela no Mercosul

Oposição manteve posição contrária à inclusão de vizinho no bloco.
Pedido de ingresso tramitava havia dois anos no Congresso brasileiro.

O Senado aprovou nesta terça-feira (15), por 35 votos a 27, o ingresso da Venezuela no Mercosul. Agora, o governo envia a mensagem de aprovação dos congressistas para os demais países do bloco, para anunciar o aval brasileiro. A aprovação será promulgada pelo Congresso em data ainda a ser marcada.
Para entrar no bloco definitivamente, a Venezuela precisa ainda da aprovação do Congresso paraguaio, que só deve votar o tema no ano que vem. Argentina e Uruguai já tinham aprovado o ingresso do país. Caso seja aprovada no Mercosul, a Venezuela será o quinto país a integrar o bloco comercial.
O pedido da Venezuela para ingressar no Mercosul tramitava no Congresso Nacional havia mais de dois anos. Em dezembro de 2006, o Ministério das Relações Exteriores encaminhou para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o pedido oficial do país vizinho para se associar ao bloco. Em fevereiro de 2007, Lula enviou ao Congresso mensagem pedindo a aprovação das duas Casas para a ampliação dos membros do Mercosul.
Apesar da aprovação, os senadores de oposição fizeram discursos contra a entrada do novo sócio no Mercosul. O líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), disse que a “Venezuela viola a cláusula democrática do Mercosul”. Segundo ele, a entrada do país no bloco "complicará" a situação na região.
“A Venezuela vive hoje comandado por um militar da reserva que governa com populismo, que havia sido banido da América do Sul. Essa votação nos trará acima de tudo intranquilidade e insegurança para a América do Sul”, disse o senador Heráclito Forte (DEM-PI).
O líder do DEM na Casa, senador José Agripino (DEM-RN), disse que “tem medo que a Venezuela de Hugo Chávez dissolva o Mercosul”. “Estamos aqui absorvendo um governo que quer se eternizar e que já deu mostras de que quer usar a máquina pública para se eternizar”, argumentou.
“O discurso da oposição aqui hoje me lembra o discurso da oposição quando o presidente Lula assumiu o governo, dizendo que ele ia quebrar o país, que ia acabar a imagem do Brasil no exterior. E agora fazem o mesmo discurso contra o presidente Chávez. Eu vou chegar em casa e dar comidinha para o meu filho de número cinco e dizer pra ele que se ele não comer vou chamar o Hugo Chávez. Querem transformá-lo num bicho-papão”, brincou o senador Wellington Salgado (PMDB-MG).
O líder do PT no Senado, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), também defendeu o ingresso da Venezuela no Mercosul. “Precisamos ampliar a integração na América do Sul como fez a União Europeia. Estamos falando aqui da integração muito além dos governos. O compromisso democrático sempre daremos,o Brasil será uma voz de defesa de democracia seja na Venezuela, seja em qualquer parte do mundo”, discursou.

Bom dia, ditadura

Guilherme Fiuza, Revista Época


Chame o ladrão.

O brado imortal de Chico Buarque de Hollanda traduziu, nos anos de chumbo, o perigo obscuro representado pela polícia. A ameaça ao cidadão era o Estado. A poesia macabra clamava pelo socorro marginal contra a legalidade assassina.

O Supremo Tribunal Federal, guardião máximo da legalidade, acaba de avisar aos brasileiros que eles não têm mais a quem recorrer. A liberdade foi seqüestrada pelo Estado.

Há mais de quatro meses, um dos principais jornais do país está sob censura, por contrariar os interesses de um político sob suspeita, o maranhense José Sarney. A mordaça foi decretada por um desembargador amigo da família investigada. Não, não estamos falando do Irã.

A decisão do Supremo de manter a censura ao jornal “O Estado de S. Paulo” ocorreu dois dias depois de o presidente Lula declarar que a imprensa faz mal ao país.

Lula tinha manobrado para o aliado Sarney não cair, apesar de flagrado em pesado tráfico de influência. Sarney não caiu. Agora, à luz do dia, na cara de todo mundo, o STF entra no conluio. Quem, afinal, vai tirar os brasileiros da merda?

Jimmy Carter? Anistia Internacional? Conferência de Haia? Onde estão as ONGs boazinhas, as transparências, as máquinas de soltar releases alarmistas?

Na democracia brasileira, hoje, uma instituição paira sobre todas as outras: o filho do Brasil e suas vontades. Índices de popularidade substituem o Estado de Direito. Lula pode fazer o que quiser, falar o que quiser, proteger os bandidos que quiser. Está imune à lei. E vocês estão achando graça nisso.

Chamem o ladrão. Mas verifiquem antes se ele não é protegido do Supremo.

Às favas com a livre imprensa

Sérgio Augusto - O Estado de S.Paulo


Uma corrente contra a liberdade de informação percorre quase toda a América Latina, do México à Argentina


STF - Resumo da ópera: defesa acauteladora da 'honra e da intimidade'
vale mais do que direito de informar

Por seis votos a três, o Supremo Tribunal Federal ratificou, na quinta-feira, a mordaça imposta ao Estado pelo desembargador Dácio Vieira no fim de julho, e este jornal continuou proibido de publicar reportagens sobre a Operação Barrica, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho mais velho do senador José Sarney. Como hoje faz 41 anos que o Ato Institucional nº 5 foi assinado, já tem gente desconfiada de que dezembro, e não novembro (quando se decretou o Estado Novo, em 1937), talvez seja "o mais cruel dos meses" para a Justiça brasileira.

Ao pôr seu jamegão no AI-5, o então ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho, cunhou este imortal desabafo: "Às favas com os escrúpulos de consciência"- e a ditadura militar atarraxou as cravelhas. Nada do mesmo teor foi dito durante ou após o julgamento de quinta-feira, mas uma frase do decano do STF, Celso de Mello, um dos três magistrados que não engoliram os argumentos de "inviolabilidade da honra e da intimidade" invocados pelo desembargador, não me sai da cabeça: "O poder geral de cautela é o novo nome da censura em nosso país".

Se bem entendi, o ministro quis dizer que o direito pleno à liberdade de expressão, consagrado pelo Supremo com a derrubada da Lei de Imprensa em abril, foi mandado às favas por seis dos seus colegas porque estes entenderam que a defesa acauteladora da honra e da intimidade, ainda que de réus com o lastro de indiciamentos de Fernando Sarney, vale mais que o seu, o nosso direito de ser plenamente informado sobre um caso que envolve os crimes de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Resumo da ópera: a liberdade de imprensa, ao contrário da honra e da intimidade, não é mais inviolável no Brasil. Haja vista as 16 decisões judiciais que, ao longo do último ano, amordaçaram periódicos de vários pontos do País.

A volta da censura, agora recauchutada com o adjunto "cautelar", não surgiu do nada, é fruto de "visões autoritárias" que ainda perduram no aparelho de Estado, na avaliação do ministro Ayres Britto, e segue a corrente anti-imprensa que percorre quase todo o continente, do México à Argentina, passando pela Venezuela (em apenas dez meses de governo, Hugo Chávez fechou 34 emissoras de rádio e estimulou 107 ataques a meios de comunicação e jornalistas, números dignos de uma ditadura militar) e pelas reiteradas críticas do presidente Lula ao ceticismo, ao "azedume" e à mania dos nossos jornalistas de fiscalizar, que audácia!, os três Poderes.

Perdi a conta de quantas vezes, em seus sete anos de governo, Lula gozou, desqualificou e deu maus conselhos aos profissionais da informação. A última foi na segunda-feira, durante a entrega de um prêmio conferido ao presidente por uma... revista. Um ato de indelicadeza, para dizer o mínimo.

Se o presidente se restringir, como deve se restringir, às agressões verbais, sairemos lucrando. Sorte nossa que, embora já tenha manifestado desejo de criar "algum mecanismo de controle externo da mídia", Lula ainda não foi contaminado pelo vírus do bolivarismo chavista, como Evo Morales e, de certo modo, Cristina Kirchner. Mas ele parece longe de compreender que a imprensa, como nos ensinou Millôr Fernandes, é oposição - "e o resto é armazém de secos & molhados".

Poucas vezes, em tempos de guerra ou paz, a liberdade de imprensa esteve tão ameaçada como agora. Em plena revolução digital, com os meios de comunicação cada vez mais sofisticados, abundantes, eficazes e pervasivos, uma conjura de forças políticas e econômicas, ideologias nacionalistas, fundamentalismos religiosos e criminalidade organizada se desdobra para evitar que a informação jornalística cumpra seu destino manifesto, que é buscar e transmitir sem restrições a verdade dos fatos. Com armas e métodos os mais variados, coagem, intimidam, censuram, prendem, agridem, torturam e até matam jornalistas.

É flagelo universal, mais frequente em regimes totalitários ou autoritários, como China, Irã, Eritreia, Cuba, Venezuela, e em democracias fragilmente consolidadas, como Rússia, México, Colômbia.

Em 3 de novembro o jornalista José Antuna foi estrangulado em Durango (México) por haver denunciado ligações da polícia com o tráfico de drogas. Sobre seu cadáver, os esbirros puseram um cartaz, com um recado intimidatório para os colegas de Antuna: "Foi nisso que deu eu escrever o que não devia. Cuidem bem de seus textos". Três semanas depois, nas Filipinas, 24 jornalistas foram trucidados, com mais 30 pessoas, num sequestro envolvendo um poderoso clã familiar de Mindanao.

Pela última contagem da ONG internacional Repórteres Sem Fronteira, chega a 178 o número de jornalistas presos injustamente no mundo inteiro; presos por terem escrito "o que não deviam". A China divide com o Irã a medalha de ouro da repressão à imprensa: 88 jornalistas encarcerados, 58 dos quais atuantes na blogosfera, entre eles o ativista de direitos humanos Hu Hia, cumprindo pena de três anos e meio por "incitar à subversão" em seus artigos online. Cuba vem logo atrás, com 24 jornalistas condenados a penas entre 14 e 22 anos. Seguem-se Mianmar, Turcomenistão, Coreia do Norte e Eritreia. Não é inexpressiva, nesse ranking, a posição do Marrocos (redações fechadas, jornalistas presos e obrigados a pagar multas extorsivas), da Argélia e da Tunísia.

No ranking exclusivo da repressão à internet, a campeã é a Arábia Saudita, seguida dos habituais suspeitos (Mianmar, China, Coreia do Norte, Cuba, Irã, Tunísia, Turcomenistão), reforçados pelo Egito, Usbequistão, Síria e Vietnã. Todos eles transformaram a rede numa vigiada intranet, inventando assim a blogosfera de segurança máxima.

Foco é ''controle social da mídia''

João Domingos, Estadão


Sistema de comunicação do governo transmite evento

O governo montou uma grande estrutura para divulgar a 1ª Conferência Nacional de Comunicações (Confecom), aberta ontem à noite, com a participação do presidente Lula. A NBR, o canal exclusivo de divulgação do Executivo, e oito rádios do sistema da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), além da Agência Brasil, do mesmo conglomerado público, foram orientadas a divulgar os painéis, debates e votações da Confecom, que termina na quinta-feira.

A Confecom foi convocada por Lula em abril, com o tema Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital. Conferências municipais e estaduais, além de ONGs, sindicatos, partidos e o próprio Executivo montaram suas teses, que serão votadas agora. De acordo com Ottoni Fernandes Júnior, secretário executivo da Secretaria da Comunicação de Governo (Secom), as teses aprovadas servirão de base para orientar a política de comunicação do governo. Em alguns casos, poderão ser transformadas em projetos de lei.

Mudanças na constituição
As teses são polêmicas. Entre os sindicatos, ONGs e o PT, por exemplo, prevalece a ideia de pôr os meios de comunicação sob controle público e social, velha tese dos partidos de esquerda que vez por outra volta à agenda. Há teses que, se aprovadas, vão exigir mudanças na Constituição, como a que cria o "tribunal de mídia", uma figura mais política do que jurídica.

O PT, por exemplo, aprovou resolução segundo a qual os meios de comunicação têm de se submeter ao controle público e social. Mas há divisão no partido. O deputado Cláudio Vingnati (PT-SC), que comandou a Frente Parlamentar da Mídia Regional, acha que o PT cometeu grande erro ao falar no controle público e social. "A resolução do PT teria de ter deixado claro que a 1ª Confecom não poderá permitir enredar-se por nenhuma tendência de controle autoritário de meios e conteúdos por quem quer que seja, muito menos permitir recrudescer controles autoritários pelo Estado", disse ele.

Inédita, a conferência de comunicação vai girar em torno de três eixos temáticos: produção de conteúdo, meios de distribuição e cidadania (direitos e deveres). Com toda a conferência, e para levar mais de 1,5 mil delegados a Brasília, o governo gastou cerca de R$ 8 milhões.

A programação da 1ª Confecom será transmitida pela NBR para mais de mil emissoras do País, públicas e privadas. O sinal da NBR também pode ser captado por antenas parabólicas. As emissoras de rádio da EBC farão a cobertura da conferência até quinta-feira.

Na calada da noite

Estadão

Para variar, foi na calada da noite de quarta-feira passada que, em menos de três minutos, por votos de liderança, foi aprovado na Câmara dos Deputados um pacote de bondades para os funcionários da Casa. Não houve divergência alguma entre partidos ou entre governistas e oposicionistas. Registrou-se apenas o protesto solitário do deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), que disse nem ao menos conhecer o projeto, visto só ter entrado em pauta na última hora. E votou contra.

Uma das justificativas para o reajuste foi o fato de os funcionários da Câmara não terem tido aumento desde janeiro de 2006. Ocorre que nesse período o índice de inflação (IPCA) foi de 17%, enquanto em média os aumentos de salários, agora, foram de 15% para os funcionários concursados, mas de 33% para os não concursados. Na primeira categoria estão 3.300 funcionários e na segunda, 1.300. Também foram beneficiados 2.030 aposentados. Foi instituído um "adicional de especialização" que poderá significar 50% de acréscimo salarial. E é aí que está a mágica deste generoso aumento: terão direito a esse adicional todos os concursados, mesmo que o curso em questão seja obrigatório para o cargo. Por que, então, o "adicional" para remunerar o que já é exigência para se obter o posto? O analista legislativo, por exemplo, para entrar nos quadros do funcionalismo da Câmara dos Deputados precisa ter curso superior. Mas já no início de carreira vai ganhar 15% a mais, em razão de ter curso superior.

A propósito, o projeto estabelece que o primeiro curso superior equivale a 3 pontos e cada ponto acumulado será convertido em 5% de adicional de especialização. É permitido o acúmulo de até 10 pontos e, para pontuar, servem os cursos de especialização feitos na própria Câmara dos Deputados. E o projeto não faz distinção se a especialização foi feita antes ou após a entrada do funcionário no serviço público ? mesmo que esta tenha sido a condição da própria entrada.

Outra aberração é o fato de os aposentados também serem favorecidos com o adicional de especialização, Quer dizer, o cidadão parou de trabalhar, especializa-se e passa a ganhar mais dos cofres públicos pela especialização que obteve, sem que o beneficiário tenha condições objetivas de transformá-la em fator de aperfeiçoamento do serviço público que já não presta. Segundo o primeiro-secretário da Câmara, o aumento foi concedido porque a Casa "está perdendo muitos servidores" para outros setores da Administração Pública por defasagem salarial. Os salários dos consultores legislativos ? considerados a elite da Casa ? passarão de R$ 18,9 mil para cerca de R$ 22 mil. No caso dos funcionários sem concurso o reajuste médio foi de 33% ? o que é sem dúvida brutalmente significativo, especialmente se esse porcentual é cotejado com uma inflação de 5%. O adicional de especialização não é estendido a esse grupo, conhecido como CNE ? Cargo de Natureza Especial. Neste o maior salário subiu de R$ 9,5 mil para R$ 12 mil. De acordo com a direção-geral da Câmara dos Deputados, o reajuste vai significar aumento anual de R$ 400 milhões. Em 2010, o impacto será de R$ 200 milhões, porque o reajuste será concedido a partir de primeiro de julho.

A propósito, o que vem a ser um "cargo de natureza especial"?

Esse é o cargo das pessoas que os parlamentares empregam, sem concurso, para assessorá-los ? todos pagos pelo contribuinte. São, obviamente, cargos ocupados por pessoas da estrita confiança do parlamentar. Esse funcionário pode até fazer muito, ao assessorar o gabinete do parlamentar, a que serve, na pesquisa e elaboração de projetos de lei. Mas também pode cuidar, exclusivamente, do setor político-eleitoral do parlamentar, na condição de permanente cabo eleitoral. Na verdade, em termos mais claros, esses funcionários têm por qualificação não o serviço público que prestam, mas a presteza com que servem, eleitoralmente, a seus "patrões" parlamentares.

Certamente não houve novidade alguma nesse reajuste feito na calada da noite. E o escorchado contribuinte continua tendo que pagar, cada vez mais, por um serviço parlamentar que ele sabe valer cada vez menos.

Quando o Brasil começou a se ferrar

Ipojuca Pontes, Opinião Livre

Vendo no jornal da TV Globo (“uma emissora a serviço do governo”) Lula dizer que as imagens do governador Zé Arruda arrastando a grana do propinoduto brasiliense “não falam por si”, nem provam coisa alguma, me veio à cabeça uma pergunta tardia, mas obrigatória: quando foi que o Brasil começou a se ferrar?

Logo me lembrei que o historiador inglês Paul Johnson, em seu livro “Tempos Modernos” (Instituto Liberal/Rio/1990), afirma que o fatídico século XX, dominado pela desgraça totalitária, começou no Brasil, quando um eclipse solar foi fotografado na cidade de Sobral, no Ceará, revelando o imprevisto desvio de movimento do planeta Mercúrio em exatos 43 segundos no transcorrer de todo século XIX.

O singular fenômeno do desvio do corpo celeste, detectado por possantes telescópios, abalava fundo a cosmologia de Newton (baseada nas linhas retas da geometria euclidiana e nas noções do tempo absoluto de Galileu), que tinha servido como pano de fundo para o Iluminismo europeu, a Revolução Industrial e a vasta expansão do conhecimento humano. Segundo Johnson, o desvio de meros 43 segundos flagrado a partir da foto do eclipse solar em Sobral, deu margem a criação de uma nova – e fragmentada – teoria do universo: a Teoria da Relatividade Restrita (e depois “Geral”), criada e consagrada por Albert Einstein.

Fiquei matutando durante tempo considerável se o tal desvio não estaria na raiz do nosso sinistro presente, mas logo me dei conta de que as observações teóricas do físico alemão em torno da relatividade do tempo e do espaço, tidas como superadas, me levariam à funesta equação de que “toda massa pode ser transformada em energia”, vale dizer, na Bomba Atômica – e então, adotando a postura de Mercúrio, desviei de rota.

Em seguida, pensei: talvez a resposta sobre como e quando o Brasil começou a entrar pelo cano demande esforço em outra direção. Então, em vez de queimar a mufa com a ciência relativista, por que não procurar resposta no Google, ou consultar o Nivaldo Cordeiro, que tem resposta para tudo, ou, quem sabe, examinar os velhos alfarrábios? Como a madrugada avançava célere, eliminei as duas hipóteses iniciais e parti para a terceira. Fui à biblioteca, e da estante de obras raras retirei o grosso volume de “Notícia do Brasil”, escrito em 1587 por Gabriel Soares de Sousa, um colono que durante 17 anos percorreu todo o país para revelar em prosa honesta o que éramos nos nossos primórdios.

No vasto levantamento que fez do Brasil, Gabriel Soares nos leva a acreditar que, de fato, seriamos o “país do futuro”. Sua visão do que tínhamos e éramos pode ser considerada mais do que positiva. Por exemplo: escrevendo ao primeiro editor do livro, o nobre Cristóvão de Moura, residente em Madrid, o autor não contém o entusiasmo com as “grandezas e estranhezas” que tomam conta do lugar, ressaltando que, nele, a “terra é quase toda muito fértil, mui sadia, fresca e levada de bons ares, e regada de frescas e frias águas”.

No que se refere às nossas riquezas naturais, ele diz que “A província é abastada de mantimentos de muita substância e menos trabalhosos que os de Espanha”. E especifica: “Dão-se nelas muitas carnes, assim naturais, como das de Portugal, e maravilhosos pescados; onde se dão também melhores algodões que em outra parte sabida, e muitos açucares tão bom como na ilha da Madeira”.

E prossegue Gabriel Soares no seu encantamento: “Tem muito pau de que se fazem as tintas. Em algumas partes dela se dá trigo, cevada, e vinho muito bom, e em todas todos os frutos e sementes de Espanha. E há que se descobrir os metais que nesta terra há; porque lhe não faltam ferro, aço, cobre, ouro. esmeraldas, cristal e muito salitre, e em cuja costa sai do mar todos os anos muito e bom âmbar; e de todas estas e outras podiam vir todos os anos a estes reinos em tanta abastança”;

No capítulo em se reporta ao gentio, o autor de “Notícia do Brasil” não se mostra menos efusivo, embora com crua ressalva: “São grandes lavradores dos seus mantimentos, de que estão sempre mui providos, e são caçadores bons e tais flecheiros que não erram nunca flechadas que atirem. São grandes pescadores de linha, assim no mar como nos rios de água doce. Cantam, bailam, comem e bebem pela ordem dos tupinambás, onde se declara miudamente sua vida e costumes, que é quase o geral de todo o gentio da costa do Brasil”. No entanto, ressalva: “Eles não costumam perdoarem a nenhum dos contrários que cativam, porque os matam e comem logo”.

Ele próprio colono, proprietário de engenho na Bahia, Gabriel Soares via os pares, vindos de Portugal ou Espanha, como “gente de constância e valor, de muita fé em Deus e no trabalho”, todos “prudentes e de boa paz”, mas “experimentados” quando enfrentam “os franceses, invasores e ladrões”.

A crer no que diz o primeiro cronista do Brasil, a coisa aqui era bastante promissora. Havia riqueza, o gentio era destro e o colono, de valor, acreditava nos preceitos divinos. Bem, cabe então indagar: se os nossos primórdios eram tão auspiciosos, e os habitantes dotados de tantas e notáveis distinções, por qual razão o País mergulhou no mar de degradação ética, política e social que a todos afoga neste início de milênio?

No histórico, deixando a Colonização e o Império de lado, a proclamação da República foi um episódio esquisito: o marechal Deodoro, amigo de confiança do Imperador, de súbito viu-se envolvido por mexericos contra D. Pedro II e terminou por proclamá-la (a despeito da vontade popular). A “consolidação”, por sua vez, foi problemática: tivemos na República Velha uma sucessão de governos ineptos, depois duas revoluções ditatoriais (uma civil e outra militar) consideradas “modernizadoras”, o suicídio de Vargas e a ascensão democrática de Juscelino, o presidente que fez da construção de Brasília (“a mãe de todos os escândalos”) instrumento programático da corrupção oficial.

No parecer de bons observadores o país começou a degringolar com a permissiva figura de Juscelino Kubstchek, enquanto presidente, entre 1956/1960. De fato, para impor o seu populismo estróina, o antigo presidente arrombou os cofres da nação, imprimiu dinheiro sem fundo, pediu empréstimos aos borbotões, deu calotes, abriu espaço para os comunistas da Sudene e sumidouros idênticos, enriqueceu banqueiros (com a instalação do processo inflacionário premeditado), empreiteiros (com o superfaturamento de obras) e políticos (com a instituição de nomeações, vantagens e propinas como armas de cooptação política). De fato, depois da era JK, em que se ampliou vertiginosamente o processo de decomposição da ética na política, a idéia de um Estado comprometido com a decência virou fenômeno de fata morgana, ou seja: uma miragem.

Por sua vez, posteriormente aos militares, não se pode negar as extraordinárias contribuições de figuras como o “Honorável” Sarney, Collor de Mello, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso no curso da desintegração (e apodrecimento) das instituições legais do país. Sem dúvida que todos eles, cada um a seu modo, em maior ou menor proporção, drenaram fundo o mar de lama que hoje sufoca a vida da nação.

De minha parte, para responder a pergunta que na certa todo brasileiro consciente já se fez, ou se faz, eu respondo, sem mais delongas: o Brasil entrou pelo cano irreversível quando Lula da Silva tomou assento no Palácio do Planalto, em 1º de Janeiro de 2003.

Coisa que trataremos de comprovar, com detalhes, no nosso próximo escrito.

As mentiras do programa partidário do PT

Blog Pauta em Ponto


O PT é igual museu: vive de passado. O partido de Lula e dona Dilma insiste em ver o mundo pelo retrovisor. Mas, mesmo recusando-se a travar o debate político olhando para trás, a oposição não pode se eximir de rebater as mentiras que o PT tenta propagar, como aconteceu na semana passada na propaganda partidária exibida pelos petistas.

Houve de tudo um pouco: triunfalismo, megalomania, campanha política ilegal e fora de hora. Mas o mais grave foi o festival de mentiras que o PT veiculou. Um carnaval de informações falsas sobre o PAC, a construção de casas populares, o pré-sal, a estabilidade econômica, a ascensão social dos pobres. Tudo somado, foi um forte indício (ou mesmo a comprovação) do vale-tudo de que o PT lançará mão para se manter no poder em 2010.

A pretensão petista é evitar que a próxima eleição se transforme num debate sobre quem pode ser o melhor presidente para o futuro do Brasil. Claro está que, nesta seara, com certeza o PT perderá de goleada. Mas, mesmo sabendo que o que interessa é olhar adiante, em respeito ao eleitor vale examinar o que, de fato, ocorreu nos oito anos em que o país foi governado pelo PSDB – realidade que dona Dilma e seus aliados, numa estratégia claramente inspirada no fascismo, buscam desesperadamente manipular, alterar e falsear.

Para o PT, por meio do PAC o país voltou a gastar em infraestrutura “após um atraso de décadas”. A verdade é que, apesar de todo o marketing petista, o atual governo investe menos no Brasil do que o anterior. Números oficiais do Ministério da Fazenda mostram que o governo Fernando Henrique foi mais eficiente na construção de escolas, hospitais e estradas do que o atual. A média anual de investimento público dos petistas é de R$ 18,4 bilhões (1,33% da arrecadação), já incluído o trololó do PAC. No governo tucano, esse valor, corrigido pela inflação, foi de R$ 20,3 bilhões (1,78% da arrecadação). Mas essa foi só a primeira mentira.

O panfleto televisivo, ao se vangloriar dos “avanços sociais do PT”, afirma que o governo anterior “não teve conquistas expressivas”. Jogou para o limbo o fato de o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano, divulgado pela ONU e que reúne os principais indicadores socioeconômicos de uma nação) ter se expandido muito mais nos anos FHC – 1% ao ano – do que na era Lula – 0,41% por ano. Mais: de acordo com a ONU, só o Plano Real e o fim da inflação que dele decorreu diminuíram a percentagem de pobres no Brasil de 44% para 33% da população.

Na área da educação, mais mentiras. O PT tentou mostrar que o atual governo, ao criar o ProUni e abrir novas universidades federais, é o único que se preocupa com os pobres. A realidade é que, no governo tucano, muito se fez para levar ensino a crianças que nada tinham. O percentual de crianças pobres fora da escola caiu de 25% para 7% e o analfabetismo entre 10 e 14 anos de idade despencou de 11,4% para 4,2%, de acordo com o IBGE. No governo FHC, a média anual de queda do analfabetismo foi de 3,5% ao ano; no atual governo, o índice desacelerou para 2,6%.

Como é de seu feitio, na propaganda televisiva o PT apelou para a caricatura, tratando o telespectador como burro. Em um dos momentos mais rançosos do festival de mentiras, o programa petista afirmou que “apenas os ricos comiam carne” até a chegada de Lula ao poder. A realidade é que, entre 1994 e 2002, portanto, ao longo do governo do PSDB, o consumo de carne bovina per capita cresceu 12,2% no país, com expansão de 1,5% ao ano. No governo Lula, entre 2003 e 2007, a expansão caiu para 0,66% ao ano.

A descoberta do pré-sal, esforço de décadas da Petrobras e de todos os brasileiros, é apresentada como obra do PT. A verdade é que, já na época do presidente Itamar Franco (1992-1994), a Petrobras tinha conhecimento da existência das gigantescas reservas. Por cautela (os tempos eram outros) a estatal evitou carnavalizar a hipótese. Além disso, da aprovação da lei do petróleo, em 1997, até 2002, a produção no país cresceu, em média, 8,4% ao ano, elevando-se 49%. Nos primeiros seis anos do governo petista, o índice médio caiu para 4% ao ano.

Mesmo tendo apenas preservado os fundamentos econômicos deixados pelos tucanos, com a manutenção do câmbio flutuante, das metas de inflação e da política de superávits fiscais, o PT se autoproclamou “o responsável pela estabilidade financeira do país”. A realidade é que o PT votou contra o Plano Real, chamado à época de “estelionato eleitoral” pelo partido. Em 2001, demonstrou que não havia aprendido a lição e também foi contra a Lei de Responsabilidade Fiscal no Congresso. Os petistas só mudaram de ideia, mesmo assim a contragosto, às vésperas da eleição de Lula em 2002. Vale a máxima: o governo Lula tem coisas boas e coisas novas; as boas não são novas e as novas não são boas.

Como papel (e tela de TV) aceita tudo, o festival de mentiras do PT prosseguiu. Na propaganda partidária, os petistas sustentaram que “tanto Lula quanto os tucanos enfrentaram uma crise internacional”. É importante lembrar que o governo FHC passou por, no mínimo, cinco grandes crises de proporções globais (México, Ásia, Rússia, Argentina e EUA/11 de setembro) e nenhuma delas resultou em crescimento negativo do PIB brasileiro, o que deve ocorrer este ano, sob Lula, com nossa economia.

Ao atacar as privatizações, o PT abusou de slogans ideológicos como “o patrimônio do povo foi vendido”. Deixou de lado, porém, exemplos como o aumento de 24 milhões para 47 milhões no número de telefones fixos e o fenomenal salto de usuários de telefonia celular – de 7,4 milhões para 166 milhões desde a venda do Sistema Telebrás, em 1997. Ou seja, hoje há mais de um telefone para cada brasileiro, item do qual, no passado, só ricos dispunham. O PT também omitiu que, privatizada, a Vale multiplicou por seis o seu número de empregados.

Por tudo isso, e muito mais, se deixarmos de lado a retórica e o massacrante marketing oficial, é possível mostrar que, mesmo na comparação com o governo anterior, o PT não consegue se sair melhor em quesitos fundamentais como investimento público, educação e estabilidade econômica. Mas a verdade e o debate aberto e transparente parecem não interessar a dona Dilma e seus petistas aloprados em sua sanha para manter-se no poder. Mas interessa à oposição: os fatos estão do nosso lado.