terça-feira, janeiro 18, 2011

Um resultado preocupante sobre o Bolsa Família

Adelson Elias Vasconcellos

Ontem, prometi comentar um novo estudo divulgado sobre os resultados do Bolsa Família na vida e no comportamento de seus beneficiários. E, antes que algum apressadinho se candidate a nos acusar de sermos contra o programa, sempre é bom reprisar as advertências anteriores: não somos contra o programa de auxilio aos mais necessitados, somos é opositores ferrenhos da forma como o programa vem sendo conduzido desde sua criação, em 2003, quando Lula reuniu em torno de um, quatro programas sociais criados e implementados por Fernando Henrique, através do Comunidade Solidária, admiravelmente conduzido por sua esposa, Dona Ruth Cardoso. É, meus amigos, não se surpreendam: este país já teve um dia, num passado não muito distante, esposa de presidente que trabalhava em beneficio da população.

Não faz muito comentamos aqui sobre outros resultados, danosos é bom que se diga, que impõem uma urgente reformulação das metas do programa. Agora, como se viu no post anterior, outro resultado vem reforçar ainda mais a necessidade de se praticar mudanças, não apenas para qualificar o programa, mas para que o mesmo não se desvirtue de seus objetivos que deveriam ser sociais, e acabe, no final da jornada, consagrando uma das advertências que fizemos: a da perenização da pobreza.

Vamos ser mais claros. Uma das nossas críticas decorre do fato do governo de Lula ter se vangloriado, dia sim, dia também, da expansão cada vez mais acentuada no número de beneficiários. Isto, durante a fase de implantação, até poderia ser motivo de orgulho, e se sustentava. Não agora, passados seis anos. Se como sempre dissemos, o programa tinha por finalidade retirar as pessoas da extrema miséria em que se encontravam, dando-lhes oportunidade de ascenderem social e economicamente, o programa se consagraria como tal se, paralelamente, mais e mais beneficiários fosse sendo excluídos do auxílio via portas de saídas, permitindo que as pessoas passassem a serem protagonistas de suas próprias vidas. Não foi isso que aconteceu, e por uma razão bastante simples: Lula, ao acoplar alguns dos programas sociais de FHC, cuidou para que estas pontes fossem retiradas. A preocupação era óbvia: quanto maior o número de beneficiários dependentes da ajuda governamental, maior a chance de vender o pacote numa campanha eleitoral.

Claro que nem o discurso tampouco a publicidade oficial deram à mínima para a crítica. Os críticos foram tratados como maus brasileiros, invejosos, e por aí vai. Contudo, e isto sempre deixei claro também, o julgamento que se pode fazer da ação dos governantes deve se centrar não nos discursos nem na propaganda colorida que ele próprio faz de si mesmo. São os resultados que contam, benefícios e malefícios que advém da ação dos programas sobre o dia a dia dos indivíduos por eles atingidos. Neste sentido, quanto mais o número de beneficiários cresce em programas desta natureza, maior é o alerta que está sendo dado de que algo não vai bem.

Reparem neste detalhe. Se diz que, 1 em cada 4 brasileiros, recebem alguma forma de auxílio federal. Ou seja, 25% da população, fica claro, vive com uma renda indigna que não cobre suas necessidades básicas e as de sua família, e esta renda insuficiente precisa ser complementada pelo auxilio federal. A isto, gostem ou não, se chama POBREZA. Esta tal comemoração que se faz em torno da NOVA CLASSE MÉDIA é uma das maiores vigarices que já vi cometer qualquer governante. O truque, já demonstramos aqui, foi reduzir as faixas de renda da antiga classe média, para que esta nova pudesse recepcionar um maior número possível de brasileiros que ganham pouco.

Tradicionalmente, e em qualquer nível social, ricos, pobres, medianos e miseráveis, sempre são categorizados em subníveis. Assim, essa nova classe média tão comemorada, que ganha acima de três salários mínimos, quando muito, poderia ser categorizada em classe média baixa, e olhe lá. Não dá prá imaginar alguém recebendo aí seus R$ 1.500,00 por mês, levando uma vida de classe média tal qual se imagina viva um classe média tradicional. De jeito nenhum. Muito embora ele até tenha aumentado seu poder de consumo, tendo acesso a bens que antes lhe eram inacessíveis, isto só foi possível por dois fatores básicos e elementares: de um lado, com inflação controlada em níveis bastante baixos, e isto é uma conquista que Lula recebeu do governo FHC, sempre é possível, mesmo com uma renda baixa ou mediana, você ter melhor controle de sua vida, planejar melhor os seus gastos, e até projetar aquisição de bens de maior valor. É a força positiva de uma economia estabilizada. Segundo, porque Lula, até porque a estabilidade permite tais medidas, tratou de expandir o crédito às pessoas físicas, o que serviu de oxigênio extra para famílias de baixa renda poder assumir riscos, como é qualquer endividamento, em razão de que, com a economia estabilizada e em crescimento, tais riscos são de menor escala para quem os assume, mas que, elevados a todas as classes sociais, proporcionam um ganho econômico estupendo num país com quase 200 milhões de habitantes. E é preciso levar em conta que, a economia mundial, no período de 2003 a 2008, muito ajudou o Brasil a manter um nível mais constante de crescimento econômico.

Havia ali, por certo, condições ideais para que o Programa Bolsa Família pudesse ser melhor qualificado. Seria a oportunidade ideal para encaminhar as pessoas a se conduzirem por seus próprios meios. A grande geração de empregos do período poderia recepcionar grande parte deste contingente de pessoas se... se o programa tivesse investido em educação e qualificação profissional, para ficar apenas nestes dois aspectos. Mas há outros.

Imaginem vocês se, pelo menos uns 30 a 40% destes quase 50 milhões de brasileiros assistidos pelo Bolsa Família, devidamente preparados para as exigências atuais do mercado de trabalho, principalmente na construção civil que vem sofrendo um verdadeiro apagão de mão de obra, pudessem agora ser aproveitados?

Porém, de modo inverso, façam a conta: ver reduzido cerca de 15 a 20 milhões de beneficiários, para quem pensou apenas em frutos eleitorais, de certo, era uma ameaça terrível. Voltem ao mapa eleitoral e reparem nas regiões e cidades, Nordeste e Norte, principalmente, onde o programa atinge cerca de 60, 70 ou 80% da população, qual impacto provocou no resultado final do pleito. Como ainda, recuperem as estatísticas dos índices de aprovação do governo Lula: comparem e concluam.

Sem dúvida que o Bolsa Família influenciou muito no resultado das eleições tanto de 2006, como, e principalmente, nas de 2010.

Vamos rever o estudo abaixo, publicado no Estadão. Segundo o estudo do Ipea, menos de um ano depois da contratação, metade dos inscritos no programa perde o posto, e isto num tempo de pleno emprego. Além disso, seus beneficiários são os que levam mais tempo para encontrar nova colocação com carteira assinada. De um lado, há o temor de que, com a carteira de trabalho assinada, venham perder o benefício. Deve-se a isto a dificuldade em certa regiões de se encontrar pessoal disponível para o trabalho. Muitos se negam em serem contratados de modo formal. Além disso, tendo o auxílio pecuniário que o programa lhes concede, não há urgência de buscarem uma nova colocação. O contrário, porém, se sucede com aqueles empregados que, tendo saído de seus empregos, e passando a receber o salário desemprego, se veem compelidos em buscar um novo, dado que o auxílio é temporário, seis meses. Depois disso, suas dificuldades de auto-sustento se tornarão enormes. E isto fica mais claro ainda, quando vemos que os estudos indicaram que a maioria dos empregos não tem registro em carteira. E esta sempre foi uma das muitas críticas que fizemos.

E conclui o estudo: “...A inserção dos beneficiários do Bolsa Família no mercado formal, quando existe, é bastante precária. Menos de um ano depois da contratação, metade dos beneficiários é desligada, 30% perderão seus empregos em menos de seis meses. Fora do mercado de trabalho, menos de 25% são recontratados nos quatro anos seguintes”.

Reparem neste detalhe: o estudo não foi realizado por um instituto qualquer. E, sim, pelo IPEA, órgão ligado diretamente à Presidência da República, portanto, com bastante isenção quanto aos resultados terem sido os que o relatório apontou.

Creio que fica comprovada a necessidade do programa ser revisto para que os objetivos “sociais” pelos quais ele foi criado, não se desvirtuem, criando um artificialismo de bem estar e inclusão. Porque isso é, goste o governo ou não, perenizar a pobreza, em nome de objetivos eleitorais exclusivamente. E, neste caso, o programa deixaria, então de ser social, para ser transformar em um mero instrumento de coação eleitoral. Do jeito que está, dentro em pouco, certamente, é isto que se alcançará, e isto, convenhamos, não é garantidor de direitos e de cidadania, pelo contrário. Nenhum programa social, conduzido em um país democrático, deve ser mantido como tal se, fruto de seu processo, castre a autodeterminação dos indivíduos sobre si mesmos. Ao ser humano deve ser assegurado o seu livre arbítrio de fazer suas próprias escolhas e por elas responder. No final, esta deve ser a garantia que qualquer programa deve assegurar a cidadãos que se afirmem livres. Nenhuma ajuda ou socorro pode se impor se, por meta, não souber preservar este direito.

Beneficiário do Bolsa Família fica pouco no emprego e demora a achar nova vaga

Marta Salomon, O Estado de São Paulo

Segundo estudo do Ipea, menos de um ano depois da contratação, metade dos inscritos no programa perde o posto

Os beneficiários do Bolsa Família passam menos tempo no emprego e, quando o perdem, demoram mais para encontrar nova vaga com carteira assinada. É o que mostra pesquisa encomendada pelo Ministério do Desenvolvimento Social, numa indicação de que será longo e complicado o caminho para que os beneficiários da transferência de renda do governo abram mão dos pagamentos mensais do Bolsa Família e encontrem a chamada “porta de saída” do programa.

As primeiras sondagens sobre a relação do público do Bolsa Família com o mercado de trabalho feitas após sete anos de vida do programa mostram que a maioria dos empregos não tem registro em carteira. Entre os beneficiários ocupados, 75,2% não têm cobertura da Previdência Social, calcula o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Na população economicamente ativa do País, o porcentual é de 49,8%.

“A inserção dos beneficiários do Bolsa Família no mercado formal, quando existe, é bastante precária. Menos de um ano depois da contratação, metade dos beneficiários é desligada, 30% perderão seus empregos em menos de seis meses. Fora do mercado de trabalho, menos de 25% são recontratados nos quatro anos seguintes”, resume estudo de Alexandre Leichsenring, doutor em estatística e consultor do Ministério do Desenvolvimento Social.

Leichsering pesquisou o comportamento dos beneficiários do Bolsa Família durante quatro anos, de 2003 a 2007, nos registros de emprego do Ministério do Trabalho. A pesquisa identificou entre os beneficiários taxas de admissão menores no mercado formal de trabalho, combinadas com taxas mais elevadas de desligamento do emprego.

A comparação teve como base as demais pessoas com renda até meio salário mínimo inscritas no Cadastro Único do governo: ou seja, pessoas pobres, mas não tão pobres quanto os beneficiários do programa. Durante o período pesquisado, cresceu a participação dos pobres no mercado de trabalho nos dois grupos analisados, anota o estatístico. A passagem pelo emprego é mais rápida entre os beneficiários com menos tempo de estudo e nas Regiões Sudeste, Norte e Centro Oeste, afirma o estudo Precariedade Laboral e o Programa Bolsa Família.

O modelo matemático não permite avaliar o impacto dos benefícios na dinâmica do mercado de trabalho, avisa Leichsenring. “A impressão que me dá é que as condições sociais piores dos beneficiários são a causa das dificuldades maiores de participação no mercado”, diz.

Os dados ajudam a entender por que tão poucos beneficiários do Bolsa Família devolveram voluntariamente os cartões de pagamento nos primeiros sete anos do programa, dos quais o Ministério do Desenvolvimento Social não guarda registros atualizados. A entrega do cartão significaria a emancipação dos repasses mensais entre R$ 22 e R$ 200 pagos às famílias com renda individual de seus integrantes de até R$ 140 por mês.

Por complicada, a chamada “porta de saída” do programa foi colocada em segundo plano durante o governo Lula e voltou com ênfase diferente à agenda do Bolsa Família no discurso de posse da ministra Tereza Campello. “Certamente, o maior desafio continua sendo a inclusão produtiva, a geração de oportunidades de geração de emprego e renda”, disse a ministra. “A gente quer que as famílias possam deixar de precisar do benefício.”

A inclusão produtiva é prioridade no recém-anunciado PAC da Pobreza, cujas medidas ainda estão em estudo. “Teremos abordagens diferentes para pobrezas diferentes. A pobreza é muito heterogênea, e o tempo de resposta também vai variar”, pondera Rômulo Paes, secretário-executivo do ministério.

Mais de um entre cinco brasileiros estão alistados hoje entre os beneficiários do Bolsa Família. As regras do programa não fixam tempo máximo de acesso das famílias aos pagamentos, diferentemente de programas semelhantes na América Latina, nem excluem automaticamente o beneficiário que melhora sua renda. No Bolsa Família, a checagem dos limites de renda ocorre a cada dois anos. “Essa regra tem funcionado bem”, avalia Paes.

Projetos para o futuro para necessitados do presente? Só pode ser brincadeira!

Adelson Elias Vasconcellos

Há momentos em que sou levado a acreditar que, não fosse o Brasil rico por natureza, fosse seu povo depender exclusivamente de seus governantes, ou não teríamos mais povo algum, ou, fôssemos uma empresa, já teríamos decretado falência há muito tempo.

O lombo do governo deve estar bastante inchado, crivado de tanto hematoma, devido a tanta paulada que vem sofrendo há uma semana, em relação ao seu descaso com a prevenção de acidentes e desastres naturais, principalmente, no Rio de Janeiro.

Reproduzimos aqui reportagem do site Conta Abertas, informando-nos que no Ministério Integração Nacional dorme há dois anos, esquecido em alguma gaveta destes assessores de porra nenhuma, um projeto de prevenção que conta inclusive com dotação orçamentária para sua implantação e que, até agora, não foi prá frente pela dificuldade dos “técnicos” em definirem em que terreno irão construir a sede que abrigará o tal sistema de prevenção. Enquanto isso, a população continuará sendo enterrada viva.

Pois bem, face à comoção nacional diante dos já 672 mortos, cidades arrasadas, milhares de pessoas ao desabrigo e tendo perdido tudo o que construíram com trabalho, suor e sacrifício ao longo de uma vida, e sendo o governo cobrado a responder com alguma atitude decente, o que Dilma anuncia? Um superpacote, devidamente embrulhado prá presente, para ser entregue daqui há ... quatro anos. QUATRO ANOS ! O anúncio foi feito nesta segunda feira pelo homem que revolucionou o pensamento moderno ao revogar o irrevogável: sim, ele mesmo, Aloysio Mercadante. Quatro anos, hein? Só pode ser brincadeira, ou o autor da “genialidade” devia estar de porre!

Se bem me lembro, na campanha eleitoral, quando Serra apresentou dentre seus projetos a proposta de criação de superestrutura em nível nacional para a Defesa Civil, que atuaria na prevenção de acidentes, mas com estrutura bem montada para agir rápida e organizadamente diante de desastres (ele mirava na tragédia de 2010, no mesmo Rio de Janeiro, em Ilha Grande e Angra dos Reis), Dilma apontou no horizonte com a desnecessidade de tal estrutura e nos acenou com as maravilhas do pac2. (Por justiça, diga-se que a idéia inicial foi de Dona Marina Silva, e que Serra encampou rapidamente). 

Agora, depois de eleita, e diante de uma nova tragédia, Dilma não teve dúvidas: ao melhor estilo chupeta de Lula, clonou o projeto do adversário, (terá esquecido a versão 2.0 do PAC?), e tascou um quatro anos de espera. E até lá, vai se fazer o quê?

Vimos, ontem, pela reportagem do Fantástico, que é o ser humano que está no caminho das águas, e não o contrário. Assim, quem deve sair das áreas de risco, para proteger sua própria existência, é o homem. Muito bem: nas reportagens inúmeras feitas pelas emissoras de televisão, em seus telejornais, temos assistido dezenas pessoas se negando abandonar suas moradias, mesmo diante do perigo de tudo ir abaixo, por uma única razão: “...moço, a gente não tem prá onde ir”!

Pois é, hoje se anunciou que Dilma Rousseff vai se dedicar a destravar o Minha Casa, Minha Vida. Mas, ué, o programa já não tinha atingido a meta de 1 milhão de novas moradias? Travou aonde, afinal, e por quê? Sei não, mas acho que ninguém pensou muita coisa além da publicidade oficial e da solenidade de lançamento. Na propaganda, o programa era tão bonitinho, tão perfeito, tão primeiro mundo, não é mesmo?

Mas a questão de fundo, meus amigos, é justamente esta: política habitacional de verdade, ou a falta dela. Não esta que incorpora até puxadinho de pessoas que já tem residência, como a vigarice que Lula e Dilma encamparam de dois anos para cá. Política habitacional, de verdade, deve priorizar (o que o programa esteve muito longe de atender) construção de novas residências – casas ou apartamentos, não ampliação das que já existem – para pessoas de baixa renda porque, no fundo, são estas pessoas que formam a grandiosa maioria residente em áreas de risco. E elas lá estão por absoluta falta de opções, dever que compete ao Poder Público providenciar.

Lê-se, no exterior, a estupefação geral diante das afirmações dos moradores de áreas de risco de que não tem outro lugar para morarem. Mas como pode um país de extensão continental feito o Brasil, não ter lugar para seus habitantes morarem? Pois é, a gente aqui vive da mesma indignação.

E, atenção, quando falo de “política habitacional”, não se trata de jogar o povão no fim do mundo, sem segurança, sem transporte, sem assistência médica, longe de tudo e de todos. Criar áreas habitacionais em pontos seguros, é criar áreas que contem com toda a infraestrutura básica para proporcionar aos seus moradores melhor qualidade de vida. Se assim for feito, estas pessoas não se sentirão compelidas a morarem em pontos onde, além da infraestrutura carente, suas vidas vivam ameaçadas diante de qualquer chuva mais torrencial.

Isto dá trabalho? Custa rios de dinheiro? Requer planejamento? Ótimo, é isso mesmo, e foi para cumprir tais metas que a sociedade escolheu governantes, governantes que, aliás, prometeram fazer exatamente isto, durante suas campanhas Recursos? Já está provado: dinheiro não falta, falta vontade política de fazer o que precisa ser feito, e com competência e sem corrupção. Nem serão necessárias solenidades faustosas de lançamento e campanhas publicitárias com fins eleitoreiros. Tudo isto é dinheiro que pode ser incorporado nas melhorias das áreas habitacionais a serem construídas.

Agora o que fica difícil de entender é um governo, sabendo da dor e sofrimento de milhares de pessoas, não apenas no Rio de Janeiro, mas também em São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, gente que sequer tem hoje uma cama sua para dormir, vir diante de todos anunciar medidas para daqui há anos! É um absurdo!!! É uma falta de respeito e de seriedade !!!

Olhe-se para a confusão armada no socorro aos atingidos pela tragédia: sequer se tem uma lista oficial de vítimas, e olhe que esta lista nem seria de pessoas de áreas mais distantes ou rurais, mas nos centros das cidades de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo! 

Incrível, também, é ver os próprios moradores, com seu voluntarismo, quem estão se encarregando de dar uma certa ordem no atendimento às vítimas. Cadê um coordenador federal, do próprio Ministério de Integração (?) Nacional? Ele é quem deveria estar comandando os trabalhos, interagindo com as diferentes forças deslocadas para a região serrana fluminense. E ainda se vem acenar com projetos mirabolantes para daqui há quatro anos? Até lá o que o governo pretende fazer para alojar estes milhares de desabrigados que perderam tudo o que tinham e que não tem onde morar? Vão transformar a região serrana do Rio de Janeiro num enorme Haiti, improvisando as pessoas em barracas? E por quatro anos?

Em tempo: alguém poderia avisar a Dona Dilma e seus ministros que, em Minas Gerais, segundo dados de hoje, já morreram 26 pessoas, há 20 mil desabrigados e 84 municípios em situação de emergência, todas vítimas das chuvas que caem desde novembro de 2010, e que estão à espera da atenção federal? Ou será que o socorro é só dedicado para os estados governados por aliados do governo, porque aqueles governados por partidos da oposição, foram desmembrados do mapa brasileiro e a seus habitantes foi concedida outra nacionalidade diferente da brasileira?

A menos que me engane, no discurso de posse, Dilma teria dito que “...a partir desta data serei a presidente de TODOS os brasileiros”. Eis um bom momento para provar que não mentiu.

A falta que faz um Poder Público eficiente...

Adelson Elias Vasconcellos.

A tragédia carioca é a maior da história brasileira. Nunca um desastre natural provocou tantas mortes, tanta destruição. Estivemos, em outras ocasiões, muito perto disto. Mas nada se assemelha ao que aconteceu na região serrana do estado do Rio de Janeiro.

Assistindo aos telejornais, me emociona muito ver tanta solidariedade, e vinda de todo o país. Como sensibiliza, também, ver tantos voluntários anônimos, gente inclusive que perdeu tudo, inclusive a família, mas que não se nega em socorrer seus semelhantes. É bonito ver aquelas correntes humanas, recebendo pacotes e os passando adiante, tudo feito com uma organização que poucos imaginariam pudesse haver numa situação de tanto sofrimento.

E cadê o Poder Público? Eterno ausente…O governador Sérgio Cabral parece ter travado o disco em duas notas: uma, para ficar pedindo mais verbas para o governo federal, como se o seu governo estivesse falido e não dispusesse de nenhum recurso em caixa para fazer frente às primeiras emergências que a situação exige. Sequer se prontifica em assumir a coordenação dos trabalhos de várias forças ali presentes. A presidente Dilma, a quem se tenta glorificar neste início de governo como a gerentona muuuuiiiito eficaz, sobrevoou por uma hora os municípios atingidos, depois posou para fotografia feito garota propaganda com a camiseta do Fluminense, estampando um sorriso como se retornasse de um piquenique de final de semana, concedeu um entrevista rápida para a imprensa, subiu no avião e voltou para Brasília. Após muitas críticas, somente uma semana depois é que resolveu destacar alguns ministros para o Rio de Janeiro, até para justificar os salários gordos que recebem. Trabalhar um pouco até faz bem, quanto mais em uma situação como a que vive o Rio de Janeiro.

Critiquei o silêncio inicial, critiquei a visita da forma insensível como foi feita, critiquei a falta de ação de seus ministros mais diretamente ligados a socorrer o Rio, como critico também as medidas de socorro que os governos federal e estadual têm anunciado. E vou continuar criticando tanto um quanto outro porque entendo que, não fosse o senso de humanismo e a disposição do voluntarismo de anônimos, muitos inclusive também vítimas da catástrofe, e certamente os cariocas estariam entregues à própria sorte.

Vou dar um exemplo da falta de medida do governo petista. Sabem quanto o governo brasileiro disponibilizou para o Haiti sacudido por um terremoto violento há cerca de um ano atrás? R$ 250,0 milhões. Para o Rio, a promessa foi de R$ 100 milhões, vamos ver quanto tempo demorará para liberar, já que Angra espera por 30 milhões há mais de um ano. Santa Catarina é a primeira da fila das promessas não cumpridas: espera desde 2008.

Querem outro exemplo? O governo prometeu liberar parcelas do FGTS, inicialmente de R$ 4.650,00, elevadas nesta segunda feira para R$ 5.400,00 . Seria tudo muito bom não fossem dois probleminhas: uma, de parte dos beneficiários da gentileza federal, muitos perderam TODOS os seus documentos. Vai ser um parto da montanha "atenderem" a todas as exigências burocráticas para se habilitarem à autoajuda. O segundo problema está na gentileza do governo: segundo informou a Caixa, não há previsibilidade atual no sistema para a liberação. Será preciso criar uma forma da liberação ocorrer fora das regras atuais, e isto poderá demorar bem mais do que os 7 dias previsto pelo governo. E, mesmo que tais complicações sejam resolvidas, fica a pergunta: que raio de ajuda é esta se, no fundo, o dinheiro já pertence às pessoas? Ora, o governo não está fazendo nada além de libertar de suas próprias mãos algo que não lhe pertence. Isto não é ajuda, coisa nenhuma.

Dentre as medidas anunciadas, há coisas surrealistas. Num dos artigos que escrevi sobre a calamidade carioca, lembro de haver criticado algumas destas medidas como, por exemplo, dilatar os prazos de pagamento de água, luz, telefone, IPTU, etc. Sugeri que ajuda real seria se o governo, por exemplo, bancasse por uns dois ou três meses o pagamento destas contas. Por exemplo, como é possível cobrarem água, luz e IPTU de um cidadão cuja casa não existe mais? E que se sequer sabe quando terá outra de volta? Porque, senhores, antecipar o pagamento de bolsa família, convenhamos, não é ajuda nenhuma. Tanto faz agora, como depois, dá no mesmo, porque a “doação” já estava prevista, antes até da tragédia. Outra coisa: o tal “auxilio aluguel” chega a ser um escárnio. Alugar o quê se nada restou em pé? Por que, por exemplo, não abrir créditos especiais, na Caixa Econômica e Banco do Brasil, com JURO ZERO, para aquela gente comprar materiais de construção para reconstruírem suas moradias? Isto sim é AJUDAR, é dar algo além do trivial, além do protocolar, dos donativos que já existiam antes. FGTS? Santo Deus, o dinheiro não pertence ao governo, ele apenas administra uma coisa que já é nossa que, aliás, foi formada com dinheiro dos empresários, nada existe nas contas que pertença ao Estado.

O que vai acima é apenas uma pequena amostragem de como não se deve proceder em momentos assim. Demonstra uma total insensibilidade, uma falta de humanidade, e até de uma total incompetência para gerenciar recursos, materiais e humanos, na coordenação dos trabalhoS de socorro e assistência às vítimas. Vejo na visita de Dilma, por exemplo, feita apenas ao Rio, como algo do tipo protocolar, como se estivesse ali cumprindo mera formalidade, e não como uma brasileira, tocada de sentimento solidário para com aquelas pessoas todas, atingidas pela tragédia. Se colocado um robô em seu lugar, não teria feito nada diferente do que Dilma fez.

Mas o episódio também serve para demonstrar quem realmente é amigo fiel do Brasil. Por exemplo, o governo Lula não se cansou de distribuir dinheiro, favores e generosidades de todo tipo para os companheiros Fidel Castro (o maior beneficiário de todos, registre-se), Hugo Chavez e Evo Morales. Deles, o Brasil recebeu o quê nesta hora? N-a-d-a e coisa alguma. Tudo bem que, pelo visto, o Brasil continua sendo mais Brasil do que todos eles juntos. Até agora “tais” ajudas não foram necessárias. Mas seria bom e bemvindo um gesto simples, uma oferta simbólica de ajuda, não é mesmo? Que sirva de lição para revermos nossas “parcerias”.

Quanto aos ministros escalados para assumirem o comando e o controle dos serviços de assistência às vítimas, que se façam presentes de fato, trabalhando, arregaçando as mangas, ajudando no empacotamento de doações, na distribuição racional das forças-tarefas lá presentes. Que deixem sua demagogia e ideologia em Brasília. O Rio, mais do que nunca, precisa de operários, de comando e de ação. O resto pode ficar para depois. Aliás, este “depois” deve ser preocupação desde já por parte de nossas “autoridades”. De um lado, como reconstruir as cidades atingidas. E de outro, onde alojar milhares de desabrigados e que solução definitiva lhes será oferecida.

Em resumo: na tragédia carioca sobra solidariedade e voluntarismo dos brasileiros. A falta maior que tem sido sentida é a de um Poder Público eficiente...

Vítimas de chuvas não podem sacar FGTS de imediato, informa Caixa

Sandro Lima Do G1, em Brasília

Na última quinta, ministro do Trabalho disse que liberação seria imediata.

Segundo CEF, liberação depende de informações das prefeituras.

(Foto: Vladimir Platonow /Agência Brasil)
Vítimas das chuvas abrigadas em ginásio de esportes em Teresópolis

 
A assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal informou nesta segunda-feira (17) que os trabalhadores da região serrana do Rio de Janeiro e de outras regiões atingidas pelas chuvas não poderão sacar imediatamente o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Na última quinta-feira (13), o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, anunciou a liberação de recursos do FGTS para as vítimas das chuvas. “A liberação é imediata. Os moradores podem procurar a partir desta sexta (14) as agências da Caixa Econômica para sacar os recursos”, disse Lupi.

A assessoria da Caixa informou que deve ser de uma semana o prazo para que os saques do FGTS sejam efetuados. De acordo com a assessoria, a Caixa depende de informações fornecidas pelas prefeituras das áreas atingidas para incluir os procedimentos de saque do FGTS no sistema interno.

Inicialmente, cada trabalhador teria direito a sacar até R$ 4.650, correspondente ao valor de dez salários mínimos de 2009, mas nesta segunda-feira (17), o valor foi ampliado para R$ 5,4 mil (o atual valor do salário mínimo é R$ 540).

O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, disse na última sexta, ao anunciar a ampliação do valor para R$ 5,4 mil, que a medida entraria em vigor nesta segunda.

Para sacar, o trabalhador terá de levar documento de identidade e carteira de trabalho. Além disso, ele não pode ter efetuado saque do FGTS nos últimos 12 meses. Se perdeu tudo e não tem documentos, terá de ir à prefeitura e pedir uma declaração de que é morador do município e vítima da enchente.

No final da tarde desta segunda (17), após ter sido consultada pelo G1, a assessoria de comunicação do Ministério do Trabalho enviou a seguinte resposta:

"O ministro Carlos Lupi, enquanto presidente do Conselho Curador do FGTS, informa que o dinheiro do fundo está à disposição imediata dos trabalhadores.

Contudo, os governos municipais devem apresentar uma gama de documentos à Caixa para conseguirem tal liberação. Sobre isto, portanto, quem responde é a Caixa e os governos municipais."

Burocracia
De acordo com a assessoria da Caixa, antes da liberação dos recursos, as prefeituras têm de enviar à Caixa uma declaração informando que o município foi atingido pelas enchentes e que portanto cumpre os requisitos para que seus moradores possam sacar o FGTS.

Quando receber a carta da prefeitura, a Caixa, segundo a assessoria, incluirá a informação em seu sistema interno. Somente depois disso, as agências estarão aptas para liberar os recursos do FGTS.

De acordo com a assessoria, o benefício poderá ser retirado em qualquer agência. Também há previsão de instalação de postos específicos para atender as vítimas das enchentes.

Segundo comunicado da Caixa, para o pagamento do FGTS aos atingidos pela chuvas, é necessário o cumprimento das seguintes condições:

- decretação de estado de calamidade pública ou situação de emergência pela Prefeitura Municipal;

- reconhecimento dessa decretação pelo Ministério da Integração;

- entrega, pela prefeitura, de Declaração de Áreas Afetadas à Caixa;

- habilitação do trabalhador junto à Caixa, mediante comprovação de titularidade de conta vinculada e de residência em uma das áreas afetadas, constantes da declaração citada acima;

- o trabalhador tem 90 dias, após a publicação do ato do Ministério da Integração Nacional, reconhecendo o estado de calamidade/emergência decretado pela municipalidade, para solicitar o saque.

Para o saque do FGTS pelos trabalhadores vítimas das enchentes, são necessários os seguintes documentos:

- identidade, carteira de habilitação ou passaporte;

- comprovante de residência ou declaração da prefeitura;

- carteira de trabalho;

- cartão do cidadão (opcional)

Prefeituras
De três prefeituras consultadas pelo G1, somente a de Teresópolis disse que enviou as informações à Caixa Econômica Federal, que, até o início da tarde desta segunda (17), não tinha confirmado se havia recebido os documentos.

Segundo a assessoria da Prefeitura de Teresópolis, o decreto oficializando o estado de calamidade pública do município foi homologado nesta segunda (17) e encaminhado à Caixa. De acordo com a prefeitura, as formalidades necessárias estão sendo cumpridas para acelerar o processo de liberação do dinheiro do FGTS para as vítimas.

Pela manhã, a Prefeitura de Nova Friburgo informou que não havia enviado as informações à Caixa Econômica Federal.

No final da tarde, em contato com o G1, o procurador jurídico do município, Amilton Sampaio, afirmou que toda a documentação já tinha sido encaminhada à Caixa. Além disso, segundo ele, a prefeitura deu início a um cadastramento das pessoas atingidas pela enchentes para que as informações sobre elas sejam enviadas à Caixa.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Petrópolis informou desconhecer o procedimento mencionado pela assessoria da Caixa e que acreditava que a liberação do FGTS deveria ser automática já que foi publicada no "Diário Oficial".

Falha de governos

Carlos Alberto Sardenberg, O Estado de S. Paulo

Depois da crise econômica global de 2008/09, o tema “falhas de mercado” tornou-se dominante, especialmente nos países mais desenvolvidos, sobretudo nos EUA, onde funcionava de fato um mercado financeiro aberto.

No Brasil, líderes políticos, a começar por Lula, e economistas alinhados à esquerda embarcaram alegremente na onda. Mas os fatos mostram todo dia que nosso problema real está no lado contrário, nas “falhas do Estado”.

Pela lei, ninguém pode construir uma casa e se instalar nela sem obter diversas licenças municipais e estaduais. Paga-se caro por isso e leva tempo.

Ninguém pode construir em áreas de risco ou de preservação. Autoridades das prefeituras e do governo estadual são responsáveis pela fiscalização e pela prevenção, de modo a avisar as famílias dos perigos que elas correm e de retirá-las em momentos críticos.

Os três níveis de governo têm a obrigação de manter prontos os sistemas de defesa civil, para atender as populações em caso de catástrofes.

E o que se vê nestes dias?

A destruição e a morte atingem famílias que moravam em casas construídas sem licenças, em regiões proibidas.

Dia desses, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, tentando se explicar, disse que a população “sabe que está em área de risco”. Ora, a Prefeitura também sabe, não é mesmo?

Certamente há uma responsabilidade pessoal dessas famílias. Para elas, no entanto, existe uma explicação, se não uma justificativa. A alternativa é morar mais longe, circunstância que não raro inviabiliza o emprego, considerando as falhas do transporte… público.

Já o governo falha clamorosamente em todos os momentos. Deixa construir onde não pode, permite que as famílias morem lá (muitas vezes, cobra impostos!), não as avisa da iminência de catástrofes, não as retira a tempo e é ineficiente no socorro às vítimas.

Com detalhes de crueldade: mesmo sabendo do perigo imediato, famílias se recusam a deixar suas casas porque sabem que serão saqueadas. São levadas a essa escolha dramática: ficando, correm o risco de serem varridas num desabamento, mas entendem que o risco pode ou não ocorrer. Já saindo, acreditam que perderão tudo, pois consideram certo que a polícia não vai aparecer por lá.

Dirão: “Ora, isso tudo só prova que precisa mesmo de mais governo, certo?”

Essa é a reação das autoridades. Prometem criar e reforçar órgãos e sistemas, garantem a alocação de mais verbas.

Mas podem apanhar os jornais da época dos últimos temporais que encontrarão as mesmas declarações. Não precisa de mais governo. Nem de mais gasto público. Já tem, e muito. Só que não presta.

Considerem o caso das licenças de construção e habitação de residências e de abertura e funcionamento de comércios. Há repartições municipais e estaduais para cuidar disso. Têm funcionários, com seus ritos burocráticos, e todos os interessados precisam se dirigir até lá. Logo, precisa de muita gente.

Mas do que se ocupam? Da papelada, dos processos. A fiscalização in loco é parcial e mostra a experiência, tanto mais rigorosa e quanto mais legalizada é a obra ou o empreendimento.

Há algum tempo, o dono de um conhecido restaurante da cidade de São Paulo, ganhador de prêmios, estava simplesmente possesso depois de ler o noticiário dando conta de que um estabelecimento na avenida Liberdade servia carne de cachorro, proibida, e ainda em péssimas condições sanitárias.

“Qual é a bronca? Os caras foram apanhados!”, diziam-lhe. “É, mas levaram três anos”, respondia nosso chef, complementando: “Aqui, na minha casa, os fiscais vêm a cada 15 dias para dizer que a pia está 1o centímetros fora do lugar ou que falta um degrau ali do lado”.

Reparem: a fiscalização é limitada e diretamente proporcional à condição econômica da região. É mais rígida – e, em geral, falsamente rigorosa – nas regiões urbanas mais ricas e mais frouxa ou inexistente nas áreas mais pobres.

Alguns dirão que faz sentido. Afinal, se forem exigidos critérios do restaurante Fasano para a periferia de São Paulo, não sobra um bar ou restaurante aberto por lá.

Mas o que quer dizer isso? Que, do ponto de vista do governo, os pobres podem, sim, comer comida estragada?

Quanto ao caso mais grave das residências: o fiscal encrenca com o tamanho da janela num apartamento do Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, mas não vê a casa na encosta de risco. Dirão: “Se aplicados os critérios de Higienópolis, não fica uma residência de pé na periferia de São Paulo”. Ou seja, pobre pode viver sob ameaça.

Claramente, todo o sistema não presta. A legislação e as burocracias, pretensamente rigorosas, dificultam e encarecem de tal modo os empreendimentos que só aqueles com mais recursos conseguem ficar dentro da lei. E a fiscalização vai mais em cima desses aí.

Parece óbvio que o fiscal não precisa visitar mensalmente os restaurantes da moda ou os bairros de classe média para cima. Uma blitz barulhenta de vez em quando é suficiente para criar um ambiente de, digamos, temor saudável.

Mas precisa ir toda semana nas áreas de risco e ali onde há mais ameaças à saúde das pessoas. As regras são inaplicáveis ali? De novo, é falha de Estado. E essa falha é clara: exagerado e caro onde não precisa, ausente onde e quando precisa.

Ressalva de garantia: sim, há setores que funcionam bem, há repartições que se modernizaram. Mas toda essa catástrofe é, no essencial, falha de governos.

Crise de abstinência

Dora Kramer - O Estado de S.Paulo

O mesmo Congresso que não se mexeu durante os últimos 12 anos para aprovar reformas consideradas essenciais para o País, deixando morrer propostas que tramitam na Câmara e no Senado, agora reclama da decisão de Dilma Rousseff de abandonar essa agenda para, no máximo, investir em mudanças pontuais no sistema tributário.

A respeito das possíveis razões do governo tratamos no domingo (Ninguém é de ninguém) e agora cumpre dedicar um minuto de atenção sobre a reação, entre indignada e preocupada, do Congresso. Notadamente da base governista, apreensiva com a possibilidade de a oposição "capturar" a pauta das reformas e atuar politicamente no vácuo deixado pela situação.

E aí surge a justificativa ao molde de lugar comum: em política, não existe espaço vazio e, portanto, conviria ao governo ocupá-lo antes que seja tarde.

A alegação, além de injustificável, sustenta-se na falsa premissa de que apenas o Executivo dispõe da prerrogativa de conduzir transformações.

É, sobretudo, uma manifestação antecipada da crise de abstinência da base governista em face de uma pauta imposta pelo Executivo que lhe permita perpetuar o jogo permanente de pressões e contrapressões para que deputados, senadores e respectivas bancadas obtenham benefícios do governo.

A última vez em que o Congresso se dedicou com afinco à pauta das reformas foi no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. Depois disso, limitou-se ao exercício do faz de conta legislativo, à subordinação às vontades do Executivo, à administração dos próprios escândalos, a construir uma péssima relação com a sociedade e à defesa dos interesses corporativos.

Quando reclama da ausência de uma pauta de reformas induzida pelo Executivo, o Congresso expõe o quanto está viciado em atuar sob a tutela do Palácio do Planalto.

O temor de uma oposição desarticulada é, por óbvio, artificial.

Se o Parlamento de fato entende que as reformas política, da Previdência, tributária, sindical e trabalhista são necessárias, nada impede, a não ser a total falta de compromisso com a delegação recebida das urnas, que suas excelências começassem a próxima legislatura, em fevereiro, trabalhando por elas.

Dificilmente o farão. Por vários motivos, sendo o principal deles o costume de viver das benesses governamentais, o que resulta em ausência de independência para tomar a iniciativa de propor ele mesmo uma agenda e executá-la sem medo de desagradar nem desejo de atender às conveniências do Executivo.

Panos quentes.
O jornal Folha de S. Paulo informa que a Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu por meio de auditorias que nos últimos quatro anos houve desvios da ordem de R$ 500 milhões na Fundação Nacional de Saúde (Funasa), do Ministério da Saúde.

Embora a CGU seja ligada diretamente à Presidência da República, quem se manifesta é o vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB, partido encarregado de comandar a Funasa desde 2005.

A Presidência cala e o vice alega que, "se" for comprovada a denúncia, "deve haver sanções" que, na concepção dele, não alcançam seu partido, firme no posto por conta de "um acordo com o ministro da Saúde".

Temer põe em cheque a investigação da CGU e o governo age como se há dois anos o então ministro José Gomes Temporão não tivesse denunciado a corrupção na Funasa e, por isso, obrigado a pedir desculpas ao PMDB. Na época o partido exigiu "mais respeito" e foi atendido.

Agora se não atuar, a presidente Dilma Rousseff estará desqualificando as exigências éticas que acabou de fazer ao ministério e autorizando que se conclua que falou por falar, igualzinho ao antecessor.

Por aqui.
Dirigente do PMDB no auge da irritação com o governo: "Querem técnicos? Nomeiem o Felipão e o Luxemburgo e depois peçam que eles arrumem as coisas no Congresso."

O desbarrancamento da autoridade pública

Marco Antonio Rocha, O Estado de S. Paulo

Presenciamos, na semana passada, mais uma vez, as duas enchentes de todos os anos: a trágica, triste, lamentável, acabrunhante e, infelizmente, mortal. E a enchente do cinismo, do palavrório, das explicações e desculpas esfarrapadas da cartolagem da política nacional: prefeitos, governadores, ministros e seus fâmulos.

A primeira, desencadeada cem por cento por causas naturais. Chuvas torrenciais e deslizamentos de montanhas – assim como terremotos e irrupções – não há força humana que possa deter ou desviar quando têm que acontecer. Mas os efeitos trágicos não são cem por cento naturais. Não dá para fazer uma conta precisa, mas, certamente, boa parte, se não a maior parte, dos efeitos trágicos, em termos de mortes e ferimentos, ou de prejuízos, nas destruições de casas, pontes, estradas, veículos, etc., é fruto do tsunami de incúria político-administrativa que nos assola o ano inteiro.

Vamos falar com realismo: o poder público, no Brasil, tornou-se hoje uma farsa, muito pior do que a velha commedia dell”arte italiana, principalmente porque não tem graça nenhuma.

Em primeiro lugar, não é poder. Só existe praticamente, só se nota sua presença, na cobrança de impostos – assim mesmo, quase só dos impostos que são automáticos, como na conta de luz, do telefone, do gás, dos combustíveis e no desconto em folha. Já nos impostos que não são automáticos, aí também se exibe o festival de incúria, tamanha é a sonegação. De tempos em tempos, o poder público farsante dá uma colher de chá aos sonegadores, os famosos “refis”, perdoando parte das dívidas para que eles voltem a recolher impostos. Mas, incapaz de fiscalizar o cumprimento dos acordos, espera a formação da próxima fila de sonegadores para renovar o “refis”.

Em segundo lugar, o poder também não é público. Na maior parte do tempo funciona como organismo privado, atendendo a interesses pessoais e eleitorais dos seus detentores, eleitos ou nomeados. Por que o saneamento básico no País é uma lástima (aliás, causa também de inundações)? Porque “não dá voto”, e essa explicação cínica é ouvida e vista nas TVs, saída da boca dos próprios políticos. Ou seja, aquilo que não atende ao interesse pessoal eleitoral do cartola da hora não é digno da sua melhor atenção.

Agora, nesta hora trágica, como no final de 2009, de 2008, de 2007…, etc., vemos autoridades nas TVs proclamando que é um absurdo que se permitam construções nas encostas dos morros, nas áreas de risco, na calha inundável dos rios. Indiretamente estão acusando o povo ignorante de se entregar às ocupações irregulares. Mas o que realmente estavam fazendo esses ilustres senhores quando não havia, ou antes que houvesse, ocupações irregulares ou regulares nessas áreas? Estavam demarcando-as? Estavam fiscalizando-as? Estavam pondo nas cadeias os grileiros de terrenos públicos que se transformam em loteamentos da noite para o dia??? Ou estavam, ao contrário, “legalizando” a patifaria para ganhar os votos de quem foi morar lá, atendendo aos pleitos dos cabos eleitorais da periferia?

O governador do Rio disse, acertadamente, que a tragédia humana e o prejuízo material resultante dos deslizamentos dos morros, na região serrana, sobre as cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis, foram consequência do descuido e da incúria de vários governos nos últimos 30 ou 40 anos. Sem dúvida. Mas ele próprio tem mais de 30 anos de vida política ativa no Estado do Rio de Janeiro, em muitos postos-chave, numa carreira bem-sucedida. Então, pode, perfeitamente, colocar na cabeça, também, o boné de participante do processo de incúria político-administrativa cuja consequência está apontando hoje.

Não estamos querendo dizer que não haveria inundações e desbarrancamentos se se eliminasse o descaso das autoridades responsáveis, e elas se empenhassem no cumprimento do dever. Não é isso. Os desastres sempre aconteceriam. Mas com muito menos mortes, ferimentos, desesperos e estragos. Basta comparar os números do que ocorre no Brasil com o que ocorre em fenômenos naturais análogos de outros países – na Austrália, na Europa e até na Ásia. Um bom pesquisador poderia até traçar um paralelo estatístico entre a circunscrição dos estragos resultantes das fúrias da natureza e a qualidade das administrações locais. Quanto maior seja a qualidade política da administração local, mais delimitados serão os estragos e os sofrimentos. Os terremotos no Haiti e no Chile ilustram o que tento dizer: a diferença não foi só de escala Richter, mas muito, também, de capacidade de lidar com a destruição e com a reconstrução.

Infelizmente, no Brasil, a conclusão que vai se impondo é de que a incúria, o desleixo, a negligência e o teatralismo vazio das autoridades não se revelam apenas nas atitudes diante de catástrofes – como transpareceu vivamente na queda, e após a queda, do avião da TAM e transparece de novo agora. Essa é uma maneira pérfida de proceder visível no tratamento da Educação, da Saúde, da Segurança, da Justiça, da discussão e aprovação de leis, da governança em geral. E com essa maneira de proceder não se constrói uma Nação séria.

Fantasmagoria monumental

Paulo Brossard, Jornal Zero Hora

Os cientistas podem arrolar as causas das tragédias que se repetem pelo mundo afora, mas, independentemente das explicações ou suposições apresentadas, elas impressionam o mais frio dos observadores pelo caráter proteiforme com que se têm apresentado. Ontem, geleiras eternas foram se despedindo da eternidade em que dormiam e entraram a liquefazerem-se em blocos imensos para desaparecerem no oceano. Agora, o que sucede nas duas maiores cidades do país é de desnortear. As chuvas, em regra benfazejas, converteram-se em horrores diá-rios. Insatisfeito com os desequilíbrios causados na orla marítima, o fenômeno subiu a serra que era o alívio do carioca desde o tempo de Dom Pedro, para estender o flagelo a Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo com o inacreditável desmonte de morros, desfeitos em lama, para sepultar populações de maneira e em proporções nunca vistas. E ninguém pode dizer que o flagelo infernal tenha acabado. Longe da catástrofe, a minha situação é de comiseração e perplexidade, sem apetite para ocupar-me de coisas mais correntes. E assim, com lenço ao nariz, limitar-me-ei a reproduzir uma pergunta que me tenho feito.

Passado o alarido das festas, quase nada se pode dizer do novo governo, a não ser que houve uma visível mudança no estilo. O parlapatão de ontem, que se endeusava com uma campanha publicitária própria dos césares da decadência, foi sucedido, até agora, pela discrição. Não opino, limito-me a registrar o dado objetivo. E me pergunto: quem elabora a opinião pública no Brasil e qual seu valor? Não faz muito, eminente professor paulista, participando de melhor programa de entrevistas na televisão, a meu juízo, declarou que a mais importante figura do governo findo era a do marqueteiro João não sei do quê. Tudo era feito conforme seu ditado soberano. O resultado é que o saldo negativo, querendo ou não, passou à sucessora do maior e melhor de todos os governos do Brasil em todos os tempos!

A inflação levantou a cabeça (5,9% não é desprezível) e coincidiu com a orgia de gastos federais precipuamente no segundo semestre do ano passado. Os saldos a pagar, dizem fontes oficiais, somam R$ 137 bilhões(!), dos quais, R$ 57 bilhões referentes a investimentos. Não era novidade o expediente, pois de 2005 a 2009 as contas a pagar aumentaram 195%, praticamente triplicando em cinco anos, e em 2011 o total dos restos a pagar foi estimado em 252% maior do que 2005. É inegável o abandono das fronteiras, com 15.719 quilômetros e, a despeito do heroico esforço do minúsculo segmento militar, os oito anos do governo findo resumiram-se num imenso nihil, nada de nada. No momento em que escrevo (dia 14) leio em jornal de São Paulo que “Fazenda sugere a Dilma que cortes cheguem a R$ 50 bilhões”. E, segundo foi publicado, a missão a que se reservou o ilustre ex-presidente foi demonstrar agora que o mensalão… não existiu!!! Fico por aqui, deixando em silêncio chagas e chagas graves, como o arbitrário remanejo de recursos para ludibriar as contas públicas, da ordem de bilhões.

Para terminar, volto à pergunta que me tenho feito, quem e como se formula entre nós a opinião pública, sem a qual a vida nacional não passa de uma fantasmagoria monumental?

Uma tentativa de controlar o Ministério

O Globo - Editorial

O presidencialismo brasileiro, ao conviver com um ambiente de excessiva pulverização partidária — por falta de uma necessária cláude barreira —, inverteu conceitos de administração e passou a adequar o tamanhodo aparato público de primeiro escalão à quantidade de legendas aliadas, e não à tarefa de gerenciar o país.

A esta realidade foi adicionada uma grande porção de pragmatismo nocivo, praticado nos últimos governos, e, assim, a ocupação de cargos passou a ser moeda de troca em barganhas de fisiologismo explícito.

Foi desta forma que se chegou à situação atual, em que o primeiro escalão federal é formado por 37 ministérios.

As reuniões ministeriais se tornaram mais um evento no qual o presidente manda recados políticos, e para todos serem, de tempos em tempos, fotografados juntos, do que um encontro de trabalho efetivo. Na verdade, assemelha-se mais a uma assembleia do que a uma reunião. Portanto, tem lógica a decisão da presidente Dilma Rousseff de, logo na primeira reunião do Ministério, dividir sua equipe em quatro grupos, e designar coordenadores para cada um deles.

Os grupos de Desenvolvimento Social e Erradicação da Miséria; de Desenvolvimento Econômico; Gestão, Infraestrutura e PAC; e de Direitos da Cidadania e Movimentos Sociais serão coordenados, respectivamente, pela ministra Tereza Campello, de Desenvolvimento Social, por Guido Mantega, ministro da Fazenda, por Míriam Belchior, ministra do Planejamento, e, o último, por Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência.

Dilma, que reconheceu ser difícil despachar com todos os 37 ministros — em despachos semanais, levaria nove meses para recebê-los —, antecipou que participará de reuniões dos grupos.

Para quem deseja governar com o máximo de conhecimento do que ocorre em cada área, é mesmo o melhor modelo. Até porque, definidos como prioridades o corte de gastos e a melhoria da gestão pública, a presidente necessitará manter a equipe governamental em rédeas curtas. Afinal, depois dos últimos cinco anos de gastança desenfreada no custeio da máquina, e nenhum cuidado com o aperfeiçoamento gerencial do governo, o que deseja Dilma Rousseff é uma mudança importante, e que contraria muitos interesses políticos e corporativistas. Não será fácil, mas terá de ser feito.

Como a maior parte dos gastos governamentais ocorre em rubricas engessadas por lei — salários de servidores, Previdência — ou por questões políticas, caso de linhas assistenciais, alguma proporção no corte de despesas terá de vir por aperfeiçoamentos na gestão.

A questão da folha do funcionalismo pode ser equacionada com a retomada do projeto de lei que limita o crescimento da conta de salários em 2,5% reais ao ano.

O “fazer mais com menos”, mantra da ministra Míriam Belchior, tem de se materializar em ações efetivas.

Um bom sinal é a presença do empresário Jorge Gerdau como conselheiro do Núcleo de Gestão e Competitividade. O fato de ele ter aceitado o convite de Dilma garante a seriedade dos propósitos do governo neste campo.

Mas, como estes objetivos não contam com o apoio de alas petistas, o governo Dilma precisará de muita energia e determinação para enfrentar os obstáculos e fazer o que precisa ser feito.

Viva o elogio! A salvação do Brasil está no adesismo!

Reinaldo Azevedo

PT e PMDB andam se estapeando nos bastidores, como vocês viram. Os petistas, tentando defenestrar os peemedebistas da Funasa, por exemplo, denunciam um desvio de espantosos R$ 500 milhões num período de quatro anos — o levantamento conta com o endosso da Controladoria Geral da União. Eis uma denúncia, que parece ter fundamento, grave o bastante para mobilizar a oposição certo? Engano seu, cara pálida! Os oposicionistas estão preocupados com outra coisa. Eles se ocupam, neste momento, em, bem, em…, deixe-me ver… Bem, sei lá eu.

Todos nós, quando na escola, tivemos aula de interpretação de texto. Em algum momento, um professor já lhe pediu, leitor, que grifasse as ideias principais de um texto, certo? Vamos fazer essa experiência? Leia o que vai no Estadão Online e procure grifar, nem que seja mentalmente, o que lhe parecer mais importante. Volto depois.

Por Marcelo Portela:

Partidos de oposição e o governo federal devem evitar o confronto direto e buscar aliança em torno de temas importantes para o País. É a proposta que defende o senador Aécio Neves (PSDB), para quem algumas questões, como o valor do salário mínimo, são de interesse comum e não podem ser transformadas em “bandeiras de caráter político” simplesmente pelo embate.

Considerado um dos principais nomes da oposição, o senador defende uma aproximação com a base de sustentação do governo da presidente Dilma Rousseff. “Vocês vão, nesse futuro Congresso, se deparar em muitos momentos com alianças de partidos que estão na oposição, como o PSDB, o Democratas e o PPS, com setores da base do governo em torno de temas que são importantes para o País”, afirmou nesta segunda, 17, durante a primeira visita oficial que fez a seu sucessor, Antônio Anastasia (PSDB), depois da posse do atual governador.

Para Aécio, a discussão sobre o reajuste do salário mínimo, por exemplo, deve ser feita com base em “uma análise mais técnica”. Ele afirmou que o PSDB lutará por um valor maior que os R$ 545 anunciados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na semana passada. Mas não adiantou se a legenda vai bater o pé por R$ 600, valor defendido pelo candidato tucano à Presidência, José Serra, durante a campanha eleitoral.

“O governo, sempre quando manda uma proposta de salário mínimo, mantém uma margem de discussão política, uma margem de aumento. Acredito que essa negociação ocorrerá. Não devemos fazer do salário mínimo, como de nenhum outro tema, até belas bandeiras de caráter político. É uma discussão extremamente séria”, disse.

Outro exemplo dado pelo senador foi a questão municipalista que, segundo ele, terá “campo fértil” para negociação com setores do governo federal. “Eu acho que haverá temas que aproximarão os partidos da oposição de setores da base do governo, que não se distanciarão, tenho certeza, do discurso que fizeram na campanha eleitoral”, afirmou.

Mas Aécio não descartou a possibilidade de confronto caso não haja acordo com o governo. Para o senador, cabe aos parlamentares a definição de uma agenda de “grandes temas nacionais e buscar interlocução dentro do próprio governo, quando possível e necessário”. “Quando não for possível, vamos obviamente para o embate político”, alertou.

Voltei:

E aí, leitores? Já grifaram? E qual é a idéia principal? Pois é…

Atenção! Em nenhuma democracia do mundo - NENHUMA! -, lideranças de oposição se vêem na contingência de declarar que não se opõem ao país e buscam sempre o melhor para todos… Uma oposição, SÓ POR SER O QUE É, já é tão patriótica quanto o governo. Pode haver zonas de convergência entre adversários? Sim! Isso é de tal sorte óbvio que só merece destaque caso se queira dar mais visibilidade à concordância do que à discordância. A quem cabe provar que está acima das divergências? Ao governo ou à oposição? A resposta é óbvia.

Digam-me: dadas as coisas que temos aí, Aécio — ou outros líderes da oposição — não vêem razão para, quando menos, sugerir alternativas ao governo? Até quando os oposicionistas vão se comportar como se pedissem desculpas por existir? E quem não se desculpa promete liderar um grupo de carneiros bem-comportados.

Quais seriam as nossas referências nessa forma de oposicionismo? França? Inglaterra? Itália? EUA? Alemanha? O Chile, aqui do lado? Não, não! Em todos esses países, existe oposição clara, definida, sem receio de ser o que é porque sabe que é a sua existência que define a democracia. As oposições andam enfrentando problemas na Venezuela, na Nicarágua e na Argentina, por exemplo. Mas que se note: nesses países, ela está sendo cassadas e caçadas pelos respectivos governos; não são elas a se dedicar à sujeição voluntária.

Huuummmm… “Reinaldo já criticou hoje o Chalita e agora está criticando Aécio. Vai ver o Serra mandou, né?” É, vai ver… O país agora está assim:

- o governo Dlma tem de ser preservado de qualquer crítica porque está no começo;

- Aécio tem de ser preservado de qualquer crítica para não parecer se está a serviço de Serra;

- Cabral tem de ser preservado de qualquer crítica para não que não pensem que se está explorando a tragédia.

Vamos fazer um país só de elogios! Crítica mesmo, severa!, só àqueles que estiverem fora do poder, nem que seja o poder na oposição. Vocês verão que belo país nós teremos daqui a, sei lá, uns cinco ou dez anos! Aliás, nós já estamos vendo, não é mesmo? Segundo essa perspectiva, como sou mais bobo do que os outros, então escrevo o que manda o candidato derrotado em 2010, não é mesmo?

Tenham paciência! Parece que há gente que acha a democracia uma coisa muito bacana, desde que não seja exercitada!

Conto do Vigário

Arlindo Montenegro, Alerta Total

Um sujeito chega e conta uma mentira a uma pessoa desavisada convencendo-a a fornecer dinheiro em troca de uma vantagem que não existe. Diz a pesquisadora Denise Lotufo, que a origem do termo "conto do vigário" foi a disputa de dois vigários por uma imagem, na cidade de Ouro Preto, no século XVIII.

Um dos vigários propôs que a imagem fosse amarrada no lombo de um burro e ficaria na igreja para onde o burro se dirigisse. A igreja do Pilar, ganhou a imagem. O burro era do vigário daquela igreja e o outro foi enganado. As variações conhecidas são "conto do paco". Juridicamente, "estelionato".

É cada vez mais comum o "conto do vigário" ser apresentado à opinião pública como verdade absoluta. No caso das chuvas e desbarrancamentos os políticos aparecem na televisão cuspindo vigarices: "choveu demais", "a culpa é de quem construiu na encosta", "estamos fazendo tudo para minimizar a tragédia".

Tragédia uma ova! É crime contra a pessoa! Um crime continuado dos governantes há varias gerações, das agências técnicas, dos planejadores, do poder público que diz gastar somas fabulosas do dinheiro dos contribuintes, para "acabar com as enchentes", "ajudar os mais pobres a ter moradia digna". Inda outro dia a caixa d'água de um conjunto destes edifícios populares caiu em cima de um dos prédios, antes mesmo de serem ocupados pelos felizes condôminos.

O que foi que o conto do PACo fez com o tal programa "minha casa, minha vida nos últimos oito anos? Perguntem aos que morreram em Petrópolis, Teresópolis ou aos que – mais uma vez – perderam móveis e utensílios cujas prestações vão continuar pagando, roupas e documentos que vão pagar para obter tudo, "começar de novo". Perguntem aos alagados de Atibaia, de São Paulo e tantas outras cidades. Perguntem no Brasil inteiro!

Estes governantes que arremetem agora contra os cristãos, com seu projeto PNDH3 que rola no Congresso para legalizar "casamento" de homem com homem. que o vulgo diz "dá lobisomem" e mulher com mulher, "que dá jacaré", que impõe a retirada de todos os simbolos religiosos dos lugares públicos, como já fez a presidente em seu gabinete, que arremete contra a propriedade privada e propõe a matança dos inocentes, desconhece o conceito de caridade.

Sabe aquilo que a gente está fazendo ao doar roupas e alimentos para os vitimados pelos crimes continuados dos governantes? É caridade. Ninguém vai chegar depois para dizer: "Mandei um quilo de arroz e uma roupa velha quando você estava na merda, agora quero seu voto". A coisa é feita porque cada um sabe que está dando a mão a um semelhante. Isto é caridade. Um conceito cristão. Um conceito desconhecido por socialistas coletivistas que não ligam para o indivíduo.

São muitos os contos do vigário a que estamos todos expostos: o da dívida externa que "já pagamos", quando na realidade pagamos juros absurdos aos bancos internacionais que "assumiram" as dívidas interna e externa, hoje somando quase 2 trilhões de de Reais! O governo vai tomar mais dinheiro emprestado aos bancos para pagar os juros, a módica quantia de R$ 359,7 bilhões, ou seja pendurar 12% do Produto Interno Bruto. E dever mais!

Depois você fica pensando por que este país não vai prá diante. Resposta: porque está enrolado no conto do vigário! Como este de que estamos construindo uma sociedade democrática. Qualé meu!?

Esta conversa mole pode ser desmascarada com o conto do vigário da reforma agrária. Isto significa dar titularidade aos assentados. E como esta gente não gosta de propriedade privada, nenhum dos assentados tem titularidade sobre a terra: ela pertence ao estado. Os assentados têm uma concessão e não podem, se quiserem, vender sua posse. Como não têm grana prá comprar trator nem sementes, ganham cesta básica e bolsa família. Continuam ferrados!

Mas os estrangeiros sim, podem comprar grandes extensões. Chineses, americanos, europeus, árabes, russos são donos de vastas fazendas, agro indústrias, plantações de soja e a economia brasileira está, quase na totalidade, desnacionalizada, nas mãos de investidores estrangeiros e mega empresas. Os lucros são enviados para os investidores.

Quer ver outro conto do vigário? Na educação em geral. Seguindo as diretrizes de um ministério da educação, cujo titular só entende de marxismo, implantanto os programas criados pela Onu para acabar com as culturas nacionais, faltam técnicos especializados em todos os setores.

Na agricultura então a carência é lascada! Faltam eletricistas, mecânicos, motoristas operadores de máquinas, agrônomos, profissionais de informática. Pra onde você olhe, a escola responde com baixa qualidade de formação profissional. E o analfabetismo no campo continua elevado.

Estamos vivendo no Brasil dos vigaristas! Vigarice salarial, vigarice na aposentadoria, vigarice institucional, vigarice na saúde, em suma vigarice progressiva do coletivismo que nos subordina e despreza como nação, povo, gente, pessoa. O rol das vigarices é grande, quilométrico.

Prá encerrar o bolodório de hoje, lembro o caso da soja, que veio da China. Os asiáticos que comem até grilo e escorpião, inventaram ha mais de mil anos o tofu, o shoyo e o missô. Dá pra encarar? Comendo com carne ou peixe, sim. Mas as deficiências orgânicas continuam. Os cientistas descobriram que a soja está carregada de "antinutrientes" (tripsina) que afetam o fígado e atrapalham a digestão. Os inibidores da tripsina na soja não são neutralizados pelo cozimento, como acontece com outros grãos.

"A alimentação, assim como a saúde, é um grande negócio. Dois terços de todos os alimentos processados industrialmente, contêm algum derivado da soja em sua composição. É só conferir os rótulos. A lecitina de soja atua como emulsificante. A farinha de soja aumenta a “vida de prateleira” de uma série de produtos. O óleo de soja é usado amplamente pela indústria de alimentos. A indústria da soja é enorme e poderosa." O conto do vigário continua.

Ref: "Um modelo para investigação dos problemas nutricionais modernos" Alan R. Liss Inc., 1987.

Visão de conjunto

Merval Pereira – O Globo

Napoleão dizia que o máximo de subordinados que se deve comandar diretamente é sete. O governo Dilma herdou de Lula uma estrutura com nada menos que 37 ministros, consequência da necessidade de contentar uma base aliada que cada vez se amplia mais, ao mesmo tempo em que se torna mais heterogênea.

Nunca se ouviu do ex-presidente Lula uma reclamação sobre o tamanho do Ministério. Ele simplesmente não despachava com muitos de seus “ministros”, e se utilizava das reuniões ministeriais para fazer política e “matar a saudade” de muitos deles.

Hoje são nada menos que dez partidos de peso político na base governista que disputam espaços na administração Dilma Rousseff — PT (88), PMDB (79), PP(41), PR (41), PSB (34), PDT (28), PTB (21), PSC (17), PCdoB (15), PRB (8).

Segundo o cientista político Octavio Amorim Neto, da Fundação Getulio Vargas do Rio, um estudioso do assunto, é importante registrar que a cada eleição batemos recorde de fragmentação partidária.

As causas são variadas: partidos relativamente grandes, como o DEM e o PSDB, diminuíram suas bancadas, assim como o PMDB, que era o maior partido da Câmara, também se viu deslocado para o segundo lugar.

O PT cresceu, mas pouco, e outros partidos que eram pequenos, como o PSB, cresceram também. Essa tem sido a tendência dos últimos anos, segundo Octavio Amorim: os grandes ficam um pouco menores, e os pequenos, um pouco maiores.

Do ponto de vista formal, o governo Dilma tem mais força no Congresso, e poderá aprovar reformas constitucionais e barrar CPIs, ressaltando a fragilidade maior da oposição na futura Legislatura.

Na prática, a presidente sabe que não é bem assim e para não arriscar nenhuma surpresa está evitando se confrontar com o Congresso.

Adiou a escolha do segundo escalão para depois da eleição da presidência da Câmara, dando tempo para que seus aliados, especialmente o PMDB, façam seus acordos internos que não afetem a governabilidade.

E já decidiu que não apresentará ao Congresso nenhuma das reformas estruturantes que são tão necessárias quanto polêmicas, e desfazem qualquer maioria.

Portanto, a decisão de dividir os ministros em quatro grupos, que terão ministros-coordenadores, parece lógica, na impossibilidade de reduzir simplesmente o número de ministérios e secretarias com status de ministério.

O grupo de Desenvolvimento Social e Erradicação da Miséria será coordenado pela ministra Tereza Campello, de Desenvolvimento Social; o de Desenvolvimento Econômico por Guido Mantega, ministro da Fazenda; o de Gestão, Infraestrutura e PAC por Miriam Belchior, ministra do Planejamento; e o de Direitos da Cidadania e Movimentos Sociais por Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência.

Na mesma impossibilidade de despachar com todos os 37 ministros, a presidente vai participar das reuniões setoriais.

Na prática, teremos quatro superministros, além dos que, por si só, ou pelo cargo que ocupam, têm importância reconhecida: o chefe do Gabinete Civil Antonio Palocci, que reúne as duas qualidades; o presidente do $Central, Alexandre Tombini; o Ministro-Chefe das Relações Exteriores, Antonio Patriota; o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e poucos outros.

É mais uma maneira indireta de a presidente Dilma Rousseff explicitar o que pensava, e não podia dizer, da estrutura de poder montada no governo petista, que acaba favorecendo a centralização de decisões.

Aconteceu com José Dirceu quando chefiava o Gabinete Civil, e também com Dilma quando o substituiu.

A reunião de ministérios em grupos temáticos favorece também uma visão de conjunto que falta na administração pública brasileira, falha que está sendo ressaltada agora por ocasião das trágicas enchentes no interior do estado do Rio.

Desta vez, as águas não selecionaram suas vítimas apenas entre as mais pobres, favorecendo uma compreensão mais ampla do problema, mas tudo indica que ainda não temos capacidade para uma ação conjunta dos diversos órgãos que se dedicam a questões de preservação ambiental e moradia social.

A ideia de culpar as autoridades diretamente pelas consequências do desleixo, colocando o Ministério Público à frente das providências, parece um bom começo para obrigar que medidas sejam realmente tomadas, e não apenas prometidas.

O projeto de uma espécie de Lei de Responsabilidade Social, que a OAB-RJ anunciou que vai propor em regime de urgência ao Congresso Nacional, pode ser o começo da reação, e o interessante (e dramático) é verificar quão distante está o ânimo solidário da população da prática da prevenção, que é a única maneira de minorar as consequências das tragédias provocadas por fenômenos naturais que cada vez nos atingem mais, tudo indica devido às mudanças climáticas na Terra.

Foi-se o tempo em que agradecíamos não termos nem tufões nem terremotos nem tsunamis, como se fôssemos abençoados.

Como sempre nos consideramos protegidos das intempéries, também não desenvolvemos uma cultura de prevenção desses acidentes.

Ao mesmo tempo, nossos péssimos hábitos políticos incentivam invasões e ocupações de terrenos na maioria das vezes em locais interditados para construção justamente devidos aos perigos que eles representam.

Há uma visão distorcida, muitas vezes equivocada, a maior parte, porém, oportunista e criminosa, de que permitir a instalação de pessoas carentes em áreas de risco é uma ajuda, quando na verdade é o caminho mais curto para tragédias como as que estamos vivendo no estado do Rio.

Seria preciso que esse espírito de solidariedade que existe em todas as camadas sociais fosse aproveitado para uma mudança cultural que elegesse a prevenção como prioridade.

Para que tragédias inevitáveis tenham a menor consequência possível, como aconteceu recentemente na Austrália.

Em Teresópolis, Prefeitura briga com Igreja e Cruz Vermelha por doações

Bruno Boghossian e Roberta Pennafort - O Estado de São Paulo

Decano da Diocese de Petrópolis diz que situação é de boicote; prefeitura nega

RIO e TERESÓPOLIS - De um lado, donativos que chegam às toneladas de todo o País; de outro, a falta de entrosamento entre a prefeitura de Teresópolis e organizações que tentam fazê-los chegar de modo mais eficiente a quem precisa, como a Cruz Vermelha e a Igreja Católica, cuja iniciativa, segundo voluntários, está sofrendo obstrução por parte do poder público. Até médicos foram impedidos de trabalhar. Enquanto isso, milhares de desabrigados ainda têm dificuldades para conseguir água, alimentos e artigos básicos para sua sobrevivência.
Wilton Junior/AE
Moradores do bairro de Campo Grande, em Teresópolis

Hoje, voluntários da Cruz Vermelha relataram que funcionários da prefeitura tentaram impedir a saída de carregamentos do galpão montado pela organização internacional no centro da cidade. A prefeitura nega. "Está acontecendo uma briga de egos aqui em Teresópolis. A prefeitura determinou que nada pode ser entregue sem sua autorização", disse Jairo Gama, um dos cem voluntários da Cruz Vermelha em atividade na cidade.

Numa reunião entre as duas partes, a prefeitura decidiu que iria centralizar a entrega do material. A Cruz Vermelha, no entanto, acredita que tenha condições de fazer um trabalho mais direcionado, já que dispõe de informações precisas sobre as necessidades de cada localidade.

Apesar da intervenção da prefeitura, a Cruz Vermelha continuou fazendo entrega de material hoje - montou um ponto de distribuição em outro ponto da cidade. "O que a gente quer é evitar o desperdício. Por exemplo: não adianta entregar 30 quilos de arroz a uma pessoa de uma vez só", explicou Luiz Alberto Sampaio, presidente da Cruz Vermelha no Rio.

O prefeito de Teresópolis, Jorge Mário Sedlacek, negou que houvesse qualquer problema de entendimento. "Uma operação como esta precisa de um comando centralizado. Está todo mundo cooperando. Não temos dificuldade com ninguém", afirmou. Mas no domingo, segundo relatos de voluntários, até a polícia teria, a mando da prefeitura, tentado impedir a saída de um caminhão.

Mesmo médicos que estão em Teresópolis para prestar atendimento gratuito à população sofreram impedimento de sair da base da Cruz Vermelha por funcionários da prefeitura. Isso ocorreu hoje de manhã. À tarde, numa reunião, ficou definido que a Cruz Vermelha atuará no atendimento nas cinco localidades mais castigadas. Mas a princípio estaria impedida, oficialmente, de entregar donativos.

A prefeitura de Teresópolis está sendo acusada também de impedir a distribuição de donativos por parte da Igreja Católica. Segundo o padre Paulo Botas, integrantes da comunidade católica que foram até o estádio Pedrão ouviram de funcionários municipais que "nenhuma igreja católica de Teresópolis iria receber doações". A prefeitura desmente a informação - diz que a religião dos desabrigados não é fator levado em consideração.

"O prefeito é evangélico e não quer que a ajuda vá para os católicos", critica o padre, da igreja do Sagrado Coração de Jesus de Barra do Imbuí, área bastante afetada pelas chuvas. Ele contou que foi alugado um galpão na frente da igreja, para onde seriam levados roupas e alimentos que emissários recolheriam do montante estocado no Pedrão.

Sem querer entrar em detalhes sobre a religião do prefeito, o padre Mario José Coutinho, decano da Diocese de Petrópolis, disse que a situação é de boicote à Igreja Católica. "É surreal, uma ofensa, uma vergonha. Transformaram uma questão humanitária em religiosa". Nesta terça, antes de rezar uma missa de sétimo dia no Imbuí, o bispo de Petrópolis, dom Filippo Santoro, terá uma reunião com o prefeito para discutir o assunto.

Enxurradas e alagamentos afetam 32 mil pessoas em Santa Catarina

Fábio Freitas, Folha de São Paulo

As chuvas do último fim de semana em Santa Catarina afetaram mais de 32.200 pessoas, danificaram casas, pontes e estradas em cinco cidades do Estado.

Só em Joinville (180 km de Florianópolis), 21 mil moradores foram prejudicados, sendo que 3.000 deles foram desalojados, segundo a Defesa Civil Estadual. Duas famílias ficaram desabrigadas após um muro cair sobre uma das casas e a outra desabar no rio Itaumirim.

A enxurrada da noite de domingo (16) durou cerca de uma hora, tempo suficiente para danificar estradas de terra e três pontes, provocar 27 deslizamentos, ilhar comunidades e alagar casas no sul do município.

Cerca de 30% da cidade de Orleans (180 km de Florianópolis, no sul do Estado) foi prejudicada pela chuva. Cerca de 5.000 pessoas foram afetadas e duas casas, danificadas.

Em Presidente Getúlio (220 km da capital catarinense, no Vale do Itajaí), 5.900 pessoas e dez casas foram atingidas em cinco bairros na área urbana da cidade.

A chuva em Rancho Queimado (60 km de Florianópolis) atingiu as áreas urbana e rural do município, provocou transbordamento de rios e afetou 300 pessoas e duas casas.

O major Márcio Luiz Alves, diretor da Defesa Civil de Santa Catarina, afirma que recebeu no início da noite desta segunda (17) um telefonema da prefeitura de Pedras Grandes (157 km de Florianópolis) comunicando que a cidade teve pontes destruídas e outros danos em enxurrada do fim de semana, mas ainda não havia informação sobre pessoas afetadas.

Segundo o major, a defesa civil está em alerta com a possibilidade de enxurradas em todo o Estado. A previsão do Ciram/Epagri, o centro de meteorologia estadual, é de chegada de uma frente fria nesta semana.

"É uma diferença de temperatura. Está muito quente, aí chega uma frente fria e pode causar precipitação de grande quantidade de água. E também fortalece os ventos", afirma Alves.

De acordo com a Defesa Civil catarinense, cinco cidades estão em situação de emergência por causa das chuvas: Caçador (400 km de Florianópolis), Itaiópolis (330 km da capital), Penha (120 km de Florianópolis), Chapadão do Lageado e Salete (ambas no Alto Vale do Itajaí).

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

A se considerar o total descaso com que a presidente Dilma vem tratando as enchentes que ocorrem em São Paulo e Minas Gerais, é bom os catarinenses buscarem socorro no exterior. Nem a tragédia de 2008 mereceu até hoje o cumprimento das promessão que, na época, foram feitas.

Se Dilma pretendia começar mal o seu mandato como presidente, acredita que suas ações no campo da assistência social e atendimento às populações mais necessitadas, não poderiam ser piores.  E não me refiro apenas "socorro às vítimas de tragédias naturais"; vejam no post anterior o descaso com que a saúde pública em Rondônia está sendo tratada!

Não há dúvida de que a seguir o modelito adotado até aqui, Dilma conseguirá extinguir a miséria no país, matando por abandono total os miseráveis existentes.