quarta-feira, outubro 11, 2006

Explicar os cartões é obrigação de Lula!

No debate da Band, entre Lula e Alckimin, realizado no domingo, 8/10, não passou ignorada a perturbação de Lula quando Alckimin perguntou-lhe sobre os cartões de crédito corporativos e até o desafiou a abrir seu sigilo sobre os mesmos. Pego de surpresa, Lula além de não responder ainda afirmou serem os referidos cartões a única coisa boa feita por Fernando Henrique. Soou estranha a afirmação de Lula bem como o elogio a FHC. Primeiro, porque Alckimin não perguntou quem criara os cartões. Segundo, o que Alckimin se referia era ao excesso de gastos ocorridos no governo Lula. Terceiro, ao não responder, Lula deixou solta a suspeição sobre o que realmente acontece com os referidos cartões. E quarto: Lula esqueceu que, além dos cartões, FHC também implantara o Plano Real, criara a Lei de Responsabilidade Fiscal, os programas sociais que Lula apenas mudou o nome, a estabilidade econômica, etc. Mas tais obras para Lula não “convém” recordar.

Para o COMENTANDO A NOTÍCIA este não é um assunto novo, ou melhor, não se trata de um novo escândalo. É um escândalo que já se arrasta por algum tempo, inclusive correndo em segredo de justiça um processo de irregularidades no Tribunal de Contas da União.Em 11 de setembro, no Boletim do TOQUEDEPRIMA, publicamos a seguinte notícia com o comentário correspondente. Segue abaixo:

“E no cartão de crédito, não vai nada?”
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“A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou um requerimento da oposição que pede à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, informações sobre todas as prestações de contas mensais da Presidência, relativas ao uso de cartões de crédito corporativo, desde o início do governo Lula. A proposta é de autoria do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que solicita também as notas fiscais para justificar os saques dos cartões.”
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“Um dos principais alvos são os supostos gastos com a primeira-dama, Marisa Letícia, que não é funcionária do governo”.
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“Apesar de aprovado o requerimento, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR) vai entrar com recurso na Mesa da Casa, para suspender a decisão.”.
“Ele alega que não é atribuição do Senado ter acesso a essas informações, mas sim do Tribunal de Contas da União. Segundo ele essas informações envolvem sigilo e atingem empresas que prestam serviços à Presidência.”
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“O senador Aloízio Mercadante (agora candidato a perder o governo de São Paulo) chegou a justificar a proibição da divulgação dos extratos alegando “questões de segurança nacional”.”
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“O Presidente Lula fez um contrato com o Cartão Internacional VISA, dando um cartão de crédito para 39 pessoas do governo e um para uso do ajudante de ordens direto do presidente. A motivação seria a de facilitar o fluxo de caixa em eventuais gastos a serviço do executivo nacional.”
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“Inicialmente, o limite de cada cartão era de 400 e todos os usuários eram obrigados a fornecer o extrato mensal dos cartões para divulgação no site do Governo. Como os gastos ultrapassaram o limite estipulado, a administradora do cartão elevou para R$ 1 milhão o limite de todos os cartões.”

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”COMENTANDO A NOTICIA: Esta caixa preta precisa ser realmente investigada e com muita urgência. Chega a ser ridícula a justificativa de Mercadante sobre a “tal segurança nacional” para a divulgação dos extratos. Tudo aquilo que foi custeado com o dinheiro excessivo dos impostos deve ter absoluta transparência para a sociedade. Além disso, temos informações de que uma primeira dama anda excedendo-se em demasia em relação as gastos, o que seria absolutamente irregular uma vez que não ocupa nenhum cargo na administração federal. Sequer deveria utilizar-se de cartões corporativos.”

Posteriormente, em 16 de setembro, em outro boletim do TOQUEDEPRIMA, retornamos ao assunto. Segue:

“Não há limites para a gastança”
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”Somente no primeiro semestre deste ano, a funcionária pública destinada a acompanhar a primeira dama, Maria Emília Évora, gastou com cartão de crédito da presidência da república a importância de R$ 441.000,00 (quatrocentos e quarenta e um mil reais), sendo que R$ 198.000,00 (cento e noventa e oito mil reais) foram sacados em moeda corrente na boca do caixa para custear despesas da primeira dama.
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Essa gastança equivale a uma média mensal de R$ 55.000,00 (cinqüenta e cinco mil reais), ou R$ 1.800,00 (um mil e oitocentos reais por dia), equivalendo ainda à alimentação de 8.820 famílias pelos critérios do programa fome zero.”
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”COMENTANDO A NOTÍCIA: Quando será que a tal investigação secreta sobre os gastos com os “famosos” cartões de créditos corporativos será encerrada ? Está aí talvez uma caixa preta que Lula jamais fará questão de elucidar. E o TCU não pronuncia ou será que já foi aparelhado também? Neste poço já se gastou muito mais do que os 11,0 milhões das famosas cartilhas que nunca aparecem !!!!!”
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Ontem, transcrevemos texto do Tribuna na Imprensa, onde novas informações foram repassadas sobre os tais cartões corporativos. E desta vez, parece-nos, a onda vai crescer e tende mesmo a cair no colo do presidente Lula, uma vez que, pelo menos, um dos cartões, são gastos seus e de sua esposa, Da. Marisa. Impossível alegar que não sabia, do contrário, Lula seria o maior corno como nenhum “dantez” surgiu neste país: traído pelos amigos e pela mulher, pelo menos no quesito “confiança”.
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Lula, ao tentar defender-se do que ele entendeu como “acusação”, na verdade traiu sua própria consciência. Alckimin não o acusou de nada, apenas lhe dirigiu uma pergunta sobre as despesas com cartão corporativo e o desafiou a abrir seu sigilo. Nada justificou a reação de Lula. Consciência pesada por ação criminosa, claro, tem o dom de provocar o destempero suspeito que Lula apresentou.
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No texto da Tribuna na Imprensa podemos resumir a seguinte “situação”:
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a.- Na Secretaria de Administração da Presidência, atuam 22 pessoas com acesso aos ditos cartões. Só elas já gastaram 3,678 milhões neste ano. Contudo, isto representa “apenas” 2,6% do total. O restante é mantido em segredo. Injustificável segredo diga-se de passagem.
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b.- Das seis unidades subordinadas ao gabinete, tiveram gastos secretos a Secretaria de Administração e a Agência Brasileira de Informações (Abin). No caso da Abin, foram apontados como sigilosos os R$ 3,097 milhões gastos com os cartões.
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c.- Dos R$ 94.987,33 relacionados no Portal da Transparência, R$ 20 mil foram saques em dinheiro e também não há informação sobre onde foram gastos. Os gastos totais do Gabinete da Presidência por meio dos cartões corporativos foram de R$ 6,839 milhões entre janeiro e setembro deste ano.
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d.- Das seis unidades subordinadas ao gabinete, tiveram gastos secretos a Secretaria de Administração e a Agência Brasileira de Informações (Abin).
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e.- Os gastos e saques totais com os cartões corporativos da União somam R$ 20,756 milhões este ano, incluindo todos os ministérios e a Presidência. É quase o valor do ano passado inteiro, de R$ 21,706 milhões, e 46,6% maior que os R$ 14,1 milhões gastos em 2004, segundo dados do portal da presidência.
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f.- a prerrogativa do sigilo para garantia de segurança emperra o acesso aos dados.No ano passado, o TCU abriu investigação sobre os gastos, que ainda está em curso. Dados sigilosos divulgados na época falavam em saques de mais de R$ 1 milhão feitos por um único funcionário, em 2004. Especulava-se também sobre gastos indevidos para a primeira-dama, Marisa, e os filhos do presidente.
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Comentário do jornalista Reinaldo de Azevedo:
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“Lula ficou irritado a maior parte do tempo do debate, mas uma questão o tirou do sério e o fez, de dedo em riste (é que ele é muito humilde, e Alckmin, muito agressivo...), alertar a Alckmin para que não fosse “leviano”. Devia saber por que estava tão nervoso. Há um dado escandaloso na República. Ninguém sabe em que é empregado o dinheiro dos tais cartões corporativos. Os dados são considerados segredos de Estado. Acompanhem alguns números:
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a) De janeiro a setembro, os gastos da secretaria de Administração da Presidência somam R$ 3,678 milhões. Atenção, amiguinhos: isso nada tem a ver com a compra de café, água, uísque (para autoridades em coquetéis, claro...), papel higiênico, inseticida, lustra-móveis, caneta, livros (leitor voraz, vocês sabem...). Os gastos, vamos dizer, de escritório e manutenção têm verba do Orçamento.
b) Nos dois primeiros anos de mandato de Lula, os gastos com cartões corporativos da Presidência mais do que dobraram. Passaram de R$ 4,3 milhões em 2002, último ano do mandato de FHC, para R$ 8,7 milhões em 2004. Reitero: estamos falando apenas do Gabinete da Presidência.
c) Os gastos totais do Gabinete da Presidência, nesta modalidade, de janeiro a setembro deste ano, já somam R$ 6,839 milhões. Só a Abin responde por R$ 3, 097 milhões de grana secreta.
d) Os gastos com cartões corporativos, incluindo os Ministérios, já chegam, até setembro, a R$ 20,7¨milhões (durante todo o ano passado, foram de R$ 21,706). O mais impressionante é que, em 2004, quando o Gabinete da Presidência já gastava o dobro do que gastava FHC, a soma total era de R$ 14,1 milhões. Por alguma razão, também secreta, de um ano para outro, a gastança aumentou a bagatela de 50%.
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Com efeito, eis um tema que tem de continuar rendendo no próximo debate e que tem de ser levado ao horário eleitoral pelos tucanos. Já houve funcionário com cartão corporativo que chegou a efetuar saque de R$ 1 milhão. Por quem alguém precisa de tanto dinheiro vivo?
Certa feita, irritada com a comparação com o governo anterior, a ministra Dilma Rousseff lembrou que o perfil da família de Lula era diferente do da família de FHC. Segundo entendi, com mais filhos, e mais jovens — um ainda secundarista (aquele que levou os amiguinhos para passear no palácio com avião da FAB) —, a família de Lula seria mais cara. É bom saber. Então vamos eleger Alckmin. Ele tem só três filhos e um neto. É mais barato
.”
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A verdade é a seguinte: não existe NENHUMA razão de segurança para o assunto permanecer oculto à opinião pública. Nada justifica que o Sr. Lula e seu gabinete de operários ociosos e vagabundos torrem dinheiro público sem a obrigação de prestar contas à sociedade e com total transparência. Fossem despesas miúdas e de pequeno porte, necessidade decorrente de imprevistos de última hora, nem por isso se justificaria o SEGREDO e muito menos por questões de SEGURANÇA NACIONAL. Nem no tempo da ditadura militar se viu tal abuso e desrespeito com o dinheiro que é do povo brasileiro !
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E muito menos a justificativa se dá quando se vê o despropósito e o descontrole correndo e imperando soltos. Portanto, não apenas o Alckimin tem direito a exigir do senhor Lula que ele preste contas num debate, mas toda a nação brasileira tem sim o inarredável direito de exigir de Lula vir a público dizer onde e sob quais razões tem abusado do direito de gastar. Bem como o TCU tem por dever de ofício informar e apontar quais irregularidades têm sido constatadas no uso dos referidos cartões. Além de não caber à senhora Dilma Rousseff se sentir ofendida por ser cobrada ao esclarecimento. Todo o governo está a serviço do povo brasileiro, que paga a mais alta carga tributária do mundo, sem a contrapartida de serviços públicos decentes, e sempre que se cobra do Governo a falta de investimentos alega-se escassez de recursos. Contudo, juntando-se um desperdício aqui outro ali, um desvio lá outro acolá, chega-se a constatação de que estamos alimentando uma malta de larápios que insistem em se servir do governo apenas para sua própria satisfação pessoal. O mandato outorgado à Lula não incluía roubo, desvios, corrupção e toda a sorte de safadezas que seu desgoverno já produziu. E é saudável para o país estancar um pouco a febre dos novos "emergentes" ou dos "pequenos burgueses". Serviço público outorgado em mandato por voto popular é uma missão de trabalho e não instrumento de enriquecimento à custa do sacrifício de milhões que pagam impostos altos e escorchantes.
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E aos jornalistas “defensores” do “presidente-operário” um aviso: Lula é presidente do Brasil, e independente de sua origem e de sua vida pregressa, não se encontra acima da lei. Lula não pode pretender apenas para si aquilo que ele próprio sempre negou ao demais presidentes brasileiros: o direito da não crítica. Porque muito cresceu politicamente em cima justamente deste artifício e agora deverá ser medido pela mesma régua com que sempre mediu os demais. A crítica é sim pertinente, e a prestação de contas é antes de tudo uma obrigação de quem tem sido sustentado pelo povo brasileiro. A presidência não é propriedade exclusiva nem de Lula nem do PT, razão pela qual justifica-se a pergunta e a cobrança feita por Alckimin. Desrespeito é Lula fugir da sua obrigação de responder. Vê-se pelo montante absurdo de gastos que a boa idéia de Fernando Henrique está sendo convertida por Lula em uma ação imoral e irresponsável, razão pela qual denunciá-la é um direito nosso da qual Lula não pode nem se furtar nem tampouco omitir-se. Se nada houver de irregular, tudo bem: preste contas com a consciência tranquila. Mas continuar alegando necessidade de segurança para o sigilo é alimentar de que o uso dos cartões tem sido irregular, imoral e indecente. Só cafajestes insistirão na tese de haver preconceito em se cobrar do presidente, seja ele quem for, que preste contas de sua administração. E antes que se lhe outorgue outros quatro anos de mandato, precisamos que ele esclareça o que fez e o que deixou de fazer neste primeiro mandato. Sem mentiras e enrolação. Acho que está mais do que na hora do Lula pregar na prática o discurso que prega no palanque: a de que não joga sujeira para debaixo do tapete. Pelo menos justificará a educação que sua mãe lhe deu. Além, é claro, de cumprir com uma obrigação prevista em lei.

TOQUEDEPRIMA...

Roubo no Itamaraty!!!!!
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O Chanceler Celso Amorim (que quer permanecer no posto se Lula se reeleger), resolveu homenagear diplomatas aposentados, concedendo a todos uma medalha comemorativa de 50 anos de bons serviços prestados, baseado numa portaria de 1992 do então chanceler Celso Lafer.
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Já havia até mandado o Cerimonial providenciar data na agenda do presidente para o evento, quando alguém se lembrou de ir procurar as medalhas já confeccionadas.
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Mas, todas (cada uma, avaliada em R$ 6 mil) já haviam sido roubadas de um cofre, dentro do próprio Itamaraty. No governo do PT, este tipo de coisa não pode ser nenhuma surpresa.
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Recados do Roberto Jefferson
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Imagem no espelho
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O presidente Lula não se cansou de repetir palavras e expressões, mas as campeãs foram: "bravata" e "nunca nesse país".
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Desculpe, Presidente, mas quem ameaça e usa de fanfarronice é Vossa Excelência e o seu partido ao espalharem a inverdade de que o Alckmin vai acabar com o Bolsa-Família.
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Além de vocabulário, faltam-lhe argumentos. Jactância ("nunca nesse país") e intimidação (a tal bravata) estão partindo daí. Além de outras coisas...
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O mito é frágil
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O debate trouxe a emoção que faltava. Alckmin surpreendeu, foi pra cima. De vocabulário restrito, Lula não aproveitou oportunidades e acabou cansando por ficar repetindo palavras à exaustão, como um macaquinho de realejo. No final, deixou o estúdio visivelmente irritado. Ele sabe que perdeu o debate. Alckmin foi duro, mas humilde. Não tripudiou. Venceu por um a zero, mas poderia ter sapecado 10. Ele poupou Lula. Quando se chega perto do mito, ele não se sustenta. E você, o que achou do debate?
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Entrevista para Gazeta Mercantil
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Na Gazeta Mercantil de hoje há uma entrevista minha, na qual declaro meu apoio, neste segundo turno, a Geraldo Alckmin, e esclareço que este apoio "não visa participação num eventual governo". A seguir, algumas de minhas declarações ao jornal:
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Gazeta Mercantil - O presidente Lula diz em sua defesa que na época de Fernando Henrique não se investigava...
Jefferson - (...) Se o PSDB tivesse o sangue do PT para fazer intriga e oposição, o Lula Tinha caído.
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Gazeta Mercantil - No segundo turno, o senhor acha que rememorar as denúncias do ano passado é importante?
Jefferson - Alckmin vai ter que desconstruir o Lula. O Lula só não caiu porque o mito é mais forte do que o homem.
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Gazeta Mercantil - E o seu apoio, no futuro, vai se transformar em espaço no governo?
Jefferson - Não. Eu coloco para ele dois programas do PTB. Em hipótese alguma, aprofundar reforma da previdência. E reforma trabalhista só se for tiver plebiscito para o povo dizer o que quer. Vou dizer claramente para o Alckmin: "Estamos contigo, o PTB vota contigo. Menos mexer na CLT, menos mexer na previdência social".
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Telefone sem fio
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E ali, escondida no meio das notícias sobre o debate de ontem entre os candidatos à presidência da República, a Folha de São Paulo traz uma única notícia sobre a investigação do caso do dossiê: .
"A PF (Polícia Federal) vai pedir à Justiça nesta semana a quebra de sigilos de cerca de 500 telefones, cujos números aparecem na lista de ligações feitas ou recebidas por envolvidos na negociação de compra do dossiê contra tucanos".
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O telefone é uma alternativa da PF às contas bancárias. No início da investigação a Justiça Federal decretou a quebra dos sigilos de diversas agências bancárias, o que só trouxe um imenso número de informações. Antes da quebra do sigilo de tantos números de telefone, a PF requereu a quebra do sigilo bancário dos petistas presos no hotel em São Paulo com o dinheiro. Sobre o que foi descoberto nestas contas bancárias não há notícias.
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Nesta investigação, ainda sem muitos resultados, a PF se afasta cada vez mais da análise de dados bancários para mergulhar em um absurdo de dados telefônicos. E o pedido de informações sobre as contas bancárias de Hamilton Lacerda, principal suspeito de Rei Midas, não foi sequer feito.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Alguém tem alguma dúvida do “real” interesse da Polícia Federal comandada por Márcio Bastos, o criminalista do Planalto, em esconder informações e afastar o mais que puder não apenas as investigações do presidente Lula e até o resultado final do que se está apurando ? A “republicana” PF de que Márcio se gaba, tem é uma enorme estrela vermelha no peito, isto sim. O bom e velho criminalista, continua sempre trabalhando em favor dos criminosos e contra a sociedade. Vocês dêem a esta ação cafajeste de um ministro o nome que quiserem, menos de investigação honesta e séria. Longe disso.
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Os delírios de Luiz XIV ou "O Estado é eu"

Por Reinaldo Azevedo

Luís XIV no Brasil: "O Estado 'é' eu. E meu"

A perspectiva de perder a eleição está fazendo Lula entrar em surto. Na entrevista de hoje às rádios Bandeirantes e BandNews, o homem perdeu a razão. Afirmou que o PSDB “não deveria ser candidato a nada”. E acrescentou: “Deveria ser candidato a uma empresa de vender empresas estatais”. É isso aí: quando confrontado, Lula retorna à velha natureza do PT, que está adormecida, mas ainda viva. O PT se encarregou de espalhar a mentira de que, se eleito, Alckmin vai vender a Petrobras e o Banco do Brasil. Infelizmente, é mentira. E Lula está fazendo justamente isto: dando curso à mentira, já denunciada por Alckmin ao vivo e em cores, o que o deixou furioso.
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Quanto ao PSDB não ter direito de se candidatar a nada, entendo: foi exatamente isso o que os petistas tentaram com a história do dossiê: acabar com o PSDB, eliminar a oposição. É bom lembrar que há indícios de que a operação também se estenderia a Minas e à Bahia. É a compreensão que o PT tem da democracia. Lula também falou da agricultura e do mau momento que vive o setor. Atribuiu tudo às intempéries da natureza e do mercado. Erro do governo — na política cambial, por exemplo? Ora, é claro que não houve.
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E continua “magoado” com a história do Aerolula, que Alckmin prometeu vender se for eleito. Aliás, esse é um tema que está rendendo. Muita gente acusa demagogia do tucano. Se bem colocado, é um debate pertinente. Vá lá que a Presidência tenha um avião. Poderia ser mais barato, menos luxuoso, disso todos sabemos. Lula está querendo usar a frase “vou vender o avião” para dizer que o PSDB quer vender o patrimônio público, voltando a satanizar as privatizações. Os tucanos podem organizar o contra-ataque. Sugiro duas coisas:
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a) Manter a promessa de vender o Aerolula, comprando algo mais barato. Que Alckmin anuncie já um leilão público, não sem antes prometer uma exposição das dependências internas do Aerolula. Como fica difícil organizar uma visitação do povão, que a imprensa seja chamada para fazer fotos das instalações nababescas do brinquedinho caro de Lula XIV. Os desdentados têm o direito de saber.
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b) Que se evidencie, com todas as letras e de forma insofismável, que as estatais brasileiras, hoje, já estão privatizadas. Pelo PT. O mote da oposição deve ser: pela desprivatização das estatais. Em vez de “vou vender a Petrobras”, o que o PSDB nunca pensou fazer (infelizmente!), que a promessa seja: “Vamos devolver a Petrobras ao Brasil”

COMENTADO A NOTICIA: Certíssimo, Reinaldo. Podemos até criar a seguinte campanha:

Lula,



devolva o Brasil que você nos roubou !!!

LEITURAS RECOMENDADAS

Estranho day after
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Por Guilherme Fiúza
Publicado em NoMínimo


Depois do debate entre Lula e Alckmin na TV, instalou-se um clima estranho no ar.
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Nada a ver com a disputa entre simpatizantes dos dois lados para decretar quem foi o vencedor. Isso é o normal da democracia. Estranho é o nariz torcido de parte da opinião pública que resolveu declarar-se enojada com a baixaria.
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Vamos pegar um atalho direto ao ponto, para não cansar a beleza do leitor: não houve baixaria nenhuma.
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O que é baixaria? Baixaria é o Collor dizer que Lula pediu à sua namorada para abortar a filha deles. Baixaria é Maluf e Antônio Ermírio xingando-se ao vivo até a quinta geração. Baixaria é Conde e César Maia trocando acusações sem provas de enriquecimento ilícito. Baixaria é a troca de insultos desclassificantes entre ACM e Jader Barbalho na tribuna do Senado. E por aí vai.
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O que houve domingo na Bandeirantes foi um debate agressivo, duro. Alckmin disse que Lula mentia ao afirmar que o PSDB quer vender estatais, Lula disse que Alckmin era leviano ao acusá-lo de esbanjar no cartão de crédito corporativo. É a guerra de versões.
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O tucano vai privatizar? Diz que não, mas está aliado ao PFL que tem plataforma privatizante, e Lula jogou a provocação no ar. A despesa da Presidência com o cartão corporativo é abusiva? Não se sabe, e enquanto isso Alckmin levanta a suspeita.
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É tudo do jogo político. Menos que isso, só no convento.
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Fora os debates entre Lula e Serra, que de fato foram especialmente amistosos, o Brasil está cansado de ver confrontos eleitorais muito mais baixos do que este último. Os queixosos devem estar esquecidos das performances memoráveis de Brizola, Ciro Gomes (Xingo Nomes, segundo o Casseta), Maluf, Garotinho e do imbatível Collor.
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A contundência de Alckmin foi proporcional à gravidade dos escândalos do mensalão e do dossiê. Poderia ser diferente?
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Poderia. O candidato do PSDB poderia ter questionado Lula com a mesma cerimônia com que o presidente foi tratado nas poucas entrevistas que concedeu. Aí Lula diria – como disse das outras vezes – que o mensalão não existiu. E ficaria tudo por isso mesmo.
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Que outro momento seria mais propício para uma cobrança rigorosa, de parte a parte, da conduta dos políticos – a transparência tão reclamada pelas pessoas de bem?

Vamos então pegar um pouco emprestado o tom do debate da Band para declarar aqui: é mentira que a população ficou ultrajada com a violência do confronto.
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O enfrentamento de Lula e Alckmin teve um clima de hora da verdade, e o povo gosta disso. Perguntem aos sociólogos de plantão. Leiam as pesquisas, consultem as enquetes, perguntem ao vizinho. O duelo entre PT e PSDB incendiou o país.
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A moral da história é que o segundo turno, e especialmente o debate de domingo, estão fazendo o Brasil discutir o Brasil.
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Parênteses acusatório: também é mentira que os candidatos não discutiram propostas. Entraram no debate até números de megawatts instalados, proporção de policiais por habitantes, estrutura tributária, dados de execução orçamentária, planos para políticas de saúde, monetária e fiscal. Com uma dose de discussão administrativa maior do que essa, como se sabe, o eleitor dorme.
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Em resumo: essa conversa meio sorrateira de que o debate foi de baixo nível está soando estranha. Muito estranha. Parece argumento de quem não quer ouvir o que não convém ao seu credo.
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Aí, de fato, o melhor é desligar a TV e se dirigir à igreja mais próxima, da religião de sua preferência. É o tipo do lugar onde só se ouve o que se quer ouvir.
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A política, o pitbull, o poodle e o vira-lata

Por Reinaldo Azevedo

O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) sempre se esforçou para parecer um analista sofisticado. Se pensamento fosse cachorro, o seu seria assim um poodle de madame. Vive falando em “concertação”, “republicanismo”, “refundação”, verdadeiros fricotes da teoria política. Cãozinho de pet shop, o pêlo de suas teses sempre está meticulosamente podado e desenhado para chamar a atenção. Também não ficaria mal adornar o conjunto com um lacinho vermelho. Ah, mas ontem, quem diria?, com o perdão que peço à Pipoca Maria Corintiana da Silva, uma sem-raça que veio aqui se aninhar perto de mim enquanto escrevo, ele pensou como um vira-lata.Ao comentar o desempenho de Geraldo Alckmin no debate de domingo, o ministro a quem cabe diminuir as tensões políticas afirmou que o tucano se comportou como “um pitbull”. E aproveitou para, ele também, espalhar uma mentira: disse que sempre viu Alckmin como “uma pessoa da (sic) Opus Dei”. Ele se referia à prelazia católica, conhecida por suas posições fiéis às diretrizes do Vaticano.As esquerdas, no entanto, associam os membros do Opus Dei, ao qual Alckmin NÃO pertence, ao que chamam de “pensamento reacionário”. De certo modo, faz sentido. Quase ao mesmo tempo em que Tarso dizia isso, Lula, o progressista, recebia evangélicos em palácio. Seu vice, José Alencar, é do PRB, um partido de que a Igreja Universal do Reino de Deus é praticamente dona. No Rio, o Apedeuta apoiava um membro na igreja na disputa ao governo.Com a referência, é claro que Tarso pretende colar uma pecha no adversário. Alckmin não é do Opus Dei. Se fosse, integraria uma prelazia papal, subordinada diretamente a Bento 16. Cadê o crime? É um tema interessante este. Lula, por exemplo, pertence ao Foro de São Paulo. Na verdade, é seu fundador. Têm assento no Foro as Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que são narcoterroristas. O Opus Dei nunca dividiu a mesa com assassinos em massa.Temas ligados, diga-se de passagem, à religião e aos costumes ficaram fora do embate da Band. Na minha opinião, Tarso acaba de dar uma excelente idéia. Seria interessante indagar o que o governo e o próprio Lula pensam, por exemplo, sobre o aborto, que foi objeto de debate nos EUA. É bom lembrar que este governo tem uma diretriz para o assunto. E que o PT chegou a fazer um caderno temático a respeito. Vai aqui uma observação para a rapaziada da campanha: estou certo de que John Kerry perdeu a eleição por causa de suas posições ambíguas sobre o aborto, e não por conta das tolices que disse sobre o Iraque. Esses petistas precisam pagar o preço de sua língua comprida.Tarso também fez ironia com o que chamou de “lógica meio teológica” de Alckmin. Bingo! A boa teologia nunca matou ninguém. Já as escatologias políticas, de que Tarso, como esquerdista, é um caudatário moderno, se construíram sobre uma pilha de milhões de cadáveres. Não lhe cabe, ministro, chamar aquele que pode vir a ser presidente da República de “pitbull” apenas porque este teve a ousadia (!) de questionar, em termos duros, mas civilizados, um oponente num debate.O máximo da agressividade do tucano foi afirmar que o petista mentira ao dizer que ele, Alckmin, iria privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil. E o que fez Lula? Admitiu que espalhara mesmo o boato. E o que fez o PT, pela voz de seu líder na Câmara, nesta segunda? Reiterou a mentira.Não contente com a vira-latice do pensamento, Tarso resolveu fazê-lo evoluir para a hidrofobia. Acusou a “irresponsabilidade e leviandade” de Alckmin — por quê? —, mesmo admitindo que o dossiê “é uma armação que contou com a amoralidade e a ilegalidade da conduta de algumas pessoas do PT.” Mas emendou: “A mim, não convence que não houve uma armação do outro lado. Se tem alguém que não foi beneficiado foi o presidente Lula". Sinceramente, não sei como Tarso, que burro não é, consegue se olhar no espelho depois disso: Lula só foi prejudicado, e foi mesmo, porque a tramóia deu errado. E se tivesse dado certo? Não é porque a oposição foi beneficiada que se elimina a integral responsabilidade de petistas no caso. Tarso sabe a diferença entre correlação e causa. Mas finge não saber.Mas ele foi mais longe. Afirmou que Alckmin agiu com desrespeito com um presidente que veio de uma classe diferente da sua. Cascata! Lula é, pessoalmente, mais rico do que Alckmin. Basta comparar a declaração de bens de ambos. Só é menos estudado porque teve e tem preguiça de tocar em livros. Se os bens se estenderem, então, à família ampliada, só o notório Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, vale, sozinho, por algumas famílias Alckmin. Este, sim, merece o justo epíteto de “burguês”. E burguês com um belíssimo capital. Entre a sociedade e investimento em publicidade, a Telemar já injetou no negócio deste jovem schumpeteriano algo em torno de R$ 15 milhões. Nada mal para quem é formado em biologia e era monitor de Jardim Zoológico até outro dia.Preconceituoso é Tarso. Demonstra preconceito contra os católicos. Espero, sinceramente, que a fala lhe custe muito caro no horário eleitoral e no próximo debate. Ou esta gente aprende a conviver com a democracia ou aprende a conviver com a democracia. Eles confundem eleição, disputa e alternância de poder com sabotagem. E têm de ser denunciados.
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FHC arrecadou r$ 200,8 bilhões com privatizações

Na Tribuna da Imprensa
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Motivo de polêmica no debate entre os candidatos à Presidência da República, o processo de privatização promovido entre 1995 e 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso, rendeu US$ 93,4 bilhões (R$ 200,8 bilhões em valores atuais) aos cofres públicos, principalmente federais. Ao todo, mais de 84 empresas estatais foram vendidas e diversos serviços públicos foram concedidos à exploração do setor privado.
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Na lista de empresas privatizadas, encontramos desde um terminal de garagem com 3.740 vagas para automóveis, no centro do Rio, vendido em 1998 por US$ 67 milhões, até uma das maiores empresas produtoras e exportadoras de ferro do mundo, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). A mineradora foi leiloada por US$ 3,3 bilhões em 1997, quando passava por dificuldades financeiras, e hoje é um dos principais cases de sucesso no mundo dos negócios.
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Segundo os críticos da privatização, a empresa teria muito mais valor hoje, como estatal lucrativa, do que rendeu aos cofres públicos ao ser vendida. Os defensores da desestatização argumentam, por outro lado, que ela só passou a dar lucros porque passou para as mãos do setor privado, que seria mais eficiente na gestão de uma empresa desse tipo. Na prática, os novos donos também se beneficiaram da valorização do preço internacional do aço.Na época em que as privatizações se iniciaram, em 1995, a dívida líquida do setor público representava R$ 153 bilhões. Na época, a receita esperada das privatizações era pelo menos metade disso. No final de 1998, entretanto, quando a maior parte das estatais já tinha sido vendida, o endividamento já chegava a R$ 385 bilhões. Ou seja, os juros elevados praticados no início do Plano Real, para conter a inflação, neutralizaram todo o efeito positivo das privatizações para a redução da dívida pública.
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Os defensores da privatização alegam que, sem a venda das estatais, a situação do endividamento brasileiro poderia ter sido ainda mais grave. Com a crise de janeiro de 1999 e a desvalorização do real, a dívida pública pulou para R$ 516 bilhões - 49,4% do Produto Interno Bruto (PIB).
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Em áreas como as telecomunicações, as privatizações revolucionaram a qualidade dos serviços e a vida dos brasileiros. Antes das privatizações, telefone era um bem de consumo de classe média. Atualmente, 95 milhões de pessoas no Brasil possuem uma linha de celular, além de quase 40 milhões de telefones fixos espalhados pelo território.
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O setor de telecomunicações e energia também foi modernizado pela criação de um amplo sistema de regulação, mas os críticos consideram o modelo brasileiro menos eficiente do que o inglês e o escandinavo, onde a sociedade se faz representar mais fortemente com o objetivo de contrapor os interesses dos consumidores aos empresariais.
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República Presidiária do Brasil
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Por Adriana Vandoni
Publicado no Argumento & Prosa

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Hoje continuo a seqüência de textos prometida há dois artigos, quando tentei escrever de forma simples e compreensível sobre os tropeços do governo Lula. Naquele escrevi sobre a condução da política energética. Foi um desastre, mas o assunto deste artigo é outro.
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No último debate entre os candidatos à presidência da República (e o primeiro que Lula dá o ar da graça, e que graça!) a ética foi tratada com destaque. Vamos tentar analisar a relação entre a nossa sociedade e a tal da ética.Alguns pseudoconhecedores de antropologia dizem que “o brasileiro é assim mesmo. Que roubar é normal. Todos roubam quando chegam ao poder”.
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Eu pergunto ao leitor: Você roubaria se chegasse ao poder? Você desviaria dinheiro da saúde, das escolas, ou mesmo da construção de estradas, que, por serem de pior qualidade causam a morte de milhares de pessoas todos os anos, sem contar os prejuízos econômicos? Claro que deve ter aquele que responde sim.

Mas será que somos todos bandidos? Será que deveríamos transformar nosso país em um imenso presídio, bonito pela própria natureza, onde seremos dignos apenas de suspeita?
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Não leitores, não somos isso tudo. Não somos seres rasos, não somos uma “raça” inferior à do primeiro mundo ou das nações que, mesmo mais pobres que a nossa, cultivam princípios morais e éticos, acima de tudo.
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Recentemente, no auge da crise do mensalão, o presidente, que deveria zelar pelo cumprimento das regras que norteiam nossa sociedade, disse que “somos todos iguais”, transferindo para a sociedade a crença de que somos mesmo assim. Traduzindo para uma forma chula ou lula, seria como dizer “companheiros, relaxem e gozem, somos todos bandidos”, complementando o que disse seu Ministro do Crime, Marcio Thomaz Bastos ao considerar bandido aquele que usa caixa 2.
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Na verdade a ética passou a ser um valor que não se mede mais pelas condutas do indivíduo, mas pelo partido ao qual é filiado ou ao qual serve. Por exemplo: É ético roubar, desde que seja para manter o presidente onde ele está; é ético traficar dossiês fajutos, desde que ele sirva ao PT; é ético usar dinheiro ilícito para comprar dossiê ilícito, desde que seja para o benefício do PT; é ético dificultar as investigações de assassinatos se elas atrapalharem a reeleição do presidente companheiro, como quando o governo dificultou nos casos Celso Daniel e Toninho do PT de Campinas.
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Logo se vê que os conceitos estão distorcidos.
Desde o mensalão, deputados e senadores foram parar no Conselho de Ética por terem seus assessores envolvidos com dinheiro ilícito. Mesmo que não tenha surtido muito efeito, isso aconteceu. Agora o que me dizem de um coordenador de campanha envolvido com atos criminosos? Por isso é imprescindível que o Senado Federal tome uma postura firme e implacável contra o senador Aloizio Mercadante que teve como coordenador da sua campanha o senhor Hamilton Lacerda, flagrado pelas câmeras de um hotel com malas de dinheiro de origem desconhecida, para entregar à gangue do dossiê. Ora, para coordenar uma campanha não se escolhe um desconhecido, é um cargo da mais alta confiança e entrosamento que beira a cumplicidade. Não é óbvio isso?
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Bem, se até ai todos concordaram, então vamos em frente. O recém-eleito deputado federal pelo PT Ricardo Berzoini, era Presidente Nacional do PT e coordenador da campanha de Lula. Foi afastado ou afastou-se, depois que foi levantada a suspeita, pela Polícia Federal, da sua participação na gangue do dossiê.
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Se existe a lógica para deputados e senadores e seus assessores e coordenadores, essa lógica deve existir para o presidente e seu coordenador.Se não chegarmos a essa conclusão que fechemos de vez o portão deste imenso presídio em um berço esplendido, e vejamos quem tem o maior estilete.
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Toda boa ação será castigada
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Ralph J. Hofmann
Publicado no Argumento & Prosa
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Circula na Internet o depoimento de um, empresário que descreveu alguns anos atrás na EXAME as agruras pelas quais passava por tentar pautar-se, guardadas as devidas proporções, pelos princípios de filantropia de grandes empresários do primeiro mundo.
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De origem extremamente modesta, filho de agricultores, veio a estudar depois de adulto. Completou o primeiro grau aos 22 anos, e chegou a freqüentar uma faculdade de engenharia. Contudo, no afã de manter-se e aos seus, ao contrário dessa massa de manobra que engrossa as fileiras dos acampamentos do MST, fora de operário, criara uma empresa com os conhecimentos adquiridos trabalhando e operava com tecnologia de ponta, desenvolvida como autodidata, tendo chegado a fornecedor da Petrobrás.
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Cônscio de que sua força de trabalho devia ser educada, até culta, visto a educação levar ao estímulo necessário à criatividade, prontificou-se a pagar os estudos em qualquer nível, desde a alfabetização até a universidade, de qualquer empregado seu, fosse o varredor do chão de fábrica fosse técnico. Bastava ao operário indicar sua intenção de estudar. Seria atendido. .
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Mesmo para estudar literatura ou filosofia, pois qualquer acréscimo de cultura enriqueceria a qualidade do funcionário.
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Pois o nosso empreendedor foi multado pelo INSS, que considerava esse pagamento um salário indireto. Devia recolher INSS sobre tal parcela do salário.
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Ou seja, o estado não paga o ensino para todos neste país, o estado não supre ensino de primeira, mas cioso de suas prerrogativas cerceia atos de indivíduos que pratiquem a filantropia iniciando pelo seu círculo mais próximo.
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O empreendedor travou uma luta solitária, até ser finalmente socorrido por um Decreto de Fernando Henrique Cardoso que decidiu que esses auxílios educacionais não poderiam ser considerados salários.
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Na verdade para mim seriam um investimento a fundo perdido. A empresa melhora seu pessoal, sem garantia de que os mesmos permaneçam na mesma.
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Mas passou a ser marcado de perto até o ponto em que a bem de sua tranqüilidade vendeu sua empresa a uma multinacional.
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Industrialista convicto hoje possui uma nova empresa de tecnologia de ponta. É um homem engajado.
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Já vi muitos outros casos de multas impostas de forma irracional neste país. Já fiz parte de uma empresa que pagou as multas para evitar revanches futuras, sendo efetivamente inocente de qualquer coisa que não fosse um comportamento voluntarioso de um fiscal. Contestar representaria que, dado o corporativismo dos fiscais, ficaríamos vulneráveis. O conjunto de leis fiscais deste país é tão vasto que a pessoa não raro é induzida ao erro quanto a certa lei ao evitar infringir outra..
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Consultei hoje um perito em contabilidade de alto nível. Vejam a resposta:
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“O pagamento de despesas com educação para empregados sempre foi salário indireto e continua sendo, exceto quando a empresa oferece o mesmo auxílio para todos os seus empregados, com os mesmos percentuais de participação da empresa e dos empregados para todos. Os empregados que não estão estudando ou não querem o benefício devem abdicar do mesmo por escrito para a empresa empregadora.”
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Vejam o absurdo. O ônus de alistar pessoas para estudar cai sobre o empreendedor. E se algum operário optar por nem estudar nem assinar um documento abdicando do direito de estudar às custas da empresa o programa terá de ser sucateado.
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De fato, este país apenas finge que dá valor ao indivíduo que se esforça. Protege os direitos de amebas indolentes às custas do potencial daqueles que se empenhariam em se desenvolver. ,
Qual é o contrário de meritocracia?
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E por fim, não é de surpreender que o mecenato seja tão raro neste país. Em muitos casos é desencorajado.
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A bomba atômica de Jefferson
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Por Sebastião Nery
Publicado na Tribuna da Imprensa

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"Quando defendi, como advogado, o presidente Fernando Collor na Câmara dos Deputados, o senador Eduardo Suplicy disse à jornalista Tereza Cruvinel, de forma criminosa e irresponsável, que recebi US$ 1 milhão do PC Farias para fazer a defesa jurídica de Collor. A nota foi publicada e esta foi a maior infelicidade que já vivi. A calúnia, de tanto repetida, virou verdade.
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Fui sacudido de cabeça para baixo no Congresso Nacional. No final daquela CPI, quem me investigou foi o então deputado Aloísio Mercadante, hoje senador, que me disse:
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- Roberto, você me desculpe. Não há nada contra você. Desculpe fazer o que nós fizemos com você. Você é um homem correto. Você nos perdoe.
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O resultado: 103 processos, cuja defesa ajudei a escrever, 103 absolvições de Collor, por absoluta falta de provas. E não foi por falta de rigor: Aristides Junqueira (procurador geral da República) e o Supremo Tribunal estavam loucos para condená-lo. Ou seja, foi um linchamento político".
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Nervos de aço
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Esta história e 375 páginas de outras estão no livro-bomba do Roberto Jefferson, que só neste fim de semana li: "Nervos de aço - Um depoimento a Luciano Trigo" (na bem-cuidada, primorosa edição da Topbooks).
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Como diria Lula, poucas vezes, na história do Brasil, alguém terá pintado um retrato tão transparente, verdadeiro e assustador de um governo, como o que Jefferson fez do governo Lula, com a autoridade de quem durante três anos viveu e conviveu na intimidade do poder e dos três palácios de Lula.
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É um livro dilacerante, arrasador, escrito sobre um cheque em branco, que Lula assinou para Jefferson e anunciou ao País. Ninguém, muito menos Lula, nem mesmo José Dirceu, o grande vilão da história, tentou desmentir uma linha sequer. Como uma bomba de Bagdá, estraçalha o governo todo.
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Procurador geral
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E Jefferson não fala sozinho. No livro todo, página a página, ele vai relatando fatos, compondo um quadro dantesco e lógico, e calçando o que diz com depoimentos irrefutáveis, inclusive dos mais ilustres dirigentes petistas.
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Antonio Fernando de Souza, íntegro procurador geral da República:
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1 - "Relevante destacar, conforme demonstrado nesta peça, que todas as imputações feitas pelo ex-deputado Roberto Jefferson ficaram comprovadas".
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2 - "Os denunciados operacionalizaram desvio de recursos públicos, concessões de benefícios indevidos a particulares em troca de dinheiro e compra de apoio público, condutas que caracterizaram os crimes de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção e evasão de divisas. O núcleo principal da quadrilha era composto pelo ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delubio Soares, o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira e o ex-presidente do PT José Genoino".
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Helio Bicudo
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Outro bravo e íntegro, fundador do PT com Lula, dos mais veneráveis juristas e lutadores sociais do País, Helio Bicudo, também se escandalizou:.
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1 - "No início, a militância era a grande força eleitoral (do PT). Isso foi mudando na medida em que o partido começou a abandonar os princípios éticos. A partir da campanha eleitoral de 1998, instalou-se definitivamente a política de atingir o poder a qualquer preço".
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2 - "Lula é um homem centralizador. Sempre foi presidente de fato do partido. É impossível que ele não soubesse como os fundos estavam sendo angariados e gastos e quem era o responsável. .
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Não é porque o sujeito é candidato a presidente que não precisa saber de dinheiro. Pelo contrário. É aí que começa a corrupção. Lula é mestre em esconder a sujeira embaixo do tapete. Sempre agiu assim".
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Simon e Chico Oliveira
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E muitos outros. Pedro Simon, "o senador do Brasil", no Senado:"Um abraço, Jefferson, pela tua competência. Se contares mais as outras coisas que soubeste, estarás prestando um bom serviço a este País".

Francisco de Oliveira, economista, petista histórico:
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"Lula é uma enorme fraude. E acho que ele perderá a reeleição. Uma parte do povo continuará fiel a Lula, não ao PT".
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Ferreira Gullar
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Ferreira Gullar, aliado, defensor e eleitor de Lula desde 1989:
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1 - "A falta de escrúpulos sempre foi uma característica do PT e de Lula, que, ao longo dos anos, acusaram Deus e o mundo, não importando se as acusações tinham ou não fundamento. Só que o faziam no papel de defensores públicos e atribuindo a si mesmos o título de detentores exclusivos da ética".
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2 - "Mas nada se igualaria ao grau de corrupção que se verificou durante o governo Lula, com o Valerioduto e o Mensalão, envolvendo alguns dos mais importantes membros do partido e do governo. O escândalo foi de tal ordem que muitos deputados petistas se desfizeram em lágrimas no plenário da Câmara, ao ouvir as denúncias que degradavam seu partido. Lula tudo sabia e declarava que de nada sabia".
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3 - "E, no auge da desfaçatez, Lula declara: `Vamos ter a ousadia para defender a ética neste País'. É muita ousadia mesmo"!