quarta-feira, outubro 11, 2006

LEITURAS RECOMENDADAS

Estranho day after
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Por Guilherme Fiúza
Publicado em NoMínimo


Depois do debate entre Lula e Alckmin na TV, instalou-se um clima estranho no ar.
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Nada a ver com a disputa entre simpatizantes dos dois lados para decretar quem foi o vencedor. Isso é o normal da democracia. Estranho é o nariz torcido de parte da opinião pública que resolveu declarar-se enojada com a baixaria.
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Vamos pegar um atalho direto ao ponto, para não cansar a beleza do leitor: não houve baixaria nenhuma.
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O que é baixaria? Baixaria é o Collor dizer que Lula pediu à sua namorada para abortar a filha deles. Baixaria é Maluf e Antônio Ermírio xingando-se ao vivo até a quinta geração. Baixaria é Conde e César Maia trocando acusações sem provas de enriquecimento ilícito. Baixaria é a troca de insultos desclassificantes entre ACM e Jader Barbalho na tribuna do Senado. E por aí vai.
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O que houve domingo na Bandeirantes foi um debate agressivo, duro. Alckmin disse que Lula mentia ao afirmar que o PSDB quer vender estatais, Lula disse que Alckmin era leviano ao acusá-lo de esbanjar no cartão de crédito corporativo. É a guerra de versões.
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O tucano vai privatizar? Diz que não, mas está aliado ao PFL que tem plataforma privatizante, e Lula jogou a provocação no ar. A despesa da Presidência com o cartão corporativo é abusiva? Não se sabe, e enquanto isso Alckmin levanta a suspeita.
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É tudo do jogo político. Menos que isso, só no convento.
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Fora os debates entre Lula e Serra, que de fato foram especialmente amistosos, o Brasil está cansado de ver confrontos eleitorais muito mais baixos do que este último. Os queixosos devem estar esquecidos das performances memoráveis de Brizola, Ciro Gomes (Xingo Nomes, segundo o Casseta), Maluf, Garotinho e do imbatível Collor.
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A contundência de Alckmin foi proporcional à gravidade dos escândalos do mensalão e do dossiê. Poderia ser diferente?
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Poderia. O candidato do PSDB poderia ter questionado Lula com a mesma cerimônia com que o presidente foi tratado nas poucas entrevistas que concedeu. Aí Lula diria – como disse das outras vezes – que o mensalão não existiu. E ficaria tudo por isso mesmo.
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Que outro momento seria mais propício para uma cobrança rigorosa, de parte a parte, da conduta dos políticos – a transparência tão reclamada pelas pessoas de bem?

Vamos então pegar um pouco emprestado o tom do debate da Band para declarar aqui: é mentira que a população ficou ultrajada com a violência do confronto.
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O enfrentamento de Lula e Alckmin teve um clima de hora da verdade, e o povo gosta disso. Perguntem aos sociólogos de plantão. Leiam as pesquisas, consultem as enquetes, perguntem ao vizinho. O duelo entre PT e PSDB incendiou o país.
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A moral da história é que o segundo turno, e especialmente o debate de domingo, estão fazendo o Brasil discutir o Brasil.
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Parênteses acusatório: também é mentira que os candidatos não discutiram propostas. Entraram no debate até números de megawatts instalados, proporção de policiais por habitantes, estrutura tributária, dados de execução orçamentária, planos para políticas de saúde, monetária e fiscal. Com uma dose de discussão administrativa maior do que essa, como se sabe, o eleitor dorme.
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Em resumo: essa conversa meio sorrateira de que o debate foi de baixo nível está soando estranha. Muito estranha. Parece argumento de quem não quer ouvir o que não convém ao seu credo.
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Aí, de fato, o melhor é desligar a TV e se dirigir à igreja mais próxima, da religião de sua preferência. É o tipo do lugar onde só se ouve o que se quer ouvir.
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A política, o pitbull, o poodle e o vira-lata

Por Reinaldo Azevedo

O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) sempre se esforçou para parecer um analista sofisticado. Se pensamento fosse cachorro, o seu seria assim um poodle de madame. Vive falando em “concertação”, “republicanismo”, “refundação”, verdadeiros fricotes da teoria política. Cãozinho de pet shop, o pêlo de suas teses sempre está meticulosamente podado e desenhado para chamar a atenção. Também não ficaria mal adornar o conjunto com um lacinho vermelho. Ah, mas ontem, quem diria?, com o perdão que peço à Pipoca Maria Corintiana da Silva, uma sem-raça que veio aqui se aninhar perto de mim enquanto escrevo, ele pensou como um vira-lata.Ao comentar o desempenho de Geraldo Alckmin no debate de domingo, o ministro a quem cabe diminuir as tensões políticas afirmou que o tucano se comportou como “um pitbull”. E aproveitou para, ele também, espalhar uma mentira: disse que sempre viu Alckmin como “uma pessoa da (sic) Opus Dei”. Ele se referia à prelazia católica, conhecida por suas posições fiéis às diretrizes do Vaticano.As esquerdas, no entanto, associam os membros do Opus Dei, ao qual Alckmin NÃO pertence, ao que chamam de “pensamento reacionário”. De certo modo, faz sentido. Quase ao mesmo tempo em que Tarso dizia isso, Lula, o progressista, recebia evangélicos em palácio. Seu vice, José Alencar, é do PRB, um partido de que a Igreja Universal do Reino de Deus é praticamente dona. No Rio, o Apedeuta apoiava um membro na igreja na disputa ao governo.Com a referência, é claro que Tarso pretende colar uma pecha no adversário. Alckmin não é do Opus Dei. Se fosse, integraria uma prelazia papal, subordinada diretamente a Bento 16. Cadê o crime? É um tema interessante este. Lula, por exemplo, pertence ao Foro de São Paulo. Na verdade, é seu fundador. Têm assento no Foro as Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que são narcoterroristas. O Opus Dei nunca dividiu a mesa com assassinos em massa.Temas ligados, diga-se de passagem, à religião e aos costumes ficaram fora do embate da Band. Na minha opinião, Tarso acaba de dar uma excelente idéia. Seria interessante indagar o que o governo e o próprio Lula pensam, por exemplo, sobre o aborto, que foi objeto de debate nos EUA. É bom lembrar que este governo tem uma diretriz para o assunto. E que o PT chegou a fazer um caderno temático a respeito. Vai aqui uma observação para a rapaziada da campanha: estou certo de que John Kerry perdeu a eleição por causa de suas posições ambíguas sobre o aborto, e não por conta das tolices que disse sobre o Iraque. Esses petistas precisam pagar o preço de sua língua comprida.Tarso também fez ironia com o que chamou de “lógica meio teológica” de Alckmin. Bingo! A boa teologia nunca matou ninguém. Já as escatologias políticas, de que Tarso, como esquerdista, é um caudatário moderno, se construíram sobre uma pilha de milhões de cadáveres. Não lhe cabe, ministro, chamar aquele que pode vir a ser presidente da República de “pitbull” apenas porque este teve a ousadia (!) de questionar, em termos duros, mas civilizados, um oponente num debate.O máximo da agressividade do tucano foi afirmar que o petista mentira ao dizer que ele, Alckmin, iria privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil. E o que fez Lula? Admitiu que espalhara mesmo o boato. E o que fez o PT, pela voz de seu líder na Câmara, nesta segunda? Reiterou a mentira.Não contente com a vira-latice do pensamento, Tarso resolveu fazê-lo evoluir para a hidrofobia. Acusou a “irresponsabilidade e leviandade” de Alckmin — por quê? —, mesmo admitindo que o dossiê “é uma armação que contou com a amoralidade e a ilegalidade da conduta de algumas pessoas do PT.” Mas emendou: “A mim, não convence que não houve uma armação do outro lado. Se tem alguém que não foi beneficiado foi o presidente Lula". Sinceramente, não sei como Tarso, que burro não é, consegue se olhar no espelho depois disso: Lula só foi prejudicado, e foi mesmo, porque a tramóia deu errado. E se tivesse dado certo? Não é porque a oposição foi beneficiada que se elimina a integral responsabilidade de petistas no caso. Tarso sabe a diferença entre correlação e causa. Mas finge não saber.Mas ele foi mais longe. Afirmou que Alckmin agiu com desrespeito com um presidente que veio de uma classe diferente da sua. Cascata! Lula é, pessoalmente, mais rico do que Alckmin. Basta comparar a declaração de bens de ambos. Só é menos estudado porque teve e tem preguiça de tocar em livros. Se os bens se estenderem, então, à família ampliada, só o notório Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, vale, sozinho, por algumas famílias Alckmin. Este, sim, merece o justo epíteto de “burguês”. E burguês com um belíssimo capital. Entre a sociedade e investimento em publicidade, a Telemar já injetou no negócio deste jovem schumpeteriano algo em torno de R$ 15 milhões. Nada mal para quem é formado em biologia e era monitor de Jardim Zoológico até outro dia.Preconceituoso é Tarso. Demonstra preconceito contra os católicos. Espero, sinceramente, que a fala lhe custe muito caro no horário eleitoral e no próximo debate. Ou esta gente aprende a conviver com a democracia ou aprende a conviver com a democracia. Eles confundem eleição, disputa e alternância de poder com sabotagem. E têm de ser denunciados.
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FHC arrecadou r$ 200,8 bilhões com privatizações

Na Tribuna da Imprensa
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Motivo de polêmica no debate entre os candidatos à Presidência da República, o processo de privatização promovido entre 1995 e 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso, rendeu US$ 93,4 bilhões (R$ 200,8 bilhões em valores atuais) aos cofres públicos, principalmente federais. Ao todo, mais de 84 empresas estatais foram vendidas e diversos serviços públicos foram concedidos à exploração do setor privado.
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Na lista de empresas privatizadas, encontramos desde um terminal de garagem com 3.740 vagas para automóveis, no centro do Rio, vendido em 1998 por US$ 67 milhões, até uma das maiores empresas produtoras e exportadoras de ferro do mundo, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). A mineradora foi leiloada por US$ 3,3 bilhões em 1997, quando passava por dificuldades financeiras, e hoje é um dos principais cases de sucesso no mundo dos negócios.
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Segundo os críticos da privatização, a empresa teria muito mais valor hoje, como estatal lucrativa, do que rendeu aos cofres públicos ao ser vendida. Os defensores da desestatização argumentam, por outro lado, que ela só passou a dar lucros porque passou para as mãos do setor privado, que seria mais eficiente na gestão de uma empresa desse tipo. Na prática, os novos donos também se beneficiaram da valorização do preço internacional do aço.Na época em que as privatizações se iniciaram, em 1995, a dívida líquida do setor público representava R$ 153 bilhões. Na época, a receita esperada das privatizações era pelo menos metade disso. No final de 1998, entretanto, quando a maior parte das estatais já tinha sido vendida, o endividamento já chegava a R$ 385 bilhões. Ou seja, os juros elevados praticados no início do Plano Real, para conter a inflação, neutralizaram todo o efeito positivo das privatizações para a redução da dívida pública.
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Os defensores da privatização alegam que, sem a venda das estatais, a situação do endividamento brasileiro poderia ter sido ainda mais grave. Com a crise de janeiro de 1999 e a desvalorização do real, a dívida pública pulou para R$ 516 bilhões - 49,4% do Produto Interno Bruto (PIB).
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Em áreas como as telecomunicações, as privatizações revolucionaram a qualidade dos serviços e a vida dos brasileiros. Antes das privatizações, telefone era um bem de consumo de classe média. Atualmente, 95 milhões de pessoas no Brasil possuem uma linha de celular, além de quase 40 milhões de telefones fixos espalhados pelo território.
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O setor de telecomunicações e energia também foi modernizado pela criação de um amplo sistema de regulação, mas os críticos consideram o modelo brasileiro menos eficiente do que o inglês e o escandinavo, onde a sociedade se faz representar mais fortemente com o objetivo de contrapor os interesses dos consumidores aos empresariais.
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República Presidiária do Brasil
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Por Adriana Vandoni
Publicado no Argumento & Prosa

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Hoje continuo a seqüência de textos prometida há dois artigos, quando tentei escrever de forma simples e compreensível sobre os tropeços do governo Lula. Naquele escrevi sobre a condução da política energética. Foi um desastre, mas o assunto deste artigo é outro.
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No último debate entre os candidatos à presidência da República (e o primeiro que Lula dá o ar da graça, e que graça!) a ética foi tratada com destaque. Vamos tentar analisar a relação entre a nossa sociedade e a tal da ética.Alguns pseudoconhecedores de antropologia dizem que “o brasileiro é assim mesmo. Que roubar é normal. Todos roubam quando chegam ao poder”.
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Eu pergunto ao leitor: Você roubaria se chegasse ao poder? Você desviaria dinheiro da saúde, das escolas, ou mesmo da construção de estradas, que, por serem de pior qualidade causam a morte de milhares de pessoas todos os anos, sem contar os prejuízos econômicos? Claro que deve ter aquele que responde sim.

Mas será que somos todos bandidos? Será que deveríamos transformar nosso país em um imenso presídio, bonito pela própria natureza, onde seremos dignos apenas de suspeita?
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Não leitores, não somos isso tudo. Não somos seres rasos, não somos uma “raça” inferior à do primeiro mundo ou das nações que, mesmo mais pobres que a nossa, cultivam princípios morais e éticos, acima de tudo.
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Recentemente, no auge da crise do mensalão, o presidente, que deveria zelar pelo cumprimento das regras que norteiam nossa sociedade, disse que “somos todos iguais”, transferindo para a sociedade a crença de que somos mesmo assim. Traduzindo para uma forma chula ou lula, seria como dizer “companheiros, relaxem e gozem, somos todos bandidos”, complementando o que disse seu Ministro do Crime, Marcio Thomaz Bastos ao considerar bandido aquele que usa caixa 2.
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Na verdade a ética passou a ser um valor que não se mede mais pelas condutas do indivíduo, mas pelo partido ao qual é filiado ou ao qual serve. Por exemplo: É ético roubar, desde que seja para manter o presidente onde ele está; é ético traficar dossiês fajutos, desde que ele sirva ao PT; é ético usar dinheiro ilícito para comprar dossiê ilícito, desde que seja para o benefício do PT; é ético dificultar as investigações de assassinatos se elas atrapalharem a reeleição do presidente companheiro, como quando o governo dificultou nos casos Celso Daniel e Toninho do PT de Campinas.
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Logo se vê que os conceitos estão distorcidos.
Desde o mensalão, deputados e senadores foram parar no Conselho de Ética por terem seus assessores envolvidos com dinheiro ilícito. Mesmo que não tenha surtido muito efeito, isso aconteceu. Agora o que me dizem de um coordenador de campanha envolvido com atos criminosos? Por isso é imprescindível que o Senado Federal tome uma postura firme e implacável contra o senador Aloizio Mercadante que teve como coordenador da sua campanha o senhor Hamilton Lacerda, flagrado pelas câmeras de um hotel com malas de dinheiro de origem desconhecida, para entregar à gangue do dossiê. Ora, para coordenar uma campanha não se escolhe um desconhecido, é um cargo da mais alta confiança e entrosamento que beira a cumplicidade. Não é óbvio isso?
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Bem, se até ai todos concordaram, então vamos em frente. O recém-eleito deputado federal pelo PT Ricardo Berzoini, era Presidente Nacional do PT e coordenador da campanha de Lula. Foi afastado ou afastou-se, depois que foi levantada a suspeita, pela Polícia Federal, da sua participação na gangue do dossiê.
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Se existe a lógica para deputados e senadores e seus assessores e coordenadores, essa lógica deve existir para o presidente e seu coordenador.Se não chegarmos a essa conclusão que fechemos de vez o portão deste imenso presídio em um berço esplendido, e vejamos quem tem o maior estilete.
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Toda boa ação será castigada
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Ralph J. Hofmann
Publicado no Argumento & Prosa
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Circula na Internet o depoimento de um, empresário que descreveu alguns anos atrás na EXAME as agruras pelas quais passava por tentar pautar-se, guardadas as devidas proporções, pelos princípios de filantropia de grandes empresários do primeiro mundo.
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De origem extremamente modesta, filho de agricultores, veio a estudar depois de adulto. Completou o primeiro grau aos 22 anos, e chegou a freqüentar uma faculdade de engenharia. Contudo, no afã de manter-se e aos seus, ao contrário dessa massa de manobra que engrossa as fileiras dos acampamentos do MST, fora de operário, criara uma empresa com os conhecimentos adquiridos trabalhando e operava com tecnologia de ponta, desenvolvida como autodidata, tendo chegado a fornecedor da Petrobrás.
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Cônscio de que sua força de trabalho devia ser educada, até culta, visto a educação levar ao estímulo necessário à criatividade, prontificou-se a pagar os estudos em qualquer nível, desde a alfabetização até a universidade, de qualquer empregado seu, fosse o varredor do chão de fábrica fosse técnico. Bastava ao operário indicar sua intenção de estudar. Seria atendido. .
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Mesmo para estudar literatura ou filosofia, pois qualquer acréscimo de cultura enriqueceria a qualidade do funcionário.
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Pois o nosso empreendedor foi multado pelo INSS, que considerava esse pagamento um salário indireto. Devia recolher INSS sobre tal parcela do salário.
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Ou seja, o estado não paga o ensino para todos neste país, o estado não supre ensino de primeira, mas cioso de suas prerrogativas cerceia atos de indivíduos que pratiquem a filantropia iniciando pelo seu círculo mais próximo.
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O empreendedor travou uma luta solitária, até ser finalmente socorrido por um Decreto de Fernando Henrique Cardoso que decidiu que esses auxílios educacionais não poderiam ser considerados salários.
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Na verdade para mim seriam um investimento a fundo perdido. A empresa melhora seu pessoal, sem garantia de que os mesmos permaneçam na mesma.
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Mas passou a ser marcado de perto até o ponto em que a bem de sua tranqüilidade vendeu sua empresa a uma multinacional.
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Industrialista convicto hoje possui uma nova empresa de tecnologia de ponta. É um homem engajado.
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Já vi muitos outros casos de multas impostas de forma irracional neste país. Já fiz parte de uma empresa que pagou as multas para evitar revanches futuras, sendo efetivamente inocente de qualquer coisa que não fosse um comportamento voluntarioso de um fiscal. Contestar representaria que, dado o corporativismo dos fiscais, ficaríamos vulneráveis. O conjunto de leis fiscais deste país é tão vasto que a pessoa não raro é induzida ao erro quanto a certa lei ao evitar infringir outra..
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Consultei hoje um perito em contabilidade de alto nível. Vejam a resposta:
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“O pagamento de despesas com educação para empregados sempre foi salário indireto e continua sendo, exceto quando a empresa oferece o mesmo auxílio para todos os seus empregados, com os mesmos percentuais de participação da empresa e dos empregados para todos. Os empregados que não estão estudando ou não querem o benefício devem abdicar do mesmo por escrito para a empresa empregadora.”
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Vejam o absurdo. O ônus de alistar pessoas para estudar cai sobre o empreendedor. E se algum operário optar por nem estudar nem assinar um documento abdicando do direito de estudar às custas da empresa o programa terá de ser sucateado.
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De fato, este país apenas finge que dá valor ao indivíduo que se esforça. Protege os direitos de amebas indolentes às custas do potencial daqueles que se empenhariam em se desenvolver. ,
Qual é o contrário de meritocracia?
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E por fim, não é de surpreender que o mecenato seja tão raro neste país. Em muitos casos é desencorajado.
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A bomba atômica de Jefferson
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Por Sebastião Nery
Publicado na Tribuna da Imprensa

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"Quando defendi, como advogado, o presidente Fernando Collor na Câmara dos Deputados, o senador Eduardo Suplicy disse à jornalista Tereza Cruvinel, de forma criminosa e irresponsável, que recebi US$ 1 milhão do PC Farias para fazer a defesa jurídica de Collor. A nota foi publicada e esta foi a maior infelicidade que já vivi. A calúnia, de tanto repetida, virou verdade.
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Fui sacudido de cabeça para baixo no Congresso Nacional. No final daquela CPI, quem me investigou foi o então deputado Aloísio Mercadante, hoje senador, que me disse:
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- Roberto, você me desculpe. Não há nada contra você. Desculpe fazer o que nós fizemos com você. Você é um homem correto. Você nos perdoe.
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O resultado: 103 processos, cuja defesa ajudei a escrever, 103 absolvições de Collor, por absoluta falta de provas. E não foi por falta de rigor: Aristides Junqueira (procurador geral da República) e o Supremo Tribunal estavam loucos para condená-lo. Ou seja, foi um linchamento político".
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Nervos de aço
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Esta história e 375 páginas de outras estão no livro-bomba do Roberto Jefferson, que só neste fim de semana li: "Nervos de aço - Um depoimento a Luciano Trigo" (na bem-cuidada, primorosa edição da Topbooks).
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Como diria Lula, poucas vezes, na história do Brasil, alguém terá pintado um retrato tão transparente, verdadeiro e assustador de um governo, como o que Jefferson fez do governo Lula, com a autoridade de quem durante três anos viveu e conviveu na intimidade do poder e dos três palácios de Lula.
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É um livro dilacerante, arrasador, escrito sobre um cheque em branco, que Lula assinou para Jefferson e anunciou ao País. Ninguém, muito menos Lula, nem mesmo José Dirceu, o grande vilão da história, tentou desmentir uma linha sequer. Como uma bomba de Bagdá, estraçalha o governo todo.
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Procurador geral
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E Jefferson não fala sozinho. No livro todo, página a página, ele vai relatando fatos, compondo um quadro dantesco e lógico, e calçando o que diz com depoimentos irrefutáveis, inclusive dos mais ilustres dirigentes petistas.
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Antonio Fernando de Souza, íntegro procurador geral da República:
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1 - "Relevante destacar, conforme demonstrado nesta peça, que todas as imputações feitas pelo ex-deputado Roberto Jefferson ficaram comprovadas".
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2 - "Os denunciados operacionalizaram desvio de recursos públicos, concessões de benefícios indevidos a particulares em troca de dinheiro e compra de apoio público, condutas que caracterizaram os crimes de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção e evasão de divisas. O núcleo principal da quadrilha era composto pelo ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delubio Soares, o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira e o ex-presidente do PT José Genoino".
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Helio Bicudo
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Outro bravo e íntegro, fundador do PT com Lula, dos mais veneráveis juristas e lutadores sociais do País, Helio Bicudo, também se escandalizou:.
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1 - "No início, a militância era a grande força eleitoral (do PT). Isso foi mudando na medida em que o partido começou a abandonar os princípios éticos. A partir da campanha eleitoral de 1998, instalou-se definitivamente a política de atingir o poder a qualquer preço".
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2 - "Lula é um homem centralizador. Sempre foi presidente de fato do partido. É impossível que ele não soubesse como os fundos estavam sendo angariados e gastos e quem era o responsável. .
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Não é porque o sujeito é candidato a presidente que não precisa saber de dinheiro. Pelo contrário. É aí que começa a corrupção. Lula é mestre em esconder a sujeira embaixo do tapete. Sempre agiu assim".
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Simon e Chico Oliveira
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E muitos outros. Pedro Simon, "o senador do Brasil", no Senado:"Um abraço, Jefferson, pela tua competência. Se contares mais as outras coisas que soubeste, estarás prestando um bom serviço a este País".

Francisco de Oliveira, economista, petista histórico:
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"Lula é uma enorme fraude. E acho que ele perderá a reeleição. Uma parte do povo continuará fiel a Lula, não ao PT".
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Ferreira Gullar
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Ferreira Gullar, aliado, defensor e eleitor de Lula desde 1989:
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1 - "A falta de escrúpulos sempre foi uma característica do PT e de Lula, que, ao longo dos anos, acusaram Deus e o mundo, não importando se as acusações tinham ou não fundamento. Só que o faziam no papel de defensores públicos e atribuindo a si mesmos o título de detentores exclusivos da ética".
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2 - "Mas nada se igualaria ao grau de corrupção que se verificou durante o governo Lula, com o Valerioduto e o Mensalão, envolvendo alguns dos mais importantes membros do partido e do governo. O escândalo foi de tal ordem que muitos deputados petistas se desfizeram em lágrimas no plenário da Câmara, ao ouvir as denúncias que degradavam seu partido. Lula tudo sabia e declarava que de nada sabia".
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3 - "E, no auge da desfaçatez, Lula declara: `Vamos ter a ousadia para defender a ética neste País'. É muita ousadia mesmo"!