Adelson Elias Vasconcellos
Neste primeiro de janeiro, o Brasil muda duas coisas: troca o “cara” pela “coroinha" e a folinha. Não se espere grandes outras mudanças no cenário. Até diria que o Brasil, pelo cenário visto no trimestre final de 2010, ficará com cara mais de velho, do que de um país renovado, novo, enxuto. Provavelmente seja esta a grande diferença entre Lula que sai com o Lula que entrava no Planalto em 2003. Lá, o mundo explodia economicamente e o país estava prontinho, com todos os deveres de casa feitos e arrumados. Agora, não apenas a economia mundial encolheu, como também o Brasil terá que conviver com problemas que, se supunham, superados. Um deles, a questão fiscal, me parece ser, talvez, a parte mais delicada neste início de governo Dilma. Aliás, seria até uma tremenda força de expressão qualificar este quadro inicial de “governo Dilma”. A começar pelo ministério, tudo tem cara e cheiro de Lula que, num total desrespeito com quem assume o governo, teve o cuidado de eleger as principais prioridades para os primeiros quatro meses. Ou seja, ficam não apenas os programas, a turma no ministério e os problemas que Lula não soube e não quis resolver para não se comprometer, ficam ainda as contas, os compromotimentos de promessas contra a escassez de recursos . Afinal, para quem a única e exclusiva preocupação era o tal índice de aprovação e popularidade, tomar decisões necessárias para o país, porém com alto custo político, era impensável.
No artigo que escrevi logo após a decisão de se manter no Brasil de tantos criminosos, um de procedência italiana, deixei claro o quanto o governo que sai é repugnante do ponto de vista moral. E talvez seja por aí que Dilma pode se distanciar e se diferenciar da era Lula. Creio que o primeiro passo seria encaminhar o assunto à alçada do STF que, entendo, deva dar a última palavra, e não o senhor presidente da República. Ocorre que há um tratado de extradição firmado há mais de uma década, e aprovado pelo Congresso brasileiro, entre Itália e Brasil, o que, a meu ver, elimina a necessidade de uma arbitragem por parte do presidente. Se o processo foi considerado legal pelo Supremo Tribunal, não cabe mais ao presidente manifestar-se do ponto de vista institucional.
O segundo passo seria reatar imediatamente relação diplomática com Honduras, reconhecendo o governo eleito em 2010 como legítimo democraticamente, uma vez que se obedeceram todos os preceitos determinados pela Constituição daquele país. Aliás, é indesculpável o presidente hondurenho ter sido excluído dentre os convidados para a posse de Dilma.
Mas não é apenas o governo que parece velho. O Legislativo, então, parece desejar ser degolado em praça pública pela sociedade que o elegeu. Quanto mais nos indignamos, mais os senhores parlamentares se esbaldam nos usos e costumes imorais que bem os tem caracterizados ao longo do tempo. E, se possível, se afundam ainda mais em velhas práticas canalhas.
Sinceramente, apesar de confiar no país pelo seu potencial capaz de levá-lo à frente, independente dos gigolôs políticos que habitam de norte a sul, sugando os recursos parcos que temos para seu uso pessoal como pagar farras em motéis a exemplo do ministro do Turismo (Sexual?) escolhido por Dilma, não tenho lá grandes esperança de que, politicamente e institucionalmente, o Brasil vá ter grandes avanços neste 2011 e nos próximos três anos. Até pelo contrário. O Lula promete se empenhar a fundo, fora do governo, pela reforma política, não a de que realmente precisamos, mas a que ele entende para consolidar seu partido no poder por muito mais tempo, e retirar do povo o direito dele escolher seus representantes, o tal cretino voto em lista. Arre!!!
Claro que nesta “reforma” pretendida por Lula não se espere que os políticos parem de torrar dinheiro público em benefício próprio. Vai é aumentar com o tal financiamento público, que aliás já existe, mas que vai sua aumentar sua cota. A saúde? A educação? A segurança? Que se danem, o negócio é locupletarem-se mais ainda. Não é à toa que o salário mínimo, que já é o mínimo dos mínimos, já paga imposto de renda. Ao não reajustarem a tabela do desconto na fonte, com apenas 2,7 salários mínimos, o cidadão, já extorquido pela montanha de impostos, pagará na fonte imposto sobre a renda miserável que recebe.
Você acha pouco? Pois saiba que uma certa taxa nas contas de luz e que já pagávamos, teve sua cobrança renovada por mais 25 anos. Isto sim é que política de futuro. Trata-se da RGR (Reserva Geral de Reversão), encargo cobrado na conta de energia elétrica que deveria ter acabado no final de 2010. Caso o tributo fosse extinto, poderia haver uma queda de 2,7% nas tarifas de luz, segundo cálculo da Abrace (Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres). A extensão da cobrança foi inserida de "contrabando" na medida provisória 517, publicada no "Diário Oficial da União" ontem. A MP trata também do pacote de crédito e do cadastro positivo. E se a desgraça ainda não fosse o suficiente, dias antes a ANEEL, aquela agência que deveria cuidar dos interesses dos consumidores para não serem mais assaltados, declarou que os quase 10 bilhões cobrados a mais dos consumidores nas suas contas de energia , entre 2002 a 2010, não seriam devolvidos. Roubados fomos, e pronto. Fica tudo por isso mesmo. Legal eles, não? Então, como prêmio, tome mais 25 anos de assalto e pungismo!!! Por que, então, a velha CPMF não poderá sonhar em voltar a assombrar nossos bolsos já tão esfolados?
Não, não dá para achar que, sendo ano novo, o Brasil velho ficou para trás. Podem até trocarem o síndico, mas a cultura que impregna os usos e costumes na prática política brasileira, permanecerá a mesma, ou seja, seremos assaltados dia e noite, e, como retribuição, a miserabilidade dos serviços públicos continuarão indignos e ultrajantes. E se você for um aposentado, meu amigo, lamento informá-lo: seu aumento que sempre foi abaixo da inflação corroendo todo o esforço de uma longa vida de trabalho e sacrifícios, encomende a alma a Deus. Lula, para não fugir ao seu estilo covarde, deixou o abacaxi nas mãos de Dilma que, burocrata que sempre foi e alimentada pelas incontáveis planilhas cheias de números fajutos fabricados pelos técnicos de porra nenhuma, demonstrarão que aumento mais decente quebraria a previdência. Claro que fará questão de esquecer que ela própria e seus ministros foram agraciados, em dezembro, com aumentos de até 130% contra uma inflação no período de 20%. E o que dizer dos parlamentares gigolôs que se “puniram” com 62% de reajuste? Deve ser isto que eles entendem por “distribuição de renda”!
Portanto, o Brasil de 2011 continuará sendo, por muito tempo ainda, o Brasil velho de 2010. Mudaram apenas a foto na parede. O resto continuará igual. A menos que Dilma mande seu padrinho político para os quintos dos infernos e resolva governar o país para a qual foi eleita presidente. Mas alguém com juízo no lugar é capar de apostar nesta improbabilidade?
Seja como for, para os amigos e leitores do blog, um Felicíssimo Ano Novo, por mais velho que ele possa parecer.


