Tânia Monteiro, Estadão.com
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse há pouco que não há razão para o Brasil se preocupar com as relações com o governo italiano, depois da decisão de não conceder extradição a Cesare Battisti. “O Brasil tomou uma decisão soberana, dentro dos termos previstos do tratado e as razões estão explicitadas no parecer da AGU (Advocacia Geral da União)”, disse Amorim.
Em nota divulgada há pouco, o governo brasileiro afirma que “considerou atentamente” todas as cláusulas do Tratado de Extradição entre o Brasil e a Itália e manifesta “estranheza” com as declarações da presidência do Conselho de Ministros da Itália, de que negar a extradição seria “incompreensível e inaceitável” e que o presidente brasileiro teria que explicar a decisão às famílias das vítimas de Battisti. Veja a íntegra da nota:
“O Presidente da República tomou hoje a decisão de não conceder extradição ao cidadão italiano Cesare Battisti, com base em parecer da Advocacia-Geral da União. O parecer considerou atentamente todas as cláusulas do Tratado de Extradição entre o Brasil e a Itália, em particular a disposição expressa na letra “f”, do item 1, do artigo 3 do Tratado, que cita, entre as motivações para a não extradição, a condição pessoal do extraditando. Conforme se depreende do próprio Tratado, esse tipo de juízo não constitui afronta de um Estado ao outro, uma vez que situações particulares ao indivíduo podem gerar riscos, a despeito do caráter democrático de ambos os Estados.
Ao mesmo tempo, o governo brasileiro manifesta sua profunda estranheza com os termos da nota da Presidência do Conselho dos Ministros da Itália, de 30 de dezembro de 2010, em particular com a impertinente referência pessoal ao Presidente da República”.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A declaração infeliz do senhor Celso Amorin se entende, por um lado, pelo fato de estar cumprindo seu derradeiro momento à frente do Itamaraty. E, segundo, ao estilo característico do que representou a desastrada política externa do governo Lula, sempre se é possível ser um pouco mais imbecil e cretino. A coleção de desastres de Amorim não poderia se encerrar sem uma decisão estúpida e vexatória para o país perante a comunidade internacional. "Decisão soberana" é? Bem coerente com aquela que devolveu dois atletas cubanos, sem crime algum, para o tirano de Cuba, ou aquela em que o índio Evo Morales expropriou, com a presença de força militar, refinarias da Petrobrás, sem nada nos pagar a título de indenização. E olhem que havia um contrato celebrado entre os governos.
Sem dúvida, se é soberana idiotia adotada como política externa é a que o senhor Amorin comandou.