domingo, março 01, 2009

As mil faces dos demônios da esquerda...

Adelson Elias Vasconcellos

Já bem antes do golpe militar de 1964, que culminou com a instalação de uma ditadura por longos 21 anos em terras tupiniquins, já havia uma corrente interessada em instalar outra ditadura, porém de esquerda, clonada ao estilo soviético, comunista portanto, em nosso país.

O golpe militar se antecipou ao movimento esquerdista e, para evitar que ele obtivesse êxito, resolveu agir.

A resistência que seguiu tinha, portanto, duas caras, ou dois lados se preferirem: um, aqueles que continuavam a ser democratas e que desejavam que o regime de liberdades retornasse à vida diária dos brasileiros. Outro, eram dos esquerdistas que resistiam ao regime, porém, com o claro propósito de verem instalado no Brasil a sua opção comunista, ou seja, pretendiam substituir uma ditadura por outra.

No processo de distensão política que assistimos nos finais da década de 70, havia um apelo que se espalhava pelo país, de norte a sul, cuja frase de efeito é “ANISTIA AMPLA, GERAL E IRRESTRITA”. Os arquivos dos jornais da época reúnem precioso acervo fotográfico para comprovar este fato.

Este apelo, de anistia ampla, geral e irrestrita quem o criou não foram os democratas que resistiram o quanto puderam à ditadura militar. Era uma iniciativa dos esquerdistas, temerosos que, ao cabo do regime repressivo, eles acabassem sendo julgados por seus crimes, uma vez que não se tratavam de democratas resistentes, e sim, de terroristas desejosos de trocarem apenas a cor da bandeira ditatorial, uma ditadura por outra. Foi neste sentido que agiram pessoas como Franklin Martins, Dilma Roussef, José Genuíno, Tarso Genro, José Dirceu, Paulo Vanucchi, dentre tantos outros.

A lei de anistia acabou sendo aprovada em 1979 e, a partir dela, centenas de exilados políticos puderam voltar ao país sem o temor da perseguição ou prisão. O mérito foi alcançado, já que o país rapidamente se refez num entendimento nacional bastante amplo, culminando com a redemocratização a partir de 1985.

Com a ascensão de Lula ao poder, todos os esquerdistas foram se agasalhando em postos e cargos de relativa importância. Alguns, como Vanucchi e Genro, contudo, não se deram por satisfeitos. Querem por que querem rever a Lei de Anistia, considerando, apenas, um dos lados. A tentativa, já se vê, é a de considerar bandidos apenas os militares. Temem serem julgados pela História para, deste modo, cair a máscara cínica com que se mostram à opinião pública do país. Querem contar sua versão dos fatos, porém, desrespeitando e ignorando a verdade.

Os dois mais destacados “justiceiros” em relação a revisão que pretendem impor à lei de anistia, são Genro e Vanucchi. De Genro, acho que já falei bastante. Comprovei que lhe falta estofo moral para,primeiro, ocupar o cargo que ocupa e, segundo, para pretender ver consagrado o seu intento de revisão. Quanto a Vanucchi, bem se trata de um cidadão que, no tempo da ditadura, escreveu um longo livro sobre práticas de terrorismo. Sua escola, e por assim dizer, sua formação, contempla o comunismo no seu mais elevado grau. Á frente da secretaria que se pretende ser de direitos humanos, outra coisa não tem patrocinado senão arrancar da sociedade o sustento não apenas dos familiares ligados aos 424 mortos pelo regime militar. Criou, com a cumplicidade “generosa” de Genro, uma profissão, um meio de vida com milionárias indenizações, inclusive para os estúpidos de esquerda que desejaram, outrora, apenas trocar o lado da ditadura. Posa hoje como um “resistente”, mas, longe, como sabemos, muito longe de dizer que jamais foi democrata. Aliás, jamais se verá um miserável teórico do socialismo defendendo a democracia. Se os métodos da luta armada para a realização da “grande revolução” já não encontram eco nos dias atuais, o que se pretende é lutar contra democracia por dentro dela, solapando direitos e conquistas, e fragilizando as instituições.

O método, ao menos na América do Sul, vem dando ótimos resultados e ótimos ganhos também. Para estes cretinos, os militares foram algozes sanguinários, foram torturadores assassinos, mas não se vê um destes detratores condenar o regime não menos sanguinário, cruel, assassino torturador dos irmãos Castro, em Cuba. Até pelo contrário: adoram-no como se adora a um santo. São obcecadas tietes do tirano. Beijam-lhe os pés e as mãos, e lhe prestam reverência extremada, esquecendo que, na conta do ditador, se contam mais de 100 mil cubanos mortos, a maioria assassinada, executada sem processo, sem tribunal, sem julgamento. E isto, por si só, mostra bem a verdadeira face desta gente. Para eles, a morte do inimigo se conta à necessidade “humana” de impor sua ideologia estúpida e demoníaca, de consagrar a revolução, mesmo que às custas de vidas inocentes..

No Brasil, na conta das esquerdas, as estatísticas demonstram que foram cerca de 200 pessoas vítimas de seus atos. Se comparado com os “militares assassinos” que vitimaram 424, por aí podemos notar a grandeza do senso humanista desta gente.

Trazendo para os nossos dias, vemos que o MST e congêneres, pouco a pouco, vão substituindo, renovando e consagrando as práticas do passado das esquerdas. O recente assassinato de quatro seguranças no Pernambuco nem foi o primeiro e, a se notar pela reação cretina da “autoridades”, não serão os últimos vitimados destes demônios. As mortes provocados por militantes dos sem-terra se contam às centenas, considerando-se um período de apenas 6 anos. E, mesmo assim, Vanucchi não se altera em sua visão caolha. Entende que, com esta gente, é preciso manter o diálogo. Insiste em lhes atribuir o rótulo de “movimento social”. Disse antes, e repito agora: com bandido não há diálogo. Bandido bom é bandido preso, longe da sociedade que ele não respeita, que ele agride, mata, rouba, estupra, depreda. Da forma como tal movimento se comporta, ele se enquadra à categoria de formação de quadrilha e, o que é pior, sustentada pelo Poder Público. Vanucchi chega ao cúmulo de condenar as críticas feitas pelo presidente do STF, Gilmar Mendes, que, sem meias palavras, declarou que comete ilicitude quem libera recurso público para quem comete ilicitudes. Ou seja, o ministro expressou apenas aquilo que está lei.

Ninguém aqui está condenado movimentos que se comportam como sociais. Pelo contrário. Contudo, para os que se alimentam de verba pública e, ao invés de aplicá-la em benefício de seus seguidores, as emprega no cometimento de invasões, na transgressão às leis, na ação violenta contra o Estado e a sociedade que os sustenta, a qualificação deixa de ser social e assume o caráter de movimento criminoso. Vanucchi chega ao absurdo de ver, nas críticas do ministro do STF, uma espécie de perseguição aos movimentos sociais à moda dos praticados pelos nazistas em relação aos judeus. Acho que Vanucchi anda bebendo demais ! Se alguém aqui está sendo perseguido, este alguém é a própria sociedade, que está sendo agredida por um bando de arruaceiros e marginais que tentam se colocar acima das leis.

No dia em que os Vanucchis, Genros, Dilmas, Lulas & Cia., e toda uma intelectualidade imbecil que posa de democrata, mas faz reverências à estupidez do socialismo arcaico e assassino, vier a público condenar a matança praticada pelo ditador Fidel Castro, em Cuba, durante o meio século que estáno poder, aí tais figuras se revestirão de moral suficiente para ideologizar à vontade. Até lá, e para não caírem no ridículo, melhor que fiquem quietos. Já existem insensatez, insanidade e estupidez demasiada no mundo atual, para ainda termos que suportar gente tacanha que tenta vender suas idéias estapafúrdias e, a qualquer custo, tenta mascarar sua verdadeira face. Jamais esqueçamos: o diabo veste mil faces, até de anjo guardião tenta bancar pose...

Nota zero

J.R. Guzzo, Revista VEJA

"Como 1 500 professores que erram todas as perguntas feitas num exame para avaliar sua capacidade são autorizados a dar aulas na escola pública? Vão ensinar o quê?"

Num artigo que escreveu para VEJA algum tempo atrás, o professor Claudio de Moura Castro, um dos peritos mais competentes do Brasil em questões de educação, relatou um fato espantoso. Numa palestra que fez para 800 professores, ele perguntou quantos, entre os presentes ali no auditório, tinham aprendido a ensinar a regra de três nas faculdades de educação que haviam frequentado. Resposta: ninguém. Nem um, pelo menos, entre os 800? Nem um. Não é preciso ser um especialista em pedagogia para ver o tamanho da encrenca em que estão metidos os alunos desses professores todos. O problema não é com "o Brasil", "a sociedade" ou a "educação nacional" – é com os alunos mesmo, em carne e osso. Se os seus professores não sabem ensinar a regra de três, os alunos não vão aprender; e, se não sabem ensinar a regra de três, é provável que não saibam ensinar uma porção de outras coisas. Para os alunos, a situação está ruim hoje e vai ficar pior amanhã. Pois, enquanto não aprendem, com certeza outros, em outras escolas e com outros professores, estão aprendendo – e são esses que, lá adiante, vão disputar com eles um lugar melhor na vida. Quem terá mais chances, então? Se já é difícil para quem sabe, imagine-se para os que não sabem. Vão ter de contar com o acaso – coisa notoriamente arriscada, pois, como se sabe, há vidas sem acaso.

O Brasil seria um país de sorte se o episódio narrado pelo professor Moura Castro fosse uma exceção. Mas não é. Para qualquer lado da educação que se olhe, a qualquer momento, o que se vê é mais do mesmo – e nada poderia comprovar isso tão bem quanto a extraordinária disputa que acaba de dividir, em São Paulo, a secretaria estadual da educação e professores temporários da rede pública. Como foi noticiado, a secretaria realizou em dezembro último uma prova de avaliação, anunciada desde maio, para medir a competência desses professores e selecionar os melhores. Aconteceu que 1 500 deles tiraram nota zero no teste; conseguiram não acertar nenhuma das 25 questões a que tinham de responder. Até aí, realmente, nada capaz de causar grande surpresa, quando se leva em conta a história da regra de três já descrita. Mas conseguiu-se, no caso, um prodígio: os 1 500 professores que tiraram nota zero vão, sim, dar aulas neste ano letivo de 2009 no ensino público paulista. O sindicato da categoria alegou que se tratava de uma "provinha", recorreu à Justiça e convenceu uma juíza da Fazenda Pública a suspender, através de liminar, a aplicação dos resultados do teste. Para não tumultuar o início das aulas, a secretaria desistiu de contestar a decisão; fica assim mesmo, e depois se vê.

Os detalhes técnicos da disputa, é claro, continuarão a ser discutidos, mas fica de pé uma questão impossível de evitar: como, pela lógica mais rudimentar, poderá dar certo uma situação na qual 1.500 professores que erram todas as perguntas feitas num exame para avaliar sua capacidade são autorizados a dar aulas na escola pública? Vão ensinar o quê? A juíza e o sindicato acham justo preservar o emprego dos "nota zero". Talvez não achassem a mesma coisa se cidadãos reprovados nos testes para obter um brevê de piloto, por exemplo, recebessem licença para dirigir aviões de carreira. Mas os prejudicados no caso são apenas alunos; quem se importa? Se vão ter aulas com professores que não sabem nada, problema deles. O resultado desse tipo de atitude já está mais do que definido. Garante-se hoje, com 100% de certeza, a produção de desigualdade para amanhã.

Isso, sim, deveria espantar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – ele, que quase caiu da cadeira, outro dia, ao citar um dado grosseiramente falso sobre o analfabetismo em São Paulo. Mas o seu interesse real, no caso, era falar mal do governo paulista, só isso; tendo conseguido o que queria, mudou de assunto e seguiu em frente. A educação brasileira, antes e depois, continuou exatamente na mesma: um mundo onde o que realmente importa são verbas, salários de professores, direitos de funcionários, partilha de cargos e só no fim, bem no fim, a função de ensinar. O governo vive dizendo que o Brasil tem, com o Bolsa Família, o "maior programa de inclusão social" do mundo. Tem também, com o conjunto do sistema público de ensino, o maior programa de exclusão social que um país seria capaz de organizar. O encontro de uma coisa com a outra, infelizmente, não acaba em zero a zero. A primeira é propaganda política; em matéria de inclusão, só faz manter os pobres incluídos na pobreza. A segunda, ao contrário, não tem nada de fantasia.

O candidato e o presidente

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

Enquanto Lula continua procurando culpados, Obama busca soluções

Em dezembro, a primeira página da Gazeta Mercantil destacou na manchete a informação colhida pelo repórter Júlio Ottoboni: a Embraer, descobrira o correspondente em São José dos Campos, estava prestes a demitir 4 mil funcionários. Consumada às vésperas do Carnaval, a má notícia divulgada pelo maior jornal de economia do país demorou mais de um mês para chegar oficialmente ao presidente Lula, levada por sindicalistas à caça de socorro para o que o jornalista Elio Gaspari batizou de Massacre da Embraer.

"É um absurdo que uma empresa que recebeu recursos do BNDES ao longo dos últimos anos, ao primeiro sinal de problemas, promova esse enorme corte sem uma única conversa com alguém do governo, sem nos procurar", surpreendeu-se – surpreendentemente – um governante que vive fingindo ignorar o que é melhor não saber. Foi assim, por exemplo, com o mensalão ou com o apagão aéreo. Assim seria agora se não existisse no meio do caminho uma pedra de papel: a primeira página da Gazeta Mercantil.

Lula, como se sabe, evita ler jornais "por problemas de azia". Mas é difícil acreditar que a informação tenha sido excluída da sinopse montada pelo ministro Franklin Martins e pela assessora Clara Ant, encarregados de selecionar o que o chefe deve saber. Há outra hipótese: Lula caiu na vigarice que não deu certo com a Gazeta.

Os exemplares com a informação incômoda começavam a ser distribuídos quando diretores da Embraer chegaram ao prédio do jornal com um dossiê que, além de desmentir a degola agora efetivada, pretendia transformar o autor da reportagem num inimigo jurado da empresa. A chefia da Gazeta não perdeu tempo com a fantasia.

Provavelmente, Lula preferiu acreditar que o patíbulo erguido na fábrica em São José dos Campos era enfeite carnavalesco. De volta da Sapucaí, convocou os autores da degola para encenar no Planalto o segundo ato da farsa. Quis saber por que a Embraer deixara de surfar na marolinha. Ouviu que as coisas andam feias e vão piorar.

Lula pediu aos artistas convidados que mantivessem os empregos existentes. Os visitantes prometeram não demitir mais ninguém – "por enquanto", ressalvaram. Como o anfitrião parecia bem menos indignado que na conversa com os sindicalistas, os comandantes da Embraer lembraram que 6 mil vagas foram abertas nos dois últimos anos. Ainda há um saldo de 2 mil.

Enquanto o presidente brasileiro procura culpados para os estragos provocados pelo que foi uma coisa de Bush, Barack Obama busca soluções para a crise herdada do Grande Satã de Lula. Um quer ganhar a guerra contra um inimigo de dimensões colossais. Outro quer ganhar a eleição. Obama tenta reduzir os ganhos dos grandes executivos, cortar privilégios fiscais dos mais ricos, diminuir gastos públicos. Lula se esforça para convencer o eleitorado de que não tem nada com isso. Aponta um pecador por dia. Não pune nenhum.

A crise não parou para aplaudir o desfile das escolas de samba. Tampouco pretende descansar nos próximos meses. Desça do palanque, companheiro.

PMDB confirma o que disse Jarbas
E os nomes?, cobraram jornalistas confrontados com as denúncias enfileiradas pelo senador Jarbas Vasconcelos na entrevista à Veja. E os fatos?, fizeram de conta que de nada sabiam líderes do PMDB, qualificado de "corrupto" pelo pernambucano que ajudou a fundá-lo. Até o PSOL, nascido e criado longe da roubalheira, pediu a Jarbas a identificação de delinquentes pendurados há anos no noticiário político-policial. E mesmo o senador Pedro Simon, comprovadamente honesto, ressalvou que não há diferenças notáveis entre o PMDB e outros partidos. Existem corruptos em quase todos, certo. Mas em nenhum é tão grande e guloso o viveiro dos fora-da-lei, confirmou mais uma tentativa de assalto à Fundação Real Grandeza.

De novo, o bando liderado pelo peemedebista Edison Lobão, ministro de Minas e Energia, tentou assumir o controle do fundo de pensão que administra R$ 6,3 bilhões em recursos previdenciários de duas empresas, Furnas e Eletronuclear. A reação dos funcionários forçou o presidente Lula a impedir a consumação da manobra que afastaria da Real Grande o presidente Sérgio Fontes, chefe da equipe que tirou a fundação do buraco. Os envolvidos na trama, destinada a anexar a instituição à fábrica de negociatas explorada pelo PMDB com a conivência do governo federal, continuam ocupando os gabinetes que um presidente comprometido com a decência já teria confiscado. E ninguém pediu desculpas a Jarbas.

Os recordistas da gastança em ação
Orçados em R$ 409 milhões, os Jogos Pan-Americanos do Rio custaram R$ 3,7 bilhões – quase 10 vezes mais. Ninguém terá o direito de espantar-se caso a Olimpíada de 2016 – orçada em R$ 28,8 bilhões pela mesma equipe que bateu em 2007 o recorde mundial de salto sobre o dinheiro público – supere a escandalosa marca dos R$ 200 bilhões. A gastança dos cabos eleitorais avisa que a turma está pronta para chegar lá.

Segundo o projeto oficial, os contribuintes pagarão R$ 23,2 bilhões – investidos, claro, "em infraestrutura e serviços públicos". Se o crime for consumado, estará provado que não há limites nem para o cinismo dos que tungam nem para a idiotia dos tungados.

Evo vai à Rússia e vê a União Soviética
Primeiro presidente boliviano a visitar Moscou, Evo Morales tornou-se também o único governante do planeta a visitar no terceiro milênio a União Soviética do século passado. "A revolução socialista de 1917 tem enormes coincidências com o processo hoje vivido pela Bolívia", contou Morales na entrevista coletiva concedida ao regressar a La Paz. Entre as muitas semelhanças, o passageiro do tempo enxergou claramente duas bandeiras comuns. "Os revolucionários lutaram contra o racismo e contra o fascismo", revelou o vice-líder bolivariano. Lenin morreu sem saber das duas batalhas que Morales travou por ele. E Mussolini morreu sem saber que o fascismo já existia na Rússia quando achou tê-lo inventado na Itália dos anos 30.

E o mundo só agora ficou sabendo que a Guerra Fria continua – e ameaça ganhar dimensões medonhas na frente cucaracha. "Os grandes processos de libertação da América Latina serão fortalecidos pelo retorno da Rússia à região", informou o viajante, bastante animado com os acordos de cooperação militar fechados com o camarada Dmitri Medvedev. Graças à generosidade do anfitrião, as Forças Armadas da nação vizinha estarão prontas para encarar o imperialismo ianque. A Aeronáutica terá até helicópteros de combate. E o país pode contar com mesadas dos russos para enfrentar a crise financeira fabricada pelos americanos. A União Soviética só fingiu ter morrido. Mora na Bolívia, mais viva que nunca.

Os novos paraísos de nossa diplomacia

Ruth De Aquino, Revista Época

O governo Lula vai mandar diplomatas para quatro ilhas do Caribe ao custo de US$ 1 milhão por ano

Quem acredita que “o melhor emprego do mundo” é o de zelador numa ilha da Austrália não acompanha o noticiário do Itamaraty. O governo Lula vai mandar para quatro pequenos paraísos no Caribe diplomatas que saibam curtir a vida. Nossas quatro novas embaixadas custarão US$ 1 milhão por ano. Entre esses arquipélagos de águas tépidas e cristalinas está São Cristóvão e Névis. Formado por duas ilhas de origem vulcânica, tem 39 mil habitantes – menos que o bairro carioca do Leblon.

O Caribe não tem nenhuma chance de entrar para o “Circuito Elizabeth Arden” do Itamaraty – o roteiro de charme em Paris, Londres, Roma e Washington. Mas os diplomatas sempre poderão, no fim de semana, velejar, mergulhar, dar um pulo em Havana, beber um mojito no bar preferido de Hemingway ou rumar para as compras em Miami.

Faz parte, segundo o Itamaraty, da estratégia de tornar o Brasil um “global player”, com parceiros diversificados. Afinal, só alcançamos até agora o recorde de 1.190 diplomatas no exterior. E nem o Tribunal de Contas da União (TCU) consegue abrir a caixa-preta de nossas 188 representações diplomáticas. Mas continua a cobrar.

Lula desejava de todo o coração que a crise americana “não cruzasse o Oceano Atlântico” (sic). E que banhasse nosso litoral como uma marolinha. Enquanto o Carnaval comia solto, nossa inadimplência em empréstimos pessoais tirou a máscara: foi a pior desde janeiro de 2002. Cem mil carros foram retomados por bancos. Serão leiloados. A economia nacional continua forte, mas a cautela manda examinar gastos, evitar desperdícios. Por que o governo não dá o exemplo? Por que continua inchando as despesas?

Não foi o governo do PT que lançou a moda de embaixadas suntuosas. A falta de transparência dos gastos do Itamaraty é hábito antigo. O papo oficial é o mesmo. A imagem do país deve impressionar nossos parceiros comerciais. Temos palácios belíssimos. Faz sentido? O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso passou a pagar US$ 130 mil mensais de aluguel pelo novo prédio da embaixada em Berlim, o triplo do que se pagava antes. Parecemos, lá fora, um país irreal. Ou, quem sabe, parecemos o que somos. Um país de castas. Não é bem isso que precisamos aprender com a Índia.

Pode ser injustiça com o Itamaraty. Embaixadas ajudam a fazer negócios. Aumentam o saldo comercial. Ou não? Por que o Itamaraty não se justifica e não nos enche de orgulho? Por que o TCU só conseguiu que fossem abertas as despesas de dez representações em sete cidades? As desculpas para não abrir a contabilidade são criativas: falta de “sistema” e “treinamento”, alta rotatividade de funcionários, o fuso horário, a conversão de moedas, as diferenças de idiomas. Na verdade, o sistema existe e tem nome – Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). O que falta é vontade de fazer contas e mostrar quanto se gasta com o quê. No diplomatês, “falta ligar a rede ao sistema”. Uma auditoria do TCU, antes de Lula assumir, constatou que dinheiro público pagava xampus, sabonetes, sabão em pó, amaciante de roupas e torneio de golfe para embaixadores brasileiros. Seria bom saber se algo mudou de lá para cá. Para melhor ou para pior.

Para explicar a presença nos arquipélagos Antígua e Barbuda, Dominica, São Cristóvão e Névis e São Vicente e Granadinas, o governo diz que são potenciais compradores de nosso biocombustível. O Caribe, com suas 13 nações, já teria com o Brasil uma balança comercial de US$ 4,6 bilhões por ano – segundo um funcionário do Itamaraty.

Como se não bastassem novos embaixadores, Lula criou uma leva de 25 novos adidos no exterior. O mais polêmico foi o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Paulo Lacerda, escalado como adido policial em Portugal. O cargo não existia – e Lula atropelou todas as normas de nomeação. Lacerda foi exonerado em dezembro durante investigação de escutas telefônicas clandestinas. Até 2010, teremos 103 adidos no exterior, com salários de até R$ 37.400 (US$ 17 mil).

Que tal criar um Portal da Transparência que honre as águas do Caribe?

Episódios vergonhosos

Estadão

Durante a realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, os pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux conseguiram burlar a vigilância dos agentes que acompanham as delegações desportivas e artísticas cubanas nas suas excursões pelo exterior - comissários cuja única missão é assegurar que todos voltem para o paraíso castrista - e foram se esconder em Cabo Frio. A escapada durou cerca de duas semanas. Acionado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro - a pedido do governo cubano -, o aparelho policial brasileiro se pôs a campo, localizando e detendo os dois cubanos, que não queriam outra coisa que não fossem oportunidades de viver numa sociedade livre, que lhes permitisse desenvolver seus atributos desportivos e profissionais. Três dias depois de detidos, os dois foram colocados num avião, gentil e especialmente cedido pelo caudilho venezuelano Hugo Chávez, e despachados de volta para Havana.

Lá, não foram presos, torturados ou mortos - como acontecia antes com os cubanos que tentavam fugir da ilha e não conseguiam. Os tempos já eram mais amenos e eles foram apenas proibidos de treinar e lutar, ou seja, de exercer a sua profissão.

Aqui o episódio provocou justa indignação. Afinal, o governo brasileiro, por intermédio de seu ministro da Justiça, não apenas colocara a polícia no encalço de dois atletas que não haviam cometido crime algum - no Brasil ou em Cuba -, como os deportara em prazo recorde, entregando-os a um regime que não tem o mínimo respeito pelos direitos humanos e do qual estavam fugindo.À onda de protestos que se seguiu, o ministro Tarso Genro respondeu com uma saraivada de argumentos fantasiosos, cada um mais esfarrapado do que o outro. Primeiro, declarou que tudo não passava de uma armação da imprensa, que estava usando o episódio para fazer propaganda contra Cuba. Depois, afirmou que os dois pugilistas não haviam fugido nem pedido asilo e, por isso, se encontravam em situação irregular no País.

Por fim, veio o mais deslavado deles: os pugilistas haviam pedido para voltar a Cuba. Ele, Tarso Genro, como ex-exilado, sabia que isso iria acontecer: "depois da fuga vem a saudade da família e a nostalgia da pátria", disse, esquecendo que antes havia negado que os cubanos haviam fugido e solicitado asilo.

Mas a farsa, como se veria, não prevaleceria como verdade histórica.

O pugilista cubano Erislandy Lara, o primeiro a fugir de Cuba, afirma que nunca quis sair do Brasil. Que não queria ficar em Cuba provou cerca de seis meses depois de para lá ter sido devolvido pelo ministro Tarso Genro, quando fugiu da ilha em uma lancha. Está reiniciando, com sucesso, a sua vida de boxeador nos Estados Unidos. Agora, nesta semana, o pugilista Guillermo Rigondeaux, campeão olímpico e mundial dos pesos galo, fugiu para o México e já está em Miami, onde aguarda a regularização de seus papéis para também voltar às atividades profissionais.

Os dois pugilistas deixaram suas famílias em Cuba. Sentem saudades, mas nem em pensamento lhes ocorre voltar para o paraíso castrista onde, segundo Lara, "não há comida e as pessoas sofrem muito". O que querem, isso sim, é tirar de Cuba suas mulheres e filhos. Outra falha no enredo fabuloso do ministro Tarso Genro.

Menos de dois anos depois do vergonhoso episódio da devolução dos lutadores cubanos ao domínio do ditador Fidel Castro, diante de caso "aparentado", o ministro Tarso Genro teve comportamento totalmente diferente, mas não menos indecente: atropelou uma decisão do Comitê Nacional para os Refugiados, antecipou-se a um julgamento do Supremo Tribunal Federal e concedeu asilo ao terrorista italiano Cesare Battisti. Desta vez, o exilado não sentia saudades da família nem nostalgia da pátria. Também não havia sido, como os dois cubanos, declarado "traidor da pátria" pelo chefe do governo do seu país - uma democracia exemplar. Fora, tão somente, condenado pela Justiça italiana pelo assassinato de quatro pessoas, entre outros crimes - todos cometidos em nome do extremismo de esquerda.

Por que o governo brasileiro concede asilo a um assassino condenado pela justiça de um país democrático e nega-o a dois impolutos fugitivos de uma ditadura decrépita?

O presidente Lula poderia explicar o que seu ministro não explicou?

Explicações vagabundas

Cassel: 'Não passamos nenhum centavo para o MST'. Dilma defende repasses e Tarso diz que cabe à CGU investigar

Jailton de Carvalho - O Globo, Colaborou Juraci Perboni

Ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva saíram nesta sexta-feira em defesa dos repasses feitos pelo governo a entidades que invadem terras, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Em Porto Alegre, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, disse que não há irregularidades nos repasses e chegou a alegar que é impossível associar as entidades beneficiadas com recursos públicos a movimentos sociais como o MST. Segundo ele, essas vinculações são suposições.

Cassel disse desconhecer as ligações entre entidades beneficiadas pelo governo e o MST, que, no entanto, são conhecidas por todos da área:

" Não posso, por lei, discriminar uma entidade porque ela tem simpatizantes do movimento A ou B, do partido político ou de alguma religião "

- Não passamos nenhum centavo para o MST. O que existe são suposições de que possa haver cooperativas, empresas ou ONGs que tenham vínculos com o MST.

- Essas pessoas são contratadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, por exemplo, para prestar assistência técnica. Existem prestações de conta rigorosas para isso - afirmou Cassel.

O ministro disse que seria ilegal suspender o repasse para uma entidade pelo fato de ela ter simpatizantes de movimentos sociais.

- Não posso, por lei, discriminar uma entidade porque ela tem simpatizantes do movimento A ou B, do partido político ou de alguma religião. Quando uma entidade presta serviço ao governo, é porque tem CNPJ e cumpre as exigências legais.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o ministro da Justiça, Tarso Genro, também se manifestaram nesta sexta-feira sobre o repasse de recursos do governo federal para movimentos sociais como o dos sem-terra. Levantamento feito pelo GLOBO mostra que, desde 2002, o governou repassou R$ 49,4 milhões para movimentos que invadem terras , o que é proibido pela legislação. Enquanto a ministra se manifestou a favor da destinação dos recursos, Tarso, em nota, disse que a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas devem analisar se os repasses são ou não ilegais. Como controlar o repasse de dinheiro público para os sem-terra?

Na quarta-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, criticou as invasões dos sem-terra comandadas por José Rainha , líder dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), durante o carnaval no Pontal do Paranapanema, em São Paulo. Segundo Gilmar Mendes, as ações extrapolam os limites da legalidade e a lei impede o poder público de financiar esses grupos. Nesta sexta, o MST rebateu, em nota, as críticas de Mendes e disse que não usou "nenhum centavo" de dinheiro público .

Em Florianópolis para a inauguração da nova linha de transmissão de energia elétrica entre Desterro e Palhoça, Dilma disse que ao repassar os recursos para os sem-terra, o governo está cumprindo a legislação.

- Nós não operamos com nenhuma ilegalidade. E não há nenhuma manifestação formal do Judiciário (sobre o assunto) - afirmou a ministra, que disse respeitar a opinião de Gilmar Mendes.

Já Tarso lembrou que a PF instaura inquéritos sempre que recebe notícias crime (originárias do Tribunal de Contas, de uma outra fonte, ou por requisição do Ministério Público), não apenas em assuntos de organizações de sem-terra. Ele disse que há órgãos responsáveis para apurar se há algum tipo de irresponsabilidade na destinação dos recursos.

"Se tiver alguma irregularidade que envolva órgãos federais, é remetida para a PF realizar o inquérito. Então, nós recebemos com normalidade a manifestação do presidente do Supremo Tribunal Federal, e não temos nenhum comentário de conteúdo a fazer sobre elas", disse o ministro na nota divulgada pelo Ministério da Justiça.

Nenhum dos ministros deu uma palavra sequer para condenar atos criminosos em Pernambuco, onde líderes do MST mataram quatro seguranças de fazendas. Em nota, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse apenas que a apuração dos crimes cabe às polícias estaduais.

"Do ponto de vista do Ministério, temos consciência de que essas violações de propriedade privada são questões de ordem pública, de responsabilidade dos estados, da polícia estadual e da justiça estadual", afirmou o ministro.

De acordo com Tarso, a Força Nacional sempre esteve à disposição para dar o respaldo necessário, não apenas nesses casos específicos, mas também para qualquer questão em que o governo local precise de reforço em suas operações policiais. O ministro acrescentou que quando há algum tipo de ocupação de um órgão federal, a Polícia Federal costuma agir de forma pacífica na retiradas dos manifestantes, pois "não é competência da União fazer policiamento ostensivo repressivo".

O MST aparece com destaque entre os mais de 70 movimentos que invadem fazendas no país, e está sempre no topo da lista das invasões. Em 2007, a participação do movimento nessas ações atingiu, proporcionalmente, seu ápice: o MST foi o responsável por 217 (72,8%) das 298 invasões registradas no país naquele ano. Em 2008, o MST foi o responsável por 132 (57,3%) das 230 ocupações entre janeiro a novembro. Em 2006, o índice foi de 66,5% (171 ações).

Apesar de Cassel negar, há vínculos entre MST e associações
Apesar de Cassel afirmar que não é possível saber se as entidades que recebem verbas são ligadas a grupos que invadem fazendas, os vínculos do MST com associações são mais do que evidentes. Em Brasília, a Associação Nacional de Cooperação Agrícola (Anca) e o MST sempre foram uma coisa só. Sem qualquer registro na Receita Federal, o MST (nome fantasia) sempre utilizou a Anca - entidade com CGC e registro em Junta Comercial - para fechar todos os seus negócios com o governo federal. Embora Cassel alegue não saber, era comum ligar para os números do MST em Brasília e, do outro lado da linha, ouvir a telefonista: "Anca, bom dia". Se um interlocutor desavisado achava que tinha errado o número do MST, era logo corrigido por quem atendia e explicava que tudo funcionava no mesmo endereço. No Incra, todos sabem disso.

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que presidiu a CPI da Terra, diz que MST e Anca são as duas faces de um mesmo movimento. Com base nas informações acumuladas pela CPI, o senador afirma que a Anca é uma cooperativa criada para receber recursos em nome do MST. O movimento não pode receber recursos diretamente do governo porque não tem personalidade jurídica.

- A Anca e também a Concrab (Confederação das Cooperativas de Reforma Agrária) são um braço avançado do MST. É através delas que o governo repassa recursos ao MST - diz Dias.

O senador afirma ainda que as irregularidades apontadas por Gilmar Mendes em relação à transferência de recursos públicos para o MST, não são novidade. Segundo ele, dados da CPI mostram que recursos da reforma agrária foram usados para a confecção de cartilhas e até de CDs do movimento. Dirigentes da Anca em Brasília e em São Paulo não foram localizados para responder ao GLOBO.

Promotor contesta versão de legítima defesa em Pernambuco
O promotor agrário de Pernambuco, Edson Guerra, contestou nesta sexta o argumento do MST de que os líderes do movimento que mataram quatro seguranças de fazendas em São Joaquim do Monte agiram em legítima defesa. Dois líderes do MST presos em flagrante foram indiciados por homicídio qualificado.

- Se a pessoa, no início, está se defendendo e depois começa a atacar quem já está imóvel, deixa de ser legítima defesa e passa a ser homicídio qualificado - disse Guerra.

Transparência real ou virtual?

Gaudêncio Torquato, Estadão

A palavra do momento é transparência. O presidente dos EUA, Barack Obama, em seu discurso sobre o Estado da União, na terça-feira, prometeu que cada cidadão norte-americano saberá onde será gasto cada dólar do orçamento. E como demonstração de clareza absoluta, os custos com as frentes de guerra no Iraque e no Afeganistão - até então sigilosos - serão do conhecimento público. A abertura dos mapas de gastos, alguns de caráter estratégico e cobertos pelo manto do sigilo estatal, ocorre no fluxo crescente da sociedade participativa e na onda da tempestividade propiciada pela internet nesta Era do Conhecimento Total. O Brasil surfa bem nessa onda, sendo um dos mercados mais atrativos para a tecnologia das comunicações. E clareza sempre foi promessa a frequentar a boca de nossos governantes. Em nossa história houve figurante que chegou ao exagero de se apresentar como o protótipo da limpeza na política. Sandoval Caju marcou época na política de Alagoas. Por ocasião da campanha para a prefeitura de Maceió, de onde foi tirado em 1964, chegava aos comícios vestido todo de branco: calça, camisa, chapéu, sapatos, tudo branquinho. Do palanque, explicava à multidão: "Vim de branco para ser mais claro."

Hoje, os nossos Cajus se espalham pelo território despejando lorotas sobre lisura nas contas públicas. Temos até um ministro do Controle e da Transparência. É verdade. Se poucos sabem disso, é porque um oceano de distância separa a realidade virtual - a das planilhas e promessas - da dura verdade do nosso dia a dia. A questão da transparência volta à tona neste momento em que se expandem as pressões da sociedade para abrir as caixas-pretas que escondem gastos públicos com cartões corporativos, verbas indenizatórias de deputados e senadores, certos recursos despendidos por Estados e municípios e despesas de Embaixadas, entre outras. Jorge Hage, ministro-chefe da Controladoria-Geral da União - também chamado de ministro do Controle e da Transparência -, garante que o Brasil é exemplo internacional em matéria de visibilidade do uso de recursos públicos. Será? O Portal da Transparência, de iniciativa governamental, é lembrado como vitrine contra a corrupção. Parece, porém, uma peça mais virtual do que real.

Denúncias sobre corrupção - objeto de investigação do aparelho policial e do Ministério Público - têm se multiplicado nos últimos tempos, levando o cidadão a concluir: ou a corrupção se expande mesmo sob a lupa de controles apurados ou o escudo contra desvios não é tão eficaz quanto se propaga. O ministro Hage orgulha-se de ver o Brasil no 8º lugar de um ranking de 85 países com transparência nos orçamentos. Com essa posição o País poderia ser considerado um dos menos corruptos. Não o é. Ocupa a 80ª posição no ranking da percepção da corrupção, que reúne 180 países, tendo caído oito degraus em 2008. Por quê? Porque o germe da corrupção está no DNA de nossa cultura política. A planilha do portal transparente exibe milhões de informações cobrindo mais de R$ 2,5 trilhões de contas federais e dados sobre montantes liberados para localidades, obras, datas, números de ordem bancária, nomes de beneficiários. Ora, tal acervo pode indicar uma transparência virtual, mas a realidade continua escondida. Vejamos: determinada empresa ganha uma licitação e passa a receber x milhões pelas etapas da obra; a planilha aponta volumes licitados, liberados e embolsados. Isso é formalidade, eis que pressões sobre o tráfico de influência não são contabilizadas. Ao que se sabe, os bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) têm controle precário. Falta fiscalização na arrecadação da contribuição sindical. Dos cerca de R$ 3 bilhões repassados a organizações não-governamentais, mais da metade é desviada, segundo técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU). Quanto aos cartões corporativos, de que adianta saber quanto foi gasto, se os gastadores ficam escondidos e sem se saber se os usaram de maneira adequada?

Ter acesso a informações do Siafi, o principal sistema de acompanhamento da execução orçamentária do governo, não previne contra vícios e desvios no setor público. Os administradores dos recursos precisam ser fiscalizados. Maus gestores, funcionários desqualificados que se servem da res publica, e não a ela se dedicam com zelo, são responsáveis por teias de corrupção que contaminam estruturas nos três níveis da Federação. Há quadros lotados em Ministérios, autarquias e empresas públicas que primam por qualidade, mas, infelizmente, o joio se espalha em escala geométrica, enquanto a boa semente viceja em ritmo apenas aritmético.

O presidente do TCU, o ex-deputado cearense Ubiratan Aguiar, levanta uma boa ideia: um cadastro nacional de maus gestores. Por que não? Não há um cadastro nacional de maus pagadores? Os gestores deveriam ser responsáveis por possíveis irregularidades na liberação de recursos. E para uma transparência completa, licitações e outros processos relativos a obras deveriam merecer maior visibilidade. As comissões julgadoras devem estar acima de qualquer suspeita. Maior espaço deve ser atribuído ao controle social, por meio da participação de representantes de entidades. A cadeia de fiscalização será tão mais forte quanto mais intensa seja a luz da sociedade sobre a administração pública. Obrigatórios também deveriam ser os registros de obras em praça pública, com os custos, etapas de construção, recursos aprovados e liberados, gestores e responsáveis. E tudo dentro das redes eletrônicas da internet. Sem direito a slogans e autoelogios. Nossa transparência precisa ser real, não virtual.

Para defender Lula e Dilma, a AGU recorre a Serra

Josias de Souza, Folha online

A Advocacia Geral da União decidiu levar ao pé da letra o axioma segundo o qual a melhor defesa é o ataque.

Para defender Lula e Dilma na ação que lhes movem o PSDB e o DEM, o advogado-geral José Antônio Dias Toffoli arrastará para a briga dois governadores de oposição.

Tucanos e ‘demos’ acusaram o presidente e a ministra de converter um encontro com prefeitos, em Brasília, em ato de campanha. Campanha fora de época.

Na resposta a ser endereçada ao TSE Toffoli afirma que a pajelança com os prefeitos foi ato de governo, não de partido político. Nada a ver com campanha.

De resto, Toffoli esgrime três argumentos:

1. Prefeitos do PSDB e do DEM também acorreram a Brasília;

2. O encontro foi prestigiado pelo governador do DF, o ‘demo’ José Roberto Arruda;

3. O governador tucano José Serra também reuniu prefeitos do interior de São Paulo. Para Sérgio Guerra, presidente do PSDB, a comparação é despropositada.

Toffoli é experimentado em querelas eleitorais. Antes de virar advogado-geral da União, prestou serviços ao PT.

Sua atuação nesse caso, aliás, suscita uma interrogação: não seria mais razoável que a defesa de Lula e Dilma fosse custeada pelo PT?

As responsabilidades do advogado-geral são definidas na Lei Complementar de número 73, de 1993. Reza o seguinte:

Art. 4º - São atribuições do Advogado-Geral da União:
I - dirigir a Advocacia-Geral da União, superintender e coordenar suas atividades e orientar-lhe a atuação;
II - despachar com o Presidente da República;
III - representar a União junto ao Supremo Tribunal Federal;
IV - defender, nas ações diretas de inconstitucionalidade, a norma legal ou ato normativo, objeto de impugnação;
V - apresentar as informações a serem prestadas pelo Presidente da República, relativas a medidas impugnadoras de ato ou omissão presidencial;
VI - desistir, transigir, acordar e firmar compromisso nas ações de interesse da União, nos termos da legislação vigente; (Ver Lei 9.469, 10/07/97)
VII - assessorar o Presidente da República em assuntos de natureza jurídica, elaborando pareceres e estudos ou propondo normas, medidas e diretrizes;
VIII - assistir o Presidente da República no controle interno da legalidade dos atos da Administração;
IX - sugerir ao Presidente da República medidas de caráter jurídico reclamadas pelo interesse público;
X - fixar a interpretação da Constituição, das leis, dos tratados e demais atos normativos, a ser uniformemente seguida pelos órgãos e entidades da Administração Federal;
XI - unificar a jurisprudência administrativa, garantir a correta aplicação das leis, prevenir e dirimir as controvérsias entre os órgãos jurídicos da Administração Federal;
XII - editar enunciados de súmula administrativa, resultantes de jurisprudência iterativa dos Tribunais;
XIII - exercer orientação normativa e supervisão técnica quanto aos órgãos jurídicos das entidades a que alude o Capítulo IX do Título II desta Lei Complementar; XIV - baixar o Regimento Interno da Advocacia-Geral da União;
XV - proferir decisão nas sindicâncias e nos processos administrativos disciplinares promovidos pela Corregedoria-Geral e aplicar penalidades, salvo a de demissão;
XVI - homologar os concursos públicos de ingresso nas Carreiras da Advocacia-Geral da União;
XVII - promover a lotação e a distribuição dos Membros e servidores, no âmbito da Advocacia-Geral da União;
XVIII - editar e praticar os atos normativos ou não, inerentes a suas atribuições; XIX - propor, ao Presidente da República, as alterações a esta Lei Complementar; § 1º - O Advogado-Geral da União pode representá-la junto a qualquer juízo ou Tribunal. § 2º - O Advogado-Geral da União pode avocar quaisquer matérias jurídicas de interesse desta, inclusive no que concerne a sua representação extrajudicial.
§ 3º - É permitida a delegação das atribuições previstas no inciso VI ao Procurador-Geral da União, bem como a daquelas objeto do inciso XVII deste artigo, relativamente a servidores.

E Lobão ainda é ministro

Estadão

Fossem outros os tempos e os homens, o senador Edison Lobão (PMDB) teria se demitido do cargo de ministro de Minas e Energia no instante mesmo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desautorizou expressamente manobra - que, segundo informou o presidente de Furnas, Carlos Nadalutti, era orientada pelo ministro - para destituir o presidente e o diretor-financeiro da Fundação Real Grandeza, o fundo de pensão dos funcionários de Furnas e da Eletronuclear. Ao tomar conhecimento de que os funcionários das estatais organizavam protesto contra a destituição dos dois diretores do Real Grandeza e tinham o apoio de seus sindicatos, o presidente Lula convocou o ministro a seu gabinete e cobrou explicações, que obviamente não considerou satisfatórias e convincentes - tanto assim que mandou avisar aos funcionários e líderes sindicais que a programada reunião do conselho deliberativo da fundação não seria realizada. De fato, houve a reunião, mas os conselheiros se recusaram a deliberar sobre a destituição dos dois diretores.

Antes de ir ao Palácio do Planalto, o ministro Lobão, em entrevista ao jornal O Globo, afirmou que os diretores do fundo haviam alterado os estatutos para ampliar seus mandatos por um ano e concluiu com acusações para lá de pesadas: "Isso é uma bandidagem completa! (...) Esse pessoal está revoltado porque não quer perder a boca. O que eles querem é fazer uma grande safadeza."Após a reunião com o presidente Lula, desautorizado, mas ainda ministro, Edison Lobão explicou aos jornalistas que a decisão de adiar a mudança da diretoria do fundo foi tomada para que pudessem ser examinadas com tranquilidade as "alegações" dos funcionários e da diretoria de Furnas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva interveio tarde nesse escabroso caso, mas isso se entende. Afinal, o problema só existe porque Lula loteou os cargos da administração federal entre os partidos de sua base de apoio. É bem verdade que o presidente relutou em entregar Furnas ao PMDB. Cedeu depois que o deputado Eduardo Cunha condicionou a publicação de seu relatório contrário à extinção da CPMF (o imposto do cheque) à nomeação do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde para a presidência da estatal.

Mas setores do PMDB nunca se conformaram em não ter recebido também a Fundação Real Grandeza, um fundo de pensão com mais de 12 mil filiados, que administra um patrimônio de R$ 6,3 bilhões. De meados de 2007 até a última quinta-feira, os esquemas fluminenses do partido fizeram três tentativas de destituir conselheiros e diretores para substituí-los por "gente de confiança". Fracassaram, no entanto, diante da decidida reação dos funcionários de Furnas e da Eletronuclear.

Os funcionários têm sobejas razões para defender seu patrimônio de interferências políticas espúrias. A Associação dos Funcionários de Furnas, por exemplo, convocou manifestações "contra atos inescrupulosos que ameaçam o patrimônio da fundação em nome de interesses políticos para a campanha eleitoral de 2010". Excesso de zelo? Pode ser. Mas o fato é que, em 2005, a CPI dos Correios encontrou provas de que a Fundação Real Grandeza foi usada para abastecer o caixa 2 que financiava o esquema do mensalão. Os efeitos desse esquema foram devastadores para o fundo de pensão dos funcionários. Seus dirigentes foram afastados pela Secretaria de Previdência Complementar, mas o fundo encerrou o exercício com um déficit de mais de R$ 50 milhões. De lá para cá, a administração do fundo, apoiada pelos funcionários, saneou as contas, mudou o perfil dos investimentos, que se tornaram mais conservadores, e, no ano passado, houve um resultado positivo de R$ 1,2 bilhão.

O ministro Edison Lobão obteve do presidente Lula, como prêmio de consolação, autorização para que a Controladoria-Geral da União faça uma auditoria nas contas da Fundação Real Grandeza. Tudo indica que a atual diretoria sairá com um atestado de boa conduta. Afinal, a última fiscalização feita pela Secretaria de Previdência Complementar constatou que no biênio 2007/2008 houve melhora na gestão do fundo de pensão.

Melhor seria auditar o comportamento da ala do PMDB que quer controlar os R$ 6,3 bilhões do fundo. Mas sobre essa gente o senador Jarbas Vasconcelos já deu seu veredicto, na já famosa entrevista à Veja.

E a saúde de Lula? Vai muito mal...

Jorge Serrão, Alerta Total

Os empreiteiros, generosos financiadores de campanhas eleitorais, estão rindo de cofrinho a cofrinho. Lula da Silva avisou ontem, pela terceira vez, que seu governo programa para anunciar uma nova data para o programa de incentivo à habitação popular. O chefão promete lançar, daqui a 15 ou 20 dias, o pacotão para construir 1 milhão de casas em dois anos. Lula garante que tem dinheiro para a empreitada.

Enquanto Lula faz mais uma promessa – no que promete ser uma grande estratégia para a pré-campanha presidencial (oferecer casa para todos) -, seu desgoverno tenta esconder – com ajuda da mídia amestrada por patrocínios de estatais – um verdadeiro descalabro na área de saúde. Não se sabe por que motivo o SUS (Sistema único de Saúde, criado e gerido no melhor estilo soviético) não repassa verbas para pagamento de profissionais de saúde em grandes centros e, principalmente, no Nordeste.

Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e tantos outros profissionais que já estão há quase dois meses sem receber em hospitais conveniados ao sistema do governo ficaram indignados com a imagem do Presidente da República, em plena Passarela do Samba do Rio de Janeiro, jogando camisinhas para o povo. Simbolicamente, os sem-salário entenderam: Lula quer nosfu...

A bomba da saúde está prestes a estourar... O triste é que a irresponsabilidade do desgoverno, que segura verbas da saúde inexplicavelmente, pode custar a vida de muitos brasileiros – inclusive de uma grande maioria dos 84% que garantem a popularidade de Lula. Será que o dinheiro da saúde foi aplicado em alguma operação financeira estranha e “tomou doril”?

Enquanto a crise é real no desgoverno, Lula prossegue em sua marketagem para a platéia – inclusive a internacional, com vistas à reunião dos chefes de Estado do G-20, em Londres – sede operacional da Oligarquia Financeira Transnacional que controla o mundo globalitário. Ontem, Lula soltou a pérola: "Esse país tão humilde e tão achincalhado, quando sentar na mesa do G20, certamente será um dos países que terá mais autoridade moral para falar como se cuida de um País".

Lula, se mostrarem o que está acontecendo na saúde, a saúde da sua imagem vai contrair uma grave doença... E o remédio, depois, pode ser amargo... Quem morrer não verá!