sábado, agosto 18, 2007

Nossos narizes são de palhaço. E o de Lula?

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Cerca de 5.000 pessoas participaram nesta sexta de uma manifestação organizada pelo Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o "Cansei", segundo estimativa da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo. O evento, realizado na praça da Sé, em São Paulo, contou com a presença de artistas e faixas contra o governo Lula.

O movimento realizou um ato em homenagem às vítimas do acidente da TAM, que completa um mês nesta sexta-feira, denominado "Ato Cívico e Culto Ecumênico Inter-Religioso". Segundo o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, outras manifestações foram feitas pelo Brasil nesta data.

A entidade está elaborando uma proposta de lei pedindo aumento da indenização obrigatória a ser paga pelas companhias aéreas em caso de acidentes aéreos. No entanto, D’Urso afirmou que não há previsão de quando ela será encaminhada para as comissões da Câmara e do Senado que investigam o caso.

Seja a turma da Grande Vaia, seja a turma do Cansei, seja a turma do Luto Brasil,o grande fato que aquele setor da sociedade que sustenta a manada de vagabundos no poder, Lula e seus amestrados e toda a corja de gigolôs da nação, estão dizendo basta para estes pilantras, a não esquecer dos jornalistas com estrelas vermelhas no peito. O basta é para a expropriação, para mentira, para o cinismo, para o roubo escancarado diante de um judiciário leniente, para a corrupção dos agentes públicos que privatizam em seu nome o patrimônio do povo. Pouco importa quem sejam, ou quantos são. Relevante é serem muitos e serem resistentes e serem contrários à podridão moral que Lula instalou no país.

E de nada valerá os amestrados “jornalistas” amantes da estrela vermelha continuarem a sacanear e ignorar os movimentos de protestos. O grande fato é que os protestos vão prosseguir, as vaias não serão caladas e a insurreição está reacendendo o país para chutar o rabo dos vigaristas lá instalados. Que se leve, dois, quatro ou dez anos. Isto é de menor importância, o que conta é que o país ainda tem alma, tem inteligência, tem sangue que ferve de indignação contra Lula e sua quadrilha de capangas. E leve o tempo que levar, esta resistência vai servir para derruba-lo e leva-lo de volta ao esgoto de onde saiu. O Brasil ainda vive, graças a Deus. Que bom que Lula não gosta de ser vaiado !!! Arrelia neles, pessoal !!!

Vou mais longe: a tendência da indignação nacional é crescer cada vez mais. Não fosse isto, e por certo nem Lula nem seus domesticados jornalistas esquerdopatas estariam tão empenhados na desqualificação dos movimentos. Eles sabem muito bem a força que esta turma tem e por uma razão específica: não se trata não da elite econômica, porque está sossegada com seu bolsa BNDES. Até porque esta elite merreca dos muitos ricos não tem o sangue fervente da indignação, porque, de um lado ou de outro, eles sempre exploraram a nação, sempre se acumpliciaram com o poder, e continuam escravizando o país. Não, definitivamente, eles não tem a alma dos protestos, até porque lhes falta motivação. A turma que está saindo às ruas é a turma que tem a competência, a inteligência e a força necessária para mudar a história. Lula desfez o quanto pode da classe média, e este terá sido seu maior erro estratégico. Achou que poderia sufoca-la economicamente para, deste modo, subjuga-la, colocá-la de joelhos para dela continuar se servindo inescrupulosamente do modo como tem feito com os beneficiados do Bolsa Família. E isto se deriva de sua ignorância: qualquer indivíduo com mediana formação cultural, repele com extrema repulsa as ideologias imbecilizantes das esquerdas. Porque para as esquerdas vingarem seu ideário é fundamental que as massas sejam oprimidas no seu direito de pensar e julgar, seu direito à informação deve ser restrito à informação que o partido vende, sempre a maneira sórdida da mentira, da empulhação.
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Não, ninguém aqui me verá fazer a mínima defesa que seja das esquerdas. Vomito em cima de qualquer canalha que acha que é possível subjugar o pensamento. O pensamento deve voar livre e soberano. Isto representa civilidade, modernismo, evolução. Definitivamente, este nunca será o caso das esquerdas. Esta gente adora a escuridão do pensamento, das liberdades contidas, da informação cerceada e manipulada. Para estes cretinos, quanto maior o caos e o atraso, melhor se processam as condições básicas para justificarem suas existências.

Dê ao povo educação decente, a informação correta, e oportunidades de serem livres. A primeira coisa que eles farão é mandarem os esquerdistas para o inferno, de onde estes demônios não deveriam ter saído.

Assim, devemos exultar estes movimentos de resistência. No seio deles, acreditem, encontraremos os fios condutores das grandes mudanças e revoluções que o mundo sofreu, Brasil inclusive. Não são os pobres nem os ricos, são sim os “pequenos burgueses” que chutam os baldes dos sistemas ultrapassados, cujo prazo de validade já se esgotou de muito, e provocam as mudanças que fazem a humanidade ir em frente, aperfeiçoar-se, evoluir. Esta rebeldia que neles vivifica é que a faz a história acontecer. E, apesar de seu analfabetismo, Lula tem a sensibilidade política suficiente para saber-se diante do que está colocado no coração e no pensamente dos “pequenos burgueses brasileiros”, e daí temer movimentos como Cansei, Grande Vaia, Luto Brasil e outros que ainda acabarão surgindo. Ele sabe que só chegou ao poder conduzido pelos que agora ele tenta desqualificar. Está em curso a retomada do Brasil de sua verdadeira história. Nosso destino não é sermos tomados pela maré vermelha da barbárie. E aqui, não importa o tempo em que esta retomada se completará. O certo, é que ela teve seu início e, cedo ou tarde, faça o que fizer, Lula não a deterá. Ainda bem !

Na verdade, se nossos narizes são os de palhaço pela forma canalha como somos tratados por Lula e seus capangas cretinos, quanto a ele, envolto na mistificação, demagogia e mentira ordinárias e vagabundas, qual nariz melhor lhe assenta ?

'The Economist': Brasil tem nova classe média

BBC Brasil

O Brasil tem uma nova classe média, surgida quase da noite para o dia, segundo uma reportagem publicada na edição desta semana da revista britânica The Economist.

Essa fatia da população teria se beneficiado da estabilidade e do crescimento econômico no país e também em boa parte da América Latina.

"Tendo deixado a pobreza para trás, a sua incipiente prosperidade está conduzindo o rápido crescimento de um mercado de consumo de massa numa região há muito tempo notória pelo duro contraste entre uma reduzida elite privilegiada e uma maioria pobre. Seu advento promete transformar a política da região", diz a revista.

A Economist frisa que enquanto é possível medir a pobreza, o termo "classe média" já é mais subjetivo, e esclarece que a reportagem está se referindo àquelas pessoas que poderiam ser descritas como de classe média baixa. Muitas têm pequenos negócios ou trabalham no mercado de serviços.

Consumo
Segundo a reportagem, entre 2000 e 2005, o número de famílias com renda anual entre R$ 12 mil e R$ 45 mil cresceu em 50% no Brasil, enquanto o grupo ganhando menos de R$ 6 mil anuais diminuiu dramaticamente.

Outra evidência da chamada "nova classe média" citada pela revista é o nível recorde da venda de carros novos, computadores e eletrônicos no país.

Além disso, de acordo com a Economist, "os sinais de progresso estão em toda parte. Novos prédios de apartamentos, do tipo comum nas partes mais chiques de São Paulo, agora sobressaem por entre as casas do que ainda lembra as favelas".

Editorial
Em editorial na mesma edição, a revista diz que apesar das notícias sobre "revoluções" populistas ou "socialismo do século 21" na América Latina, a situação em muitos países da região está, na realidade, melhor hoje do que em qualquer outro momento desde a metade dos anos 70.

"O ponto importante é que o caminho tomado pela maioria dos países latino-americanos - o da democracia e das economias de mercado - está finalmente rendendo frutos", diz o editorial.

Segundo a Economist, as mudanças ainda são frágeis, "mas as lições para os governos são claras. Para impulsionar a nova classe média, é crucial manter a inflação baixa. Assim como melhorar a educação de baixa qualidade oferecida pelas escolas e universidades da região".

Melhorar a infra-estrutura de transportes e retirar o excesso de proteção no mercado também são medidas necessárias, segundo a revista. Assim, "as democracias latino-americanas poderiam virar uma esquina importante, na qual desigualdade, pobreza e populismo dariam lugar a prósperas democracias de classe média onde a maior parte tem interesse na estabilidade
".


*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Reparem que aquilo que poderia alimentar ainda mais o ego do atual governo, se olhado e analisado em profundidade, é, na verdade uma dura crítica não propriamente ao desempenho final, mas as ideologias que defendem e que se alimentam quando pensam em Brasil de futuro.

Primeiro, que a situação atual de inflação baixa e estabilidade econômica, como bem a revista britânica é uma conquista que começa a dar bons sinais. Demorou mas chegou. Mas qual o marco desta conquista ? O Plano Real, programa duramente criticado e combatido por Lula e o PT, e, ironia, do qual ele agora se beneficia. Mas não apenas isso: as reformas estruturantes promovidas no Estado brasileiro no período de 1995 a 2001 foram fundamentais para sedimentar esta estabilidade. Dizer que Lula teve méritos em não mexer nestes pilares é uma parte da verdade, porque i que aconteceu ele não teve foi competência para virar o país de cabeça para baixo como desejaria.

Segundo, estes resultados poderiam ser muito melhores tivesse sim dado seqüência as reformas que ficaram para trás, e que os petistas impediram que se consumassem. E quando foram tentar fazer, fizeram pior do que os projetos originais apresentados ainda no período anterior. Tanto assim que os demais emergente, nestes últimos cinco anos, disparam em crescimento e produção de riquezas, e nós ficamos remoendo uma lanterna vergonhosa.

Terceiro, a revista diz claramente que estas conquistas demonstram que a democracia e as economias de mercado são o caminho das pedras. E neste ponto, sabemos que o pensamento de Lula e dos petistas, se opõe literalmente contrários. Ou seja, apesar deles e de suas contrariedades, o Brasil avança pelos caminhos opostos ao que eles desejariam.

Quarto, a revista ainda aponta as prioridades que o país precisa atender para o Brasil tornar-se uma nação mais relevante no planeta: melhorar a educação de baixa qualidade oferecida pelas escolas e universidades, além de melhorar a infra-estrutura de transportes e retirar o excesso de proteção no mercado. Ou seja, tudo aquilo que já sabemos há muito tempo, e que insistimos em seguir na contramão. Na educação por exemplo, não basta rechear o orçamento de verbas se os currículos e melhor capacitação dos profissionais de educação não se consumar, como ainda resta investir maciçamente na qualidade dos prédios caindo aos pedaços. E na infra-estrutura,bem Lula já está aí há mais de quatro anos, e no quesito continuamos empacado por um governo que insiste em agigantar o tamanho do Estado já perdulário e paquidérmico por demais, e pensa mal da iniciativa privada, sem lhe oferecer regras seguras para investimentos que sem esta segurança de regras não vai arriscar-se de jeito nenhum.

Conclusão: depende de nós unicamente darmos passos corajosos para tirarmos o país do atraso secular. Fosse menos broncos, os governantes atuais veriam que a estabilidade atual do qual se gabam e se ufanam, muito embora não seja obra, só foi conseguida a partir do momento em que o Estado foi arejado e se tornou mais responsável. Não se deixassem contaminar pelo ranço ideológico, poderiam em cima do muito que já se conseguiu a partir de 1995, e na maré em que a economia mundial surfou desde 2002 ter encaminhado o Brasil para um ciclo virtuoso de crescimento. Pena que a maré tenha chegado ao final sem que tenhamos aproveitado a oportunidade.

As hienas fundamentalistas

por Marcelo Scotton, site Diego Casagrande

Ninguém agüenta ver televisão comigo. Além de reclamar o tempo todo de tudo que passa, volta e meia paro em canais que ninguém gosta de assistir. Na TV aberta, gosto dos programas de fundamentalismo religioso. São divertidos. Na TV a cabo, fico assistindo o dia a dia das hienas, que ora estão comendo restos de animais e ora estão sendo afugentadas por leões na savana africana. Na terceira categoria, que alcunho de TV Pública, sempre dou uma espiada na Radiobrás, canal 2 da minha TV, onde o único conteúdo da programação parece ser os discursos políticos do governo nordeste afora.

Enquanto o governo parece trabalhar sua campanha para 2010 no nordeste do país, os problemas pipocam cá embaixo no sudeste, onde concentram-se a maior parte da população e do PIB do país. Para a nossa sorte, os problemas catastróficos - como o do caos aéreo - não foram muitos nos últimos anos. A única coisa de mais grave que aconteceu mesmo foi fecundada dentro do próprio governo, que foram os adormecidos, mas numerosos escândalos de corrupção que o povo acabou perdoando e esquecendo.

Se somos hoje incapazes de resolver um problema na aviação brasileira que começou há 10 meses, após o acidente com o avião da Gol, o que dizer se tivéssemos algo como a crise Argentina, dos Tigres Asiáticos, do apagão energético e o 11 de setembro pelo caminho, além de uma recessão econômica mundial? Ainda bem que “se” não existe.

Outro passo que demos para trás, obviamente foi no quesito privatizações. A doença ufanista do “Petróleo é nosso”, do “Banco é nosso”, da “Previdência é nossa”, nos custa muito caro. Se estes aeroportos tivessem sido privatizados, certamente teríamos pistas, controle de tráfego aéreo e toda infra-estrutura necessária para o bom funcionamento dos aeroportos em melhor nível do que o que aí está. Governo tem que legislar, e não cuidar de aeroporto, gerir aposentadoria ou fabricar aço. Como dificilmente veremos privatizações neste governo, teremos que agüentar por mais alguns anos um emaranhado de políticos e militantes partidários ocupando cargos de técnicos em setores estratégicos. Veremos estatais financiarem Pan-Americano, Revista Carta Capital, MST, Flamengo, e outras instituições que não interessam à população financiar.Apesar de tantas evidências, a maioria da população é incapaz de reagir frente à inépcia administrativa a que estamos sujeitos. As vaias de hoje são os votos de ontem. A cultura paternalista do estado venceu a lógica do mercado. Defendem um partido e uma bandeira cegamente, como nos programas fundamentalistas religiosos que assisto na TV aberta.

E falando em TV, essa subserviência sem questionamento e sem oposição, me faz lembrar bastante das hienas, estrelas da outra atração que gosto de assistir, no canal National Geographic: elas vivem comendo restos e sendo humilhadas pelos leões, mas continuam rindo a toa.

PF conclui que ‘compradores’ de Renan são ‘laranjas’

Blog do Josias de Souza,
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Os peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Federal constataram que os supostos compradores de carne das fazendas de Renan Calheiros integram uma rede de "laranjas" que inclui empresas inativas e pessoas físicas que, sem renda, apresentaram declaração de "isentos" à Receita Federal em 2006. As conclusões da PF foram reforçadas por um relatório da Coordenadoria de Inteligência Fiscal da Secretaria de Fazenda de Alagoas.

O documento que serve de base para a perícia da PF traz o selo de "reservado". O blog teve acesso ao texto. É datado de 29 de julho de 2007. Impedidos de realizar diligências sem a autorização do STF, os peritos da PF requisitaram, por meio do Conselho de Ética do Senado, informações ao governo de Alagoas. Daí a elaboração do relatório. Os agentes da inteligência do fisco alagoano viraram do avesso as empresas e pessoas físicas apresentadas na defesa de Renan como "compradores" de carne. Segundo a versão do senador, foram esses "compradores" que lhe asseguraram um faturamento de R$ 1,9 milhão entre 2003 e 2006.

Eis a conclusão a que chegaram os fiscais: "Bem demonstrado ficou que as empresas, que seriam responsáveis pelo cumprimento da obrigação tributária, transferem dolosamente a condição de sujeito passivo a pessoas jurídicas outras, cujos responsáveis são laranjas que, pela sua condição de vulnerabilidade sócio-econômica, estão fora do alcance do fisco estadual. Diante dos fatos, fica evidenciado o esquema fraudulento, organizado com a finalidade de se eximir do pagamento de ICMS relativo às operações com abate de gado."

Os logotipos de fancaria e as pessoas físicas de baixa renda com as quais Renan diz ter comercializado carne são apresentados no relatório enviado à PF como satélites do Mafrial Matadouro Frigorífico de Alagoas S/A. Há pouco mais de um mês, depois da divulgação das primeiras notícias apontando a precariedade de seus "compradores" de gado, Renan declarou que vendera carne ao Mafrial. E Responsabilizou o frigorífico pelo eventual uso de "laranjas".Não há na defesa do presidente do Senado uma única nota fiscal ou recibo do Mafrial. A despeito disso, a PF requisitou ao governo de Alagoas informações sobre o frigorífico. Descobriu-se o seguinte: não existem nos registros eletrônicos da Secretaria de Fazenda de Alagoas vestígios de que o Mafrial tenha comprado carne de gado. Nem de Renan nem de ninguém.

Informações registradas no fisco de Alagoas pelos fornecedores do frigorífico indicam que, entre janeiro de 2003 e junho de 2007, período coberto pela defesa de Renan, o Mafrial adquiriu mercadorias no valor de R$ 1.350.511,87 de fornecedores estabelecidos em Alagoas e R$ 578.168,20 de firmas sediadas em outros Estados. Todos os fornecedores do frigorífico operam em ramos que nada têm a ver com o comércio de carne.

"Nenhum fornecedor de gado de corte declarou ter efetuado vendas ao Mafrial", anota o relatório da inteligência fiscal de Alagoas. Há mais: no mesmo período –janeiro de 2003 a junho de 2007—, o frigorífico informou à Fazenda alagoana um movimento de saída de R$ 578.168,20. Venda de carne? Não propriamente. As saídas representam "quase em sua totalidade devolução de mercadorias ou subprodutos da matança do gado, utilizados para a fabricação de produtos de limpeza e ração para animais", informa o documento sigiloso enviado à PF.

Diante do inimaginável, Renan Calheiros ainda poderá alegar que transacionou com empresas e pessoas físicas sem saber que integravam um "esquema fraudulento". Caberá aos membros do Conselho de Ética decidir se é crível que , durante quatro anos, o presidente do Senado da República possa ter transacionado com a fraude suspeitar que ela existisse.

A voracidade fiscal do governo

Editorial do Estado de S. Paulo
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Analisando a conjuntura econômica atual, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que "nossa situação fiscal até melhorou", sem especificar que, enquanto o PIB crescia 9,83% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2006, a arrecadação federal apresentava crescimento de 14,40% (excluindo a receita previdenciária, que cresceu 14,97%). De modo que grande parte da melhoria fiscal se deveu ao aumento da carga tributária.

Isso permitiu ao governo aumentar seus gastos correntes e não os de investimentos. Mas o ministro não parece ter consciência dos inconvenientes desse desvio nem tampouco da precariedade dessas receitas no novo quadro criado pela turbulência internacional.

Ao analisar o crescimento da arrecadação federal, quais foram os impostos ou contribuições que subiram acima da média de 14,40%? A maior participação nas receitas é do Imposto de Renda (37,9%), cuja receita aumentou 14,96% - e a receita do Imposto de Renda retido na fonte sobre os rendimentos do trabalho cresceu 15,79%. Se houver redução da atividade econômica, nada permite pensar que o nível de emprego continuará crescendo, assim como a remuneração do trabalho. O mesmo pode ser dito sobre o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, cuja arrecadação cresceu 17,52%.

Diretamente vinculada ao crescimento dos negócios, a CPMF, que tem peso de 8,65% no total de receitas, apresentou crescimento de 14,81% no semestre e, como noticiamos ontem, mesmo que fosse extinta, ainda assim a receita total, em valor constante, teria um crescimento de 2,4%, o que mostra a fraqueza do argumento do governo de que não pode aceitar uma redução da alíquota dessa contribuição, prorrogada pela Câmara até 2011, que assim bloqueou o uso dessa tributação como instrumento anticíclico para enfrentar uma crise de crescimento.Os impostos vinculados à importação (incluindo o IPI sobre produtos importados) cresceram 22,8% numa fase de importações favorecidas pela taxa cambial, que, agora, muda de sinal com a desvalorização do real.

O governo fala em propor uma reforma tributária em setembro. Sabe-se, todavia, que ela não inclui uma redução da carga tributária, mas apenas uma simplificação do sistema tributário, que até num primeiro momento poderá acarretar novo aumento da carga - causa principal do ritmo de crescimento menor que de outros países emergentes.

TOQUEDEPRIMA...

***** Famílias pagarão R$ 626 de CPMF neste ano

De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, cada família brasileira terá de gastar R$ 626,41 neste ano apenas para o pagamento da CPMF (Contribuição Provisória de Movimentação Financeira). O valor representa aumento de R$ 61,90 em relação aos R$ 564,51 pagos no ano passado. Por cidadão, serão R$ 187,95 em 2007.

Os motivos que justificariam esse aumento de 11% seriam maior atividade econômica, mais pessoas trabalhando e, conseqüentemente, maior consumo. Os dados constam de estudo divulgado pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário) mostrando o histórico do tributo desde sua criação, em 1993, até hoje.

Para 2007, o IBTE prevê que a receita com o imposto chegue a R$ 35,5 bilhões, ou 1,4% do PIB (Produto Interno Bruto). O valor representa um aumento de 10,7% em relação aos R$ 32,079 bilhões arrecadados pela Receita Federal no ano passado.

***** CGU fará "levantamento total" na Infraero, diz Jobim

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta sexta-feira que a CGU (Controladoria-Geral da União) fará um "levantamento total" dentro da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária). Ele disse que o ministro da CGU, Jorge Hage, designará um técnico para acompanhar os trabalhos da estatal. Jobim também declarou que as obras na pista principal do aeroporto de Guarulhos, na grande São Paulo, que devem começar na próxima semana, não irão causar problemas. Segundo ele, o momento é de baixa temporada. Um mês após o acidente com o vôo 3054 da TAM em Congonhas, o ministro afirmou que já houve melhoras no setor aéreo. No entanto, ele reconheceu que elas não foram percebidas pela população. "Essa percepção da segurança não coincide ainda com a segurança que estamos obtendo. Estamos trabalhando para afirmar a segurança e também para melhorar a percepção da segurança", afirmou Jobim.

*** COMENTANDO A NOTICIA: Que o ministro Jobim não esqueça de recomendar a CGU a averiguação dos relatórios do TCU, principalmente os que abrangem o período de Carlos Wilson, porque há um imenso rosário de ações pouco recomendáveis para um agente público, em destaque as obras dos aeroportos em que além do superfaturamento, houve favorecimento aos amigos e familiares.

***** Governo e CDES não chegam a acordo sobre CPMF

A reunião do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) com membros do governo, realizada nesta sexta-feira em São Paulo, não chegou a definições sobre a CPMF, desoneração da folha de pagamento e limite da carga tributária. "Não conseguimos bater o martelo em relação a estes três pontos, mas devemos chegar a um acordo nas próximas reuniões", disse o ex-governador do Rio Grande do Sul e membro do conselho, Germano Rigotto.

Segundo ele, o governo pretende encaminhar o projeto de reforma tributária ao Congresso até setembro. O CDES quer que seja estabelecido um limite para a carga tributária nos próximos anos e que a alíquota da CPMF seja apenas um instrumento de fiscalização. Posições que contrariam os interesses do governo. "A CPMF não pode ser revalidada como um tributo permanente. Ele pode continuar, mas apenas como instrumento de fiscalização", defendeu Rigotto.

O ex-governador ainda cobrou do governo o fato de a desoneração da folha de pagamento não estar entre as medidas apresentadas pelo governo. "Isso não está no programa e deveria estar", argumentou. Rigotto disse temer novo adiamento da reforma tributária. "Meu medo é de que a reforma tributária seja jogada de novo para escanteio", afirmou.

***** Empresário diz a Tuma que Calheiros participou de negociações secretas

O empresário Luiz Carlos Barreto informou ao corregedor do Senado, senador Romeu Tuma (DEM), que o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), teve participação em uma negociação secreta para a compra de duas rádios e um jornal. Calheiros teria uma sociedade secreta com usineiro e ex-deputado federal João Lyra, conforme denúncia da revista Veja.

"O empresário confirmou a presença de Renan na intermediação do negócio, mas não apresentou prova de participação do senador alagoano na suposta sociedade secreta", destacou o corregedor.

Tuma afirmou que Barreto não soube repassar mais detalhes sobre a venda, pois não teria participado ativamente das negociações. "O Luiz Carlos disse que quem estava a frente das negociações era seu sócio, Nazário Pimentel, que deverá ser ouvido em Sergipe, onde reside", destacou. O corregedor do Senado ainda pretende o empresário Tito Uchoa, que é primo e assessor de Renan. Uchoa é acusado de ser "laranja" de Renan na sociedade secreta.

***** Senador denuncia manobra petista para terceiro mandato de Lula

O senador Efraim Morais (DEM-PB) alertou para articulação visando perpetuar o presidente Lula no poder. De acordo com Efraim, o PT avisou que deverá constar nas resoluções de seu 3º Congresso, a ser realizado no final deste mês, a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva, para funcionar paralelamente ao Congresso e sem vínculo com partidos políticos."A suspeita geral, e até que me provem o contrário dela compartilho, é de que a tal Constituinte exclusiva é um expediente para a implantação, entre nós, de um projeto político de índole chavista", disse o senador.

*** COMENTANDO A NOTICIA: Nenhum novidade ou surpresa: Lula assumiu o primeiro mandato sempre pensando no terceiro. Aliás, recomendamos a leitura do artigo “Propaganda subliminar”, do Rodrigo Constantino, nesta edição.

São muitos os sinais que apontam nesta direção, e aqui já publicamos inúmeros artigos com precisas análises de que há sim um movimento muito forte de Lula e seus amestrados para a tentativa de um terceiro mandato. E mesmo que Lula negue na aparência que o deseja, no fundo ele alimenta esta ambição.

***** Tucano promete unir bancada para derrubar CPMF

Durante discurso proferido em plenário, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) prometeu mobilizar toda a bancada de sua sigla e fechar questão para a derrubada da CPMF (Contribuição Provisória de Movimentação Financeira).

"Sou favorável ao fim da CPMF. O que nós precisamos é de uma reforma tributária que coloque o País no eixo do desenvolvimento com distribuição de renda e justiça social", declarou o tucano.
Álvaro Dias, Tasso Jereissati (PSDB-CE) e políticos do Democratas vão tentar impedir a prorrogação até 2011, conforme pede o projeto do governo considerado constitucional nesta pela semana pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Uma comissão especial do Congresso Nacional deve apreciar a proposta na terça-feira.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Espero que Álvaro Dias consiga realmente seu intento. Mas é bom contar com os traíras existentes dentro de seu partido: aliás, o PSDB já começa a irritar com sua frouxidão como principal partido de oposição. Será que este pessoal desaprendeu de fazer política, ou fomos nós que nos iludimos ? Está passando da hora da turma do PSDB dizer a que veio e se assumirá mesmo a bandeira de oposição, porque até aqui foi uma negação.

O Eterno Palanque

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, Blog Noblat

O Presidente Lula da Silva precisa descer do palanque, e rápido. Não sei se é por falta de escadas ou se há algum problema de locomoção, mas o dado concreto é que Sua Excelência está no palanque desde meados de 2002! É talvez um recorde histórico.

Ontem, 16 de agosto de 2007, o mundo acordou assustado com a queda das bolsas, com o tumulto nos mercados financeiros. Mal sabíamos nós que o palanque ambulante nos preparava emoções igualmente fortes. Começou em Contagem, MG, quando, entusiasmado com as próprias palavras, o presidente deu vazão ao tremendo incômodo que sente diante de doutores: fez uma breve e pífia comparação entre o programa Bolsa-Família e o programa de bolsas de pós-graduação no exterior.

De Minas, veio para o estado do Rio e, em Campos dos Goytacazes, ao inaugurar uma escola técnica, ao lado do governador do Rio, Sergio Cabral Fº, o palanque tremeu... Parte da meninada ali presente resolveu exercer seu direito e manifestou-se a plenos pulmões. Vaia sonora. Forte. Sincera.

O primeiro a reagir foi o governador. E o que fez esse jovem senhor? Vaiou os estudantes! E mais: convocou a platéia a vaiar junto com ele o ‘pequeno grupo’, segundo ele, de ‘pequenos burgueses exercendo o mau humor de barriga cheia’. Claro está que as vaias recrudesceram. O dono do palanque, querendo demonstrar sua vasta sabedoria em relação aos descontentes, pega do microfone e alerta o governador para não se incomodar com as vaias. E disse mais: que os estudantes, além de não terem a menor consciência política, ainda usam narizes de palhaço, ou de ‘palácio’, conforme o desenrolar do discurso. Todos percebemos no que aquilo ia dar e deu: maiores e melhores vaias...

Ainda restava uma oportunidade para o palanque se manifestar. Aliás, a mais gloriosa fala do dia. Em Realengo, por ocasião da inauguração da ampliação de uma unidade do Colégio Pedro II, o presidente Lula, momentaneamente esquecido que governa este país há mais de quatro anos e meio, confessou o seguinte:

“Esse povo, por mais humilde que seja, por mais que more num lugar degradado do país, ele só vira bandido e uma menina só vira prostituta porque o Estado até agora não ofereceu outro caminho para os jovens seguirem. Depois fica mais caro cuidar de um delinqüente e de uma menina grávida precocemente”.

Ele disse isso. E, nessa festa, melhor organizada por Cabral e sua turma, não houve vaias, mas uma charanga, música, aplausos, tudo para agradar ao chefe. A falta de vaias foi lastimável, mas, pelo menos, não foi necessário outro mico do governador.

Aqui no blog houve quem sugerisse, como o meu amigo Coronel, que deveríamos trocar o nariz de palhaço por um de pinóquio, quando fossemos nos reunir em volta do palanque ou mesmo em reuniões sem palanque. Discordo. Acho esse nariz de palhaço perfeito: caracteriza o que somos, nós, o povo ‘destepaíz’. Palhaços. Com lindos narizes vermelhos e livres para pensar e dizer o que quisermos, dando cambalhotas, fazendo piruetas e distribuindo tapas de mentirinha, mas estalados.

Esses somos nós. Exagero? O presidente Lula lá em cima do palanque diz o que quer, agride e ofende nossa inteligência, nos desrespeita de mil maneiras. O nariz é para ele? Não, o nariz vermelho é para nós mesmos. Povo fora do banquete, onde só entram dois brinquedos: João Bobo e Soldadinho de Chumbo.

João Bobo para quem não se lembra, é aquele boneco engraçado que balança, balança, vai quase ao chão, mas volta a ficar em pé. Ninguém o derruba. É encontrado em todo o Brasil, mas é mais numeroso em Brasília. Já os Soldadinhos de Chumbo, uniforme vermelho (cuidado: tinta tóxica), esses têm um grito em uníssono, como convém a uma tropa de recrutas bem treinada: ‘É preconceito! Querem ganhar na vaia o que não ganharam nas urnas’.

Da minha parte, não quero desrespeitar as urnas. Mas também não cansei de dizer o que penso e de pensar o que vou dizer. Portanto não canso de pedir, onde quer que vá: Vaiar é Preciso! De nariz de palhaço, sem nariz de palhaço, de cara limpa ou pintada, Vaiar é Preciso! É mesmo fundamental, se quisermos continuar a nos considerar cidadãos.

Podemos nos cansar de muitas coisas, menos de vaiar. É nosso direito, inalienável.

Vaiar é Preciso!

Propaganda subliminar

Rodrigo Constantino, site Diego Casagrande
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No site do Banco do Brasil consta uma peça publicitária de arrepiar a espinha de qualquer um que ainda não perdeu o juízo. O pretexto é sobre a sustentabilidade do meio-ambiente, e a propaganda estimula a prática de três ações diárias pelo planeta. A mensagem diz: "O planeta é todo seu; tome 3 atitudes por ele todos os dias". Na foto há uma garota vestindo uma camisa com um enorme número 3 estampado em destaque.

Sustentabilidade e o número 3 na mesma mensagem: mera coincidência? Não é preciso ser adepto de teorias conspiratórias, tampouco ser algum especialista em neurolinguística, para associar essa propaganda da estatal com o desejo de boa parte dos petistas de emplacar um terceiro mandato presidencial para Lula. Conhecendo um pouco daquilo que essa turma é capaz, não desconfiar de uma propaganda subliminar em marcha seria pura ingenuidade.

Na Venezuela, o grande amigo de Lula caminha para uma mudança constitucional que irá lhe permitir reeleições indefinidas. Chávez declarou abertamente que esse é o caminho para o socialismo. Tudo na Venezuela é mais direto que no Brasil, pois as instituições lá são mais capengas. Mas todos sabem que lá ocorre aquilo que a maioria dos aliados mais próximos de Lula desejaria para cá. O autoritarismo e o desprezo pela democracia estão fortemente enraizados nesses que outrora lutavam para instaurar uma revolução socialista no país, que seria transformado em uma enorme Cuba caso tivessem sucesso. As eleições são pura farsa para esses socialistas. Só o poder importa!

Essa escandalosa propaganda através do Banco do Brasil apenas reforça a idéia de que governo não deve ser gestor de empresas, muito menos banqueiro. A esquerda, que adora condenar os banqueiros por nossos males, ignora que o maior banqueiro do país é o próprio governo. O uso de estatais como veículos políticos é algo antigo, que o PT de Lula apenas ampliou. A verdadeira solução é óbvia: privatizar essas empresas. Resta combinar com aqueles beneficiados pelo uso político delas à custa do povo. Que cão morde a mão que o alimenta?

*Publicado originalmente pelo Instituto Liberal

A sinfonia da impunidade

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

No tom de voz que identifica um Conselheiro Acácio dos grotões, o presidente Lula vive ensinando que não se deve julgar ninguém precipitadamente. Muita calma nessa hora, declama a mesma garganta que, nos tempos de puxador de samba-enredo do PT, dividia entre criminosos e suspeitos o mundo além do território companheiro. Toda condenação precisa amparar-se em provas e evidências contundentes, recita o governante incapaz de distinguir o som de uma sinfonia do ruído do maçarico arrombando o cofre na sala do lado.

Irretocavelmente afinados com o Executivo, tanto o Legislativo quanto o Judiciário não perdem chances de mostrar que sabem agir sem pressa. O Senado, por exemplo, tem esbanjado prudência desde 26 de maio, quando uma reportagem da revista Veja informou que o lobista de uma empreiteira andara cuidando de despesas pessoais de Renan Calheiros.

Ao estrondo dessa primeira trovoada sobreveio uma seqüência de raios tremendos. Mas os senadores ainda não decidiram, passados três meses, se o que desabou sobre Renan Calheiros é garoa ou tempestade. E continuam tratando como questão política um genuíno caso de polícia.

Nestes 90 dias, constatou-se que o terceiro homem na linha de sucessão presidencial mentiu descaradamente, fraudou documentos, favoreceu empresários em troca de patrocínio eleitoral, lesou a Receita Federal, negociou rebanhos imaginários, ganhou milhões com laranjais suspeitíssimos - fez o suficiente, enfim, para ser transferido, sem escalas, da presidência da Mesa para o banco dos réus. Para os investigadores amigos, é pouco.

Pelo andar da carruagem, Renan representará o Senado nos festejos do 7 de Setembro. A alma penada estará arrastando correntes no palanque de Lula, que há três meses mantém estendida a mão sempre ao alcance dos delinqüentes de estimação. Pais da pátria em perigo são muito solidários.

O parlamentar alagoano acredita que tão cedo não cairá do trapézio em que segue pendurado no Legislativo. E sabe que, se a queda vier, terá o amparo das redes costuradas pelo Supremo Tribunal Federal para impedir a chegada ao chão (e ao catre) da bandidagem vip. O deputado Paulo Maluf, por exemplo, ali se aloja há quase 30 anos. Nesta semana, para espanto do país, pareceu balançar perigosamente. Mas não caiu.

Na terça-feira, o STF confirmou uma sentença do Superior Tribunal de Justiça, emitida em 1997, que condena o veterano campeão a devolver aos cofres de São Paulo a quantia de U$ 250 mil. Seria esse o tamanho do prejuízo causado pela Paulipetro, empresa que o então governador do Estado inventou no fim dos anos 70. Para alguém habituado a mover-se no pântano dos milhões, isso é troco. Mas Maluf nunca foi de jogar dinheiro fora. E resolveu recorrer.

Os brasileiros descobriram só agora que a última instância do Judiciário nem sempre é a última instância do Judiciário. Há sempre um recurso a apresentar, eventualmente ao próprio STF. Há sempre um truque que adia a hora do castigo. Há sempre um drible que permite ao artista contornar a cadeia. A Paulipetro acabou, a ditadura acabou, a eleição indireta acabou. A impunidade continua. Maluf continua por aí. Renan continua na presidência do Senado. Pode até perder o cargo. Não perderá o direito de ir e vir. Tampouco a fortuna.

O Supremo sempre foi lento. De alguns anos para cá, parece cada vez mais misericordioso.

TOQUEDEPRIMA...

***** Relator do mensalão reclama de falta de estrutura no STF

O ministro do STF (Superior Tribunal Federal) Joaquim Barbosa afirmou que está "dormindo e acordando com o mensalão há meses" para preparar seu relatório sobre o caso. Ele criticou a falta de estrutura do tribunal para conduzir as ações penais.
Barbosa não revelou seu voto, porém deu sinais de que acolherá ao menos em parte a denúncia criminal, na qual o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, acusa 40 pessoas de atuar em organização criminosa que pagava mesada a parlamentares em troca de apoio ao governo Lula.

O ministro declarou que basta a existência de indícios contra os denunciados para a transformação do inquérito em processo, não sendo necessárias provas cabais, como ocorre no julgamento final. "É uma fase preliminar, só de indícios. Não se está condenando ninguém. Esse é o entendimento mais aceito para esta fase", afirmou.

Ele ainda disse que não levará em conta o risco da decisão do STF representar um julgamento político do governo Lula, em função de envolvimento de petistas. "Isso não interfere em nada. Sempre fui apolítico. Tenho um interesse distantemente intelectual pela política", reiterou Barbosa. De acordo com o ministro, o julgamento do mensalão será "mais intrincado" que o caso Collor, em que o tribunal abriu ação penal contra o ex-presidente, mas o absolveu no final por falta de provas.

Ele criticou o foro privilegiado. Enfatizou que tem "oposição frontal" a esse privilégio e afirmou que o tribunal não está preparado para conduzir ações penais. "O STF é estruturalmente despreparado para isso. É concebido para julgar recursos de alta envergadura, não para apreciar minúcias de processos penais, examinar perícias e ouvir testemunhas".

***** Procurador-geral denuncia Garotinho por compra de votos

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciou no STF (Supremo Tribunal Federal) o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho por suposto envolvimento em compra de votos para os então candidatos Geraldo Pudim e Álvaro Lins nas eleições do ano passado.

Outras cinco pessoas que teriam participado do esquema também foram denunciadas. Garotinho e sua esposa, Rosinha, também ex-governadora, já haviam sido considerados inelegíveis por três anos pelo TRE-RJ, igualmente por compra de votos.

De acordo com o procurador, um grupo havia sido cooptado a conseguir votos para a campanha de Pudim, com promessa de serem contratados para o cargo de investigador da Polícia Civil do Rio, para o qual haviam feito a prova e sido aprovados. No entanto, devido ao número de vagas do edital, não foram chamadas para as próximas fases.

***** Só em Brasília, "trem da Alegria" favorece 6 mil

A emenda à Constituição que pode dar estabilidade a 260 mil servidores não-concursados pode favorecer um grupo de seis mil servidores municipais e estaduais que foram cedidos para vários órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário da União.

Na Câmara dos Deputados há cerca de 200 funcionários requisitados de estados e prefeituras que, se aprovada a emenda, integrarão a elite do funcionalismo público, com remuneração média de R$ 10.539.

As estimativas sobre os potenciais beneficiários somente em Brasília são do próprio autor da emenda, deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE). Ele justificou sua proposta afirmando que a atual proliferação de servidores requisitados estaria bloqueando vagas no serviço público.

"Como sou um defensor de concurso público desde a Constituinte de 1988, estou abrindo com essa PEC a possibilidade de concurso público para 6 mil vagas", declarou o parlamentar.

***** Brasil tem nova classe média, diz revista britânica

De acordo com reportagem da revista britânica The Economist, o Brasil tem uma nova classe média, surgida da "noite para o dia." Esta parte da população teria se beneficiado da estabilidade e do crescimento econômico do país, e também em boa parte da América Latina.

"Tendo deixado a pobreza para trás, a sua incipiente prosperidade está conduzindo o rápido crescimento de um mercado de consumo de massa numa região há muito tempo notória pelo duro contraste entre uma reduzida elite privilegiada e uma maioria pobre. Seu advento promete transformar a política da região", afirma a revista.

A Economist enfatiza que enquanto é possível medir a pobreza, o termo "classe média" já é mais subjetivo, e esclarece que a matéria está se referindo àquelas pessoas que poderiam ser descritas como de classe média baixa. Muitos têm pequenos negócios ou trabalham no mercado de serviços.

De acordo com a reportagem, entre 2000 e 2005, o número de pessoas com renda entre R$ 12 mil e R$ 45 mil cresceu 50% no Brasil, enquanto um grupo que ganha menos de R$ 6 mil diminuiu dramaticamente.

***** Ministro de Lula quer taxa para cigarro e bebida

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou na quinta-feira em Buenos Aires que estuda a criação de uma taxa sobre cigarros e bebidas alcoólicas, que seria destina a um fundo de combate às doenças provocadas por essas drogas.

Segundo Temporão, a medida é válida porque o tratamento de doenças e acidentes provocados pelo tabaco e pelo álcool causam grande impacto econômico no sistema de Saúde, somente os gastos decorrentes de acidentes representaram um gasto de R$ 5 bilhões em 2006.

"As indústrias que causam potencialmente dano à saúde são principalmente duas -cigarro e bebida alcoólica. Parece-me razoável cobrar algum tipo de taxa de quem consome esses produtos ou algum tipo de imposto sobre os produtores, que possa compor um fundo destinado a pesquisas, financiamento de programas de prevenção e também financiamento dos programas de assistência", declarou o ministro.

Ele ainda disse que o cigarro no Brasil é um dos mais baratos do mundo, mas afirmou que o país foi o que mais reduziu o uso de fumo nos últimos 15 anos.

***** TSE devolve direitos políticos de Garotinho

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) concedeu liminar garantindo os direitos políticos dos ex-governadores do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, ambos filiados ao PMDB. No dia 12 de julho o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro havia decidido que os dois deveriam ficar inelegíveis por três anos.

A decisão também afetava o deputado federal Geraldo Pudim (PMDB-RJ) que tinha o mandato cassado. A liminar do TSE suspendeu os efeitos da medida, ou seja, o deputado poderá permanecer no cargo até que seja julgado o mérito da ação.