sábado, agosto 11, 2007

Afinal, quem está vaiando Lula ?

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

A resposta pode até parecer óbvia, mas no Brasil ultimamente até o óbvio passou a ser pecaminoso. Mas o fato é que Lula tem sido vaiado, e como cachorros, gatos, onças pintadas, cavalos e bois não falam por serem irracionais, quem tem vaiado é o povo. Mas como, o povo ???!!!

Sim, o povo, ora acaso todas as pessoas que nasceram ou se mudaram para cá, e que vivem, tem famílias, exercem suas profissões, no seu conjunto, não um formam o povo brasileiro ? Mas, quando nos deparamos com os analistas debruçados sobre as causas da vaia a Lula, estes bravos logo descartam que Lula seja ou possa ser vaiado pelo povo. Logo qualificam os que protestam como correntes da elite. Mas qual elite ? E mesmo que fosse elite, por causa ela deixa de ser parte integrante do povo ?

Na verdade, pouquíssimos os que conseguem tem a percepção limpa e honesta nesta questão da vaia. E pela simples razão que não se deixam impregnar pelo ranço do culto à personalidade (coisa de gente primitiva que adorava até as pedras e lhes consagravam nomes de deuses!), como também deitam de lado suas simpatias e analisam apenas com base nos fatos. E o fato é que Lula está sendo vaiado. Pelo povo.

Aos que querem empurrar o protesto anti-Lula para o terreno do golpe, que façam. Cada um se iluda com o que melhor lhe aprouver. Mas o fato é que Lula está sendo vaiado democraticamente. E pelo povo.

Tem gente misturando os protestos. A seqüência teve início na Bahia, do governador petista Jacques Wagner. Eram servidores públicos, insatisfeitos com o governo. Lula tinha ido lá para assinar convênios em nome do PAC. E foi vaiado, e acabou até fazendo um discurso inflamado. De raiva. Não contava com aquela reação anti-Lula. Claro, claro: o molusco tem uma auto-estima muito elevada, e uma vaidade e arrogância exacerbadas, e ser vaiado é uma contrariedade que não admite na sua ótica de se considerar um semi-deus. Quer dizer, semi era no primeiro mandato. Agora é o próprio Deus. Assim, é que Lula, na Bahia, foi vaiado pelo povo. Ou servidor público baiano deixou de ser povo?

Depois, Lula foi vaiado no Maracanã, na abertura dos Jogos Pan Americanos. Em cadeia de televisão para todas as Américas. Acho que teve gente vaiando Lula na frente do televisor. Foram 7 momentos que causaram profunda dor, sofrimento e padecimento no demiurgo. Ele ali estava para ser louvado, para ser aplaudido, para ser elevado à quinta essência da divindade. E de repente, se viu como um ser humano normal, feito gente e não um deus, e diante do cenário bonito e iluminado da festa, e sofre uma vaia do tamanho do Maracanã, um coro único de 75 mil vozes, entoando o mesmo protesto. Que tristeza para sua figura ridícula ! Mas foi uma vaia. E havia gente de todo o Brasil. Gente que vendeu coisas pessoais para estar lá. Os canais exibiram entrevistas com gente se encaminhando para o palco do Maracanã enfeitado, gente de todo tipo, jovens, velhos, crianças, pobres, classe média, todos misturados num mesmo espírito de alegria. Mas todos eram parte do povo brasileiro. E esta parte do povo que trabalha e estuda, vaiou Lula.

Em seguida, com a tragédia do Airbus da TAM, Lula evitou viajar para o sul. Preferiu o Nordeste. Ah, o Nordeste o receberia com o carinho de sempre, lá ele ia mostrar que o povo não o abandonara. Afinal, ele ia enrolado com seu pacotinho chamado de PAC, a redenção do Brasil, a maior de todas as aventuras de todos os tempos. Junto com o pacotinho ia a promessa de soltar muita grana. Milhões de reais. E nas festas de lançamentos por onde passou, Sergipe, Rio Grande do Norte, Ceará, depois Mato Grosso do Sul e o Mato Grosso, este pessoal do sul ia ver só. Lá havia o povo que o amava e que o considerava melhor que JK, que Getúlio, o melhor dentre os melhores. E a vaia aconteceu de novo ? É o Lula com a vaia do povo.

Aí um empresário, destes elitistas que ganham muito dinheiro não porque trabalhe, mas porque o presidente do Brasil é o Lula, e Lula gosta que os empresários da elite ganhem muito dinheiro, principalmente os banqueiros, o Itaú e o Bradesco que o digam, resolveu achar um pouco demais a forma como os políticos brasileiros também têm ganho muito dinheiro: sai o instrumento do trabalho e entra o da corrupção, o do compadrio, das maracutaias, das pilantragens e picaretagens federais, e tudo feito com o dinheiro dos impostos que pagamos. O empresário, assim como a patota que ele reuniu, resolveu dizer: cansamos. Assim, nasceu o movimento CANSEI. Logo, dona Marta Suplicy, a moça relaxada e gozadora (com a cara do povo trouxa que vota nela, é claro), respondeu que o PT não está cansado. Sei, sei, esta gente petista não se cansa mesmo de bocas ricas, onde não se precisa trabalhar, estudar, prestar concurso, e ainda se ganha um salário e tanto à custa do povo, não dá pra cansar mesmo. E Lula ganhou novas vaias e uma passeata de protestos.

Então, a tropa de chiques petistas vagabundos, e sua entourage de jornalistas sempre agraciados com as verbas públicas da publicidade oficial, resolveram criar as teorias do desespero. Primeiro, mediram a popularidade do seu ídolo: inalterável. Claro, é o presidente amado pelo povo. Amado e vaiado pelo mesmo povo ? Então os amestrados começaram a criar a teoria do golpe. Vão daí que eles lembraram do FORA FHC dos tempos de oposição. E dê-lhe encherem páginas e páginas nos jornalões com a estúpida teoria do golpe. Esqueceram primeiro de que Lula não foi eleito com 100% dos votos. Tem gente que é contrária aos seus métodos pouco recomendáveis de governar. Ou a maneira como ele encontra para pagar gratificações (com o dinheiro do povo sem escola, sem hospital, ambulâncias superfaturadas, sem estradas, sem aviões, sem segurança) aos seus amigos chegados, gente que trabalha muito em favor do país. Nada de bolsa-família, nada disso. Bom mesmo é Bolsa-Mensalão, Bolsa-Sanguessugas, Bolsa-Vampiros, Bolsa-quebra de sigilo bancário, Bolsa-dossiês, Bolsa-Cartilhas, Bolsa-Valerioduto, Bolsa-Correios. Sem dúvida este país está sendo construído com o melhor que Lula pode oferecer: Brasil, um país de tolos ! E dê-lhe vaia para o baile seguir em frente.

Aí uma turminha das comunidades do OrKut achou que a vaia era a senha exata para mostrar a Lula o que parte do país está achando do seu governo. E organizaram pela internet uma passeata de protesto. Juntaram só em São Paulo de 12 a 15 mil.

De novo, os governistas se indignaram, era golpe. Esquecem-se os valentes de que, o protesto é um direito do cidadão que vota, para demonstrar sua contrariedade com o governo e sua atuação ou falta dela. Esqueceram os petistas de que eles próprios promoveram protestos muitos mais efusivos, com quebra-quebra, invasão de prédios, cooptando movimentos sociais, partindo para truculência e violência. Isto não é protesto. É barbárie.

Este pessoal de agora se levantou sem partidos políticos, sem sindicalistas pelegos, sem patrocínio de empresas públicas, sem as doações de ONGs financiadas pelo Erário. Sem provocar greves em prejuízo ds população, sem badernas, carregando sua indignação ao seu ponto mais civilizado: a vaia. Sua maioria é constituída de jovens, a lembrar os tempos dos caras pintadas do FORA COLLOR. E olha que Collor e PCFarias eram aprendizes perto desta gente que está no governo. Não, eles não querem dar um golpe na democracia, querem antes que seja respeitada, querem o estado de direito, o respeito à livre manifestação até as de protestos civilizados, eles não querem derrubar o governo. Querem antes, e acima de tudo, um governo que governe com decência, com honestidade, sem mentiras e sem corrupção, querem segurança, querem serviços públicos dignos e humanos, querem que o governo devolva à população os serviços que lhe cabe por direito e porque pagam muito caro por isso. Querem um país com um governo que respeite a pátria e não a deixe ser expropriada por caudilhos latinos vagabundos, ou por tiranos imbecis amantes da ditadura, dos regimes de exceção. Eles são povo, pertencem a um país, agora querem um governo de verdade. Eles não são propriedades do Estado. Eles são a nação a espera de um governante capaz e honesto, sincero e decente, responsável e competente. E sempre que se cometer badernas e confusões, e mantiver impunes os criminosos no poder, Lula vai ouvi-los vaiando de novo. Eles são o povo brasileiro, a verdadeira voz que vem das ruas porque não cooptados com a compra de suas consciências.

O bispo de Cajazeiras

Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa

Macedinho, o comendador, foi secretário particular de Café Filho. Em 55 e 60, Ademar de Barros tinha disputado a presidência da República e perdido para Juscelino e Jânio. Mas em 62 voltou ao governo de São Paulo. Uma manhã, estava amolado, chateado, quando entra no gabinete, todo lépido, o comendador Macedinho, seu secretário:

- Governador, está aí fora o bispo de Cajazeiras, aquele amigo seu.
- Amigo? Amigo do dinheiro. Me levou três mil contos para a última campanha lá na Paraíba e eu perdi lá, inclusive em Laranjeiras. Não recebo.
- Mas, governador, não fica bem. Afinal de contas, é um bispo, um príncipe da Igreja.- E eu com isso? Não tenho nada com o império dele.

Ademar
Macedinho insistiu, Ademar resolveu ceder:
- Está bem, manda ele entrar e bota na sala.

O bispo entrou, sentou-se, todo de vermelho. Como um príncipe engalanado.

Ademar se levantou, olhou longamente para o bispo e nem estendeu a mão:

- Bom dia, senhor bispo. Não tenho assunto nenhum para conversar com o senhor. Mas o Macedinho, meu secretário, vai atender.

Foi lá dentro, deu uma ordem gritada a Macedinho, que saiu todo corado:

- Senhor bispo, o governador mandou lhe dizer isso.

E soltou um palavrão. Durante muito tempo, nos Bandeirantes, quando chegava alguém indesejável, os velhos funcionários davam a senha:
- Está aí o bispo de Cajazeiras.

Lula
Lula virou o bispo de Cajazeiras do País. No Brasil, os presidentes da República, todos, sem exceção, uns mais outros menos, sempre foram hostilizados pelos oposicionistas, pelos que não gostavam deles. Falavam mal, vaiavam. Mas o País nunca apelou para a ofensa dura, grossa. Para o palavrão.

Agora, com Lula, começou de repente um tipo de reação irritada, irada, agressiva, que não é boa para a convivência democrática e está se repetindo, se ampliando, se multiplicando. Aonde Lula vai, cada vez mais pessoas não se contentam com o "Fora Lula", o "Lula traidor", o "Lula cachaceiro".

As TVs mostram, os jornais fotografam e publicam cartazes chamando-o de coisas muito piores. A arrogância de Lula está disseminando a ira social.

A História
Não adianta certa televisão e certa "grande imprensa", azeitadas pelo R$ 1 bilhão de verbas anuais de publicidade do governo, tentarem disfarçar, dizendo que é uma minoria. Sim, é uma minoria. Mas uma minoria que perigosamente se alastra, cada dia mais furiosa, indignada, incontrolável.

Se o governo, o PT, fajutos "institutos de pesquisas", "cientistas políticos" espertinhos, que dão como definitivos os "60% de apoio ao governo", enxergassem um pouco além das verbas públicas em que se lambuzam, saberiam que quem decide a História nunca é a "maioria oficial", mas a "minoria organizada". Não são os 60% do governo, mas os 40% da rua.

Gil
Perguntei aqui quem deu ao ministro-mutante Gilberto Gil o privilégio de dois meses de férias por ano, como se o governo fosse um permanente "Domingo no parque", quando os outros não conseguem nem um mês. Nanan Catalão, charmosa assessora de imprensa do Ministério da Cultura, explica:

1 - "As turnês anuais realizadas pelo ministro da Cultura ocorrem sempre durante suas férias, sem qualquer ônus aos cofres públicos. Todas as despesas relativas às suas atividades artísticas não são pagas pelo Estado e sim pelo próprio artista".

2 - "Conforme publicado no dia 9 de julho de 2007, no `Diário Oficial' da União, o ministro esteve de férias entre os dias 9 de julho e 7 de agosto deste ano, período em que realizou sua turnê anual, que não implicou em qualquer custo ao governo federal".

Gil (2)
3 - "Quanto aos shows realizados nos Estados Unidos e Canadá entre os dias 12 e 30 de março (deste ano), neste período o ministro estava de licença não remunerada e sem ônus ao Estado, conforme publicado em 7 de março de 2007, no `Diário Oficial' da União. Na ocasião, sua licença foi autorizada pelo presidente da República Luís Inacio Lula da Silva, para que o ministro Gilberto Gil pudesse cumprir compromissos artísticos agendados antes da definição de sua permanência no Minc, neste segundo mandato".

O Gil é um protegido dos orixás da nossa Bahia. Some dois meses, cantando e dançando, e no País e no governo ninguém sente falta dele.

Itamar
Lula levou no bolso, para ler no avião, o artigo do ex-presidente Itamar Franco denunciando a entrega de Furnas ao viscoso Eduardo Cunha. Ficou furioso, sobretudo com a última frase, que define e amaldiçoa seu governo:

"É um governo que, eleito graças a propósitos de absoluta seriedade, elencados em praça pública, resvala para a ladeira da absoluta falta de ética."

A grande vaia : quem é povo que a organizou

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Reinaldo Azevedo em seu blog publica uma preciosa entrevista com o pessoal que organizou pela internet a Grande Vaia. Não pertence ao grupo do movimento CANSEI. Talvez até por isso seus protestos tenham um sabor especial. Seja pelo êxito da manifestação, seja por representarem pessoas simples, indignadas com o governo dos absurdos que estão aí, e que merece ser vista com respeito. É a voz que vem das ruas, a leitura dos sentimentos de boa parte da alma brasileira, insatisfeita e, às vezes, além de inconformada, envergonhada.

A entrevista é um tanto longa, assim publicaremos um trecho e logo em seguida disponibilizaremos um link para acessar a íntegra. Vale a pena não só a leitura mas reflexão do que os jovens estão manifestando. Vale ainda como maneira de se desnudar as cretinices que têm sido proferidas por grande parte de jornalistas que se quer se dispuseram a separar o joio do trigo, ou de buscarem no passado sua opinião nos movimentos promovidos pelo petê que hoje condena os protestos. Como se protestos e manifestações de oposição fossem exclusividade deles. E vale como um momento histórico, aquele em que o Brasil deu um recado ao presidente Lula: a de que ele não é unanimidade nacional, a de que tem vida da inteligente além de seu governo, e de que parte da população que não é a elite considera-o um péssimo governante e que está provocando atrasos imensos para o desenvolvimento e progresso do país.

Quem organizou a Grande Vaia. Uma entrevista com os 15 de Esparta. Golpe na democracia é tentar calá-los.

Quem tem menos idade está com 21. Quem tem mais, 58. Um é professor secundarista. Outro é engenheiro. Há um aposentado. Alguns são representantes comerciais. Mais os arquitetos, os microempresários, os artistas, um videomaker, os estudantes. Eles são Guilherme, Carol, Luísa, Andrei, Allan, Julie, Morana, Sérgio, Juraci, Antonio, Andréa, Flores, Beth... Eis os prenomes de 13 das 15 pessoas que fizeram parte do núcleo que organizou, no sábado, a vitoriosa passeata “Fora Lula”, em São Paulo, e que inspirou o movimento em outras capitais. Dois outros membros do grupo não quiseram fornecer nem mesmo isso. Compreendo. Um governo que entrega a Fidel Castro refugiados da ditadura não inspira lá grande confiança. Temem ser perseguidos.

Eles se conheceram na Internet. Ali nasceu a passeata de protesto. Ontem, levaram um absurdo puxão de orelha de Jô Soares, que os acusou de não entender o que é democracia. Entendem, sim. E muito. Jô é que não entendeu o movimento e resolveu repetir o diagnóstico defensivo do petismo. E eles deixam isso claro na entrevista que segue. Em vez de demonizá-los; em vez de supor quem são eles; em vez de chutar, fiz a lição de casa. Eu os encontrei. Acreditem: eles nunca fizeram política antes e falam coisas dignas de gente grande no que respeita à democracia.

Como sei que eles são eles? Porque eu exigi as provas. Estão de posse do recibo de aluguel do aparelho de som e de cópias dos ofícios enviados à Prefeitura, à CET e à PM avisando que haveria a passeata. É só nas urnas que se pode gritar “Fora Lula”, como quer Jô Soares? Isso é o mesmo que dizer que só se deve fazer política em ano eleitoral. Desde que se respeitem os preceitos democráticos — e gritar “fora” para qualquer político é um direito —, o desejável é que se faça política sempre.

Eu lhes perguntei por que, afinal, eles não gostam do governo Lula. E eles mandaram brasa, como vocês lerão abaixo. Desde que me interesso por política — e comecei bem cedo —, jamais assisti a tamanha demonização de um movimento. Durante a crise final da ditadura e os governos que os petistas chamavam “de direita”, os setores formadores de opinião e a imprensa buscavam garantir o direito à livre manifestação. Desta vez, os censores vestem a pele de democratas, e setores antes afinados com as liberdades públicas resolveram esmagar a divergência. É uma vergonha. Abaixo, seguem as perguntas aos 15 de Esparta e suas respostas.

Em tempo, o e-mail do grupo em São Paulo é
organizacaosao@bol.com.br. E um site está em construção: www.grandevaia.org

Façam um resumo rápido de como surgiu a idéia da passeata. Tudo começou na Internet mesmo?
A idéia surgiu na comunidade “Fora Lula”, no Orkut, logo depois do acidente do vôo 3054, da TAM. Um dos membros sugeriu uma manifestação, o que encontrou uma grande receptividade na comunidade. A idéia se espalhou rapidamente pelo próprio Orkut, blogs, e-mails, rádio e TVs da Internet, numa grande corrente de comunicação.

Esse pessoal que fez a passeata em SP e em outras capitais é o mesmo do movimento “Cansei”?
Não temos nenhuma ligação com o movimento “Cansei”. E também não tivemos apoio de partidos políticos nem de organizações ou instituições. Houve consenso em não querer essa vinculação.

Como foi a organização da passeata? Vocês fizeram antes alguma reunião? Alguém precisou alugar o carro de som, avisar a CET, enviar ofício à Prefeitura e à Policia avisando que haveria a passeata. Quem fez isso? Ainda que o custo tenha sido mínimo, quem pagou o aluguel do carro de som?
A comunidade convidou quem desejava participar da organização. A gente se reuniu algumas vezes, e, nessas reuniões, nós dividimos as funções: como entrar com ofício na PM, CET, Prefeitura e aluguel do caminhão de som. Conseguimos um desconto de 75% no valor do veículo, dinheiro rateado entre os organizadores e complementado por cidadãos dos mais diversos locais do Brasil, que, simpáticos à nossa causa, também nos ajudaram.

Como vocês vêem a acusação de que vocês integram um grupo golpista?
Somos cidadãos patriotas, republicanos e democratas. Não acreditamos que fazer oposição a um governo insatisfatório, que arrecada muito, gasta mal, que promove o racismo ao dividir o Brasil para criar um caos em beneficio próprio, seja uma atitude golpista. Golpe é o que o governo faz, naquela máxima: “Acusemos os outros daquilo que fazemos”. Não aceitamos nem aceitaremos esse rótulo. Apenas utilizamos o legítimo direito de levantar a voz e protestar e desejamos unir ao máximo os brasileiros que querem o Brasil de volta, tomado que foi por essa quadrilha. Quem pensa igual ou nesse sentido será bem-vindo. Tolerância zero com a corrupção, com o desgoverno. Talvez sejamos uns sonhadores, mas queremos um Brasil melhor. Uma operação “Mãos Limpas”. Isto é democracia.

Exigimos:- estado de direito; - respeito às instituições; - respeito ao dinheiro público; - respeito à Constituição.

Políticos são eleitos para representar os anseios da sociedade e não de um ou outro governo ou governante. Como já afirmamos, somos republicanos e democratas, desejamos uma democracia forte no Legislativo, no Judiciário e no Executivo, diferente do governo, que já demonstrou todo o seu desprezo com as instituições, a Constituição e o estado de direito.

Vocês têm contato com algum partido, ONG ou entidade?
Não. Só com o povo Brasileiro. Aqui fazemos uma ressalva: esquecer das famílias do acidente aéreo seria um ato de injustiça. Elas nos apoiaram ao descobrirem que era um movimento sério. Queremos aqui expressar nossos sentimentos e agradecer a presença delas na passeata. Não vamos esquecê-las e nem a seus entes queridos.

Íntegra da entrevista clique aqui.

Como Pôncio Pilatos

por Dora kramer, no Estado de S. Paulo
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O governo brasileiro lavou as mãos no caso dos atletas detidos e mandados de volta a Cuba, num episódio nebuloso e até agora inverossímil. Lavou as mãos também quando o PT aprovou resolução oficial apontando intenções golpistas na atuação da imprensa brasileira.

Em ambos os casos, o governo fingiu que não viu nem ouviu um fato grave: duas entidades internacionais, a Repórteres Sem Fronteiras - maior ONG internacional de defesa da liberdade de imprensa - e a Human Rights Watch - entidade de atuação tradicional na proteção dos direitos humanos mundo afora - em menos de uma semana chamaram o País às falas no tocante às regras do Estado de Direito.

Comuns na época da ditadura, manifestações dessa natureza não eram mais necessárias desde a redemocratização. O Brasil continua recebendo cobranças de providências em relação a trabalho escravo, trabalho infantil e torturas a presos comuns. Mas reparos de ordem política de organismos internacionais já não faziam parte do cardápio de deformações a serem corrigidas.Voltamos, portanto, no tempo.

Na semana passada, o presidente da Repórteres sem Fronteiras alertou, em carta enviada ao presidente Luiz Inácio da Silva, para a necessidade do 'retorno ao bom senso', pois a decisão do PT pareceu 'inoportuna, sem fundamento', em desacordo 'com um partido democrático' e preocupante do ponto de vista de suas conseqüências para a preservação do princípio da liberdade de expressão.

Ao que se saiba, não obteve resposta.

Nesta semana, a Human Rights pediu uma investigação profunda, 'feita por uma comissão independente', com fiscalização do Congresso e do Judiciário - ou seja, explicitando desconfiança no tocante ao Poder Executivo - para esclarecer as razões da volta dos atletas Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara que abandonaram a delegação de Cuba no Pan-Americano.

As autoridades brasileiras, neste caso, reagiram ao molde de Pôncio Pilatos. O chanceler Celso Amorim alegou desconhecer detalhes e deu-se por satisfeito com o que ouviu dizer: que os boxeadores quiseram voltar a Cuba.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, incorporou a versão mais interessante ao governo cubano - a do desejo espontâneo de volta -, mas ninguém do governo explicou por que os pugilistas foram mantidos fora do alcance da imprensa ou de entidades como a OAB. Ninguém considerou necessário tampouco esmiuçar o caso ou se manifestar a respeito das razões pelas quais estrangeiros com vistos válidos foram detidos e mantidos incomunicáveis.

Diversas pessoas já disseram o mesmo, mas vale repetir: tal atitude não é da tradição brasileira para com estrangeiros. E, da forma como agiu, o governo Lula foi no mínimo indiferente ao esclarecimento de um caso que pode não ser nada, mas pode significar também muito no que tange ao trato para com estrangeiros, estejam eles em trânsito ou queiram eles abrigo.

Não sabemos exatamente o que houve. Mas é certo que alguma coisa de muito errada há quando um país democrático toma atitudes que obrigam entidades internacionais a se manifestarem cobrando o respeito aos preceitos mínimos vigentes em um Estado de Direito.

Da mesma forma como a luta política do PT não dá ao partido a prerrogativa de avocar a si a tarefa de balizar o trabalho dos meios de comunicação privados, a amizade de petistas com Fidel Castro não pode levar o Brasil a se confundir com a ditadura que se mantém, entre outros métodos, a poder da subtração dos direitos de seus cidadãos, entre os quais está o de ir e vir.

O governo brasileiro poderia muito bem levar em conta as manifestações dessas entidades sem enxergar nelas a ação de conspiradores internacionais. Mais não seja para demonstrar que as preocupações são infundadas.

Nova proposta mantém infidelidade partidária

BRASÍLIA - Um novo texto sobre fidelidade partidária em discussão entre os partidos procura assegurar o mandato dos deputados que trocaram de legenda e engrossaram a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara e, com isso, obter um acordo para votar parte da reforma política na próxima semana.Pelo projeto, quem trocou de sigla não ficará sujeito à perda de mandato, como decidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A proposta também mantém o prazo atual de mudança de agremiações para quem for disputar as eleições municipais de 2008 - está liberado o troca-troca até outubro, um ano antes.

O autor da proposta, deputado Flávio Dino (PCdoB-MA), reconhece que o texto é mais uma alternativa de obtenção de concordância entre os partidos que não se entendem para votar a reforma. Dino disse que, caso aprovada, a regra afiançará segurança jurídica às mudanças que foram feitas antes da decisão do TSE e permitirá as trocas dos candidatos que disputarão as próximas eleições.

"Embora a questão da fidelidade partidária seja, evidentemente, constitucional e, portanto, precise ser tratada por emenda, entendemos que esse projeto terá a função de um marco normativo seguro até que uma emenda constitucional seja votada", afirmou.

"Reforça isso o fato dele representar uma tentativa de dialogar com as várias alternativas já em trâmite na Câmara sobre o tema", completou. O projeto prevê a perda de mandato para deputados federais e estaduais e vereadores que, no futuro, trocarem de legenda.

"Não podemos mudar as regras do jogo com ele já em andamento, entendemos que a política é dinâmica e não é nosso objetivo atingir as relações já constituídas neste momento", diz.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Se é para manter esta excrecência, melhor não fazer reforma nenhuma do que ficarem mentindo para a população. A lembrar: desde o inicio o objetivo desta escória era assaltarem mais um pouco os cofres da União. O negócio desta gente ordinária é botarem mais dinheiro no bolsão deles. O país que se dane.

TOQUEDEPRIMA...

***** Dilma diz que PAC fará do Brasil 'um grande canteiro de obras'
Agência Brasil

BRASÍLIA - A transformação do Brasil em um canteiro de obras, objetivo do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), já começou. A afirmação é da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para quem, 'essa realidade vai trazer mais empregos, gerar mais renda'. Em entrevista após solenidade no Ministério do Meio Ambiente, ela disse disse que "o Brasil está enfrentando um problema muito bom, que vai resolver, porque nós temos uma grande capacidade e eu acredito que o Brasil vai se transformar num grande canteiro de obras".

A ministra explicou o que chamou de 'problema bom' como a dificuldade de encontrar soldadores, de contratar engenheiros e até mesmo o excesso de demanda enfrentado pelas consultorias que fazem análise ambiental, estudos de viabilidade econômica, projetos básicos e projetos executivos, além de restrições de fornecimento de equipamentos e de bens em algumas áreas.

O governo, informou, já distribuiu quase R$ 32 bilhões para os estados para obras inseridas no PAC, 'e agora nós vamos iniciar uma nova etapa, que vão ser as obras nos pequenos municípios'.

Essas obras, segundo ela, são destinadas à área de infra-estrutura -transportes, rodovias, portos, hidrovias, aeroportos, energia elétrica etc.

Sobre energia elétrica, disse que o programa Luz para Todos obteve um desempenho acima da média em muitos estados e que 'pela primeira vez, nós vamos ficar livres da exclusão no ano que vem'.

Bem-humorada, ela não quis comentar as negociações entre governo e Congresso Nacional para aprovar a prorrogação, por mais quatro anos, da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

- Olha, eu não tenho como falar em acordo possível na próxima semana. Aliás, se eu falasse seria uma temeridade - disse.

*** COMENTANDO A NOTÍCIA: Notem que no final a ministra Dilma, muito espertamente, esquivou de falar sobre a prorrogação da CPMF. Mas, antes, como não poderia de ser, falou no imenso anteiro de obras que se espalhará pelo Brasil com o PAC. E claro, mesmo que não tenha dito diretamente, está implícito, será um imenso canteiro de obras se... a CPMF for prorrogada atendendo o interesse do Planalto. E claro, no mesmo dia, Berzoini se encarregou de dar a senha para o canteiro de obras ser instalado. Tudo muito bem ensaiadinho, tudo previmaente combinado.

Em tese, somos contrário a qualquer aumento de impostos. O brasileiro já paga demais, e recebe o retorno de menos. O governo Lula precisa entender uma coisa: o país precisa enquadrar-se a sua capacidade de geração de riquezas. Assim, ao invés de aumentar receitas via impostos, o governo deveria era reduzir gastos correntes e nisto há espaço de sobra. Todos os dias publicamos aqui os milhões que são desviados e, além dele, os desperdícios em gastos totalmente inúteis e dispensáveis. Só por aí já se teria uma grande soma de dinheiro que permitiriam investimentos e redução da carga tributária. Se países, com muito menos riquezas do que o Brasil, conseguem enquadrar-se e ter de quebra uma carga tributrária em torno de 20 a 25%, ao passo que a nossa gira em torno dos 40%, por que aqui não se poderia conseguir o mesmo? Mas, para isso, é fundamental que todo o Estado, toda a classe política fosse enquadrada em seu comportamento delinquente de “torrarem dinheiro público” sem nenhuma responsabilidade.

***** Tarso Genro é convidado para depor sobre pugilistas cubanos

A Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou nesta quinta-feira o convite ao ministro da Justiça, Tarso Genro, para explicar por quais motivos a Polícia Federal "localizou, capturou e deportou rapidamente" os dois atletas cubanos que desertaram da delegação do seu país nos Jogos-Panamericanos, no Rio de Janeiro. O autor do requerimento de convocação, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), pede também a convocação do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

No entanto, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) informou que Virgílio vai receber o ministro interino das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães. Como o tucano não estava presente, a comissão quis aguardar a audiência, antes de votar a convocação de Amorim. A pedido de Suplicy, a convocação a Tarso para a audiência foi transformada em convite.

***** Manobra para blindar Anac
De O Globo

"A tropa de choque governista jogou pesado ontem e conseguiu impedir que a CPI do Apagão Aéreo da Câmara abrisse uma investigação sobre a denúncia do brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero, contra Denise Abreu, diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Denise é acusada de fazer lobby num negócio milionário de transporte de cargas aéreas que beneficiaria um empresário de Ribeirão Preto amigo dela. Liderados pelo presidente em exercício da CPI, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), petistas rejeitaram a reconvocação do brigadeiro para falar das denúncias feitas ao GLOBO, e impediram a votação dos pedidos de convocação e quebra de sigilo telefônico de Denise Abreu.

Coube a Cunha comandar as manobras. Quando já tinham sido aprovados em bloco quase todos os 41 requerimentos de convocação e quebras de sigilo, ele sacou um requerimento de adiamento das votações para viabilizar a blindagem da diretora da Anac. Com isso, os requerimentos que tratavam de Denise e Ribeirão Preto tiveram de ficar para outro dia. Autor de alguns dos requerimentos, o tucano Gustavo Fruet (PR) pediu que Cunha agisse com seriedade, e lembrou que ele teria que ter apresentado o requerimento no início das votações. Não adiantou. O requerimento foi aprovado por ampla maioria."

***** PSDB arma estratégia contra o PT
De Carlos Marchi em O Estado de S.Paulo

“A economia vai bem, mas o governo vai mal”, afirmou ontem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ao estimular o PSDB, num seminário do partido, a enfrentar o governo do PT. “Nós vamos disputar a eleição com o governo, não com a economia”, complementou, alinhando uma série de temas que os tucanos devem transmitir ao povo brasileiro. O principal é o combate à impunidade: “A lei, no momento, é que o crime compensa. E quem morre mais são os pobres da periferia”, disse, criticando a idéia de que o governo do PT “é dos pobres”.

***** Crise aérea ameaça a credibilidade

O Brasil corre o risco de ser rebaixado do grupo de elite da Organização de Aviação Civil Internacional (ICAO, na sigla em inglês), da ONU, caso a crise aérea não seja resolvida. O alerta foi feito ontem pelo presidente da Associação de Pilotos da Varig, comandante Elnio Borges Malheiros, durante seminário sobre a crise aérea promovido pela Coppe/UFRJ.

Periodicamente, observadores da ICAO auditam países que compõem a organização. A Varig, por anos símbolo da aviação brasileira no exterior, sempre foi a empresa escolhida para ser vistoriada. Agora, com a quebra, TAM ou Gol têm que ser escolhidas no ano que vem, quando os técnicos estrangeiros estarão no Brasil. A ICAO avalia a competência de gestão do país na aviação civil.

- Com essa crise, a chance de o país ser rebaixado e perder o grupo 1 é muito maior - ressalta Elnio. - O que temos hoje, com todo respeito, não dá para comparar com a Varig.

O piloto lembra que deixar o seleto grupo 1 faz com que o país perca série de benefícios. Não poderá mais certificar produtos aeronáuticos. Seria como, lembra Elnio, se a Embraer construísse aviões e eles fossem homologados por concorrentes fora do Brasil.

Brasil perde espaço em inovação tecnológica

Tribuna da Imprensa

GENEBRA (Suíça) - O Brasil perde espaço em inovação tecnológica e o País usa mal seus recursos destinados à ciência. Em seu levantamento anual, a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) aponta que, entre 2004 e 2005, o número de patentes pedidas no País caiu 13,8%, enquanto em praticamente todo o mundo aumentou.

Hoje, um quarto de toda a tecnologia disponível no planeta já está nas mãos de apenas três países asiáticos: China, Japão e Coréia do Sul. Os dados de 2005 são os últimos disponíveis para todo o mundo e, na avaliação da entidade ligada à ONU, são um espelho dos avanços tecnológicos de um país. Em 2005, 600 mil patentes foram dadas a empresas e universidades em todo o mundo. Mas a concentração é grande: 74% delas estão no Japão, Estados Unidos, China, Coréia e Europa. O caso mais impressionante é o da China.

Patentes
Entre 2004 e 2005, Pequim observou um aumento de 33% nas patentes registradas no país. Para a OMPI, isso prova que a China não seria mais apenas o país da pirataria, mas também tenta desenvolver sua própria tecnologia. Em apenas dez anos, o número de patentes registradas se multiplicou por dez na China. Um dos dados mais relevantes é o fato de que o crescimento é baseado nos pedidos das próprias empresas chinesas.

Entre 2004 e 2005, o número de solicitações ao escritório de patentes de Pequim aumentou 42%, ante uma média mundial de 6,6% e até uma redução no Brasil. Na avaliação da entidade com sede em Genebra, os números refletem as políticas do governo chinês de transformar o país em um centro de tecnologia, e não apenas de montagem de produtos elaborados no exterior. O resultado é que o escritório de patentes da China já se tornou o quarto maior do mundo, superando a Europa.

Apenas os americanos, japoneses e coreanos ainda registram mais patentes que os chineses. "Há uma explosão de invenções na China hoje e, além disso, um número cada vez maior de empresas quer garantir a proteção a seus investimentos no país", afirmou Francis Gurry, vice-diretor-geral da OMPI. No Brasil, porém, a situação é mais sombria. O número de patentes pedidas no País caiu 13,8% entre 2004 e 2005.

A queda foi a maior entre os 20 principais escritórios de patentes no mundo. O Brasil é superado pela França, Índia, Austrália, Canadá e Rússia, entre outros. No total, o Brasil recebeu 16,1 mil pedidos de patentes de todo o mundo em 2005, ficando em 13º no mundo. Naquele ano, concedeu 249 registros para empresas nacionais e 2,1 mil para estrangeiros. Em 2005, a China recebeu 170 mil pedidos de patentes, concedendo 20 mil para nacionais e 32 mil para estrangeiros.

Um dos números preocupantes é o que mostra a queda no volume de pedidos de patentes de empresas e universidades instaladas no Brasil. Em 2005, a redução foi de 1,8% em comparação com 2004, ante um aumento de 9,7% nos Estados Unidos, 16% na Coréia e 42% na China. Mas a maior queda se refere às patentes pedidas por estrangeiros no Brasil. A redução nesse caso foi de 17,5%, a maior entre os 15 principais locais de registros de patentes no mundo. Para a OMPI, o pedido de registro de patentes por estrangeiros é um dos indicadores do interesse de empresas em investir em alta tecnologia no País.

Segundo os dados da entidade, publicados uma vez por ano, o Brasil não está entre os países que melhor gasta seus recursos gerando inovações. Apenas 2,7 patentes são registradas, para cada US$ 1 bilhão do PIB. Na Alemanha, são 22 patentes, ante 103 no Japão e 129 na Coréia. No geral, o Brasil ocupa apenas a 27ª colocação na relação entre PIB e patentes.

O País ainda conta com um dos piores índices de aproveitamento dos recursos à ciência no registro de patentes. Para cada US$ 1 milhão em ciência e tecnologia, 0,29 patentes são registradas no Brasil. Na Coréia, são 5 patentes para cada US$ 1 milhão gastos em ciência, ante 3,3 no Japão, 1,8 na Nova Zelândia e 1,5 na Rússia. No mundo, o número de patentes registradas por brasileiros em outros mercados também tem crescimento abaixo dos demais emergentes, e o País ocupa apenas a 28ª posição.

Entre 2004 e 2005, o número de pedidos brasileiros no mundo aumentou 4%, taxa considerada como baixa em comparação com os 23,6% de aumento dos pedidos de empresas da Índia ou 27,9% da China. Empresas e universidades americanas, japonesas e alemãs são as que mais registram patentes em outros países. Juntos são responsáveis por 57% de todos as solicitações.

Com 5,6 milhões de patentes em vigor hoje no mundo, a OMPI admite que o sistema internacional está chegando ao limite. Hoje, um pedido de registro leva dois anos para ser aprovado nos Estados Unidos. Até 2005, 900 mil patentes esperavam a aprovação do governo americano, enquanto outras 800 mil aguardavam um sinal verde dos técnicos no Japão. Na China, 200 mil pedidos faziam fila para serem avaliados pelos técnicos, que há anos não conseguem responder à demanda. O setor de eletrônicos é mais visado pelas patentes, além de equipamentos médicos, audiovisuais, telecomunicações e remédios. Em apenas um celular, cerca de 6 mil patentes diferentes podem existir.

A tolice de Berzoini: sem CPMF PAC fica prejudicado

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Leio no Jornal do Brasil, reportagem de Juliana Rocha, que o deputado Ricardo Berzoini, PT/SP, após um bate-papo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que sem CPMF o PAC fica comprometido, ou prejudicado. Conversa mole. Há muitos lados desta história. Mas primeiro leiam a reportagem. Comentaremos depois.

O governo federal está irredutível na decisão de não dividir os recursos da CPMF com os Estados. Mas para garantir a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que vai prorrogar a cobrança do imposto do cheque, partiu para a ameaça. Ontem, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), saiu de uma reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, lembrando que se o governo perder esta fonte de arrecadação, não terá dinheiro para investir nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A maioria dos Estados, inclusive o Rio que passa por dificuldades financeiras, reivindica a partilha dos R$ 36 bilhões da CPMF. Ameaçam pedir aos parlamentares de suas bases que votem contra a prorrogação do imposto que vence em dezembro, além de vetar a Desvinculação de Receitas da União (DRU). A CPMF representa hoje 10% da receita total do governo federal. E é dividida entre o ministério da Saúde, Previdência e o Fundo de Pobreza, depois de retirados os 20% supostamente destinados para os investimentos.

- A CPMF e a DRU têm importância fiscal para a União porque ajuda a viabilizar os programas do PAC, que são de interesse dos governadores e dos prefeitos - argumentou Berzoini, sobre a estratégia do governo para convencer os parlamentares a aprovarem o projeto. - O ministro Mantega está disposto a apresentar as informações aos parlamentares, para que entendam que esta é uma questão que interessa aos Estados e municípios, mesmo sendo recursos arrecadados pela União.

Se decidir acatar a reivindicação dos Estados e repartir o bolo da CPMF, o governo terá que garantir a aprovação da PEC até setembro. Isso porque qualquer mudança na forma de cobrança e destinação exige uma noventena, ou seja, um período de 90 dias antes do fim do prazo. Mas na quinta-feira, Guido Mantega foi claro ao afirmar que o governo não tem a intenção de distribuir os recursos nem mudar a alíquota de 0,38% do imposto e, por isso, não precisaria passar pela noventena. Em 2003 quando a CPMF foi prorrogada a PEC passou pelo Congresso em dezembro, já no apagar das luzes. Um mês de atraso e a União perderia esta fonte de arrecadação.

Berzoini negou que o governo esteja negociando a liberação de emendas individuais do Orçamento em troca de votos para a prorrogação do imposto do cheque e da DRU. Mas sinalizou que o governo estuda uma saída para distribuir recursos com os Estados na reforma tributária.

*** COMENTANDO A NOTICIA: Reparem na truculência do “pré-aviso” de Berzoini: sem CPMF fica prejudicado. Esta declaração foi dada uma semana após Lula ter viajado pelo Centro-Oeste e Nordeste no país, além de uma solenidade no Planalto (mais uma!), em que o Lula assinou alguns “compromissos” para liberar verbas para municípios e governos estaduais, tudo relacionado ao PAC. Na época dissemos aqui: uma coisa é prometer a verba para isto ou aquilo. Outra, e bem diferente, é a verba ser efetivamente liberada, chegando intacta ao seu destino. Agora, como querendo pressionar prefeitos e governadores numa chantagem descarada, Berzoini diz nas entrelinhas que o dinheiro prometido ficará comprometido se a CPMF não for aprovada, e sem sua distribuição ou rateio com os Estados. Ou seja, toda a arrecadação da CPMF deverá ficar com o governo federal. Com esta estratégia, Berzoini manda um recado direto aos prefeitos e governadores, no sentido destes pressionarem as bancadas no Congressos para aprovarem a CPMF da forma como pretende o governo federal, senão o dinheirinho prometido por Lula não sairá.

Vamos por partes. Primeiro, de quanto é o total do PAC anunciado pelo governo federal ? Em torno de R$ 500,0 bilhões. Deste montante, o governo compõem 50%, e assim mesmo contando com a participação de empresas estatais de peso, do porte da Petrobrás. A outra metade sairia da iniciativa privada. Portanto, a CPMF e seus R$ 34,0 bilhões (previsão para 2007) se incluem nos R$ 250,0 bilhões que o governo anuncia como sendo seu investimento com “recursos próprios”, isto é, recursos públicos. Em suma: a CPMF representa pouco mais de 10% de tudo o que o governo Lula diz que investirá no PAC, o que convenhamos, não chega a ser tão “expressivo”.

Analisemos outro ponto: qual o montante de arrecadação extraordinária do governo, ou a receita não prevista no Orçamento? Para 2007, e de acordo com o comportamento das contas públicas no primeiro semestre, alguma coisa ao redor de R$ 50,0 bilhões, ou seja uma CPMF e meia anuais. Assim, caso a CPMF não seja aprovada, só com o montante de receita extraordinária, a não prevista, o governo Lula já teria como cobrir o vazio arrecadatório, com uma expressiva sobra de R$ 16,0 bilhões. Onde está, portanto, o comprometimento ao PAC sem a CPMF ? E isto é apenas matemática, e não jogo de cena tão próprio a um petista cretino e mistificador como Berzoini.

Agora, o outro lado da história é a seguinte: quando o governo afirma que sua parte no bolo do PAC já está garantida, com a intenção clara de fazer-nos crer que o PAC é um pouco mais do que uma simples carta de boas intenções (e é!), está, no fundo, soltando mais uma de suas cascatas e mentiras, ardil que político algum sabe usar melhor do que Lula da Silva. Somente neste caso, a de não se ter o montante do dinheiro para os investimentos anunciados, é que poderemos acreditar na indispensabilidade da CPMF.

Outra questão: a negativa do governo Lula em dividir com os Estados o bolo da CPMF esconde de um lado, a face perversa do governo. Explico: quem melhor do que os governos estaduais e prefeituras para saber quais prioridades de investimentos em suas áreas de atuação ? Então por que não permitir o rateio e firmar uma parceria real, e não de mentirinha, para que o governo federal seja sim um agente fiscalizador da aplicação correta dos recursos de parte dos governos estaduais, deixando para estes definirem onde aplicar e quais e tais obras executar com prioridade ? Ocorre que a arrecadação federal (e não é de hoje) é usada costumeiramente como moeda política, e não como indutor de desenvolvimento. Usasse o Orçamento federal para se governar em benefício do povo. No Brasil, ao contrário, utiliza-se este Orçamento em benefício de interesses políticos de alguns privilegiados, e não raro, tem sido esta prática ordinária um dos maiores focos de corrupção e desvios de recursos públicos. O Tribunal de Contas da União e dos Estados que o digam !

Além disto, é preciso que o governo tenha a sensibilidade para um fato: a CPMF quando foi criada, foi como que “engolida” pela sociedade em razão do caos da área de saúde no país, e destinar-se-ia a arrecadação desta contribuição para a recuperação plena deste estratégico setor. Mais tarde, o próprio Congresso Nacional (e nunca o governo federal) foi fracionando o bolo. E esta partição foi usada como condição indispensável para o Congresso aprovar as sucessivas prorrogações que a contribuição dita provisória foi sofrendo ao longo do tempo. Provavelmente, hoje do total que se arrecada, nenhum centavo chega à Saúde, que, como de resto todos serviços públicos deste governo, estão num caos, vivendo um total colapso ou apagão como queiram.

O problema com quem governa

por Glauco Fonseca, site Diego Casagrande
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Nós, simples eleitores, quando nos dirigimos a uma cabine indevassável para apertar os números e o "confirma", apenas ensejamos que os eleitos mostrem serviço e eficácia na solução de problemas, como se fosse numa empresa. Nela, um comitê de acionistas empossa uma diretoria executiva que deverá fazê-la crescer e, mais do que isto, perpetuá-la.

Diferentemente de um governo, o ambiente empresarial é mais pragmático. Se determinada diretoria não atingir objetivos e não solucionar problemas, é demitida e substituída rapidamente. Se assim não for, a vida da organização é comprometida e ela pode morrer. Já com governos não é assim que acontece. Se um governante não conseguir superar problemas, se ele não for corajoso e inovador, se ele gastar errado ou deixar a gestão em maus lençóis, quase nada acontece. Isto é, acontece uma possível rejeição no próximo pleito e é só isso.

Para ser "demitido", um governante tem que cometer algum erro de proporções bíblicas. Não pode ser dispensado apenas caso se comprove sua imensa incompetência, não pode ser "convidado a se retirar" mesmo que fique evidente sua incapacidade gerencial e de trabalhar em equipe e não pode ser substituído nem que pairem sobre ele suspeitas de conduta duvidosa ou indecorosa. Para ser defenestrado, um governante brasileiro só precisa de no mínimo quatro e no máximo oito anos de serviços medíocres.

Numa empresa, alguns poucos meses (ou até mesmo dias) são necessários para que o conselho de administração se dê conta da escolha equivocada. Às vezes, acontecem exageros e precipitações. Empresarialmente falando, entretanto, a dúvida ou o erro persistido gera a falência da organização e morrer pode ser apenas resultado de uma péssima escolha.

Já em governos, assistimos a erros repetidos, lacunas de gestão que não cessam, incompetência se sobrepondo à eficiência e corrupção crescente ou não coibida. Em governos, assistimos falhas gerenciais, malversação de recursos, improbidade e inépcia generalizada. Pouquíssimos são substituídos, mesmo em cargos de confiança, nenhum é demitido mesmo por comprovada atitude ilegal e ninguém é punido por desrespeito à coisa pública, ao cidadão e à sociedade.

Em momentos críticos, porém, os mantos da democracia e da legalidade são muito bem utilizados pela incompetência no Brasil. Alguns nobres representantes populares alegam o direito à ampla defesa quando o que pretendem acessar é um judiciário também afetado pela incompetência que assola o ente público em todos os poderes. Ao se dizerem detentores de amplos direitos de defesa, querem é dizer que pretendem se submeter ao poder dos juízes. Mas não de qualquer juiz, mas dos juízes Rocha Mattos, Nicolaus e outros tantos e tantos que estão por aí dirigindo seus carros que, se adquiridos com os proventos e avanços, levariam mais de 100 anos para serem quitados. Já as empresas chamam a polícia, denunciam, o sujeito sai algemado diante dos olhos de seus pares e dificilmente ele voltará a trabalhar em lugar sério, com gente séria, num país sério.

Aqui, o que importa é o poder, o conforto que ele proporciona. Não se pagam dívidas, salários, fornecedores, não se economiza, demite nem tampouco se reduzem desperdícios. Por aqui, vale a cerimônia, a burocracia e a aparência. Ainda bem que nas empresas sérias não é assim.

O ideal seria o governante, depois de uma excelente noite de sono, se levantar, tomar seu café da manhã lendo o jornal e sofrer um ataque certeiro de lucidez e de bom senso ao dar-se conta de sua inoperância e incapacidade. Ele decidiria, solenemente, diante de seu indefensável fracasso diário, e diria à ordenança mais próxima: "Prepare o traje oficial. Hoje é um belo dia para renunciar".
(O sonho, assim como o choro, também é livre).

Processo que envolve filhos de juízes está parado

De Ana Maria Campos no Correio Braziliense

"Uma discussão no trânsito, quatro facadas e uma acusação de tentativa de homicídio. O que poderia ser o enredo de um processo como tantos outros virou questão controversa no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF). O caso foi distribuído à Segunda Turma Criminal, onde três dos quatro integrantes se consideraram suspeitos para apreciar os recursos formulados pela defesa. Motivo: o réu, Felipe Vaz de Mello, é filho do desembargador Paulo Vaz de Mello, membro do TJDF e da turma onde a questão vem sendo discutida.

Dos magistrados que compõem a Segunda Turma Criminal do TJDF, apenas a desembargadora Maria Aparecida Fernandes da Silva não alegou questões pessoais para se afastar do processo. Mas em algumas licenças do TJDF, ela tem sido substituída por juízes convocados. Um deles, Arnoldo Camanho de Assis, também preferiu não participar dos julgamentos “por motivo de foro íntimo”.

Ao apontar a própria suspeição, o magistrado não precisa apresentar justificativas. Mas o desembargador Romão Cícero de Oliveira, presidente da Segunda Turma, explicitou suas razões . Em despacho, ele afirmou: “Verifico que o genitor do acusado é um vetusto amigo meu, amizade essa que vem sendo preservada desde o ano de 1980”. Um outro integrante da turma, Getúlio Pinheiro, proferiu uma decisão desfavorável ao filho do colega. Ele estabeleceu o Tribunal do Júri competente para analisar a denúncia. Três anos depois dessa decisão, Pinheiro declarou-se suspeito, por motivo de foro íntimo, e não participa mais das sessões quando o caso está em pauta.

Felipe foi denunciado em 1999, por tentativa de homicídio, crime com pena de dois a seis anos e oito meses de prisão. Na ação penal, o Ministério Público sustenta que Felipe, então com 24 anos, fechou o carro de Leonardo Teixeira Abdala e depois, numa briga na Asa Norte, o atingiu com uma faca. Por conta disso, Leonardo — que é filho do ministro Vantuil Abdala, do Tribunal Superior do Trabalho (TST) — teria passado 30 dias no hospital".

*** COMENTANDO A NOTICIA: Só espero que a Justiça não aguarde a prescrição do crime para condenar os culpados. Fossem os acusados filhos da classe média ou pobre, provavelmente, as coisas teriam andado com maior velocidade, como também a condenação seria “exemplar”. Eis ao o caso mais claro de uma elite que se beneficia do próprio Estado para eximir-se de prestar contas de seus crimes. E por anda a OAB e a ONGs de Direitos Humanos que não se levantam para denunciarem este absurdo ? Medo de quê ou de quem ?