De Ana Maria Campos no Correio Braziliense
"Uma discussão no trânsito, quatro facadas e uma acusação de tentativa de homicídio. O que poderia ser o enredo de um processo como tantos outros virou questão controversa no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF). O caso foi distribuído à Segunda Turma Criminal, onde três dos quatro integrantes se consideraram suspeitos para apreciar os recursos formulados pela defesa. Motivo: o réu, Felipe Vaz de Mello, é filho do desembargador Paulo Vaz de Mello, membro do TJDF e da turma onde a questão vem sendo discutida.
Dos magistrados que compõem a Segunda Turma Criminal do TJDF, apenas a desembargadora Maria Aparecida Fernandes da Silva não alegou questões pessoais para se afastar do processo. Mas em algumas licenças do TJDF, ela tem sido substituída por juízes convocados. Um deles, Arnoldo Camanho de Assis, também preferiu não participar dos julgamentos “por motivo de foro íntimo”.
Ao apontar a própria suspeição, o magistrado não precisa apresentar justificativas. Mas o desembargador Romão Cícero de Oliveira, presidente da Segunda Turma, explicitou suas razões . Em despacho, ele afirmou: “Verifico que o genitor do acusado é um vetusto amigo meu, amizade essa que vem sendo preservada desde o ano de 1980”. Um outro integrante da turma, Getúlio Pinheiro, proferiu uma decisão desfavorável ao filho do colega. Ele estabeleceu o Tribunal do Júri competente para analisar a denúncia. Três anos depois dessa decisão, Pinheiro declarou-se suspeito, por motivo de foro íntimo, e não participa mais das sessões quando o caso está em pauta.
Felipe foi denunciado em 1999, por tentativa de homicídio, crime com pena de dois a seis anos e oito meses de prisão. Na ação penal, o Ministério Público sustenta que Felipe, então com 24 anos, fechou o carro de Leonardo Teixeira Abdala e depois, numa briga na Asa Norte, o atingiu com uma faca. Por conta disso, Leonardo — que é filho do ministro Vantuil Abdala, do Tribunal Superior do Trabalho (TST) — teria passado 30 dias no hospital".
*** COMENTANDO A NOTICIA: Só espero que a Justiça não aguarde a prescrição do crime para condenar os culpados. Fossem os acusados filhos da classe média ou pobre, provavelmente, as coisas teriam andado com maior velocidade, como também a condenação seria “exemplar”. Eis ao o caso mais claro de uma elite que se beneficia do próprio Estado para eximir-se de prestar contas de seus crimes. E por anda a OAB e a ONGs de Direitos Humanos que não se levantam para denunciarem este absurdo ? Medo de quê ou de quem ?
"Uma discussão no trânsito, quatro facadas e uma acusação de tentativa de homicídio. O que poderia ser o enredo de um processo como tantos outros virou questão controversa no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF). O caso foi distribuído à Segunda Turma Criminal, onde três dos quatro integrantes se consideraram suspeitos para apreciar os recursos formulados pela defesa. Motivo: o réu, Felipe Vaz de Mello, é filho do desembargador Paulo Vaz de Mello, membro do TJDF e da turma onde a questão vem sendo discutida.
Dos magistrados que compõem a Segunda Turma Criminal do TJDF, apenas a desembargadora Maria Aparecida Fernandes da Silva não alegou questões pessoais para se afastar do processo. Mas em algumas licenças do TJDF, ela tem sido substituída por juízes convocados. Um deles, Arnoldo Camanho de Assis, também preferiu não participar dos julgamentos “por motivo de foro íntimo”.
Ao apontar a própria suspeição, o magistrado não precisa apresentar justificativas. Mas o desembargador Romão Cícero de Oliveira, presidente da Segunda Turma, explicitou suas razões . Em despacho, ele afirmou: “Verifico que o genitor do acusado é um vetusto amigo meu, amizade essa que vem sendo preservada desde o ano de 1980”. Um outro integrante da turma, Getúlio Pinheiro, proferiu uma decisão desfavorável ao filho do colega. Ele estabeleceu o Tribunal do Júri competente para analisar a denúncia. Três anos depois dessa decisão, Pinheiro declarou-se suspeito, por motivo de foro íntimo, e não participa mais das sessões quando o caso está em pauta.
Felipe foi denunciado em 1999, por tentativa de homicídio, crime com pena de dois a seis anos e oito meses de prisão. Na ação penal, o Ministério Público sustenta que Felipe, então com 24 anos, fechou o carro de Leonardo Teixeira Abdala e depois, numa briga na Asa Norte, o atingiu com uma faca. Por conta disso, Leonardo — que é filho do ministro Vantuil Abdala, do Tribunal Superior do Trabalho (TST) — teria passado 30 dias no hospital".
*** COMENTANDO A NOTICIA: Só espero que a Justiça não aguarde a prescrição do crime para condenar os culpados. Fossem os acusados filhos da classe média ou pobre, provavelmente, as coisas teriam andado com maior velocidade, como também a condenação seria “exemplar”. Eis ao o caso mais claro de uma elite que se beneficia do próprio Estado para eximir-se de prestar contas de seus crimes. E por anda a OAB e a ONGs de Direitos Humanos que não se levantam para denunciarem este absurdo ? Medo de quê ou de quem ?