Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa
Macedinho, o comendador, foi secretário particular de Café Filho. Em 55 e 60, Ademar de Barros tinha disputado a presidência da República e perdido para Juscelino e Jânio. Mas em 62 voltou ao governo de São Paulo. Uma manhã, estava amolado, chateado, quando entra no gabinete, todo lépido, o comendador Macedinho, seu secretário:
- Governador, está aí fora o bispo de Cajazeiras, aquele amigo seu.
- Amigo? Amigo do dinheiro. Me levou três mil contos para a última campanha lá na Paraíba e eu perdi lá, inclusive em Laranjeiras. Não recebo.
- Mas, governador, não fica bem. Afinal de contas, é um bispo, um príncipe da Igreja.- E eu com isso? Não tenho nada com o império dele.
Ademar
Macedinho insistiu, Ademar resolveu ceder:
- Está bem, manda ele entrar e bota na sala.
O bispo entrou, sentou-se, todo de vermelho. Como um príncipe engalanado.
Ademar se levantou, olhou longamente para o bispo e nem estendeu a mão:
- Bom dia, senhor bispo. Não tenho assunto nenhum para conversar com o senhor. Mas o Macedinho, meu secretário, vai atender.
Macedinho, o comendador, foi secretário particular de Café Filho. Em 55 e 60, Ademar de Barros tinha disputado a presidência da República e perdido para Juscelino e Jânio. Mas em 62 voltou ao governo de São Paulo. Uma manhã, estava amolado, chateado, quando entra no gabinete, todo lépido, o comendador Macedinho, seu secretário:
- Governador, está aí fora o bispo de Cajazeiras, aquele amigo seu.
- Amigo? Amigo do dinheiro. Me levou três mil contos para a última campanha lá na Paraíba e eu perdi lá, inclusive em Laranjeiras. Não recebo.
- Mas, governador, não fica bem. Afinal de contas, é um bispo, um príncipe da Igreja.- E eu com isso? Não tenho nada com o império dele.
Ademar
Macedinho insistiu, Ademar resolveu ceder:
- Está bem, manda ele entrar e bota na sala.
O bispo entrou, sentou-se, todo de vermelho. Como um príncipe engalanado.
Ademar se levantou, olhou longamente para o bispo e nem estendeu a mão:
- Bom dia, senhor bispo. Não tenho assunto nenhum para conversar com o senhor. Mas o Macedinho, meu secretário, vai atender.
Foi lá dentro, deu uma ordem gritada a Macedinho, que saiu todo corado:
- Senhor bispo, o governador mandou lhe dizer isso.
E soltou um palavrão. Durante muito tempo, nos Bandeirantes, quando chegava alguém indesejável, os velhos funcionários davam a senha:
- Está aí o bispo de Cajazeiras.
Lula
Lula virou o bispo de Cajazeiras do País. No Brasil, os presidentes da República, todos, sem exceção, uns mais outros menos, sempre foram hostilizados pelos oposicionistas, pelos que não gostavam deles. Falavam mal, vaiavam. Mas o País nunca apelou para a ofensa dura, grossa. Para o palavrão.
Agora, com Lula, começou de repente um tipo de reação irritada, irada, agressiva, que não é boa para a convivência democrática e está se repetindo, se ampliando, se multiplicando. Aonde Lula vai, cada vez mais pessoas não se contentam com o "Fora Lula", o "Lula traidor", o "Lula cachaceiro".
As TVs mostram, os jornais fotografam e publicam cartazes chamando-o de coisas muito piores. A arrogância de Lula está disseminando a ira social.
A História
Não adianta certa televisão e certa "grande imprensa", azeitadas pelo R$ 1 bilhão de verbas anuais de publicidade do governo, tentarem disfarçar, dizendo que é uma minoria. Sim, é uma minoria. Mas uma minoria que perigosamente se alastra, cada dia mais furiosa, indignada, incontrolável.
Se o governo, o PT, fajutos "institutos de pesquisas", "cientistas políticos" espertinhos, que dão como definitivos os "60% de apoio ao governo", enxergassem um pouco além das verbas públicas em que se lambuzam, saberiam que quem decide a História nunca é a "maioria oficial", mas a "minoria organizada". Não são os 60% do governo, mas os 40% da rua.
Gil
Perguntei aqui quem deu ao ministro-mutante Gilberto Gil o privilégio de dois meses de férias por ano, como se o governo fosse um permanente "Domingo no parque", quando os outros não conseguem nem um mês. Nanan Catalão, charmosa assessora de imprensa do Ministério da Cultura, explica:
1 - "As turnês anuais realizadas pelo ministro da Cultura ocorrem sempre durante suas férias, sem qualquer ônus aos cofres públicos. Todas as despesas relativas às suas atividades artísticas não são pagas pelo Estado e sim pelo próprio artista".
2 - "Conforme publicado no dia 9 de julho de 2007, no `Diário Oficial' da União, o ministro esteve de férias entre os dias 9 de julho e 7 de agosto deste ano, período em que realizou sua turnê anual, que não implicou em qualquer custo ao governo federal".
Gil (2)
3 - "Quanto aos shows realizados nos Estados Unidos e Canadá entre os dias 12 e 30 de março (deste ano), neste período o ministro estava de licença não remunerada e sem ônus ao Estado, conforme publicado em 7 de março de 2007, no `Diário Oficial' da União. Na ocasião, sua licença foi autorizada pelo presidente da República Luís Inacio Lula da Silva, para que o ministro Gilberto Gil pudesse cumprir compromissos artísticos agendados antes da definição de sua permanência no Minc, neste segundo mandato".
O Gil é um protegido dos orixás da nossa Bahia. Some dois meses, cantando e dançando, e no País e no governo ninguém sente falta dele.
Itamar
Lula levou no bolso, para ler no avião, o artigo do ex-presidente Itamar Franco denunciando a entrega de Furnas ao viscoso Eduardo Cunha. Ficou furioso, sobretudo com a última frase, que define e amaldiçoa seu governo:
"É um governo que, eleito graças a propósitos de absoluta seriedade, elencados em praça pública, resvala para a ladeira da absoluta falta de ética."