Adelson Elias Vasconcellos
Ah, estes primatas ambientalistas: devem estar arrancando os cabelos, não é mesmo? Nem todo o terrorismo que praticaram, as mentiras que espalharam ao redor do mundo, nem todo o apocalipse, cantado em verso e prosa. foi suficiente para arrancar uma tratado de contensão do desenvolvimento do mundo civilizado. Desastre dizem uns, catástrofe anunciam outros.
E é só esta a verdade? Não, não é, infelizmente. As verdadeiras motivações para as mentiras, as mistificações nunca são abertas à opinião pública. E, a exemplo dos terroristas que matam, os ambientalistas, terroristas do clima, passaram o tempo todo, antes de Copenhague, contando os males que o Tio Sam e a China andam espalhando na atmosfera. Depois do COP15 o único vilão, segundo eles, é o imperialismo americano. Será?
O que estes anjos do bem desejavam? Era que China e Estados Unidos reduzissem suas emissões para o bem do planeta. Ora, isto tem um preço: desenvolver menos suas economias, e, sendo assim, isto representa desemprego que a produção menor irá desencadear. Produção menor, sem alteração de consumo, já que a população de ambos permaneceria a mesma e crescendo, significaria mais procura com menos oferta, o que desemboca em aumento de preços, inflação, descontrole fiscal, e outros males decorrentes, que a gente conhece muito bem. E quem paga a desgraça alheia?
Alegavam que os Estados Unidos construíram seu império econômico, e o consequente bem estar de seu povo, com a destruição dos seus recursos naturais. Muito bem: e quem direta e indiretamente recebeu os benefícios do crescimento e desenvolvimento econômico americano? Não foi o restante do mundo? Os avanços da tecnologia não trouxeram maior conforto, bem estar e até aumento da expectativa de vida para todos os povos? E, além dos próprios americanos, quem mais pagou esta conta do progresso? Quem?
TODOS os países do mundo foram e são beneficiados. E TODOS também, se pudessem, gostariam de ser os Estados Unidos, onde além do conforto, existe uma coisa que poucos tem: a liberdade.
Há muita gente morrendo de fome, certo? Os países africanos são sempre apontados como uma das regiões do planeta que sofre esta aflição em maiores doses, Pois bem, antes mesmo dos Estados Unidos se tornarem um país independente, a situação africana já era mais ou menos a de hoje. Isto não é questão de mera opinião, é fato histórico. A centenária disputa étnica entre as centenas de tribos africanas é o vetor que conduziu grande parte daquele continente a miséria extrema. E, nisto, me perdoem, não há mãos americanas. Até pelo contrário: as grandes organizações humanitárias lá presentes, na tentativa de minorar os padecimentos por que passam milhões de africanos, são constituídas em quase sua maioria de organizações americanas, mantidas com recursos de doações voluntária, carreadas nos Estados Unidos, sem apoio de governos.
Mas retornemos à Conferência em Copenhague. Obama retornou à sua terra debaixo de uma saraivada de críticas, ao contrário de Lula, por exemplo, que foi reverenciado. Porém, antes de sua chegada, nossa representação era composta, acreditem, por uma DELEGAÇÃO DE 800 PESSOAS, a maior dentre todos que lá estavam, teve uma atuação pífia, ridícula, inexpressiva, mesmo com tantos “entendidos”. Com a chegada do presidente, todos se calaram para ouvi-lo e o que ele disse? Sustentou o compromisso brasileiro de cortar 40% de suas emissões. E no que consiste tamanho corte?
Imaginem que o país emita 100 unidades de gases. O compromisso faria esta emissão cair para 60 unidades. E isto em dez anos, convenhamos é uma enorme contribuição, visto assim, na aparência.
E como se compõem este prodigioso corte de 40 unidades? Pasmem, 80% do total cortado é composto por desmate e QUEIMADAS. Ou seja, naquilo que realmente interessa, que é a redução de gases saídos das chaminés das fábricas praticamente ZERO de corte. Nenhum compromisso. Nossa economia não sofreria impacto algum, portanto. Mais: sem que tenha consultado quem quer seja, não fugiu ao estilo bravateiro ao anunciar a promessa de contribuir para o fundo que se pretendia criar, com a oferta de US $ 100 bilhões!!! E é aí que se começa perceber as diferenças: Obama, mesmo sendo presidente do país mais rico do mundo, não se autorizou a oferecer um dólar sem que tenha que ter a prévia aprovação do Congresso. Lula, mesmo sem consultar o Congresso e nem ouvir uma análise de sua área econômica sobre a viabilidade para tamanha generosidade, acha que pode fazê-lo É isto que distingue a democracia da pseudo democracia.
Mas, afinal, quem são os poluidores? Todo mundo claro, mas os vilões do “aquecimento” eram China e Estados Unidos. Pois bem, diante da frustração com Obama, e já retorno a ele para o desfecho deste ponto, por quê não se pressionou o governo chinês. tanto em assumir o compromisso de redução de gases quanto em ajudar a bancar o desaquecimento?
Vamos por partes: o acordo que se tentava obter teria força de lei para os países signatários. Portanto, se alguém se comprometesse em reduzir 20%, por exemplo, caso não cumprisse a meta sofreria sanções, o que é de praxe em acordos deste tipo. Ora, como avaliar se este ou aquele país, signatário do acordo, cumpriu ou não suas metas de redução? Só haveria um jeito: que fosse formada uma equipe internacional de inspetores para fiscalização. A China simplesmente disse que não se submeteria e ponto final. Esta negativa foi que motivou Obama a expressar o seguinte: “"Eu não sei como vocês têm um acordo internacional onde todos nós não compartilhamos informações e temos certeza de que estamos cumprindo nossos compromissos", afirmou o presidente. "Isso não faz sentido. Seria uma vitória vazia."
Tem lógica o pensamento, né? Porque para meter a mão no dinheiro alheio, todo mundo abria a carteira para o depósito, desfilava promessa de cortes, mas negava-se em se submeterem à indispensável fiscalização. Ou seja, tal comportamento indica falta de seriedade. Aponta justamente aquilo que se previa: todo mundo queria dinheiro, mas sem compromissos, só promessas vazias.
Veja-se o lado do Brasil. Temos esta imensidão de US$ 100 bilhões sobrando em caixa? Certamente que não. Para obtê-lo não havia outro jeito senão aumento de impostos e criação de novos. Ora, é viável num país, que já paga 37% do PIB para o governo, a tentativa de elevação dos atuais impostos e criação de outros mais? De jeito algum. Portanto, a tal oferta generosa não passou daquilo que sabemos ser Lula capaz de fazer para impressionar a platéia: pura bravata, puro jogo de cena.
Numa conferência de tal magnitude, faltou um ingrediente indispensável: ouvir os que se opõem as teorias escatológicas do aquecimento. E sabemos que existem e não são poucas, e se tratam de cientistas e especialistas do ramo. Por que não se abriu painéis para serem ouvidos?
E ainda sobre o papel da China, é bom que se diga, que ela simplesmente boicotou pelo menos duas reuniões de líderes, em que se tratava de costurar um acordo mínimo que fosse. Porque sabemos que a China, além de muitos países que lá estavam representados por seus presidentes, não cumpre acordos. Suas posições são sempre inflexíveis, ou é do jeito deles, ou nada feito. Num país fechado à informação, como saber se os cortes prometidos estariam efetivamente sendo realizados? Só com fiscalização, e isto eles não concordaram.
Portanto, antes de se demonizar Obama é bom saber qual o real papel desempenhado pelos países que lá estiveram. Dilma Rousseff, por exemplo, antes de embarcar, vivia cantando a marra de que o país se tornará a quinta economia do mundo. Ora, neste estágio, o país já não poderia ser tratado como país pobre ou em desenvolvimento. É país rico, certo? Mas na hora de contribuir, quer ser tratada como pobre, apesar de seus 800 delegados! Brincadeirinha tem lugar e hora, dona Dilma!
Como ainda há reticências em relação a teoria do aquecimento e a culpabilidade da atividade humana para a sua existência, e são contestações partidas do próprio mundo científico, não se pode agora ficar impondo acordos que ponham em risco o próprio desenvolvimento humano. Somos hoje 6,5 BILHÕES de pessoas, milhões delas morrendo de fome. Reduzir o progresso humano é condenar estas pessoas e outras mais a um destino miserável, pela drástica redução na produção de alimentos.
Todos são partes do problema, assim, todos devem ser parte da solução também, Nações pobres podem e devem ser ajudadas tanto pelo ricos quanto pelos países em desenvolvimento, não por conta do aquecimento, mas pela miserabilidade extrema em que vivem seus povos. Trata-se de uma questão humanitária, não de clima.
Acordos só serão possíveis se os comprometimentos de todos puderem ser fiscalizados por todos. E, além disso, que antes de se decidir o futuro da humanidade, que todas as partes sejam ouvidas, sem preconceitos e sem ideologias, os que são contra e os que são favor. Ciência pura, que possa ser comprovada, e não bate-bocas inconsequentes e acusações inúteis.
As negociações não se encerraram, só a conferência em Copenhague. Em 2010, no México, vai se tentar avançar nos principais pontos polêmicos que travaram um acordo amplo, geral e irrestrito. E se ainda assim não for possível?
Bem, tenho uma sugestão a dar: por que não fazer uma conferência em Pequim, na China?
Para isso, se impõem apenas duas condições: que todos aqueles profetas, pertencentes a ONGs ou não, e que promoveram arruaças, protestos e quebra-quebra em Copenhague, e já que a China boicotou o acordo e as negociações em torno da escatologia anunciada nesta conferência, que eles façam o mesmo em Pequim que fizeram na Dinamarca. Quem sabe os governantes chineses se comovam, não é? A segunda condição seria ouvir o outro lado, tão científico quanto os apóstolos do final dos tempos.