Cento e quarenta dias depois de haver conseguido que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal impusesse a repulsiva censura prévia ao jornal O Estado de São Paulo, e ter barrado todas as tentativas do jornal para reverter a imposição inconstitucional, Fernando Sarney divulgou, à tarde, uma nota na qual comunicava que estava desistindo da ação contra o Estadão. E da forma mais ordinária do mundo, disse que não pretendia censurar o jornal. Mas a sua ação visava o que, especificamente, cara pálida? Ou aquilo, na escola em que você foi criado, tem outro apelido?
É interessante notar que, mesmo diante da recusa do STF em acolher o recurso do Estadão, o filho do senador pseudo democrata tenha desistido assim, sem mais nem porque da ação.
Por isso fica a pergunta: depois de cento e quarenta dias de proibição para que o jornal não divulgasse as gravações em que o bate-papo familiar revelava a safadeza de bastidores da política nacional, deu tempo para apagar tudo, senhor Fernando? Foi possível apagar os rastros, senhor Sarney?
Não, porque se não foi possível, a gente até pede para o STF continuar conspurcando a constituição em defesa da "honra" do clã, entendeu ?
Gente malandra: esperaram a justiça entrar em recesso para aplicar o golpe do arrependimento. Como a censura foi aplicada através de determinação judicial, somente ela poderá liberar o jornal para continuar cumprindo o seu papel de informar!!!
É impressionanate como os cafajestes das velhas oligarquias da política nacional, se consideram acima do bem e do mal. E acham que manobras torpes como esta conseguem ainda iludir a opinião pública !!!
Portanto, fica a pergunta no ar: deu tempo, Sarney's?