sexta-feira, setembro 21, 2012

O verdadeiro golpe


Adelson Elias Vasconcellos.


Conforme o prometido, vamos tratar agora da tal nota divulgada pelo PT e bando de aliciados.  Não sem antes tecer algumas considerações sobre o comportamento e as atitudes do ministro revisor no julgamento do Mensalão, no STF, ministro Ricardo Lewandovski.

 Na sua descarada estratégia de prolongar o quanto puder as sessões de julgamento do mensalão, o ministro Lewandovski tenta, de todas as formas ao seu alcance, lançar brumas sobre a ação penal, com o propósito de abrir brechas processuais para que os advogados de defesa dos réus tenham motivos para recurso futuro. 

De outro lado, o Planalto deu curso numa velocidade impressionante para a nomeação do ministro substituto do aposentado Cezar Peluso,  tendo Renam Calheiros,  numa não menos impressionante eficiência, dado seu parecer fulminante para que o novo ministro possa assumir antes que o julgamento chegue ao seu final.

Como este não poderá votar porque isto representaria a maior marmelada da história, necessariamente deverá se declarar impedido, até porque nada conhece do processo e um pedido de vistas,  que teria o dom de simplesmente suspender o curso do julgamento,  e isto seria vexatório até para sua biografia, qual a tramoia que se vai desenhando?

Com ações  poucos recomendáveis, Lewandovski criar brechas possíveis a um provável recurso infringente, depois de terminado esta fase do julgamento, para que, este recurso ao retornar à análise do STF, encontre por lá dois novos ministros, escolhidos a dedo pelo Planalto, e capazes de reverter o placar em favor dos réus, principalmente, os do núcleo político pertencentes ao PT. Sempre é bom lembrar que Ayres Brito se aposenta na metade de novembro. Como este recurso só será analisado pelo STF em 2013, a chance da manobra  produzir o resultado cafajeste para livrar os mensaleiros petistas,  é muito grande. 

Aliás, até por conta de seu voto ontem, em relação à lavagem de dinheiro e de que são acusados os réus do núcleo político, Lewandovski que, provavelmente será acompanhado por Dias Tóffoli, vai livrar a cara de todos e talvez até de formação de quadrilha. 

Se jogar o julgamento para as calendas, apostando numa prescrição das penas, não deu certo, se a pressão tentada nos bastidores sobre alguns dos ministros também redundou em fracasso, entra em ação o Plano C da impunidade que, se consumado com o êxito que dele se espera, representa o mais horrendo, deplorável  e criminoso golpe desferido por um governo amplamente escorado por seu partido político, contra às instituições, contra o estado de direito, contra à democracia, contra à própria sociedade, de que a história já tenha registrado. A tal nota oficial de apoio aos petistas réus, apontando  um delirante golpe contra o PT e Lula, e que estaria sendo urdido justamente por quem nenhuma razão teria para fazê-lo representa bem o grau de psicose coletiva que a turma conseguiu atingir. Só não é mais canalha, porque seus autores, acreditem, conseguem produzir coisas ainda piores. Não há limites para esta gente quando se trata de indecência. 

Mas serve para ilustrar de maneira definitiva  o grau de  total descontrole que o resultado do julgamento pelo STF até aqui, tem provocado neste círculo de criminosos e seus comparsas submissos.  Perderam o resto de escrúpulos que ainda tinham (se é que algum dia chegaram a ter algum), jogaram no lixo o senso do ridículo e da realidade. Seus ódios babam por seus colarinhos umedecidos pelo suor nervoso de verem arrancada a máscara por trás da qual se esconderam e  construíram um mito com pés não barro, mas da lama produzida pelo açoite inconsequente e constante à ordem legal democrática e suas instituições. Sente-se embevecidos pelo caráter conspurcado construído nos subterrâneos do submundo corrupto da politicalha com que ergueram seus patrimônios, inexplicáveis apenas com o fruto do trabalho honesto. Querem amealhar as consciências de seus julgadores, não por amor à justiça, mas para continuarem se lambuzando e expropriando a sociedade de honestos que os sustentam, mas a quem nada retornam na forma de benefícios. Entopem-se de vilanias e mistificações.

Nem ao tempo da ditadura  militar, tampouco pela ditadura getulista, o STF foi tão sordidamente agredido e afrontado, for tão torpemente aviltado em sua missão por um grupo político como o foi por Lula, PT e sua quadrilha de canalhas e cafajestes aliados e acumpliciados. Para esta camarilha, o fascismo deve ter servido de modelo de um regime de plenas garantias individuais e estado democrático e de direito...Tentam copiá-lo naquilo que ele tinha de mais sórdido.



Acusam um golpe contra Lula, PT e a democracia? É um espanto. Senão vejamos: quem denunciou o esquema era da base de apoio de Lula. A CPI dos Correios, de onde nasceram muitas evidências dos crimes ora em análise pelo STF,  foi comandada por político do próprio PT. As investigações estiveram a cargo da Polícia Federal que, vejam que coisa!, é comandada pelo PT desde 2003. No Ministério Público, onde a denúncia foi formulada, estava à frente Antonio Fernando de Souza que fora nomeado pelo próprio Lula. Roberto Gurgel, que o sucedeu na PGR, também foi  conduzido ao cargo pelo governo petista. A grandiosa maioria do STF atual é constituída por ministros nomeados por Lula e Dilma. Ora, o processo mensalão nasceu, cresceu, se desenvolveu, amadureceu e chegou ao seu clímax no STF, seguindo e perseguindo caminhos onde apenas haviam ou petistas, ou apoiadores do próprio governo petista, ou por nomeados por Lula e Dilma. Será crível imaginar que toda esta gente teria interesse em prejudicar o PT, tendo por ele sido beneficiado?  Ora, até para ser ridículo há limites...

Ser assim desmascarados, para serem  exibidos na sua verdadeira baixeza  de caráter, afeta-lhes o tirocínio, rouba-lhes a razão, entregando-os  a este febril desespero  para abrir uma guerra santa contra seus julgadores, desqualificá-los, desmoralizá-los,  demonizá-los. O Poder Judiciário passou a ser visto, por esta casta odiosa, como um inimigo contra quem todo o fel deverá ser derramado.  Passaram a tratar o conjunto das leis que eles infringiram, como inimigos ocultos contra quem devem se opor e não se submeter. Se pudessem, ao melhor estilho chavista ou fascista,  fechariam o Judiciário e nomeariam para ali terem assento, verdadeiras vaquinhas de presépio, zumbis autômatos incapazes de discernir, de divergir, de se opor à vontade imperial do poder total e tirânico proferido por uma única voz, um único dono, a quem deveriam ter obediência cega e servil.

Como não podem, não por não queiram, mas porque as instituições lhes resistem aos apelos ditatoriais,  tentam por manobras torpes, criar o fantasma do golpe, trazem à luz um passado que em nada se assemelha à normalidade democrática de que o país goza no presente.  Em nome do golpe que pretendem desferir contra à democracia, inventam um golpe pueril e insano desta contra a sua tirania. 

Se o Brasil, por suas instituições democráticas legítimas, souber resistir à pressão criminosa e aos apelos levianos desta turba odienta, demonstrará um amadurecimento para passos mais decisivos rumo a um país civilizado finalmente, jogando no lixo da história biografias maculadas pelo caráter deplorável de figuras políticas que passaram sua vida pública a se beneficiar para seu exclusivo deleite pessoal na exploração de toda uma nação.  

A perspectiva de perderem este encanto com que manipularam durante décadas o povo brasileiro, e pela ótica de serem julgados e condenados por uma pequena fração dos muitos crimes cometidos contra à sociedade, os tem levado a este lamentável e lastimável estado de desespero. Que seu desespero se transforme  em fúria enlouquecida, em ódio atroz capazes de despi-los das máscaras atrás da qual sempre esconderam seu verdadeiro mau caráter, sua deformação moral, seu descomprometimento com o verdadeiro papel de homens públicos que deveriam ter representado. Seu último grande golpe, portanto, não pode prosperar, para o bem de todos e um futuro digno do Brasil. 

Aliás, em matéria de golpistas, o PT tem sido o grande mestre graduado a ensinar os demais políticos como se “se faz a coisa”.  Mesmo em modestas eleições municipais, não tem perdido oportunidade de carimbar marca preferida, a da chantagem e constrangimento. Não apenas políticos do PT mas, também, ministros do governo Dilma têm comparecido a palanques e debates públicos de seus candidatos, prometendo que, se eleitos  os “prometidos” de Deus, então o dinheiro do governo federal jorrará em abundância, projetos serão destravados, e apoios logísticos serão levados avante. Ora, até parece que o dinheiro com que o governo petista vem se esbaldando numa aparelhamento imoral do Estado, desde 2003, em favor do partido e seu bando de cúmplices,  não pertence ao conjunto dos brasileiros, independente de sexo, opção política, gênero sexual.  Quem, além do próprio PT, é PHd em montagem de bunkers com o propósito de construir dossiês fajutos e infames, para desqualificar  e espalhar calúnias contra adversários? Quem senão o PT prega, aberta e ilegalmente, o extermínio dos partidos de oposição, esquecendo-se que o faz calcado num regime democrático cuja legitimidade é justamente  a presença dos partidos de oposição? Quem, senão o comandante em chefe do PT vocifera pelos palanques palavras de ordem, agredindo  e injuriando  oposicionistas, destilando uma baba horrenda de puro ódio e fel?  

Que o PT desinfete a língua e a boca e, sobretudo, mire-se no próprio espelho,  antes de vociferar contra quem quer seja o título de golpista. 

E que pare, de uma vez por todas, de incutir no seio da sociedade, uma cisão social irracional. O Brasil é um só, e a ele pertencem TODOS os brasileiros,  pobres e ricos, trabalhadores e patrões, vagabundos e gente decente, e sejam eles todos petistas ou não.  

Judiciário não pode se curvar


Sebastião Nery
Tribuna da Imprensa


No 11 de novembro de 1955, o presidente Café Filho internado com problemas cardíacos, Carlos Luz, presidente da Câmara, assumiu o governo e tentou demitir o general Lott do ministério da Guerra, para impedir a posse de Juscelino, que havia ganho as eleições de 3 de outubro.

Lott reagiu, a Câmara se reuniu, derrubou Carlos Luz e pôs Nereu Ramos, presidente do Senado, lá no Catete. Antonio Balbino, governador da Bahia, amigo de Nereu, veio para o Rio visitá-lo. Nereu acabava de receber uma carta de Café Filho comunicando-lhe que já estava bem, em casa, e iria reassumir a Presidência. Mas o general Denis, comandante do I Exército, já havia mandado cercar a casa de Café para ele não sair de lá.

Quando Balbino chegou ao Catete, o general Lima Bryner, chefe da Casa Militar de Nereu, muito amigo de Balbino, pediu-lhe que convencesse Nereu a não devolver o governo a Café. Nereu foi claro: – Só vou agir dentro da lei. O Café, por meio do Prado Kelly e do Adauto Cardoso, entrou com mandado de segurança no Supremo Tribunal. Se o Supremo conceder o mandado, entrego o governo e volto para o Senado.

Lott agiu de imediato.

BALBINO
Lott soube da conversa, chamou Balbino:

- Governador, vá conversar com o presidente do Supremo.

Balbino foi. O velhinho estava em casa, noite alta, já de pijama: – Ministro, o País está vivendo momento difícil. A casa do Café e o Catete estão cercados pelo Exército. Nereu não vai poder passar o governo.

- Mas o mandado de segurança está em pauta para amanhã. Se o Tribunal conceder, o Café vai reassumir.

- Ministro, entenda. Enquanto se fecha o Legislativo, ainda se entende. Mas, se o Judiciário for fechado, para onde vamos?

O ministro levantou-se, passou para um gabinete reservado, pegou um telefone velho, daqueles de gancho, e começou a ligar para os outros, falando baixinho, cochichando. O mandado de segurança não entrou em pauta.

APODRECIMENTO
Mais dia menos dia o Brasil vai acabar pagando alto preço por esse devastador processo de despudorado apodrecimento das instituições nacionais, que veio do Executivo, invadiu o Legislativo e também atingiu o Judiciário.

Quando o Judiciário se curva, tudo pode acontecer. Já vimos esse filme. No Peru, a Suprema Corte chegou a um tal grau de aviltamento, que um japonês corrupto, o Fujimori, a fechou com o apoio e aplausos de multidões.

O filme da Venezuela não foi igual, mas parecido. O Supremo Tribunal de tal forma se desmoralizou acobertando tudo a serviço de todos os governos, que um tenente-coronel de segunda, o Chávez, foi eleito e reeleito presidente da República prometendo, e cumprindo, fazer intervenção no Tribunal.

No Brasil, o mensalão acaba salvando o Supremo. Nem tudo está perdido.

Divergência de ministros do STF sobre crime de ‘lavagem’ será usada por políticos para recorrer


Josias de Souza


Acentuou-se no STF uma divergência que havia sido inaugurada no julgamento do deputado João Paulo Cunha (PT-SP). Refere-se ao conceito do crime de lavagem de dinheiro. A divisão levará os políticos condenados por esse delito a protocolar recursos contra as decisões do Supremo.

Uma parte dos ministros avalia que a ocultação dos nomes dos beneficiários de recursos de origem ilícita é o bastante para caracterizar a ‘lavagem’. No caso do mensalão, a maioria dos pagamentos foi feita nos guichês do Banco Rural por meio de cheques da SMP&B, empresa de Marcos Valério.

Os cheques eram nominais à própria empresa. Na contabilidade oficial, destinavam-se ao pagamento de fornecedores. Na realidade, eram retirados em dinheiro vivo por prepostos dos políticos, que assinavam recibos. Desse modo, os nomes dos reais beneficiários não apareciam no papelório sujeito à fiscalização do Banco Central e de órgãos de controle como o Coaf.

Outro grupo de ministros adota a tese chamada tecnicamente de “exaurimento do ato de corrupção”. Nessa versão, a ocultação dos saques seria parte integrante do crime de corrupção passiva. Quer dizer: aqueles que receberam vantagem indevida do esquema criminoso devem ser apenados apenas por corrupção (pena mínima de dois anos de cadeia), sem o acréscimo da pena por ‘lavagem’ (mínimo de três anos de prisão).

No caso de João Paulo Cunha, a condenação por ‘lavagem’ prevaleceu por maioria estreita: 6 votos a 5. Condenaram o deputado: o relator Joaquim Barbosa e os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ayres Britto. Inocentaram-no: o revisor Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Dias toffoli, Cezar Peluso e Marco Aurélio Mello.

Em voto concluído nesta quinta (20), Barbosa condenou outros 12 réus pelo crime de lavagem de dinheiro. Entre eles sete acusados que eram deputados federais na época em que receberam dinheiro de Marcos Valério por determinação de Delúbio Soares: Pedro Corrêa e Pedro Henry, do PP; Valdemar Costa Neto e Carlos Alberto Rodrigues, o Bispo Rodrigues, do PL (hoje PR); Roberto Jefferson e Romeu Queiroz, do PTB; e José Borba, do PMDB.

No instante em que analisava a situação de José Borba, Joaquim Barbosa foi aparteado por Marco Aurélio Mello. “Estou espantado com o conceito que está sendo veiculado para a lavagem de dinheiro,” disse. Para Marco Aurélio, o “escamoteamento” dos recebimentos é parte do crime de corrupção ativa. A condenação por ‘lavagem’ representaria uma dupla punição por um único crime.

Barbosa reiterou seu entendimento. Recordou que, no caso de José Borba, ele compareceu à agência do Rural. Instado a assinar um recibo pelo repasse de R$ 200 mil, recusou-se a acomodar o jamegão na folha de papel. Foi necessário que Simone Vasconcelos, funcionária da SMP&B de Valério, voasse de Belo Horizonte para Brasília. Ela realizou o saque e repassou o dinheiro a Borba.

No dizer de Barbosa, a ‘mise-en-scéne’ que assegurava a ocultação dos nomes dos beneficiários dos repasses é suficiente para caracterizar a ‘lavagem’. Rosa Weber interveio para ecoar Marco Aurélio. Ela recordou que a divergência já se havia manifestado quando do julgamento de João Paulo. Ayres Britto, Gilmar Mendes e Luiz Fux acorreram ao microfone para endossar a posição do relator Barbosa. Ou seja: a divisão remanesce. 

A sessão desta quinta do STF já foi encerrada. Antes, o revisor Ricardo Lewandowski teve tempo de ler a parte inicial do seu voto referente ao capítulo que trata dos repasses de verbas a políticos. Nas primeiras linhas, absolveu um dos réus (Pedro Henry) de todas as acusações e deixou claro que repisará o entendimento que esgrimiu na análise do caso de João Paulo: não vai adicionar à pena dos condenados por corrupção ativa o castigo da lavagem de dinheiro.

Considerando-se que o ministro Peluso aposentou-se em 3 de setembro, é possível prever que, nessa fase, as condenações por ‘lavagem’ devem prevalecer pela estreita maioria de seis a quatro. Um placar que continua servindo de matéria prima para que os advogados dos réus recorram contra a decisão.

Ouvidos pelo repórter, dois advogados anteciparam o que deve suceder. Primeiro, vão protocolar ‘embargos de declaração’, um tipo de recurso que serve para pedir ao Supremo que esclareça pontos obscuros ou duvidosos das sentenças. Depois, apresentarão ‘embargos infringentes’, recursos destinados a provocar a reavaliação das provas e a eventual revisão das condenações.

Pelo regimento interno do Supremo, os ‘embargos infringentes’ podem ser manejados pelos defensores nos casos em que as condenações forem impostas por decisões não unânimes. Exige-se que haja pelo menos quatro votos em favor do condenado. João Paulo dispõe de cinco. Os demais devem sair do plenário do STF com pelo menos quatro votos pela absolvição.

Diante de um cenário de condenações múltiplas e disseminadas, a apresentação de recursos serve de lenitivo. Na pior das hipóteses, o esperneio força o adiamento da execução das sentenças. Na melhor, pode levar à subtração da pena por ‘lavagem’ do cálculo a ser feito na fase em que o Supremo tiver de fixar a dosagem das penas.

Em 18 de novembro, deixará o Supremo o presidente Ayres Britto. Assim como Peluso, ele fará aniversário de 70 anos e terá de vestir o pijama da aposentadoria compulsória. A mudança na composição do plenário deixa animados os advogados.

Peluso livrou João Paulo da imputação de lavagem. Ayres Britto condenou-o e deve repetir o voto no capítulo atual. Supondo-se que os dois novos ministros se animem a participar do julgamento dos recursos e adotem a linha Peluso, a minoria pró-absolvição vai virar maioria. O substituto de Peluso já foi indicado por Dilma Rousseff. Chama-se Teori Zavaschi. Aguarda pela aprovação do Senado para assumir a cadeira.

Desagravo delirante a Lula compara mensalão ao golpe de 64


Altamir Tojal
Tribuna da Imprensa



Nota de desagravo ao ex-presidente Lula, lançada hoje (20/9/2012) pelos presidentes de seis partidos da base aliada do governo, compara o debate na sociedade sobre o julgamento do mensalão com a conspiração para depor Getúlio Vargas em 1954 e com o golpe de 1964 que derrubou Jango.

Mais que um delírio político na tentativa de negar o envolvimento de Lula com a quadrilha do mensalão, esta nota está em linha com a correria no Senado para aprovar o novo ministro do STF, a tempo de interromper o julgamento em curso. Está em linha também com a palavra de ordem, inventada nesta semana nos laboratórios do PT, de que o STF está realizando um “julgamento de exceção”. Tudo isso se junta a pressões para que o julgamento não seja mais televisionado e às sempre renovadas acusações contra a cobertura pela mídia.

Se por um lado a suspeita correria para usar a nomeação de Teori Zavascki para melar o julgamento ameaça produzir um dos maiores escândalos políticos do Brasil nos últimos tempos, os ataques ao julgamento, à cobertura da imprensa e ao debate na sociedade semeiam o terreno não só para desmoralizar o processo, mas também, para a perpetuação da impunidade no país e para impedir a republicanização do Poder Judiciário. Além disso, incentivam a guerra contra as instituições democráticas – notadamente a imprensa crítica.

Buscando desqualificar a justiça e restringir a imprensa, o PT enfraquece a democracia e, assim, reitera o projeto de perpetuação no poder custe o que custar, que já levou ao aparelhamento do estado, à união com as forças políticas mais retrógradas e à compra generalizada de apoios e consciências pela distribuição de bolsas, favores, verbas, patrocínios e a corrupção escancarada, que vem sendo provada no julgamento do mensalão.

Diminuir para crescer


Rolf Kuntz 
O Estado de S.Paulo

A presidente Dilma Rousseff pôs em xeque mais uma parte da "herança bendita", ao autorizar o corte de 35% do pessoal de Furnas, passo necessário para o aumento da eficiência da empresa, segundo seu presidente, Flávio Decat. Oito anos de empreguismo desenfreado e de subordinação de toda a máquina federal aos objetivos políticos - e até pessoais - do presidente Luiz Inácio Lula da Silva causaram danos enormes ao aparelho de Estado. Os estragos impostos à Petrobrás são hoje muito claros. Foram revelados de forma inequívoca pela nova presidente da empresa, Graça Foster. Apesar de seus esforços para amaciar as denúncias e evitar conflitos abertos com a administração anterior, ela disse o necessário para qualificar a experiência dos oito anos anteriores. Metas irrealistas, projetos mal concebidos, desperdício de recursos e preços distorcidos foram algumas das marcas desse período.

O mesmo estilo de administração inflou os quadros de todos os segmentos do setor público federal. Em dezembro de 2010, o pessoal próprio das estatais era formado por 497.020 funcionários, segundo o Ministério do Planejamento. Em 2002, antes do início da gestão petista, havia 369.658. Houve, portanto, aumento de 34,4% nesse período. A expansão foi praticamente a mesma no setor elétrico - 34,6%, de 22.190 para 27.311 registrados. Em Furnas, a variação foi de 3.453 funcionários em 2002 para 4.906 em 2010 - um crescimento de 42,1%, bem superior à média do setor. O quadro atual, segundo informação divulgada na segunda-feira pela empresa, é formado por cerca de 6,4 mil empregados. O objetivo é reduzi-lo a 4,2 mil. A mudança, é importante notar, deve ocorrer sem prejuízo para a empresa. Ao contrário: o objetivo é torná-la mais ágil e mais capaz de competir. A reforma, segundo o presidente da Eletrobrás, José da Costa Carvalho Neto, será estendida às demais empresas do grupo.

Ao anunciar a redução de encargos sobre as contas de eletricidade, na semana passada, a presidente Dilma Rousseff permitiu-se um autoelogio, estendido, naturalmente, a seu padrinho político e antecessor no Palácio do Planalto. A era dos apagões, segundo a presidente, havia ficado para trás, numa referência ao grande blecaute do governo tucano. Não precisaria, para valorizar a redução de encargos, apelar para uma escandalosa inverdade. A história conhecida de todos os brasileiros é bem diferente. O grande apagão da virada do século foi substituído por uma porção de apagões de menor duração e de enorme extensão territorial. Os exemplos são muitos, mas deve ser suficiente a recordação de alguns. Dezoito Estados ficaram sem energia elétrica em 10 de novembro de 2009, depois de uma pane em Itaipu. Em 10 de fevereiro de 2010, oito Estados nordestinos ficaram sem eletricidade. Nos dias 3 e 4 de fevereiro de 2011, o mesmo número de Estados enfrentou um apagão, no Nordeste, por uma falha no sistema Chesf. Seis dias depois, as vítimas foram 2,5 milhões de pessoas na área metropolitana de São Paulo. Em outras palavras: com muito mais funcionários na folha de pagamento, o sistema continuou funcionando muito mal, com graves falhas técnicas, fiscalização deficiente e baixa regulação.

Nesse, como em vários outros campos da administração federal, o aumento dos quadros foi amplamente desproporcional à evolução da qualidade dos serviços. A capacidade geradora de todo o sistema nacional de energia elétrica aumentou 36,3% entre 2002 e 2010, mas o País continuou sujeito a falhas graves no fornecimento. Nessa área, como na maior parte do governo, os valores da produtividade e da qualidade ficaram em plano inferior, porque os objetivos do grupo governante eram muito diferentes. Vale a pena lembrar uma observação feita por bons analistas logo no começo da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: ele havia chegado a Brasília com um projeto de poder, mas sem projeto de governo. Esse detalhe nunca foi alterado em oito anos de mandato.

A ocupação da máquina pelos amigos, partidários e aliados obedeceu estritamente ao projeto de poder, assim como a centralização do comando da Petrobrás no Palácio do Planalto. A desastrada aliança com o governo venezuelano para a construção da Refinaria Abreu e Lima foi uma das consequências da subordinação das metas gerenciais aos objetivos políticos. O loteamento das empresas do setor elétrico seguiu o mesmo padrão, assim como a desmoralização das agências reguladoras. A presidente Dilma Rousseff nunca deveria esquecer esses fatos. Pode tentar disfarçá-los, em sua retórica, mas só conseguirá governar e deixar uma herança melhor que a recebida se mudar de rumo. O reconhecimento da ineficiência de Furnas e de outras empresas do setor elétrico é um avanço, talvez penoso, nessa direção.

Meia-Boca


Carlos Alberto Sardenberg 
O Globo

Ângela Merckel não vacila na política econômica. Dilma hesita

Já disseram que se você fizer qualquer coisa com convicção, acaba dando certo. Vale para tenistas, por exemplo. O jogador que vacila no momento do golpe e, numa fração de segundo, imagina que aquela pode não ser a opção correta, ou erra ou passa uma bola fraca. Perde de qualquer jeito. 

Mal comparando, Ângela Merckel não vacila na política econômica que impõe à Europa. Governos endividados precisam fazer o ajuste e ponto final. Claro, ainda estamos longe de saber se isso vai dar certo, mas está andando. Até François Hollande, que se elegeu presidente atacando a receita Merckel, anunciou corte de gastos públicos e aumento de impostos. 

Mas tentou amenizar a coisa. Disse que o peso do programa cairia sobre aqueles que ganham mais de um milhão de euros/ano e cuja alíquota do imposto de renda sobe de uns 50% para 75%. E para amenizar a coisa pelo outro lado, explicou que isso afetaria no máximo três mil pessoas. E desculpou-se garantindo que os sacrifícios serão temporários. 

Não tem a convicção, claro, está atingindo por força das circunstâncias. Por isso, as dúvidas sobre a eficácia. 

E a presidente Dilma Roussef? Vai na bola com determinação ou hesita? 

Depende. No caso das privatizações, claramente vacila. Fez a concessão de três aeroportos, a coisa não saiu direito – as grandes operadoras internacionais ficaram de fora - e agora Dilma não sabe bem como lidar com os demais que também precisam de pesados investimentos. 

É pura falta de convicção. Está claro que o setor público não dá conta da tarefa, mas privatizar assim direto, à tucana, também pega mal para um governo petista, certo? Sai uma privatização meia boca, que junta os defeitos do setor público e do privado que não quer correr riscos. 

O governo também vacila na inflação. A presidente, o ministro Mantega e o presidente do BC, Alexandre Tombini, garantem que está em pleno vigor o regime de metas de inflação, sendo de 4,5% o alvo para este ano e para o próximo. 

Não vai rolar. Para este ano, a inflação deve ir a 5,5%, se não for mais, e mais um pouco em 2012. E daí? Até 6,5%, tudo bem, dizem as autoridades. 

Não é bem assim. A meta é de 4,5%, tolerando-se um desvio, em circunstâncias extraordinárias, de até 2 pontos. Mas estamos nos encaminhando para o terceiro ano com inflação média perto dos 6%. Um extraordinário muito longo, não é mesmo? 

Falta de convicção, de novo. Parece que meta de inflação é tão tucana quanto a privatização. A corrente desenvolvimentista, onde se assentam as convicções históricas da presidente, acha que uma inflação mais alta pode até ser um instrumento para se turbinar o crescimento. 

Dirá o leitor: e não é assim mesmo? Qual a diferença entre uma inflação de 4,5% e outra de 6%? 

Perguntem aos milhões de trabalhadores que têm batalhado por reajustes salariais. Quem ganha hoje 20% a mais do que recebia no início de 2010 está rigorosamente na mesma. Os funcionários públicos que aceitaram o reajuste de 15% em três anos estão perdendo dinheiro. A inflação acumulada no período será maior do que isso. 

Tudo bem se houver crescimento, argumenta o pessoal do governo. Mas por que não anunciam logo que abandonaram o regime de metas e isso de BC independente? Porque não pega bem. O mundo respeita o sistema de metas, simplesmente porque tem funcionado por toda parte. 

Mesmo sem o governo admitir que deixou o regime, mas praticando meia boca, os agentes econômicos (categoria que vai do investidor ao assalariado e consumidor de supermercado) já trabalham com inflação acima da meta por um longo período. Ou seja, buscam preços e salários nessa perspectiva, o que realimenta a subida de preços, ou impede sua queda em momentos de paralisia econômica. 

Por outro lado, parece que o governo não vacila na sua disposição de intervir na economia e orientar/conduzir o setor privado. Acredita que tudo, até a falta de medalhas olímpicas, pode ser resolvido com um programa e comando de Brasília. 

O país cai num círculo vicioso: como o governo não tem dinheiro e nem capacidade para fazer tudo, precisa abrir espaço para o privado. Mas este não vai com convicção quando é amarrado pelo ambiente de negócios supercontrolado pelo próprio governo. 

Crescimento baixo e inflação alta, não é por acaso. 

Os nós do crescimento


O Estado de S.Paulo

As iniciativas anunciadas nas últimas semanas pelo governo na área de infraestrutura indicam que, afinal, a questão começa a ser tratada com seriedade e de maneira articulada pelas autoridades. O objetivo enunciado pela presidente Dilma Rousseff é a prestação de serviços mais eficientes e mais baratos nas rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e na geração e distribuição de energia elétrica. O grande atraso com que essas providências estão sendo tomadas, no entanto, gerou uma imensa escassez de serviços essenciais para o crescimento e, apesar das dimensões e das ambições dos planos e projetos que começam a sair do papel, por muito tempo ainda o País carecerá de infraestrutura adequada.

"O que deixamos de fazer no passado atrapalhou muito a infraestrutura", reconheceu o secretário de Política Nacional do Ministério dos Transportes, Marcelo Perrupato, ao participar do seminário "Os Nós da Infraestrutura", o primeiro da série Fóruns Estadão - Brasil Competitivo, promovido pelo Grupo Estado em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O atraso é tão grande que nem os planos de investimentos de até R$ 430 bilhões em transportes anunciados recentemente são suficientes.

Problemas apontados há bastante tempo - alguns, há décadas - pelo setor empresarial nas áreas de portos, aeroportos, fretes, transportes internos e operações nos armazéns portuários começam a ser enfrentados pelo governo, sobretudo com obras do PAC, mas "em uma velocidade aquém da necessária", observou o diretor de Infraestrutura da CNI, José de Freitas Mascarenhas.

Além da insuficiência de recursos e da lentidão da execução dos planos do governo, há o problema da qualidade dos projetos. "Temos deficiência na elaboração de projetos em obras mais complexas", disse o presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy.

Tudo isso retarda a solução dos problemas do País, que são imensos. Tendo o Brasil escolhido as rodovias como principal componente de sua matriz de transportes - 60% de toda a carga movimentada no País é transportada por caminhões -, era de esperar que os planos do governo dessem às estradas a importância que elas passaram a ter. Ainda hoje, porém, apenas 12% da malha rodoviária está pavimentada. Ter pavimento está longe de significar estrada de qualidade. De 92,7 mil quilômetros de estradas pavimentadas, mais da metade está em condições regular, ruim ou péssima, de acordo com pesquisa de campo da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

As longas filas de caminhões e a quantidade de navios esperando para serem carregados na época da safra de grãos simbolizam o longo período em que os portos brasileiros - responsáveis por 95% do nosso comércio exterior - ficaram sem investimentos adequados. Os aeroportos também passaram a integrar a lista dos grandes problemas de infraestrutura do País.

Ignorado nos últimos anos pelo poder público, o setor ferroviário foi o que recebeu as maiores atenções do governo no pacote de logística anunciado no mês passado. Houve, segundo o secretário de Política Nacional do Ministério dos Transportes, uma mudança no enfoque do governo da matriz de transportes. Doravante, os investimentos em rodovias serão destinados à duplicação da malha existente, não para a abertura de mais estradas.

Na matriz ideal para o País, na nova visão do governo, as rodovias responderiam por 29% dos transportes e as ferrovias, por 35% (os demais meios responderiam pelo restante). Marcelo Perrupato acredita que, com os investimentos programados, isso poderá ser alcançado em 2023.

Estes são, porém, apenas uma parte dos problemas que emperram o crescimento. Há, ainda, a necessidade de melhorar as condições de vida da população e preparar a mão de obra qualificada que o País demandará cada vez mais daqui para a frente. E, além de obras de infraestrutura, o País continua a carecer de um sistema tributário mais simples e menos oneroso, de menos burocracia e de governos mais eficientes.

Desempenho ou desenvolvimento?


Aristeo Leite Filho (*) 
Jornal do Brasil     
                                                    
A educação é uma prática social que acontece em diferentes espaços e tempos da produção da vida social. É um processo social global. Dele participam todos os indivíduos, durante toda a vida e em todos os lugares da sociedade.

Os conceitos, as concepções e as representações sobre o que vem a ser uma educação escolar de qualidade modificaram-se ao longo da história, sobretudo se forem levadas em consideração as transformações mais prementes da sociedade contemporânea.

A educação escolar tem como função o desenvolvimento de processos formativos por meio dos diferentes níveis, ciclos e modalidades educativas. Sendo assim, o ensino – as escolas, os colégios –, uma das formas de educar, não pode e não tem como separar a família (os pais) da escola nessa tarefa de receber e conviver com as crianças e os jovens, promovendo ações educativas para o crescimento, o desenvolvimento e a ampliação de conhecimentos e saberes das gerações mais novas.

É empobrecedor compreender a escola como lugar meramente de aulas, testes, provas e notas. E mais lamentável é entender que a escola seja sempre uma antessala: a educação infantil, a antessala da alfabetização; o ensino fundamental, a antessala do médio; o ensino médio, a antessala do Enem/Vestibular. Restringir a ação da escola a processos preparatórios pode interferir significativamente na função e no compromisso das instituições de educação formal, estreitando suas propostas – ou seja, aquilo em que elas apostam – cursinhos de adestramentos, treinamentos para o ciclo escolar seguinte. A instrução toma, nessa perspectiva, proporções muito maiores do que a educação de crianças e jovens.

Será que não estamos vivendo hoje uma síndrome coletiva, a do escolarismo? Prevalece para muitos o discurso dos resultados acadêmicos. Discurso este que considera como propósito central da escola apoiar, estimular e facilitar a capacidade que o aluno tem de obter notas e pontuações altas em testes. Qual seria a função da escola? Devem escola e pais estar mais preocupados com os resultados acadêmicos do que com os sujeitos que conseguem esses resultados? Isso não seria a troca do desenvolvimento das crianças e adolescentes por desempenho? O que queremos para os nossos filhos e alunos?

Algumas ideias podem nos ajudar a refletir sobre essas questões. Em primeiro lugar, compreender que educar é mais que ensinar e instruir ou treinar. Depois, que o desenvolvimento humano demanda em seu curso muito mais que as exigências de aprendizagens dos conteúdos escolares focadas na visão estreita dos resultados acadêmicos. Nesse sentido, podemos indagar: como a escola pode assumir uma aposta no desenvolvimento de suas crianças e jovens sem negligenciar a aprendizagem dos conteúdos escolares?

Existem propostas pedagógicas que conquistaram validade e credibilidade ao longo do tempo após muitos avanços e retrocessos. Em sua consolidação, vemos a mediação dos professores nas relações entre os diferentes indivíduos que participam do cotidiano escolar e o compromisso de toda a equipe da escola em acompanhar os processos de transição que são vividos pelas crianças/alunos ao longo da sua trajetória escolar como indicadores que dão consistência ao projeto pedagógico da escola.

As questões que norteiam o processo pedagógico nessas escolas expressam uma verdadeira preocupação em relação à pressão para que todos os alunos de todos os níveis atinjam resultados acadêmicos padronizados. Em suas práticas pedagógicas, estão comprometidos com o objetivo de dar conta de outras questões mais relevantes para o desenvolvimento dos seus alunos. Longe das visões imediatistas da escola preparatória, retomam a cada dia as fundamentações de grandes pensadores do desenvolvimento humano e formuladores de pedagogias coerentes com essas fundamentações.

Em seus projetos, na educação infantil, os eixos do trabalho para o desenvolvimento das crianças são as interações e o lúdico. No primeiro segmento do ensino fundamental a questão central para o desenvolvimento das crianças é de aprender como o mundo funciona. No ensino fundamental do 6º ao 9º ano as ações pedagógicas, atividades e projetos adequados ao desenvolvimento dos estudantes destacam-se pela importância que é dada à aprendizagem social, emocional e metacognitiva. No ensino médio o foco está na formação de estudantes desenvolvidos para viver de maneira independente e autônoma.

Em suas práticas valorizam o discurso do desenvolvimento humano, atentos às grandes diferenças qualitativas existentes nos mundos físico, emocional, cognitivo das crianças e adolescentes, produzindo um cotidiano escolar sensível a essas necessidades diferenciadas. O desenvolvimento humano assegura o desempenho dos alunos em teste, provas e concursos que medem apenas resultados escolares, e o inverso não é verdadeiro.

(*) Aristeo Leite Filho é doutor em ciências humanas/educação pela PUC-Rio, professor adjunto da UERJ e diretor da Escola Oga Mitá/RJ.

Um barril de confusões


Miriam Leitão
O Globo

A indústria de petróleo do mundo reunida no Rio e o ministro das Minas e Energia preferiu anunciar em Brasília a nova rodada de concessões de áreas de exploração.

A ausência de autoridades na Rio Oil & Gas é só um sinal dos erros nessa área. Perdeu-se tempo sem fazer novas concessões, o modelo de partilha é confuso, a produção estagnou e a Petrobras teve prejuízo.

O governo garantiu que o petróleo é o nosso passaporte para o futuro, mas o Brasil tem importado cada vez mais gasolina, a Petrobras perdeu, em cinco anos, 20% do seu valor de mercado, enquanto a Ecopetrol subiu mais de 100%.

O site MSN Money disse que a Petrobras teve nos últimos dois anos a pior performance em bolsa entre as grandes petrolíferas. A área prospectada em regime de concessão está minguando e, se nada fosse feito, em 2016 poderia acabar. Isso porque a última licitação aconteceu em 2008. Esse intervalo já está perdido.

Estranho, porque como disse em sua coluna o jornalista George Vidor, só em bônus de assinatura o governo pode receber US$ 1 bilhão. O especialista Adriano Pires, do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), calcula que o governo perdeu entre US$ 4 bi a US$ 6 bi de 2008 a 2012.

Uma parte desses constantes adiamentos no leilão foi provocada pela decisão de alterar o marco regulatório. Ainda há dúvidas sobre como funcionará esse novo modelo, nem tudo foi aprovado no Congresso. Uma nova estatal no setor preocupa até a Petrobras.

Os números indicam que alguma coisa está fora da ordem: a produção de petróleo de janeiro a julho aumentou apenas 0,7% em relação ao mesmo período de 2011. Ficou estagnada. A produção da Petrobras desde março é menor do que a do mesmo mês do ano passado. A produtividade da Bacia de Campos está caindo e a exportação de petróleo recuou.

Na área de derivados, o país teve déficit na balança comercial de US$ 10 bilhões em 2011. A exportação de derivados cai a quatro anos seguidos, enquanto a importação subiu 90% de 2007 a 2011.
A indefinição e a incerteza sobre o setor afastaram o investidor que há alguns anos achava que o Brasil era uma nova fronteira. Hoje, ele está dividido entre várias áreas interessantes que surgiram no mundo nos últimos anos.

— De 2008 para cá, foram feitas grandes descobertas na Colômbia, Estados Unidos e na África. Enquanto o Brasil ficou parado, esses lugares andaram e atraíram parceiros — disse Pires.

Entre os vários erros cometidos na excessiva politização do setor está a construção da refinaria Abreu e Lima, formatada também para refinar o petróleo da Venezuela. O país vizinho não contribuiu com os custos da construção, a Petrobras até agora bancou sozinha, e o orçamento do projeto deu um salto ornamental. Prevista para custar US$ 2,3 bilhões, custará mais de US$ 20 bilhões.

Mas a lista de tropeços é maior: a capitalização derrubou as ações da Petrobras. A mudança do regime de concessão sobrecarregou a empresa de investimentos e aumentou a obrigatoriedade de compras de conteúdo nacional. O consumo de gasolina subiu, mas ela não pode elevar os preços, arcando com o prejuízo das importações.

A nova diretoria da Petrobras tem o grande mérito da sinceridade. Isso fez com que a ação subisse no dia em que a presidente, Graça Foster, estava anunciando o prejuízo.

Mas o presidente do conselho de administração da empresa, o ministro Guido Mantega, deu entrevista neste fim de semana dizendo que os combustíveis não podem subir toda hora. Ou seja, o principal produto da companhia terá sempre o preço no valor e na hora que a Fazenda decidir.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O relato acima, da jornalista Miriam Leitão é apenas uma das muitas oportunidades que o Brasil tem jogado fora nos últimos anos, quando se focou a ação governamental apenas em um projeto de perpetuação. Azar do Brasil, que consome energias a toa sem poder se valer de sua imensa potencialidade para dar um salto gigantesco em seu desenvolvimento.

Na sentença final, a Miriam ressalta que "... o principal produto da companhia terá sempre o preço no valor e na hora que a Fazenda decidir...". Azar dos acionistas da companhia, azar do brasil que preferiu escolher para governá-lo não mais do uma fantasia, uma miragem, sem projetos e sem comprometimento com o seu futuro.  


Menos impostos contra a inflação


Roberto Macedo
O Estado de São Paulo

O governo federal reduziu tributos para estimular a atividade econômica, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de automóveis. Paralelamente, vem afirmando que outras reduções, como a de encargos cobrados nas contas de energia elétrica, contribuirão para aliviar pressões inflacionárias. Ligadas, entre outros fatores, ao já manifestado aumento de preços de grãos e a uma eventual elevação dos de derivados de petróleo.

Há evidências de que preços se reduzem com quedas de impostos. A mais recente e forte foi em junho, quando o IPCA, o índice de preços também meta da política monetária do governo, teve taxa mensal de apenas 0,08%. Para uma ideia de quão baixa foi vale lembrar que nos cinco meses anteriores a taxa média ficou em 0,44% e em julho e agosto foi de 0,42%. Além disso, para que a inflação fique em 4,5% ao ano - a meta do Banco Central - taxas mensais devem oscilar em torno de 0,37% ao mês.

Essa menor taxa do IPCA em junho veio principalmente da redução do IPI de automóveis. Os preços dos novos caíram 5,48% no mês e o efeito alcançou o mercado de usados, no qual a oferta se ampliou pelas trocas por novos. Com isso os preços dos usados caíram 4,12% em média.

Na visão usual dos economistas, é um caso de reduções de impostos e de preços localizadas e temporárias, pois a queda do IPI tem esta última característica. Há, contudo, espaço considerável para reduções de impostos e de preços de forma mais geral, mas sob determinadas condições. Esse espaço vem de peculiaridade da estrutura tributária brasileira, na qual têm maior importância os chamados impostos indiretos, que recaem sobre preços de bens e serviços (IPI, ICMS e outros), do que impostos diretos sobre a renda e a propriedade, como o Imposto de Renda e o IPTU.

Tal estrutura tem impacto social odioso, pois quem ganha menos gasta maior parcela de seu orçamento em bens, serviços e seus altos impostos. O resultado é que no Brasil os mais pobres pagam, relativamente à sua renda, parcela de tributos maior que a dos mais ricos. Até mendigos pagam impostos ao comprar alimentos!

Nos EUA, de onde vem a maioria dos livros-texto de economia, ocorre a predominância dos impostos diretos. Assim, o brasileiro que para lá viaja, também com o objetivo de encher as malas no retorno, cai no que chamo de "ótimo tributário". Explico: em termos relativos paga menos impostos diretos aqui e vai às compras diante dos menores impostos indiretos desse país.

Com esse quadro tributário, quando o governo federal dos EUA quer estimular a economia reduzindo impostos, usualmente recorre ao Imposto de Renda. Daí surge a tradicional e enorme briga entre republicanos e democratas, com aqueles querendo reduzir impostos dos mais ricos e estes buscando manter ou ampliar a cobrança para financiar programas sociais para os mais pobres. E tudo passa pelo Congresso.

Aqui o Poder Executivo pode mexer nas alíquotas do IPI, e vive fazendo isso, privilegiando este ou aquele setor, influenciado em parte pela força do lobby setorial. Na indústria automobilística, na qual é mais forte, reúne empresários e trabalhadores, estes politicamente muito poderosos. Afinal, um deles foi presidente da República e continua influente.

Quanto às condições para uma eficaz política tributária anti-inflacionária, uma condição básica está dada, pois a carga tributária nacional é indecentemente elevada, carecendo de contenção e redução. Ou seja, o instrumento é forte. E é também de fácil utilização pelo Poder Executivo.

Mas há que fazê-lo de forma mais generalizada, para não ficar ao sabor de interesses privados e de idolatrias setoriais governamentais. Se for para existir um viés, que seja no estímulo a investimentos, para ampliar a capacidade produtiva do País e torná-lo mais competitivo e menos dependente do vaivém da economia mundial. Outra condição, esta óbvia, é que as reduções sejam definitivas, e não temporárias.

Uma condição bem mais complicada é que será preciso assegurar que os preços não subam com o próprio estímulo da redução tributária. Recorde-se que a inflação diz respeito aos preços no seu conjunto e se manifesta quando sobem de forma persistente por um período suficientemente amplo para causar preocupação. Ora, impostos e preços mais baixos estimularão a demanda, que também será ampliada com a renda gerada pela maior oferta de bens e serviços. Se esta estressar a capacidade dos fatores de produção, seus preços, como os salários, e os preços em geral tenderão a subir e estará criado um quadro inflacionário.

Como sair dessa? O governo precisará entender que sua contribuição à contenção inflacionária não poderá limitar-se à redução de impostos. Além do papel da política monetária, inclusive a creditícia, terá de conter seus gastos. E não apenas por uma questão orçamentária, já que a arrecadação tenderá a cair ou ao menos não subir por um bom tempo. Assim, uma contenção de gastos contrabalançaria o risco de inflação que viria com os efeitos estimulantes das reduções tributárias. E, nos gastos, deveria privilegiar maiores investimentos, para ajudar na expansão da oferta de bens e serviços, como os ligados à infraestrutura produtiva.

Ou seja, a ideia pode funcionar, desde que o governo, como nunca antes neste país, reconheça que chegou a hora de reduzir seu superdimensionado tamanho em termos relativos - mas no contexto de um PIB crescente -, de conter seu viés pró-gastos de custeio e permanentes e de reconhecer, com desonerações tributárias e parcerias público-privadas, o indispensável papel de um setor privado mais eficaz e eficiente que ele.

Enfim, cabe-lhe o desafio de se ajustar a uma mudança indispensável para levar o Brasil a uma rota de crescimento bem mais acelerado e sustentável.

A volta do Estado-nação


 Marcos Troyjo
Folha de S. Paulo

Em duas décadas, saímos do “fim da história”, com o mundo em integração, para um cenário de crise nos EUA, de blocos em dificuldades e desglobalização

Os críticos da globalização devem estar contentes.

Escalada internacional do protecionismo comercial. Descaminhos da Primavera Árabe -cruelmente exemplificados pelo recente assassinato do embaixador dos EUA na Líbia. Desalento com a recuperação da economia mundial. Fenômenos a apontar que a globalização perde terreno. Há vários vetores desglobalizantes em operação.

Globalização é conceito maior do que contínuos avanços tecnológicos nos transportes e nas comunicações. Nós a identificamos como comércio e investimento internacionais crescentes. Melhor coordenação macroeconômica. Circulação mais livre de bens, capitais e pessoas. Formas comuns de ver e sentir o mundo. Todas essas frentes estão em xeque.

Está em xeque sobretudo a globalização dos valores, aquela ideia dos anos 1990 de que democracia representativa e economia de mercado eram os melhores parâmetros para a organização da sociedade.
Num curto-circuito histórico de duas décadas, vemos como o mundo mudou. Em 1992, o cenário global parametrizava-se pelos seguintes pressupostos:

1) A extinção da União Soviética e o subsequente “fim da história”, concebido por Francis Fukuyama, levariam a uma era de conjunção entre democracia e livre mercado;

2) Acabada de vez a Guerra Fria, os EUA eram alçados à condição de “hiperpotência”;

3) A ascensão econômica da Ásia tinha o Japão à frente;

4) O mundo se reorientava em torno de blocos econômicos regionais, sendo a integração europeia o caso paradigmático.

Ora, em 2012, estes parâmetros se alteraram para um cenário em que observamos:

1) Conflitos e tensões “multiplataformas” (terrorismo, crítica intra-Ocidente à ordem liberal, ciber-vandalismo). Em vez do “fim da história”, a emergência de “poli-histórias”;

2) Os EUA em crise existencial pela grande recessão de 2008 e o pesado legado da Guerra ao Terror e das custosas incursões no Iraque e Afeganistão;

3) A ascensão da Ásia liderada pela China;

4) O estancamento das dinâmicas de integração regional e o ressurgimento do Estado-nação como protagonista.

Ou seja, em 20 anos deixamos a “globalização intensa” em direção a um “risco de desglobalização”.

Neste quadro, ressurgem as relações “internacionais” (aqui entendidas como relações entre nações). Quando o conflito bipolar se encerrou na virada dos anos 1980 para 1990, o período global que se seguiu foi tão indefinido que analistas o chamaram de “pós-Guerra Fria”.

Hoje, com a retração de forças sinérgicas e cooperativas, a “pós-globalização” distingue-se pela ausência de uma “bússola de valores” de como o mundo deve se reorganizar. E um renascimento não dos nacionalismos, mas dos individualismos nacionais.

A volta do Estado-nação ao centro do palco sublinha a importância dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) no reordenamento global. No entanto, a tendência é que os BRICs continuem como voz crítica à inadequação e atraso de algumas instituições multilaterais, sem necessariamente se constituírem grande força em prol de sua reforma.

China e a Rússia são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Esses países não querem ver seu status diminuído em termos relativos com a entrada do Brasil e da Índia. A China deseja uma ou outra reforma, mas não a reinvenção por ela liderada da governança global. Pelo contrário, a prioridade chinesa é a continuada superação de seus imensos desafios internos.

Como nenhuma crise é para sempre, ainda que leve alguns anos, o ciclo de reajustes nos EUA e na Europa se concluirá. O mundo poderá ingressar numa “neoglobalização” ainda mais permeada por tecnologias.

O grande desafio brasileiro neste cenário instável reside em delimitar o que seja seu próprio interesse. Definir projeto de poder, prosperidade e prestígio. Saber não apenas o que quer para o mundo, mas sobretudo o que quer do mundo.

Governo reduz projeção de alta do PIB de 3% para 2% este ano


Cristiane Jungblut e Cristiane Bonfanti
O Globo

Reavaliação trimestral do Orçamento deste ano não liberou recursos extras

BRASÍLIA - O governo enviou ao Congresso, oficialmente, a nova previsão de crescimento em 2012, de apenas 2% do PIB, contra os 3% fixados na avaliação anterior, de julho. A queda foi de 33,3%. A cada avaliação bimestral sobre o comportamento das contas do governo, a área econômica vem reduzindo a estimativa de crescimento para o ano, que iniciou com 4,5%.

O limite de empenho para o ano não foi alterado. Em fevereiro, o governo promoveu o contingenciamento de R$ 55 bilhões, sendo R$ 35 bilhões diretamente nas chamadas despesas discricionárias. Em março, o governo havia apertado um pouco mais, subindo para R$ 35,4 bilhões o congelamento das discricionárias, mas liberou R$ 1,32 bilhão em maio.

Na semana passada, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia reduzido a previsão de alta do PIB. No início do ano, a equipe econômica sustentava que o crescimento seria superior a 4%. Mesmo com a mudança, a estimativa do governo está acima do previsto por analistas do mercado financeiro. De acordo com o Boletim Focus divulgado na última segunda-feira, o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) deverá ficar em 1,57%.

Na mensagem enviada ao Congresso, o Planejamento admite que o Brasil foi atingido pela crise internacional. O PIB nominal foi reestimado de R$ 4,48 trilhões para R$ 4,47, uma queda de 0,2%. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também permaneceu em 4,70%. O IGP-DI teve uma alta de 26,3%, passando de 6,19% ao ano para 8,17% ao ano. Por conta da política de queda de juros, o governo ainda atualiza os parâmetros da taxa básica de juros média (Selic), que cai de 8,86% para 8,59% ao ano, numa redução de 3,1% em 2012.

Inicialmente, o esforço do governo vinha sendo para tentar repetir o baixo crescimento de 2011, de 2,7%, mas já reconheceu que ficará longe disso.

"As alterações observadas nos parâmetros refletem a redução da projeção da taxa de crescimento real do PIB para 2% e da taxa de juros Selic, além da manutenção tanto da Massa Salarial Nominal, como do Preço Médio do Petróleo. As alterações em questão apontam ainda para a manutenção da projeção do IPCA e depreciação cambial, a qual afeta as projeções para o IGP‐DI", diz o relatório.

O governo aponta ainda mais uma queda previsão a arrecadação de impostos. Devido à redução da atividade econômica, a previsão da chamada receita administrada (impostos) teve uma redução de R$ 11,7 bilhões, caindo de R$ 676,7 bilhões em julho para R$ 665 bilhões agora, em setembro.

"Em relação às receitas administradas pela REceita Federal, exceto a Previdência, a projeção até o final do exercício aponta para uma redução de R$ 11,7 bilhões, menor em 1,7% se comparada à projeção constante da terceira avaliação bimestral de 2012. Todos os itens desse grupo de receita sofreram redução, com destaque para IPI, IR, CSLL e Outras Receitas Administradas, que apresentaram os maiores decréscimos", explica o governo.

Apesar desta brusca redução, a receita líquida (já descontados os repasses a estados e municípios) teve uma pequena elevação de R$ 361,1 milhões. Esse resultado positivo, segundo o governo, ocorreu por um aumento nas chamadas receitas não administradas, em R$ 7,4 bilhões, a maior parte de dividendos de estatais - ponto que o governo vem sempre aumentando a previsão para equilibrar a queda na arrecadação de impostos. Além disso, as receitas previdenciárias tiveram elevação de R$ 2,9 bilhões.

Mas a queda na arrecadação de impostos prejudicou estados e municípios: as transferências para estes entes federativos caíram 1,7 bilhão, passando de R4 176,2 bilhões para R$ 174,5 bilhões.

"Apesar das receitas administradas pela Receita Federal terem sofrido redução, assim como as transferências a estados e municípios, (houve) a variação positiva das receitas primárias", informou o Planejamento.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Na medida que se aproxima o final de 2012, e fica mais evidente o discurso no vazio do senhor Mantega sobre o “crescimento” do país, o governo vai ajustando seus indicadores à realidade. 

Estes dois por cento, na verdade, já está sendo projetado pelo mercado desde abril deste ano, quando o ministro insistia na balela dos 4 a 4,5%. 

Para não cair ainda mais no ridículo, agora vai se praticando um ajuste fino para trazer este índice para aquilo que o país já tinha descoberto, menos Mantega, é claro.  

E atenção, ministro: pode ajustar de novo (será a oitava rodada), porque a projeção mais adequada é abaixo de 2,0%!!!

Hora do investimento


Celso Ming
O Estado de S.Paulo

Os ministros da área econômica não gostam quando alguns analistas avisam que o atual modelo de política econômica, que privilegia o consumo, já deu o que tinha de dar e que é preciso agora reforçar o investimento.

Na verdade, apesar de não gostarem de ouvir essas críticas, já começaram a manobrar nessa direção. É pouco e esse pouco continua misturado com incentivos excessivos ao consumo. As vendas ao varejo crescem substancialmente acima da produção. Em São Paulo, licenciam-se 800 veículos novos por dia. Enfileirados, correspondem ao comprimento de uma Avenida 23 de Maio. No entanto, o governo ainda insiste em dar mais isenção de IPI para a indústria de veículos.

As grandes cidades estão emperradas em congestionamentos gigantescos. Um único acidente numa dessas pontes das marginais para tudo. A encomenda não chega, a assistência técnica fica para outro dia, as crianças passam horas enlatadas nos veículos no seu trajeto para a escola ou de volta para casa. O custo Brasil vai sendo multiplicado a olhos vistos e a paciência do público se esgotando. E não é somente São Paulo nem apenas as grandes capitais. Qualquer cidade média tem sido diariamente bloqueada pelos congestionamentos e pela falta de infraestrutura.

E se isso é assim num quadro de crescimento do PIB de meros 1,5% - como o que vai acontecer neste ano -, imagine-se o que ocorrerá caso seja confirmada a tal "velocidade de cruzeiro" com que sonha e conta o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que prevê avanço econômico em torno de 4,5% ao ano já a partir dos próximos meses.

Quem tira proveito de incentivo fiscal e de favorecimentos creditícios distribuídos pelo governo para comprar um automóvel, por exemplo, tem de aceitar uma revolução no seu orçamento doméstico. Não gasta dinheiro só com carro novo. Tem ainda o IPVA, o licenciamento, o seguro, o combustível, o estacionamento, os flanelinhas...

Mas é essa a opção; essa é a política do governo Dilma. Apenas mais recentemente parece ter caído a ficha de que é necessário investir em rodovias, ferrovias, metrôs, portos, aeroportos, comunicações, energia...

Ontem, sem olhar só para essa moagem diária a que se submete o consumidor e observando estatísticas macroeconômicas, o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto advertia, em São Paulo, não somente para o excesso de estímulos ao consumo, potencialmente geradores de inflação em 2013, mas também para "a falta de investimento, um problema grave", por vir caindo seguidamente desde o primeiro trimestre de 2010.

O problema é que investimento não exige apenas mais dinheiro e cada vez mais dinheiro. Exige, sim, capacidade decisória - coisa que a gente não via, por exemplo, na área do petróleo, que, há quase 4 anos sem uma nova licitação, teve nova rodada anunciada ontem, para maio de 2013. Exige capacidade gerencial do governo, em falta hoje, porque o PAC está empacado. Exige marcos regulatórios (regras confiáveis de jogo), que também estão emperrados, como se vê, por exemplo, nas concessões de portos e aeroportos. E exige agilidade no licenciamento ambiental, que se mantém lento e nem sempre objetivo.

E vamos parando por aqui para não parecer que esta Coluna está ranheta demais...

Tem, mas acabou


Alexandre Schwartsman 
Folha de São Paulo 

A persistência da inflação acima da meta por dois anos não é um evento de curto prazo

Eu bem que queria escrever sobre a ata do Copom, mas, mesmo sob a nova frequência semanal, outros temas me forçaram a adiar o assunto. Não acho, porém, que tenha perdido a atualidade, pois me parece claro que, se restava ainda dúvida acerca da sobrevivência do regime de metas no Brasil, a ata foi a metafórica pá de cal.

Em particular, o parágrafo 19 é o epitáfio: ali o Copom reconhece que sua projeção para a inflação em 2012 está acima da meta, assim permanecendo até meados de 2014.

É verdade que sinalizar a inflação acima da meta por quase dois anos não chega a ser inédito. Mais de uma vez o BC teve que reconhecer situações como essa.

A novidade agora é que, mesmo sob um cenário inflacionário desfavorável e com tempo de sobra para reagir a ele, o comitê preferiu continuar reduzindo as taxas de juros e contar com um milagre (também conhecido como “convergência não linear da inflação à trajetória de metas”) a cumprir a tarefa que lhe foi designada pelo decreto 3.088/99, qual seja, tomar as decisões de política que tragam a inflação de volta à meta.

Segundo o Copom, “embora (…) o curto prazo tenha sido negativamente impactado por choques de oferta associados a eventos climáticos, domésticos e externos, [o cenário inflacionário] manteve sinais favoráveis em prazos mais longos”. Como desculpa para a inação, essa afirmação peca em mais de um aspecto.

A começar porque a persistência da inflação acima da meta por dois anos (repita-se) não é um evento de curto prazo. E nós, leitores da ata, bem que gostaríamos de saber quais são os “sinais favoráveis” a que o BC se refere, visto que em momento algum se mencionam projeções indicando a reversão do processo inflacionário.

Afora isso, há a questão do tratamento do chamado “choque de oferta”. Este é dito “negativo” quando reduz as quantidades disponíveis e, por conta disso, eleva os preços e é “positivo” quando, ao contrário, eleva a quantidade e faz cair os preços.

O BC, há tempos, afirma que não combate os efeitos diretos de choques de oferta, ou seja, não eleva a taxa de juros quando o choque é negativo, partindo do pressuposto de que estes, em geral, se dissipam em alguns meses, sem necessariamente contaminar a inflação por períodos mais longos.

Obviamente, por simetria, o BC não deveria também reduzir os juros quando ocorrem choques favoráveis de oferta, que, da mesma forma, tendem a desaparecer passado algum tempo.

No entanto, não é o que se observa. Enquanto o aumento dos preços internacionais de commodities é invocado como razão para não subir a taxa de juros, eventos favoráveis, como o corte temporário de impostos sobre veículos e, não duvidem, a recente redução de encargos sobre energia elétrica, são alegremente considerados motivos para a redução da Selic.

E, cá entre nós, tomar o aumento internacional de preços de commodities como um choque de oferta equivale a esticar o conceito bem mais do que seria recomendável.

Para agricultores americanos, a seca reduziu as quantidades e elevou preços, configurando um choque clássico de oferta. O agricultor brasileiro, por outro lado, só percebe os preços em alta, sem prejuízo da quantidade. E, se é verdade que os preços mais altos prejudicam o consumidor, é bom lembrar que o país produz bem mais do que consome, gerando um benefício líquido para o Brasil.

Trata-se, em outras palavras, de um choque, sim, mas um choque positivo e de demanda!

Note-se, por fim, que a contaminação dos preços domésticos só é possível porque o BC não permite que o dólar se barateie como deveria ocorrer em face do aumento dos preços de commodities. Na prática, ao fixar uma meta para a taxa de câmbio, o BC admite que aumentos de preços fora do país acabem por se materializar domesticamente.

Em outras palavras, o BC tem várias metas: para o câmbio, para o crescimento, para a taxa de juros. Só acabou a meta para a inflação.

PIB do 3º trimestre de 2014 já pode vir sob novas ponderações


Daniela Amorim
Agência Estado

Metodologia passará a contabilizar como Formação Bruta de Capital Fixo a aquisição de software e despesas com pesquisa e desenvolvimento, o que deverá aumentar a taxa de investimento

RIO - O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do terceiro trimestre de 2014 já pode ser divulgado sob nova metodologia, que passa a contabilizar como Formação Bruta de Capital Fixo a aquisição de software e despesas com pesquisa e desenvolvimento (P&D). A mudança nas Contas Nacionais para adequar o cálculo às recomendações internacionais pode aumentar a taxa de investimento na economia. 
"Vai depender da nossa capacidade de concluir o estudo", disse Wasmália Bivar, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Projeto de Revisão do Sistema de Contas Nacionais já está em curso no instituto e o objetivo é que os resultados estejam prontos até o fim de 2014. Caso contrário, o novo cálculo sairá no início de 2015, quando forem divulgados os resultados do PIB referentes ao quarto trimestre de 2014. "A ideia é reajustar a série (do PIB) de 1996 em diante", contou a presidente do IBGE.

O Estado antecipou as mudanças na metodologia de cálculo do PIB. Em reportagem publicada nesta quarta-feira, o jornal explicou que o IBGE passará a contabilizar outros itens como investimento, além da compra de máquinas e da construção civil. Uma das principais mudanças é que os gastos das empresas com software passarão a ser parcialmente considerados como investimento. Hoje são computados como serviços. Nos Estados Unidos, os gastos com software representam 16,3% dos investimentos privados e 2,5% do PIB.

O IBGE também está promovendo mudanças que vão aumentar o peso da indústria na economia. Atividades que foram terceirizadas pelas empresas - como limpeza, manutenção, segurança, etc - são contabilizadas hoje como prestação de serviços. Após a aplicação das novas regras, voltarão a ser consideradas como parte da indústria.

Indústria
Segundo Wasmália, a indústria pode perder peso no PIB brasileiro sob a nova metodologia. De acordo com as alterações, serviços terceirizados pelas empresas passariam a integrar a indústria, o que poderia fazer o setor ganhar corpo no PIB. Entretanto, Wasmália diz que é possível que a indústria perca peso, porque, com as mudanças, a atividade de edição e impressão passará a integrar o setor de Serviços.

"Na nova classificação, algumas atividades que eram da indústria passaram a ser serviços. O resultado final depende da contabilidade dessas mudanças", explicou Wasmália. "A gente não vai divulgar um dado. Vamos divulgar uma série. A comparação da indústria sob o novo cálculo não vai ser com a indústria da antiga série, será com a própria indústria da nova série. Seria uma comparação espúria".

Segundo Wasmália, qualquer tentativa de adivinhar as novas ponderações é mera especulação. "Estamos começando o projeto. Qualquer especulação sobre os resultados dessas mudanças é só especulação mesmo".

A presidente do IBGE afirmou ainda que as alterações no cálculo do PIB não devem ter a magnitude das efetuadas em 2000. "No ano 2000, as mudanças eram mais robustas, mais substanciais", explicou.

Wasmália citou ainda que estão em estudos mudanças nas delimitações do setor público, atividades nacionais em território estrangeiro e operações transacionais, como Itaipu. No entanto, a presidente do IBGE se negou a dar mais detalhes sobre essas alterações, sob o argumento de ser prematuro.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Quando comentamos sobre a nova rodada de mudanças nos cálculos do PIB, pedimos que os leitores assinalassem a data de setembro de 2013 por ser importante marco neste processo.  Pedimos desculpas: o marco que deve ser memorizado era setembro de 2014.

Acontece que, nesta data, o Brasil estará em plena campanha eleitoral para ou escolher ou o/a sucessor/a de Dilma, ou reelegê-la.

É evidente que após avançar meio mandato com PIB ridículo, e poder oferecer de bandeja um número substancial às vésperas da eleição (ou reeleição, com queiram) tem enorme peso e impacto sobre a opinião do eleitorado. Lula fez a mesma coisa. Em consequência, no ano seguinte, o país viu desabar o tal índice chinês de crescimento do país.

Vemos, deste modo, que o modo petista de governar nunca visualiza o benefício do país, e sim, e unicamente, o benefício do próprio partido nas urnas. Se o Brasil ficar para trás, azar: este é o preço a pagar para a sua perpetuação no poder. 

Portanto, marquem: setembro de 2014, como num passe de mágica, após a vigarista manobra no cálculo do PIB, o Brasil apresentará, finalmente, sob a batuta de Dilma, números vigorosos de crescimento, independente de crises. Podem me cobrar.  A manipulação vergonhosa desta gente sempre é ptevesível demais para a gente errar ou correr algum risco.

Dilma vai desonerar cesta básica. É mesmo, e por que não fez quando teve chance?


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Governo aprovou criação de um grupo de trabalho, que deve apresentar uma proposta de isenção de imposto e definir quais itens vão fazer parte da cesta até dia 31 de dezembro deste ano


Agência Brasil - O governo federal vai desonerar os produtos que compõem a cesta básica, informou hoje (18) o Ministério da Fazenda. Segundo o secretário executivo adjunto da pasta, Dyogo Oliveira, o governo aprovou a criação de um grupo de trabalho, que deve apresentar uma proposta de isenção de imposto e definir quais itens vão fazer parte da cesta até dia 31 de dezembro deste ano.

“O governo vai criar efetivamente esta comissão, por decreto, para estudar a desoneração, considerando produtos e tributos estaduais e federais. A desoneração vai ocorrer a partir desta definição do grupo de trabalho. Com isto, o governo enviará, no futuro, proposta que englobe os produtos desonerados e os tributos federais e estaduais [que serão isentos]”, disse.

A proposta apresentada pelo Congresso Nacional na Lei 12.715 foi vetada pela presidenta Dilma Rousseff, segundo publicação desta terça-feira no Diário Oficial da União. Oliveira explicou que a proposta da forma que foi apresentada não define os produtos que fazem parte da cesta básica e quais tributos seriam isentos.

Oliveira garantiu que, com a criação do grupo de trabalho e a definição dos produtos que farão parte da cesta básica, a “desoneração vai ocorrer”. O secretário destacou que a maior parte dos produtos já possuem desoneração de tributos federais, mas falta tratar sobre os impostos estaduais que são “mais relevantes” do ponto de vista da tributação.

“Do ponto de vista de efetividade, a tributação na cesta básica hoje é maior no ICMS [Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação] do que nos tributos federais”, disse. O grupo será formado por representantes da Casa Civil, ministérios da Fazenda, Desenvolvimento Social e Saúde, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de estados.

Segundo Oliveira, apenas o açúcar não possui nenhuma isenção tributária. Outros itens como carnes, arroz, feijão, massas, farinha de trigo entre outros já são desonerados integral ou parcialmente pelo governo federal. Para o secretário executivo adjunto, a desoneração total da cesta não implica em redução de preço.

“A precificação de mercado não vai necessariamente transferir redução do tributo para o preço (...). O impacto disso no preço final não é diretamente proporcional ao que seria desonerado. Tem um efeito positivo de reduzir inflação, mas não seria no mesmo montante da desoneração”, disse Oliveira.

*****  COMENTANDO A NOTÍCIA:
A justificativa apresentada por Oliveira para o veto, na realidade, é apenas fumaça para encobrir o real motivo. Ocorre que a proposta tinha origem na oposição, e poderia por ela ser usada em campanha. Pegaria mal na propaganda oficial mentirosa se gabar com projeto alheio, não é mesmo, soberana imperial? O País que se dane, o importante é agir de forma eleitoreira, SEM-PRE!!!

Assim, partindo a “ideia” como agora se falsifica, em ser ou parecer ser projeto do governo da soberana, Dilma capitalizará, se a proposta acabar aprovada, como “projeto do governo”, quando na verdade se trata apenas do modo petista de chupar projeto alheio e vender na praça como sendo seu. 

 Aliás, a tal comissão inventada por Dilma é apenas uma perfumaria para este este fato. Bastaria convocar alguém de seu ministério e pedir-lhe copia da cesta básica do DIEESE, ou até solicitar ao IBGE. Mas, como sempre, é preciso dourar a pílula do ”me engana que eu gosto”!!!! 

Será que o Brasil conseguirá segurar o câmbio?


Ricardo Galuppo (*)
Brasil Econômico

Às vésperas do encontro da presidente Dilma Rousseff com o presidente Barack Obama, que deve acontecer em Washington na próxima terça-feira, dia 25, em Nova York, o ministro da Fazenda Guido Mantega criticou a decisão do Fed, o banco central americano, de espalhar dólares pelo mercado — medida que pode obrigar o governo brasileiro a tomar providências drásticas (e onerosas) para impedir uma supervalorização do real.

A intenção do Fed é gastar até US$ 40 bilhões por mês para comprar títulos imobiliários hoje em poder de bancos. Um dos efeitos colaterais dessa estratégia é que o dólar voltará a custar uma ninharia em relação a outras moedas (inclusive o real) e, com isso, todo o esforço feito até aqui na tentativa de aumentar a competitividade da indústria nacional poderá ir por água abaixo. 

Seria lamentável e obrigaria o governo a tomar providências emergenciais (como os leilões cambiais promovidos pelo Banco Central) - muito embora a eficácia desse tipo de medida seja posta em dúvida por algumas autoridades no assunto. 

Entre elas, o professor Antônio Delfim Netto. "É uma ilusão imaginar que alguém seja capaz de controlar o câmbio", disse Delfim ontem em São Paulo. "O melhor a fazer é esperar o mercado encontrar seu ponto de equilíbrio."

A questão está justamente aí. É evidente que, ao criticar a decisão americana de estimular o crescimento pela via do consumo (sem dar muita importância para o impacto dessa decisão sobre outras economias), Mantega não falou apenas em seu nome. 

O que ele disse vai na linha daquilo que o governo brasileiro pensa a respeito desse problema e faz coro com a crítica ao "tsunami monetário" feita pela presidente Dilma meses atrás. O governo brasileiro está certíssimo ao reclamar. 

Mas a possibilidade de suas queixas levarem o governo americano a voltar atrás é mais ou menos a mesma que ouvir do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva um elogio ao candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra. Ou seja: nenhuma. 

O Fed continuará continuar seguindo seu caminho e Obama nada fará para fazê-lo mudar de ideia. E o Brasil, como fica nessa história?

Bem. A questão de fundo é que providências emergências (como as que o governo brasileiro vem tomando para tentar estimular sua economia) sempre correm o risco de não produzir efeitos diante de uma mudança súbita no cenário internacional. 

Situações de crise, como a atual, exigem, sim, providências emergenciais. Mas também oferecem uma oportunidade de ouro para que se tomem providências de longo prazo, capazes de tornar o mercado, no futuro, mais protegido contra esse tipo de oscilação. O governo brasileiro tem se saído bem na missão de apagar incêndios. Precisa, agora, aprender a evitá-los.

(*) Ricardo Galuppo é publisher do Brasil Econômico