Daniela Amorim
Agência Estado
Metodologia passará a contabilizar como Formação Bruta de Capital Fixo a aquisição de software e despesas com pesquisa e desenvolvimento, o que deverá aumentar a taxa de investimento
RIO - O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do terceiro trimestre de 2014 já pode ser divulgado sob nova metodologia, que passa a contabilizar como Formação Bruta de Capital Fixo a aquisição de software e despesas com pesquisa e desenvolvimento (P&D). A mudança nas Contas Nacionais para adequar o cálculo às recomendações internacionais pode aumentar a taxa de investimento na economia.
"Vai depender da nossa capacidade de concluir o estudo", disse Wasmália Bivar, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Projeto de Revisão do Sistema de Contas Nacionais já está em curso no instituto e o objetivo é que os resultados estejam prontos até o fim de 2014. Caso contrário, o novo cálculo sairá no início de 2015, quando forem divulgados os resultados do PIB referentes ao quarto trimestre de 2014. "A ideia é reajustar a série (do PIB) de 1996 em diante", contou a presidente do IBGE.
O Estado antecipou as mudanças na metodologia de cálculo do PIB. Em reportagem publicada nesta quarta-feira, o jornal explicou que o IBGE passará a contabilizar outros itens como investimento, além da compra de máquinas e da construção civil. Uma das principais mudanças é que os gastos das empresas com software passarão a ser parcialmente considerados como investimento. Hoje são computados como serviços. Nos Estados Unidos, os gastos com software representam 16,3% dos investimentos privados e 2,5% do PIB.
O IBGE também está promovendo mudanças que vão aumentar o peso da indústria na economia. Atividades que foram terceirizadas pelas empresas - como limpeza, manutenção, segurança, etc - são contabilizadas hoje como prestação de serviços. Após a aplicação das novas regras, voltarão a ser consideradas como parte da indústria.
Indústria
Segundo Wasmália, a indústria pode perder peso no PIB brasileiro sob a nova metodologia. De acordo com as alterações, serviços terceirizados pelas empresas passariam a integrar a indústria, o que poderia fazer o setor ganhar corpo no PIB. Entretanto, Wasmália diz que é possível que a indústria perca peso, porque, com as mudanças, a atividade de edição e impressão passará a integrar o setor de Serviços.
"Na nova classificação, algumas atividades que eram da indústria passaram a ser serviços. O resultado final depende da contabilidade dessas mudanças", explicou Wasmália. "A gente não vai divulgar um dado. Vamos divulgar uma série. A comparação da indústria sob o novo cálculo não vai ser com a indústria da antiga série, será com a própria indústria da nova série. Seria uma comparação espúria".
Segundo Wasmália, qualquer tentativa de adivinhar as novas ponderações é mera especulação. "Estamos começando o projeto. Qualquer especulação sobre os resultados dessas mudanças é só especulação mesmo".
A presidente do IBGE afirmou ainda que as alterações no cálculo do PIB não devem ter a magnitude das efetuadas em 2000. "No ano 2000, as mudanças eram mais robustas, mais substanciais", explicou.
Wasmália citou ainda que estão em estudos mudanças nas delimitações do setor público, atividades nacionais em território estrangeiro e operações transacionais, como Itaipu. No entanto, a presidente do IBGE se negou a dar mais detalhes sobre essas alterações, sob o argumento de ser prematuro.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Quando comentamos sobre a nova rodada de mudanças nos cálculos do PIB, pedimos que os leitores assinalassem a data de setembro de 2013 por ser importante marco neste processo. Pedimos desculpas: o marco que deve ser memorizado era setembro de 2014.
Acontece que, nesta data, o Brasil estará em plena campanha eleitoral para ou escolher ou o/a sucessor/a de Dilma, ou reelegê-la.
É evidente que após avançar meio mandato com PIB ridículo, e poder oferecer de bandeja um número substancial às vésperas da eleição (ou reeleição, com queiram) tem enorme peso e impacto sobre a opinião do eleitorado. Lula fez a mesma coisa. Em consequência, no ano seguinte, o país viu desabar o tal índice chinês de crescimento do país.
Vemos, deste modo, que o modo petista de governar nunca visualiza o benefício do país, e sim, e unicamente, o benefício do próprio partido nas urnas. Se o Brasil ficar para trás, azar: este é o preço a pagar para a sua perpetuação no poder.
Portanto, marquem: setembro de 2014, como num passe de mágica, após a vigarista manobra no cálculo do PIB, o Brasil apresentará, finalmente, sob a batuta de Dilma, números vigorosos de crescimento, independente de crises. Podem me cobrar. A manipulação vergonhosa desta gente sempre é ptevesível demais para a gente errar ou correr algum risco.