quarta-feira, julho 18, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

DE QUANTAS TRAGÉDIAS LULA PRECISA PARA GOVERNAR O BRASIL ?
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia




Dia 29 de junho passado, às 12 horas precisamente, as pistas do aeroporto de Congonhas foram reabertas para pouso e decolagem após uma série reformas já tardiamente realizadas, em função da insegurança das aeronaves em dias de chuvas. Muitos foram os quase acidentes. Ocorre que a água da chuva não sofria o escoamento necessário e isso gerava uma dificuldade imensa, principalmente em aterrissagens, pois a pista se tornava escorregadia.

Muito bem, depois de tantos quase acidentes, depois de já instalada a crise do apagão aéreo, resolveu o governo providenciar nas obras necessárias. Porém, como sempre acontece com este governo de incompetência, de dolorosa incompetência, as obras que eram realmente necessárias ficaram para uma segunda etapa, mas a pista foi liberada. Irresponsabilidade ? Por certo que sim. Dentre as obras que ficaram para depois, destaco especialmente o grooving, que são aquelas ranhuras que se faz no sentido latitudinal do asfalto para que a água possa escorrer e não criar uma camada dágua que roubariam qualquer aderência necessária para a segurança das aterrissagens especialmente. E por que mesmo se fez as obras de reformas do Congonhas ? Pois então, aquilo que provocou a reforma, foi o que se deixou para depois, mas a pista foi liberada.

No início da semana, uma aeronave da Pantanal já sentira os efeitos da encrenca: escorregou e foi para na grama. Durante toda a semana, pilotos e controladores advertiam para o fato. Mas qual ? Quem disse de alguém tomar uma providência ?

Senhores, apesar da calamidade que agora pode ter vitimado 200 ou mais pessoas, este desastre estava mais do que anunciado. Faz nove meses que o acidente da Gol ainda não recebeu a devida e correta explicação. A partir dele, deflagrou-se uma crise nos aeroportos e nos sistemas de controle de tráfego aéreo como jamais visto na história da aviação comercial do país. Muitas reuniões, muita conversa mole, muita promessa, mas providência que é bom e é o que interessa, nadinha. Lula trafegou em seu Aerolula impávido e colosso durante este tempo fazendo ameaças, tirando autoridade de quem poderia agir, dando prazos e mais prazos para a crise acabar, da INFRAERO soubemos de sua caixa preta, da ANAC de sua omissão e inutilidade. Já nem vou falar mais do caso da VARIG. Falo pelos noves meses de um governo incompetente e irresponsável que deixou de agir, e mesmo sabendo da iminência de uma nova tragédia, nada fez para evita-la. Até pelo contrário: incendiou mais causas e a provocou diretamente, ao liberar Congonhas sem que as obras que lhe dariam segurança em pousos e decolagens tivessem terminado. O resultado ocorreu ontem em São Paulo. E agora, senhor Luiz Inácio ? E agora dona Denise Abreu ? E agora senhor Waldir Pires ? E agora senhor Milton Zuanazzi: quem de vocês se responsabilizará pela nova tragédia ocorrida a partir de seus desmandos, de sua incompetência, de seu omissão ? Quem vai relaxar e gozar agora dona Marta Suplicy, que só viaja em jatos da FAB porque tem ódio de se misturar ao povo, e não precisou enfrentar as agruras e padecimentos que este governo de canalhas faz milhares de passageiros sofrerem nos aeroportos do país desde setembro de 2006 ? Onde fica o discurso imbecil, senhor Lula, que vossa excelência sempre exibe com um nada sei, quando na verdade nada sabe por que não governa o país como deveria faze-lo ? A vaia que vossa excelência recebeu no Maracanã é pequena perto daquela que seu governo de hipocrisia e corrupção merecia receber. Maracanã é pouco. Invejo os que lá estiveram: também gostaria de ter dado minha humilde colaboração na vaia, porque este desgoverno tem levado o Brasil ladeira abaixo já há mais de quatro anos. E chega de cretinice, senhor Lula: tudo o que o seu governo tem acertado, é apenas continuação de uma obra que você não começou e sequer implantou. Encontrou a casa arrumada e pronta. Mas sua arrogância e prepotência, misturada com cinismo, canalhice e presunção, não o deixam ver além da vaidade e demagogia baratas e ordinárias, e assim vai roubando a obra alheia e mentindo descaradamente para toda a nação ao custo faraônico de uma publicidade enganosa e de um aparato falso e deprimente de um estado policialesco.

Lamentável que o Brasil precise ser governado por uma sórdida corte de incompetentes., relapsos, ordinários e larápios. Vossas Excelências enxovalham de lama a história deste país, e denigrem a bandeira brasileira com a delinqüência de quadrilha de malfeitores e assaltantes, punguistas que expropriam os recursos da nação em proveito de seu próprio alimento de ambição pessoal. Vocês não apenas enojam todo o país, vocês são a própria escória podre que faz o país ser medíocre a cada dia de sua desgovernança.

E aí, senhor Lula, de quantas tragédias mais você precisa para começar a governar o Brasil ?

"Quando vai ser o próximo?"

Eliane Catanhêde, da Folha Online

A cada nova crise nos aeroportos, a cada novo movimento dos controladores, a cada derrapada de avião, a cada pane no sistema de rádio ou nos radares, uns sempre diziam e outros sempre pensavam: "Quando vai ser o próximo acidente?"

Foi nesta terça-feira, menos de dez meses depois da queda do Boeing da Gol que se chocou com o jato Legacy nos céus de Mato Grosso, matando 154 pessoas e implodindo a credibilidade do sistema aéreo no Brasil. Até hoje, era o maior acidente da história da aviação brasileira. Não é mais.

No Airbus da TAM que explodiu no coração de São Paulo, havia quase 180 pessoas. Além delas, morreram também ainda incontáveis pessoas em solo, com as vítimas sendo recolhidas uma a uma em meio a um inferno de chamas.

O controle de aproximação autorizou o pouso, o avião tocou o solo e não parou. Ultrapassou a pista e se lançou sobre uma avenida até explodir no choque com um depósito da própria TAM, deixando a impressão nos experts de que o pouso foi além do "ponto de toque" e não houve pista suficiente para parar. O piloto teria, então, tentado arremeter (subir novamente), sem sucesso.

As circunstâncias eram todas desfavoráveis: chovia, a pista estava escorregadia, a reforma mal (em duplo sentido) terminou e, afinal das contas, não pode ser pura coincidência que o maior acidente da história acontecer exatamente em Congonhas, no dia seguinte à derrapagem de um pequeno avião da Pantanal. É o aeroporto mais congestionado do país, há décadas se sabe que é inviável e os relatórios oficiais já acendiam o sinal amarelo havia meses. Qualquer um sabe disso, no governo civil, na Aeronáutica, na Infraero, na Anac, nas companhias. Mas ficaram todos esperando ocorrer o pior. Ocorreu.

Resultado: em Brasília, o clima é de total empurra-empurra. O ministro da Defesa, Waldir Pires, estava justamente numa audiência com Lula para discutir o orçamento da Força Aérea, mas, como sempre, foi o último a saber do acidente. Já em casa, teve de voltar ao Planalto. A Aeronáutica diz que não tem nada a ver, porque desta vez o controle de tráfego aéreo não tem nenhuma responsabilidade. E joga a culpa na Infraero, que cuida da infra-estrutura dos aeroportos, e na Anac, a agência civil que substituiu o antigo DAC e que não tem força --talvez nem vontade-- de enfrentar as companhias para de fato regulamentar o setor e definir a malha aérea brasileira.

Como ficam sob o foco também as próprias companhias, por não aceitarem abrir mão da concentração de vôos em Congonhas, que consegue ser ao mesmo tempo um aeroporto condenado e o aeroporto mais congestionado do país. É o típico caso em que o dinheiro fala mais alto do que a segurança.

O que explodiu hoje não foi só o Airbus da TAM. Foi também o resquício de credibilidade que ainda sobrava do sistema de vôo no país e a capacidade de o governo, no seu conjunto de órgãos responsáveis, gerir a situação. O que há é o caos. Junto com a dor, a perplexidade e a sensação de que não tem mais conserto.

Desculpe, mas o que todo mundo agora se pergunta é: "Quando vai ser o próximo?"

Quantos mais ainda morrerão?

Editorial do Jornal do Brasil

Inacreditável. Revoltante. Terrível. A sociedade brasileira ainda trata as feridas pessoais e emocionais decorrentes da queda do Boeing 737 da Gol em Mato Grosso e já se vê às voltas com a obrigação de superar mais um trauma de gigantescas proporções. O acidente com o Airbus da TAM em Congonhas, mais grave em vítimas que o do ano passado, era a mais anunciada das tragédias, o resultado da sinistra mistura de incompetência e irresponsabilidade das autoridades que cuidam (?) da aviação comercial brasileira, a começar pelo presidente da República. A biografia política de Lula inclui agora mais de 170 novos obituários. A soma com os 154 do ano passado é a marca do desgoverno.

Quantas vidas mais serão ceifadas até que sejam demitidos e responsabilizados, civil e criminalmente, todos aqueles que falham desastrosamente há dez meses e expõem milhares de passageiros a risco de morte? O presidente Lula é culpado por omissão, por ter preservado um amigo no ministério sem considerar que a gestão de Waldir Pires à frente da crise aérea é um atentado à segurança institucional. Lula também é culpado por ter aceitado que a inoperância da Infraero contaminasse o conceito de segurança. Nas primeiras chuvas fortes, ocorrem dois acidentes causados por derrapagens em uma pista na qual foram gastos quase R$ 20 milhões em obras de recapeamento recentes e dadas como prontas, agora podemos ter certeza, sem o devido cuidado. De quem foi essa decisão assassina?

A segunda tragédia aérea em dez meses no Brasil destroça, definitivamente, o conceito de excelência de que o país dispunha no organismo de certificação aérea internacional mantido pelas Nações Unidas. O desastre com o jato da Gol e principalmente o caos estrutural que se seguiu acenderam a luz amarela nesse campo. Um a um, os elementos de um sistema vendido como seguro foram sendo desnudados diante de toda sorte de erros gerenciais e falhas de comando.

O fracasso desse modelo já era evidente desde que os desdobramentos do caso do jato da Gol tornaram a vida de quem depende de aviação um martírio. Há muito que se cobrava uma atitude mais decente das autoridades diante do receio de que um novo desastre pudesse ocorrer.

Congonhas é um aeroporto condenado. Chegou a um extremo no qual nem mesmo com todos os equipamentos mais modernos é possível se garantir a integridade física de quem voa por necessidade ou profissão. Mas Waldir Pires, do alto do seu currículo como gestor do sistema em colapso, discorda. Talvez, junto com a inepta Anac ache que estas 300 almas não são suficientes para perturbar sua consciência. Essa posição é inaceitável, ainda mais porque em aviação os acidentes sempre depõem contra a capacidade de administração do sistema.

Há poucas semanas, a União Européia baniu de todo o espaço aéreo do bloco as aeronaves de todas as empresas da Indonésia. Companhias africanas, especialmente nigerianas, são a maioria na lista negra dos organismos internacionais que certificam o tráfego entre continentes. O que estarão pensando os gestores dessa lista diante das cenas flamejantes do Airbus ardendo na cabeceira de Congonhas? Vale lembrar que, em mais de uma ocasião de apagão aéreo, algumas companhias americanas chegaram a esboçar a possibilidade de pedir que o espaço aéreo brasileiro fosse declarado inseguro diante das dificuldades.

É preciso parar Congonhas. Ninguém mais precisa ser exposto a riscos pelo governo, pela Infraero e pela Anac. É preciso também exigir que a avaliação sobre a garantia de pousos e decolagens seguros não esteja a cargo dos personagens de sempre.

"Pise no chão da realidade, presidente Lula"

Nota distribuída há pouco por Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado:

"Estou muito ferido. O PSDB está em prantos e o Brasil também.

Depois do acidente do avião da Gol, que se chocou com o Legacy, matando tantos inocentes, a começar pelo grande número de conterrâneos meus, vem agora o desastre da TAM.

Até quando? Esperar a próxima mortandade? Ou enfrentar a crise do setor aéreo com caráter, coragem e competência?

Inventar culpados? Tirar o corpo fora? Assumir o desgoverno?

O Presidente Lula precisa agir e não falar. Ou seu período se marcará pelo sofrimento e pela dor de tantos brasileiros que poderiam estar vivos, lutando, sofrendo, sorrindo e construindo um Brasil mais justo.

Meu sentimento é de dor e frustração. Essa crise passa por incompetência gerencial, corrupção e insinceridade.

Para mim basta! O Brasil está desesperado, também!

O Deputado Júlio Redecker está nesse avião. Líder da minoria, corajoso, fraterno, amigo querido.

A Nota oficial da Bancada do PSDB no Senado está formal. Esta aqui é minha pessoal, escrita entre lágrimas.

Pise no chão da realidade, Presidente Lula. Exijo-lhe isso mais como brasileiro ferido, prostrado, do que como parlamentar".

Especialistas avaliam as causas do acidente

De O Globo/O Globo Online:

"Dificuldade de frear na pista molhada e uma tentativa desesperada de voltar a levantar vôo, que acabou resultando no choque com um prédio. Segundo especialistas, essa a explicação mais plausível para o acidente envolvendo o Airbus 340. A dificuldade na frenagem, apontam, pode estar relacionada à falha humana ou à falta de ranhuras na pista de pouso, o que teria provocado acúmulo de água e dificuldades de aderência dos pneus .

— É evidente que a pista é, ao menos em parte, responsável pelo acidente — afirma o piloto e escritor Ivan Sant’Anna, autor do livro "Caixa preta", sobre acidentes aéreos.

Especialista em controle de emergências da Coppe/UFRJ, Moacyr Duarte diz que o piloto pode não ter conseguido frear e, por isso, tentou arremeter — ou seja, voltar a subir. Se ele tivesse simplesmente derrapado na pista, teria atravessado a Washington Luís, derrubando a mureta central, deixando marcas na rua e arrastando carros no caminho, o que aparentemente não ocorreu.

— O que está parecendo é que ele tentou arremeter — afirmou o especialista. — Percebeu que não ia conseguir frear e tentou levantar de novo. Então acabou atingindo o prédio.

Um consultor aeronáutico com 43 anos de experiência em vôo e mais de mil pousos em Congonhas concorda. Ele se diz convencido de que o Airbus fez uma tomada longa (pousou bem depois do ponto de toque na pista) e tentou arremeter sem sucesso, se chocando com o hangar.

— Para ter entrado daquela maneira, o avião tocou no solo, mas o piloto viu que não havia pista suficiente e tentou arremeter.

Ivan Sant’Anna também é partidário dessa teoria:

— Na minha opinião, ele arremeteu. Mas estava no pior dos mundo. Tinha velocidade demais para parar e velocidade de menos para levantar.

A dificuldade na frenagem pode ser decorrente de falha humana (o piloto teria calculado mal o momento do toque), mas pode também estar ligada aos problemas estruturais na pista de pouso de Congonhas.

— Está claro que essa pista não pode ser usada em dia de chuva, isso é uma tragédia anunciada, ontem (anteontem) mesmo um outro avião derrapou — afirmou Sant’Anna. — Não dá para pousar ali com chuva, é arriscado demais, os pilotos falam isso o tempo todo. Os pneus surfam na água da pista, freio não consegue o atrito.

O professor de Transporte Aéreo da UFRJ Respício Espírito Santo disse esperar que a investigação comece com a as condições meteorológicas (camada de chuva) da pista. Para Respício, pode ter acontecido uma aquaplanagem ou hidroplanagem.

— Pelo visto a reforma na pista não adiantou nada — disse Sant’Anna. — É evidente que o acidente foi causado, pelo menos em parte, pela deficiência da pista.

O presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aéreos, Uébio José da Silva, disse que recebeu reclamações de pilotos sobre as condições da pista principal do aeroporto de Congonhas, reaberta no final de junho sem o grooving - ranhuras que aumentam a aderência dos pneus das aeronaves. Segundo o sindicalista, pilotos disseram que a pista não apresentava condições de pouso e 'estava lisa como sabão'.

A frenagem de um avião não depende somente da aderência da roda, lembram os especialistas, mas também da reversão da turbina.

O professor de Transporte Aéreo da UFRJ Respício Espírito Santo disse que o maior problema do Aeroporto de Congonhas não está relacionado à infra-estrutura ou ao congestionamento de vôos.

— O problema é a cidade, que engoliu o aeroporto. Não foram respeitadas as distância de segurança em torno do dele — disse.

Respício disse que considera difícil a hipótese de problema com a aeronave:

— O Airbus 320 é topo de linha, usado pelas melhorar e maiores empresas do mundo. Os componentes aeronáuticos tem confiabilidade muito grande e as tripulações são extremamente treinadas. Voam em qualquer lugar do mundo. Eles devem ter feito e fez alguma coisa para evitar".

Um desastre mais que provável

Jornal do Brasil

A maior tragédia da aviação brasileira também foi a mais anunciada. O Airbus 320 que fazia o vôo 3054 da TAM, com 176 pessoas a bordo, derrapou ao tocar na pista recém-inaugurada do Aeroporto de Congonhas às 18h45 de ontem, tentou arremeter, atravessou a movimentada Avenida Washington Luís, bateu em um depósito da empresa e explodiu. Por 45 dias, a pista, considerada perigosíssima sob chuva, passou por reparos e foi liberada dia 29 sem que fossem feitas as ranhuras para aumentar a aderência dos pneus ao solo. Segunda-feira, um avião da Pantanal derrapou, mas conseguiu parar no gramado do aeroporto mais movimentado do país. O Airbus da TAM não. Não há esperanças de sobreviventes.

O avião partiu de Porto Alegre às 17h16 com destino a Congonhas. A Infraero informou que pelo menos um passageiro tinha conexão para o Rio. Controladores de vôo disseram que a aeronave chegou a pousar, levantou vôo novamente e caiu sobre o prédio da TAM Express, empresa de cargas da companhia. Até meia-noite, foram confirmadas 25 mortes.

A assessoria do deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), um dos defensores da instalação da CPI do Apagão Aéreo, confirmou que ele estava a bordo. Redecker viajaria para Washington em visita oficial. O diretor de futebol do Grêmio, Paulo Pelaipe, disse que os jogadores também deveriam embarcar no vôo, mas mudaram os planos.

Parentes das vítimas amontoaram-se no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Por volta da 0h de hoje, a TAM transportou as famílias para o Hotel Plaza Porto Alegre, onde seria divulgada a lista das 176 pessoas que estavam a bordo.

Renan Vitral, piloto do avião que decolou logo depois do acidente, ouviu alguém gritar "vira, vira, vira" pelo rádio e viu uma bola de fogo.

Funcionário da TAM, Valdinei Nascimento Murici estava no prédio atingido pelo avião. Com todas as saídas bloqueadas, ele se salvou porque pulou do terceiro andar. Fraturou clavícula e o quadril.

O vigilante Luiz Santos, 36 anos, estava a trabalho num Gol quando a traseira do carro foi atingida pelo avião, ao atravessar a Washington Luís.

- Vi o avião vindo na minha direção, ouvi o barulho da turbina. Nasci de novo - disse.

O jornalista Paulo Barros entrava num avião para ir de São Paulo a Brasília, quando viu o Airbus da TAM cruzar a pista em alta velocidade.

- Foi maior que qualquer coisa que já ouvi, maior até que tiro de canhão no Exército. Uma explosão seca, ensurdecedora.

Mecanismo impediu funcionamento de freio, diz piloto

De Sérgio Duran em O Estado de S. Paulo

Comandante também percebeu que a pista estava funcionando sem as ranhuras transversais

Três pilotos ouvidos pelo Estado, que preferiram não se identificar, afirmaram que um dos reversos do avião da TAM estaria "pinado". O termo, eles explicam, significa que a peça teria um pino para travar o freios. Isso impediria que a aeronave tivesse os freios ativados inesperadamente, como ocorreu na decolagem do Focker 100, em 1996, provocando o acidente que matou 99 pessoas. No entanto, também teria impedido que os freios funcionassem no pouso.

O reverso é um dispositivo usado para desacelerar o avião durante os pousos. O Airbus A-320 da TAM estaria apenas com um deles funcionando corretamente. Os três pilotos - dois deles comandantes da Gol e um deles da TAM - disseram que essa informação foi dada por colegas. O Estado conversou com eles em hotéis da zona sul da cidade, onde se hospedam entre um vôo e outro.

Segundo um deles, que tem 21 anos de profissão, havia também problemas na pista de Congonhas, recém-inaugurada. Assim como já afirmaram vários especialistas, o comandante também percebeu que a pista estava funcionando sem as ranhuras transversais - chamadas de grooving - necessárias para o escoamento de água. Sem isso, o piso poderia empoçar e causar aquaplanagem. O comandante contou que já havia feito vários relatórios sobre o problema na nova pista.

"Era um pista tão nova e já muito emborrachada", completou o comandante. Ele explica que também informou em seus relatórios que a borracha solta dos pneus dos aviões estava deixando a pista mais escorregadia ainda.

Os pilotos não pareciam tão tranqüilos como os passageiros. "Todos sabem que a pista não poderia estar aberta com essa chuva. Ela não está pronta. Mas piloto não pode reclamar porque perde emprego", diz um experiente piloto, com 33 mil horas de vôo no currículo, que preferiu não se identificar. "Se fosse eu, teria arremetido a aeronave. Não decolaria com esta chuva. Mas como muitos aviões aterrissaram sem problema, o piloto deve ter achado que seria seguro. Mas não é.

Associações culpam governo pelo caos aéreo

Loteamento de cargos faz mais vítimas inocentes
Não é possível continuar assistindo o massacre de inocentes. O caos aéreo e as tragédias começaram a ocorrer, exatamente, a partir do momento em que se retirou do Ministério da Aeronáutica a administração do Sistema de Aviação Civil. Isso não é coincidência. É o resultado da desprofissionalização do setor, da falta de subordinação entre órgãos e da quebra da hierarquia do sistema.

A Aeronáutica, organização altamente profissionalizada (e imune a loteamentos de cargos), administrou a aviação no Brasil de 1941 até março de 2006. Foram 65 (sessenta e cinco) anos de gestão. Sessenta e cinco anos, sem que nada sequer parecido com o que ocorreu nos últimos treze meses tivesse se verificado. Profissionais (militares) foram sendo substituídos por militantes políticos inexperientes. Órgãos que compõem o sistema de aviação civil foram inoculados com essa anomalia brasileira que a cada quatro anos distribui vinte e cinco mil cargos. Essa prática é inédita no mundo. Igualmente inédito é o caos aéreo brasileiro que não encontra precedente em toda a história do transporte aéreo mundial, desde Santos Dumont.

Pelo amor de Deus, devolvam o comando da aviação civil do País ao Ministério da Aeronáutica, única maneira de blindá-la a essa prática que está acabando com a administração pública brasileira. Acabem com o Ministério da Defesa e com a ANAC. Restabeleça-se o organograma que administrou a aviação no Brasil, de 1941 até a criação dessas duas peças inúteis.

O que mais precisa acontecer? Quantas vidas vale um cargo? A aviação simplesmente não funciona sem profissionalismo, disciplina e hierarquia. Isso não existe mais. Enquanto esses três requisitos estiverem ausentes, o caos aéreo, as tragédias e as mortes vão continuar.

A ANDEP e o FÓRUM, por suas diretorias, manifestam sua dor pela perda de vidas de inocentes, entre as quais identifica amigos e conterrâneos.

Porto Alegre, 17 de julho de 2007.

Cláudio Candiota Filho
pres. ANDEP - Associação Nacional em Defesa dos Direitos dos Passageiros do Transporte Aéreo

Alcebíades Adil Santini
pres. FÓRUM ESTADUAL DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Pistas foram liberadas antes do prazo

Jornal do Brasil

Em obras desde maio deste ano, as pistas do Aeroporto de Congonhas, onde ocorreu o acidente, ainda não haviam sido completamente concluídas. No dia 29 de junho deste ano, a Infraero liberou as pistas principal e auxiliar, mas ainda faltava corrigir as ranhuras - canaletas por onde escoa a água das chuvas e que poderiam provocar derrapagem.

Aparentemente foi o que ocorreu com o A-320, que deslizou até a Avenida Washington Luiz e chocou-se com o prédio da TAM. Outros seis vôos haviam passado pelo mesmo problema nos últimos anos. O mais recente na segunda-feira, mas sem vítimas, apesar do pânico espalhado entre os passageiros.

A Infraero havia gasto R$ 11 milhões na recuperação geométrica da extensão, na correção da declividade e na substituição das camadas gastas das pistas, obras que demoraram cerca de 45 dias. Pela programação da empresa, seriam investidos ainda outros R$ 17 milhões. Mas até o final do ano o aeroporto de Congonhas - o mais movimentado do país, com 633 pousos e decolagens por dia - voltaria a operar em ritmo total e com uma pista principal definitivamente recuperada e mais ampla, passando de 49 metros para 54 metros de largura.

Além da execução das ranhuras, ainda faltava concluir a obra da passagem subterrânea, que deverá ligar a Avenida Washington Luís ao acesso viário do terminal de passageiros do aeroporto e ao estacionamento. O pátio oeste e seu subsolo também estavam inconclusos. Uma nova torre de controle também estava em construção no local.

Durante a entrega das pistas, no dia 29 de junho, o superintendente regional da Infraero, Edgard Brandão Júnior, chegou a afirmar que as obras não interfeririam no fluxo de aeronaves e previa que Congonhas, localizado na área urbana mais adensada do país em habitantes, seria, finalmente "um aeroporto mais agradável e seguro". Ele previa que, com a conclusão da reforma nas pistas do Aeroporto de Guarulhos, em Cumbica, prevista para dezembro, São Paulo teria 20 anos de tranqüilidade.

Acidente da TAM é o pior da aviação brasileira

Tribuna da Imprensa

SÃO PAULO - Um Airbus A-320 da TAM com 176 pessoas a bordo não conseguiu pousar na pista principal do Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, tentou arremeter, atravessou a Avenida Washington Luiz e bateu às 18h45 de ontem entre o primeiro e o segundo andar de um prédio. O avião explodiu e o incêndio tomou conta do prédio, um depósito de cargas da TAM, e de um posto de gasolina vizinho. Não há notícias de sobreviventes entre os passageiros. A Polícia Civil informou que pelo menos 12 pessoas morreram em terra no prédio e no posto de gasolina.

O maior acidente da história da aviação brasileira foi uma tragédia anunciada, dizem especialistas em segurança de vôo. Eles apontam como vilão a falta de drenagem na pista do aeroporto - ontem, dois aviões derraparam na pista. Para a Aeronáutica, uma aquaplanagem do avião é uma das duas causas possíveis do acidente - a outra seria um problema nos freios do avião. A Infraero, responsável pelo aeroporto, informou não descartar um erro do piloto ao tocar a pista.

O vôo JJ 3054 saiu de Porto Alegre às 17h16. Chovia e havia água na pista de Congonhas. Cinco minutos antes da chegada do Airbus, a Torre de Controle de Congonhas pediu à Infraero que medisse a lâmina d'água na pista. Recebeu a informação de que ela "estava operacional", o que a manteve aberta.

O Airbus aproximou-se do aeroporto sobrevoando o bairro Jabaquara em direção a Moema. Devia descer na pista principal. Estava lotado de passageiros e não conseguiu parar. Não há marcas de pneu na pista ou na grama ao redor, o que indica que o piloto não conseguiu frear. O piloto tentou arremeter, mas a força que ele conseguiu extrair do motor foi insuficiente para o Airbus decolar. "A velocidade era em excesso para parar e insuficiente para decolar", disse um oficial da Aeronáutica.

O Corpo de Bombeiros mobilizou 150 homens e 50 viaturas de todos quartéis da cidade e dois helicópteros para controlar o fogo, resgatar os feridos e o recolher os mortos. A energia elétrica na região foi cortada. A área do aeroporto foi isolada pela Polícia Militar e o aeroporto foi fechado.

O acidente ocorreu 17 dias depois de a pista principal do aeroporto ter sido reaberta - ela ficou fechada 45 dias para reforma - mesmo sem as ranhuras transversais, o chamado grooving que só seria feito no fim deste mês. O grooving é um dos itens que compõem a drenagem da pista e só pode ser feito um mês após o concreto ficar pronto, pois ele precisa se consolidar.

O acidente com o Airbus foi o terceiro ocorrido em Congonhas em 48 horas. Segunda-feira, às 12h43, um avião modelo ATR-42, da empresaPantanal derrapou na pista principal de Congonhas, mas foi parar na grama. Outro incidente ocorreu às 17h40, quando um Fokker-100 da TAM tentou pousar na pista principal e quase não conseguiu parar no fim da pista.(Camilla Rigi, Marcelo Godoy, Bruno Tavares, Rodrigo Pereira e Humberto Maia Junior)