quarta-feira, julho 18, 2007

Um desastre mais que provável

Jornal do Brasil

A maior tragédia da aviação brasileira também foi a mais anunciada. O Airbus 320 que fazia o vôo 3054 da TAM, com 176 pessoas a bordo, derrapou ao tocar na pista recém-inaugurada do Aeroporto de Congonhas às 18h45 de ontem, tentou arremeter, atravessou a movimentada Avenida Washington Luís, bateu em um depósito da empresa e explodiu. Por 45 dias, a pista, considerada perigosíssima sob chuva, passou por reparos e foi liberada dia 29 sem que fossem feitas as ranhuras para aumentar a aderência dos pneus ao solo. Segunda-feira, um avião da Pantanal derrapou, mas conseguiu parar no gramado do aeroporto mais movimentado do país. O Airbus da TAM não. Não há esperanças de sobreviventes.

O avião partiu de Porto Alegre às 17h16 com destino a Congonhas. A Infraero informou que pelo menos um passageiro tinha conexão para o Rio. Controladores de vôo disseram que a aeronave chegou a pousar, levantou vôo novamente e caiu sobre o prédio da TAM Express, empresa de cargas da companhia. Até meia-noite, foram confirmadas 25 mortes.

A assessoria do deputado Júlio Redecker (PSDB-RS), um dos defensores da instalação da CPI do Apagão Aéreo, confirmou que ele estava a bordo. Redecker viajaria para Washington em visita oficial. O diretor de futebol do Grêmio, Paulo Pelaipe, disse que os jogadores também deveriam embarcar no vôo, mas mudaram os planos.

Parentes das vítimas amontoaram-se no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Por volta da 0h de hoje, a TAM transportou as famílias para o Hotel Plaza Porto Alegre, onde seria divulgada a lista das 176 pessoas que estavam a bordo.

Renan Vitral, piloto do avião que decolou logo depois do acidente, ouviu alguém gritar "vira, vira, vira" pelo rádio e viu uma bola de fogo.

Funcionário da TAM, Valdinei Nascimento Murici estava no prédio atingido pelo avião. Com todas as saídas bloqueadas, ele se salvou porque pulou do terceiro andar. Fraturou clavícula e o quadril.

O vigilante Luiz Santos, 36 anos, estava a trabalho num Gol quando a traseira do carro foi atingida pelo avião, ao atravessar a Washington Luís.

- Vi o avião vindo na minha direção, ouvi o barulho da turbina. Nasci de novo - disse.

O jornalista Paulo Barros entrava num avião para ir de São Paulo a Brasília, quando viu o Airbus da TAM cruzar a pista em alta velocidade.

- Foi maior que qualquer coisa que já ouvi, maior até que tiro de canhão no Exército. Uma explosão seca, ensurdecedora.