terça-feira, julho 24, 2012

E agora, Dilma?


Comentando a Notícia

Não sei se o movimento de greves comandado pela central dos servidores atinge a 350 mil como propalam, mas são milhares de servidores pagos pela sociedade para servi-la e que, simplesmente, estão de braços cruzados. E olhe que o período mais perigoso ainda está por vir, são os meses de agosto e setembro. 

Já comentamos aqui sobre estes movimentos, e o quanto todos nós que pagamos os salários da turma somos duplamente prejudicados. 

Também mostramos o histórico vergonhoso desenhado por Lula em seus dois mandatos – o segundo principalmente – e que Dilma ajudou a construir. 

Quem indenizará cidadãos e empresas pelos prejuízos que as greves lhes causam? Por que até hoje, mesmo tendo ampla maioria no Congresso, os governos petistas jamais  encaminharam aos parlamentares projeto de lei regulamentando as greves no serviço público? Este uso repulsivo da greve como instrumento de política partidária que os petistas sempre fizeram com maestria, é a prova cabal de que para eles o interesse público é o que menos interessa, não estão nem aí para  o bem estar da sociedade. Danem-se todos!!!

O jornalista Reinaldo Azevedo, em seu blog, postou um artigo que resume bem o ponto a que o país chegou. Vale ler e refletir sobre o país que está sendo erguido que, acredito, ser bem diferente daquele que  a imensa maioria da população  sonhava um dia construir.  Nossa miséria moral está batendo fundo no poço degradado em que a política e as instituições mergulharam. 

E isto ainda vai nos custar muito caro. Segue o sempre excelente texto do Reinaldo Azevedo.

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Servidores – A herança maldita da era Lula-Dilma explode no colo da governanta. E as vacas, agora, não são tão gordas. Ou: Greve ou movimento cartorial?

Os sindicalistas dizem que há 350 mil servidores federais em greve. Talvez seja menos. De todo modo, são milhares. A negociação com o governo tem um aspecto um tanto estranho. Parece não se tratar de uma relação entre partes distintas. Ao contrário até: os líderes se referem a Dilma como alguém da turma que os estivesse traindo ou falando, de súbito, uma linguagem estranha: a das contas públicas. Sabem o que é isso? Boca torta pelo uso do cachimbo. No governo Lula, era pedir e levar. Em alguns casos, levavam até sem pedir. Em nove anos de petismo, a despesa média por servidor, informou ontem o  Globo Online, cresceu 120%. A inflação do período foi de 52%. Brasília já tinha a renda per capita mais alta do país antes disso. Depois então… Mesmo assim, permanece o mito de que os servidores públicos são mal pagos. Trata-se, obviamente, de uma piada.

Enquanto as vacas estavam gordas, luzidias, Lula ignorou o impacto sobre as contas públicas e abriu as burras do dinheiro. Frequentemente, os gastos cresceram mais do que a economia e do que a arrecadação. Mas chegou o inverno, o pasto está seco, e não há mais a cornucópia de dinheiro. Ocorre que a clientela está mal acostumada e pretende manter o ritmo dos ganhos reais — como vocês viram acima, aquilo é ganho real.

Então aparece a pobre ministra Miriam Belchior — digo “pobre” porque é aquela obrigada a falar de dinheiro, do desembolso mesmo — para afirmar que não há grana para alimentar as reivindicações. “Desde 2003, houve aumentos reais em todas as categorias. Estamos refazendo todas as nossas contas diante do agravamento da crise internacional e esperamos que até o início de agosto tenhamos o cenário das propostas que possam ser atendidas. A soma das demandas é de R$ 92 bilhões, ou 50% da folha atual, 2% do PIB e o dobro do PAC deste ano. Isso indica, com clareza, que é um número que não é factível de o governo atender”, quase implora Miriam. Ninguém quer saber. “Tivemos um conjunto de reestruturações de 2008 a 2010. Só no Poder Executivo civil, o impacto foi de R$ 35,2 bilhões”, lembra o secretário de Relações de Trabalho no Serviço Público, Sérgio Eduardo Arbulu Mendonça. Dão de ombros pra ele.

A greve não esta sob o comando da CUT, mas de setores à esquerda. A central do petismo era muito ativa no governo FHC. Depois, apelegou-se, mas também não pode ser hostil ao movimento. Então fica parada, pedindo negociação. A essa altura, é evidente que o ministro de Trabalho já deveria ter comparecido para o debate e o embate. Quem é mesmo? Ah, sim, trata-se do blogueiro Brizola Neto, que está mais por fora do que dedão de franciscano. A pasta é só um cartório do PDT. Não serve pra nada.

Gilberto Carvalho, o sedizente responsável pelo diálogo com “os movimentos sociais”, está sumido. Ele sempre é muito buliçoso quando se trata de acirrar os ânimos contra governos de oposição. No caso do Pinheirinho ou da ação na Cracolândia, por exemplo, sempre tinha algo a dizer. Um assessor seu chegou a participar de uma incrível patuscada, dizendo-se atingido por uma bala de borracha. Não fez exame de corpo de delito, não exibiu o ferimento, não comprovou a “denúncia”. Mas se deixava fotografar com uma bala não disparada na mão. Cadê Carvalho? Pois é… A coisa agora envolve dinheiro, o caixa. Não se trata mais apenas de jogar as hostes do partido contra governos tucanos… Nesse caso, ele não tem o que dizer.

O governo apresentou, por exemplo, um plano de reestruturação da carreira e de reajuste para os professores. Em três anos, representa um desembolso de quase R$ 4 bilhões. Para atender o que pedem, a conta vai para mais de R$ 9 bilhões. Entre outras coisas, recusam a promoção por mérito. Aprenderam isso com os sindicatos petistas, com Lula. “Meritocracia é coisa de neoliberal”, eles rezam. E estão lá: ou é reajuste em linha, pra todo mundo, independentemente das diferenças, ou greve.

Pois é… O PT, sempre tão maquiavélico, é agora refém da raposinha de O Pequeno Príncipe: tornou-se responsável por aqueles que cativou. E eles tomaram balda. Aprenderam a levar tudo. Aqui e ali, o governo ameaça com o desconto dos dias parados, promessa que nunca cumpre. Os grevistas dão de ombro porque sabem que, lá no Planalto, ninguém tem peito — quero dizer, pulso — para isso.
Quem paga o pato? Ora, quem depende dos serviços feitos pelos servidores: a população.

Enquanto fazer ou não fazer greve for irrelevante; enquanto não trabalhar for tão vantajoso quanto trabalhar; enquanto a paralisação não implicar — o que é, em si, uma imoralidade — nenhum sacrifício nem dos grevistas nem do governo; enquanto a população for a única prejudicada pelo movimento, o Planalto pode ir cozinhando o galo, e os grevistas podem radicalizar à vontade nas reivindicações.

Encerro lembrando que não pode haver nada mais indecoroso num movimento sindical do que a reivindicação para que não se descontem os dias parados. Isso é quase uma jabuticaba; não existe em nenhum país do mundo — nem no grevismo do ABC, que resultou no PT, era assim, como Lula sabe muito bem. Quando uma categoria para de trabalhar, ela está ciente do prejuízo que impõe ao outro lado, mas sabe que corre riscos também. Sem esses riscos, então não se trata de greve, mas de negociação cartorial.

As perspectivas mais realistas dizem que a economia não cresce nem 2% neste ano. Para o ano que vem, fala-se aí em algo em torno de 3,5%… Vai saber. Uma coisa é certa, se o governo ceder ao que pedem os grevistas, não vai sobrar um tostão para investir — na verdade, vai faltar dinheiro. E aí a coisa vai mesmo para o buraco. É a herança maldita de Lula, que Dilma ajudou a construir porque, afinal, nunca se cansou de dizer, era a “gerentona” do governo, certo? Pois é… Quando sobra pão, ninguém precisa gritar porque leva a prebenda, tendo ou não razão. Quando a demanda é maior do que a oferta, aí é preciso saber dizer “não”.

E agora, Dilma?

A estupidez de Ana, a agradecida


Adelson Elias Vasconcellos

Ana, pernambucana, advogada, filha de pai famoso e mãe de filho ascendente na política local, a partir da morte de seu pai resolveu se valer da herança que seu pai deixou - nome político forte – para ingressar na carreira. E, com menos de dois anos de um mandato Federal,  para selar a aliança entre o poder e o seu filho, serviu como moeda de troca, ou taxa de sucesso para que a aliança política se firmasse. Foi “indicada” para o Tribunal de Contas da União, indicação esta que aqui sempre condenamos, já que dada as especificidades da função, os cargos não deveriam ser preenchidos por indicação política, e sim ser o ponto alto da carreira dos auditores do TCU, porque afinal de contas, quem trabalha ali são eles, e não os tais “conselheiros” indicados. Aliás, para fortalecimento do próprio TCU, políticos deveriam ser mantidos longe. Para ingressar somente através de concurso, com o preenchimentos dos requisitos de formação técnica exigíveis aos cargos.

Infelizmente, Ana, a indicada, já em seu discurso apontou o caminho que seguiria:   a de que teria um “olhar político” sobre as questões sob análise do TCU. Hummmm... Sempre que alguém vier com este papo de “olhar político” no Brasil, é líquido e certo que teremos surpresas desagradáveis.

Ana, a herdeira e indicada, resolveu ser agradecida aos padrinhos de sua indicação, muito embora jamais tenha demonstrado a menor condição para exercer o seu novo ofício. Mas no Brasil é assim: os melhores cargos públicos geralmente são repartidos com os piores candidatos. Aqui, interesse público e privado sempre se misturaram com a conta do prejuízo sendo bancada pelo trouxa do contribuinte, que precisa trabalhar duro para sustentar a camarilha.

Às vésperas do julgamento do mensalão – o maior escândalo político da história brasileira – Ana, herdeira e indicada, resolveu dar uma ajudinha para os mensaleiros brincalhões do dinheiro público que destroem e infernizam as instituições nacionais, porque, afinal, no meio deste  rolo vergonhoso, estava o interesse canalha de seu padrinho mau caráter.

Assim, do nada, resolveu tornar legal um contrato assinado e encerrado no passado, baseando-se em lei do presente. Reparem: o contrato era de 2003, lá naquele ano ele foi celebrado e encerrado. Sete anos depois, uma lei aprovada em 2010 pelo Congresso, e que deveria vigorar apenas a partir de sua aprovação, serviu de manto de proteção para que Ana, herdeira e indicada, se tornasse agora Ana, a também agradecida.Claro que para a estupidez valesse, os demais “conselheiros” deveriam ratificar o “parecer” da Ana. E foi isto que aconteceu, uma total afronta à ordem jurídica. Até gostaria de saber o que pensam os ministro do STF diante de um absurdo descomunal destes.

Se o tal contrato ainda estivesse em vigor, ainda se poderia discutir. Mas foi encerrado antes da tal lei entrar em vigor, tornando “legal” o crime então cometido. Sem dúvida, se trata de uma deslavada cretinice que em país sério levaria o autor à demissão sumária do serviço público, ou a sua internação em algum manicômio dado que se trata de ato desvairado que somente um débil mental seria capaz de cometer. 

Contudo, no país do PT a coisa corre de forma diferente. Os atos criminosos da companheirada são acobertados e perdoados mediante a mudança das leis, deixando de ser crime os crimes que se cometem. Adoraria saber qual reação teriam esta mesma camarilha se tamanha estupidez fosse cometida em governos em que fosse oposição. O mundo por certo, viria abaixo.  E ainda tem pseudos jornalistas, como Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim, devidamente remunerados com publicidade oficial em seus blogs, com a desfaçatez de defenderem atitudes canalhas desta má natureza.

Portanto, meus amigos, há uns dois meses, levantei aqui uma questão sobre o julgamento do mensalão que permanece em aberto: podemos ter surpresas contrárias aos interesses afrontando as leis democráticas do país? Depois disso, veio a público parte do relatório do senhor Ricardo Lewandovski que, convenhamos, a mim não surpreende. Dele não esperava mesmo outra coisa. Mas até o dia de início do julgamento no STF, nada nestas praias de gente sem caráter chegará a ser surpreendente. Espero que, desta vez, o STF não afronte mais as leis do país como tem sido costume. 

Quanto a Ana, bem, acredito que a camarilha acabará sendo-lhe grata pela estúpida ajudinha, para que a herdeira e indicada acabe sendo “promovida” para outras remunerações mais polpudas que só a política brasileira de canalhas sabe ser. A depender de quem é beneficiada, a estupidez sempre acaba recompensada nestas terras tupiniquins. Outros, de caráter mais reto sentiriam vergonha. Já esta laia é capaz de achar que tudo isto é coisinha sem importância...

Marcos Valério e Bob Jefferson-
Seria importante que estas duas figuras, que andaram mandando seus recados para os mensaleiros e, principalmente, para Lula, o chefão de todos eles, lembrassem que o compromisso deles é para com o país, com o futuro que pretendemos construir para nossos filhos. Assim, eles não devem temer contar a VERDADE que ambos conhecem sobre o mensalão, os envolvidos, as trapaças, as negociatas de submundo. Nada os liga a Lula. Portanto, que entrem para história com honra, pela porta da frente, por terem ajudado a desbaratar uma quadrilha de bandidos que tentaram golpear as instituições. 

É precisamente disto que se trata: como querem ser lembrados pela história? Como brasileiros que souberam enfrentar o crime organizado no poder, ou aliados miúdos da quadrilha, cujo silencio representa muito mais do que trair sua própria dignidade?

Portanto, Valério e Jefferson, aproveitem o julgamento para mostrar ao Brasil os verdadeiros bandidos da democracia contando tudo o que sabem.  

O mensalão e a controvertida decisão do TCU


Frederico Vasconcelos
Folha de São Paulo

Defesa de Valério diz que decisão favorecerá réu no STF; analistas veem uso político


A decisão do Tribunal de Contas da União, considerando regular um contrato da agência DNA Propaganda, do empresário Marcos Valério, com o Banco do Brasil é certeira na pontaria, pois atinge um dos pontos centrais da denúncia do mensalão; é momentosa, ao ocorrer às vésperas do julgamento da ação penal, e controvertida, por introduzir dúvidas de ordem técnica e jurídica e questionamentos sobre os interesses políticos envolvidos.

É certeira porque diz respeito a uma das principais suspeitas de ilícito, conforme assinala o ministro Joaquim Barbosa em seu relatório: “No julgamento desta ação penal, serão analisados apenas os supostos desvios de recursos da Câmara dos Deputados e do Banco do Brasil”.

É momentosa porque recoloca a questão do tempo sob dois ângulos: a) parece confirmar, mais uma vez, que a morosidade dos processos dificulta a realização da justiça; b) resta ver se o STF aceitará que um contrato firmado em 2003 e já encerrado pode ser considerado regular com base numa lei aprovada pelo Congresso em 2010.

O ingrediente político surge com o fato de que a decisão do TCU foi baseada em voto da ministra Ana Arraes (na foto), que é mãe do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), aliado do governo. Ela foi empossada no TCU em outubro do ano passado.

“A praga de nomear políticos para o Tribunal de Contas da União sempre dá o que falar — e aconteceu de novo”, comenta, em seu blog, na “Veja“, o jornalista Ricardo Setti.

“Vejam que absurdo: a poucos dias do início do julgamento do mensalão, ministra do TCU mãe de governador aliado do PT livra a cara de dois réus do mensalão em acusação importante”, diz Setti [ele se refere a Marcos Valério e ao ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato].

O blogueiro Reinaldo Azevedo, da mesma revista, vai na mesma linha: “Ana Arraes demonstra que não foi nomeada por acaso e que Lula sabia bem o que estava fazendo quando entrou com tudo na sua campanha”.

O Ministério Público Federal sustenta que a agência de Valério se apropriou ilegalmente de R$ 2,9 milhões durante a execução do contrato com o BB e usou o dinheiro para financiar o mensalão. Os recursos são associados ao chamado bônus de volume, comissões recebidas dos meios de comunicação que veicularam anúncios do banco.

A defesa de Valério sustenta que a retenção dessas comissões pelas agências sempre foi praxe no mercado publicitário.

O contrato da DNA com o Banco do Brasil previa expressamente o repasse do bônus ao banco. Mas a ministra considerou em seu voto uma lei aprovada pelo Congresso em 2010, que autoriza a retenção do bônus de volume pelas agências de propaganda.

Segundo o jornal “O Globo“, o entendimento de Ana Arraes, acompanhado pelo plenário, contraria parecer da área técnica e do Ministério Público do TCU.

O advogado Marcelo Leonardo, que defende Marcos Valério no STF, disse à Folha ter “certeza” de que a decisão do TCU favorecerá seu cliente e afirmou que estuda a possibilidade de pedir sua inclusão no processo.

“Nós já sustentávamos o que foi decidido agora pelo TCU”, disse Leonardo.

Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, recursos públicos foram repassados às agências DNA Propaganda e SMP&B, de Marcos Valério, através dos contratos com a Câmara dos Deputados e com o Banco do Brasil.

Esses recursos teriam sido repassados de modo antecipado ou sem a prestação integral dos serviços e “esquentados” por meio de empréstimos simulados (ideologicamente falsos).

Em novembro de 2009, o ministro Joaquim Barbosa mandou o Instituto de Criminalística da Polícia Federal realizar perícias em documentos contábeis apresentados pela defesa de Marcos Valério.

Segundo avaliação de um magistrado especializado em julgar crimes financeiros e de lavagem de dinheiro, havia a suspeita de que esses documentos teriam sido usados para justificar operações financeiras que não tinham lastro real (uma das etapas da lavagem). Ou seja, seria o trânsito de dinheiro de origem espúria.

Joaquim Barbosa também pediu que fossem requisitadas ao Banco do Brasil cópias de notas fiscais e a descrição dos serviços prestados pela agência de Marcos Valério, com a indicação de quem atestou a real prestação desses serviços.

A diligência pretendia comprovar se os serviços foram efetivamente realizados. A suposição é que a resposta seria negativa e que as operações teriam sido contabilizadas para dar aparência de legalidade.

Essas providências de Barbosa posteriormente sofreram seguidas tentativas de impugnação pelos advogados de Marcos Valério. Os defensores do publicitário questionaram a capacidade dos peritos da PF e alegaram que eles desconheciam o sistema de bonificações nos negócios da área de publicidade.

Detalhe relevante: essas diligências contestadas foram determinadas pelo próprio relator –e não requeridas pelo Procurador-Geral da República, responsável pela acusação.

Falta alguém no banco dos réus do mensalão


Blog do Noblat

Marcos Valério, um dos cérebros do mensalão, voltou a ameaçar Lula, segundo a VEJA desta semana.


Em pânico com a possibilidade de vir a ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal, que começará a julgar no próximo dia dois os 38 réus do mensalão, Valério se disse disposto a contar que esteve com Lula várias vezes, o que Lula sempre negou.

Foi Paulo Okamoto, uma espécie de diligente tesoureiro informal da família Lula, que de novo dobrou Valério. Naturalmente, Okamoto nega que Valério tenha feito qualquer ameaça a Lula. Ou dito que antes do estouro do escândalo do mensalão estivera com ele na Granja do Torto, uma das residências oficiais do presidente da República.

"[Valério] queria me encontrar porque às vezes quer saber das coisas. Em geral, ele quer saber como está a política, preocupado com algumas coisas", justificou Okamoto. Foi claro? Adiante. 

Coube também ao advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, outra peça importante da engrenagem do PT, agir para sossegar o espírito atribulado de Valério.

Ponham-se no lugar do ex-publicitário mineiro. Era rico, riquíssimo antes de se meter com o PT de Delúbio Soares, Genoino e José Dirceu. Tinha duas agências de propaganda. E inventara uma forma de lavar dinheiro por meio de bancos para engordar o caixa 2 de políticos às vésperas de eleições. Eduardo Azeredo, do PSDB, foi um deles.

Procurado para fazer pelo PT o que fizera por Azeredo, imaginou ter tirado a sorte grande.O governo Lula estava nos seus meses iniciais. E a turma à frente do partido em busca do tempo perdido.

De repente, todas as portas se abriram para Valério. E ele passou a "fartar os olhos" admirando o dinheiro que entupia as suas burras.

Teria dado certo - não fosse o tresloucado gesto de Roberto Jefferson, presidente do PTB, que por pouco não pôs o governo a pique.

Em um sábado de junho de 2005, depois de tomar uns goles a mais na Granja do Torto, Lula falou em renunciar ao mandato. Ficara sabendo que Valério admitira envolvê-lo no escândalo.

José Dirceu, então chefe da Casa Civil da presidência da República, foi chamado às pressas em São Paulo. Escalado para dar um jeito em Valério, deu sem fazer barulho.

Naquele dia postei em meu blog que Lula falara em renúncia - embora eu não soubesse por que. Nunca recebi tantos desmentidos de porta-vozes e amigos do governo.

Ainda no segundo semestre de 2006, Valério voltou a atacar. Procurou um político de forte prestígio junto a Lula. Queixou-se de estar quebrado. Acumulava dívidas sem poder honrá-las. Seus bens haviam sido bloqueados. Caso não fosse socorrido, daria um tiro na cabeça ou faria com a Justiça um acordo de delação premiada.

O político pediu uma audiência a Lula. Recebido no gabinete presidencial do terceiro andar do Palácio do Planalto, o político reproduziu para Lula o que ouvira de Valério.

Em silêncio, Lula virou-se para uma das janelas do gabinete que lhe permitia observar parte do intenso movimento nas vizinhanças do palácio.

Então perguntou ao visitante: "Você falou sobre isso com Okamoto?" O visitante respondeu que não. E Lula mais não disse e nem lhe foi perguntado. Seria desnecessário.

O diligente Okamoto, aquele que pouco antes pagara do próprio bolso cerca de R$ 30 mil devidos por Lula ao PT, apascentou Valério.

Falta alguém em Nuremberg!

Quero dizer: falta alguém na denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República sobre a "organização criminosa" que tentou se apossar do aparelho do Estado.

Desviou-se dinheiro público - e não foi pouco. Pagou-se para que deputados votassem como queria o governo. Comprou-se o apoio de partidos.

Nada será capaz de reparar o mal produzido pelos que chegaram ao poder travestidos de legítimos hierarcas da decência - falsos hierarcas como se revelariam mais tarde.

Mas se a Justiça só enxergar inocentes entre eles, isso significará que também foram bem-sucedidos na tarefa de trucidar a esperança.

Defesa de Roberto Jefferson dirá que Lula sabia do mensalão


Cássio Bruno
O Globo

Advogado do ex-deputado dirá no STF que ex-presidente ordenou esquema

Levy Gasparian O GLOBO / EDUARDO NADDAR
O ex-deputado Federal Roberto Jefferson, delator do esquema do mensalão, 
em sua casa no município de Comendador 

RIO - A defesa do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), um dos 38 réus do mensalão, vai centrar fogo no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua sustentação oral no julgamento, previsto para começar no próximo dia 2, no Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado de Jefferson, Luiz Francisco Corrêa Barbosa, dirá que Lula não só sabia da existência de todo o esquema como “ordenou” a sua execução:

— (Lula) Não só sabia (do mensalão) como ordenou toda essa lambança — revelou Barbosa ontem ao GLOBO. — Não é possível acusar os empregados e deixar o patrão de fora.

A tese da defesa, no entanto, contraria as declarações do próprio Jefferson, em 2005, durante seu depoimento na Comissão de Ética da Câmara. À época, antes de ter seu mandato cassado, o presidente nacional do PTB contou que foi ele quem avisou Lula sobre a existência do mensalão:

— Eu contei e as lágrimas desceram dos olhos dele. O presidente Lula é inocente nisso — afirmou Jefferson, na ocasião.

No mesmo depoimento, ao se referir ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT), outro réu no processo e apontado na denúncia como “chefe da quadrilha”, Jefferson voltou a defender Lula:

— Zé Dirceu, se você não sair rápido daí (do governo), você vai fazer réu um homem inocente, que é o presidente Lula. Rápido, sai rápido, Zé, para você não fazer mal a um homem bom, correto, que eu tenho orgulho de ter apertado a mão.

Nesta segunda-feira, porém, Barbosa desconversou sobre a mudança de tom:

— Não respondo pelas palavras do Roberto. Sou o advogado dele.

Defesa também quer atacar PGR
No julgamento, a defesa de Jefferson também atacará a Procuradoria-Geral da República (PGR) para desqualificar a denúncia. Delator do mensalão, o ex-deputado está sendo acusado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Jefferson teria recebido R$ 4 milhões do chamado valerioduto. Ele nega qualquer irregularidade. Segundo a PGR, o esquema era operado por Marcos Valério e abastecia parlamentares aliados para votarem a favor de projetos do governo Lula, entre 2003 e 2004.

— Não houve crime. Vou mostrar que o processo é açodado, incompleto — disse Barbosa.

Para Fernando Leal, professor da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas (FGV), a intenção de levar o nome de Lula ao julgamento pode ser uma tentativa de enfraquecer os argumentos da acusação, uma vez que o STF não poderia deixar de condenar os réus e excluir o suposto executor do esquema, no caso Lula. Leal disse que a iniciativa teria pouco efeito:

— As alegações do advogado de Roberto Jefferson, do ponto de vista jurídico, não tendem a prosperar na ação penal. A prerrogativa de incluir novos réus no processo é exclusiva do Ministério Público, que já optou expressamente por não fazê-lo.

Procurado pelo GLOBO, Lula não quis comentar o caso.

Jefferson chegou a arrolar Lula como testemunha da ação. Em outros momentos, ele também quis tornar o ex-presidente réu do mensalão, pedido negado pelo ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, em 2010. O caso começou a tramitar no STF em 12 de novembro de 2007.

Reeleito semana passada presidente do PTB, o ex-deputado, de 59 anos, será operado no próximo sábado, no Hospital Samaritano, em Botafogo, para a retirada de um câncer no pâncreas. O diagnóstico foi feito em fase inicial da doença. Ele deverá ser internado quinta-feira.

— O tumor no pâncreas é de natureza indeterminada. Não existe um diagnóstico ainda. Só vamos saber depois da cirurgia, que é complexa, mas com grandes chances de recuperação — explicou o médico de Jefferson, José Ribamar Sabóia de Azevedo.

O governo sem rumo


Adelson Elias Vasconcellos


Entre 65 países participantes, o Brasil ficou em 63º no último exame de Avaliação internacional de alunos com escolaridade de nível médio.

Vimos aqui que, No Ensino Médio, o total de estudantes que atingiu o nível pleno de alfabetismo caiu de 49% para 35%. No Ensino Superior, a queda foi de 76% para 62%. Portanto, apenas 35% das pessoas com ensino médio completo podem ser consideradas plenamente alfabetizadas e 38% dos brasileiros com formação superior têm nível insuficiente em leitura e escrita. É o que apontam os resultados do Indicador do Alfabetismo Funcional (Inaf) 2011-2012, pesquisa produzida pelo Instituto Paulo Montenegro e a organização não governamental Ação Educativa.

O Brasil está completando dez anos de petismo no poder. É tempo prá burro, e suficiente para comprovar para comprovar a falência de métodos que o partido tem tentado impor na educação dos brasileiros. 

Como Educação é a porta de entrada para o mundo desenvolvido, fica claro que o PT tem representado que a distância para atravessarmos esta porta está se distanciando cada vez mais. Ora, não seria a educação a prioridade de qualquer governo? Se assim é, então o governo petista está completamente reprovado.

Mas não é apenas nesta questão estratégica que queremos demonstrar que o petismo está afundando o país.

Vamos examinar também o campo da segurança. Querem ver? Reparem nestes dados: Isoladamente, homicídios de crianças e adolescentes foram responsáveis por 22,5% das mortes dentre a faixa etária no país naquele ano, aponta o levantamento.

A comparação aponta que as mortes cresceram ainda mais na última década. Enquanto que, em 2000, a taxa de assassinatos dentre as crianças chegava a 11,9 por mil pessoas entre 1 e 19 anos, em 2010 a taxa chegou a 13,8. Segundo o censo do IBGE daquele ano, crianças e adolescentes representavam 31,3% da população.

Entre os estados, Alagoas e Espírito Santo lideram em 2010 a taxa de assassinatos de jovens: 34,8 e 33,8 para cada 100 mil, respectivamente. Já São Paulo e Piauí são os que melhor protegem suas crianças e adolescentes dos crimes, com taxas de 5,4 e 3,6 pro 100 mil, respectivamente, apontam os números.

Em comparação com o ano 2000, porém, Bahia e Pará foram os estados que apresentaram maior crescimento da taxa de assassinatos em 2010, com aumento de 576,7% e 351,3%, respectivamente. Segundo 'Mapa da Violência', média anual de mortes do país supera a de mortes violentas em guerras como da Chechênia e Iraque.

Na educação, crianças e adolescentes estão recebendo uma qualidade inferior, na segurança, a violência com elas e sobre elas tem crescido estupidamente com o PT no poder. O Brasil atingiu a incrível marca em ser o país com o quarto maior índice de morte de jovens no mundo. Sem dúvida, trata-se de uma conquista do nuncadantez!!!!!

Observem que os dados não se baseiam em espaços de tempo específicos. São estatísticas de evolução histórica na última década, o que representa uma tendência, Dissemos em outro post, que as crianças e adolescentes brasileiros já tem, hoje, seu futuro comprometido, seja pela educação deficiente, o que os afasta de um mercado mais competitivo e mais exigente, e a disseminação da violência, sem uma ação responsável por parte do governo,  está empurrando grande contingente para o crime.  Não são apenas as drogas que vitimam os jovens brasileiros. 

É a formação construída numa sociedade onde os valores estão cedendo vez ao oportunismo criminoso, ideologia que o petismo tem se encarregado de disseminar.  E note-se um detalhe significativo nestes indicadores de violência: seu crescimento tem sido explosivo justamente na região nordeste onde o petismo impera absoluto. Mais: é a região com maior número de beneficiários do Bolsa Família e onde os governos petistas investiram pesadamente. Ou seja, desmancha aquela bazófia toda de que a violência é filha direta e dileta da pobreza. A violência está presente em todas as regiões e disseminada em todas as camadas sociais. Onde ela reduziu-se, por coincidência, foi nos estado que investiram mais pesadamente em segurança pública e onde a polícia enfiou o maior número de criminosos na cadeia. 

Vimos ainda, nesta edição, que o meio empresarial já começar a reagir de maneira negativa à falta de um projeto de desenvolvimento. É visível que os pacotinhos inconsequentes paridos  pelo ministro Mantega, tem tido o efeito perverso de estagnar a economia, que continua a espera de reformas estruturais para retomar sua retomada de crescimento. 

E, para encerrar, os sinais de que está cada dia mais difícil quais os rumos que o governo pretende dar ao seu governo – se é que tenha algum – podemos constatar por mais estes dados. Na primeira metade deste ano, o aumento das despesas federais foi praticamente o dobro do que se viu no primeiro semestre de 2011. Os investimentos respondem por apenas 5% dessa expansão. O restante são os chamados gastos de custeio.

Em termos nominais, os gastos de janeiro a junho deste ano cresceram R$ 40,6 bilhões em comparação com igual período de 2011. É praticamente o mesmo montante reservado ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que chega a R$ 42,6 bilhões.

Ora, se o governo prefere gastar mais do que investir, e olhem que o nível já é baixíssimo para necessidades do país, fica definitivamente claro que este governo não tem projeto nenhum. Não há plano de voo. 

E olhem que nem chegamos a comentar a situação da saúde, do saneamento básico, da infraestrutura, da burocracia infernal, da insegurança jurídica.  Todos estes pontos, diga o que disser a presidente, não tem nada a ver com a crise internacional. São assuntos internos para os quais o governo não tem respostas. O caso da infraestrutura, então, é de mediocridade dolorosa. Há poucos dias a presidente afirmou que não “concederia” mais nada neste ano. Nem aeroportos, nem portos, nem rodovias. Quer rever tudo e reestudar os processos de concessão à iniciativa privada. 

Pergunto: se Dilma está no Executivo federal desde 2005, na qualidade de responsável pelas obras de infraestrutura, e desde 2011, como presidente, portanto, com toda uma estrutura à sua volta para estudar, reestudar, revisar, colher subsídios, informações e estudos, precisa de quanto tempo mais para rever o que já deveria ter um projeto elaborado, pronto e em  execução? Quanto mais de prejuízo a sociedade brasileira terá que suportar até que a “boa vontade” de sua presidente se pronuncie em favor de resolver os problemas que afetam a todos? Ou ela imagina que sua lentidão vai nos empurrar prá frente? Ora, ora, dona presidente, o Brasil já esperou demais, o seu partido governa o país há quase dez anos, e ainda não se tem um projeto no campo da infraestrutura que se precise de não se sabe quantos séculos mais para que se decida o que fazer? 

Querem ver como é que este governo impede o país de avançar, de crescer, de se desenvolver? Nesta edição vocês tem um apanhado nas áreas de educação e segurança, como recentemente apontamos os gargalos na infraestrutura, na burocracia do sistema tributário e na demora para se legalizar completamente a abertura de uma empresa. Pois bem, no artigo que publicamos mais abaixo do Carlos Alberto Sardenberg, há um resumo bem apanhado da questão das teles as quais, com exceção da Vivo – como se esta não fosse de dor de cabeça e reclamações inúmeras nos Procons de todo o Brasil, também – de como o governo consegue impedir a qualificação dos serviços. Vale reproduzir um trecho: 
Ora, celulares dependem de antenas e, pois, de torres. Quanto mais, melhor o sinal. Logo, parece lógico, as teles não podem mesmo vender linhas se não têm as torres.

Mas, no outro lado da história, os executivos das teles notam que as sete licenças necessárias para levantar uma torre em Porto Alegre não são concedidas em menos de seis meses, isso se a burocracia funcionar perfeitamente. Ou seja, leva muito mais. Além disso, mesmo quando saem as licenças, fica proibido colocar torres e antenas em tal número de locais que não há como evitar as “zonas de sombra”.

Acrescente-se ao quadro que as empresas, ao vencerem licitações e receberem outorgas de frequência, são obrigadas a cumprir prazo para oferecer as linhas.

Resumo da ópera: o poder público concede, depois impõe regras que limitam a instalação de antenas e pune as teles por não entregar o serviço adequado.

Além das normas nacionais, há mais de 250 legislações estaduais e municipais, criando uma teia de entraves.

Como se dizia antigamente, quem não tem competência não se estabeleça. Quem não tem farinha no saco, que não se meta a receitar angu aos vizinhos. Em todos os setores da vida nacional é perceptível o apagão de governo, fruto de um apagão geral de competência de seus governantes e dirigentes políticos. 

Assim, eis a última questão que se pode colocar: afinal, quando é que a presidente Dilma começará a governar o Brasil? Ou vamos ter que esperar que o país lhe confie um segundo mandato para não fazer nada também? 

Por que senhores, quando se quiser saber por que o país cresce pouco e menos do que os outros, quando se desejar saber por que as coisas no Brasil funcionam, façam um favor: antes de perderem tempo em procurar respostas, olhem quem está comando o navio e vocês perceberão que o comandante, juntamente com a camarilha de seu partido que o cerca, não tem condições sequer de empurrar carrinho de pipoca, quanto mais de governar o país e resolver a contento as questões mais urgentes que infernizam a vida de todos nós. Este é um governo sem rumo.  

Nova previsão do PIB: agora abaixo de 2,0%

Adelson Elias Vasconcellos


Sinceramente, não sei o que se deve fazer para tentar sensibilizar o governo brasileiro para ele reformular não apenas seus diagnósticos sobre a economia brasileira, mas também reformular suas estratégias. 

Tem sido rotineira a condução, e não só da economia, em outras áreas também, sob o signo do famoso método inconsequente do “empurrar  com a barriga”.

O que as autoridades brasileiras ainda não se deram conta, e boa parte do jornalismo também, é que o Brasil de Lula e Dilma só funcionou enquanto a economia mundial andou bem, e aqui dentro tínhamos as portas abertas ao cassino financeiro pela prática de juros altos aplicado nos títulos públicos. Isto criou uma tal cenário de que o país, finalmente, se livrara de suas mazelas, de seus gargalos, muitos dos quais históricos. A questão cambial, por exemplo, insuflou um tal nacionalismo despropositado graças ao fato de que, com o real sobrevalorizado, termos atingindo a condição de sexta economia mundial, o que deu uma aparência de nação desenvolvida à miséria tupiniquim. 

E, era o que se dizia, este real cotado em níveis superdimensionados para a nossa realidade se devia à excelência econômica do Brasil e não aos juros mais altos do planeta que atraiam feitos mosca no mel bilhões de dólares  para o mercado financeiro. 

Outro balela era os milhões de empregos gerados. De fato, eles aconteceram mas, muito mais, senão apenas por isso, dada a estabilidade econômica com o final da inflação e certa responsabilidade fiscal conquistada a partir de reformas praticadas no governo anterior. 

Também contribuiu para esta euforia provinciana, o crescimento do consumo que foi muito mais baseada em programas sociais (também criados no governo anterior) com a consequente de indicadores sociais. A geração de empregos trouxe para o mercado de consumo milhões de pessoas. Já provamos aqui que a tão propalada “nova classe média” brasileira, não passa de um truque vigarista de estatística. Se a renda não sobe para criar este “progresso” fantasioso, mude-se a renda, para baixo, para abrigar os milhões efusivamente comemorados. 

Truques, vigarices, mistificações, manipulações, foram os instrumentos empregados pelo arsenal petista para fazer um país crescer sem crescer. No ano mais vibrante em termos de crescimento do PIB, por exemplo, quando chegamos a romper a barreira dos 7 % ao ano,  pouco destaque se deu ao fato de que a base de comparação fora o ano anterior que apontara recessão, crescimento negativo. Portanto, visto pela média, o crescimento não fugiu muito à média histórica dos últimos anos. E 2013, dado os resultados pífios de 2011 e o que já desponta como certo também em 2012, poderá, novamente, representar um destes comparativos em que se tem um crescimento bom a partir de anos ruins. 

O governo Dilma até apontar a crise internacional como um entrave para o crescimento quase zero da economia brasileira em 2012. Claro que a crise acaba embolando o meio de campo, mas ela por si só não explica. Economias menos robustas em países com muito menos recursos do que o Brasil, por exemplo, terão e estão tendo crescimentos bem maiores do que o teremos por aqui. Podemos buscar exe4mplos no continente sul-americano, mesmo, como Chile, Peru.  Vimos ontem que as projeções apontam o Brasil como obtendo o segundo menor crescimento no continente. Mesmo Estados Unidos e alguns países europeus, enredados e envoltos em crises profundas, terão crescimento maior. Reparem: sequer estou citando os países asiáticos e os BRICS para não parecer covadia do comentarista. 

Então fica a pergunta: Por que o Brasil não sai do lugar? Antes de tocar no ponto principal, um acréscimo. Voltem apenas um pouquinho no tempo, e analisem o Brasil com os demais emergentes no período de 2003 a 2007. Mesmo com a economia mundial bombando como nunca, o PIB brasileiro sequer chegou perto dos demais emergentes. Houve ano em que no continente, apenas o Haiti teve pior desempenho. Isto já seria motivo suficiente para que  acender um sinal de alerta nos escalões do governo responsáveis pela condução da economia. Porém, estes escalões estiveram voltados unicamente para a escalada no poder e seu assentamento ali em definitivo. Enquanto a economia ia bem, mesmo que conduzida pelos ventos externos favoráveis, ninguém se importou em acomodar-se e deixar rolar. E este foi o maior dos enganos. E aquele teria sido o período ideal para aprofundar as reformas estruturais do país, para através melhorar sensivelmente o ambiente de negócios internamente, o que serviria para atrair os mesmos bilhões de dólares porém destinados à investimentos produtivos, e não ao cassino financeiro. Importante que se tivesse alocado volume muito maior de recursos para a educação e sua qualificação, para que  através dela pudéssemos aumentar a produtividade do trabalhador médio. 
Não se tratava de falta de recursos, já que não apenas eles abundavam, como ainda o governo federal bateu recordes sucessivos na arrecadação de impostos. 

Ao abrir mão destas reformas, e não ter incrementado o crescimento sustentável do país, permanecemos muito dependentes das alavancas externas.  É sim muito importante no social, mas este social não pode centrar-se apenas em apoio pecuniário. Social, também é educação, saúde, saneamento básico.  A ajuda financeira dada às classes menos favorecidas da população serve apenas como muleta temporária para a redução da miséria extrema e absoluta. Mas não serve como diplomação definitiva de cidadania e melhor qualidade de vida.  O pior é que da forma como o Bolsa Família está ajustado, ele induz seus beneficiários muito mais à acomodação do que ao desejo de andar com suas próprias pernas. E mais: é horroroso ouvirmos o governo comemorar o aumento do número de inscritos no programa, quando deveria comemorar era a sua redução.   Porque isto significaria um crescente número de pessoas que abdicaram do sustento do Estado para poderem viver de maneira mais autônoma, mais independente, com melhor renda mensal. 

Sempre comparo o Bolsa Família, em sua estrutura, como o Seguro Desemprego. Este não deixa de ser um programa social, mas construído de tal forma que obriga ao seu beneficiário a voltar ao mercado de trabalho em busca de nova colocação. Ali, a pessoa permanece por seis meses e só. Daí por diante, o sujeito tem que dar um jeito. Agora, o governo mudou a regra: após três ingressos no programa, o beneficiário se obrigará a frequentar um curso de qualificação. Ora, é a chamada “porta de saída” que tanto se cobra do Bolsa Família. Porque, senhores, são estas portas de saída que impedem a acomodação dos beneficiários de programas sociais, impondo-lhes uma contrapartida e os empurrando a sair do lugar para andarem com suas próprias. Como empregos não faltam, mesmos os de qualidade inferior com salários menores, isto é melhor do que a pessoa ficar ad eternum sustentada pelo patrimonialismo estatal. 

Voltemos agora às reformas. No ranking de competitividade e ambiente de negócios, faz tempo que o Brasil não avança para sair da vexatória posição de ser um dos últimos da fila.  É de tal forma ruim que muitos investidores acabam desistindo de se instalarem no Brasil, e vão em busca de países com melhores condições. Exemplo: a China percebeu que atravessará momentos mais conturbados em sua economia. E procurou agir rápido. Anunciou na semana a redução em 50% de impostos para quem quiser investir em novas empresas em seu país, sendo extensivo o benefício até para matrizes instaladas em outros países. Aqui, pelo contrário: antes mesmo de se produzir uma única unidade, ainda ao tempo de implantação de novas plantas, os investidores já pagam impostos. E, mesmo depois de iniciadas as operações, continuará pagando impostos antecipados, isto é, antes de gerar a riqueza pagará impostos sobre ela. Isto é um absurdo que já deveria ter sido expurgado mas que, infelizmente, vem se tornando cada vez mais comum. Diante da reclamação dos empresários e suas entidades de classe, o governo responde com o quê? Com novas linhas de crédito subsidiado via bancos estatais, BNDES, principalmente, o que não resolve o problema de ninguém. Empresário quer crédito barato sim, mas sem comprometer sua capacidade de produção. O empréstimo, um dia, terá que ser pago, com subsídio ou sem ele, e o empresário continuará diante das mesmas dificuldades, uma vez que cerca de 38% da riqueza que produz acaba nas mãos do Estado que, por outro lado, não devolve nem 10% disto para a sociedade. 

Mexer neste vespeiro, com o governo que está aí, não será uma tarefa fácil, eu diria até que será impossível. Seja Dilma, ou antes o Lula, não se trata apenas de criar clima para impor as reformas estruturais a qualquer preço. Ocorre que, no fundo, governo petista ou com tendência à esquerda, age não por pragmatismo, e sim por ideologia. Entendem que o Estado tem que se impor e tutelar a sociedade, e que qualquer ideia nova que fira seus princípios deve ser descartada. Não por outra razão, é justamente a partir de 2003, que o Estado ampliou sua presença na sociedade, e pratica um intervencionismo indigesto e funesto sobre a atividade econômica. Agora reparem os países latinos que seguem o mesmo viés ideológico. Nenhum deles , Argentina, Bolívia, Venezuela, Equador, apresenta indicadores econômicos positivos. Todos seguem a mesma cartilha e todos estes povos vivem agruras semelhantes. E, em todos, o processo de desindustrialização é igual. Resultado: todos apresentam, dentre outras características ruins, baixo crescimento. 

O Brasil saiu-se até aqui melhor em razão de efeitos externos, o aumento expressivo de consumo de commodities e em consequências alta de preços que os produtos primários experimentaram nos últimos anos. Ou seja, temos crescido a base de economia primária que, sabemos, não se sustenta ao longo do tempo. A indústria, com maior valor agregado, ao contrário, tem perdido participação na composição do nosso PIB ano após ano, sem que a autoridade econômica mire em seus problemas que são todos de natureza estrutural, ou, em outras palavras, são dependentes diretas da ação do governo. E está aí o caroço que nos engasga. Enquanto não o arrancarmos fora, vamos continuar neste embalo modorrento por muito tempo. A receita para isso, praticamente, há uma unanimidade nacional quanto o que é preciso fazer.  Mas o partido no poder teme que tocar prá frente, perderá os anéis e parte dos dedos. Isto é: o petismo teme perder seu capital político e comprometer seu projeto de poder. Enquanto isto, a economia segue ladeira abaixo a espera de um milagre, ou de que a economia mundial retome seu ritmo de cinco, seis anos atrás. E isto tão cedo não há a menor chance de acontecer. Resta-nos um fio de esperança, portanto, a de que o povo brasileiro, em 2014, pratique aquilo que democracia se chama de alternância no poder. Mas não de pessoas, mas de partidos. O Brasil precisa retomar seu caminho de crescimento, precisa reformular muito de suas crenças e práticas, e não apenas na economia, mas em todos os quadrantes da vida nacional. Como disse e venho dizendo já há algum tempo, estamos perdendo preciosas oportunidades de praticarmos um salto de qualidade. Oportunidades que podem não se repetir tão cedo. Aí, chorar e lamentar, não vai adiantar prá nada. 

Para encerrar: nenhum empresário, por melhor coração que tenha, virá aqui para colocar seu capital em negócios que representam alto risco. Basta vermos o que aconteceu com o etanol na matéria da Revista Exame que publicamos (íntegra aqui). Tampouco ele se propõe praticar caridade apenas por que somos brasileiros, e o país é bonito por natureza. Ele precisa ter um mínimo de certeza e muito de confiança para sentir-se atraído em investir no Brasil. Diante de incertezas, ele se retrai, esperando melhor momento ou, vai à busca de outras praças onde as condições de crescer sejam mais propícias e animadoras. Observem: no Brasil as regras claras mudam de acordo com a estação, a carga tributária e a burocracia que ela impõe são altas, proibitivas diria. A infraestrutura é péssima impondo um sobrepreço que torna produtos e serviços impraticáveis. A formação escolar e profissional é baixíssima o que reduz a produtividade. A intervenção estatal na economia vem se tornando crescente dia após dia. Ninguém é maluco em colocar dinheiro em investimentos produtivos num ambiente deste.  Assim, por mais animadoras que sejam as oportunidades, e o nosso país tem muitas, talvez mais do que em qualquer parte do mundo, o ambiente que oferecemos é o pior possível.  Portanto, fica a indagação final: afinal, o Brasil quer crescer e se desenvolver agora, ou prefere chutar esta pretensão para um futuro ainda mais distante? Não precisa nenhum instituto de pesquisa ir às ruas indagar ninguém. Aguardemos as respostas que serão dadas nas urnas.   Quem deve decidir é a sociedade. Não cabe ao governo decidir o nosso futuro, esta é uma escolha apenas e unicamente nossa.

A seguir um vídeo do Instituto Millenium, onde a macroeconomista Mônica de Bolle analisa a atual situação da economia brasileira, para quem a pesada oneração que recai sobre a indústria e a infraestrutura são os principais desafios.



Gerentona?


Elio Gaspari
Folha de São Paulo

Não deu outra: o governo produziu um surto grevista no serviço público federal. Estão paradas há dois meses 56 universidades federais e há funcionários em greve em pelo menos 15 repartições de 26 Estados. Chegou-se a essa situação porque a doutora Dilma e seus comissários acharam que podiam enfrentar as reivindicações com onipotência e embromatina.

O surto começou em junho com a greve dos professores de universidades federais. Era uma paralisação parcial, e o governo disse que o problema deveria ser negociado no Ministério do Planejamento, onde a comissária Miriam Belchior informava que não trataria com grevistas. Era o modelo Scania. Em 1978, ele produziu um surto grevista no ABC de São Paulo e dele emergiu um sujeito chamado Lula.

Ao escolher esse caminho, a doutora Dilma cometeu uma imprudência semelhante à do industrial que, diante de uma greve, manda o assunto para uma discussão entre o sindicato e a diretoria financeira da empresa. De lá, só sai uma resposta: não há dinheiro.

A onipotência ruiu numa sexta 13, quando a comissária Belchior apresentou uma proposta aos grevistas. Em quase todos os casos, além de aumentos salariais, os servidores querem planos de carreira prometidos e jamais apresentados.

O comissariado do Planalto quer a coisa (acabar com a greve) e seu contrário (preservar a incolumidade política dos ministros cujas áreas são afetadas pelo movimento).

Aí entra a embromatina. O ministro da Educação sumiu. O da Saúde emudeceu, com servidores da Anvisa parados e com a Funasa parcialmente paralisada. O do Trabalho, não se sabe onde está. O comissário dos movimentos sociais, Gilberto Carvalho, passou por perto, afastou-se e reapareceu, falando em "equacionar as contas", sem que se saiba o que isso quer dizer.

Com as greves espalhadas pelas agências reguladoras, pelo Incra, pelo IBGE e em pelo menos seis ministérios, somando algo entre 150 mil servidores, segundo o governo, e 500 mil, segundo os grevistas, o Planalto soltou o espantalho da crise econômica refletida no Pibinho.

É um truque velho, generaliza o problema com o propósito de não discutir a pauta específica. A crise europeia nada teve a ver com o engavetamento dos planos de carreira dos professores universitários brasileiros. Se um servidor do Judiciário está sem aumento há três anos ou espera pelo plano de carreira há outros tantos, essa argumentação chega a ser desrespeitosa. Ele pode até discordar da extensão das reivindicações do sindicato, mas não quer ser tratado como bobo.

Foi Miriam Belchior quem travou as negociações? Mercadante ficou longe? Padilha se manteve calado? Tudo isso é verdade, mas só aconteceu porque a gerentona Dilma Rousseff desenhou uma estratégia cataléptica que estimulou as greves e acrescentou um desnecessário elemento de tensão. Dificilmente Lula tomaria esse caminho, parecido com o dos generais ou com a severidade de Fernando Henrique Cardoso na greve dos petroleiros de 1995.

Na última opção preferencial pela embromatina, o Planalto ameaça cortar os salários dos grevistas. Nem Ronald Reagan, o exterminador de sindicatos, seria capaz de deixar 55 mil professores sem dois meses de salários. Se a ameaça fosse séria, teria eficácia em junho. É uma parolagem sempre repetida, jamais cumprida. Exatamente por isso as greves no serviço público são duradouras e no setor privado são breves.

ELEVADOR X
Outro dia um curioso foi ao lindo edifício do antigo Hotel Serrador, na Cinelândia, hoje ocupado por Eike Batista e suas empresas. Dirigiu-se a um elevador e foi informado de que ele servia apenas ao doutor Eike.

Esperou alguns minutos, embarcou noutro e teve um delírio. Achou que subia na companhia de Ângelo Calmon de Sá, dono do Banco Econômico; Theodoro Quartim Barbosa, do Comind; Edemar Cid Ferreira, do Santos; e Richard Fuld, do Lehman Brothers. Todos gostavam de elevadores exclusivos. Todos quebraram.

ONIPOTÊNCIA
As operadoras de celulares sabiam que a Anatel poderia puni-las. Duvidaram e acenderam um fósforo para mostrar que não havia gasolina no tanque. Havia.

MIEP GIES
Chegou às livrarias "Lembrando Anne Frank". Traz a história de Miep Gies, uma jovem funcionária da firma do pai da menina. Durante dois anos ela levou alimentos para a família Frank, escondida no sotão do prédio.

Foi Miep quem achou e guardou o diário de Anne Frank. Nunca o abriu e confessa que, se o tivesse feito, teria destruído o manuscrito. Mesmo depois da publicação do livro, levou tempo para lê-lo.

Miep morreu em 2010, aos 100 anos. Seu depoimento é uma viagem pela simplicidade e grandeza da alma humana: "Minha história é a de uma pessoa comum numa época extraordinariamente terrível. (...) Caberá a nós, as pessoas comuns de todo o mundo, impedir que se repita".

Ela sempre se recusou a ser celebridade, mas ganhou algo capaz de fazer inveja a Lula: um pequeno asteroide, de número 99.949, descoberto em 2007, leva o nome de Miepgies.

EREMILDO, O IDIOTA, E A LOURA DO SENADO
Eremildo é um idiota e soube que Denise Leitão Rocha, escultural assessora especial do senador Ciro Nogueira (PP-PI), teve que entrar em férias e deverá ser demitida porque caiu na internet um vídeo de três minutos de suas intimidades com um colega.

O senador Ciro Nogueira compõe a CPI de Carlinhos Cachoeira e nela teve seus minutos de fama quando sustentou que o empreiteiro Fernando Cavendish não devia ser chamado a depor. (O doutor, vestido, jantara com o empresário no restaurante L'Avenue, em Paris, onde a conta não sai por menos de R$ 600 por cabeça, a seco.)

O idiota acredita que os senadores que participam da CPI sentados, de terno e gravata, diante das câmeras, nada têm a ver com a atividade da assessora, deitada. A humanidade existe porque há milênios faz o que se vê no vídeo. Já o que se vê publicamente em algumas transmissões da CPI ofende os bons costumes.

Nos três minutos do vídeo, não aparece qualquer coisa que tenha sido adquirida com dinheiro público. Tudo o que acontece ali está explícito. Não houve dinheiro da Viúva envolvido na produção do vídeo, e só o vê quem quer. As sessões da CPI são gravadas com verbas do Congresso e transmitidas para todo o país pela TV Senado.

Eremildo chegou a pensar em propor que a CPI crie um sistema de clipes. Algumas intervenções de parlamentares seriam transmitidas com áudio da sessão e, feita uma advertência, com vídeo de Denise. Ganhariam credibilidade e audiência.

Não é adivinhação


Carlos Alberto Sardenberg
O Estado de S. Paulo

O cenário da presidente Dilma estava errado

Em 17 de março de 2011, em entrevista ao jornal Valor Econômico, a presidente Dilma Roussef sustentou que a economia brasileira tinha todas as condições de chegar ao final daquele ano com crescimento entre 4,5% e 5% e inflação contida na meta de 4,5%. Quando a jornalista Claudia Safatle observou que, fora do governo, se esperava resultado bem diferente, para pior nos dois quesitos, Dilma respondeu com uma frase de Delfim Netto: 

“Não existe uma lei divina que diz que a taxa de crescimento será de 3% e que a inflação será de 6%. Eu acho que isso é adivinhação”. 

Curiosa a crítica da presidente. Aquele era um dos chamados “cenários de mercado”, construídos com base em teoria econômica, claro, não em leis naturais. Ao desclassificar essa projeção – “é adivinhação” – Dilma, uma economista, necessariamente desclassificou seu próprio cenário, igualmente baseado em doutrina econômica. 

Dirão: mas são teorias diferentes. Certo, mas não foi essa a crítica de Dilma. Ela desconsiderou a prática da previsão econômica. Como não há leis divinas (ou naturais) regulando a atividade econômica, uma ação dos homens, sempre mutável, não há como antecipar os fatos, tal a argumentação. 

Faz sentido. É o contrário do acontece na natureza. Aqui, a ciência consegue formular as leis que regem os fenômenos, sempre da mesma maneira. E até revela a realidade, como mais uma vez se demonstrou com o encontro do “bóson de Higgs”. Cinquenta anos atrás, o cientista Peter Higgs chegou à conclusão que essa partícula elementar existia e deveria aparecer em tal circunstância. Mas não havia aparelhos – sequer computadores! – para encontrar a coisa. Agora acharam, ali mesmo onde deveria estar. 

Já a economista e presidente Dilma foi menos feliz. Ao rejeitar a tese de que as variáveis econômicas de 2011 já estavam praticamente dadas e que seria possível crescer mais, com menos inflação, afirmou: “depende da gente...vamos mostrar”. 

Logo, não se tratava exatamente de uma antecipação científica, mas de um ato de fé. “Tenho certeza de que o Brasil vai crescer entre 4,5% e 5% neste ano (de 2011)”, declarou em outro momento da entrevista. 

Resumindo: a presidente recusou, então, as previsões “supostamente” teóricas e colocou em seu lugar sua determinação e sua confiança na capacidade do governo. E dela. 

Como sabem os leitores, Dilma estava errada e o mercado, certo. O Brasil cresceu apenas 2,7%, com inflação de 6,5%, no limite do teto da banda, e ainda assim um resultado, digamos, martelado. 

Seria então aquele pensamento econômico, o crítico, tão firme quanto a física de Higgs? Certamente não. Todo mundo tem na cabeça uma fileira de erros de análises e previsões. Teria sido então pura sorte? Adivinhação? Também não. 

A ciência econômica trata de comportamentos humanos, pessoas tomando a decisão de colocar o dinheiro na poupança ou torrar no shopping. Dá para saber muita coisa olhando para o passado e examinando como as pessoas se comportaram em tal e qual situação. Sim, as situações nunca se repetem igualzinho, mas são ao menos semelhantes. 

Vai daí... Assim como a psicanálise avançou tanto no conhecimento da alma humana e, pois, no entendimento do comportamento, também a economia sabe muito sobre as ações dos homens na produção e no consumo. 

Ou seja, não é adivinhação. Tem arte, mas tem muita ciência – e muita matemática - na elaboração das análises econômicas. E, sim, há boas e más análises, mais ou menos competentes. 

Há também divergências entre as correntes de pensamento, conforme se parte desta ou daquela premissa. Dilma, por exemplo, se filia a uma corrente para a qual o governo (o Estado) precisa intervir pesadamente na atividade econômica para corrigir ou evitar os erros e injustiças do mercado. 

E se for assim, não é apenas que a presidente estava errada em suas previsões. Ela pode estar operando com o pensamento equivocado. Já errou feio duas vezes: este ano vai pelo mesmo caminho de 2011. O governo acreditava num crescimento de até 5%, recuou para 4%, o Banco Central já reduziu mais ainda, e agora a presidente já diz que a expansão do PIB não é importante. Ocorre que pela adivinhação ou pela lei divina, o PIB será ainda menor do que no ano passado. 

Uma interpretação equivocada da realidade leva necessariamente a política econômica pouco efetiva. 

Muitos analistas têm apontado restrições para que o Brasil cresça aceleradamente e com inflação baixa. Dizem que só a eliminação dessas restrições – reunidas no tal custo Brasil – permitiria um novo ciclo de crescimento, a partir, essencialmente, de investimentos privados. Ou seja, trata-se de abrir espaço para as empresas privadas. 

Já Dilma tem dito e tentado pelo outro lado. Acha que é possível ao governo colocar as regras, os estímulos e o dinheiro necessário para decolar o país. 

Até aqui, porém, temos a combinação de baixo crescimento e inflação ainda alta, isso na comparação com o mundo emergente. 

Além disso, há um problema operacional. A presidente acerta, na teoria, quando diz que o governo vai segurar o gasto com custeio e expandir investimento (como dizia na entrevista do Valor). 

Mas, na prática, em 2011, o gasto do Tesouro com custeio aumentou 13%. Investimentos, 0,8%. Neste ano, até maio, os investimentos cresceram mais depressa, mas a partir de base menor e ainda longe da meta do governo. E as despesas de custeio subiram mais de 15%. 

Nunca fomos tão felizes


Fernando Gabeira
O Estado de São Paulo

Uma nação não deve ser medida pelo PIB, e sim pelo que faz por suas crianças e adolescentes. A frase de Dilma Rousseff não é de todo uma fuga da realidade, como querem alguns críticos. Na Rio+20 o PIB foi muito criticado como indicador. Surgiram até pessoas fascinadas pela experiência do Butão, pequeno país encravado no Himalaia que trocou o PIB pelo Índice de Felicidade Nacional.

Quando um líder político fala, não analisamos apenas o conteúdo do discurso, mas também a oportunidade. Dilma afirmou que o PIB não é adequado para medir a nação num dia em que as expectativas de um baixo crescimento do Brasil foram divulgadas. Tanto no exterior como internamente, as críticas seriam inevitáveis. Ela procurou se antecipar a elas.

A fábula da raposa e as uvas é um dos textos de maior sucesso no governo. Quando o PIB cresce, é trombeteado como prova "de que nunca antes nesse país", etc. Quando cai, perde importância porque o essencial é cuidar das criancinhas, que num passado não muito distante éramos acusados de comê-las.
Embora tenha apenas a agenda de Dilma como referência, não creio que ela tenha dialogado com o rei Wangchuck, do Butão. Mas tanto quanto ele, num momento de desconforto com o PIB ela está buscando novos indicadores. O Butão, segundo alguns estudiosos da felicidade, como Derek Bok, formulou com critérios interessantes a nova maneira de avaliar o país.

Dilma falou das crianças dependentes de uma boa educação como passaporte para o futuro. Mas os índices internacionais nos colocam em 53.º lugar em leitura e 57.º em matemática, numa lista de 65 países.

Existe um ponto em que a teoria do Butão daria um socorro a Dilma. Segundo ela, o primeiro fundamento da felicidade é o desenvolvimento equilibrado. E o programa Bolsa-Família é um marco internacional na distribuição de renda aos mais pobres.

A ideia de equilíbrio implica uma noção de conjunto. Numa das pontas, o financiamento do BNDES a empresários, conhecido como a bolsa dos ricos, ainda é uma incógnita à espera de um estudo sobre sua adequação às necessidades nacionais. Isso não é feito porque o BNDES se recusa a fornecer detalhes e o pedido da imprensa investigativa para ter acesso a eles foi parar na Justiça. Na semana passada, o BNDES apareceu financiando o Fusca do século 21, o UP da Volkswagen, com R$ 352 milhões. Talvez seja uma homenagem a Itamar Franco, que tinha o sonho nostálgico de ressuscitar o Fusca.

Fui muito criticado pelos adeptos do governo quando alinhei alguns pontos preocupantes na conjuntura. Governos não gostam de vê-los alinhados, preferem uma visão cor-de-rosa. No passado era o "ame-o ou deixe-o", consagrado pela ditadura militar, que fantasiava um País onde todos os críticos se exilam.

De modo geral, previsões otimistas sobre o Brasil continuam a surgir. Fernando Henrique Cardoso disse, em entrevista recente, que o País está no rumo certo. Ee le é de oposição. A OCDE lançou um relatório afirmando que o Brasil tem as melhores perspectivas estratégicas de crescimento entre os países emergentes. E um dos pensadores mais aclamados do momento, Parag Khanna, também acentuou as grandes possibilidades do País na economia do futuro, a economia híbrida fortemente marcada pela conectividade. Estrategicamente, estamos bem na foto. Mas o futuro não pode ser visto como um o reino dos céus, um marco religioso. No universo místico, derrotas e sofrimentos terrenos não importam porque eles nos levam à salvação. No mundo real, um conjunto de erros pode nos afastar das promessas estratégicas. Daí a necessidade do debate, das críticas.

Que papel podemos esperar no futuro, se o Brasil aparece em 58.º lugar no ranking de invenção da Organização Mundial de Propriedade Industrial, bem atrás do Chile, o 36.º? Caímos nove posições. O atraso brasileiro não se deve só ao governo. Mas uma política científica e tecnológica ajudaria muito. E deveria ter sido inaugurada em 2003, no primeiro governo Lula. O PIB está lá embaixo, fatores que nos trariam esperança para o futuro, ensino e invenção, têm desempenho desanimador no ranking internacional.

Alguns adeptos do governo querem nos convencer de que nunca fomos tão felizes, como quiseram também os militares, em outras circunstâncias. Para ganhar seu dinheirinho, atacam os críticos e nos chamam de urubus. No meu caso, deviam ter o salário descontado. Urubu é o símbolo de parte da torcida do Flamengo. Além disso, tive a sorte de ouvir Tom Jobim falar de pássaros e ele sempre destacava a elegância do voo do urubu.

O Brasil está cheio de gente otimista que nos envia beijos no coração e toda essa ternura de candidato em campanha. Precisamos de alimento para pensar. O futuro luminoso não é uma fatalidade à prova de um medíocre oba-oba. Ele pode chegar tarde ou desaparecer no horizonte. O que mais incomoda é associar os impasses econômicos à decadência política. A Ferrovia Norte-Sul virou mais uma piada, a última do Juquinha, ex-presidente da Valec, que teve os bens bloqueados. Ele ganhava em torno de R$ 20 mil e tinha vários imóveis, até uma fazenda de R$ 20 milhões.

De fora chegam sinais animadoras: Paulo Maluf perdeu os recursos na Justiça de Jersey e a São Paulo pode reaver US$ 22 milhões desviados de suas obras públicas. Na Suíça, Joseph Blatter pede a João Havelange que deixe a presidência de honra da Fifa depois do escândalo da propina. Os torcedores do Rio querem mudar o nome do Estádio João Havelange para João Saldanha.

Dizem os economistas que na maré alta todos se movem com facilidade, mas quando ela baixa descobrimos quem tomava banho nu. Agora que a maré baixou, diante da nudez de pouco adianta o argumento da beleza interior. É preciso coragem e boas ideias para um mundo em transição. Anos de poder amolecem e deformam quem se aproveita dele. Onde está a energia para um novo tempo?

Para responder à greve dos professores universitários o governo levou 36 dias. E se esqueceu do recesso parlamentar para aprovar incentivos à indústria, quase estagnada. Sorte dele é o profundo sono da oposição.

Sexo é sujo, roubo é limpo


Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

A deputada Jaqueline Roriz continua na Câmara, embora tenha sido filmada recebendo propina. O senador Cyro Nogueira foi fotografado com o empreiteiro Fernando Cavendish, da Delta, em Paris; logo depois se opôs à convocação de Cavendish pela CPI do Cachoeira. Continua no Senado. Inocêncio Oliveira, que cavou poços em suas fazendas com máquinas do Governo, continua na Câmara. 

Denise Leitão Rocha, a assessora do senador Cyro Nogueira que foi filmada fazendo sexo, foi demitida. Denise Rocha é solteira, transou com um rapaz solteiro, ninguém tem nada com isso; é maior de idade; o lugar em que ocorreu a cena definitivamente não é um prédio público. Parlamentar corrupto pode; roubar dinheiro público pode; mas escolher um parceiro sexual de sua preferência, sem qualquer envolvimento do Tesouro, isso parece que não pode. Rua, pois.

Denise Rocha é advogada e tem como lutar não apenas por seus direitos, mas também contra quem divulgou o vídeo sem seu consentimento. Parece que portais especializados no tema andaram vendendo ou alugando as imagens, o que é crime. E o senador Cyro Nogueira que nos perdoe, mas sua declaração é um horror: "É uma situação complicada, não vejo condições de ela desempenhar o trabalho dela depois disso. Porque ela trabalha nas comissões, não é dentro do gabinete". 

Traduzindo, os outros não podem vê-la, mas ele poderia.

O rapaz do vídeo parece um assessor do senador Sérgio Petecão, mas diz que foi confundido. Por que não o investigam também? Discriminação de gênero?

Gastando à vontade
Há coisas em que é até difícil de acreditar. O suplente de Demóstenes Torres, Wilder Morais, do DEM de Goiás, tomou posse no Senado na sexta-feira, 13. Só tomou posse: mesmo que quisesse trabalhar, não o conseguiria, porque o Senado não funciona às sextas-feiras. Sua cerimônia de posse durou três minutos. Na segunda e na terça, houve sessões, mas Wilder Morais não apareceu. Na quarta, o Senado entrou em recesso e só voltará a funcionar em agosto.

Wilder recebeu R$ 16.300,00, referentes ao período de 13 a 31 de julho - nos quais esteve ocupado por exatos três minutos. Cada minuto que Wilder levou para tomar posse custou ao contribuinte R$ 5.430,00. É legal - faz parte daquelas leis que políticos de caráter precário elaboram para beneficiar-se sempre que possível. Mas ganhar sem trabalhar é imoral. O dinheiro público é de todos nós. E, como se sabe, aquilo que é de todos é como se não fosse de ninguém. Só de quem sabe apropriar-se daquilo que, se tivesse vergonha na cara, nem tocaria.

Ilustrando o ministro
Que feio, Aloízio Mercadante! Aquele político combativo, que lutava por melhores salários para os professores, mudou de ideia agora que é ministro da Educação e poderia realizar aquilo que defendia? Ser ministro compensa a mudança?

Mercadante estudou Economia; talvez não conheça o cancioneiro medieval. Pois vai lá um poema que talvez o inspire a retornar a suas posições originais.

"Meu Rei me pediu a espada, minha espada lhe ofertei/ com lâmina de Toledo e copo de ouro de lei./ Meu Rei desejou meu elmo, escudo, couraça...lhe dei/ sempre os usei nas batalhas, lutando pelo meu Rei./ Meu Rei me pediu bravura, nas guerras me desdobrei/ Lutei com ardor e raça pela glória do meu Rei/ Meu Rei desejou meu cavalo, fui eu mesmo que domei/sem relutar fui infante para atender a meu Rei./Meu Rei me pediu a honra da farda que sempre honrei/de coração contristado, eu disse não ao meu Rei./ Dei-lhe a espada de Toledo com copo de ouro de lei/ Mas honra é bem de família que dos ancestrais herdei."

Retorna, Mercadante
Aloízio Mercadante é professor; seu pai, o general Oswaldo Muniz Oliva, foi não apenas professor, mas diretor da Escola Superior de Guerra. Como pode suportar ver seus colegas por dois meses em greve? 

Como pode concordar com o aumento, oferecido pelo Governo Federal, de 0,85%, e só daqui a três anos?

Aumento para baixo
Segundo relata o sempre bem-informado colunista Lauro Jardim, de Veja, delegados da Polícia Federal fazem a seguinte conta: em 2001, no Governo Fernando Henrique, o salário para delegados e peritos aprovados no concurso da Polícia Federal era de R$ 7.563. 

Agora, no Governo Dilma Rousseff, o salário oferecido é de R$ 13.368. Para manter o mesmo valor, considerando-se a inflação oficial do período, deveria ser de R$ 17.310 mensais. 

Coisa estranha
Um especialista em Polícia Federal, daqueles que já viram urubu ficar branco e passarinho comer onça, estranha muito o assassínio do agente federal num cemitério de Brasília. Considera pouco habitual um agente visitar o túmulo dos pais num dia normal, no horário de serviço. Talvez houvesse ali um encontro marcado. 

O fato é que o assassínio de um agente envolvido em investigações de tamanho porte gera necessariamente uma cachoeira de suspeitas.

As verbas de segurança
A PM de Brasília vai gastar R$ 200 mil em quatro mil medalhas e diplomas, para homenagear sabe-se lá quem. Faz parte da verba de segurança pública.

carlos@brickmann.com.br 
www.brickmann.com.br

Que pena que Havelange e Ricardo Teixeira não estão sendo procurados pela Interpol, como Maluf


Ricardo Setti
Veja online

Mas a Justiça da Suíça comprova negociatas dos dois ex-cartolas

(Foto: Wilton Junior / AE)
PARCERIA NA FITA -- 
Depois do escândalo, Teixeira e Havelange já 
renunciaram aos cargos na CBF e no COI 

Que pena que, na época dos fatos narrados abaixo, o pagamento de propina para obter vantagens não era considerado crime na Suíça. Caso contrário, tal como ocorre com Paulo Maluf, possivelmente os ex-cartolas João Havelange e Ricardo Teixeira — que nunca se deixaram apanhar no Brasil — poderiam estar sendo objeto de uma ordem de captura pela Interpol, a Polícia Internacional.

De todo modo, o processo que veio à tona por ordem do Supremo Tribunal Federal da Suíça comprova o que muita gente suspeitava mas não podia provar: que os dois ex-cartolas todo-poderosos, no Brasil e na Fifa, se envolveram em grossas bandalheiras.

(Reportagem de Alexandre Salvador publicada na edição impressa de VEJA) 

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Ricardo Teixeira e João Havelange - Propina milionária


Processo divulgado pela Justiça da Suíça detalha o pagamento de 45 milhões de reais a Ricardo Teixeira e João Havelange

A existência de corrupção no comando da Fifa não é novidade. Só nos dias recentes, porém, com a divulgação por ordem do Supremo Tribunal Federal da Suíça de um processo mantido em sigilo, tornaram-se públicas as quantias milionárias das negociatas envolvendo dois brasileiros, João Havelange e Ricardo Teixeira.

De acordo com as investigações, eles podem ter recebido o equivalente a mais de 45 milhões de reais em depósitos feitos pela ISL, uma empresa de marketing esportivo, diretamente em suas contas bancárias ou nas de empresas ligadas aos dois. Em troca desses pagamentos, que os promotores suíços qualificam de “propina”, os dois dirigentes favoreceram a empresa na disputa pelos direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2002 e 2006.

Havelange foi presidente da Fifa durante 24 anos, até ser substituído pelo suíço Joseph Blatter. Aos 96 anos, ele permanece como presidente honorário da entidade máxima do futebol mundial. Mas, em decorrência do escândalo, já renunciou ao lugar que ocupou por 48 anos no Comitê Olímpico Internacional (COI).

Quatro meses atrás, Ricardo Teixeira, que foi genro de Havelange, renunciou à presidência da CBF, cargo que ocupou por 23 anos, e à do Comitê Organizador Local da Copa de 2014. Ele também abriu mão de sua cadeira no Comitê Executivo da Fifa e hoje vive em Miami.

Fundada em 1982 por um dos herdeiros da Adidas, a ISL chegou a ser dona dos direitos de marketing e transmissão de megaeventos como a Copa do Mundo, a Eurocopa e a Olimpíada, mas faliu em 2001.

(Foto: AP)
Blatter: nos autos do processo, advogado da Fifa informou que a entidade considera que
 "propinas são encaradas como parte do salário na América Latina e na África" 

Os dois pagaram indenização de 5 milhões de reais para encerrar processo
Apesar de não admitirem nenhuma atitude ilegal, os advogados dos dois acusados conseguiram que o processo por enriquecimento ilícito e administração desleal fosse encerrado em sigilo, em maio de 2010, em troca da indenização de 5 milhões de reais paga à promotoria. Os autos do processo mostram que determinado pagamento feito pela ISL a Havelange foi depositado por engano na conta da Fifa.

O diretor financeiro prontamente repassou o dinheiro a quem de direito. Embora Blatter não seja acusado de recebimento de propina, o processo mostra que ele foi informado da negociata e não tomou providências. Em sua defesa, Blatter diz que o pagamento de “comissão” ainda não era considerado crime na Suíça. “Não se pode julgar o passado com base nos padrões atuais”, afirmou.

De qualquer forma, consta nos autos, um advogado da entidade informou que ela considerava impossível exigir a devolução do dinheiro desviado, visto que “propinas são encaradas como parte do salário na América Latina e na África”. A divulgação do processo era pedida em ação movida por jornais europeus. Nos últimos dois anos, a Fifa vive contra a parede, obrigada a dar explicações constantes sobre denúncias de suborno a membros de seu comitê executivo.

Esse grupo de 24 cartolas de vários países é responsável pela escolha das sedes da Copa do Mundo. O desconforto de Blatter tem a ver com sua relação com Havelange. O suíço foi secretário-geral da entidade entre 1981 e 1998, período em que o brasileiro ditava as regras do futebol mundial.