Adelson Elias Vasconcellos
Ana, pernambucana, advogada, filha de pai famoso e mãe de filho ascendente na política local, a partir da morte de seu pai resolveu se valer da herança que seu pai deixou - nome político forte – para ingressar na carreira. E, com menos de dois anos de um mandato Federal, para selar a aliança entre o poder e o seu filho, serviu como moeda de troca, ou taxa de sucesso para que a aliança política se firmasse. Foi “indicada” para o Tribunal de Contas da União, indicação esta que aqui sempre condenamos, já que dada as especificidades da função, os cargos não deveriam ser preenchidos por indicação política, e sim ser o ponto alto da carreira dos auditores do TCU, porque afinal de contas, quem trabalha ali são eles, e não os tais “conselheiros” indicados. Aliás, para fortalecimento do próprio TCU, políticos deveriam ser mantidos longe. Para ingressar somente através de concurso, com o preenchimentos dos requisitos de formação técnica exigíveis aos cargos.
Infelizmente, Ana, a indicada, já em seu discurso apontou o caminho que seguiria: a de que teria um “olhar político” sobre as questões sob análise do TCU. Hummmm... Sempre que alguém vier com este papo de “olhar político” no Brasil, é líquido e certo que teremos surpresas desagradáveis.
Ana, a herdeira e indicada, resolveu ser agradecida aos padrinhos de sua indicação, muito embora jamais tenha demonstrado a menor condição para exercer o seu novo ofício. Mas no Brasil é assim: os melhores cargos públicos geralmente são repartidos com os piores candidatos. Aqui, interesse público e privado sempre se misturaram com a conta do prejuízo sendo bancada pelo trouxa do contribuinte, que precisa trabalhar duro para sustentar a camarilha.
Às vésperas do julgamento do mensalão – o maior escândalo político da história brasileira – Ana, herdeira e indicada, resolveu dar uma ajudinha para os mensaleiros brincalhões do dinheiro público que destroem e infernizam as instituições nacionais, porque, afinal, no meio deste rolo vergonhoso, estava o interesse canalha de seu padrinho mau caráter.
Assim, do nada, resolveu tornar legal um contrato assinado e encerrado no passado, baseando-se em lei do presente. Reparem: o contrato era de 2003, lá naquele ano ele foi celebrado e encerrado. Sete anos depois, uma lei aprovada em 2010 pelo Congresso, e que deveria vigorar apenas a partir de sua aprovação, serviu de manto de proteção para que Ana, herdeira e indicada, se tornasse agora Ana, a também agradecida.Claro que para a estupidez valesse, os demais “conselheiros” deveriam ratificar o “parecer” da Ana. E foi isto que aconteceu, uma total afronta à ordem jurídica. Até gostaria de saber o que pensam os ministro do STF diante de um absurdo descomunal destes.
Se o tal contrato ainda estivesse em vigor, ainda se poderia discutir. Mas foi encerrado antes da tal lei entrar em vigor, tornando “legal” o crime então cometido. Sem dúvida, se trata de uma deslavada cretinice que em país sério levaria o autor à demissão sumária do serviço público, ou a sua internação em algum manicômio dado que se trata de ato desvairado que somente um débil mental seria capaz de cometer.
Contudo, no país do PT a coisa corre de forma diferente. Os atos criminosos da companheirada são acobertados e perdoados mediante a mudança das leis, deixando de ser crime os crimes que se cometem. Adoraria saber qual reação teriam esta mesma camarilha se tamanha estupidez fosse cometida em governos em que fosse oposição. O mundo por certo, viria abaixo. E ainda tem pseudos jornalistas, como Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim, devidamente remunerados com publicidade oficial em seus blogs, com a desfaçatez de defenderem atitudes canalhas desta má natureza.
Portanto, meus amigos, há uns dois meses, levantei aqui uma questão sobre o julgamento do mensalão que permanece em aberto: podemos ter surpresas contrárias aos interesses afrontando as leis democráticas do país? Depois disso, veio a público parte do relatório do senhor Ricardo Lewandovski que, convenhamos, a mim não surpreende. Dele não esperava mesmo outra coisa. Mas até o dia de início do julgamento no STF, nada nestas praias de gente sem caráter chegará a ser surpreendente. Espero que, desta vez, o STF não afronte mais as leis do país como tem sido costume.
Quanto a Ana, bem, acredito que a camarilha acabará sendo-lhe grata pela estúpida ajudinha, para que a herdeira e indicada acabe sendo “promovida” para outras remunerações mais polpudas que só a política brasileira de canalhas sabe ser. A depender de quem é beneficiada, a estupidez sempre acaba recompensada nestas terras tupiniquins. Outros, de caráter mais reto sentiriam vergonha. Já esta laia é capaz de achar que tudo isto é coisinha sem importância...
Marcos Valério e Bob Jefferson-
Seria importante que estas duas figuras, que andaram mandando seus recados para os mensaleiros e, principalmente, para Lula, o chefão de todos eles, lembrassem que o compromisso deles é para com o país, com o futuro que pretendemos construir para nossos filhos. Assim, eles não devem temer contar a VERDADE que ambos conhecem sobre o mensalão, os envolvidos, as trapaças, as negociatas de submundo. Nada os liga a Lula. Portanto, que entrem para história com honra, pela porta da frente, por terem ajudado a desbaratar uma quadrilha de bandidos que tentaram golpear as instituições.
É precisamente disto que se trata: como querem ser lembrados pela história? Como brasileiros que souberam enfrentar o crime organizado no poder, ou aliados miúdos da quadrilha, cujo silencio representa muito mais do que trair sua própria dignidade?
Portanto, Valério e Jefferson, aproveitem o julgamento para mostrar ao Brasil os verdadeiros bandidos da democracia contando tudo o que sabem.