terça-feira, janeiro 02, 2007

TOQUEDEPRIMA...

CNJ mantém denúncias na gaveta
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O Conselho Nacional de Justiça está com as suas gavetas abarrotados de denúncias fartamente documentadas envolvendo magistrados em todo o País. Apesar disso, o CNJ não parece motivado a cumprir seu papel de fiscalizador do Judiciário.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Então serve prá quê, hein ? Ou se muda sua composição com gente qualificada e que não seja vagabunda, ou se feche a porteira de uma boca rica e sem finalidade.
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Clonagens e paternidades...
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No Informe JB, desta terça-feira, Tales Faria informa que o fechamento do discurso de Lula, “...eu não recebi nada do que pedi (a Deus), mas recebi tudo o que eu precisava...”, “...não foi tirada de nenhum pára-choque de caminhão. Foi enviada por um trabalhador das plataformas da Petrobrás...”. Contudo, não se justifica a não citação da autoria, Tales, conforme o Reinaldo Azevedo já informou em seu Blog, e o COMENTANDO A NOTÍCIA reproduziu aqui. Da forma como foi dita, pareceu ser autoria do próprio Lula.
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Da mesma forma que, como Rodrigo Almeida criticou em Coisas da Política, no mesmo Jornal do Brasil, que as políticas sociais tiveram início não com Fernando Henrique nem Lula, mas sim a partir da constituição de 1988. Tudo bem que a constituição legislou sobre a matéria, mas a constituição por si só não criou nem implantou programas sociais, até porque quanta coisa está inserida na constituição e que simplesmente ou não foi cumprida ou sequer regulamentada? O feito não é atribuída à criação, e sim à implantação ! Ação honesta pouco comum é alguém colocar e implantar um programa como o Bolsa Escola em nível nacional, e atribuir ao autor original a sua criação, como FHC fez em relação à Cristovam Buarque, e que até hoje é grato por tamanha honestidade. Desonesto, sim, é pegar algo já existente, modificar-lhe o nome simplesmente e depois apregoar-se como único dono da idéia e seu primeiro executor, como Lula faz com seu Bolsa Família, que nada mais é do que a fusão da rede de proteção iniciada e implantada por FHC, a quem Lula não tem a decência de nominar, a não ser para justificar as derrapadas de seu próprio governo com a lorota da “herança maldita”, que, na verdade, foi herança do próprio Lula, face o terrorismo eleitoral e político que ele e seu partido praticaram e propagaram durante 25 anos de vida pública.
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Oportunismo
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Lula é mesmo um político de oportunidades. Como o Rio sofre nas mãos do crime, ele afirmou na posse que a segurança será sua grande preocupação. Até o início dos atentados, sua meta nº 1 era ampliar a Bolsa-Família.
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PAC ou PAC ?
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Já tem gente preocupada se o real do tal PAC que Lula está montando para este segundo mandato significará mesmo, Plano de Aceleração do Crescimento, ou será um Programa de Assalto ao Contribuinte, mais uma vez. Quem sabe ?
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Bomba-relógio ...
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Nas mãos do ministro Marco Aurélio de Mello, guarda-se uma bomba relógio de efeito devastador nas contas, caso o governo perca a ação. Uma ação que pede a ilegalidade da inclusão dói ICMS na base de cálculo da COFINS 9inclusão descabida, absurda e imoral, além de ilegal) promete revelar-se em uma dor de cabeça imensa para o governo, caso ele não consiga reverter alguns dos votos já proferidos. São 11 ministros, 6 já votaram pela ilegalidade da medida, portanto pró-contribuinte, e 1 manifestou-se contrário, restando 4 para pronunciarem-se, insuficientes para reverter a decisão. De qualquer modo, caso o governo venha a perder, o que parecer provável, de imediato o governo teria que devolver cerca de 50,0 Bilhões de reais em impostos já arrecadados, além de sofrer uma queda anual de 6,8 bilhões em sua arrecadação.
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Conforme já antecipamos: receamos por acordos fisiológicos entre os poderes. O Judiciário pleiteia um reajuste de vencimentos que Lula vetou, e o Legislativo tem outros projetos de interesse do Judiciário os quais promete retaliar pela decisão do STYF de cassar o indecente aumento de 91% que os parlamentares desejavam para si mesmos. O que4 pode acontecer é os poderes entrarem num “entendimento”, cada um cede um pouco e largam a lambança para o contribuinte pagar. Neste caso, pagar por um imposto imoral. Estamos de olho, malandragem...
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A salvação dos estados endividados...
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Em gestação, o governo prepara uma operação via Banco do Brasil, para salvar estados endividados, sem ferir os princípios da Lei de Responsabilidade Fiscal. É o seguinte: o Banco do Brasil adquiriria direitos de créditos dos Estados e municípios que recebem ou têm a receber royalties e compensações financeiras da União, antecipando receitas para muitos governadores com cofres vazios e Tesouros estaduais quebrados. Há no projeto o desejo de, futuramente, ampliar-se a pratica para os bancos privados. A medida, aliás, não é inédita. Já se pratica nos Estados Unidos.
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O que se teme é que, com a folga, os estados e municípios continuem a se endividar além da conta, incentivando aumento de despesas além da capacidade de pagamento de cada um, ficando a fatura depositada no Tesouro Nacional, onde, logicamente, o contribuinte é que seria lesado.
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Ótimo seria se os governadores praticassem choques de gestão em suas administrações, racionalizando seus gastos correntes, que nunca cessam de crescer, além de práticas saudáveis de eliminação de desperdícios. Como político brasileiro só olha para o próprio umbigo, a preocupação é com futuro político de cada um, cada um tentando ser mais obreiro do que outro. Assim, transformam sempre mais e mais o país num imenso canteiro de obras públicas inacabadas. O contribuinte-eleitor que se dane e pague a conta!
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O que Lula detesta
Blog do Noblat
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Pela ordem: trapalhadas do PT; vazamento de informações; brigas entre seus auxiliares; e conferir que o que pediu não foi feito. Quer distância de jornalistas. Não confia neles. Gosta mais de publicidade do que de notícia – salvo notícia a favor. Assimila a crítica política sem se abalar. Mas não perdoa a crítica pessoal. Taxar seu governo de incompetente pode. Taxá-lo de incompetente, não. Jamais. É por isso que ele quer ver FHC pelas costas. E também a turma da revista VEJA.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Ora, senhor Lula, se o seu governo é incompetente, de quem é a culpa ? Quem afinal é o chefe de governo ? Portanto, a equação lógica é, se o governo é incompetente, e quem o comanda também é responsável pela indicação e escolha de seus auxiliares, por conseguinte o incompetente passar a ser o próprio presidente. O que o senhor precisa fazer é, ou selecionar melhor, ou safastar os que se mostrarem incompetentes. Mantê-los, sendo coniventes com seus erros, é assumir a própria culpabilidade.
Além disso, ser governo também implica em assumir os ônus inerentes ao cargo. Como já o dissemos muitas vezes, quem quer o cargo, que aceite os encargos. Governante caçador de bruxas é o de que menos precisamos. Em seu lugar, preferimos governantes responsáveis. Entendeu o recado ? Então, por favor, comece a governar o país ! É bem simples assim.

Dulci ainda acaba citando Fernão Capelo Gaivota...

Por Reinaldo Azevedo
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A conclusão do discurso de Lula no Congresso é uma cola de um texto que circula na Internet chamado “Lição da Borboleta”, conforme apontou a Folha On Line. Trata-se de uma tolice vizinha da auto-ajuda. A mensagem circula em correntes. Luiz Dulci, secretário-geral da Presidência, que redige boa parte dos discursos do presidente, é formado em Letras. Deve ter achado a parábola profunda... Compare o que disse o Babalorixá com a íntegra do texto original. Volto em seguida:
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O QUE DISSE LULA
"Reconheço que Deus tem sido generoso comigo. Mais do que mereço. Eu pedi forças... e Deus me deu dificuldades para fazer-me forte. Eu pedi sabedoria... e Deus me deu problemas para resolver. Eu pedi prosperidade... e Deus me deu cérebro e músculos para trabalhar. Eu pedi coragem... e Deus me deu perigos para superar. Eu pedi amor... e Deus me deu pessoas com dificuldades para ajudar. Eu pedi dádivas... e Deus me deu oportunidades. Eu não recebi nada do que pedi, mas eu recebi tudo que precisava", finalizou Lula em seu discurso.”
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A LIÇÃO DA BORBOLETA
"Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo; um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, conforme ela se esforçava para fazer com que seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.
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Então pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso.
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Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia, e não conseguia ir mais.
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Então o homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiu facilmente.
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Mas seu corpo estava murcho, era pequeno e tinha as asas amassadas.O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e esticassem para serem capazes de suportar o corpo que iria se afirmar a tempo.
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Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.
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O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo.
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Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida.Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.
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Eu pedi forças...e Deus deu-me dificuldades para fazer-me forte.
Eu pedi sabedoria... e Deus deu-me problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade... e Deus deu-me cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem...e Deus deu-me obstáculos para superar.
Eu pedi amor...e Deus deu-me pessoas com problemas para ajudar.
Eu pedi favores...e Deus deu-me oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi...mas eu recebi tudo de que precisava."
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Vamos ser francos: esquerdista ou não, populista ou não, autoritário ou não... As avaliações podem ser as mais diversas. Só uma coisa é fora de dúvida, absolutamente inquestionável: o governo Lula é cafona. Já que eles gostam de borboleta, sugiro um outro textinho, este de autoria conhecida: Calos Drummond de Andrade:
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ANEDOTA BÚLGARA
Era uma vez um czar naturalista
que caçava homens.
Quando lhe disseram que também se caçam borboletas e andorinhas,
ficou muito espantado
e achou uma barbaridade.
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Ainda bem que esta é a última posse de Lula (será mesmo?), ou Dulci ainda acabaria citando Fernão Capelo Gaivota...
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Covas foi quem leu texto da borboleta pela primeira vez. Em 2000
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Conforme demonstram leitores deste blog, a Fábula da Borboleta, que fecha o discurso de Lula no Congresso, foi enviada ao então governador Mário Covas em dezembro de 2000. Ele tinha sido internado para extrair dois tumores malignos. Ao falar com a imprensa, o próprio Covas leu o texto, adaptado pela professora Mary Lourdes Machado Barbosa, do Rio, e se emocionou. A mensagem caiu na rede e foi parar no discurso de Lula. Sem citar origem ou explicitar que, afinal, já era de domínio público. Deixa o homem expropriar...

E agora o caos na terra

Estado de São Paulo
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Nestes quatro anos de governo Lula, os recursos orçamentários para manutenção da malha rodoviária federal saltaram de R$ 471,9 milhões em 2003 para praticamente R$ 2 bilhões até 2006. Ao todo, foram investidos quase R$ 5 bilhões para tentar tornar transitáveis as estradas federais, pelas quais é transportada a quase totalidade da riqueza nacional, pois é notória a deficiência histórica de nossa malha ferroviária. No entanto, segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), cujos resultados foram divulgados pelos jornais do Grupo Estado na quarta-feira, 69% das estradas continuam em condição ruim ou, no máximo, regular. Segundo o órgão assessor do Poder Legislativo para fiscalizar a contabilidade federal, o governo gasta muito e mal nas chamadas Brs.
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O TCU encontrou muitas explicações para a contradição entre o incremento do aporte de verbas orçamentárias e os resultados pífios alcançados na prática: falta de planejamento nas obras, contratos superfaturados, fiscalização falha e desvios de recursos que nunca são punidos. Ou seja, os buracos que não são tapados na mesma proporção em que se gasta para tapá-los resultam de uma mistura perversa de gestão deficiente com corrupção impune. Nesse quadro, a tal “Operação Tapa-Buraco”, anunciada como panacéia na abertura do ano da eleição, vencida com folga pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e na qual foram enterrados R$ 500 milhões do contribuinte, foi considerada um desperdício de dinheiro pelo TCU, pois teve custos superestimados e usou material de má qualidade.
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Fiel ao hábito de transferir a responsabilidade para as costas alheias, como o fez no caso do apagão aéreo, em que inculpou dos pilotos americanos ao overbooking da TAM pela própria ineficiência, o governo poderá atribuir o mau estado das estradas à incúria de seus usuários. Mas será mais difícil convencer alguém, já que, além de não poder desenvolver alta velocidade entre uma vala e outra, tem sido milagroso sobreviver aos assaltos programados nesses curtos intervalos de asfalto íntegro.
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As síncopes da gestão federal prenunciam para breve um colapso de infra-estrutura capaz de produzir uma série de apagões em terra, mar e ar, para o qual o governo só apresenta desculpas, jamais saídas.

Crescer como?

O Estado de São Paulo
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Há quatro anos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomava posse com o País imerso numa grande dúvida: será que a ala mais radical do partido do qual ele fora fundador e sempre se fizera o maior líder haveria de acompanhá-lo no governo, apoiando suas políticas públicas sem lhe impor obstáculos de natureza ideológica, especialmente no tocante à política econômica? Recorde-se que, para que o programa de governo inicialmente esboçado pelo PT em reunião no Nordeste deixasse de espantar investidores, externos e internos, por seu radicalismo, e para que o candidato Lula ampliasse seu esquema de apoio partidário, se produzira a chamada “Carta aos Brasileiros”. Tratava-se de uma verdadeira profissão de fé na moderação, com garantia de cumprimento de contratos e demais condições civilizadas do pacta sunt servanda.
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Logo no início de seu governo, Lula conseguiu livrar-se de seus correligionários radicais, ou porque estes, decepcionados, deixaram o Partido dos Trabalhadores ou porque dele foram expulsos. Sem ter companheiros radicais para responsabilizar pelas frustrações causadas por um governo sem projeto - a não ser a estabilidade da moeda e a distribuição de renda a qualquer custo -, restou a Lula a crítica-desabafo, que repetiria durante toda a sua gestão, contra o que chamou de “herança maldita” do governo anterior, caracterizada pela inflação prestes a estourar, o aumento substancial do risco Brasil e a instabilidade detectada pelos índices econômico-financeiros. Só que essa “herança maldita” decorrera, justamente, das apreensões do mercado, dos investidores internos e externos, ante a perspectiva de eleição de Lula, o que indicava que a “Carta aos Brasileiros”, num primeiro momento, não afastara o receio geral de ruptura de contratos e outras extravagâncias. Afinal de contas, não se imaginava que o governo do Partido dos Trabalhadores adotasse uma política econômica contrária à que apregoara por mais de duas décadas e que fosse praticamente idêntica à do seu antecessor - e que o ministro Antonio Palocci se revelasse um exemplo de moderação e bom senso no manejo da economia.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontra, agora, circunstâncias bem diversas em sua segunda posse. Depois de todos os escândalos em que o PT e seus aliados estiveram envolvidos, o desprestígio de imagem não atingiu o chefe do governo, a ponto de Lula ter recebido uma portentosa votação em sua reeleição. Embora em termos de aprovação popular Lula esteja bem acima dos partidos, deles necessita para governar - razão por que se dedicou à formação de uma coalizão. Numa verdadeira maratona de reuniões, o presidente tem negociado com líderes e partidos de sua base aliada, tendo em vista a composição de seu novo Ministério - um processo que ainda pode levar cerca de um mês para terminar. Quanto a seu relacionamento com o PT, verifica-se que, se conflitos entre os dois perduram, não trazem a marca ideológica. Quando muito, são disputas em torno de cargos e ocupação de fatias de poder nos Ministérios. Tanto assim que a Comissão Política do PT, cujos membros, em conversas privadas, reclamam a demissão do presidente do Banco Central e a mudança da política econômica, na quarta-feira deixou uma reunião com o presidente Lula sem ter tocado no assunto. Lula disse-lhes, pela enésima vez, que quem manda na política econômica é ele - e com isso cortou o assunto.
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O presidente Lula assumirá o segundo mandato com o País em condições bem mais favoráveis do que há quatro anos. A inflação está controlada, o risco Brasil chegou a seu nível mais baixo e a conjuntura econômica internacional é bastante favorável. Mas falta a seu governo o principal. Sem projetos estruturantes, de reformas essenciais, o Brasil continuará marcando passo, sem conseguir acelerar o ritmo de crescimento.
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O presidente Lula e sua equipe não conseguiram elaborar o plano para “destravar” a economia, prometido e adiado quatro vezes. E tudo indica que o plano não passará de um rol de investimentos já conhecidos - e de reduzida eficácia, enquanto persistirem as travas estruturais que condenam o País a um crescimento medíocre. Ora, se o presidente Lula não acredita em reformas, diz e repete que são desnecessárias reformas fundamentais como a da Previdência, o Brasil ficará mais quatro anos esperando o sempre ausente “espetáculo do crescimento”.

Maioria das promessas ficou no papel

por Tânia Monteiro, no Estado de S.Paulo
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As pessoas que pretendem ouvir hoje o segundo discurso de posse do presidente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem estar cautelosas e atentas – afinal, a maior parte das promessas de sua contundente mensagem de mudança feita no Congresso, há quatro anos, não chegou a ser cumprida.
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O alardeado programa Fome Zero não existe mais e sofreu alterações ao longo dos quatro anos, transformando-se no Bolsa Família. O Primeiro Emprego não saiu do papel, só atendendo a 0,5% dos jovens que pretendia ajudar. A reforma agrária “pacífica, organizada e planejada” foi condenada pelos próprios aliados a ponto de, na quinta-feira da semana passada, o líder do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, pedir o fim do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
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A promessa de crescimento também não se concretizou e ela será, mais uma vez, a vedete do novo discurso. O presidente vai reiterar, hoje, que quer avançar para um crescimento mais vigoroso e acelerado, mantendo a estabilidade monetária e a responsabilidade fiscal. Esta promessa da estabilidade foi cumprida, contra todo o antigo discurso revolucionário do PT. Mas a frase “criar empregos será a minha obsessão” não resultou em nada concreto. Anunciada em janeiro de 2003, a promessa não chegou nem perto da metade do que se afirmou em campanha: a disposição de criar 10 milhões de empregos. Segundo dados do Ministério do Trabalho, no final de 2006 seria possível chegar perto de cinco milhões de novos empregos com carteira assinada.
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Há quatro anos, ao falar “das reformas que a sociedade brasileira reclama” e que ele se comprometia a fazer, o presidente Lula citou as da Previdência, tributária, política e da legislação trabalhista. As duas primeiras foram iniciadas, mas esbarraram em fortes reações e acabaram paralisadas, a ponto de o atual governo nem querer ouvir falar do assunto. Daquelas quatro, somente a reforma política voltará a ser defendida hoje.
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Apesar da criação da Controladoria Geral da União, a frase dita por Lula, segundo a qual “o combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu governo” foi questionada diariamente, principalmente nos dois últimos anos do primeiro mandato. Naquele dia, Lula bradou: “Ser honesto é mais do que apenas não roubar e não deixar roubar”. Até as últimas horas ainda se discutia a conveniência, ou não, de se abordar o tema no discurso.
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Em 2003, o presidente mencionou também a violência, dizendo que haveria uma “política de segurança pública muito mais vigorosa e eficiente”, que seria “capaz de prevenir a violência, reprimir a criminalidade e restabelecer a segurança dos cidadãos e cidadãs”, para que as pessoas pudessem “voltar a andar em paz pelas ruas e praças”. Lula chegou a afirmar que havia uma “nuvem ameaçadora” que precisava se dissipar, ao citar que “os crimes hediondos, massacres e linchamentos crisparam o país e fizeram do cotidiano, sobretudo nas grandes cidades, uma experiência próxima da guerra de todos contra todos”. Os ataques do crime organizado em maio, em São Paulo, e nos últimos dias, no Rio de Janeiro, mostram que esta promessa também não foi cumprida.
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Ao assegurar, em 2003, que este país ia dar “um verdadeiro salto qualidade” e investir “em capacitação tecnológica e infra-estrutura voltada para o escoamento da produção”, Lula fez outra de suas promessas não cumpridas. Nas próximas semanas ele quer lançar um pacote para destravar o país, anunciando investimentos em infra-estrutura para “voltar a crescer com distribuição de renda”. Semelhante anúncio já havia sito feito há quatro anos.

As autoridades são inocentes

Por Guilherme Fiúza, Política & Cia., Blog NoMínimo
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A bandidagem esculachou o Rio de Janeiro mais uma vez, e chega a ser comovente a esperança de todos de que o novo governador vai dar um jeito na situação. A culpa é da Rosinha. A culpa é do Garotinho. A culpa é do Lula.
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Lula tem culpa de várias coisas, Rosinha e Garotinho têm culpa de um monte de coisas. Mas no caso dos ataques em série a policiais, delegacias, ônibus e outros alvos públicos, o queixume do cidadão de bem está com endereço errado. Sérgio Cabral vai resolver?! Chega a dar pena…
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Sugestão deste espaço (só vale para os ricos, este é um espaço elitista): contrate um passeio de helicóptero e não vá ao Corcovado. Sobrevoe os morros do Rio de Janeiro, depois mande o piloto tocar para a periferia (de preferência, sem ter que apontar um revólver para a cabeça dele).
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Veja como a cidade está ocupada. Admire o caos, observe os amontoados humanos, perceba os latifúndios intermináveis de vida degradada, flagre as paisagens aberrantes de falta de civilização, de deserto cultural, de monstruosidade estética. Depois, abra um mapa do Grande Rio e constate que a cidade civilizada é uma nesga cercada por esse mar de incivilização. Conclusão imediata: a metrópole são eles.
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O Palácio Guanabara é um detalhe desprezível nessa paisagem. Uma ruína do que já foi o poder público. O poder público não pode mais nada. Ou melhor, pode enxugar uma pedra de gelo aqui e outra ali, durante o dia. À noite, aproveita o gelo para diluir uma dose de uísque, afrouxar a gravata e entregar o resto a Deus, que ninguém é de ferro.
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O que o poder público poderá com Sérgio Cabral é o mesmo que pôde com Rosinha e Garotinho: negociar com traficante. Sim, é essa a política de segurança no Rio há muito tempo. Cabral dançará mansamente conforme essa música. A polícia alivia a área tal, os bandidos não esculacham o cidadão dali para baixo, vista grossa para as bocas de fumo nos locais A, B e C, cessar-fogo nos bairros X, Y e Z, e vamos tocando a vida.
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Agora desembarque do helicóptero e pegue um táxi. Sugestão: dirija-se à Zona Oeste – ou Zona Faroeste. Ali fica mais claro que fim levou a metrópole. Testemunhe a propensão à delinqüência a cada esquina, da van tresloucada ao comerciante bandalheiro, cada um tomando posse do seu pedaço de rua ou calçada, sem o menor vestígio de interferência do Estado.
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Atravesse áreas carentes e não-carentes na Baixada de Jacarepaguá e veja como fica ridículo, diante da imensa paisagem sem lei, o Palácio Guanabara e seus soldadinhos. O problema nem é a PM. Mande a Scotland Yard disciplinar o faroeste e ela voltará com o rabo entre as pernas. A polícia não pode consertar o que a sociedade inteira estragou.
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Mesmo nas áreas ricas da Barra da Tijuca, observe os motoristas dos carros coloridos (ou melhor, imagine, pois eles estão escondidos atrás de vidros escuros), sempre com a mão enterrada na buzina, subindo em calçadas e tentando passar por cima do próximo. Sorria, você está no império da falta de educação.
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A polícia japonesa é muito eficiente, a inglesa também. Qual sua principal arma? A organização da sociedade que estão incumbidas de proteger.
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A guerra do Rio de Janeiro está perdida. E, por favor, parem com essas conversas de força-tarefa e gabinete integrado de segurança. Entreguem tudo a Deus, se for o caso, mas parem de zombar da sua própria inteligência.
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Se no Rio de Janeiro explodisse amanhã uma revolução cultural, em duas gerações talvez a polícia tivesse algo mais a fazer do que chupar picolé. Fora disso, o que teremos é uma sucessão melancólica de sérgios cabrais gritando basta, enchendo de esperança os inocentes e mendigando, nos bastidores, a clemência dos bandidos.
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Com uma diferença: o preço da trégua será cada vez mais alto.

Carga tributária em quase 39% do PIB no governo Lula

Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o governo, em janeiro de 2003, a carga tributária estava em 35,84% do PIB – nível ao final de 2002, último ano da gestão de Fernando Henrique Cardoso. No primeiro ano, houve pequena queda (para 35,54%), mas nos anos seguintes a carga só aumentou.
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O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), consultado pela Folha de S.Paulo, calcula que a carga fiscal deste ano equivalerá a 38,75% do PIB, estimado em R$ 2,095 trilhões. Assim, a carga fiscal avançará 2,91 pontos percentuais do PIB no primeiro mandato de Lula em relação à do último ano de FHC. O percentual de quase 39% é recorde.
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Estimativa feita pelo IBPT indica que até amanhã os contribuintes deixarão ao menos R$ 812 bilhões em tributos nos cofres da União, dos Estados e dos municípios. Isso dá R$ 2,22 bilhões por dia, R$ 92,67 milhões por hora, R$ 1,54 milhão por minuto ou R$ 25,73 mil por segundo.
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Para o advogado Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT, “o governo Lula ampliou a tributação sobre todos os segmentos da economia”. Isso ocorreu porque alguns tributos, como a CPMF, o PIS e a Cofins acabam incidindo sobre todas as empresas.
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Em países do Primeiro Mundo (Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, Canadá, Holanda, França, Japão, Itália, Dinamarca etc.), a carga tributária sobre bens e serviços é de 33%, em média, e a sobre a renda, de 46%. No Brasil, há o inverso: os bens e serviços são tributados em 63% e a renda, em 26%.
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COMENTANDO A NOTÍCIA:
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Pois é, Lula em seu discurso, falou muito de travas para o crescimento. Dentre as reformas necessárias, além da reforma política, com óbvios interesses pessoais, só referiu a reforma tributária, como também o Presidente do Senado, Renan Calheiros, também repetiu. É esperar para vermos o que sairá deste forno. De concreto, Lula falou em desoneração de alguns tributos, e a fixação de uma alíquota única para o ICMS, em todo o País, o que irá exigir de alguns governo estaduais mudanças em seus programas de governo. Se tem ouvido falar. Neste primeiro dia de governos que se iniciam e de outros que se prolongam, há muito discurso. Mas, rigorosamente, projeto que é bom, nada !
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Lula viveu neste primeiro mandato, quatro anos de economia mundial no melhor momento, e nem por isso, o Brasil avançou o que poderia, e o que os demais países emergentes avançaram. Está lá no seu discurso: “ (...)Foram quatro anos sem graves crises econômicas, mas com graves conflitos políticos e militares internacionais.
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Ao mesmo tempo em que o crescimento da economia mundial permitiu um certo desafogo aos países emergentes, a relação entre nações ricas e pobres não melhorou. A solução dos grandes problemas mundiais, como: as persistentes desigualdades econômicas e financeiras entre as nações; o protecionismo comercial dos grandes; a fome e a inclusão dos deserdados; a preservação do meio-ambiente; o desarmamento; e o combate adequado ao terrorismo e à criminalidade internacional; não evoluiu”.
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Como também, poderia ter emendado que, apesar de FHC ter enfrentado 5 crises econômicas mundiais, o crescimento do país, na média, empatou com o de Lula, sem crise nenhuma ! Para o bom entendedor...
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Na verdade, não houve nem de parte dos parlamentares, muito menos do próprio governo, nenhum grande esforço para aprovar as reformas indispensáveis. A tributária é uma delas. Como o quadro político é basicamente, as razões para este esforço não ter acontecido, continuam as mesmas. O que nos garante que a reforma tributária fluirá neste segundo mandato ? Nada. Creio até pelo próprio discurso, que a responsabilidade fiscal sofrerá um recuo que considero perigoso. Estes sinais não são de agora. Já vem desde a campanha, e se grande parte dos governadores estaduais se aproximaram de Lula neste início de seus mandatos, o foi certamente pela enorme pressão que farão, por ser de seu interesse, que a Lei de Responsabilidade Fiscal sofra mudanças. O que sempre será uma temeridade, dado que a estabilidade vivida pelo país se assenta no equilíbrio fiscal como sustentáculo.
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Como também se observa não haver de parte do governo Lula-2 nenhuma preocupação em relação aos gastos correntes, esta sim, uma respeitável trave que amarra o crescimento do país em ritmo maior. E aí, senhores, o Poder Legislativo tem seus próprio interesse. Não basta apenas o Executivo enxugar despesas, todos os poderes devem fazer o mesmo. Mas como, com a pérola do fisiologismo a inundar as cabeças pensantes ? Da mesma forma o Executivo, quando acena com o aumento real do salário mínimo, apesar do crescimento baixo. Isto representa dizer que vai se continuar tirando da classe média já tão exaurida. Porque, a rigor, não se vê nenhuma ação do governo na direção daqueles que tem muito, até porque Lula, apesar da cantilena de criticas freqüentes às “zelite”, dela nada tem tirado. Apenas se penaliza mais e mais a classe média. E ponto final.
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Deste modo, os sinais vindos do Planalto, em relação a uma reforma tributária decente, são ainda muito fracos, insossos, e não tocam em pontos essenciais. Portanto, neste particular, nossa expectativa é de que o produto final seja realmente a reforma que interessa a todos, e não apenas para satisfação dos mesmos grupos que continuam sangrando o país. A conferir.

Quem está podre não é o sistema, senador !

Calheiros diz que sistema político do País 'apodreceu'
Fonte: Agência Estado
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Em discurso hoje durante a cerimônia de posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu as reformas política e tributária. Para Renan, o atual sistema político "apodreceu". O presidente do Senado, que discursou logo depois da fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também defendeu as reformas constitucionais, argumentou ainda que os partidos de oposição têm papel imprescindível na democracia. O presidente do Senado disse também que a estabilidade econômica foi essencial para a reeleição do presidente Lula.
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"O papel do Parlamento é acelerar as reformas, que não devem ser procrastinadas ou vítimas de contaminações eleitorais que se avizinhem. Para cumprir o seu destino histórico, o País pede a seqüência de reformas, entre elas, a modernização do sistema político, a reforma política - quem morreu não foi a democracia, não foi a ética, quem apodreceu foi o nosso sistema político uninominal -, a mudança nas novas formas de cooperação entre a União e os demais Estados federados e a simplificação dos nossos tributos", disse Renan Calheiros.
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No rápido discurso, o presidente do Senado afirmou que o processo eleitoral de 2006 deve ser compreendido dentro de "um processo histórico-social e sob a perspectiva das mensagens emanadas da sociedade". "Chegou o momento de interpretar esses anseios e interagir com eles. É uma decisão crucial, especialmente agora, quando transpomos o calor eleitoral e ingressamos na administração, cujos atos e decisões têm conseqüências sobre a vida de todos nós. A sociedade amadurecida está atenta. Ela nos ouve e, no silêncio do voto, exige ser ouvida com maior freqüência e ser atendida. Ela clama e continuará clamando por melhorias no seu dia-a-dia. O último pleito demonstrou que a percepção do conforto econômico foi decisiva no resultado", afirmou Renan.
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O presidente do Senado observou que as reformas constitucionais precisam contar com a colaboração da oposição. "O espaço da oposição é sagrado, sua voz crítica, imprescindível", disse Renan. "Se houver ambiente para um amplo diálogo que permita fazer as reformas, reduzir mais impostos, distribuir mais rendas, gerar mais investimentos, mais empregos e crescer ainda mais em bases sustentáveis, todo esforço será pouco para concretizá-lo", completou.
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"Estou convencido de que a oposição, parte essencial do poder Legislativo, tem verdadeiramente como contribuir, dada a responsabilidade e maturidade com que vem atuando", concluiu Renan Calheiros
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COMENTANDO A NOTICIA:
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É mesmo senador ? E por culpa de quem o sistema apodreceu ? Quem foram os protagonistas da esculhambação que tomou conta do parlamento brasileiro, transformando aquela casa num balcão de negócios escusos e imorais ? Quem vem durante anos após anos abençoando e mantendo impunes seus próprios companheiros “criminosos” ? Quem pratica ações como nepotismo e fisiologismo apesar da reação da sociedade? Quem abriga em seus quadros, milhares de apadrinhados políticos, sem concurso com salários acima da realidade dos demais trabalhadores do país ? Quem tentou aplicar 91,% de aumentos em seus salários ao arrepio da lei e da decência, inclusive comandados por vossa senhoria, senador Calheiros? Ora, dê-se o respeito, e comece agindo por si mesmo para moralizar sua própria casa !!! Não há reforma política que corrija falta de caráter dos homens que exercem a política !!! Pratique em si mesmo a moral que tenta emanar de seu próprio discurso !!!
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É bom, inclusive, que o senador fique atento que, cooptação, alinhamento ou seja lá o nome que se queira dar aos entendimentos mantidos com o presidente Lula, só podem ser possíveis mediante a apresentação de projetos e programas que até esta data o governo ainda não apresentou. E a oposição fazer oposição faz parte de qualquer país democrático. Menos no Brasil, onde temos um arremedo de democracia, mas sem nenhuma oposição.
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E a propósito, a notícia a seguir é bem ilustrativa, senador, de quem é que está podre nesta história. E já que vossa senhoria demonstra tanto interesse em moralização, que ações poderiam ser tomadas contra os parlamentares apontados a seguir?
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Deputados raspam cofres da Câmara no final da legislatura
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Enquanto a cúpula do Congresso discutia um aumento salarial para o próximo ano, uma parte dos deputados aproveitou para raspar os cofres da Câmara através da utilização da verba indenizatória. O recurso, que serve para cobrir as despesas relativas ao exercício do mandato (R$ 90 mil por semestre), foi sorvido até a última gota, segundo o Correio Braziliense. Com os gastos com gasolina agora limitados, os parlamentares descarregaram as suas notas fiscais principalmente em material de divulgação e na contratação de consultorias.
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O deputado Silas Câmara (PTB-AM), por exemplo, gastou R$ 78 mil em novembro com divulgação da atividade parlamentar. Herculano Anghinetti (PP-MG) empregou de junho a novembro R$ 40.186.28 em combustível e locomoção. Em dezembro, coincidentemente, o deputado contratou uma consultoria no valor de R$ 49.813,72, o que soma exatos R$ 90 mil.
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A cota de R$ 15 mil mensais pode ser acumulada para os meses seguintes e gasto dentro do semestre. A verba totaliza R$ 92,3 milhões anuais, e pode somar ao longo dos quatro anos de uma legislatura R$ 369 milhões. No primeiro semestre de 2006, 90% da verba foi utilizada.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: E então senador: que tal se acabasse com esta patifaria, hein ? Um país pobre não pode se dar ao luxo de sustentar parlamentares com tanto luxo e desperdício !!!!

Indústria tem pior resultado da década

Por Marcelo Billi, na Folha de S.Paulo
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Vendas e margens de lucro em queda fizeram do primeiro semestre deste ano o pior da década para o setor industrial. Grandes e pequenas empresas do setor nem sequer conseguiram atingir rentabilidade que superasse o custo de capital, medido como rentabilidade das aplicações financeiras. Para o segundo semestre, as estimativas são que o cenário será tão ruim quanto o dos seis primeiros meses de 2006.
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Os balanços de 1.338 empresas do setor industrial analisados no “Painel de Competitividade Fiesp-Serasa” mostra que, apesar da queda dos juros, investir no setor produtivo ainda é praticamente sinônimo de perder dinheiro.
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O setor como um todo não dá prejuízo, pelo contrário, a rentabilidade é positiva em todos os anos desde 2001, ano em que começou o acompanhamento do estudo da Fiesp-Serasa. Mas a rentabilidade da indústria é, em média, inferior ao custo do capital. Ou seja, quem investiu R$ 1 na atividade industrial poderia ganhar mais se tivesse decidido deixar o dinheiro no mercado financeiro.
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O levantamento considera os balanços do primeiro semestre, mas, diz a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), pouco mudou desde então. “Nós fazemos um monitoramento. Os juros caíram, mas o ‘spread’ bancário, não. A queda não chegou ao consumidor final. Só as grandes empresas têm acesso ao financiamento. Nossa percepção é que, no segundo semestre, pouca coisa vai mudar em relação ao primeiro”, diz José Ricardo Roriz Coelho, diretor do Departamento de Competitividade da Fiesp. “Os mesmos elementos que contribuíram para o baixo crescimento econômico na primeira metade do ano continuam presentes”, conclui o painel.
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Desempenho fraco
São várias as razões para o desempenho fraco do setor, e elas são diferentes dependendo do tamanho das empresas. Para as grandes, o problema foi o câmbio e a conseqüente dificuldade para exportar e para redirecionar a produção para o mercado interno. As vendas das grandes empresas caíram 7,4%. Para compensar, as empresas tentaram reduzir custos, mas conseguiram redução, em média, de 5%. Resultado: queda na rentabilidade sobre o patrimônio, que havia sido de 10,8% no semestre que terminou em junho de 2005 e baixou 34%, chegando a 7,1% no primeiro semestre deste ano.
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O ano de 2006 foi ruim para as grandes empresas em vários sentidos. As vendas caíram pela primeira vez na década. De 2001 a 2005, as vendas subiram, em média 6,3% ao ano, sempre comparando os resultados dos primeiros semestres. O primeiro semestre de 2006 também registra a menor margem de lucro da década para as grandes empresas do setor industrial.
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Neste ano, a margem de lucro ficou em 14,3%, contra resultado de 17,3% no ano passado. Por fim, a queda nas vendas foi superior à capacidade de reduzir custos e compensar as perdas. Assim, a relação entre a despesas operacional e o faturamento foi a maior desde junho de 2002.
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O cenário não é tão desastroso para as pequenas e médias empresas. Mas explique-se: desde 2001 elas têm enfrentado situações muito mais dramáticas do que as enfrentadas pelas grandes empresas. Enquanto as grandes registraram vendas crescentes em todo o período 2001-2005 e só enfrentaram retração neste ano, as PMEs (pequenas e médias empresas) enfrentaram um início de década bem mais turbulento.
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Os três primeiros anos desta década foram de estagnação para as PMEs industriais. Estagnação que foi interrompida pelos bons resultados de 2004, ano de melhor rentabilidade para as pequenas e médias. 2005, novamente, foi ano de retração e, em 2006, graças à capacidade de redução de custos, as PMEs não registraram queda tão grande de rentabilidade quanto as grandes empresas.
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Rentabilidade
Na média, a rentabilidade sobre o patrimônio das PMEs industriais era de 7,1% no primeiro semestre de 2005 e baixou para 6,4% em 2006. A queda é menos pronunciada do que nos casos das grandes empresas porque PMEs conseguiram reduzir mais os custos, compensando parte importante da queda de 4,8% nas vendas.
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O câmbio, que prejudicou as exportações, é apontado como grande obstáculo para a grande indústria – a indústria não conseguiu manter a rentabilidade das exportações tampouco redirecionar a produção para o mercado interno e ainda sofreu a concorrência dos importados mais baratos. As pequenas empresas, por sua vez, sofrem mais por conta de aspectos internos, sendo o alto custo do crédito o grande inibidor para o crescimento das PMEs, diz o estudo da Fiesp-Serasa.
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Os dados dos balanços mostram que enquanto as despesas financeiras líquidas representam 71% do lucro líquido das pequenas e médias empresas, para as grandes essa proporção é de apenas 16%. “As pequenas e médias empresas não crescem porque o crédito é caro e raro”, relata o documento.

Lula devia tomar umas aulas com Kirchner

por Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo
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O ano e o novo mandato de Lula começam com um desafio para os sábios da ekipekonômica. Trata-se de conter a surra que o Brasil de Nosso Guia toma quando seu desempenho é comparado ao da Argentina de Néstor Kirchner. Em 2000, depois de uma década de ilusões cultivadas pela banca internacional, a Argentina atolou-se numa crise política e social sem paralelo na sua história. Teve cinco presidentes em 12 dias, saques e estado de sítio. Em apenas dois anos, gramou uma queda de 14% do PIB. Para ter uma idéia do que isso significa, vale lembrar que, em cinco anos, a Segunda Guerra Mundial custou à Inglaterra 25% de sua riqueza.
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Desde 2003, fazendo o contrário do que manda o mercado, Kirchner impôs o calote de dois terços do valor de uma dívida de US$ 100 bilhões (o maior da história do capitalismo), controlou o câmbio, baixou os juros e reestatizou concessionárias de serviços públicos.
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Cada uma dessas medidas foi vista pelos sábios brasileiros como loucura. Em alguns casos, como no calote, um diretor do Banco Central chegou a atrapalhar a negociação (não há semelhança entre a estrutura da dívida argentina e a brasileira).
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Kirchner dirige um “espetáculo do crescimento” com taxas superiores a 8% ao ano. Tomando-se como ponto de partida os números das economias dos dois países em 2000, a Argentina hoje está 19% maior. Não vale dizer que o crescimento ocorreu em cima de um desastre. Ela já sacudiu a poeira e deu a volta por cima. A economia brasileira, submetida ao rigor científico da ekipekonômica, expandiu-se 15%. A renda per capita dos argentinos cresceu 12% em relação a 2000. A dos brasileiros, 5%. Trata-se de um desastre lento, gradual e seguro.
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Durante a campanha eleitoral, Lula prometeu um crescimento de 5% e reclamou dos adversários que comparam seu espetáculo ao desempenho da economia haitiana. O comissariado já começou a dizer que 5% é exagero.
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Se as economias do Brasil e da Argentina mantiverem seus níveis de expectativas, ao final de 2007 a renda per capita dos brasileiros terá aumentado 8% em sete anos. A dos argentinos, 19%.

As incoerências de sempre ...

Depois de muita promessa, de muito faço, fiz e prometo fazer, de que vamos isso, vamos aquilo, eis como Lula encerrou o papo furado no Parlatório:

“...Muito obrigado. Feliz Ano Novo e amanhã é dia de nós dizermos, em alto e bom som: deixa o homem trabalhar, senão o País não cresce como precisa crescer. Um abraço.”

Pois bem, depois de falar tanto em trabalho, vocês sabem qual a primeira coisa que Lula fará no começo do seu segundo mandato presidencial ? Vai tirar dez dias de férias para viajar e descansar com a “sua” Marisa. É mole ? Deve ser o primeiro trabalhador no mundo que, quando assume o emprego, já começa tirando férias. Só no Brasil mesmo... Depois ele não sabe porque o País cresce tão pouco!!!

Os discursos

Por Adelson Elias Vasconcellos
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Começo a analisar o discurso de posse de Lula-2 e logo salta aos olhos algumas coisas que, num único artigo, não se pode resumir. Mas, para ser breve, diga-se que esta palhaçada que ele arrota de nascer pobre, viver pobre e humilde, é uma das maiores hipocrisias sentimentalóides de que se tem notícia. Pela simples razão de que a maioria para a qual ele fala (e que vota nele) desconhece a história de seu próprio país, quanto mais as biografias de seus ex-presidentes. Apenas para ficar num caso ao qual Lula adora comparar-se, Juscelino. Quem foi Juscelino quando menino ? A que família pertencia ? E como ele estudou, trabalhou e se formou ? Pela razão de que não era vagabundo e pinguço. Ah, a vida depois lhe sorriu e abriu-lhe caminhos ? Ótimo, mas não foi por obra e graça da "sorte", foi pelo empenho pessoal e legítimo de alguém que lutou, trabalhou, estudou e se sacrificou para chegar lá. Lei da meritocracia! Ao contrário, Lula jamais demonstrou esforço pessoal para elevar-se como cidadão. Conjugou uma série de fatores históricos, e sempre fez uso de seu analfabetismo e pobreza como instrumentos de chantagem emocional. Se alguém o afastava de algum círculo era por "preconceito". Se alguém não votasse nele, era por "preconceito". E, num país de analfabetos, esta fórmula dá certo justo por culpa desta ignorância que se incrustou na sociedade brasileira. E um certo preconceito enrustido, que acaba consentindo em dar asas aos anti-heróis! Num país moderno e decente, Lula não sairia dos sindicatos, onde nasceu, cresceu e enveredou para a política. Permaneceria neles e só. Triunfaria sim, mas se estudasse e trabalhasse para tanto.
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Aqui, isto serviu para que ele galgasse ascensão política. Na política, jamais estendeu a mão para construir um país melhor. Sempre foi contra tudo, sempre barrou e brecou toda e qualquer tentativa de reformar o país, permitindo seu progresso. Até nos momentos mais marcantes, após a democratização de 1985, Lula deu as costas e disse não: negou-se em assinar a constituição de 88 e disse não para Itamar quando este assumiu no lugar de Collor, e buscava a união nacional para vencer o momento difícil que se viveu naquele período. Sempre que alguém surgiu com projetos, mesmo sem conhecê-los posicionou-se contra. Nada do que os outros fizessem ou deixassem de fazer, recebia o devido e justo reconhecimento de Lula. Criticava, era contra, e dizia que ia dar errado. A lembrar, o próprio Plano Real, do qual Lula foi o beneficiado imediato. Assim, com um curriculum de nulidade, de negação a qualquer entendimento político e de montagem de um projeto de país, acabou eleito presidente. E sem fazer absoluta nada por merecer, foi reeleito em cima dos resultados do governante anterior, do qual ele não mudou uma vírgula. Raros homens públicos brasileiros, da nossa história recente, nasceram em berço de ouro ou vieram da classe média. Na sua grande maioria, todos nasceram pobres, porém, fruto de seu esforço pessoal, superaram barreiras e limitações e formaram-se em alguma profissão. Lula não. Portanto, a imagem do indivíduo é a face do homem político, que nada faz, vive a se esbaldar da obra alheia e pronta, pensa egoisticamente apenas em seu projeto pessoal de poder, e continua mentindo descaradamente para um público que não lê e não se informa. Lula nasceu pobre economicamente, mas se fez pobre espiritualmente por iniciativa própria. O pobrismo faz parte de sua formação, não porque lhe seja inerente, mas porque é sua opção pessoal, em razão da mediocridade de sua ideologia, de seu caráter. E no fundo disto tudo, é que encontraremos este ser negativo que contamina o país com seu pobrismo decadente e depravado.
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Extraio do discurso de Serra dois pontos que considero indispensáveis como os motes para a oposição valer-se e guiar-se daqui para frente: primeiro, “...aumentando o controle do Estado pelo Estado, e estimulando o controle do Estado pela sociedade, pelo povo.” Ou seja, Serra respeita o limite da democracia e do estado de direito. Aceita a oposição até porque a oposição será sempre desafiadora para o governo do momento, sua ação fiscalizadora, faz do governante um crítico de si mesmo em tempo integral. E mais: o limite do Estado acha-se encerrado em si mesmo, não pode o Estado ser fiscalizador da sociedade além do que esta sociedade lhe permite, legalmente., e por vontade soberana e livre da maioria que a compõem. Porque o Estado não faz a sociedade, ao contrário, é feito por ela, porém com o objetivo de servir a esta sociedade e trabalhar por sua construção, fortalecimento e progresso. Ou seja, quando o Estado passa a governar a sociedade, não lhe está dito que deva o Estado criar uma outra sociedade. Ele existe para a realização do projeto que esta sociedade tem para si mesma, e não ao contrário, como ocorre no Brasil. Em resumo: jamais o Estado poderá ser maior do que a sociedade da qual seu poder emana. Quando se chega a tal grau, perde-se a democracia, ganha-se um bela e forte ditadura.
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A segunda, “Meu governo vai procurar convencer, não cooptar. Vamos buscar a maioria para realizar um programa, não para viver o conforto de não ter adversários.”
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Definitivamente, trata-se da parte mais crítica do discurso de Serra. E está intrinsecamente amarrada à primeira frase. Ou seja, ao candidatar-se, Serra apresentou um projeto do que fará ou pretende fazer no governo. O povo disse “sim” ao seu projeto, porque é isto que o paulistano quer. Qualquer desvio de rota, significa quebrar o contrato que Serra celebrou com o eleitorado em outubro. Significa dizer que aqui é a sociedade dizendo ao Estado como quer ser governada e para onde quer e deseja ser conduzida. Quebrar esta linha, é, em termos definitivos, praticar um estelionato eleitoral. Ao contrário de Lula, que insiste em achar que o Estado pode dar a direção que bem entende para a sociedade. Quais as promessas do primeiro mandato de Lula, que não foram ética pública, fome zero e dez milhões de empregos ? Disto, o que foi feito ? Para a reeleição o que prometeu ? Crescimento, não um crescimento qualquer, mas um crescimento consistente e acelerado, vertiginoso ! E foi para isto que ele foi eleito, este é o projeto que a sociedade quer que ele cumpra. Porém, ele insiste em praticar seu estelionato eleitoral, em seguir caminho distinto daquele que a sociedade determinou para ele seguir.
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Daí, entre os discursos de Lula e de Serra, se estampa a face real da política brasileira de momento: de um lado, um presidente arrogante, autoritário que acha que a sociedade não pode nada, que o estado pode tudo, que confunde ética com programa de governo. Errado: ética, independe de cor partidária. Deve ser a marca de ser de uma sociedade que se deseja mais justa, mais solidária, mais moderna, mais civilizada. Programa de governo são realizações pontuais para um determinado momento, no sentido de atender prioridades reclamadas por uma sociedade. Mais: o mandato de Lula é um contrato que Lula firma com a sociedade para realizar aquilo que se comprometeu durante a campanha. Nada mais. Ninguém deu poder ao senhor Lula de fazer outra coisa. Qualquer coisa que tente fora do contrato, representa rompimento, estelionato eleitoral, e portanto, puro golpismo. Reinaldo Azevedo, em belo artigo na revista Veja já havia alertado para o fato de que urna não é tribunal. Se alguém, mesmo um presidente da república, quebrar as regras legais que disciplinam o país, deve ser julgado e, se condenado, pagar por seus erros e crimes. Furtar-se a isso negando o estado de direito é aplicar golpe à sociedade. E disto o discurso de Lula é demonstrativo de que, para ele, a pura distribuição de bolsa-família justifica os meios que se tenha usado ao longo do mandato de crimes e abusos. E o pior é ele insistir com este papo furado de que o “bem comum” é ética. Santo Deus: o bem comum, senhor Lula, o ponto de chegada. O caminho para se chegar até lá pode vir de diferentes direções, algumas éticas, outras não. Entendeu a diferença ou quer que desenhe?
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Deveria Lula preocupar-se mais com a responsabilidade pública de realizar no governo programas de desenvolvimento, e menos em querer dar definições de filosofia política, campo minado no qual ele não tem formação, nenhum conhecimento e competência, portanto, sem argumentos para enfrentar cinco minuto de debates com gente com muito melhor qualificação. Estar no governo não confere sabedoria a ninguém. Que o digam os Pinochet, Fidel, Stalin e Mao. Muito menos os torna mais éticos !
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E que Lula não tente enveredar pelo caminho nebuloso da pesquisa que aponta um brasileiro feliz e ele como o melhor de todos os tempos. Presidente é julgado pela história, e uma história vista com a devida distância do emocionalismo barato e ordinário de urnas recém fechadas. Aliás, será melhor a partir de realizações próprias, coisa que ainda estamos esperando acontecer.
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E mais: apresente Lula um projeto de governo e quais ações pretende implantar para a realização deste programa. Aqueles que concordarem com o dito programa, se aliam e seguem em frente. Os que se oporem, tratem de apresentar alternativas e mostrar as razões de sua discordância.
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E, para encerrar, é preciso desmistificar outra balela de Lula, a de que a oposição quer criar outro povo. Aqui temos justamente o contrário: a oposição queria o mesmo povo, porém, que este povo aprovasse seu projeto de governo liberal, moderno, progressista, democrático. Lula, que acusa a oposição, é que tenta fazer do povo brasileiro outro povo, a sua imagem e semelhança. Quer por que quer incutir que todos, além de serem iguais perante a lei, sejam iguais econômica, política e culturalmente. Isto é comunismo. E caolho, ainda por cima, por que? Porque composto de duas castas apenas: ou se tem o capital, com muita grana, mas muita grana mesmo, e aí se inclui inclusive a casta política dominante, e neste caso todos os privilégios são possíveis, ou se tem todo o resto, sem distinção de classes, ou sequer distinção de méritos, mas com o dever de servir aos primeiros. E digo caolho porque no original, a casta dominante era apenas a política, que tinha ascendência total sobre os meios de produção. Aqui como o Estado não conseguiria estatizar tudo, aceita-se “parcerias”. Para eles, o povo se situa apenas no “resto”. Ou seja, todos terão tudo o que todos têm, independente de merecerem ou não, de trabalharem ou serem vagabundos.
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Esta “igualdade” que Lula cita em seu discurso cretino, é aquela que substitui a ética, o estado direito, o mérito individual por uma mediocridade e um pobrismo coletivos. Claro que o coletivo aqui é no sentido de povo, mas lembrando que a casta dominante está acima deste pobre povo pobre. Ou seja, tudo aquilo que até hoje o povo brasileiro tem construído, e na qual se assenta toda a civilização cristã-ocidental, é renegada por Lula. Até porque Lula jamais foi um religioso praticante. Lula é um político com um visão perturbada e deturpada do mundo. Mas é um político. Um político com conceitos imbecis, bom de papo, e só. Na visão de Lula, usa-se qualquer coisa no discurso para encantar o público alvo. Mas o trabalho final não se distancia do objetivo de construção de um país comunista. Todos os grandes ditadores do mundo, todos os autoritários e caudilhos sul-americanos tinham um discurso encantador, falavam de liberdades, de progresso, de sociedades justas, de bem comum, etc. Mas todos jamais saíam deste discurso para a prática de governar. O povo permanecia inculto e mísero, com os lucros do trabalho escravo e servil, devidamente guarnecidos e repartidos pelo poder dominante. Em seus gabinetes, a voz corrente era sufocar adversários, eliminar opositores, implantar um regime único de exceção política e legal, e institucionalização de um povo controlado pelo Estado sem limites. Lula e o petê, não fogem disto. E mesmo que seu rebuscado discurso insinue caminhos diferentes, no fundo o que pregam, basta ler com atenção, é este Estado deprimente como controlador do povo limitado por um Estado com poder descontrolado. O Estado é que determina o que você pode ter, e não o desejo individual. Stalin e Mao Tse-Tung pregaram a mesma porcaria, e Fidel tenta lhes assemelhar. Esta visão idólatra de serem “pais dos pobres” é sua carteira de identidade, seu DNA cafajeste do qual exala este ranço ditatorial, autoritário. Não se conhece nenhum grande governante com características democráticas, que tenha enveredado suas ações de governo, para o caminho da idolatria de si mesmos. Às custas de muita publicidade bancada com verbas públicas.
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Daí, o que se deve ter em mente é que estas ações e intenções de Lula de abrir caminho para um terceiro e quarto mandatos (e não se enganem, o objetivo do segundo mandato não é o Brasil, é assegurar o terceiro mandato), é que vão pautar os próximos quatro anos. O que temo é que se comecem aplicar maquiagens às estatísticas oficiais (que aliás já vem acontecendo, mesmo que de maneira ainda tímida), para se criar o clima de que há um país crescendo muito. O que temo, e isto também já se observou no primeiro mandato, é a ação de se controlar o Poder Judiciário para “pautar” suas decisões. E para tanto, vai se aparelhar o Judiciário de companheiros fiéis à cartilha. E também o que ainda temo é um empobrecimento cada vez mais acentuado da atual classe média, nivelando sua renda ao mínimo. E o meu temor maior: é o que o tal FUNDEB, seja usado como cobertor para esconder o real sentido de se mudar o povo pela educação (e o primeiro mandato também já deu mostras deste caminho).
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Por tudo isso, o discurso de Serra vem como que tolher a ação nefasta que o petê tenta espalhar por todo o país. É bom saber que há vida inteligente além de Lula e seu governo medíocre e pobre. É bom saber que existe uma alternativa de vida feliz além da miséria e do pobrismo cafajeste com que Lula nos acena em seus discursos “filosofais” cheios de cretinices e chantagens sentimentalóides. Aliás, ser pobre e analfabeto na infância, nunca conferiu a ninguém atestado de competência e bons antecedentes. É bom, não, é ótimo sabermos que a civilização existe, a vida moderna e livre existe, mas elas estão além do petê e sua ideologia de “igualdades” sem méritos. Porque a verdade, senhores, é que apesar de sermos iguais em direitos e deveres naturais, podemos, mais ou menos, dependendo do esforço individual de cada um na sua própria construção. Cabresto ? Que os militantes petistas que aceitam o ordinário, a ignorância e a burrice se acalentem com isto, isto é lá com eles. Trata-se de uma opção pessoal que lhes cabe fazer ou não. Mas não lhes cabe impor aos demais. Não lhes cabe decidir por mim a vida que eu quero ter, a filosofia que entendo deva defender, nem tampouco escolherem por mim a condição econômica e grau de consciência. Minhas opiniões, minhas opções políticas, culturais e econômicas, são escolhas minhas das quais não abro mão. E, acredito, que grande parte do povo brasileiro também não está disposto a este sacrifício.
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O que se passa é que o discurso de Lula de campanha nunca foi sincero. Sempre escondeu suas reais intenções. Tal qual se dá neste momento: não apresentou nada de projetos e programas de governo. Mas quer de todos uma “coalizão” sem opositores, sem limites. Se o mensalão antes era partidário, agora, e já se vê, ele será “federalizado”. Os estados e municípios receberão seu quinhão na medida em que declararem suas opções. Só apoio incondicional nas votações daquilo que, sequer se sabe o que será, garantirá subsistência para estados e municípios dependentes de verbas federais. O caixa 2 do mensalão do segundo mandato será o Orçamento Federal e os cargos espalhados nos primeiros, segundos e terceiros escalões. Quanto maior a verba a administrar, maior o preço a pagar. Nunca a política do é dando que se recebe será tão verdadeira como filosofia nas relações institucionais como a que será empregada por Lula doravante. E são justamente estes projetos que não se vê a temeridade maior, porque ocultos. E se estão ocultos, não são divulgados para a sociedade com transparência que deveriam, é porque de fato são contrários ao interesse desta sociedade. Então, palmas para Serra, pela coragem de marcar sua posição como “oposição”. O Brasil livre e democrático agradece.
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E para aqueles que defendem esta porcaria que aí está, um lembrete final: não adianta partirem para ofensas como forma de crítica. Nunca o melhor argumento é soterrado por dementes que, à falta de razões, apelam para baixaria e vulgaridade. Os que assim agem o fazem como forma de, à sua maneira, tentarem conduzir os que não comungam com suas aberrações, ao mesmo estado de desarranjo e delinqüência mental com que se portam. Aliás, a bem da verdade, diga-se que suas críticas só são pertinentes pela liberdades que lhes são consentidas num país livre, democrático, que vive e goza da plenitude de um estado de direito, situação esta que, nas sociedades das quais são defensores implacáveis, sequer é possível. Isto representa dizer que estes “socialistas de botequim” adoram usar a liberdade de expressão das sociedades “democráticas” para, vejam só, negar aos demais a mesma liberdade de expressão... Convenhamos, além da incoerência, carimbam-se como verdadeiros delinqüentes. E delinqüência aqui, em todos os sentidos que o termo possa abrigar... E então, poupem seus esforços: não há argumentos, não há “filosofias” ordinárias e medíocres que me façam abrir mão das minhas convicções de liberdade, democracia, alternância no poder, direito à livre manifestação de expressão e pensamento, estado de direito e Estado à serviço da Sociedade da qual emana. Aliás, e já que se fala em direitos e deveres naturais, é bom que se diga que Deus, que me concedeu a vida, também consentiu com o meu livre arbítrio, para fazer minhas próprias escolhas, para o bem ou para o mal. Portanto, não será a filosofia canalha do petê que me negará tal direito, nem tampouco renunciar a ele !!! A menos, é claro, que me apresentem procuração Divina específica firmada por Ele próprio, lavrada em cartório, com firma reconhecida por autenticidade, nunca por semelhança, e com poderes claros e insofismáveis de que Deus delegou ao petê tal poder. Até lá, por favor, não insistam com sua doutrinação indecente !!!