Por Adelson Elias Vasconcellos
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Começo a analisar o discurso de posse de Lula-2 e logo salta aos olhos algumas coisas que, num único artigo, não se pode resumir. Mas, para ser breve, diga-se que esta palhaçada que ele arrota de nascer pobre, viver pobre e humilde, é uma das maiores hipocrisias sentimentalóides de que se tem notícia. Pela simples razão de que a maioria para a qual ele fala (e que vota nele) desconhece a história de seu próprio país, quanto mais as biografias de seus ex-presidentes. Apenas para ficar num caso ao qual Lula adora comparar-se, Juscelino. Quem foi Juscelino quando menino ? A que família pertencia ? E como ele estudou, trabalhou e se formou ? Pela razão de que não era vagabundo e pinguço. Ah, a vida depois lhe sorriu e abriu-lhe caminhos ? Ótimo, mas não foi por obra e graça da "sorte", foi pelo empenho pessoal e legítimo de alguém que lutou, trabalhou, estudou e se sacrificou para chegar lá. Lei da meritocracia! Ao contrário, Lula jamais demonstrou esforço pessoal para elevar-se como cidadão. Conjugou uma série de fatores históricos, e sempre fez uso de seu analfabetismo e pobreza como instrumentos de chantagem emocional. Se alguém o afastava de algum círculo era por "preconceito". Se alguém não votasse nele, era por "preconceito". E, num país de analfabetos, esta fórmula dá certo justo por culpa desta ignorância que se incrustou na sociedade brasileira. E um certo preconceito enrustido, que acaba consentindo em dar asas aos anti-heróis! Num país moderno e decente, Lula não sairia dos sindicatos, onde nasceu, cresceu e enveredou para a política. Permaneceria neles e só. Triunfaria sim, mas se estudasse e trabalhasse para tanto.
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Aqui, isto serviu para que ele galgasse ascensão política. Na política, jamais estendeu a mão para construir um país melhor. Sempre foi contra tudo, sempre barrou e brecou toda e qualquer tentativa de reformar o país, permitindo seu progresso. Até nos momentos mais marcantes, após a democratização de 1985, Lula deu as costas e disse não: negou-se em assinar a constituição de 88 e disse não para Itamar quando este assumiu no lugar de Collor, e buscava a união nacional para vencer o momento difícil que se viveu naquele período. Sempre que alguém surgiu com projetos, mesmo sem conhecê-los posicionou-se contra. Nada do que os outros fizessem ou deixassem de fazer, recebia o devido e justo reconhecimento de Lula. Criticava, era contra, e dizia que ia dar errado. A lembrar, o próprio Plano Real, do qual Lula foi o beneficiado imediato. Assim, com um curriculum de nulidade, de negação a qualquer entendimento político e de montagem de um projeto de país, acabou eleito presidente. E sem fazer absoluta nada por merecer, foi reeleito em cima dos resultados do governante anterior, do qual ele não mudou uma vírgula. Raros homens públicos brasileiros, da nossa história recente, nasceram em berço de ouro ou vieram da classe média. Na sua grande maioria, todos nasceram pobres, porém, fruto de seu esforço pessoal, superaram barreiras e limitações e formaram-se em alguma profissão. Lula não. Portanto, a imagem do indivíduo é a face do homem político, que nada faz, vive a se esbaldar da obra alheia e pronta, pensa egoisticamente apenas em seu projeto pessoal de poder, e continua mentindo descaradamente para um público que não lê e não se informa. Lula nasceu pobre economicamente, mas se fez pobre espiritualmente por iniciativa própria. O pobrismo faz parte de sua formação, não porque lhe seja inerente, mas porque é sua opção pessoal, em razão da mediocridade de sua ideologia, de seu caráter. E no fundo disto tudo, é que encontraremos este ser negativo que contamina o país com seu pobrismo decadente e depravado.
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Extraio do discurso de Serra dois pontos que considero indispensáveis como os motes para a oposição valer-se e guiar-se daqui para frente: primeiro, “...aumentando o controle do Estado pelo Estado, e estimulando o controle do Estado pela sociedade, pelo povo.” Ou seja, Serra respeita o limite da democracia e do estado de direito. Aceita a oposição até porque a oposição será sempre desafiadora para o governo do momento, sua ação fiscalizadora, faz do governante um crítico de si mesmo em tempo integral. E mais: o limite do Estado acha-se encerrado em si mesmo, não pode o Estado ser fiscalizador da sociedade além do que esta sociedade lhe permite, legalmente., e por vontade soberana e livre da maioria que a compõem. Porque o Estado não faz a sociedade, ao contrário, é feito por ela, porém com o objetivo de servir a esta sociedade e trabalhar por sua construção, fortalecimento e progresso. Ou seja, quando o Estado passa a governar a sociedade, não lhe está dito que deva o Estado criar uma outra sociedade. Ele existe para a realização do projeto que esta sociedade tem para si mesma, e não ao contrário, como ocorre no Brasil. Em resumo: jamais o Estado poderá ser maior do que a sociedade da qual seu poder emana. Quando se chega a tal grau, perde-se a democracia, ganha-se um bela e forte ditadura.
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A segunda, “Meu governo vai procurar convencer, não cooptar. Vamos buscar a maioria para realizar um programa, não para viver o conforto de não ter adversários.”
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Definitivamente, trata-se da parte mais crítica do discurso de Serra. E está intrinsecamente amarrada à primeira frase. Ou seja, ao candidatar-se, Serra apresentou um projeto do que fará ou pretende fazer no governo. O povo disse “sim” ao seu projeto, porque é isto que o paulistano quer. Qualquer desvio de rota, significa quebrar o contrato que Serra celebrou com o eleitorado em outubro. Significa dizer que aqui é a sociedade dizendo ao Estado como quer ser governada e para onde quer e deseja ser conduzida. Quebrar esta linha, é, em termos definitivos, praticar um estelionato eleitoral. Ao contrário de Lula, que insiste em achar que o Estado pode dar a direção que bem entende para a sociedade. Quais as promessas do primeiro mandato de Lula, que não foram ética pública, fome zero e dez milhões de empregos ? Disto, o que foi feito ? Para a reeleição o que prometeu ? Crescimento, não um crescimento qualquer, mas um crescimento consistente e acelerado, vertiginoso ! E foi para isto que ele foi eleito, este é o projeto que a sociedade quer que ele cumpra. Porém, ele insiste em praticar seu estelionato eleitoral, em seguir caminho distinto daquele que a sociedade determinou para ele seguir.
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Daí, entre os discursos de Lula e de Serra, se estampa a face real da política brasileira de momento: de um lado, um presidente arrogante, autoritário que acha que a sociedade não pode nada, que o estado pode tudo, que confunde ética com programa de governo. Errado: ética, independe de cor partidária. Deve ser a marca de ser de uma sociedade que se deseja mais justa, mais solidária, mais moderna, mais civilizada. Programa de governo são realizações pontuais para um determinado momento, no sentido de atender prioridades reclamadas por uma sociedade. Mais: o mandato de Lula é um contrato que Lula firma com a sociedade para realizar aquilo que se comprometeu durante a campanha. Nada mais. Ninguém deu poder ao senhor Lula de fazer outra coisa. Qualquer coisa que tente fora do contrato, representa rompimento, estelionato eleitoral, e portanto, puro golpismo. Reinaldo Azevedo, em belo artigo na revista Veja já havia alertado para o fato de que urna não é tribunal. Se alguém, mesmo um presidente da república, quebrar as regras legais que disciplinam o país, deve ser julgado e, se condenado, pagar por seus erros e crimes. Furtar-se a isso negando o estado de direito é aplicar golpe à sociedade. E disto o discurso de Lula é demonstrativo de que, para ele, a pura distribuição de bolsa-família justifica os meios que se tenha usado ao longo do mandato de crimes e abusos. E o pior é ele insistir com este papo furado de que o “bem comum” é ética. Santo Deus: o bem comum, senhor Lula, o ponto de chegada. O caminho para se chegar até lá pode vir de diferentes direções, algumas éticas, outras não. Entendeu a diferença ou quer que desenhe?
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Deveria Lula preocupar-se mais com a responsabilidade pública de realizar no governo programas de desenvolvimento, e menos em querer dar definições de filosofia política, campo minado no qual ele não tem formação, nenhum conhecimento e competência, portanto, sem argumentos para enfrentar cinco minuto de debates com gente com muito melhor qualificação. Estar no governo não confere sabedoria a ninguém. Que o digam os Pinochet, Fidel, Stalin e Mao. Muito menos os torna mais éticos !
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E que Lula não tente enveredar pelo caminho nebuloso da pesquisa que aponta um brasileiro feliz e ele como o melhor de todos os tempos. Presidente é julgado pela história, e uma história vista com a devida distância do emocionalismo barato e ordinário de urnas recém fechadas. Aliás, será melhor a partir de realizações próprias, coisa que ainda estamos esperando acontecer.
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E mais: apresente Lula um projeto de governo e quais ações pretende implantar para a realização deste programa. Aqueles que concordarem com o dito programa, se aliam e seguem em frente. Os que se oporem, tratem de apresentar alternativas e mostrar as razões de sua discordância.
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E, para encerrar, é preciso desmistificar outra balela de Lula, a de que a oposição quer criar outro povo. Aqui temos justamente o contrário: a oposição queria o mesmo povo, porém, que este povo aprovasse seu projeto de governo liberal, moderno, progressista, democrático. Lula, que acusa a oposição, é que tenta fazer do povo brasileiro outro povo, a sua imagem e semelhança. Quer por que quer incutir que todos, além de serem iguais perante a lei, sejam iguais econômica, política e culturalmente. Isto é comunismo. E caolho, ainda por cima, por que? Porque composto de duas castas apenas: ou se tem o capital, com muita grana, mas muita grana mesmo, e aí se inclui inclusive a casta política dominante, e neste caso todos os privilégios são possíveis, ou se tem todo o resto, sem distinção de classes, ou sequer distinção de méritos, mas com o dever de servir aos primeiros. E digo caolho porque no original, a casta dominante era apenas a política, que tinha ascendência total sobre os meios de produção. Aqui como o Estado não conseguiria estatizar tudo, aceita-se “parcerias”. Para eles, o povo se situa apenas no “resto”. Ou seja, todos terão tudo o que todos têm, independente de merecerem ou não, de trabalharem ou serem vagabundos.
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Esta “igualdade” que Lula cita em seu discurso cretino, é aquela que substitui a ética, o estado direito, o mérito individual por uma mediocridade e um pobrismo coletivos. Claro que o coletivo aqui é no sentido de povo, mas lembrando que a casta dominante está acima deste pobre povo pobre. Ou seja, tudo aquilo que até hoje o povo brasileiro tem construído, e na qual se assenta toda a civilização cristã-ocidental, é renegada por Lula. Até porque Lula jamais foi um religioso praticante. Lula é um político com um visão perturbada e deturpada do mundo. Mas é um político. Um político com conceitos imbecis, bom de papo, e só. Na visão de Lula, usa-se qualquer coisa no discurso para encantar o público alvo. Mas o trabalho final não se distancia do objetivo de construção de um país comunista. Todos os grandes ditadores do mundo, todos os autoritários e caudilhos sul-americanos tinham um discurso encantador, falavam de liberdades, de progresso, de sociedades justas, de bem comum, etc. Mas todos jamais saíam deste discurso para a prática de governar. O povo permanecia inculto e mísero, com os lucros do trabalho escravo e servil, devidamente guarnecidos e repartidos pelo poder dominante. Em seus gabinetes, a voz corrente era sufocar adversários, eliminar opositores, implantar um regime único de exceção política e legal, e institucionalização de um povo controlado pelo Estado sem limites. Lula e o petê, não fogem disto. E mesmo que seu rebuscado discurso insinue caminhos diferentes, no fundo o que pregam, basta ler com atenção, é este Estado deprimente como controlador do povo limitado por um Estado com poder descontrolado. O Estado é que determina o que você pode ter, e não o desejo individual. Stalin e Mao Tse-Tung pregaram a mesma porcaria, e Fidel tenta lhes assemelhar. Esta visão idólatra de serem “pais dos pobres” é sua carteira de identidade, seu DNA cafajeste do qual exala este ranço ditatorial, autoritário. Não se conhece nenhum grande governante com características democráticas, que tenha enveredado suas ações de governo, para o caminho da idolatria de si mesmos. Às custas de muita publicidade bancada com verbas públicas.
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Daí, o que se deve ter em mente é que estas ações e intenções de Lula de abrir caminho para um terceiro e quarto mandatos (e não se enganem, o objetivo do segundo mandato não é o Brasil, é assegurar o terceiro mandato), é que vão pautar os próximos quatro anos. O que temo é que se comecem aplicar maquiagens às estatísticas oficiais (que aliás já vem acontecendo, mesmo que de maneira ainda tímida), para se criar o clima de que há um país crescendo muito. O que temo, e isto também já se observou no primeiro mandato, é a ação de se controlar o Poder Judiciário para “pautar” suas decisões. E para tanto, vai se aparelhar o Judiciário de companheiros fiéis à cartilha. E também o que ainda temo é um empobrecimento cada vez mais acentuado da atual classe média, nivelando sua renda ao mínimo. E o meu temor maior: é o que o tal FUNDEB, seja usado como cobertor para esconder o real sentido de se mudar o povo pela educação (e o primeiro mandato também já deu mostras deste caminho).
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Por tudo isso, o discurso de Serra vem como que tolher a ação nefasta que o petê tenta espalhar por todo o país. É bom saber que há vida inteligente além de Lula e seu governo medíocre e pobre. É bom saber que existe uma alternativa de vida feliz além da miséria e do pobrismo cafajeste com que Lula nos acena em seus discursos “filosofais” cheios de cretinices e chantagens sentimentalóides. Aliás, ser pobre e analfabeto na infância, nunca conferiu a ninguém atestado de competência e bons antecedentes. É bom, não, é ótimo sabermos que a civilização existe, a vida moderna e livre existe, mas elas estão além do petê e sua ideologia de “igualdades” sem méritos. Porque a verdade, senhores, é que apesar de sermos iguais em direitos e deveres naturais, podemos, mais ou menos, dependendo do esforço individual de cada um na sua própria construção. Cabresto ? Que os militantes petistas que aceitam o ordinário, a ignorância e a burrice se acalentem com isto, isto é lá com eles. Trata-se de uma opção pessoal que lhes cabe fazer ou não. Mas não lhes cabe impor aos demais. Não lhes cabe decidir por mim a vida que eu quero ter, a filosofia que entendo deva defender, nem tampouco escolherem por mim a condição econômica e grau de consciência. Minhas opiniões, minhas opções políticas, culturais e econômicas, são escolhas minhas das quais não abro mão. E, acredito, que grande parte do povo brasileiro também não está disposto a este sacrifício.
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O que se passa é que o discurso de Lula de campanha nunca foi sincero. Sempre escondeu suas reais intenções. Tal qual se dá neste momento: não apresentou nada de projetos e programas de governo. Mas quer de todos uma “coalizão” sem opositores, sem limites. Se o mensalão antes era partidário, agora, e já se vê, ele será “federalizado”. Os estados e municípios receberão seu quinhão na medida em que declararem suas opções. Só apoio incondicional nas votações daquilo que, sequer se sabe o que será, garantirá subsistência para estados e municípios dependentes de verbas federais. O caixa 2 do mensalão do segundo mandato será o Orçamento Federal e os cargos espalhados nos primeiros, segundos e terceiros escalões. Quanto maior a verba a administrar, maior o preço a pagar. Nunca a política do é dando que se recebe será tão verdadeira como filosofia nas relações institucionais como a que será empregada por Lula doravante. E são justamente estes projetos que não se vê a temeridade maior, porque ocultos. E se estão ocultos, não são divulgados para a sociedade com transparência que deveriam, é porque de fato são contrários ao interesse desta sociedade. Então, palmas para Serra, pela coragem de marcar sua posição como “oposição”. O Brasil livre e democrático agradece.
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E para aqueles que defendem esta porcaria que aí está, um lembrete final: não adianta partirem para ofensas como forma de crítica. Nunca o melhor argumento é soterrado por dementes que, à falta de razões, apelam para baixaria e vulgaridade. Os que assim agem o fazem como forma de, à sua maneira, tentarem conduzir os que não comungam com suas aberrações, ao mesmo estado de desarranjo e delinqüência mental com que se portam. Aliás, a bem da verdade, diga-se que suas críticas só são pertinentes pela liberdades que lhes são consentidas num país livre, democrático, que vive e goza da plenitude de um estado de direito, situação esta que, nas sociedades das quais são defensores implacáveis, sequer é possível. Isto representa dizer que estes “socialistas de botequim” adoram usar a liberdade de expressão das sociedades “democráticas” para, vejam só, negar aos demais a mesma liberdade de expressão... Convenhamos, além da incoerência, carimbam-se como verdadeiros delinqüentes. E delinqüência aqui, em todos os sentidos que o termo possa abrigar... E então, poupem seus esforços: não há argumentos, não há “filosofias” ordinárias e medíocres que me façam abrir mão das minhas convicções de liberdade, democracia, alternância no poder, direito à livre manifestação de expressão e pensamento, estado de direito e Estado à serviço da Sociedade da qual emana. Aliás, e já que se fala em direitos e deveres naturais, é bom que se diga que Deus, que me concedeu a vida, também consentiu com o meu livre arbítrio, para fazer minhas próprias escolhas, para o bem ou para o mal. Portanto, não será a filosofia canalha do petê que me negará tal direito, nem tampouco renunciar a ele !!! A menos, é claro, que me apresentem procuração Divina específica firmada por Ele próprio, lavrada em cartório, com firma reconhecida por autenticidade, nunca por semelhança, e com poderes claros e insofismáveis de que Deus delegou ao petê tal poder. Até lá, por favor, não insistam com sua doutrinação indecente !!!
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Começo a analisar o discurso de posse de Lula-2 e logo salta aos olhos algumas coisas que, num único artigo, não se pode resumir. Mas, para ser breve, diga-se que esta palhaçada que ele arrota de nascer pobre, viver pobre e humilde, é uma das maiores hipocrisias sentimentalóides de que se tem notícia. Pela simples razão de que a maioria para a qual ele fala (e que vota nele) desconhece a história de seu próprio país, quanto mais as biografias de seus ex-presidentes. Apenas para ficar num caso ao qual Lula adora comparar-se, Juscelino. Quem foi Juscelino quando menino ? A que família pertencia ? E como ele estudou, trabalhou e se formou ? Pela razão de que não era vagabundo e pinguço. Ah, a vida depois lhe sorriu e abriu-lhe caminhos ? Ótimo, mas não foi por obra e graça da "sorte", foi pelo empenho pessoal e legítimo de alguém que lutou, trabalhou, estudou e se sacrificou para chegar lá. Lei da meritocracia! Ao contrário, Lula jamais demonstrou esforço pessoal para elevar-se como cidadão. Conjugou uma série de fatores históricos, e sempre fez uso de seu analfabetismo e pobreza como instrumentos de chantagem emocional. Se alguém o afastava de algum círculo era por "preconceito". Se alguém não votasse nele, era por "preconceito". E, num país de analfabetos, esta fórmula dá certo justo por culpa desta ignorância que se incrustou na sociedade brasileira. E um certo preconceito enrustido, que acaba consentindo em dar asas aos anti-heróis! Num país moderno e decente, Lula não sairia dos sindicatos, onde nasceu, cresceu e enveredou para a política. Permaneceria neles e só. Triunfaria sim, mas se estudasse e trabalhasse para tanto.
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Aqui, isto serviu para que ele galgasse ascensão política. Na política, jamais estendeu a mão para construir um país melhor. Sempre foi contra tudo, sempre barrou e brecou toda e qualquer tentativa de reformar o país, permitindo seu progresso. Até nos momentos mais marcantes, após a democratização de 1985, Lula deu as costas e disse não: negou-se em assinar a constituição de 88 e disse não para Itamar quando este assumiu no lugar de Collor, e buscava a união nacional para vencer o momento difícil que se viveu naquele período. Sempre que alguém surgiu com projetos, mesmo sem conhecê-los posicionou-se contra. Nada do que os outros fizessem ou deixassem de fazer, recebia o devido e justo reconhecimento de Lula. Criticava, era contra, e dizia que ia dar errado. A lembrar, o próprio Plano Real, do qual Lula foi o beneficiado imediato. Assim, com um curriculum de nulidade, de negação a qualquer entendimento político e de montagem de um projeto de país, acabou eleito presidente. E sem fazer absoluta nada por merecer, foi reeleito em cima dos resultados do governante anterior, do qual ele não mudou uma vírgula. Raros homens públicos brasileiros, da nossa história recente, nasceram em berço de ouro ou vieram da classe média. Na sua grande maioria, todos nasceram pobres, porém, fruto de seu esforço pessoal, superaram barreiras e limitações e formaram-se em alguma profissão. Lula não. Portanto, a imagem do indivíduo é a face do homem político, que nada faz, vive a se esbaldar da obra alheia e pronta, pensa egoisticamente apenas em seu projeto pessoal de poder, e continua mentindo descaradamente para um público que não lê e não se informa. Lula nasceu pobre economicamente, mas se fez pobre espiritualmente por iniciativa própria. O pobrismo faz parte de sua formação, não porque lhe seja inerente, mas porque é sua opção pessoal, em razão da mediocridade de sua ideologia, de seu caráter. E no fundo disto tudo, é que encontraremos este ser negativo que contamina o país com seu pobrismo decadente e depravado.
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Extraio do discurso de Serra dois pontos que considero indispensáveis como os motes para a oposição valer-se e guiar-se daqui para frente: primeiro, “...aumentando o controle do Estado pelo Estado, e estimulando o controle do Estado pela sociedade, pelo povo.” Ou seja, Serra respeita o limite da democracia e do estado de direito. Aceita a oposição até porque a oposição será sempre desafiadora para o governo do momento, sua ação fiscalizadora, faz do governante um crítico de si mesmo em tempo integral. E mais: o limite do Estado acha-se encerrado em si mesmo, não pode o Estado ser fiscalizador da sociedade além do que esta sociedade lhe permite, legalmente., e por vontade soberana e livre da maioria que a compõem. Porque o Estado não faz a sociedade, ao contrário, é feito por ela, porém com o objetivo de servir a esta sociedade e trabalhar por sua construção, fortalecimento e progresso. Ou seja, quando o Estado passa a governar a sociedade, não lhe está dito que deva o Estado criar uma outra sociedade. Ele existe para a realização do projeto que esta sociedade tem para si mesma, e não ao contrário, como ocorre no Brasil. Em resumo: jamais o Estado poderá ser maior do que a sociedade da qual seu poder emana. Quando se chega a tal grau, perde-se a democracia, ganha-se um bela e forte ditadura.
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A segunda, “Meu governo vai procurar convencer, não cooptar. Vamos buscar a maioria para realizar um programa, não para viver o conforto de não ter adversários.”
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Definitivamente, trata-se da parte mais crítica do discurso de Serra. E está intrinsecamente amarrada à primeira frase. Ou seja, ao candidatar-se, Serra apresentou um projeto do que fará ou pretende fazer no governo. O povo disse “sim” ao seu projeto, porque é isto que o paulistano quer. Qualquer desvio de rota, significa quebrar o contrato que Serra celebrou com o eleitorado em outubro. Significa dizer que aqui é a sociedade dizendo ao Estado como quer ser governada e para onde quer e deseja ser conduzida. Quebrar esta linha, é, em termos definitivos, praticar um estelionato eleitoral. Ao contrário de Lula, que insiste em achar que o Estado pode dar a direção que bem entende para a sociedade. Quais as promessas do primeiro mandato de Lula, que não foram ética pública, fome zero e dez milhões de empregos ? Disto, o que foi feito ? Para a reeleição o que prometeu ? Crescimento, não um crescimento qualquer, mas um crescimento consistente e acelerado, vertiginoso ! E foi para isto que ele foi eleito, este é o projeto que a sociedade quer que ele cumpra. Porém, ele insiste em praticar seu estelionato eleitoral, em seguir caminho distinto daquele que a sociedade determinou para ele seguir.
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Daí, entre os discursos de Lula e de Serra, se estampa a face real da política brasileira de momento: de um lado, um presidente arrogante, autoritário que acha que a sociedade não pode nada, que o estado pode tudo, que confunde ética com programa de governo. Errado: ética, independe de cor partidária. Deve ser a marca de ser de uma sociedade que se deseja mais justa, mais solidária, mais moderna, mais civilizada. Programa de governo são realizações pontuais para um determinado momento, no sentido de atender prioridades reclamadas por uma sociedade. Mais: o mandato de Lula é um contrato que Lula firma com a sociedade para realizar aquilo que se comprometeu durante a campanha. Nada mais. Ninguém deu poder ao senhor Lula de fazer outra coisa. Qualquer coisa que tente fora do contrato, representa rompimento, estelionato eleitoral, e portanto, puro golpismo. Reinaldo Azevedo, em belo artigo na revista Veja já havia alertado para o fato de que urna não é tribunal. Se alguém, mesmo um presidente da república, quebrar as regras legais que disciplinam o país, deve ser julgado e, se condenado, pagar por seus erros e crimes. Furtar-se a isso negando o estado de direito é aplicar golpe à sociedade. E disto o discurso de Lula é demonstrativo de que, para ele, a pura distribuição de bolsa-família justifica os meios que se tenha usado ao longo do mandato de crimes e abusos. E o pior é ele insistir com este papo furado de que o “bem comum” é ética. Santo Deus: o bem comum, senhor Lula, o ponto de chegada. O caminho para se chegar até lá pode vir de diferentes direções, algumas éticas, outras não. Entendeu a diferença ou quer que desenhe?
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Deveria Lula preocupar-se mais com a responsabilidade pública de realizar no governo programas de desenvolvimento, e menos em querer dar definições de filosofia política, campo minado no qual ele não tem formação, nenhum conhecimento e competência, portanto, sem argumentos para enfrentar cinco minuto de debates com gente com muito melhor qualificação. Estar no governo não confere sabedoria a ninguém. Que o digam os Pinochet, Fidel, Stalin e Mao. Muito menos os torna mais éticos !
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E que Lula não tente enveredar pelo caminho nebuloso da pesquisa que aponta um brasileiro feliz e ele como o melhor de todos os tempos. Presidente é julgado pela história, e uma história vista com a devida distância do emocionalismo barato e ordinário de urnas recém fechadas. Aliás, será melhor a partir de realizações próprias, coisa que ainda estamos esperando acontecer.
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E mais: apresente Lula um projeto de governo e quais ações pretende implantar para a realização deste programa. Aqueles que concordarem com o dito programa, se aliam e seguem em frente. Os que se oporem, tratem de apresentar alternativas e mostrar as razões de sua discordância.
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E, para encerrar, é preciso desmistificar outra balela de Lula, a de que a oposição quer criar outro povo. Aqui temos justamente o contrário: a oposição queria o mesmo povo, porém, que este povo aprovasse seu projeto de governo liberal, moderno, progressista, democrático. Lula, que acusa a oposição, é que tenta fazer do povo brasileiro outro povo, a sua imagem e semelhança. Quer por que quer incutir que todos, além de serem iguais perante a lei, sejam iguais econômica, política e culturalmente. Isto é comunismo. E caolho, ainda por cima, por que? Porque composto de duas castas apenas: ou se tem o capital, com muita grana, mas muita grana mesmo, e aí se inclui inclusive a casta política dominante, e neste caso todos os privilégios são possíveis, ou se tem todo o resto, sem distinção de classes, ou sequer distinção de méritos, mas com o dever de servir aos primeiros. E digo caolho porque no original, a casta dominante era apenas a política, que tinha ascendência total sobre os meios de produção. Aqui como o Estado não conseguiria estatizar tudo, aceita-se “parcerias”. Para eles, o povo se situa apenas no “resto”. Ou seja, todos terão tudo o que todos têm, independente de merecerem ou não, de trabalharem ou serem vagabundos.
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Esta “igualdade” que Lula cita em seu discurso cretino, é aquela que substitui a ética, o estado direito, o mérito individual por uma mediocridade e um pobrismo coletivos. Claro que o coletivo aqui é no sentido de povo, mas lembrando que a casta dominante está acima deste pobre povo pobre. Ou seja, tudo aquilo que até hoje o povo brasileiro tem construído, e na qual se assenta toda a civilização cristã-ocidental, é renegada por Lula. Até porque Lula jamais foi um religioso praticante. Lula é um político com um visão perturbada e deturpada do mundo. Mas é um político. Um político com conceitos imbecis, bom de papo, e só. Na visão de Lula, usa-se qualquer coisa no discurso para encantar o público alvo. Mas o trabalho final não se distancia do objetivo de construção de um país comunista. Todos os grandes ditadores do mundo, todos os autoritários e caudilhos sul-americanos tinham um discurso encantador, falavam de liberdades, de progresso, de sociedades justas, de bem comum, etc. Mas todos jamais saíam deste discurso para a prática de governar. O povo permanecia inculto e mísero, com os lucros do trabalho escravo e servil, devidamente guarnecidos e repartidos pelo poder dominante. Em seus gabinetes, a voz corrente era sufocar adversários, eliminar opositores, implantar um regime único de exceção política e legal, e institucionalização de um povo controlado pelo Estado sem limites. Lula e o petê, não fogem disto. E mesmo que seu rebuscado discurso insinue caminhos diferentes, no fundo o que pregam, basta ler com atenção, é este Estado deprimente como controlador do povo limitado por um Estado com poder descontrolado. O Estado é que determina o que você pode ter, e não o desejo individual. Stalin e Mao Tse-Tung pregaram a mesma porcaria, e Fidel tenta lhes assemelhar. Esta visão idólatra de serem “pais dos pobres” é sua carteira de identidade, seu DNA cafajeste do qual exala este ranço ditatorial, autoritário. Não se conhece nenhum grande governante com características democráticas, que tenha enveredado suas ações de governo, para o caminho da idolatria de si mesmos. Às custas de muita publicidade bancada com verbas públicas.
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Daí, o que se deve ter em mente é que estas ações e intenções de Lula de abrir caminho para um terceiro e quarto mandatos (e não se enganem, o objetivo do segundo mandato não é o Brasil, é assegurar o terceiro mandato), é que vão pautar os próximos quatro anos. O que temo é que se comecem aplicar maquiagens às estatísticas oficiais (que aliás já vem acontecendo, mesmo que de maneira ainda tímida), para se criar o clima de que há um país crescendo muito. O que temo, e isto também já se observou no primeiro mandato, é a ação de se controlar o Poder Judiciário para “pautar” suas decisões. E para tanto, vai se aparelhar o Judiciário de companheiros fiéis à cartilha. E também o que ainda temo é um empobrecimento cada vez mais acentuado da atual classe média, nivelando sua renda ao mínimo. E o meu temor maior: é o que o tal FUNDEB, seja usado como cobertor para esconder o real sentido de se mudar o povo pela educação (e o primeiro mandato também já deu mostras deste caminho).
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Por tudo isso, o discurso de Serra vem como que tolher a ação nefasta que o petê tenta espalhar por todo o país. É bom saber que há vida inteligente além de Lula e seu governo medíocre e pobre. É bom saber que existe uma alternativa de vida feliz além da miséria e do pobrismo cafajeste com que Lula nos acena em seus discursos “filosofais” cheios de cretinices e chantagens sentimentalóides. Aliás, ser pobre e analfabeto na infância, nunca conferiu a ninguém atestado de competência e bons antecedentes. É bom, não, é ótimo sabermos que a civilização existe, a vida moderna e livre existe, mas elas estão além do petê e sua ideologia de “igualdades” sem méritos. Porque a verdade, senhores, é que apesar de sermos iguais em direitos e deveres naturais, podemos, mais ou menos, dependendo do esforço individual de cada um na sua própria construção. Cabresto ? Que os militantes petistas que aceitam o ordinário, a ignorância e a burrice se acalentem com isto, isto é lá com eles. Trata-se de uma opção pessoal que lhes cabe fazer ou não. Mas não lhes cabe impor aos demais. Não lhes cabe decidir por mim a vida que eu quero ter, a filosofia que entendo deva defender, nem tampouco escolherem por mim a condição econômica e grau de consciência. Minhas opiniões, minhas opções políticas, culturais e econômicas, são escolhas minhas das quais não abro mão. E, acredito, que grande parte do povo brasileiro também não está disposto a este sacrifício.
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O que se passa é que o discurso de Lula de campanha nunca foi sincero. Sempre escondeu suas reais intenções. Tal qual se dá neste momento: não apresentou nada de projetos e programas de governo. Mas quer de todos uma “coalizão” sem opositores, sem limites. Se o mensalão antes era partidário, agora, e já se vê, ele será “federalizado”. Os estados e municípios receberão seu quinhão na medida em que declararem suas opções. Só apoio incondicional nas votações daquilo que, sequer se sabe o que será, garantirá subsistência para estados e municípios dependentes de verbas federais. O caixa 2 do mensalão do segundo mandato será o Orçamento Federal e os cargos espalhados nos primeiros, segundos e terceiros escalões. Quanto maior a verba a administrar, maior o preço a pagar. Nunca a política do é dando que se recebe será tão verdadeira como filosofia nas relações institucionais como a que será empregada por Lula doravante. E são justamente estes projetos que não se vê a temeridade maior, porque ocultos. E se estão ocultos, não são divulgados para a sociedade com transparência que deveriam, é porque de fato são contrários ao interesse desta sociedade. Então, palmas para Serra, pela coragem de marcar sua posição como “oposição”. O Brasil livre e democrático agradece.
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E para aqueles que defendem esta porcaria que aí está, um lembrete final: não adianta partirem para ofensas como forma de crítica. Nunca o melhor argumento é soterrado por dementes que, à falta de razões, apelam para baixaria e vulgaridade. Os que assim agem o fazem como forma de, à sua maneira, tentarem conduzir os que não comungam com suas aberrações, ao mesmo estado de desarranjo e delinqüência mental com que se portam. Aliás, a bem da verdade, diga-se que suas críticas só são pertinentes pela liberdades que lhes são consentidas num país livre, democrático, que vive e goza da plenitude de um estado de direito, situação esta que, nas sociedades das quais são defensores implacáveis, sequer é possível. Isto representa dizer que estes “socialistas de botequim” adoram usar a liberdade de expressão das sociedades “democráticas” para, vejam só, negar aos demais a mesma liberdade de expressão... Convenhamos, além da incoerência, carimbam-se como verdadeiros delinqüentes. E delinqüência aqui, em todos os sentidos que o termo possa abrigar... E então, poupem seus esforços: não há argumentos, não há “filosofias” ordinárias e medíocres que me façam abrir mão das minhas convicções de liberdade, democracia, alternância no poder, direito à livre manifestação de expressão e pensamento, estado de direito e Estado à serviço da Sociedade da qual emana. Aliás, e já que se fala em direitos e deveres naturais, é bom que se diga que Deus, que me concedeu a vida, também consentiu com o meu livre arbítrio, para fazer minhas próprias escolhas, para o bem ou para o mal. Portanto, não será a filosofia canalha do petê que me negará tal direito, nem tampouco renunciar a ele !!! A menos, é claro, que me apresentem procuração Divina específica firmada por Ele próprio, lavrada em cartório, com firma reconhecida por autenticidade, nunca por semelhança, e com poderes claros e insofismáveis de que Deus delegou ao petê tal poder. Até lá, por favor, não insistam com sua doutrinação indecente !!!