terça-feira, maio 13, 2008

Novo pacote, com embalagem nova, mas com cheiro de velho

Adelson Elias Vasconcellos

O governo em novo evento espetaculoso, anunciou um novo plano, desta vez na área industrial, onde teve de tudo, muito discurso, muito barulho, mas de concreto mesmo, acredito que faltou muito para que o país fosse brindado com uma real Política Industrial, capaz de alavancar um novo ciclo de robusto desenvolvimento. Acredito até, comparativamente a 2004, quando também o mesmo governo anunciou entre discursos e promessas outro programa semelhante, que o pacotinho de hoje possa ter maior consistência, pelo menos nos números anunciados e nas metas prometidas. Como ainda faltam detalhes de como vão ser postas em prática as medidas anunciadas, o melhor a fazer é esperar para ver o que se esconde no pacotinho de hoje.

Não apenas Lula, mas regra geral todos os presidentes adoram protagonizar eventos “especiais” para anunciarem a palavra mágica do “agora vai”. Passado algum tempo, e diante dos parcos e magros resultados obtidos, arruma-se outro “assunto” e joga-se no caldeirão novos embrulhos que tornam o Brasil o eterno país do futuro.

Sinceramente, torço para que, desta vez, se os resultados não forem exatamente aqueles que o governo anuncia sob intenso festival de rojões, que pelo menos avancemos mais porque o que não faltam ao país são empresários arrojados e iniciativa empreendedora, além, é claro, abundância de riquezas e recursos para que nos tornemos uma potência de primeira linha.

Mas, se uma análise mais aprofundada ainda é prematura de ser feita, ao menos é possível concluir alguns aspectos que o anúncio das medidas não alterará. Uma delas é o desenho de uma política setorial. Sei não, acho que esta moeda já está um pouco gasta. Pode até fazer barulho e tal, dar IBOPE nos palanques, mas acredito que a tal desoneração de 21 bilhões não destrava nosso crescimento industrial.

Primeiro, é preciso saber que a motivação do pacote é a rápida deterioração das contas externas do Brasil. E este problema só não é maior em razão do alto preço das comodities no mercado internacional, sendo o Brasil o principal e grande exportador da sua grande maioria. O alvo, logo se vê, não é atrair investimentos de fora para dentro, e sim produzir riquezas ou bens que privilegiem a exportação. Claro que o mercado interno acaba sendo afetado positivamente se o plano produzir os resultados que o governo projetou. Mas, creio que, para tanto, seriam necessários investimentos públicos e reformas sobre as quais o governo Lula tem patinado.

Observem: a desoneração de R$ 21 bilhões anunciada pelo governo só poderá ser atendida se, das duas uma, ou o governo reduzir e muito os seus gastos, o que não parece estar previsto, ou acabar onerando em outras atividades o volume da sua renúncia fiscal. Sendo assim, se de um lado ele privilegia um punhado de setores, deverá provocar a sangria nos demais. É justo ?

Além disto, é preciso ver que, para que nossas exportações possam competir de forma positiva no mercado internacional, as empresas precisam, de um lado, aumentar sua produtividade, buscando produzir mais com menos. E, de outro lado, elas precisam ser beneficiadas com custos menores no plano da infra-estrutura e no peso dos impostos. Nunca esquecendo, é claro, os juros internos praticados. Ora, no anúncio o governo prometeu que, neste jogo, entraria dinheiro novo, seja do BNDES ou dos investimentos da Petrobrás (de novo?). Qual a mágica, se os orçamentos tanto de um quanto de outro já seriam atendidos com ou sem a tal política industrial ? Basta que lembremos do PAC. O truque foi o mesmo, apanhou-se orçamentos já existentes, para obras já previstas, deu-se um lustro e aprumada no embrulho, e se jogou na praça como “algo novo”.

De qualquer modo, e retornaremos a este assunto tão logo o governo anuncie as medidas a serem tomadas para atender ao plano anunciado, e porque deseje, particularmente, que tudo dê certo, mantenho certa reserva em relação a esta “política industrial”.

Até porque cito quatro exemplos suficientes para demonstrar que não se pode conceder cem por cento de crédito em planos anunciados pelo governo Lula.

O primeiro seria na área de segurança. Em cinco anos tivemos quatro “grandes” planos anunciados pelo governo e, ao que se saiba, à exceção de São Paulo, no restante do país a criminalidade continua em sua linha ascendente. A lembrar, em 2003, previa-se a construção de cinco presídios de segurança máxima. Por enquanto, concluído e funcionando, temos um apenas, e assim mesmo, com capacidade ociosa.

Um segundo exemplo citamos as tais PPPs, Parcerias Público-Privadas, anunciadas em grande estilo. Do que foi feito ? Sabe-se que funcionando temos uma, e assim mesmo de cunho estadual, e não federal. Fiasco total. Não que a idéia não fosse boa. Era. Porém seu sucesso dependia, fundamentalmente, de regulação, e o governo não teve capacidade para assegurar aos investidores privados o necessário retorno para que a idéia vingasse.

Terceiro exemplo podemos apontar as recentes medidas favorecendo, novamente, os exportadores, em que desonerou IOF, em que se começou a tributar mesmo que timidamente, o capital especulativo e em que se permitiu que os exportadores mantivesse lá fora 100% de sua receita em dólar. Na época dissemos: não vai resultar em nada. Tanto que o alerta estava correto que o quadro não se alterou mesmo. E ficou pior quando, semanas depois, o Banco Central elevou os juros internos anulando a maioria das medidas anunciadas.

E, por fim, apesar dos anúncios bombásticos que Lula tem feito pelo país afora sobre as maravilhas do PAC, este não sai do lugar. É muito anúncio e assinatura de protocolos, e pífio investimento real, praticamente em níveis menores do que os que eram feitos anteriores ao anúncio do PAC.

Volte a reafirmar: torço, sinceramente, para que este “plano” dê certo. Mas tenho minhas dúvidas, uma vez que, uma real política industrial deveria privilegiar toda a cadeia produtiva, e não apenas setores específicos como agora se está fazendo. Deveria ainda tal política ser precedida por maciços investimentos em infra-estrutura, desburocratização intensa, redução generalizada de carga tributária, além de uma brutal racionalização de gastos públicos. E tudo isto para permitir espaço a brutal redução de juros. Tudo embalado por segurança jurídica indispensável, devidamente estruturada em maciços investimentos em educação. Sem estes quesitos, todo e qualquer plano é temerário. A opção por conceder incentivos à exportação, e mesmo assim de forma parcial, sem mexer nos gargalos que atravancam nosso crescimento, considerando-se ainda os atuais tempos de incertezas, é sem dúvida uma aposta tremendamente arriscada. Acredito que este plano deva estar chegando com uns três ou quatro anos de atraso. As condições que vivemos no período 2004 a 2006, não estão mais presentes no cenário externo. Sendo assim, entendo que o espetáculo de ontem, continua dentro da máxima do governo Lula: muita pompa e majestade, muito discurso e muito rojão, para resultados pequenos demais. Se for para atingir as metas anunciadas, a sensação é de que faltou anunciar e avançar muito mais.

E se o passado nos pode ensinar alguma coisa convém lembrar que, no período da ditadura militar, também tivemos políticas semelhantes, de cunho setorial e o resultado foi uma brutal concentração de renda em uns poucos setores que, mais adiante, em condições iguais de competição, acabaram naufragando em crises imensas. Melhor fariam nossos “pensadores” do Poder Público se buscassem criar novas políticas calcadas na realidade atual e na projeção das condições futuras dos mercados, e não apenas desencavar velhas fórmulas que, já a seu tempo, apesar dos resultados imediatos terem sido positivos, no médio e longo prazo se mostraram inadequados. Está na hora de Lula, principalmente, mirar muito mais no mundo do século 21, do que ficar eternamente encantado com os anos 70. Saudosismo é para museu, não para um país com as necessidades atuais que o Brasil enfrenta.

Inovação e tecnologia já foram alvo de outros planos

Jornal do Brasil

A primeira proposta de política industrial lançada pelo Governo Lula foi em 2004. Em março daquele ano foi lançada a política industrial, de comércio exterior, inovação e desenvolvimento tecnológico para gerar qualidade na estrutura produtiva e competir nos mercados internacionais. Foram beneficiados os setores de inovação e desenvolvimento tecnológico; inserção externa e modernização industrial; capacidade e escala produtiva. As opções estratégicas dessa política incluíram semicondutores, softwares, fármacos, medicamentos e bens de capital.

Na ocasião, houve ainda redução de juros. A alíquota do IPI para bens de capital caiu de 5% para 2%, com previsão de ser zerada em 2006, por exemplo.

Na ocasião, foi lançado também o Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI), composto por representantes de empresários e trabalhadores, e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.

Lei de Informática
Ainda, em 2004, foi criada a Lei de Informática (nº 11.077, de 30/12/2004), regulamentada pelo Decreto 5.906/2006, que prorroga até 2019 os incentivos fiscais para o setor. Receberiam incentivos fiscais as empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de informática e automação que investirem em atividades de P&D em tecnologia da informação no País. Entre os benefícios, a medida contemplava a isenção do IPI até 2014, para empresas localizadas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e para as demais regiões uma redução de 95% do IPI.

Em 2005, o Governo Federal havia criado a Lei do Bem (nº. 11.196 de 21/11/05), conhecida como MP 258 ou MP do Bem.

Com objetivo de incentivar as atividades exportadoras através de isenção tributária, a lei prevê benefícios fiscais para exportadores, vendedores de imóveis, compradores de micros, municípios, produtores de leite, micro e pequenas empresas.

Uma outra foi a Lei de Biossegurança (nº 11.105 de 23/11/2005) criada para viabilizar a pesquisa com organismos geneticamente modificados e com as chamadas células-tronco.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A seguir, o comentário do Carlos Sardenberg, para o Portal G1, sobre o “novo” pacote:

Muito barulho
Se o Brasil crescer 4,5% neste ano, o PIB chegará a R$ 2,7 trilhões. Se o governo pretende que se eleve o nível de investimentos no país de 17,6% para 21% até 2011, então serão necessários 0,85% ao ano de dinheiro novo, do governo e do setor privado, aplicado em capital fixo (de fábricas a casas e estradas). Em dinheiro de hoje, isso significa cerca de R$ 23 bilhões adicionais ao ano, além dos investimentos que já seriam feitos.

Para se comparar: a renúncia fiscal, isto é, o dinheiro que o governo vai deixar de arrecadar, soma R$ 21 bilhões . . . em quatro anos.

Isso se sair toda a renúncia, se os empresários conseguirem superar os trâmites da Receita para receber. É muito barulho do governo para pouco dinheiro.

Quanto valem os impostos que o governo vai devolver?
Esses R$ 21,4 bilhões que o governo federal vai entregar às indústrias – na forma de renúncia fiscal – formam muito ou pouco dinheiro?

Parece bastante: equivalem a 0,85% do PIB do ano passado, que chegou a cerca de R$ 2,5 trilhões. Mas é preciso dividir por quatro anos, pois o programa do governo vai até 2011. Logo, trata-se de 0,21% ao ano – e aí já não é tanta coisa, sobretudo quando se considera que a carga tributária média neste ano estará em torno dos 38% do PIB. Como a carga tem subido todos os anos, verifica-se que o governo vai renunciar a uma parte do ganho anual.

Mas é bom de todo modo. No que se refere a investimentos, é melhor que o dinheiro, qualquer dinheiro, esteja nas mãos dos empresários (ou dos consumidores) do que nas do governo.

Conheça as medidas da Política de Desenvolvimento Produtivo

Globo Online

O governo lançou hoje um pacote que para impulsionar a indústria exportadora brasileira. Veja abaixo alguma das medidas

Software e tecnologia
- Redução da contribuição patronal para a seguridade social sobre a folha de pagamento de 20% para até 10% e da contribuição para o Sistema S para até zero, de acordo com a participação das exportações no faturamento da empresas; - Dedução em dobro, para determinação da base do cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido das despesas com programas acelerados de capacitação de pessoal;

- Permissão para que as empresas de informática e automação possam deduzir da base de cálculo do IR e da CSLL os dispêndios relativos a pesquisa e desenvolvimento multiplicados por um fator de até 1,8;

- Novo Prosoft: 1 bilhão de reais entre 2007 e 2010.

Indústria naval
- Receberá investimento inicial de R$ 400 milhões

- O dinheiro será destinado a um fundo garantidor de performance.

- Haverá a suspensão da cobrança de IPI/PIS/CONFINS incidentes sobre peças e materiais destinados a construção de navios por estaleiros nacionais

- Também será ampliada a suspensão da cobrança de PIS/Cofins na aquisição de combustíveis para a navegação de longo curso. Hoje, só recebe esse benefício a navegação de cabotagem.

- A Petrobras vai lançar uma licitação para a construção de 146 embarcações de apoio às operações da estatal. Deste total, 24 já vão a mercado para licitação imediata.

Estímulo ao investimento:
- Eliminação da incidência do IOF de 0,38% nas operações de crédito do BNDES, Finame e Finep;

- Redução do IPI para uma lista de setores a ser divulgada.

- Redução de prazo de apropriação de créditos de PIS e COFINS derivados da aquisição de bens de capital de 24 para 12 meses, ou seja, quem investe em máquinas poderá abater a depreciação do bem nas dívidas do PIS Cofins num prazo mais curto

- Prorrogação, até 2010, do previsto pela Lei 11.051/2004, que reduz de forma acelerada em 50% do prazo de crédito de 25% do valor anual da depreciação que pode ser abatido da CSLL. A medida que beneficia empresas que investirem em máquinas e equipamentos a abaterem o valor da depreciação dos bens dos valores devidos de CSLL. O prazo para usar o abatimento terminaria este ano e foi estendido até 2010

Financiamento de renda variável
- Ampliação do funding do BNDES: previsão de desembolso total projetado para indústria e serviços entre 2008 e 2010 de R$ 210,4 bilhões (capacidade produtiva, inovação e modernização), dividido em de R$ 62,5 bilhões este ano, R$ 70,2 bilhões em 2009 e R$ 77,7 bilhões em 2010;

- Redução de 20% no spread básico do conjunto de linhas de financiamento do BNDES, de 1,4% para 1,1% ao ano;

- Redução de 40% do spread básico de 1,5% ao ano para 0,9% ao ano; duplicação do prazo para a indústria no produto Finame, de 5 para 10 anos;

- Cobrança de 100 por cento da TJLP (hoje 6,25 por cento ao ano);

- Redução da taxa de intermediação de 0,8% para 0,5%.

Inovação
- Criação de uma linha de capital inovador de R$ 6 bilhões entre 2008 e 2010 que cobra apenas a TJLP;

- Apoio e esforços inovativos das empresas, principalmente capacitação, ativos intangíveis, engenharia;

- Nova linha inovação tecnológica: apoio a projetos de pesquisa desenvolvimento e inovação, com taxa de 4,5% por cento;

- Fundo Tecnológico terá, em 2008, foco em saúde, energias renováveis e redução de emissões;

- Finep - financiamento de R$ 740 milhões em 2008; subvenção econômica à inovação de R$ 325 milhões;

- Criação de um Fundo Soberano.

A sorte está mudando

Carlos Alberto Sardenberg, O Estado de S. Paulo

Depois que o presidente Lula concordou em manter as bases da política econômica herdada de FHC - metas de inflação com Banco Central (BC) independente, superávit primário para pagar juros e câmbio flutuante -, não precisou fazer mais nada. O mundo engrenou um extraordinário período de crescimento, com uma demanda global crescente por produtos que o Brasil tinha para exportar. Exportações trouxeram dólares abundantes, que se somaram aos investimentos externos, tudo levando à valorização do real, derrubada da inflação e acumulação de reservas, matando vários problemas de uma vez só. Chuvas generosas completaram o serviço. Encheram os reservatórios das usinas e garantiram a energia elétrica necessária para a expansão interna. Com equilíbrio macroeconômico e recuperação do crescimento, o País surfou na onda mundial, um pouco atrás dos campeões, mas sempre ali. Inclusive alcançou os que já haviam recebido grau de investimento.
Agora, porém, a situação está mudando. O mundo está se tornando hostil. Embora o pior da crise financeira nos EUA e na Europa tenha passado, as conseqüências ainda estão em andamento, especialmente a forte desaceleração nos EUA. Enquanto isso, países emergentes que têm puxado o crescimento mundial, como a China em particular, sofrem com o problema contrário: inflação elevada, resultado de economias superaquecidas (excesso de demanda).

Alguns analistas sustentam que se trata de inflação, digamos, localizada, concentrada em petróleo, energia em geral e alimentos. Mas, na medida em que isso aparece em economias aquecidas, a alta de preços se espalha. Tudo considerado, ou por causa da crise financeira ou por causa da inflação, o mundo já está desacelerando.

Essa situação se repete por aqui. O País não está à beira da crise, mesmo porque os fundamentos macroeconômicos construídos - eliminação da inflação, fim da vulnerabilidade externa e controle das contas públicas - permitem suportar os choques. Mas agora está na hora de fazer alguma coisa.

Há muitos fatores a administrar, a começar pela inflação em alta, certamente a principal questão. Mas é preciso lidar, por exemplo, com o fortíssimo aumento das importações e a volta do déficit nas contas externas.

Tudo bem? Não precisa fazer nada? Vamos, ao contrário, aumentar ainda mais as importações para compensar a falta de produção doméstica e assim manter a inflação baixa? Ou está na hora de conter as compras externas, mesmo com algum dano para a inflação?

As exportações já estão em desaceleração no que refere às vendas físicas. Isso ainda não aparece porque os preços - ainda - em alta garantem faturamento - ainda - elevado. Mas, se a economia mundial está desacelerando, como isso vai ficar? De novo, tudo bem? Deixa assim mesmo ou há algo por fazer?

Além disso, o forte crescimento dos últimos meses mostrou, de novo, as enormes carências de infra-estrutura. Mais do que isso, mostrou como o País continua atrasado na escolha de caminhos e tomada de decisões.

Exemplos?
A região de Ribeirão Preto é a capital mundial da cana-de-açúcar e do etanol. Ali temos as plantações, as usinas de açúcar e álcool, as indústrias de base que fabricam equipamentos para as refinarias e, agora, está se iniciando a produção de energia elétrica a partir do bagaço da cana, também com máquinas produzidas ali mesmo.

Há um enorme movimento de produtos e pessoas, do Brasil e do mundo todo. E onde está o necessário aeroporto? Não está. Há um projeto enrolado há anos e um aeroporto que parece uma rodoviária de quinta categoria, com todo o respeito às rodoviárias.

Tudo considerado, não se trata mais de apenas surfar na onda mundial. E o que faz o governo? Uma confusão danada.

Na verdade, o BC está agindo. Identificou uma inflação em alta, por excesso de demanda, e está elevando os juros.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não se conforma com isso. Jura que não há inflação, apenas uma alta de preços de alimentos. Assim, diz ele, aumentar os juros é ameaçar o mercado interno, que deveria ser sustentado. Por isso, Mantega acha que não é necessário cortar os gastos do governo, que seria um complemento lógico da política de juros do BC. Ao contrário, segue aumentando os gastos.

No momento em que o mundo se torna mais perigoso e em que a situação interna exige variações de política econômica, o governo Lula se perde em confusões e incompetências internas. O BC mantém sua linha de coerência, mas sua tarefa - debelar a inflação - fica mais difícil se não tem o suporte do resto do governo.

A estabilidade macroeconômica continua de pé. Estamos discutindo se a inflação é de 4,5% ou 5% ao ano, coisa de país estável, grande avanço. Mas, isto posto, há muito a fazer no conjunto da economia, além da propaganda do PAC e dessas coisas como o tal fundo soberano.

Falando em inflação - Se você tirar os alimentos, a inflação medida pelo IPCA cai à metade, diz o ministro Mantega. Mas se você tirar os “não-alimentos”, a inflação também cai pela metade, não é mesmo?

Quando se começa a tirar isso e aquilo para melhorar o índice, o sinal é o contrário: a inflação se espalhou.

O IBGE relacionou 15 itens que responderam por uma inflação de 1,35% no período janeiro-abril, portanto, a maior parte do índice cheio, de 2,04%.

Tem alimentos: pão francês, tomate, óleo de soja, frutas, cebola, leite pasteurizado e feijão preto.

Tem serviços: mensalidades de colégio, taxas de “cursos diversos”.

Tem itens com preços controlados pelo governo: remédios, planos de saúde e tarifas de ônibus urbanos.

E tem mais: salário de empregada doméstica e refeição fora de casa.

Resumo da ópera: escolha o seu vilão, haverá sempre inflação. O Banco Central vai subir mais os juros.

Para o muito falta o essencial

Ana Maria Tahan, Jornal do Brasil

O presidente Lula só faltou bater bumbo para si mesmo. O ministro Guido Mantega parecia o criador festejando o sucesso antecipado da criatura. O presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho, anunciou, como festeiro de São João, juros mais baixos para indústrias de vários quilates. O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, olhava o horizonte como se antevisse o Brasil desenhado pelo Plano de Desenvolvimento Produtivo, ou a popular Política Industrial, anunciado ontem pelo governo, no Rio, com pompa e circunstância.

Tão eufórico quanto os acima citados, estava o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Desfilou os projetos da estatal para aproveitar a maré de crescimento edificada pela obra montada a muitas mãos nos gabinetes de Brasília. Contou que a Petrobras programa começar outra refinaria, além da do Rio e a de Pernambuco. Informou que US$ 26 bilhões serão investidos na área de gás natural. Destacou a expansão da capacidade de produção em biocombustíveis. Lembrou que 26 navios já foram contratados à indústria naval brasileira, 10 deles "bastante grandes", fora a pretendida construção de dois superpetroleiros e mais 146 embarcações de apoio, das quais 24 em fase de encomenda.

Não se pretende, aqui, desmerecer tais esforços. Nem criticar, a priori, o calhamaço de pretensões governamentais para incrementar a capacidade de parte da indústria nacional, ampliar as exportações e os investimentos em pesquisa. Embora seja sempre bom salientar, para conter os aplausos iniciais e pedir mais tempo ao tempo de análise, que nem toda indústria será beneficiada, nem todos os setores atendidos. A administração Lula optou por socorros setoriais e não por remédios que permitissem o impulso de competitividade do conjunto da economia, para citar apenas um dos senões que alguns especialistas já notaram no plano festejado ontem.

Muito ainda se vai falar e discutir sobre cada item da dita política industrial, até porque muitas vão parar no Congresso, embutidas em medidas provisórias (sempre elas). Ninguém acha que terão dificuldade de passar, perfeitas ou imperfeitas, pela Câmara, onde o governo Lula conta com folgada maioria. Espera-se, contudo, que o Senado mergulhe mais fundo, não para brecar o plano, mas para aprofundá-lo, estendê-lo, aperfeiçoá-lo. E, desta vez, espera-se que os senadores, ao contrário do que se viu durante o depoimento da ministra Dilma Rousseff, façam bem a lição de casa. Desde já.

Exceção no episódio citado acima, a senadora democrata Kátia Abreu, do Tocantins, acumula dados que provam a existência de pelo menos uma falha básica da tal política industrial: faltam portos ao Brasil. Ela sabe do que fala. Relatora da Medida Provisória 412, que prorroga até 2011 o Reporto, regime tributário de incentivo à modernização da estrutura portuária, ela capitaneou, em 23 de abril, o encontro de um grupo de 20 empresários com o líder do governo no Senado, Romero Jucá. Comandantes ou executivos de exportadores, empreiteiros e produtores como Cargill, Suzano, Odebrecht, OAS, eles defendem mudanças na Lei dos Portos e o fim das restrições impostas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários à construção e funcionamento de portos privados mistos no país.

Técnicos da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e Indústrias de Base calculam que a imposição breca investimentos de cerca de R$ 5 bilhões. Além disso, a senadora informa que outros R$ 9,5 bilhões de projetos patrocinados por empresas privadas para ampliação da estrutura portuária brasileira estão no limbo, à espera de licença ambiental. Para se ter uma idéia do volume em suspenso pela exigência da agência e pela lentidão do Ibama, o alardeado Programa de Aceleração do Crescimento prevê a aplicação de apenas R$ 1,6 bilhão no setor em quatro anos. E mais, qualquer aperfeiçoamento depende também do Supremo Tribunal Federal, que analisa duas medidas contrárias à Lei dos Portos – uma ação direta de inconstitucionalidade e uma argüição por descumprimento de preceito fundamental.

A senadora assegura que o Brasil precisa dobrar sua capacidade portuária para atender à demanda interna. Ora, como o governo pode incentivar exportações sem resolver o básico, ou seja, a existência de portos para escoar a produção incentivada pela política industrial? Terá também de mexer seus pauzinhos para desobstruir os investimentos privados no setor e convencer um aliado, o PSB, a desistir das ações no Supremo.

Pacotinho para a Amazônia

Editorial Estadão

O governo levou quase cinco anos para lançar o Plano Amazônia Sustentável (PAS), mas acabou apresentando apenas um pacote de idéias genéricas, obras já previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e uma promessa de crédito para reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. Mesmo sem novidade importante para oferecer, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não desistiu de um longo discurso, em cerimônia no Palácio do Planalto, na quinta-feira. Eliminado o palavrório vazio, pouco sobra de seu pronunciamento: é preciso combinar desenvolvimento e preservação ambiental, criar oportunidades para os habitantes da região e aprender muito mais sobre a realidade amazônica. Segundo Lula, não é preciso mais fazer bravata - a expressão é dele - com a declaração "a Amazônia é nossa".

Pergunta inevitável: por que lançar esse arremedo de plano exatamente neste momento? Talvez porque o governo tenha de afirmar sua presença na região, pelo menos por meio de palavras, quando seus critérios de ocupação e sua política de segurança territorial são postos em dúvida.

O PAS, tal como apresentado pelo presidente da República, nada ou quase nada acrescenta a propostas anteriores de integração da Amazônia no espaço econômico nacional. Como informou reportagem do Estado, na edição de sexta-feira, 19 das 24 páginas de um folheto distribuído na solenidade contêm dados sobre obras do PAC, lançado no começo de 2007: portos, hidrovias, ferrovias, centrais elétricas e projetos de saneamento. As maiores obras projetadas para a Amazônia, as hidrelétricas do Rio Madeira, foram concebidas antes do PAC e ocasionaram divergências graves dentro da administração federal por causa da oposição do Ministério do Meio Ambiente.

Noutro folheto, o governo expõe ações de combate ao desmatamento vinculadas à Operação Arco Verde. Nem esse nome é inteiramente original. Na primeira versão do PAS, um documento apresentado em abril de 2004, menciona-se uma área de exploração agropecuária denominada "Arco do Fogo" ou "do Desmatamento" ou "das Terras Degradadas".

Além de obras do PAC, o PAS inclui, como também mostrou a reportagem, várias medidas já em vigor, como o recadastramento de terras nos 36 municípios com maiores taxas de desmatamento, embargo de propriedades com áreas desmatadas ilegalmente e critérios mais severos para concessão de créditos à atividade agropecuária, especialmente pelos bancos oficiais.
Como outros planos apresentados pelo governo do presidente Lula, também esse é vago quanto aos detalhes operacionais e financeiros. Os documentos não mencionam o dinheiro necessário para a execução das políticas - nem mesmo para os créditos destinados a reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, teve de enfrentar uma pergunta sobre o assunto e mencionou, vagamente, uma cifra de R$ 1 bilhão para os créditos.

As medidas anunciadas pelo presidente não passam de um arremedo de planejamento, mas ficarão subordinadas a um Conselho Gestor, chefiado pelo ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger. Além disso, o presidente Lula atribuiu à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o título de mãe do PAS. O PAC, muito mais detalhado e com recursos orçamentários definidos, também tem mãe, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e mesmo assim a sua execução continua insatisfatória. É difícil imaginar como a ministra Marina Silva e seu colega Mangabeira Unger poderão apresentar resultados pelo menos semelhantes àqueles mostrados pela chefe da Casa Civil.

A Amazônia, disse o presidente em seu discurso, é "nossa" desde quando Pedro Álvares Cabral pôs os pés em terra brasileira. Não se sabe de onde ele tirou essa idéia, mas essa tolice, mais do que pitoresca, é preocupante. A formação do território brasileiro envolveu muita ousadia e muita iniciativa - a começar pela violação do Tratado de Tordesilhas pelos bandeirantes. Para desenvolver e defender a Amazônia, o governo federal não terá de violar nenhum tratado. Só precisará de competência, determinação e realismo geopolítico, virtudes não exibidas, por exemplo, no caso da demarcação das terras indígenas em Roraima.

ENQUANTO ISSO...

Lula: Amazônia terá R$ 1 bilhão

Verba será usada para recuperar áreas degradadas, reflorestamento e regularização ambiental

SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva no seu programa semanal de rádio fez uma análise do recém lançado Plano Amazônia Sustentável (PAS) e disse que o governo tem R$ 1 bilhão a ser usado para recuperar áreas degradadas, reflorestamento e regularização ambiental. "Também vamos dar apoio à comercialização de produtos do extrativismo, incluindo eles na política de garantia de preços mínimos.

Nós vamos ainda treinar 4 mil profissionais de assistência técnica para atender numa fase inicial 100 mil produtores rurais", afirmou. Segundo o presidente, "vamos também estabelecer a criação de um Cadastro Ambiental Rural. Isso é importante, o produtor só terá acesso ao crédito, fomento e assistência técnica se ele fizer parte desse cadastro.

Portanto, nós estamos chamando todos à responsabilidade porque não é um problema apenas do Governo Federal, é um problema de todos nós. E, por último, as ações de governança ambiental". Lula anunciou também que, entre as ações de governança ambiental, se prevê a liberação pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de R$ 500 milhões para investimentos em melhorias no processo de licenciamento, gestão territorial, elaboração e implementação do zoneamento."

Nós temos consciência, que o PAS vai ser uma revolução no tratamento que o Governo vai dar para o desenvolvimento da Amazônia", explicou o presidente.

Enquanto isso...

Reserva-modelo sofre com falta de recursos no Amazonas
Edson Porto, BBC Brasil

Na entrada da reserva de Uatumã, no Estado do Amazonas, Olavo dos Santos Lima é o homem responsável por dizer que embarcações podem ou não entrar. Ele é um dos três agentes ambientais contratados pela secretária do Meio Ambiente estadual para tomar conta da região.

Olavo mora de frente para o rio, bem perto da recém-inaugurada base de administração do parque. A “entrada” do parque que está sob sua responsabilidade é na verdade o largo rio Uatumã, um afluente do Amazonas.

“A gente tem esta voadora para fiscalizar”, conta ele, apontando para uma pequena lancha a motor que fica parada em frente à base da reserva. “Quando vem uma embarcação desconhecida, a gente pára para perguntar o que eles estão fazendo e se têm autorização.”

Mas quando questionado qual o poder que ele tem para realmente evitar que embarcações entrem na reserva, Olavo abre um sorriso que mostra apenas dois dentes e diz: “Se os caras quiserem mesmo entrar, não tem jeito, eu estou sozinho”.

Reserva-modelo
Olavo e a reserva são exemplos do quão distante e difícil ainda é o controle sobre a floresta na Amazônia. O projeto da reserva de Uatamã, criada em 2004, é apresentado como um modelo pelo governo do Estado. O local foi escolhido como o primeiro para a implementação do projeto Bolsa Floresta, que promete investir nas comunidades ribeirinhas e dar R$ 50,00 para cada família que preserve a floresta.

Essa é a primeira de sete reservas escolhidas para a fase inicial do programa, lançado em setembro de 2007, e já ganhou uma sede, cadastros e o pagamento da ajuda para uma parcela das 280 famílias que moram nela.

Apesar de tudo isso, e de ser próxima a Manaus (cinco horas de carro e barco), Uatamã não tem fiscais florestais com autoridade para multar infrações nem posto policial. Quando ocorre qualquer problema que exija intervenção, como a descoberta de grandes embarcações pescando ilegalmente ou forasteiros realizando desmatamento, a única alternativa para os agentes da reserva é pedir ajuda ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipam) ou da polícia das cidades mais próximas.

O problema, dizem membros de comunidades na reserva, é que muitas vezes a fiscalização pode levar 48 horas para chegar ou mesmo não aparecer.

“A polícia de Itapiranga ou de São Sebastião do Uatamã não tem barco próprio e se eles têm que vir à reserva porque pedimos a gente tem que pagar o combustível”, conta um membro da comunidade local.

Falta de dinheiro
O administrador da reserva, Rudnney Santana, admite que um dos problemas na região é a falta de recursos para fiscalizar e combater infrações. “É uma área grande e é muito difícil o trabalho, mas a situação está melhorando muito desde a criação da reserva”, afirma ele. “Antes a situação era muito pior.”

Vários ribeirinhos concordam que a reserva e o Bolsa Floresta já geraram benefícios para as famílias que moram nos seus limites, embora vários também digam que a vida no local ainda é dura e que falta infra-estrutura básica.

“Nos últimos anos tem tido bem mais peixe no rio. Antes já estava ficando difícil de achar”, diz o ribeirinho Osimar Bruno de Carvalho, que vive isolado com a família em uma das áreas próximas ao rio Uatamã. Sua casa de pau-a-pique é extremamente simples e pobre e a escola mais próxima fica a pelo menos uma hora de barco dali.

O governo do Estado afirma que a situação está mudando e que no caso desta reserva novas fases do projeto Bolsa Floresta vão entrar em funcionamento assim que o cadastramento das famílias estiver finalizado.

“O programa inclui o pagamento de uma verba de R$ 4 mil por comunidade para apoiar iniciativas que criem fontes de renda sustentáveis, além de uma segunda verba de R$ 8 mil por comunidade para investir na infra-estrutura social”, afirma Virgílio Viana, um dos idealizadores do projeto e ex-secretário do Meio Ambiente do governo do Amazonas.

As comunidades também estão esperando dinheiro de um programa federal de fomento que deve fornecer R$ 9,4 mil para famílias cadastradas. A idéia é construir novas casas e comprar instrumentos de trabalho.

Uma visita a Uatamã deixa claro, porém, que se mesmo uma reserva como esta ainda sofre com problemas ambientais e sociais, o desafio para proteger grandes áreas da Amazônia é tão grande quanto a própria floresta.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA: O governo Lula tem uma enorme facilidade para fazer anúncios de “investimentos”, mas uma dificuldade maior aianda para concretizar os respectivos anúncios. É a mania de sempre achar que está em palanque, em tempo integral. Se ele pelo menos cumprisse metade do que promete, já estaria de bom tamanho. Porém, a realidade insiste em desmenti-lo. E ele, por sua vez, insiste em continuar mentindo...

TOQUEDEPRIMA...

***** Raposa Serra do Sol: MP é contra o relaxamento da prisão de Quartiero

A Procuradoria Regional da República da 1ª Região apresentou parecer ao Tribunal Regional Federal contra o pedido de relaxamento da prisão do prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero, seu filho e seis funcionários de sua fazenda. Eles foram presos em flagrante no último dia 6 por porte ilegal de artefato explosivo e formação de quadrilha. A Polícia Federal encontrou na fazenda do prefeito 149 tubos com material explosivo, sete equipamentos de fabricação caseira que se parecem com estopins de bomba, além de outros aparelhos que podem ser utilizados como armas. Segundo o procurador regional da República Juliano Villa-Verde, autor do parecer, os equipamentos "se adequam à tese de que Quartiero tem resistido à demarcação de terras indígenas".
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***** Jucá: base vai convocar Aparecido, que já se licenciou

Deputados e senadores governistas que integram a CPI mista dos Cartões Corporativos votarão pela convocação do funcionário da Casa Civil José Aparecido na sessão programada para amanhã cedo. O requerimento que exige esclarecimentos dele a propósito de um dossiê forjado na Casa Civil será apresentado por Vic Pires (DEM-RJ) e Índio da Costa (DEM-PA) e contará com apoio da base aliada, informou há pouco Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado.

Jucá disse também que Aparecido já se licenciou do cargo que ocupa na Casa Civil. Mas a Casa Civil não confirma o fato.

Em uma reunião agendada para às 08h00 entre parlamentares da base aliada na liderança do PT, na Câmara dos Deputados, será feito o pacto em favor da convocação de Aparecido.

Aparecido foi identificado como sendo o responsável pelo vazamento do dossiê com despesas sigilosas do governo Fernando Henrique Cardoso.

***** TCU condena laranja do MST a devolver R$ 338 mil aos cofres públicos

Uma entidade que recebe dinheiro público para repassar ao clandestino MST foi condenada pelo Tribunal de Contas da União por "aplicação indevida de verbas do Incra para formação de educadores da reforma agrária" no RS. O Iterra (Instituto Técnico de Capacitação e Pesquisa de Reforma Agrária), espécie de 'laranja dos sem-terra', terá de devolver, em valores atualizados, R$ 338,37 mil aos contribuintes.
Segundo o TCU, o Iterra se apropriou de parte dos recursos. O processo já foi enviado à Procuradoria da República no Estado para que decida se entrará com ação.

***** Neutralizado

O governo tremeu com a ameaça do vazador José Aparecido Nunes de “contar tudo” à CPMI dos Cartões. Mas ele é petista de carteirinha e já tranqüilizou o Planalto: se for convocado, promete não causar problemas.

***** Consumo industrial já é composto em 20% por importado

Batendo recorde em 2007, as importações da indústria brasileira atingiram 20,3% do consumo no país de bens industrializados. A conclusão é apontada em estudo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a ser divulgado nos próximos dias, que mede a participação dos bens importados no consumo total. Esse resultado realimenta uma polêmica sobre os efeitos do real forte para a produção da indústria nacional.
Na avaliação do banco de fomento estatal, a maior presença de produtos importados teve efeitos favoráveis para a economia no período de 2004 a 2007. "Na ausência dessas importações, a produção doméstica não conseguiria atender a demanda e os preços seriam reajustados. O Brasil tem hoje um patamar de inflação dentro da meta do Banco Central. Sem as importações, teria mais dificuldade de cumprir a meta", disse Fernando Puga, do BNDES.
No entanto, nem sempre o aumento das importações teve efeitos benéficos. Ainda hoje há quem afirme que existe uma desindustrialização nacional em curso. Desta vez, o BNDES afirma que não há sinais desse efeito porque a produção doméstica está crescendo impulsionada pelo mercado interno.

***** Escapamos desta

Convidado a representar o presidente Lula na festa dos 60 anos de Israel, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), exigiu “apenas” um jato Legacy para levá-lo a Tel-Aviv. O governo recuou do convite.

***** É uma praga

A oposição estima em R$ 350 mil o custo das mais recentes viagens internacionais do governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB). Incluindo diárias de R$ 17.210 e garrafas de champanhe a R$ 2.720.

***** Nova política industrial visa baratear produção e aumentar exportações


O governo federal anunciou sua nova política industrial hoje no Rio de Janeiro. Segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), a intenção é aumentar investimentos e baratear a produção a fim de elevar as exportações do país. Para tanto o ministro estima a desoneração de impostos na ordem de R$ 21,4 bilhões entre 2008 e 2011. "O plano é ambicioso, mas realista, que tem condições de ser implementado”, disse Mantega. A meta do governo para 2010 é que o Brasil represente 1,25% das exportações mundiais, ou seja, US$ 208,8 bilhões. No ano passado, as exportações brasileiras representaram 1,18% do total no mundo, ou US$ 160,6 bilhões.

***** Marina pede crescimento sustentável

A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) declarou hoje que o crescimento das atividades de produção brasileira “não pode neutralizar” os esforços que vêm sendo feitos para a preservação do meio ambiente. Marina ressaltou ainda a dependência entre os dois setores: “Nossa economia depende 50% da nossa biodiversidade. Quem destruiria sua galinha dos ovos de ouro?”. A ministra também defendeu a produção sustentável de biocombustíveis. O presidente Lula também disse hoje que um dos principais desafios do PAS (Plano Amazônia Sustentável) é criar alternativas “concretas” para que as atividades econômicas locais sejam ambiental e socialmente sustentáveis.

***** Educação: mais 100 escolas técnicas

Haddad afirmou que crescimento econômico na faixa dos 5% ao ano exige incentivo educacional

CURITIBA - O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse, ontem em Curitiba, que pretende inaugurar, até o próximo ano, mais 100 novas escolas técnicas no Brasil, para comemorar o centenário da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica.

As 19 primeiras escolas de Aprendizes e Artífices foram criadas em 1909 e deram início às escolas técnicas, centros federais de educação tecnológica ou às universidades tecnológicas de hoje. Em Curitiba, o ministro abriu a primeira reunião para discutir o centenário da iniciativa.

Segundo ele, outras 50 escolas devem ser entregues em 2010. Na expansão da rede, o governo federal deve investir cerca de R$ 600 milhões, destinando outros R$ 900 milhões para que estados e municípios reformem, ampliem ou qualifiquem os profissionais das já existentes.

"Estamos criando um novo paradigma que é o da instituição federal, que combina atribuições de uma universidade e atribuições das antigas escolas técnicas, oferecendo na mesma unidade cursos de nível médio e cursos de nível superior nas áreas técnica e tecnológica", disse o ministro. "Do nosso ponto de vista, é um modelo que atende melhor às demandas locais." Segundo ele, o investimento responde também às necessidades do Brasil.

"Um crescimento econômico na faixa dos 5% ao ano exige um esforço educacional enorme de todo o País e não só da União", convocou. "Todo mundo precisa produzir mais e melhor para que tenhamos uma classe trabalhadora bem preparada para atender à demanda produtiva."

***** Mulher condenada a indenizar marido traído

A Justiça do Distrito Federal condenou uma mulher a pagar indenização por danos morais ao ex-marido. Ela foi flagrada mantendo relação sexual na cama do casal. Inicialmente a indenização foi fixada em R$ 14 mil, mas foi reduzida para R$ 7 mil. O autor da ação entrou com um pedido de indenização após a separação. Na ocasião, a Justiça comprovou a culpa da mulher que, segundo a sentença, "incorreu em quebra do dever de fidelidade, previsto no artigo 1.566 do Código Civil". Testemunhas ouvidas em juízo confirmaram o flagrante, segundo o Tribunal de Justiça. Insatisfeita com a condenação, a mulher recorreu, mas o pedido não foi concedido.

***** Mantega anuncia criação de fundo soberano

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou hoje a criação de um fundo soberano do Brasil. "Ele (o fundo) está sendo criado com o objetivo de apoiar a internacionalização de empresas brasileiras", afirmou o ministro.

Mantega, que já tinha feito seu discurso sobre a Política de Desenvolvimento Produtivo, a nova política industrial brasileira, pediu novamente a palavra para anunciar a criação do fundo soberano. Ele brincou com os empresários presentes ao evento, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio, afirmando que não iria anunciar novas desonerações fiscais, mas sim um fundo soberano.

O fundo, explicou Mantega, terá participação do BNDES e utilizará recursos fiscais. O fundo fará operações no exterior e repassará os recursos captados a organismos como o BNDES, que apóiam a internacionalização das companhias brasileiras, disse o ministro.

***** Governo reduz IPI e elimina IOF no crédito do BNDES

O governo divulgou medidas tributárias de estímulo ao investimento como parte do pacote da nova política industrial, a Política de Desenvolvimento Produtivo, anunciada hoje, no Rio.

Entre elas, está a redução do prazo, de 24 meses para 12 meses, de apropriação de créditos do Programa de Integração Social/ Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (PIS/Cofins) derivados da aquisição de bens de capital (máquinas e equipamentos). Também foi anunciada a eliminação da incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 0,38% nas operações de crédito do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Finame e Finep.

As medidas englobam ainda uma redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para uma lista de setores que ainda não foi divulgada.

Além dessas medidas, o governo divulgou ações que prevêem ampliar os financiamentos do BNDES. Foi estipulado que o desembolso total projetado para indústria e serviços pelo BNDES, no período de 2008 a 2010, foi ampliado para R$ 210,4 bilhões. O governo decidiu ainda reduzir em 20% o spread médio do conjunto das linhas de financiamento do BNDES, de 1,4% ao ano para 1,1% ao ano. Foi estabelecida ainda uma redução da taxa de intermediação financeira de 0,8% para 0,5%.

INSS
A Política de Desenvolvimento Produtivo prevê também uma redução da contribuição patronal para o INSS sobre a folha de pagamento dos trabalhadores de empresas de Tecnologia de Informação, no desenvolvimento de softwares para exportação. Com a redução, a contribuição cairá dos atuais 20% para 10%.

Foi decidido ainda que a contribuição dessas empresas para o 'Sistema S' pode cair para até zero com base na participação das exportações no faturamento total da empresa.

Entre as medidas de desoneração tributária para o setor, está também a permissão para que as empresas de informática e automação possam reduzir na base de cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) os dispêndios relativos a pesquisa e desenvolvimento.

***** CNI elogia política industrial, mas lista desafios

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, elogiou a elaboração da Política de Desenvolvimento Produtivo, lançada hoje pelo governo federal na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio. Segundo ele, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trouxe o tema novamente para os holofotes. Entretanto, Neto fez questão de listar em seu discurso, o último antes da fala do presidente Lula no evento de lançamento do programa, os desafios que o governo vai enfrentar na implementação do projeto.

O presidente da CNI foi enfático ao ressaltar que o Brasil precisa de um maior controle fiscal para que possa haver um abrandamento da política monetária e, com isso, evitar uma apreciação tão forte do real frente ao dólar como se viu nos últimos anos. Segundo ele, esse ponto prejudica as exportações.

Outros desafios apontados por Neto são uma maior articulação entre as esferas do governo que coordenam o programa e a maior interlocução entre o setor privado e o público. Ele chegou a alfinetar o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, ao lembrar que há mais de 15 meses o Conselho Nacional de Desenvolvimento da Indústria (CNDI) não se reúne. O órgão é formado por representantes da iniciativa privada e do governo para criar políticas de crescimento do setor.

Em seu discurso, Neto lembrou ainda a necessidade de uma reforma tributária.
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***** OceanAir vai demitir 600 funcionários
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A companhia aérea brasileira OceanAir anuncia nesta segunda-feira (12/05) uma série de medidas de reestruturação, para reduzir os gastos de operação e permitir que a empresa resista à fase de forte elevação no preço dos combustíveis, puxados pela alta mundial do petróleo.

Entre as principais medidas está a demissão de cerca de 600 funcionários, como forma de diminuir o custo da folha de pagamento, a redução no número de destinos atendidos, dos atuais 37 para 25, e a diminuição da frota de aviões, que passará de 16 para 10 aeronaves em operação

A aposta da companhia é de que a reestruturação ajude a otimizar o uso da malha, enquanto a empresa se prepara para receber, a partir de 2009, as primeiras aeronaves previstas no plano de renovação da frota. Com a troca dos atuais Fokker MK-28 por modelos mais econômicos, como os Airbus A319, A320 e A330, a OceanAir espera recuperar o fôlego e retomar o crescimento.

Os preços do petróleo têm gerado dificuldades para empresas aéreas no mundo todo. Somente neste ano, nove pequenas empresas do setor pediram falência. Até os gigantes têm sido obrigados a tomar medidas para enfrentar a conjuntura desfavorável. As americanas Delta e Northwest anunciaram no mês passado uma fusão que criou a maior empresa aérea do mundo. Isso pode ser apenas o começo. Segundo a rede de notícias CNN, a American Airlines negocia a união com a Continental e a United Airlines tenta chegar a um acordo com a US Airways.

No Brasil, o caos aéreo eleva os custos das companhias, agrava a situação e já levou as maiores empresas aéreas do setor – TAM e Gol - a operar no vermelho nos últimos meses. Para as empresas menores, como a OceanAir, há ainda um agravante: a concorrência pesada. O diretor financeiro do grupo Synergy (controlador da OceanAir), Raul Campos, afirmou, no final do mês passado, que os concorrentes cobram as tarifas mais baixas exatamente nos horários em que a empresa oferece vôos.

A situação pode ficar ainda mais difícil em 2009, quando deve começar a operar a Azul, do empresário David Neeleman. O fundador da JetBlue planeja oferecer no Brasil vôos regionais para escapar da concorrência de TAM e Gol. Mas o aumento da oferta de assentos pode reduzir ainda mais a ocupação dos vôos da OceanAir.

Provocação

Denis Lerrer Rosenfield, Estadão

A quem interessa a radicalização dos conflitos em Roraima, na Raposa Serra do Sol? O Supremo Tribunal Federal (STF) arrogou a si a decisão final, que deve ocorrer nas próximas semanas. Decidiu também pela manutenção do status quo enquanto esse processo jurídico se estiver desenrolando. Sustou, portanto, a retirada dos não-índios e dos índios que são seus aliados. Isso significa que tanto os indígenas quanto os proprietários rurais devem manter suas posições, sem que haja nenhuma movimentação que possa alterar essa situação. O que aconteceu? Um grupo de indígenas invadiu uma das fazendas em litígio, com um discurso de "ocupação", e terminou suscitando uma reação, certamente desmedida, porém reação a uma ação que deveria ter sido impedida pela Polícia Federal, lá presente.

O mais surpreendente é que a atuação policial foi rápida na prisão dos que reagiram à invasão e nula, ausente, no que diz respeito aos invasores. Afinal, aguarda-se ou não uma decisão do Supremo? Ou se trata de desrespeitar a mais alta Corte do País, sob o manto de uma suposta legalidade? Quando a Polícia Federal chegou à região, cena do confronto com os arrozeiros, efetuou a desobstrução de rodovias que tinham sido ocupadas pelos manifestantes. Agiu de acordo com a lei, pois rodovias públicas não podem ser ocupadas, por quaisquer razões que possam ser apresentadas. O que ocorre agora? Os indígenas ocupam rodovias e nada é feito. Num caso é contrário à lei e no outro, não. Dois pesos e duas medidas são a melhor forma de desrespeito ao Estado de Direito.

Convém aqui ressaltar o papel desempenhado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pastoral da Igreja Católica. Observemos que os indígenas têm sido objeto de uma destruição cultural levada a cabo por grupos religiosos de diferentes proveniências, que não têm nada a ver com arrozeiros, produtores rurais e empresas. Refiro-me à destruição das religiosidades nativas, provenientes de cultos animistas, que são sistematicamente aniquiladas. Pouco subsiste de tais cultos e estes não são objeto de uma política de preservação. O assunto não é nem tema de discussão, quando, historicamente, se trata - ou pelo menos se tratava - de uma das mais importantes questões antropológicas. Há aqui um completo silêncio, como se este tema fosse extremamente comprometedor para aqueles que dizem, no entanto, defender a cultura indígena.
Ora, a política desse setor da Igreja é ancorada em posições esquerdizantes, utilizando todo um linguajar que tem como objeto a implantação do socialismo autoritário entre nós. Em nome da justiça social, as posições cristãs são progressivamente abandonadas, culminando numa outra conversão, a do marxismo como redenção dos povos. O seu vocabulário é revelador. Num documento recente da Cimi Norte I, de 2/5, é afirmado, a propósito dos conflitos em Roraima, que o problema central reside na "ditadura do mercado sobre o direito dos cidadãos".

Não deixa de ser curiosa essa mensagem religiosa, simplesmente retirada do arsenal dos dogmas comunistas, totalmente descomprometidos com a justiça, a liberdade e a democracia, além de falsos. Lá onde o mercado se desenvolveu, com regras e instituições, a democracia representativa se afirmou, produzindo direitos sociais, civis e políticos. Exemplos não faltam: Inglaterra, países nórdicos, França, Alemanha, EUA. Lá onde o mercado foi abolido, a pobreza foi generalizada, os direitos sindicais e políticos, abolidos e a política se tornou a perseguição e eliminação dos próprios cidadãos. Exemplos não faltam: União Soviética, Camboja e Cuba, entre outros.

Evidentemente, num documento desse tipo não poderiam faltar menções às "forças neoliberais articuladas no governo Fernando Henrique Cardoso", pois a encenação estaria incompleta. O "neoliberalismo" seria o verdadeiro responsável pelo que está acontecendo por ter permitido a atuação na Amazônia de empresas de capital estrangeiro radicadas no Brasil. Quanto às ONGs internacionais, em número impressionante - alguns avançam a cifra de 100 mil -, atuando nessa região, sem nenhum controle, nenhuma palavra é dita. Aos colaboradores, tudo! Ainda em outro documento, datado de 19/2, da Assembléia dos Movimentos Sociais da Amazônia, atribuem-se todos os conflitos da região à "força brutal do capitalismo", como se uma política socialista guiada por esses "iluminados" fosse capaz de trazer a paz e a concórdia universais. Nos países onde chegaram ao poder, conseguiram destruir qualquer traço de humanidade.

Nesta perspectiva, a sua luta precisa de símbolos - símbolos que captem a opinião pública, tendo como objeto infletir a política governamental e, mais especificamente, influir diretamente no STF. Estranhamente, silvícolas "fotografaram" o acontecido, como se o seu propósito fosse precisamente este: agir sobre a opinião pública. Mártires são necessários para essa concepção teológico-política. O sangue e a morte são os seus instrumentos. Ao invadirem uma fazenda dessa zona em litígio, seu objetivo consistia em suscitar uma reação, de preferência armada, pois ela viabilizaria o avanço de sua "causa". Os que reagiram com armas de fogo terminaram fortalecendo a política que procuram contestar. Fizeram, apesar deles mesmos, o jogo dos seus adversários.
A Comissão Pastoral da Terra, num livro que é utilizado pelo MST em seus acampamentos, assentamentos e invasões, Cantos, Cantando com a Mãe Terra, de 2003, sustenta claramente essa posição: "Companheiros de jornada/ dessa longa caminhada,/ vamos falar um pouquinho/ dessa história que é formada/ com luta, sofrimento,/ com sangue que é derramado/ daqueles que dão as mãos/ aos companheiros massacrados." Segue esse outro canto: "Acorda, América, chegou a hora de levantar!/ O sangue dos mártires/ fez a semente se espalhar." Ou ainda: "Os nossos mártires, irmãos de sangue, são as sementes da caminhada." Para o abismo, certamente!