* O Diabo E O Bom Deus
Reinaldo Azevedo
* O autor do furto não perdoa o dono da ideia que surrupiou
Augusto Nunes, Veja online
* Três respostas para Lula respeitar Jesus e sua história
Adelson Elias Vasconcellos
* Loucura geral: Em tempo de terror no Rio, governo propõe amaciar os .... criminosos !
Adelson Elias Vasconcellos
* ENQUANTO ISSO...
* TOQUEDEPRIMA...
* Colline Des Singes
Guilherme Fiúza, Revista Época
* Segurança pública perde peso no orçamento do Rio desde 2007
Alfredo Junqueira - O Estado de S. Paulo
* Exportadores estão pessimistas mostra pesquisa da FGV
Alessandra Saraiva, de O Estado de S. Paulo
* Um vigarista a serviço de si mesmo
Adelson Elias Vasconcellos
* Farsesca agrária
Xico Graziano, Estadão
* O dom de iludir
Demétrio Magnoli, Folha de São Paulo
* Em vez de obras, Lula inaugurou campanha eleitoral no S.Francisco
Adelson Elias Vasconcellos
* A entrevista do cara: Uma bela montagem, companheiro !
Adelson Elias Vasconcellos
sexta-feira, outubro 23, 2009
O Diabo E O Bom Deus
Reinaldo Azevedo
A declaração estúpida de Lula, segundo a qual, no Brasil, é preciso fazer aliança até com Judas para governar, merece reflexões novas. É preciso ir além da firula, da aparência, da desconstrução da metáfora chula e, obviamente, desinformada para captar o sentido político da fala. Cumpre perguntar: com quem, então, ele jamais de aliaria? Antes de responder, alguma digressão.
Judas era um dos seguidores de Jesus. Ele se tornou um símbolo da traição, o que lhe custou muito caro. Acabou se enforcando, dada a enormidade do seu ato, perseguido por sua consciência. No Brasil, os Judas não se arrependem. E ainda mandam enforcar. Lula, como afirmei no primeiro texto sobre o caso, nunca foi traído por ninguém. A depender da abordagem que se faça, ele fica melhor é no papel de traidor. A foto de Alan Marques na primeira página da Folha (em si, muito boa), com o presidente de mãos postas, olhos fechados, como quem ora, buscou um diálogo com a manchete: “No Brasil, Cristo teria de se aliar a Judas, diz Lula”.
A intenção da edição era fazer um pacote religioso. Por que alguém que defende a aliança com um símbolo da traição merece ser retratado como quem está sendo tocado pelo Espírito Santo é um desses mistérios que ou é explicado pela ignorância religiosa ou por um refinado senso de humor. Minha aposta? Bem… Se é para passar a impressão de que Lula está orando, dada a aliança confessa com Judas, então ele deve ser o sacerdote de alguma Missa Negra. O conjunto — Lula, sua fala e a foto que a ilustra — dá notícias de um tempo bárbaro. Agora vamos voltar ao ponto lá do primeiro parágrafo para exorcizar o demônio da má política já que não há o que exorcize o demônio da má consciência.
E com o capeta, Lula faria acordo? É bem provável que sim. O bicho pode ter chifres, rabo, pés virados para trás, recender a enxofre, bigode, peito estufado, olhos trincados de tão arregalados… Não importa! Só não pode ter pena colorida, bico grande e, bem, chamar-se FHC. O que estou querendo dizer, queridos leitores, é que uma declaração em si mesma infeliz; de notável ignorância específica — e não há especificidade que este generalista não despreze com a nonchalance típica dos ignorantes convictos —; grosseira até, revela a disputa pela hegemonia do processo político, sim, mas também uma concepção autoritária de poder.
Peço-lhes um esforço brutal, sei disso, mas é só por alguns segundos: imaginem-se no lugar de Lula, comandante máximo do PT. Esqueçam só um pouco de que o olhamos de fora para dentro, de que enxergamos sua trajetória como críticos e como analistas. Neste breve instante em que estamos vendo o partido com os olhos de seu criador, certamente divisamos nele virtudes únicas, redentoras, salvadoras. Pois bem: quais seriam as qualidades que fazem de José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor e Jader Barbalho companheiros de trajetória, mas de FHC um inimigo cuja história, se possível, deva ser eliminada da memória brasileira ou permanecer como anátema? Lembrem-se: ainda estamos na, vá lá, mente de Lula: a que solução moral ele chegou para vituperar de modo obsessivo contra o antecessor, mas a se abraçar com aquelas outras personalidades?
Eis a questão que interessa. Não é só Judas, não! Judas, vá lá, não deixava de fazer parte dos planos do Altíssimo. À sua maneira, era alguém que tinha uma função naquela narrativa. E acaba se dando muito mal. É uma personagem trágica, triste! Lula poderia se aliar também ao capeta porque o que está em disputa é a hegemonia do processo político. Há forças políticas no país que, por enquanto ao menos, ele não pode subordinar — e tampouco elas se submeteriam voluntariamente à sua liderança. Então vale literalmente tudo. Judas é só o elemento menos deletério do ajuntamento. Todos os outros têm um preço que pode ser perfeitamente pago. E como Lula paga! Paga com ministérios! Paga com estatais! Paga com cargos de segundo escalão! Paga com juros! Paga até com o real supervalorizado! Ele só não aceita pagar o preço da alternância do poder. Porque, de fato, este é um dos preços que cobra a democracia.
Huuummm… As coisas começam a ficar mais claras. Aquela defesa desavergonhada que Lula fez das alianças — até com Judas! — não é um testemunho de realismo político, não! É a expressão de uma concepção autoritária de poder. E é isso que muitos se negam a entender. É evidente que ele não acredita que o país estaria em piores mãos se dividisse o poder com, sei lá, o PSDB; é claro que ele sabe qual foi o papel de FHC na história do país e qual foi o de Sarney — “o homem especial”. Ocorre que Sarney não ambiciona uma troca de guarda, de comando, e o PSDB, sim.
É por isso que o homem que não tem pejo de fazer coligação com Judas — e o capeta pode vir também — só não aceita que as oposições voltem ao poder. Porque aceitá-lo, coisa corriqueira em países civilizados, implica acatar o princípio da democracia. Não! Não estou cobrando que Lula se quede passivamente diante de uma eventual derrota eleitoral . Estou cobrando que ele, ao menos, respeite a lei, o que obviamente não faz. Mais do que isso: anuncia que continuará a desrespeitá-la.
Aquele que aceita Judas como um dado da realidade política não vai se subordinar, evidentemente, a um código legal. Há naquela metáfora destrambelhada, como se vê, muito mais do que ignorância episódica: há a truculência metódica disfarçada de realismo político.
E encerro com a foto, aquela, em que parece que ele está fazendo download do divino. Talvez estivesse mesmo recebendo uma mensagem do além. A ser assim, não vinha das Luzes.
O autor do furto não perdoa o dono da ideia que surrupiou
Augusto Nunes, Veja online
Por que o presidente da República fez questão de assassinar no berço todas as tentativas de investigar as gravíssimas denúncias envolvendo o presidente do Congresso? Novamente confrontado com a intervenção obscena durante a entrevista à Folha, Lula fez uma ressalva falaciosa antes de recitar a sinopse da Teoria do Homem Incomum: “É verdade que ninguém está acima da lei, mas é importante não permitir a execração das pessoas por conveniências eminentemente políticas”, cruzou para a pequena área. ”Sarney foi presidente. Os ex-presidentes devem ser respeitados, porque foram instituições. Não pode banalizar a figura de um ex-presidente”, aparou com a mão e mirou no ângulo.
Acertou o pau de escanteio. Quem se curvou a conveniências políticas foi Lula. Para manter no cargo um comparsa obediente, tornou-se cúmplice do senador metido em delinquências comprovadas. Para justificar a ação imoral e ilegal, decidiu que a lei deve respeitar um ex-presidente. Errado: um ex-presidente é que deve respeitar a lei, como qualquer cidadão. Lula acha que ex-presidentes são homens incomuns. Não são. A Constituição estabelece que todos os brasileiros são iguais. Ninguém é mais igual que os outros.
Enquanto chefiou a oposição, Lula desrespeitou em público, sempre acintosamente, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. No poder, passou a aplicar seletivamente a regra do respeito. Vale para os três primeiros, com quem trocou insultos. Não vale para Fernando Henrique Cardoso, que jamais o ofendeu. Enquanto cobre de favores e afagos o candidato a réu, Lula não consegue ser sequer gentil com o ex-presidente sem contas a acertar com a Justiça.
Um dia antes da entrevista à Folha, ao lançar em Belo Horizonte um certo PAC das Cidades Históricas, Lula cometeu mais um furto de direitos autorais. A mudança de nome não impediu que até os casarões já demolidos de Ouro Preto reconhecessem o Documenta, criado em 2000 pelo governo Fernando Henrique. O cinismo poderia ter estacionado na omissão do nome do criador. Lula sempre vai mais longe. Recorrendo às generalizações malandras de praxe, retomou a ladainha de críticas cretinas ao dono da ideia que surrupiou.
“Teve um tempo em que a gente ficava indignada”, fantasiou deliberadamente o orador que não consegue perdoar o antecessor, a língua portuguesa e a verdade. ”Não tinha quase nenhuma recuperação do patrimônio histórico brasileiro e setores importantes da sociedade brasileira viajavam para a Europa para ver o grande patrimônio histórico europeu”. Graças ao Documenta, 26 cidades foram contempladas com R$ 250 milhões desde 2000.
Há anos, Marisa Letícia ordenou a um serviçal que infiltrasse a estrela vermelha do PT, com quatro metros de diâmetro, no jardim do Palácio da Alvorada. O serviço foi executado com um implante de sálvias. O marido achou aquilo muito bonito. Não sabia que o jardim havia sido tombado pelo Patrimônio Histórico. Não sabia que Burle Marx foi o autor do projeto, doado ao governo brasileiro pelo imperador japonês Hiroíto. Não sabia quem era Burle Marx, nem Hiroíto. Nenhum espanto. Ele nunca se interessou por essas irrelevâncias. Não sabe nada de História. Mas conhece a história do programa que rebatizou e ampliou ligeiramente para apagar pegadas e pistas.
Lula não precisa tratar FHC como “instituição”. Algum respeito já basta.
Três respostas para Lula respeitar Jesus e sua história
Adelson Elias Vasconcellos
Na entrevista que Lula concedeu a Folha de São Paulo, uma das questões era: Nunca se sentiu incomodado por ter feito alguma concessão?
Eis a resposta de Lula:
“... Nunca me senti incomodado. Nunca fiz concessão política. Faço acordo. Uma forma de evitar a montagem do governo é ficar dizendo que vai encher de petista. O que a oposição quer dizer com isso. Era para deixar quem estava. O PSDB e o PFL (hoje DEM) queriam deixar nos cargos quem já estava lá. Quem vier para cá não montará governo fora da realidade política. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão...”.
A questão de não fazer “concessão política” e sim “faço acordo”, me faaz lembrar do mensalão e os tais “recursos não contabilizados”. Ou seja, muda-se apenas o nome para a prática do mesmo crime...
Quanto ao restante da resposta, acredito que Lula deveria, publicamente, desculpar-se não apenas com o mundo católico, mas com todos os que se consideram cristãos. É uma agressão à pessoa de Jesus e à sua história. Total falta de respeito com aquele que preferiu a cruz do que conceder a fariseus e romanos. A isto chamamos de decência, de coerência, coisa da qual Lula sempre padeceu. Para ele, escrúpulos e caráter são apenas alguns vocábulos que colocaram no dicionário. Nada mais do que isso.
Como bem afirmou o governador de São Paulo, José Serra, "a entrevista mostra bem o que é o Lula. De ponta a ponta, na forma e no conteúdo".
Claro que o assunto vai render muita polêmica nos próximos e espero que alguém próximo à Lula o faça refletir na bobagem que disse e venha desculpar-se perante o maior país católico do planeta. Nós, cristãos, merecemos um mínimo de respeito. Lula não tem o direito de nos agredir com tamanha afronta, lembrando em passado o tal pastor evangélico que chutou a santa.
A seguir três respostas para Lula repensar e respeitar a história de Jesus.
CNBB diz que Cristo não fez alianças com fariseus e ironiza declaração de Lula
Por Mário Falcão, na Folha:
O secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Dimas Lara Barbosa, rebateu a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a necessidade de fazer alianças. Em entrevista à Folha Lula disse que Jesus Cristo teria que fazer uma coalizão com Judas se precisasse de apoio numa votação. “Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”, afirmou Lula.
Dom Dimas disse que, apesar de Judas ser um dos discípulos de Cristo, Jesus não fazia alianças com “fariseus” –numa referência a pessoas que parecem uma coisa por fora, mas por dentro são outra.
O representante da CNBB ainda ironizou a declaração do presidente. “Para governar o Brasil? Estamos tão mal assim? Queria dizer que, sem dúvida Judas foi discípulo de Cristo, mas Cristo conhece o coração das pessoas e reconhece a liberdade de cada um. Cristo não fez alianças com fariseus. Pelo contrário, teve palavras duras para com eles. Deus conhece o coração das pessoas”, afirmou.
Questionado se os fariseus nesse caso poderiam ser representados pelo PMDB, dom Dimas disse que não avalia alianças políticas.
Em um jantar, comandado pelo presidente Lula, na noite de terça-feira, petistas e peemedebistas fecharam uma pré-aliança para a campanha eleitoral de 2010.
“PMDB? Não. Não estou entrando em detalhes de partido nenhum. Não estou me referindo a nenhum partido. Tem gente de bem em todas as áreas”, afirmou.
Sem querer polemizar, dom Dimas cobrou do Congresso a análise do projeto de iniciativa popular que estabelece a “ficha limpa” para os candidatos que disputam cargos públicos. O movimento reuniu 1,3 milhão de assinaturas de brasileiros favoráveis à proposta e impede que candidatos com problemas na Justiça participem da disputa eleitoral.
“Temos que lutar pela ética na política e levar adiante esse projeto de fichas limpas. Estamos tendo dificuldades, mas tenho certeza que, com a vontade popular se manifestando, faremos o projeto chegar lá na frente. O trabalho com o bem comum exige o mínimo de ética e por isso queremos que pessoas com pendências não possam ser candidatos”, disse.
Perdoai-o, Pai, ele não sabe o que diz!
Ricardo Noblat
É espantosa a ignorância de Lula quanto à função da imprensa.
"Não acho que o papel da imprensa é fiscalizar. O papel é informar", disse ele a Kennedy Alencar em entrevista publicada, hoje, na Folha de S. Paulo. E acrescentou:
- Para ser fiscal, tem o Tribunal de Contas da União, a Corregedoria-Geral da República, tem um monte de coisas. A imprensa tem de ser o grande órgão informador da opinião pública. Essa informação pode ser de elogios ao governo, de denúncias sobre o governo, de outros assuntos. A única que peço a Deus é que a imprensa informe da maneira mais isenta possível, e as posições políticas sejam colocadas nos editoriais.
Como a imprensa pode ser "o grande orgão informador da opinião pública" se ela não examinar com atenção e rigor o comportamento e as decisões do governo? E como proceder assim sem que isso signifique "fiscalizar"?
Perdoai-o, Senhor, ele não sabe o que diz!
Uma vez, Lula admitiu que não gosta de notícia. Gosta de publicidade.
Quis dizer: gosta de elogios, de críticas, não.
Publicidade tem mais a ver com elogios. Jornalismo com críticas.
Sem ignorar a publicidade que denigre, comum em campanhas eleitorais. E o jornalismo sabujo e de aluguel, comum em qualquer época.
A entrevista de Lula à Folha será lembrada pela citação infeliz que ele fez de Jesus e Judas.
- Quem vier para cá não montará governo fora da realidade política. Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão.
Jesus morreu porque não abriu mão do que pensava. Não se coligou com as autoridades romanas nem com os sacerdotes judeus. Quanto a esses, expulsou-os do templo.
Sabia que seria traído por Judas. Não mexeu um dedinho para evitar que fosse.
Vai ver que Lula perdeu essa aula. Perdeu muitas outras
Da metamorfose à rendição
Clóvis Rossi:, Folha De S. Paulo
Que Luiz Inácio Lula da Silva foi, a partir de sua vitória de 2002, uma "metamorfose ambulante", nem precisava que ele próprio o dissesse. Os fatos falavam alto e claro.
O triste, como revela a entrevista que ele concedeu a Kennedy Alencar desta Folha, é que Lula passou da metamorfose à rendição a uma realidade política horrorosa.
Disse Lula: "Qualquer um que ganhar as eleições, pode ser o maior xiita deste país ou o maior direitista, ele não conseguirá montar o governo fora da realidade política.
Entre o que se quer e o que se pode fazer tem uma diferença do tamanho do oceano Atlântico. Quem ganhar a Presidência amanhã, terá de fazer quase a mesma composição, porque este é o espectro político brasileiro".
O presidente ainda acrescentou: "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".
Se Frei Betto, o confessor ou ex-confessor de Lula, tivesse ensinado seu amigo direitinho, o presidente aprenderia que Cristo foi crucificado justamente porque não fez coalizão com os judas da vida.
Que Lula tivesse obsessão com a governabilidade até dá para entender. Que desista de ao menos tentar reformar a "realidade política" é um irremediável desastre.
Só para qualificar o que é essa realidade: a Fundação Konrad Adenauer, ligada à democracia-cristã alemã, divulgou há dez dias o índice de desenvolvimento político da América Latina.
O Brasil consegue a proeza de ficar só no 8º lugar entre os 18 países listados. E estamos falando de América Latina, que é essa mixórdia arquiconhecida.
Tudo somado, dá para entender por que o presidente prefere que a imprensa não fiscalize o poder, apenas informe. Lula e seu partido trocaram a fiscalização do tempo de oposição pelo gozo do poder uma vez nele instalados.
Loucura geral: em tempo de terror no Rio, governo propõe amaciar os .... criminosos !
Adelson Elias Vasconcellos
No Globo Online somos informados que o governo federal apóia o fim da prisão de pequenos traficantes. Como é que é ? Será que esta gente perdeu a noção da realidade que vive o Rio de Janeiro por exemplo? O que é aquilo senão o terror implantado justamente por traficantes ? E por acaso os pequenos traficantes são mantidos, abastecidos e sustentados por quem senão pelos grandes traficantes?
Enquanto o país todo clama por segurança mínima, quando um estado, como o Rio, sofre os horrores oriundos da guerra de traficantes, que até aqui já produziu perto de 40 mortes em menos de uma semana, quando se espera das autoridades ações que reduzam a criminalidade a um mínimo suportável, prendendo e retirando das ruas marginais e criminosos que produzem cerca de 50 mil mortes por ano, muito mais do que todas as guerras que varrem o mundo juntas, aí os bestiais nos vem com uma idéia estúpida e estapafúrdia deste quilate ?
Vimos aqui, um reportagem do Estadão demonstrando que, desde 2007, a Segurança Pública do Rio vem, gradativamente, perdendo peso no orçamento do estado, e, inversamente, o crime organizado vem ganhando cada vez mais espaço, e nossas autoridades, preocupadíssima que estão, acham de propor um absurdo destes justo agora? Cadê os cinco “miraculosos” planos de segurança pública criados ao longo do governo Lula, com toda a pompa, majestade e solenidades repleta de um discurso indecente e indecoroso, e de resultados absolutamente zero? Onde foram parar os magníficos recursos e as ideias mirabolantes desta tropa de coque do sossego público?
Quantos inocentes mais haverão de morrer vitimados pelos tormentos que lhes impõem os narcocriminosos ? E quem foi o estúpido que arrancou o resto de cérebro que havia nas nossas autoridades para que eles agora propusessem tamanho acinte aos contribuintes que lhes pagam para nos protegerem dos criminosos livres, leves e soltos? E o apoio parte justamente do ministério da Justiça, ainda por cima ! Apreciaria saber que tipo de água Tarso Genro anda bebendo...
O mínimo que vai acontecer é que no Rio, por exemplo, acabarão todos os grandes traficantes. Todos, doravante, vão se declarar micros e pequenos traficantes, mas a esculhambação de matar a soldo continuará em crescimento geométrico. Santo Deus, já nem sei se esta gente que nos desgoverna, merece cadeia ou hospício !!!
A seguir, a notícia “bomba” de O Globo Online:
Governo apoia fim de prisão de pequenos traficantes
O Ministério da Justiça decidiu apoiar o fim da pena de prisão para pequenos traficantes de drogas que não tenham cometido atos de violência e não apresentem vínculo com organizações criminosas. Caberá ao deputado Paulo Teixeira (PT-SP) assinar o projeto.
O texto ainda está em estudo, mas também deve exigir que os réus apresentem bons antecedentes para ter direito à pena alternativa. O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, disse esperar que a mudança seja aprovada até a metade do ano que vem.
- Nós sabemos o que acontece nos presídios: as pessoas são detidas com pequenas quantidades de droga e acabam entregues de mão beijada para as organizações criminosas. É preciso separar o pequeno do grande traficante. Não haverá projeto de iniciativa do governo, mas vamos apoiar a proposta de mudança no Congresso - disse Abramovay.
A ideia é mudar a lei para oferecer penas alternativas a essas pessoas, o que evitaria que elas sejam recrutadas pelas facções que dominam muitos presídios brasileiros.
Para o deputado Paulo Teixeira, a alteração na lei antidrogas permitirá que polícia, Ministério Público e Judiciário concentrem esforços no combate ao crime organizado. Ele disse que a proposta não é ideológica e visa a tornar mais eficiente a repressão aos grandes traficantes.
- O aparato do Estado deve ser mobilizado para pegar os peixes grandes, não os pequenos. Estamos prendendo muitos bandidos pés-de-chinelo e sobrecarregando a polícia e a Justiça. É uma questão pragmática que precisamos enfrentar - disse.
ENQUANTO ISSO...
Participação de estrangeiro na dívida interna é recorde em setembro
Lorenna Rodrigues, Folha Online
A participação de investidores estrangeiros na dívida pública interna chegou a 7,15% em setembro. De acordo com o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Fernando Garrido, o nível é o maior da série histórica, iniciada em janeiro de 2006.
"Isso reflete basicamente a confiança dos investidores estrangeiros nos fundamentos econômicos do país e a retomada da economia brasileira", afirmou.
Em agosto, a participação de estrangeiros na dívida era de 6,15%. Em março deste ano, a fatia era de 5,65%. Para Garrido, ainda é cedo para avaliar se a cobrança de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre capital estrangeiro afetará a participação desses investidores na dívida interna.
"Para os investidores de longo prazo, o ministério acredita que essa taxa é pouco significativa. Essa taxa tende a afetar de maneira mais relevante a rentabilidade dos investidores de um horizonte mais curto", completou.
ENQUANTO ISSO...
Estrangeiro tira R$1,3 bi da Bovespa no 1º pregão com IOF
Reuters
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) registrou a saída líquida de estrangeiros de mais de R$ 1 bilhão na última terça-feira, primeiro dia de vigência da cobrança de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no investimento estrangeiro em renda variável, segundo dados da BM&FBovespa divulgados nesta quinta-feira.
As vendas de ações por não-residentes superaram as compras em R$ 1,262 bilhão.
Naquele pregão, o Ibovespa fechou em baixa de 2,88%, maior queda diária em quatro meses. Durante os negócios, a baixa chegou a ser de quase 5 por cento.
Com isso, o superavit estrangeiro na Bovespa em outubro até a última terça-feira caiu para R$ 3,757 bilhões, ao passo que o saldo líquido no ano até a mesma data cedeu a R$ 21,764 bilhões.
Fim da taxação
Nesta quinta-feira, o presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, pediu ao ministro Guido Mantega (Fazenda) que retire a cobrança de 2% de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) no investimento estrangeiro em renda variável.
"Nosso pleito principal é que reverta essa taxação para o mercado de renda variável, para que possamos continuar tendo um mercado de capitais forte e que possa acompanhar o crescimento do país", afirmou Edemir após o encontro.
Na reunião, que durou mais de duas horas, o presidente da BM&FBovespa apresentou outras sugestões para mitigar a entrada excessiva de dólares no país --que foi o motivo alegado pela Fazenda para elevar o tributo.
O executivo pediu que o governo permita que o investidor estrangeiro que aplica no mercado de derivativos e opções de ações possa apresentar fora do país as garantias exigidas na operação, o que evitaria a entrada de dólares no Brasil para esse fim. De acordo com ele, hoje há um estoque de US$ 8 bilhões em garantias depositas no Brasil, e parte deste dinheiro poderia ser transferido para o exterior.
Outra sugestão apresentada foi, caso o governo insista em taxar o investimento estrangeiro na Bolsa, é que isente as entradas para IPOs (ofertas iniciais de ações) e ofertas secundárias (venda de ações já lançadas). Segundo Edemir, o ministro foi receptivo às sugestões, mas não deu nenhum prazo para responder à BM&FBovespa.
"Há uma preocupação de transferência do mercado de ações [brasileiro] para o mercado de Nova York. Isso realmente é muito ruim", disse. "Acredito que ele [Mantega] realmente está com um volume de informações suficiente para tomar uma boa decisão".
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Bem aí está aquilo que sempre afirmamos: o ingresso maciço de dólares no País, que provocavam uma valorização do real frente ao dólar acima da média mundiais das demais moedas fortes, se dava não pela lorota oficial de que nossas exportações estavam crescendo, e sim pelos investimentos do capital motel em títulos do governo. Títulos estes sobre os quais se aplicavam as maiores taxas de juros reais do mundo...
A aplicação de IOF sobre o capital estrangeiro, na forma como o governo determinou, acabará penalizando não o capital especulativo conforme já demonstramos, e sim o capital que ingressa na forma de investimentos em produção, via Bolsa de Valores. E a conta é muito simples: como o BC mantém os juros em 8,75%, descontada a inflação, o saldo fica em 4,3% de juros reais. Ora, como a taxa do IOF será de 2%, ainda haverá um ganho real de 2,3%, que, para os tempos bicudos que vivemos, é uma enormidade. E que é pior: sem risco algum, ao contrário dos investimentos em ações.
Portanto, a equipe econômica de Lula precisa repensar e tratar de melhor adequar a forma de taxação para não causar transtornos às empresas nacionais. Quem tem que pagar pedágio, e alto, é o capital ESPECULATIVO, e nunca o produtivo.
TOQUEDEPRIMA...
***** O mensalão nas telas - com a ajuda do BNDES
Lauro Jardim, Radar, Veja online
O governo, quem diria, vai financiar um filme que trata do Mensalão - logo, ele que sempre negou a existência do escândalo.
Ontem, o BNDES divulgou uma seleção de projetos que o banco incentivará. Um total de 14 milhões de reais para 25 filmes. Entre os contemplados, Nunca Antes na História deste País, de José Padilha, o mesmo diretor de Tropa de Elite. Padilha vai receber 1 milhão de reais do BNDES para contar uma história que se passa em Brasília, durante os anos do Mensalão.
Te cuida, Luciano Coutinho. Vai ter petista colérico com a decisão do banco que, afinal, é surpreendente e deve ser celebrada.
COMENTANDO A NOTÍCIA: É o verdadeiro samba do crioulo doido na republiqueta das bananas. Esta gente perdeu toda a compostura e vergonha que lhes restava. Será que o BNDES não coisa melhor para investir o dinheiro público?
***** Uma opinião correta sobre a CPI do MST
“O governo não vai querer analisar nada”, afirmou Senadora tucana Marisa Serrano (MS), sobre as investigações da CPMI do MST. E nem pode deixar que se investigue qualquer coisa. Seria o mesmo que uma confissão de culpa lavrada em cartório e com firma reconhecida. Tanto o INCRA quanto o Ministério do Desenvolvimento Agrário são braços estendidos do MST no governo Lula. E este governo teria que assumir o crime de responsabilidade pelos crimes cometidos pelos bandoleiros.
E a título de ilustração, sabemos que Neuri Mantovani, que integrou a primeira direção do Movimento dos Sem-Terra, vai substituir Marcos Lima na Subsecretaria de Assuntos Parlamentares da Presidência da República. Portanto,....
***** Pelegada acha pensão milionária insuficiente
Site Cláudio Humberto
O Ministério da Justiça analisa a revisão da “anistia política” da presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas Graziella Baggio. Ela achou pouco R$ 7 mil mensais e R$ 648 mil retroativos. Pensionistas do Aerus sustentam que ela não seria mais aeroviária e não poderia presidir o sindicato. Há um ano, os aeronautas suspenderam na Justiça uma eleição fraudada e o mandato de Graziella já venceu.
***** Advogado contrário às Olimpíadas no Rio 2016 escapa de processo
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu habeas corpus pelo trancamento da Ação Penal que o Ministério Público do estado moveu contra o advogado paulista Alberto Murray Neto. O crime imputado pelo MP a Murray, que fez campanha contra a indicação do Rio para sediar a Olimpíada de 2016, foi ter distribuído um e-mail para membros do Comitê Olímpico Brasileiro contendo uma fotomontagem do Cristo Redentor vestido com um colete à prova de balas e empunhando uma metralhadora e uma pistola.
Perguntinha simples: e no quê o advogado paulista estava errado? Falar a verdade agora é crime?
***** 'Novo' Enem custa mais de R$ 130 mi. Que descuido caro, hein, ministro !
As despesas com o novo Exame Nacional do Ensino Médio já superam os R$ 130 milhões. Segundos os dados publicados no Diário Oficial da União o contrato assinado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais com o consórcio formado pela Fub/Cespe e Cesgranrio traz um custo operacional de R$ 99,96 milhões. De acordo com o extrato de dispensa de licitação publicado pelo Inep, o consórcio será responsável pela "operacionalização de procedimentos relativos ao Enem 2009, conforme condições e especificações contidas no projeto básico". A impressão da nova prova pela gráfica RR Donnelly Moore ainda vai custar R$ 31,9 milhões. O ministro José Gomes Temporão já anunciou que o custo deve superar os R$ 140 milhões.
***** Serra critica frase de Lula sobre Cristo: "Mostra o que é o Lula"
O governador de São Paulo, José Serra, criticou a citação do presidente Lula, que disse que Jesus Cristo, na política brasileira, teria que fazer aliança com Judas para ter governabilidade. Isso "mostra o que é o Lula", afirmou Serra, pré-candidato à presidência da República.
A fala de Lula fazia menção à coalização do PT com o PMDB de José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, suspeito de irregularidades. PT e PMDB fecharam um pré-acordo de apoio à Dilma Rousseff em 2010.
"A entrevista mostra bem o que é o Lula. De ponta a ponta, na forma e no conteúdo", alfinetou o governador paulista.
***** Brasil é o 5º maior mercado para celular e internet no mundo
O Brasil já é o quinto maior mercado para celulares e internautas no mundo, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em termos de penetração, no entanto, o País ainda está distante dos líderes. O levantamento aponta ainda que mais de metade da fabricação e exportação de bens de tecnologia hoje ocorre nos países em desenvolvimento. Contudo, o Brasil é deficitário nesse setor e as exportações do País não chegam a 1% das vendas anuais da China ao mundo.
De acordo com os dados da ONU, o País somou ao final de 2008 150,6 milhões de contratos de celulares. Em 2003, eram somente 47 milhões. A liderança é da China, com 641 milhões de contratos de celulares, mais que o dobro da taxa de 2003. Na Índia são outros 346 milhões. Os dois países já superam os Estados Unidos, com 270 milhões de celulares.
***** Receita deflagra Operação Mansões, que investiga imóveis de alto padrão
A Receita Federal anunciou nesta quinta-feira que vai convocar 10 mil responsáveis por obras de construção civil de alto padrão, situadas especialmente em condomínios fechados, para cobrar o recolhimento das contribuições previdenciárias de funcionários.
A falta de pagamento foi detectada por meio do cruzamento das matrículas das construções na Receita Federal com as informações encaminhadas mensalmente pelas prefeituras municipais sobre recolhimento de impostos.
A operação começará por São Paulo, mas deverá ser estendida a outras regiões do país, segundo o secretário da Receita Federal, Otacílio Dantas Cartaxo.
Sugestão para o secretário da Receita Federal: e por que não começar por Brasília? Garanto que a pescaria teria melhor sorte...
***** Brasil lidera alta de empréstimos internacionais no 2º trimestre
O Brasil registrou o crescimento mais elevado de linhas de créditos internacionais entre todos os países emergentes, perdendo somente para Cingapura, e o sétimo maior do mundo. A alta dos empréstimos externos foi de US$ 11,5 bilhões entre abril e junho apresentando uma reviravolta em relação ao recuo de US$ 13 bilhões no primeiro trimestre do ano e US$ 21 bilhões nos últimos três meses de 2008.
Os dados são do Banco de Compensações Internacionais (BIS, o banco central dos bancos centrais), que nesta quinta-feira informou que os empréstimos, créditos e fluxos do sistema financeiro internacional no segundo trimestre do ano permanecem caindo no mundo, ainda que a redução seja mais leve.
***** Segundo Anatel, Brasil tem 166,1 milhões de celulares até setembro. E ainda tem gente que foi contra às privatizações !!!!
O número de celulares no Brasil alcançou 166,1 milhões em setembro, segundo levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). No mês passado, foram vendidos 1,58 milhão de telefones móveis, o que representa um crescimento de 0,96% sobre o número total de celulares registrados em agosto. Pelos dados da agência, há no País 86,67 telefones por grupo de 100 habitantes.
Do total de celulares, 82,21% estão na modalidade pré-paga, enquanto os demais 17,79% usam o sistema pós-pago. De janeiro a setembro de 2009 foram vendidos 15,4 milhões de telefones móveis, o segundo melhor desempenho, perdendo apenas para o ano passado, quando foram vendidos 19,8 milhões de celulares no mesmo período.
A Vivo continua na liderança do mercado, com 29,4% dos clientes em todo o País. A Claro vem em segundo lugar, com 25,45%, seguida da TIM, com 23,85%, e da Oi, com 20,93%. Os telefones de terceira geração (3G) e os modens de acesso à internet somaram 6,5 milhões em setembro.
****** Piada do ano: União Europeia acredita que Lula pode ajudar a moderar Ahmadinejad
Esta é prá chorar de rir...
O chefe da diplomacia da União Europeia, Javier Solana, afirmou que conta com a ajuda do governo brasileiro para moderar a posição do ultraconservador presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. O iraniano deve chegar a Brasília para visita oficial no próximo dia 23 de novembro, após seguidos adiamentos para evitar tensões diplomáticas. "Cada governo tem autonomia para tomar suas decisões em política externa, e este caso acho que o Brasil pode até ajudar a aproximar o Irã de nossas posições", disse Solana. "Confio totalmente no presidente Lula", acrescentou.
Caso tudo corra certo, a viagem será a primeira de Ahmadinejad ao Brasil, país com o qual o Irã estreitou relações políticas e econômicas nos últimos meses. O diretor da Associação de Amizade Irã-Brasil, Mir-Qasem Momeni, confirmou a visita do presidente no último dia 11 e afirmou que, durante a viagem, serão discutidas questões econômicas e culturais, assim como a ampliação das relações bilaterais.
***** Tribunal de Justiça rejeita novo recurso de jornal no caso Fernando Sarney. Onde foi parar a democracia, a constituição?
A 5ª Turma Cível do TJ-DF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal) negou na última quarta-feira o último recurso do jornal "O Estado de S. Paulo" naquela corte, mantendo a proibição de divulgar notícias relativas à Operação Boi Barrica, que envolve Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney.
O TJ manteve a decisão de setembro, que havia concluído que a competência para julgar o caso é da Justiça Federal do Maranhão, onde corre o processo sobre a operação da Polícia Federal. O jornal pedia que o TJ reconsiderasse a posição inicial, mas os desembargadores reafirmaram sua decisão, mantendo a proibição e o envio dos autos à Justiça maranhense. Agora, o jornal poderá recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Decisão que enche de vergonha todo o Poder judiciário.
Colline Des Singes
Guilherme Fiúza, Revista Época
As autoridades da República, nas esferas executiva, legislativa e judiciária, nos níveis municipal, estadual e federal, estão empenhadas num grande debate: qual era o calibre da arma do traficante que derrubou o helicóptero da polícia no Rio?
Mas os mandatários do Brasil não discutem só isso. Há estudos profundos sobre as táticas de invasão da bandidagem ao Morro dos Macacos. Uns dizem que o assalto da quadrilha A ao território da quadrilha B foi “dissimulado”. Outros dizem que foi abrupto.
Até 2016, quando o Rio de Janeiro sedia os Jogos Olímpicos, certamente já estará pronta a tese de doutorado das autoridades brasileiras sobre a geopolítica do tiro ao alvo contra o helicóptero da PM.
Uma fonte deste espaço assistiu a tudo de Paris, pela TV. As cenas do helicóptero nos céus em chamas vinham acompanhadas de explicações sobre a guerra na Colline des Singes (Morro dos Macacos). Deve ser a isso que os especialistas chamam de “sensação de insegurança”.
“O problema do fuzil é o alcance dele”, explica uma das autoridades. É o tipo de explicação que tranqüiliza a população. Diminui a sensação de insegurança. O ministro da Justiça de Lula grita que não tem nada a ver com isso. Outro momento de alívio.
Se a internacionalmente famosa guerra na Colline des Singes não é problema dele, vai ver até que o problema não existe. Vão acabar descobrindo que o helicóptero se chocou com um balão de São João.
Esses bandidos cariocas andam se comportando muito mal. Invadem os territórios uns dos outros sem avisar a ninguém. Agem de forma dissimulada, sem a menor transparência. Estão completamente insensíveis ao alcance dos seus fuzis.
O governador do Rio, o ministro da Justiça e o presidente da República estão cobertos de razão. Não há outra coisa a fazer, senão exigir um pouco de racionalidade dos traficantes. Chega de barbarizar sem ética.
Os membros do Comitê Olímpico Internacional, que escolheu a cidade da Colline des Singes para sede das Olimpíadas de 2016, já tomaram suas providências: soltaram um pigarro, deram uma tossidinha e desligaram a TV.
Mas vêm aí as eleições de 2010, e tudo será posto em pratos limpos. Vamos discutir a privatização do Rio São Francisco e a transposição da Vale. Ou vice-versa. Tanto faz.
Segurança pública perde peso no orçamento do Rio desde 2007
Alfredo Junqueira - O Estado de S. Paulo
Apesar de crescimento em valores absolutos entre 2006 e setembro de 2009, participação nos gastos caiu 4,39%
RIO - O peso das despesas de segurança pública no orçamento do Estado do Rio vem caindo desde que o governador Sérgio Cabral (PMDB) assumiu o poder, em 2007. Ainda que os gastos no setor tenham crescido em valores absolutos entre 2006 e setembro de 2009, a participação relativa no orçamento do Estado caiu 4,39%. Em 2006, as despesas liquidadas do estado somaram R$ 34,12 bilhões e os gastos em segurança ficaram em R$ 4,20 bilhões - ou 12,31% do total. No ano seguinte, primeiro da gestão Cabral, o total do orçamento realizado subiu para R$ 35,47 bilhões, enquanto a segurança consumiu 4,36 bilhões - 12,29%.
Ano passado, quando a administração estadual arrecadou cerca de R$ 3 bilhões a mais do que a previsão inicial, a proporção caiu para 12,02% - o governo liquidou R$ 40,50 bilhões e a segurança recebeu R$ 4,87 bilhões. Até setembro deste ano, os valores realizados na rubrica segurança pública representavam 11,77% do que o estado já realizou. Os dados são do Sistema de Informações Gerenciais (SIG) da Secretaria de Estado de Fazenda do Rio.
A participação relativa com o pagamento de pessoal na área de segurança também teve redução nos gastos totais da folha do estado. Desde que Cabral assumiu o governo, o peso da despesa com salários e encargos com policiais, bombeiros, agente penitenciários e demais servidores do setor passou de 21,7% para 19,9%.
Em sua campanha ao governo do estado em 2006, o então candidato peemedebista prometia dobrar o efetivo da PM e aumentar em 50% o número de agentes da Polícia Civil. Compromisso semelhante foi assumido no dossiê da candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos de 2016. Neste caso, a promessa é aumentar o número de PMs de 38 mil para 54 mil até 2012.
Autor do levantamento, o deputado estadual Alessandro Molon (PT) informou que vai pedir para que a Comissão de Orçamento da Assembleia Legislativa, que está analisando a programação de receitas e despesas do estado para o ano que vem, convoque o secretário de estado de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, para tratar do assunto.
"São dados que mostram a mesma coisa: o governo prioriza a segurança apenas no discurso, não faz o mesmo nos gastos", disse Molon. O parlamentar destacou ainda o que chamou de contradição entre o principal projeto de segurança do governo, as unidades de polícia pacificadora (UPPs) nas favelas do estado, e a diminuição dos gastos com pessoal em segurança pública. "O essencial nesse projeto é pessoal. São policiais. A conta não fecha", afirma o deputado.
Irritado com o que chamou de "tortura de números para se comprovar qualquer tese", o secretário estadual de Planejamento e Gestão, Sérgio Ruy Barbosa, desqualificou a análise dos dados. "Não dá para comparar banana com laranja", alegou. Ele afirmou que a composição de receitas no orçamento varia a cada ano e isso pode provocar oscilações nos números. O secretário destacou ainda que a despesa de pessoal (em valores absolutos) da área de segurança aumentou 67% entre 2006 e o que vai ser gasto ano que vem.
"Isso não é o argumento que prova a tese de que a segurança não é prioridade no governo Sérgio Cabral. A composição das receitas é diferente a cada ano. Pode haver uma participação menor das receitas de tesouro num determinado exercício e como ela corresponde a 95% do financiamento da segurança, a despesa liquidada do setor acaba sendo relativamente menor ao conjunto do setor", disse Sérgio Ruy.
O secretário ainda alegou que, em 2007 e 2008, teve que cumprir 24 planos de cargos e carreira assinados no fim da administração anterior.
Exportadores estão pessimistas mostra pesquisa da FGV
Alessandra Saraiva, de O Estado de S. Paulo
Índice de Confiança da Indústria (ICI) de exportadoras está em 86,9 pontos; abaixo de 100, indica pessimismo
RIO - A recuperação da indústria voltada à exportação segue ainda abaixo da retomada geral do setor industrial do País. Levantamento especial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a pedido da Agência Estado, revela que os resultados mais recentes do Índice de Confiança da Indústria (ICI) não são tão otimistas quando concentrado apenas neste segmento. Em um universo de 66 exportadoras pesquisadas - com mais de 50% de seu faturamento em vendas externas -, o ICI foi de 86,9 pontos em setembro, o menor nível para o mês em oito anos. Por esta tabela, resultados abaixo de 100 pontos indicam pessimismo.
O câmbio é apontado como o principal motivo para as expectativas adversas da indústria exportadora. O diretor-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, ressalta que, na comparação com meses anteriores, houve melhora na confiança do exportador em setembro. Mas acredita que o desempenho este ano ainda está longe do apresentado em 2008.
A previsão mais recente da AEB para 2009 é que o volume de exportações brasileiras atinja US$ 153 bilhões, saldo 22,3% inferior ao apurado em 2008, quando as vendas externas brasileiras bateram US$ 197 bilhões. A AEB tende a revisar para cima a estimativa. "Mas mesmo com a revisão, não chegará, nem de longe, perto do desempenho que tivemos no ano passado", acrescentou.
O coordenador de Análises Conjunturais da FGV, Aloisio Campelo, avalia que a retomada da economia brasileira continua atrelada ao consumo interno, cuja demanda se recupera de forma mais rápida. "A demanda externa está se recuperando, mas ainda de forma muito lenta e gradual", afirmou. O ICI dos exportadores, calculado em escala de 0 a 200 pontos, também foi menor do que o da indústria da transformação como um todo, que alcançou 109,5 pontos.
"O mês de setembro apresentou uma grande melhora em relação a agosto, quando a confiança dos exportadores foi de 71,1 pontos. Mas ainda está abaixo do registrado em 2008", disse Campelo. No levantamento da fundação, é possível perceber que o ICI no primeiro semestre de 2008 entre as companhias exportadoras ficou acima de 100 pontos (o que significa otimismo), em todos os meses daquele período. No primeiro semestre de 2009, o ICI das exportadoras atingiu níveis entre 40 e 60 pontos.
O principal problema observado por Castro para a rentabilidade dos exportadores é o câmbio. Para a AEB, um "patamar de equilíbrio" para o dólar seria em torno de R$ 2,20. Nesse nível, a moeda norte-americana seria suficiente para angariar lucro nas exportações e, ao mesmo tempo, não elevaria tanto os custos dos empresários com a compra de insumos importados.
Porém, o cenário atual não aponta para um patamar acima de R$ 2 para o dólar no curto prazo, na análise do economista da LCA Consultores Francisco Pessoa. A estimativa do especialista é que o dólar fique em R$ 1,65 ao final de 2009. "Mesmo com a medida de taxação via IOF de 2% para capital estrangeiro (anunciada pelo governo para conter a enxurrada de dólares no País), a tendência é de apreciação cambial", afirmou o economista.
Sobre o IOF, tanto Castro como Pessoa encararam a medida como de pouco efeito para conter, de forma expressiva, a apreciação do real. Isso porque há cada vez mais perspectivas de entrada de recursos estrangeiros no País, no médio prazo. Um dos exemplos citados por Pessoa foi a previsão de investimentos para o pré-sal, que demandará recursos de US$ 400 bilhões. Para ele, grande parte dos investimentos devem vir do capital estrangeiro.
O diretor da Tendências Consultoria Nathan Blanche também prevê o dólar a R$ 1,65 ao final de 2009. Na análise do especialista, há a possibilidade de elevar a cotação para em torno de R$ 1,70 e R$ 1,75 no ano que vem, devido a um fator: o ano de eleições. Ele lembrou que será a primeira vez em oito anos que Luiz Inácio Lula da Silva não concorrerá e isso pode deixar os investidores estrangeiros mais cautelosos em relação ao Brasil, o que pode inibir um pouco a entrada de capital estrangeiro.
Mas não será suficiente para elevar o dólar acima de R$ 2, em sua avaliação. "O que os exportadores têm que fazer é aumentar o faturamento via produtividade, e não pelo câmbio", lembrando que as exportações brasileiras tem pouca penetração de manufaturados e ainda são muito concentradas em commodities, cujos preços são fortemente influenciados pelo dólar.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Pelo comportamento da equipe econômica e até pelo que se depreende da entrevista de Lua à Folha de São Paulo, parece que este governo não se deu conta ainda da importância de priorizar as exportações. E por uma razão bem simples: além de trazerem divisas para o País, que ajudam a ajustar as contas públicas, permitem investimentos geradores de emprego e renda, as exportações geram empregos aqui dentro, e não lá fora. Durante o governo Lula temos alertado o cuidado que o governo deveria manter para não permitir a excessiva valorização do real frente ao dolar justamente a partir destes fatos.
A medida de se cobrar IOF sobre o capital estrangeiro está correta como medida, mas sua forma, além de chegar com atraso de 5 anos pelomenos, ainda permite que o capital especulativo tenha fortes ganhos, considerando as taxas de juros. Está errada, conforme ontem informamos, porque está cobrando na entrada do capital, e na sua saída e sobre seus ganhos. Mantega alega que é mais difícil, mas o Chile pratica tal política sem problema nenhum há muiktos anos e nem por isso tem problemas...
Além disto, o IOF é apenas uma das medidas, mas há outras igualmente necessárias para que o câmbio desajustado como está, não acabe sufocando a indústria nacional. E, apesar de toda a demonização praticada pelo governo contra o agronegócio, é ele que sustenta mais de 30% do que o país vende, e é graças a ele que o país acumulou mais de 200 bilhões de reservas.
O governo, conforme dissemos, ainda não despertou para a importância que o câmbio tem para a manautenção da estabilidade econômica do país.
Um vigarista a serviço de si mesmo
Adelson Elias Vasconcellos
A pior praga dentre os “homens públicos” é a falta total de escrúpulos. A filosofia básica desta gente é a de que os fins justificam os meios. E os fins, aqui, é empregado no sentido literal de amarrar-se ao poder. Mas, dentre os homens comuns, a praga mais nociva é a da falta de caráter. Moral, decência e ética são vocábulos que eles fazem questão de ignorar. Cobram dos outros, mas jamais praticam um miserável ato que os dignifique. A Razão? As mais variadas e nefastas possíveis.
No caso do nosso presidente não saberia distinguir um personagem do outro. Fica difícil saber se um não tem escrúpulo porque o outro não tem caráter, ou ao contrário...
Nesta semana, seu comportamento não foi diferente. Pressionado pela opinião pública, então, parece que o capeta toma conta de sua mente e sai por aí a disparar diatribes sem limite algum. Nestas horas, sua personalidade arrogante deixa aflorar toda uma estupidez, uma ignorância sórdida e maldosa, disparando e destilando um fel delirante contra quem o contradiz, ou o critica. Pessoas de sua convivência diária sabem muito bem deste lado demoníaco de Lula...
Mas há um lado maldoso de Lula que não precisa de motivos para existir: é a compunção extremada de, primeiro negar a história do país e, segundo, de transferir para si obras que não lhe pertence. Muito embora boa parte da população ignore, os bem informados sabem que as ações sociais do governo em favor dos mais pobres não começou com bolsa-família coisa nenhuma. Sarney tentou alguma coisa na década de 80, mas foi o presidente Fernando Henrique quem de fato tornou os programas sociais programas de governo. Lula apenas os reuniu e ampliou o universo de beneficiários, cuidando de afastar algumas condicionantes básicas (e limitadoras), transfigurando aquilo que era para ser social em programa eleitoreiro. A propaganda intensiva (e mentirosa) deu certo. Hoje, grande parte da população o considera “pai dos pobres”.
Outra obra “roubada” foi a estabilidade econômica. Lula não mexeu numa vírgula sequer naquilo que encontrou. Até pelo contrário: aprofundou medidas que ele, na oposição, combatia e afirmava que não dariam certo.
Mas as duas obras acima já as comentamos aqui a exaustão. Portanto, como já afirmei antes, a mim o “cara” não engana com seu discurso mistificador e sua propaganda enganosa. .
Mais: não satisfeito, cometeu outro ilícito com o seu PAC cretino. Já apontei aqui, em diferentes ocasiões que, do conjunto de obras de infraestrutura reunidas no PAC, mais de 80% tiveram começo em governos anteriores ao seu, como a Ferrovia Norte-Sul, por exemplo, lançada no governo de José Sarney. Porém, foi no governo Fernando Henrique que se tratou com a devida competência destas obras. Foram todas reunidas em grupamentos homogêneos, devidamente convertidas em projetos de viabilidade econômica, estudos de impacto ambiental dentre outros. Esta relação organizada Lula encontrou-a pronta quando assumiu em 2003. Ao invés de lhe dar sequência, como qualquer governante com um mínimo de responsabilidade deveria fazê-lo, tratou foi de suspender todas as obras que estavam em curso (para reestudo justificava-se na época). Passou todo seu primeiro mandato sem sequer preocupar-se com as necessidades do país. Tivesse feito e, por certo, durante o período de maior prosperidade econômica que o mundo moderno já experimentou, e o Brasil teria crescido a taxas superiores a 7%, que foi a média mundial, enquanto a nossa, com Lula, não superou os 5%.
Fazer como Dilma pretende, durante a campanha eleitoral de 2010, comparar um período e outro, seria e é vigarice suprema. Por quê? Porque se deseja comparar um país quebrado, sem crédito no cenário mundial (por conta da moratória da dívida externa em 1985, decretada por Sarney), com uma dívida interna e externa fora de controle, com agricultura em frangalhos e com parque industrial sucateado, e uma infraestrutura às moscas, contas públicas em descalabro e hiperinflação descontrolada, com um governo que recebeu um outro país, organizado, contas públicas saneadas, moeda forte, economia estabilizada, inflação controlada, estabilidade política, instituições fortalecidas, sistema financeiro fortalecido e recuperado e um conjunto de programas tanto na infraestrutura quanto nas políticas sociais e de saúde em pleno vigor. Para ser possível a pretensão de Dilma, seria necessário que Lula tivesse recebido o país do mesmo modo como Fernando Henrique o recebeu em 1995. Portanto, são momentos tão distintos entre si, que comparações se tornam inexeqüíveis e não passam de charlatanismo barato e vigarice doentia. E, considserando o país que lhe foi entregue e o cenário mundial favorável, Lula TINHA A OBRIGAÇÃO DE FAZER MUITO MAIS E MELHOR. E, se não o fez, que o digam a segurança e a saúde públicas, foi por absoluta incomptência. E tudo isto é um fato e não apenas uma mera suposição ou opinião.
Porém, parte do discurso canalha e da propaganda mentirosa encontra eco em parte de uma imprensa submissa e sem a coragem de se posicionar em favor da verdade. Apenas para lembrar, durante o período FHC o mundo cresceu na média inferior a 3% ao ano, e enfrentou pelo menos 5 graves crises financeiras ao longo do período, ao passo que no período Lula o mundo chegou a 7% de crescimento na média, e com uma única grave crise financeira mundial e isto já na metade de seu mandato. Poucos falam do Brasil que FHC encontrou em 1995 quando chegou na presidência, e tratam de não comparar ao Brasil que ele entregou em janeiro de 2003 para seu sucessor. Seria por má fé? Vigarice? Cretinice? É tudo isto junto, e muito mais ainda!
E, para minha surpresa, quando não esperava que Lula se aproveitasse da pouca memória do País para se apropriar e surrupiar novas obras alheias em seu favor, eis que a própria imprensa noticia um novo PAC, o das Cidades Históricas e faz questão de frisar de que se trata da reedição de um programa semelhante lançado por FHC. A notícia terá sido descuido da guarda pretoriana da imprensa em favor do "cara"?
Mas há na edição de hoje, uma nova lembrança feita por Xico Graziano, no Estadão. Trata-se do PRONAF, programa que Lula e PT fazem questão de destacar e arrolarem para si, esquecendo de lembrar por quem ele foi lançado. É, de novo, FHC. Claro, a gente poderia lembrar de um outro que se casava ao PRONAF, o Luz Para Todos. E, acreditem, a lista é bem mais extensa.
Lula insiste em dizer que, ao entregar a faixa presidencial em 2011, fará questão de registrar as obras de seu governo em cartório... Sinceramente? Duvido que o faça e por uma simples razão: todas as obras e programas lançadas no tempo de 1995 a 2002, seriam lembradas e repetidas na relação de Lula para o período 2003 a 2010. Claro, não faltaria um abelhudo de comparar os períodos e se defrontar com as inúmeras coindências. O que faltou à FHC sobrou para Lula: esperteza e talento para capitalizar, politicamente, o seu governo, mesmo que para tanto tenha se valido de obras e programas alheios, apropriados abaixo de muita mentira e mistificação...
Nesta semana, Lula, em mais um comício de “obras”, chegou a afirmar que: “É muito fácil assumir a Presidência da República e não fazer nada porque ninguém nunca fez. Os outros presidentes são todos da mesma laia. Mas eu precisava fazer.” E vocês quando ele soltou esta “pérola” ? No momento em que discursava na solenidade de assinatura de seu PAC das Cidades Históricas, em substituição ao “Monumenta”, programa lançado por Fernando Henrique em 2.000. É muita cara pau do "cara"...E gente que pratica a vigarice de se vangloriar com o chapéu alheio, pertence a que "laia"? Talvez no código penal brasileiro a pesquisa fica mais fácil...
Assim, auto-declarar-se o maior de todos os tempos acaba produzindo seus efeitos de esconder a verdade para vender a imagem de salvador da pátria. Qual a diferença do PAC das Cidades Históricas de agora para o mesmo programa anterior? Nenhuma, a não ser maior dotação de investimentos. Portanto, vigarice monumental no PAC da história...
Assim, auto-declarar-se o maior de todos os tempos acaba produzindo seus efeitos de esconder a verdade para vender a imagem de salvador da pátria. Qual a diferença do PAC das Cidades Históricas de agora para o mesmo programa anterior? Nenhuma, a não ser maior dotação de investimentos. Portanto, vigarice monumental no PAC da história...
E não há como negar: Lula continua fazendo história como o maior vigarista da vida republicana brasileira. Os fatos estão todos expostos aí, para quem quiser conhecer a verdade. Mas é preciso retornar ao pensamento inicial deste artigo: não basta apenas ter escrúpulos como homem público, é preciso ter caráter reto como cidadão. E, nesse caso, o figurino parece assentar-se muito mal no "cara"...
A reportagem é de Breno Costa, para a Folha de São Paulo.
Lula apresenta programa de FHC com roupagem do PAC…
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança hoje, em Ouro Preto (95 km de Belo Horizonte), mais uma franquia do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Desta vez, o foco são as cidades históricas.
Apesar da nova roupagem e do maior volume de recursos, na prática o programa é uma reapresentação do programa Monumenta, criado ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2000.
O Ministério da Cultura diz que o PAC Cidades Históricas é fruto do Monumenta, que será “replicado” e “ampliado”.
Com previsão de investimentos de R$ 890 milhões em até 173 municípios até 2012, a nova franquia do PAC prevê os mesmos tipos de ações já executadas no Monumenta. De imediato, 32 cidades serão beneficiadas. O resto depende de apresentação de projetos por parte das prefeituras, e da aprovação deles pelo governo.
Uma das principais diferenças entre os dois programas é que, agora, os recursos virão diretamente do governo, por meio de um pool de ministérios -Cultura, Turismo, Cidades e Educação-, estatais e BNDES.
No caso do Monumenta, que investiu R$ 250 milhões em 26 cidades desde a sua criação (valor que agora deve ser investido anualmente), a verba vinha de contrato firmado entre o governo e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O contrato expira este ano.
O presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Luiz Fernando de Almeida, diz que, agora, os investimentos serão uma “política pública permanente”.
No caso das 26 cidades do Monumenta, as intervenções do Iphan não resolveram todos os problemas. Levantamento da Folha nos últimos relatórios de conservação das ações, de abril, revela que 62% das intervenções ainda apresentam problemas, como infiltrações e ausência de sistemas de prevenção de incêndios. Almeida afirma que soluções são cobradas das respectivas prefeituras. O mesmo modelo será mantido no novo braço do PAC, diz.
Farsesca agrária
Xico Graziano, Estadão
Preciosas informações sobre o campo foram recentemente divulgadas pelo IBGE. Elas confirmam o crescimento da agricultura familiar, cujas unidades passaram de 4,1 milhões para 4,5 milhões. Significam agora 88% do número total de estabelecimentos agropecuários do País. A força do pequeno.
Esse interessante fenômeno da economia rural carece de melhor análise acadêmica. Certamente, porém, o apoio do Estado tem sido fundamental nesse processo, desde a criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Isso ocorreu em 1995.
Os petistas inquietam-se e escondem a inveja. Mas foi o presidente Fernando Henrique Cardoso que, pela primeira vez, formulou uma política específica para essa categoria de pequenos agricultores, articulada então pelo agrônomo Murilo Flores, da Embrapa. Com inédita metodologia, valorizando o uso do trabalho, e não o tamanho da terra, o governo apartou uma parcela dos recursos do crédito rural, direcionando-a para os chamados agricultores familiares. Hoje se colhem os bons frutos dessa importante política agrícola.
Estudos conduzidos por Carlos Guanziroli, Antônio Márcio Buainain e Alberto Di Sabbato relatam que, em 2006, os agricultores familiares respondiam por 40% do valor da produção agropecuária, ante 37,9% em 1996. No emprego, incluindo os membros da família, o segmento absorve 13 milhões de pessoas, ou seja, 78,8% do total da mão de obra ocupada no campo. Celeiro de gente trabalhadora.
Os assentamentos de reforma agrária, embora incipientes, também contribuíram para ampliar o espaço da pequena produção rural. Tanto é que as maiores variações positivas na participação da agricultura familiar ocorreram nas Regiões Norte e Nordeste, onde, por sinal, passaram a dominar a produção agropecuária. Fim do coronelismo.
Tais dados, obtidos a partir do último Censo Agropecuário, destroem certo discurso boboca que brada estar o modelo do agronegócio acabando com a pequena agricultura. Acontece justamente o inverso. Novas tecnologias, mercados integrados e apoio do governo robustecem a produção familiar no campo.
Caso único. Em todos os setores da economia ocorre concentração de capital. No sistema financeiro, nos supermercados, nas farmácias, nos postos de gasolina, no comércio varejista, por onde se olha, empresas se fundem, aumenta a escala da produção, as vendas se agigantam. Poucos, aliás, combatem politicamente esse transcurso cruel dos negócios urbanos, em que os grandes engolem os pequenos. Parece normal na moderna economia. Na agropecuária, entretanto, a roda gira diferente. A agricultura familiar se fortalece juntamente com a grande empresa rural. Mesmo assim, curiosamente, o discurso atrasado contra o agronegócio teima em persistir, como se a mentira repetida se transformasse em verdade. Os combatentes da moderna agropecuária, qual dom Quixote, bradam contra moinhos de vento.
De onde surge tal delírio ideológico, conforme o denomina Zander Navarro? Certamente do equívoco, elementar, que distingue "agricultura familiar" do "agronegócio", como se ambas as categorias fossem opostas, e não complementares. Ora, familiar não significa ser miserável no campo, embora muita pobreza exista por lá.
O sucesso do programa de agricultura familiar reside exatamente na ideia de que, ao investir em tecnologia e ganhar produtividade, o pequeno produtor se qualifica para participar do mundo do agronegócio. Assim procedem milhões de antigos agricultores, todos querendo escapar da sofrida subsistência, ganhar seu dinheiro, educar suas crianças, ter saúde, crescer na vida. Uma política agrária moderna procura livrar o agricultor de sua submissão histórica, emancipando-o econômica e culturalmente, transformando-o em pequeno empresário. Agronegócio familiar.
Quem, violentamente, combate o agronegócio e, idilicamente, defende os agricultores familiares comete um pecado conceitual. Milhões de excelentes produtores de café, soja, feijão, arroz, leite, carne, mandioca, frutas, verduras dependem do agronegócio para viver. Desejosos do progresso, buscaram financiamentos do Pronaf, aprimoraram-se tecnicamente, organizaram-se em cooperativas, vendem com qualidade. Pequenos na roça, gigantes no mercado.
O discurso esquerdista que opõe o agronegócio à agricultura familiar cheira a um populismo antigo, baseado naquele desejo de tutelar a miséria rural, roubando dos camponeses pobres seu próprio destino. Nada mais adequado à manipulação política do que tratar os pequenos agricultores como coitados, cultivando sua dependência histórica. Falsos líderes gostam da subserviência do povo, um terreno onde a esquerda e a direita autoritárias se confundem facilmente.
As laranjas padeceram noutro dia, arrasadas pelo banditismo rural. A fama da fruta já anda balançada com tanto escândalo financeiro, pois a mídia insiste, sem que ninguém explique direito o porquê, em chamar de laranjas aqueles que disfarçam o crime de lavagem de dinheiro. Desta vez, apanharam diretamente, destruídas pela raiva dos invasores de terras. O laranjal virou personagem de um triste filme agrário. Uma farsesca.
Por detrás, nos bastidores da trama, o argumento ignóbil: laranja não é comida e, não sendo familiar, o agronegócio da citricultura não interessa à sociedade. Portanto, dane-se a produção, esqueça o emprego, pau no laranjal. Besteirol puro.
O MST inventa assunto para esconder a insanidade de sua luta autoritária. Ao combater o agronegócio, imagina voltar ao tempo do pé de laranja no fundo do quintal, poleiro de galinhas caipiras. No fundo, paradoxalmente, alimenta-se da miséria rural.
O dom de iludir
Demétrio Magnoli, Folha de São Paulo
No vestibular da UnB (Universidade de Brasília), um hipotético filho do ministro Joaquim Barbosa, do STF, com renda familiar de várias dezenas de salários mínimos, que estudou nos melhores colégios particulares, optante do sistema de cotas raciais, precisaria de menos pontos para ser aprovado que um estudante de escola pública de pele clara, filho de trabalhadores, com renda familiar de três salários mínimos. Como sustentar a constitucionalidade e a justiça disso?
W. E. B. Du Bois, o intelectual americano que fundou o pan-africanismo no início do século 20, interpretava a história como um drama cujos protagonistas eram as raças. Num ensaio que está na origem remota das atuais políticas racialistas, ele formulou a tese de que a raça negra seria salva pela sua elite intelectual: “os talentosos 10%”, na expressão escolhida como título do ensaio. Eis aí a única forma intelectualmente honesta de justificar o sistema de cotas raciais na UnB.
Mas a honestidade intelectual é um artigo escasso numa esquerda que não entendeu o significado da queda do Muro de Berlim e continua a hostilizar os princípios sobre os quais se sustenta a democracia.
O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, um dos arautos proverbiais dessa esquerda, invocou a “justiça social” e a “justiça histórica” como argumentos de legitimação do sistema de cotas (“Tendências/Debates”, 26/8). É uma opção pelo ilusionismo, que investe na confusão conceitual para ocultar o sentido das políticas de raça.
De acordo com a proposição implícita de Sousa Santos, o hipotético filho de Barbosa figura como representação da massa de pobres pardos e pretos vitimados por uma abolição sem reformas sociais e uma modernização econômica excludente. Sobre essa fundação imaginária, ele apresenta as cotas raciais da UnB como um modelo de ferramenta para o “fim do colonialismo social” no Brasil.
Falta, porém, combinar a justificativa histórica com o antropólogo José Jorge de Carvalho, “pai fundador” do sistema de cotas naquela universidade, que o explicou de um modo singelo: “Aí não há nenhuma discussão do capital, nenhuma proposta socialista, nenhuma proposta renovadora da ordem do capital; todo mundo pode acumular riqueza. Mas, digamos assim, celebra a diversidade. Seja como for, pelo menos alguns passaram a ser bilionários: índios bilionários, latinos bilionários, negros bilionários”.
Carvalho é um racialista legítimo, da linhagem de Du Bois. Pretende fazer da universidade um dínamo de geração de elites raciais -e reconhece isso. Sousa Santos é um intelectual da “nova esquerda”. Usa seu dom de iludir para vestir a política de raça com a fantasia de um programa de redenção social. E finge desconhecer os inúmeros estudos empíricos que comprovaram, em diferentes países, que os sistemas de preferências raciais beneficiam unicamente a diminuta camada superior do grupo social definido como uma raça.
Relatando a ação de inconstitucionalidade movida pelo DEM contra o sistema de cotas da UnB, o presidente do STF, Gilmar Mendes, sugeriu que a corte reflita sobre o conceito de fraternidade. Sousa Santos enxergou na sugestão uma “inovação importante no discurso do Supremo” e sustentou a ideia de que o programa de preferências raciais institucionaliza uma “fraternidade efetiva”. O adjetivo do sociólogo nada significa, funcionando só como um recurso retórico destinado a circundar o dilema de fundo.
A fraternidade invocada por Gilmar Mendes é a da Revolução Francesa.
Antes de 1789, a nação era apenas a aristocracia, entrelaçada por vínculos de sangue e de privilégio que formavam um tipo de fraternidade. Depois da derrubada da Bastilha, a nação foi redefinida como o povo inteiro, unido por um contrato político.
A nova fraternidade proclamada fundou-se na ausência de distinções essenciais entre os indivíduos: a “irmandade dos cidadãos”. Eis o motivo pelo qual, no tríptico dos revolucionários, a fraternidade não figurava sozinha, adquirindo significado na companhia da liberdade e da igualdade.
Políticas de preferências raciais podem ser justificadas pelo conceito de fraternidade, mas com a condição de que ele seja traduzido nos termos do “Ancien Régime”. A raça é uma fraternidade de sangue: uma irmandade inventada a partir de descendências imaginárias.
Dividir o Brasil em raças oficiais, o pressuposto dos sistemas de cotas raciais, equivale a optar por esse tipo de fraternidade, em detrimento da “irmandade dos cidadãos”. É curioso, e um tanto trágico, que se tente sustentar tal programa com um discurso de esquerda. Mas é um sinal dos tempos…
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