Adelson Elias Vasconcellos
A pior praga dentre os “homens públicos” é a falta total de escrúpulos. A filosofia básica desta gente é a de que os fins justificam os meios. E os fins, aqui, é empregado no sentido literal de amarrar-se ao poder. Mas, dentre os homens comuns, a praga mais nociva é a da falta de caráter. Moral, decência e ética são vocábulos que eles fazem questão de ignorar. Cobram dos outros, mas jamais praticam um miserável ato que os dignifique. A Razão? As mais variadas e nefastas possíveis.
No caso do nosso presidente não saberia distinguir um personagem do outro. Fica difícil saber se um não tem escrúpulo porque o outro não tem caráter, ou ao contrário...
Nesta semana, seu comportamento não foi diferente. Pressionado pela opinião pública, então, parece que o capeta toma conta de sua mente e sai por aí a disparar diatribes sem limite algum. Nestas horas, sua personalidade arrogante deixa aflorar toda uma estupidez, uma ignorância sórdida e maldosa, disparando e destilando um fel delirante contra quem o contradiz, ou o critica. Pessoas de sua convivência diária sabem muito bem deste lado demoníaco de Lula...
Mas há um lado maldoso de Lula que não precisa de motivos para existir: é a compunção extremada de, primeiro negar a história do país e, segundo, de transferir para si obras que não lhe pertence. Muito embora boa parte da população ignore, os bem informados sabem que as ações sociais do governo em favor dos mais pobres não começou com bolsa-família coisa nenhuma. Sarney tentou alguma coisa na década de 80, mas foi o presidente Fernando Henrique quem de fato tornou os programas sociais programas de governo. Lula apenas os reuniu e ampliou o universo de beneficiários, cuidando de afastar algumas condicionantes básicas (e limitadoras), transfigurando aquilo que era para ser social em programa eleitoreiro. A propaganda intensiva (e mentirosa) deu certo. Hoje, grande parte da população o considera “pai dos pobres”.
Outra obra “roubada” foi a estabilidade econômica. Lula não mexeu numa vírgula sequer naquilo que encontrou. Até pelo contrário: aprofundou medidas que ele, na oposição, combatia e afirmava que não dariam certo.
Mas as duas obras acima já as comentamos aqui a exaustão. Portanto, como já afirmei antes, a mim o “cara” não engana com seu discurso mistificador e sua propaganda enganosa. .
Mais: não satisfeito, cometeu outro ilícito com o seu PAC cretino. Já apontei aqui, em diferentes ocasiões que, do conjunto de obras de infraestrutura reunidas no PAC, mais de 80% tiveram começo em governos anteriores ao seu, como a Ferrovia Norte-Sul, por exemplo, lançada no governo de José Sarney. Porém, foi no governo Fernando Henrique que se tratou com a devida competência destas obras. Foram todas reunidas em grupamentos homogêneos, devidamente convertidas em projetos de viabilidade econômica, estudos de impacto ambiental dentre outros. Esta relação organizada Lula encontrou-a pronta quando assumiu em 2003. Ao invés de lhe dar sequência, como qualquer governante com um mínimo de responsabilidade deveria fazê-lo, tratou foi de suspender todas as obras que estavam em curso (para reestudo justificava-se na época). Passou todo seu primeiro mandato sem sequer preocupar-se com as necessidades do país. Tivesse feito e, por certo, durante o período de maior prosperidade econômica que o mundo moderno já experimentou, e o Brasil teria crescido a taxas superiores a 7%, que foi a média mundial, enquanto a nossa, com Lula, não superou os 5%.
Fazer como Dilma pretende, durante a campanha eleitoral de 2010, comparar um período e outro, seria e é vigarice suprema. Por quê? Porque se deseja comparar um país quebrado, sem crédito no cenário mundial (por conta da moratória da dívida externa em 1985, decretada por Sarney), com uma dívida interna e externa fora de controle, com agricultura em frangalhos e com parque industrial sucateado, e uma infraestrutura às moscas, contas públicas em descalabro e hiperinflação descontrolada, com um governo que recebeu um outro país, organizado, contas públicas saneadas, moeda forte, economia estabilizada, inflação controlada, estabilidade política, instituições fortalecidas, sistema financeiro fortalecido e recuperado e um conjunto de programas tanto na infraestrutura quanto nas políticas sociais e de saúde em pleno vigor. Para ser possível a pretensão de Dilma, seria necessário que Lula tivesse recebido o país do mesmo modo como Fernando Henrique o recebeu em 1995. Portanto, são momentos tão distintos entre si, que comparações se tornam inexeqüíveis e não passam de charlatanismo barato e vigarice doentia. E, considserando o país que lhe foi entregue e o cenário mundial favorável, Lula TINHA A OBRIGAÇÃO DE FAZER MUITO MAIS E MELHOR. E, se não o fez, que o digam a segurança e a saúde públicas, foi por absoluta incomptência. E tudo isto é um fato e não apenas uma mera suposição ou opinião.
Porém, parte do discurso canalha e da propaganda mentirosa encontra eco em parte de uma imprensa submissa e sem a coragem de se posicionar em favor da verdade. Apenas para lembrar, durante o período FHC o mundo cresceu na média inferior a 3% ao ano, e enfrentou pelo menos 5 graves crises financeiras ao longo do período, ao passo que no período Lula o mundo chegou a 7% de crescimento na média, e com uma única grave crise financeira mundial e isto já na metade de seu mandato. Poucos falam do Brasil que FHC encontrou em 1995 quando chegou na presidência, e tratam de não comparar ao Brasil que ele entregou em janeiro de 2003 para seu sucessor. Seria por má fé? Vigarice? Cretinice? É tudo isto junto, e muito mais ainda!
E, para minha surpresa, quando não esperava que Lula se aproveitasse da pouca memória do País para se apropriar e surrupiar novas obras alheias em seu favor, eis que a própria imprensa noticia um novo PAC, o das Cidades Históricas e faz questão de frisar de que se trata da reedição de um programa semelhante lançado por FHC. A notícia terá sido descuido da guarda pretoriana da imprensa em favor do "cara"?
Mas há na edição de hoje, uma nova lembrança feita por Xico Graziano, no Estadão. Trata-se do PRONAF, programa que Lula e PT fazem questão de destacar e arrolarem para si, esquecendo de lembrar por quem ele foi lançado. É, de novo, FHC. Claro, a gente poderia lembrar de um outro que se casava ao PRONAF, o Luz Para Todos. E, acreditem, a lista é bem mais extensa.
Lula insiste em dizer que, ao entregar a faixa presidencial em 2011, fará questão de registrar as obras de seu governo em cartório... Sinceramente? Duvido que o faça e por uma simples razão: todas as obras e programas lançadas no tempo de 1995 a 2002, seriam lembradas e repetidas na relação de Lula para o período 2003 a 2010. Claro, não faltaria um abelhudo de comparar os períodos e se defrontar com as inúmeras coindências. O que faltou à FHC sobrou para Lula: esperteza e talento para capitalizar, politicamente, o seu governo, mesmo que para tanto tenha se valido de obras e programas alheios, apropriados abaixo de muita mentira e mistificação...
Nesta semana, Lula, em mais um comício de “obras”, chegou a afirmar que: “É muito fácil assumir a Presidência da República e não fazer nada porque ninguém nunca fez. Os outros presidentes são todos da mesma laia. Mas eu precisava fazer.” E vocês quando ele soltou esta “pérola” ? No momento em que discursava na solenidade de assinatura de seu PAC das Cidades Históricas, em substituição ao “Monumenta”, programa lançado por Fernando Henrique em 2.000. É muita cara pau do "cara"...E gente que pratica a vigarice de se vangloriar com o chapéu alheio, pertence a que "laia"? Talvez no código penal brasileiro a pesquisa fica mais fácil...
Assim, auto-declarar-se o maior de todos os tempos acaba produzindo seus efeitos de esconder a verdade para vender a imagem de salvador da pátria. Qual a diferença do PAC das Cidades Históricas de agora para o mesmo programa anterior? Nenhuma, a não ser maior dotação de investimentos. Portanto, vigarice monumental no PAC da história...
Assim, auto-declarar-se o maior de todos os tempos acaba produzindo seus efeitos de esconder a verdade para vender a imagem de salvador da pátria. Qual a diferença do PAC das Cidades Históricas de agora para o mesmo programa anterior? Nenhuma, a não ser maior dotação de investimentos. Portanto, vigarice monumental no PAC da história...
E não há como negar: Lula continua fazendo história como o maior vigarista da vida republicana brasileira. Os fatos estão todos expostos aí, para quem quiser conhecer a verdade. Mas é preciso retornar ao pensamento inicial deste artigo: não basta apenas ter escrúpulos como homem público, é preciso ter caráter reto como cidadão. E, nesse caso, o figurino parece assentar-se muito mal no "cara"...
A reportagem é de Breno Costa, para a Folha de São Paulo.
Lula apresenta programa de FHC com roupagem do PAC…
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança hoje, em Ouro Preto (95 km de Belo Horizonte), mais uma franquia do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Desta vez, o foco são as cidades históricas.
Apesar da nova roupagem e do maior volume de recursos, na prática o programa é uma reapresentação do programa Monumenta, criado ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2000.
O Ministério da Cultura diz que o PAC Cidades Históricas é fruto do Monumenta, que será “replicado” e “ampliado”.
Com previsão de investimentos de R$ 890 milhões em até 173 municípios até 2012, a nova franquia do PAC prevê os mesmos tipos de ações já executadas no Monumenta. De imediato, 32 cidades serão beneficiadas. O resto depende de apresentação de projetos por parte das prefeituras, e da aprovação deles pelo governo.
Uma das principais diferenças entre os dois programas é que, agora, os recursos virão diretamente do governo, por meio de um pool de ministérios -Cultura, Turismo, Cidades e Educação-, estatais e BNDES.
No caso do Monumenta, que investiu R$ 250 milhões em 26 cidades desde a sua criação (valor que agora deve ser investido anualmente), a verba vinha de contrato firmado entre o governo e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O contrato expira este ano.
O presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Luiz Fernando de Almeida, diz que, agora, os investimentos serão uma “política pública permanente”.
No caso das 26 cidades do Monumenta, as intervenções do Iphan não resolveram todos os problemas. Levantamento da Folha nos últimos relatórios de conservação das ações, de abril, revela que 62% das intervenções ainda apresentam problemas, como infiltrações e ausência de sistemas de prevenção de incêndios. Almeida afirma que soluções são cobradas das respectivas prefeituras. O mesmo modelo será mantido no novo braço do PAC, diz.