terça-feira, julho 24, 2007

TOQUEDEPRIMA...

***** Governo tenta prorrogação da CPMF dando cargos

De acordo com reportagem da Agência Estado, o governo do presidente Lula decidiu distribuir cargos nos estados e liberar emendas individuais dos parlamentares até atingir a cifra de R$ 3 bilhões.

A tentativa seria impedir que a oposição se revolte contra a prorrogação da CPMF e da DRU (Desvinculação das Receitas Orçamentárias da União) na volta do recesso parlamentar.

O ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, admitiu que o governo vai liberar as emendas e quer velocidade no processo. "A partir de agora, todo mês vamos empenhar R$ 500 milhões até chegarmos ao valor das emendas individuais ao Orçamento. poderia estar mais acelerada, mas esbarrou na burocracia. Vamos empenhar as emendas respeitando o programa dos ministérios e todos serão contemplados, inclusive a oposição", concluiu o ministro de Lula.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Sem dúvida, este governo continua espalhando corrupção, incompetência, irresponsabilidade, omissão, negligência, tudo para ver implantado seu colossal projeto de poder. E eles não vão sossegar enquanto não conseguirem instalar o estado mais caótico do planeta.

***** Petista critica omissão de Lula para solucionar crise aérea

O petista Marco Maia (RS), relator da CPI do Apagão Aéreo na Câmara, cobrou do governo federal uma posição em relação ao acidente com o vôo 3054 da TAM. Maia quer que Lula tome decisões pontuais, incluindo a demissão dos responsáveis pelo agravamento da crise aérea.

"É uma responsabilidade que tem de ser tomada pelo chefe do Executivo. Essa é uma posição que está se consolidando cada vez mais aqui na Câmara", afirmou Maia. "O presidente da República tem de refletir sobre todas as possibilidades [inclusive pensar em demissões]. Não cabe à CPI dizer quem deve ser demitido", declarou.

Maia disse que a sociedade espera uma resposta rápida e objetiva do governo. "Não existe mais justificativa nenhuma para inoperância nesta área". Ele ainda afirmou que a CPI vai investigar o caso. Segundo o petista, dois parlamentares devem ser designados para acompanhara a perícia nas caixas pretas do Airbus.

***** OAB-RJ: Tragédia pode ser conseqüência de loteamento de cargos

O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) do Rio Janeiro, Wadih Damous, afirmou que o acidente com o vôo 3054 da TAM pode ser uma conseqüência da política do governo Lula de "loteamento de cargos" em órgãos federais, como a Infraero, e da má gestão decorrente dessa realidade. "A partir do momento em que não se adotam critérios técnicos e objetivos de competência para o preenchimento de determinados cargos, isso pode acontecer. A Infraero é parte desse loteamento", disse Damous.

O presidente da OAB carioca defendeu que o governo demita as pessoas que foram indicadas politicamente cargos no setor aéreo e que as substitua por pessoas com competência no ramo. "É preciso que o preenchimento desses cargos se dê conforme o critério técnico e da competência, ou seja, que haja uma mudança radical na administração dos serviços aéreos no Brasil. Se isso não ocorrer no curtíssimo prazo, tragédias como essa que envolveu o vôo da TAM podem se repetir", reiterou o presidente da OAB-RJ.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Não só “pode” como é “mesmo”. Aliás, toda a corrupção e incompetência do governo Lula, em quantidade jamais vista neste país, deriva desta promiscuidade de loteamento e compadrio. A irresponsabilidade dos ocupantes também deriva do fato de que os cargos estão ocupados, mas o país permanece sem governo.

***** Especialistas falam em seqüência de falhas
Marcelo Ambrosio

A imagem do pouso do Airbus 320 é um divisor de águas na investigação do acidente em Congonhas. Na internet, fóruns de especialistas e pilotos avaliam todos os fatores, incluindo o funcionamento dos reversos - o esquerdo funcionava como mostra a imagem. O direito, não.

Como as tragédias são um conjunto de fatores: uma pista excessivamente emborrachada, lisa e sem aderência, pouso sob chuva, um início de aquaplanagem, um reverso apenas funcionando, a decisão da arremetida, a reação do gerenciamento ao proteger os motores de um comando acionado de forma abrupta, a falta de sustentação e o peso do avião lotado e com duas toneladas abaixo do máximo de 64, 2 t.

A discussão também gira em torno do comando do Airbus, no qual o piloto gerencia um computador, que controla a aeronave. Uma das funções desse sistema é, justamente, a de evitar que o acionamento de forma brusca - e fora dos parâmetros estabelecidos - comprometa a integridade. A reação do piloto, ao tentar a arremetida, teria sido interpretada como anômala pelo computador, que gastou segundos preciosos até reconfigurar os padrões. Um indício seria a chama notada segundos antes de o jato sair da pista: segundo um especialista, seria a queima do combustível jogado a mais justamente para garantir a potência necessária à manobra.

***** Governo vai multiplicar por 10 verba de centrais sindicais
De Carlos Marchi em O Estado de S. Paulo

Entidades terão R$ 124 milhões por ano à disposição, prevê projeto

"As centrais sindicais acertaram no milhar: graças a um projeto de medida provisória já negociado por governos e líderes sindicais, elas serão legalizadas e receberão 10% do bolo da contribuição sindical, que arrecada um dia de trabalho de todos os empregados registrados do País. De janeiro a maio de 2006, a contribuição sindical recolheu R$ 1,24 bilhão, segundo o Ministério do Trabalho. Feita a conta a partir desse valor parcial, R$ 124 milhões estariam à disposição das centrais no ano. A medida significará forte impacto sobre a estrutura sindical brasileira e já provoca uma rearrumação entre as centrais".

***** Chávez avança na intenção de criar partido único

Seis milhões de simpatizante do presidente venezuelano Hugo Chávez assinaram fichas de filiação do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela). Boa parte do parlamento venezuelano, formado amplamente por governistas de diferentes partidos, deve aderir à nova sigla.

Muitos críticos do governo manifestaram preocupação, julgando uma ameaça à pluralidade. Os organizadores do novo partidos acreditam que a sigla será eficaz para a construção do socialismo. O ditador Chávez resumiu: "A revolução socialista começou."

***** Governo Lula "afrouxa" critério de obras prioritárias

De acordo com reportagem do jornal Folha de São Paulo, o governo federal "afrouxou" o critério de obras prioritárias no Orçamento para encaixar investimentos em habitação e saneamento previstos pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

A seleção das obras deixou de ser feita apenas com critérios econômicos objetivos e incluiu considerações sócio-econômicas. Segundo técnicos que trabalham na seleção das obras, a comissão interministerial que avalia os projetos levou em conta estudos econômicos no caso de setores como transportes, metrôs e ferrovias, mas não nos casos de saneamento e habitação.Na lista das obras que receberão parte dos R$ 11,3 bilhões em 2007, há cerca de R$ 2,5 bilhões em obras de saneamento e habitação, comandadas pelo Ministério das Cidades.

O novo peleguismo

Editorial do Estado de S. Paulo

Houve época em que parecia estar mudando, para melhor, a mentalidade dos sindicalistas brasileiros. Muitos dirigentes sindicais surgidos nas últimas décadas deveram seu prestígio junto a suas bases às críticas ao velho modelo sindical criado pela ditadura do Estado Novo chefiada por Getúlio Vargas. Na essência, esse modelo, em boa parte ainda em vigor, atrelava a estrutura sindical ao Estado, transformando-a numa correia de transmissão do governo - expressão sempre utilizada pelos que condenavam o sindicalismo varguista - e propiciando o surgimento dos pelegos, dirigentes comprometidos não com os trabalhadores que diziam representar, mas com seus interesses pessoais e políticos. Os "novos" sindicalistas diziam que seu objetivo era mudar tal modelo. Agora, seu objetivo é outro.

O que o País esperava ser o novo sindicalismo se revelou uma nova forma do velho peleguismo. Em troca do dinheiro que o governo lhes repassará, as centrais sindicais nascidas a partir da década de 1980, todas prometendo romper a estrutura varguista, agora aceitam gostosamente fazer parte dessa estrutura.As centrais diziam que sua grande guerra seria contra o Imposto Sindical - a atual contribuição sindical -, o dinheiro que o governo retira de todos os assalariados, na base de um dia de trabalho por ano, e repassa para as organizações sindicais. É esse repasse que, na prática, subordina as organizações sindicais (sindicatos, federações e confederações) ao governo.

As centrais sindicais, que deveriam ser sustentadas por contribuições voluntárias das entidades a elas filiadas, serão as grandes beneficiadas com a proposta do governo - com a qual concordaram alegremente - de mudar a repartição do dinheiro arrecadado como contribuição sindical. Isoladamente, o dinheiro descontado do salário de cada trabalhador parece pouco. Mas, somadas, as contribuições de todos os assalariados do País formam um bolo enorme. Nos cinco primeiros meses do ano passado, como mostrou reportagem de Carlos Marchi, do Estado, na quinta-feira, a arrecadação dessa contribuição alcançou R$ 1,24 bilhão.

Desse bolo, 60% vão para os sindicatos, 15% para as federações, 5% para as confederações e 20% para o governo (que transfere a maior parte para o Fundo de Amparo ao Trabalhador). As centrais passarão a receber 10%, fatia que será retirada da parcela do governo. A distribuição para as centrais, conforme proposta já negociada com os representantes das diversas entidades sindicais, será feita de acordo com o número de filiados de cada uma.

Quem mais ganhará será a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o braço sindical do PT. Com base nos resultados da arrecadação de 2006, seu orçamento, hoje de R$ 6 milhões, pulará para R$ 33 milhões com o dinheiro da contribuição sindical. Na média, as centrais terão seus atuais orçamentos multiplicados por dez. As que não cumpriam as exigências mínimas para se habilitar a receber a parcela da contribuição sindical (número mínimo de filiados, base nacional, entre outras) trataram de fundir-se - mas seus antigos dirigentes estão certos de que, do ponto de vista da atuação, nada mudará, a não ser seu orçamento, que engordará muito.

Para tentar salvar a face dos dirigentes das centrais, o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, Luiz Antônio de Medeiros - ex-dirigente da Força Sindical, a segunda maior central do País -, diz que, num segundo passo, se tratará da extinção da contribuição sindical.

É difícil acreditar. Até agora independentes, as centrais caíram na malha da subserviência ao Estado, como observou a este jornal o cientista político Leôncio Martins Rodrigues. Sua adesão ao governo Lula, claríssima no apoio à mudança da contribuição sindical, foi antecipada no 1º de Maio deste ano, quando, em suas comemorações, todas o elogiaram.

Já mais fortes do que as confederações, federações e sindicatos de trabalhadores, as centrais juntarão à força política o poder financeiro, desequilibrando ainda mais uma estrutura sindical capenga, que adota a pluralidade na cúpula (podem existir várias centrais sindicais), mas impõe a unicidade na base (só pode haver um sindicato por categoria em sua base territorial) - e alimenta a sobrevivência do velho peleguismo, ainda que com novo discurso.

De olho em dinheiro fácil...

... PCdoB monta sua própria central sindical
Valor Econômico

Antes mesmo de o governo federal enviar ao Congresso a medida provisória que legaliza as centrais sindicais e redistribui os recursos do imposto sindical, duas entidades surgem entre os trabalhadores. Ontem, foi criada a União Geral dos Trabalhadores (UGT), fundindo três centrais sindicais. Outra entidade, sob o nome de Central Classista dos Trabalhadores, deverá ser formalizada até o fim do ano, comandada sobretudo pelo PCdoB.

Recém criada, a UGT une a Central Geral dos Trabalhadores (CGT), Social Democracia Sindical (SDS) e Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT), e terá a participação de cerca de mil sindicatos, com aproximadamente 8 milhões de trabalhadores. O futuro presidente da UGT, Ricardo Patah, disse que a central espera arrecadar de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões por ano com o imposto sindical. "Não é muito para o intenso trabalho de capilarização que teremos, em todo o país", disse Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo. Já a central dos comunistas começará com um tamanho modesto, ainda indefinido, e deverá ficar com uma parcela pequena no rateio do imposto sindical. A medida provisória está prevista para chegar ao Congresso entre agosto e setembro. Ao reconhecer a legalidade das centrais, o governo dará metade dos 20% que cabem à União na distribuição do imposto, que corresponde a um dia de serviço descontado do trabalhador. Só no ano passado, arrecadou mais de R$ 1 bilhão.

Presentes ao lançamento da UGT, os ministros Luiz Marinho (Previdência) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) analisaram que a criação da central não mudará a relação do governo com os sindicalistas. "Pouco se altera, porque Lula tem sido muito aberto ao diálogo", afirmou Dulci. "A UGT resultará em uma central sindical forte, com líderes muito experientes, com peso e capacidade de negociação maiores. Será bom para o país", disse. A central declara-se pluripartidária, com representantes do PPS, PDT e alguns partidos de centro e de direita.

Mais à esquerda, a central prevista pelo PCdoB poderá alavancar as pretensões eleitorais dos comunistas já em 2008, na eleição municipal. O braço sindical do PCdoB reforçará também o bloco parlamentar de esquerda, composto, além do PCdoB, pelo PPS, PDT e PSB, e marcará a independência do grupo em relação ao PT.

Abrigada na CUT, a Corrente Sindical Classista comanda a construção da nova central e planeja convocar já nos próximos meses um congresso para oficializar o desligamento. A Corrente é uma das tendências políticas da central e é composta majoritariamente por integrantes do PCdoB. À frente dela, está o vice-presidente da CUT, Wagner Gomes, que integrou a chapa do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) em 2002.

"Temos mais de 500 sindicatos no Brasil com propostas diferentes de organização, com opiniões políticas distintas", explica Gomes. "Esse grupo quer ganhar visibilidade", diz. No congresso da CUT, eles levaram 16% dos delegados.O bloco comunista que hoje está na CUT pretende criar a nova central de esquerda às vésperas de ano eleitoral. O PCdoB quer eleger mais prefeitos no próximo pleito . A aposta dos dissidentes é atrair sindicatos da Força Sindical e de centrais menores. A própria Força reforça o bloco de esquerda, com o apoio maciço do PDT. Apesar da estreita ligação com o PCdoB, Gomes nega que a central nasça vinculada a qualquer partido político. "Garantimos nossa independência em relação aos partidos políticos", observa. "Mas não será apolítica". A direção nacional do PCdoB justifica a criação de uma nova entidade pelo "atual quadro político e sindical brasileiro", que "exige um novo patamar na busca pela unidade do movimento e coesão da luta dos trabalhadores". "Acho difícil conseguir um espaço maior dentro dessa central", disse Wagner Gomes, vice da CUT. Os comunistas pregam um "novo projeto de desenvolvimento com soberania e valorização do trabalho".

Para o presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, a iniciativa da tendência Corrente Sindical Classista é a busca por maior visibilidade eleitoral. "O que está em discussão é mais a questão partidária do que sindical. As divergências internas sempre existiram, mas o que o PCdoB quer é construir uma identidade sindical maior e isso acaba se refletindo criação da central", analisou Artur.

A CUT ainda tenta negociar a permanência do grupo comunista na central. "Defendemos que eles não saiam da entidade", disse o presidente da CUT. "Ainda acredito na existência de uma única central sindical de esquerda", disse João Felício, secretário nacional sindical do PT e de relações internacionais da CUT. Não será a primeira vez que PT e PCdoB estarão em centrais diferentes. Antes de entrar na CUT, criada em 1983, o PCdoB estava na CGT. Só nove anos depois, com alianças eleitorais entre PT e PCdoB, os comunistas ingressaram na entidade.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Já não bastava os trabalhadores terem que sustentar os gigolôs do Congresso, agora outra classe de gigolôs se instala no poder para explorar parte dos impostos que pagamos. Até quando o povo brasileiro vai concordar em sustentar um bando de vagabundos, cretinos e salafrários que só lhe exploram em proveito próprio ?

Governo Lula: MP despeja dinheiro em centrais sindicais

Estadão

As centrais sindicais acertaram no milhar: graças a um projeto de medida provisória já negociado por governos e líderes sindicais, elas serão legalizadas e receberão 10% do bolo da contribuição sindical, que arrecada um dia de trabalho de todos os empregados registrados do País. De janeiro a maio de 2006, a contribuição sindical recolheu R$ 1,24 bilhão, segundo o Ministério do Trabalho. Feita a conta a partir desse valor parcial, R$ 124 milhões estariam à disposição das centrais no ano. A medida significará forte impacto sobre a estrutura sindical brasileira e já provoca uma rearrumação entre as centrais.

Projeções feitas para o Estado por consultores, com base nos números oficiais, mostram que a CUT, que hoje tem orçamento de R$ 5 milhões, passaria a receber perto de R$ 33 milhões anuais; a Força Sindical, que tem receita de R$ 1,44 milhão, agora receberia mais de R$ 13 milhões; a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), com orçamento anual de R$ 100 mil, ficaria com algo próximo a R$ 8 milhões. A nova UGT teria mais R$ 6 milhões. Tudo somado, a verba das centrais será multiplicada por dez.

Artur Henrique, presidente da CUT - a maior beneficiada -, diz ser favorável a que a destinação do governo para as centrais seja provisória e fala em iniciar já uma luta pelo fim da contribuição sindical. Mas ele revela temer que a entrada de tanto dinheiro nos cofres das centrais crie uma onda de acomodação e paralise a luta pelo fim da contribuição, que a CUT defende desde sua fundação.O secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho, Luiz Antônio Medeiros, ex-presidente da Força Sindical, disse que as centrais se comprometeram a extinguir a contribuição num segundo passo, após a legalização. Mas não soube explicar por que a legalização vem com o rateio de contribuição que se planeja extinguir.

Dependência do estado
Haverá outros efeitos. O cientista político Leôncio Martins Rodrigues afirma que a novidade reforça o espírito corporativista do sindicalismo brasileiro, já que as centrais - até aqui independentes - cairão na malha da dependência direta do Estado. "Isso já foi antecipado no último 1º de maio, quando todas elas elogiaram o governo em suas comemorações", diz. Para Leôncio, a velha estrutura sindical implantada pelo regime varguista receberá ao mesmo tempo um estímulo e um fator de desequilíbrio: as centrais reforçarão o corporativismo e unirão sua força política a uma notável pujança financeira.

O sociólogo Luiz Werneck Vianna, do Iuperj, diz que a mudança representa uma reforma sindical "a frio" - o novo status das centrais vai forçar uma transformação na estrutura sindical, a partir do enfraquecimento das confederações. O consultor sindical João Guilherme Vargas Neto entende que a alteração cria uma situação curiosa: a estrutura sindical brasileira será pluralista na cúpula e unitária na base. O negociador de Relações do Trabalho Alencar Rossi diz que a medida nasce "na contramão da realidade sindical".

O projeto que já recebeu aprovação de todas as centrais e do governo prevê que o rateio da contribuição sindical não muda no que toca a confederações (que recebem 5%), federações (15%) e sindicatos (60%); mas dos 20% que ficavam com o governo na conta Emprego e Salário - e ultimamente engordavam o FAT - agora metade será distribuída às centrais. Para Leôncio, essa novidade só vai aumentar o grau de peleguismo. "Veja que a CUT não fala mais em comissões de fábrica e esqueceu a reforma sindical de verdade", salienta.Werneck diz que, sem poder mudar a estrutura sindical, Lula criou um saudável fator de renovação do sistema. "Lula vai deixar que a prática do movimento sindical indique os caminhos", comenta. João Guilherme estranha que o sistema possa ser pluralista na cúpula (centrais de várias tendências) e unitária na base (cada sindicato tem monopólio da representação em sua área). "Esse é o jeitinho brasileiro de fazer reforma sindical", explica Medeiros.

As centrais se preparam para a mudança antes mesmo de a MP ser assinada pelo presidente Lula. Três delas, que não conseguiam atender às exigências dispostas no projeto da MP, se fundiram em outra; a corrente sindical do PC do B planeja sair da CUT. Mas o que mais se nota entre seus dirigentes é, por um lado, uma imensa gratidão ao presidente Lula por ter concedido a independência financeira das centrais (se bem que em troca de sua autonomia); por outro, uma grande expectativa pela enorme quantidade de dinheiro que terão à disposição.

Lessa: Empurraram a crise aérea com a barriga

Rodrigo Camarão , Jornal do Brasil

A crise aérea é uma tragédia anunciada, causada deliberadamente pelo governo ao cortar investimentos na segurança e não abrir concurso para contratar mais controladores de vôo. A afirmação é do professor emérito da UFRJ e ex-presidente do BNDES Carlos Lessa. Depois de 23 meses no cargo, foi demitido justamente pelas críticas ao modelo econômico adotado pelo presidente que ocupava o Palácio do Planalto há menos de dois anos. Acha que o dinheiro que poderia ser investido no sistema de transportes foi, em última instância, usado para pagar juros.

A prova da desatenção ao setor aéreo, conta ao JB Lessa, foi o episódio da Varig. Quando ocupava a presidência do BNDES, o economista tentou reestruturar o capital da empresa, considerada por ele de importância vital para o país. Conversou com credores nacionais - Banco do Brasil, Infraero - e internacionais - General Eletric - e os convenceu a trocar a dívida por ações, o primeiro passo para poder entrar com a verba do BNDES. O apoio faltou justamente dentro do governo. Precisaria que a Petrobras BR, que fornecia a querosene de aviação, e o Ministério da Fazenda, que tinha créditos previdenciários e fiscais da empresa, aceitassem rolar as dívidas.

- Esbarrei com o não do ministro Antonio Palocci por causa do acordo com o Fundo Monetário Internacional - lembra Lessa. - Qualquer tentativa de rolagem de dívida era considerada gasto. É uma perda de soberania.

Lessa chegou a ser criticado dentro do governo por querer transformar o BNDES num "hospital de empresas relevantes para o país". À época, conta, tentou levar a Varig ao hospital. Em vão. O resultado, observa Lessa, foi a perda de pelo menos 400 pilotos e técnicos dos mais experientes, que trabalham hoje no exterior.

- Desmantelaram uma rede nacional e internacional. É um crime - ataca o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. - Em 2003 e em 2004 houve cortes de gastos na segurança de vôo e não se fez concurso para contratar controladores de vôo. O então ministro da Defesa José Viegas cansou de avisar isso. A situação só vem se deteriorando desde pelo menos 2003. Essa crise aérea é uma tragédia anunciada. Trataram amadoristicamente o assunto e a questão foi empurrada com a barriga.

O sistema aéreo de um país é questão de integração nacional, lembra o professor. O medo sentido pelos passageiros - e desde o acidente da TAM, há uma semana, compartilhado também por tripulantes - prova que o governo negou-se a acabar com a crise ainda no nascedouro. Lessa conta que a necessidade o obrigou a controlar o receio de voar.

- Voei tanto que anestesiei o medo. Mas o apagão logístico nos transportes é dramático. Nas estradas, há 55 mil mortes por ano

TRAPOS & FARRAPOS...

O MARCO ZERO DA CRISE AÉREA.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Vocês lerão num dos próximos posts, entrevista concedida por Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, o primeiro da era Lula, e que pediu demissão por discordar da equipe econômica da política que estava sendo implementada por Palocci & Cia. O importante na entrevista é a acusação que Lessa faz ao governo Lula em relação à crise aérea e a maneira sórdida como foi tratada a questão da VARIG.

Para o COMENTANDO A NOTÍCIA nenhuma novidade, já que acusamos o governo Lula de ter provocado a falência daquela companhia premeditadamente, por razões que ainda se mantém ocultas, mas que o tempo ainda nos trará a versão correta do que se passou e das razões, nenhuma honesta logicamente, pelas quais o governo Lula deixou a coisa terminar do jeito que conhecemos. Carlos Lessa vem abrir um pouco ao menos a suspeita que sempre sustentamos, a de que o governo Lula deixou de socorrer a VARIG porque quis que a companhia quebrasse. Claro que Lessa meio que tenta esquivar-se, ao dizer que Palocci negou o socorro culpando o FMI. Isto, contudo, não é verdade, tanto não é que o BNDES andou fazendo algumas operações para lá de suspeitas com multinacionais do setor elétrico em prejuízo do próprio BNDES. Ainda vamos pesquisar no arquivo a matéria que publicamos sobre isto.

A questão fundamental aqui, nesta entrevista do Lessa, é que ela vem de encontro a uma outra entrevista do mesmo Jornal do Brasil e que transcrevemos ontem, de Ozires Silva: o apagão aéreo começou em dois momentos bem marcantes, ambos no governo Lula, sendo o primeiro a falta dos investimentos que o governo sabia serem imprescindíveis, e a derrocada da VARIG. A versão que se corre por aí marca a queda do Boeing da Gol em setembro de 2006 como o marco do início da crise. Errado, a crise começa antes e inclusive diante do noticiário dos últimos dias, isto fica cada vez mais evidente. Observem quantas aeronaves, sejam da Gol ou mesmo TAM, esta última principalmente, tem tido problemas técnicos e mecânicos. No tempo da VARIG no ar, raramente se percebia aeronaves com tais “deficiências”. E tudo por uma razão: a VARIG tinha um centro de manutenção que era utilizado por inúmeras companhias internacionais que o consideravam de primeiríssima qualidade. O atendimento aos passageiros, fosse nos balcões da companhia ou seus tripulantes, eram referência internacional.

Para qualquer companhia tentar ser maior do que a VARIG precisava tentar competir também neste campo, atendimento e manutenção. Com a sua quebra, este ponto de referência na aviação comercial brasileira sumiu do radar. A TAM ou a GOL são empresas ainda bastantes jovens, que jogaram pesado no campo do baixo custo, para ganhar mercado com bilhetes mais baratos. Isto num tempo de inflação fazia muita diferença. Claro que a VARIG teve problemas de má gerência, mas isto só não explica a falta de socorro que o governo Lula se negou conceder.

Depois, dentro da política de aparelhamento do Estado pelo petê e os sindicalistas congregados e aliados, todos os órgãos ligados ao controle e fiscalização do setor aéreo passaram pelo processo de mediocridade que, de resto, ocupa todo o espectro da administração federal. Assim, no lugar do antigo DAC, foi inventada a ANAC, aparelhada a INFRAERO, além dos investimentos que ficaram congelados. Deu no deu, e que está ainda está em pleno vigor, uma crise sem precedentes. Não por causa de preços, não por causa de competição dentre as empresas. Nada disso. Mas pela esculhambação, anarquia, falta de comando, falta de política para o setor, misturados com descasos e omissão, conivência com o vagabundismo laboral, preenchimento de cargos considerados os apelos indecentes do compadrio político.

Já dissemos aqui e tornamos a repetir: a crise somente começará a ser debelada, a partir do momento em que Lula aceitar a idéia que o setor vive de fato uma crise. E não uma crise qualquer: um crise que mata. Além de acreditar que a crise existe, Lula precisa tomar uma decisão inadiável: demitir toda a cúpula, seja da INFRAERO seja da ANAC. Proceder, ato contínuo, a uma devassa nos dois organismos, e depois neles colocar gente competente, gente ligado ao setor aeronáutico, e não precisa ser militar, e criar regras claras de atuação dos órgãos nos seus respectivos campos. Sem isso, a crise tende a se agravar mais e mais.

Mas não pensem que apenas o governo tem sua parcela de culpa nesta maçaroca toda: as empresas TAM, principalmente, mas também a Gol, pintam e bordam sobre os passageiros sem que a ANAC faça valer sua autoridade e o cumprimento das leis em vigor. Falta a estas empresas um pouco mais de respeito, e este respeito ausente é derivado também por coisas que existem neste Brasil em quantidades cada vez mais crescentes: a impunidade. Já comentamos aqui das indenizações que a TAM vem protelando o pagamento, do acidente em São Paulo, em 1996, e outro de 1990. Indenizações pedidas na Justiça que continua aceitando o jogo de empurra dos advogados da TAM para que os beneficiários morram antes dela ser compelida ao pagamento. Tivéssemos um Judiciário mais competente, por certo a TAM já teria assumido um outro comportamento. Com uma justiça negligente, os empresários se sentem convidados a fazer o que bem entenderem, mesmo que ao custo de muitas vidas.

E mais: Lula pode até achar que não, os institutos de pesquisa podem até mostrar outros resultados, os assessores podem até darem um top, top, top para toda a nação ao estilo cafajeste do salafrário Garcia. Mas isto um dia ainda vai respingar em Lula de forma indiscutível. A baderna não apenas no controle aéreo, mas de resto em todo o país, a mediocridade crescente, a corrupção intensa e também crescente, vão marcar este governo na história. Não pode um monte de estrume tratar o país e seu povo com tanto descaso, imoralidade, desídia, desfaçatez, com tanto cinismo, mistificação e ladroagem, sem que este país e seu povo um dia não despertem deste pesadelo e percebam o quanto foram enganados por estes levianos e cretinos. Não é possível que o mal supere o bem, não é possível entender que a delinqüência deste bando sem caráter, consiga sempre safar-se sem que um dia tenha que prestar contas de sua falta de honra.

Leve o tempo que levar, mas dia virá em que se descobrirá neste país o quanto Lula e seu partido representaram de atraso e desgoverno.

A última patifaria, anunciada inclusive na fala de Lula, foi a de que o tal CONAC vai se reunir semanalmente para avaliar as medidas e providências que estão sendo tomadas pelo governo. Querem saber? O tal CONAC é mais um daqueles entulhos que se cria para não resolver coisa alguma. Já existe lei, já existem órgãos demais. Bastaria que Lula governasse e cobrasse resultados de seus auxiliares, assessores e ministros. Quando a estrutura de pessoal, na Presidência da República, era muitíssimo menor do que a atual, não havia crise aérea. Portanto, que Lula justifique agora esta montanha de relapsos que nomeou e os faça trabalhar, muito embora a incompetência de todos não vá resolver coisa alguma. Na verdade, quando o governante é fraco e sem caráter, normalmente os que o cercam tendem a se espelhar por aquele que os comanda. Sendo assim, a anarquia vai continuar. O Brasil está sem governo e sem rumo desde janeiro de 2003, e o ponto de chegada ainda muito distante: dezembro de 2010. Até lá é rezar para que novas tragédias não continuem matando tantos inocentes.

TOQUEDEPRIMA...

***** Falha no reversor não explica acidente, dizem especialistas europeus

A falha no reversor direito do Airbus da TAM não explica o acidente ocorrido em São Paulo na última terça-feira, dizem especialistas europeus em aviação. Segundo eles, uma aeronave pode frear normalmente sem nenhum dos reversores funcionando, uma vez que eles são ferramentas suplementares. "É totalmente possível pousar um avião sem utilizar nenhum dos reversores", afirma o ex-piloto Lionel Drozd, consultor em aeronáutica e diretor da Air Consult Europe.

Na opinião de Pierre Condom consultor e ex-diretor da revista Air & Cosmos, a falta dos aparelhos, no entanto, acarretaria na necessidade dos pilotos ficarem mais atentos a aterrissagem. "Quando os reversores não funcionam, os pilotos têm de ficar muito mais atentos em relação ao ponto onde o avião deve tocar a pista. Há uma distância mínima que deve ser respeitada no pouso para permitir a frenagem", disse.

"Um reversor em pane é uma situação banal. Certamente as investigações não vão se concentrar nesse ponto. Elas devem analisar mais a questão da falta de ranhuras na pista", afirma Pierre Sparaco, editor da revista Aviation Week.

Já na opinião de John Sampson, diretor de engenharia e operações técnicas da Associação Internacional de Segurança Aérea, o vídeo que mostra a aterrissagem do Airbus da TAM deixa "evidente" que o acidente "teve pouco a ver com o problema no reversor".

"Os pilotos provavelmente estavam informados sobre o incidente (na aterrissagem de outro avião) no dia anterior e de que a pista não tinha ranhuras (para o escoamento da água). Se eles tocaram solo em um ponto muito avançado da pista sabendo que não tinham dois reversores operantes, o mais provável é que aplicassem potência e tentassem arremeter", diz Sampson.

***** Top, top e goza

A demissão do aspone Marco Aurélio Garcia livraria o governo trapalhão do assessor mais afinado: nada faz e, quando tenta ajudar, atrapalha ainda mais. A vantagem é que o presidente Lula, avesso a demissões, não teria que se torturar à procura de novo ajudante. Garcia é insubstituível.

***** Lei favorável a dono da Gol será investigada
De Felipe Seligman na Folha de S.Paulo

"O Ministério Público do Distrito Federal decidiu investigar a legalidade do projeto de lei proposto por aliados do ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) que resultou em uma valorização milionária de um terreno em Brasília. O terreno foi comprado pela Antares, empresa que tem Nenê Constantino, presidente do Conselho de Administração da Gol linhas Aéreas, entre seus investidores.

Segundo promotores do Distrito Federal, a negociação da área que teria se valorizado em R$ 72 milhões em apenas um ano pode ter motivado Nenê Constantino a repassar um cheque de R$ 2,2 milhões a Roriz, que renunciou no dia 4.

Tudo começou em março do ano passado, quando a empresa Alphaville Marketing Imobiliário Ltda, do então deputado distrital Wigberto Tartuce (PMDB), aliado e ex-secretário do governo de Joaquim Roriz, comprou de fundos estatais do Distrito Federal o terreno de 80 mil m2 por R$ 15,21 milhões.

Após a aprovação da Lei Complementar 731, em dezembro passado -que alterou o limite de área construída do terreno de 56.000 m2 para 128.000 m2-, Tartuce vendeu a propriedade para a Aldebaram (empresa ligada à Antares) por R$ 45,9 milhões, duas vezes mais do que ele desembolsara.

Mesmo com tal lucro, o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de Brasília avalia que o valor atual do terreno é ainda maior: R$ 128 milhões, com base no cálculo da área em que pode haver construção."

***** A voz dos donos
Da coluna Painel da Folha de S.Paulo

"Deputados do governo e da oposição, que se desentendem sobre quase tudo na CPI do Apagão Aéreo, chegaram a pelo menos um consenso a respeito do relatório final: ele classificará como promíscua a relação entre as empresas aéreas e a Anac, fato evidenciado pela pressão para que a pista reformada de Congonhas, onde ocorreu o acidente com o Airbus da TAM, fosse liberada pela agência antes das férias de julho.

"As companhias viajam em céu de brigadeiro", diz o relator Marco Maia (PT-RS), segundo quem a tragédia em São Paulo -e a intenção dos deputados de investigá-la- fará com que os trabalhos da comissão sejam prorrogados por pelo menos um mês. O texto, portanto, deverá ser apresentado no fim de setembro."

***** Dia do 'Fora, Lula'

Paulistanos se mobilizam para pedir o impeachment de Lula, dia 4, em passeata na Av. Paulista. Vão colocar nariz de palhaço, roupas pretas, e levar fotos dos mortos nos acidentes, além de faixas e cartazes de protesto.

***** Crise aérea faz o PT iniciar debate sobre alternativa a Marta
Da Folha de S.Paulo

"Cientes de que a crise aérea e o acidente com o avião da TAM na terça-feira passada podem provocar impacto na sucessão municipal de 2008, petistas e tucanos da capital paulista se movimentam nos bastidores para reavaliar possíveis candidaturas e já buscam estratégias para abordar o tema.

De imediato entre os petistas, a avaliação é que a candidatura da ministra Marta Suplicy (Turismo) à prefeitura, até então tida como "natural", deverá ser alvo de ataque dos adversários por conta da crise aérea e de sua declaração sobre o tema, quando ela recomendou aos passageiros "relaxar e gozar".

"A frase, infeliz, ganha agora, com essa tragédia, uma conotação mórbida", define um correligionário da prefeita, que pediu o anonimato. Segundo a Folha apurou, Marta, que começava a dar sinais de que aceitaria concorrer em 2008, como quer seu grupo político, voltou a ficar temerosa e indecisa.

Não faltariam concorrentes ao posto caso a ministra não concorra. Entre eles, estão Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara; os deputados federais Jilmar Tatto e José Eduardo Cardozo; o senador Aloizio Mercadante, derrotado ao governo do Estado em 2006, mas detentor de 34% dos votos contra José Serra na capital; e até mesmo o ministro Fernando Haddad (Educação)."

***** Kassab dobra sua aprovação entre paulistanos
Da Folha de S.Paulo

"O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), atingiu seu melhor índice de popularidade após um ano e quatro meses de gestão, revela pesquisa Datafolha realizada sexta-feira. A aprovação da administração de Kassab dobrou nos últimos quatro meses: 30% consideram seu governo ótimo ou bom; 30% o classificam como regular e 35% como ruim ou péssimo -5% não souberam responder.

Foram realizadas 1.092 entrevistas com moradores da capital. A margem de erro é de três pontos percentuais.

A ascensão da popularidade é significativa quando comparada ao último levantamento do instituto, feito nos dias 19 e 20 de março. Na ocasião, apenas 15% dos paulistanos entrevistados aprovavam a gestão do prefeito do DEM, enquanto 42% a consideravam ruim ou péssima, e 36%, regular.

Neste último levantamento, o desempenho de Kassab melhora em todas as faixas etárias, de escolaridade e de renda. Os mais altos índices de aprovação estão entre eleitores acima de 60 anos (46%), com ensino superior (34%) e renda acima de dez salários mínimos (32%)."

Desorganização

Carlos Sardenberg, Portal G1

Cuidam do setor aéreo civil:
Aeronáutica, a Força Aérea, responsável pelo controle do tráfego e investigação de acidentes;

Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) – regulação e fiscalização;

Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero)– uma estatal, responsável pelos aeroportos, incluindo construção e operação.

Não é uma boa arrumação.
Comando muito dividido, parte militar, parte civil, órgãos públicos com estruturas diferentes.
Por exemplo: sendo o controle do tráfego um serviço militar, operado por militares, não há como pagar salários adequados ao pessoal.
Isso porque, pela estrutura militar, um sargento não pode ganhar mais que outro.
Já a Infraero é uma empresa, pode empregar pela CLT, pagar salários de mercado e fazer obras com regras mais simples de contratação e licitação.
A Anac fica a meio caminho. Regula algo operado parte por militares, parte por civis.
Portanto, seria necessária uma forte coordenação geral – possível, pois os três órgãos estão vinculados ao mesmo Ministério, o da Defesa. Só que quem deveria fazer a coordenação é o ministro Waldir Pires, o personagem mais ausente nessa história.
Além disso, Infraero e Anac foram loteadas entre políticos.
Não pode dar certo.

Onde está a compostura?

Blog Lucia Hippolito

Primeiro, foi a frase infeliz, grosseira, reveladora de desprezo e menoscabo pelas pessoas, pronunciada pela “elegante” e quatrocentona ministra do Turismo, com sugestões sobre o que os passageiros deviam fazer para enfrentar o apagão aéreo.

Em seguida, veio a explicação canhestra da maior autoridade econômica do país, ninguém menos que o ministro da Fazenda, sobre as raízes do apagão aéreo: “É a prosperidade!”, teria dito sua Excelência, prenhe de arrogância jeca.Aí aconteceu a tragédia.

E a perda da compostura ainda continuou.

Dois episódios chamam a atenção, pela cafajestice, pelo deboche, pelo rompimento dos últimos limites da compostura e da decência.

No primeiro, uma autoridade subalterna, aspone que se arvora em chanceler, protagonizou junto com um assessor, numa sala do Palácio Planalto, sede da Presidência da República, uma cena pornô, das mais cafajestes e grosseiras.

Cena, repita-se, passada – e documentada – entre dois agentes públicos, nas dependências da Presidência da República.

Como muito bem observou o senador Pedro Simon, foi uma bofetada na cara do povo brasileiro.
O segundo episódio é igualmente dantesco.

A Aeronáutica, casa de Santos Dumont, Casemiro Montenegro, Eduardo Gomes, Nero Moura, Francisco Teixeira, Rui Moreira Lima, e tantos outros.

A Aeronáutica, de tantos heróis de guerra, do 1º Grupo de Aviação de Caça, que tantas glórias conquistou nos céus da Itália na Segunda Guerra Mundial.

Enfim, a Aeronáutica do capitão Sérgio Macaco, herói da resistência contra o arbítrio durante a ditadura.

Pois esta Aeronáutica, tão distante de suas melhores tradições, decidiu manter nesses dias difíceis de hoje, a comemoração do nascimento de Santos Dumont.E condecorou com a Medalha de Santos Dumont (!!), por relevantes serviços prestados à aviação civil, o presidente e uma diretora da Anac, cujo principal mérito é a amizade com a ministra Dilma Roussef e o ex-deputado José Dirceu. Diretora, aliás, cuja performance maltratando os parentes das vítimas do acidente da Gol (aquele, do ano passado) já é registro histórico.Onde é que a Aeronáutica está com a cabeça, que não adiou a cerimônia?!

Tendo em vista o desempenho profissional dos condecorados, que razões encontrou a Aeronáutica para dar-lhes uma medalha?

O presidente da República decretou luto de três dias em respeito aos 200 mortos no acidente com o avião da TAM.

Mas a Aeronáutica considerou que era adequado manter a cerimônia e condecorar duas pessoas certamente incluídas entre as principais responsáveis pelo apagão aéreo que vivemos há dez meses e que teve um desdobramento trágico com 200 mortos nesta mesma semana.

Como é que se condecora a incapacidade?

Como é que se condecora o descaso, a negligência, a arrogância, a auto-suficiência militante?

É de se perguntar: E ninguém vai ser demitido?

TOQUEDEPRIMA...

***** Representante de passageiros vai devolver medalha Santos Dumont à Aeronáutica

O presidente da Associação Nacional em Defesa dos Passageiros do Transporte Aéreo (Andep), Cláudio Candiota Filho, vai devolver a medalha Santos Dumont à Aeronáutica. Recebida anos atrás, foi reconhecimento pelos serviços prestados à aviação brasileira.

Agora, ele se diz "constrangido" porque diretores da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), entre eles Milton Zuanazzi, receberam tal distinção três dias após a tragédia com o avião da TAM em Congonhas. "Tomo esta atitude, com profunda dor, pois muito me orgulho de possuir tão relevante distinção" afirma.

NOTA OFICIAL
Constrangido, em face da concessão de Medalhas de Santos Dumont a diretores da Agência Nacional de Aviação Civil, comunico a Vossa Excelência que estarei devolvendo a mesma condecoração que tive a honra de receber pelos serviços que ao longo de minha vida prestei à nossa querida Força Aérea Brasileira e à aviação civil do País.

Tomo esta atitude, com profunda dor, pois muito me orgulho de possuir tão relevante distinção. Entretanto, os fatos não me oferecem alternativa.

Assim procedo em respeito à memória das vítimas das tragédias da Gol e da Tam, e em nome do que simboliza para todos nós, aviadores, a consagrada história de Santos Dumont.

Porto Alegre, 21 de julho de 2007.
Cláudio Candiota Filho
Presidente Associação Nacional em Defesa dos Passageiros do Transporte Aéreo ANDEP


***** TAM: Lula acusado de homicídio culposo

Os advogados Rafael Severino Gama e Karina Pichsenmeister Palma, de Porto Alegre, ingressaram ontem com representação no Ministério Público Federal para que sejam processados por homicídio culposo das vítimas do vôo 3054 da TAM o presidente Lula, o ministro Waldir Pires (Defesa), o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, e os presidentes da Anac, Milton Zuanazzi, e da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira.

***** Consumidores devem pagar por mudanças em Congonhas

O governo federal já admite que as medidas decretadas pelo Conac (Conselho de Aviação Civil) na última sexta-feira, que prevêem a redução do número de vôos no aeroporto de Congonhas, podem acarretar no aumento dos preços das passagens aéreas, além de outros transtornos. A redução aumenta os gastos das companhias aéreas, que repassam estas despesas para os consumidores.

Outra determinação da Conac é que os aviões pousem em Congonhas com peso menor – o que reduziria o número de ocupações nos vôos e, conseqüentemente, elevaria os prejuízos das empresas. Os ministros que fazem parte do Conselho defendem que o governo faça a opção pela segurança, mesmo que isto cause impactos no bolso dos passageiros.

Eles reconheceram que foi um erro do governo manter Congonhas como o principal aeroporto de São Paulo. No entanto, eles culparam os usuários pelo crescimento do aeroporto, pois eles prefeririam desembarcar no centro da cidade ao invés de optar por vôos para Guarulhos (SP).

***** Oposição defende demissão de cúpula aérea

A oposição defendeu nesta segunda-feira a demissão do Ministro da Defesa, Waldir Pires, do presidente da Infraero, José Carlos Pereira, e do presidente da Anac, Milton Zuanazzi. Partidos oposicionistas prometeram pressionar Lula por alguma atitude.

"Há um pânico generalizado que toma conta de todos. Ninguém suporta o que está ocorrendo. A nós, da oposição, cabe denunciar, criticar e sugerir. O que está ocorrendo é uma falta de respeito e de vergonha", afirmou o presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia (RJ).

O líder do PSDB na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (PSDB), afirmou que o ministro da Defesa é despreparado. "Ele (Waldir Pires) é um homem culto e educado, mas desprovido de qualificação para continuar à frente do Ministério da Defesa. Ele demonstrou total desconhecimento da área", disse o tucano.

Pannunzio ainda criticou o comando da Aeronáutica. "Como é que puderam confundir a caixa-preta com um gravador? O que está acontecendo? Isso tudo é inadmissível. Não pode continuar desta forma", concluiu o parlamentar.

***** Notas da TAM – Transportes Aéreos Que Matam.

A revista IstoÉ desta semana revela que entre 2001 e 2006 um dos comandantes do Airbus da TAM acidentado trabalhou como consultor e que apenas há um mês ganhou autorização para pilotar esse tipo de avião.

Passageiros da TAM para Santiago (Chile), dia 18, foram surpreendidos com uma escala imprevista em Buenos Aires. O comandante não tinha a qualificação exigida pelo controle aéreo chileno para atravessar os Andes.

O vôo 3706 da TAM de São Paulo para Brasília, ontem, partiu atrasado porque a porta da cabine do piloto não travava e o comandante exigiu o conserto para garantir sua privacidade. O conserto durou cinco horas.

***** Acidente é "desastre envolvido em farsa", diz Financial

A edição do jornal britânico Financial Times desta segunda-feira traz um artigo, de autoria do correspondente no Brasil, Jonathan Wheatley, criticando as posições do governo brasileiro em relação ao acidente com o vôo 3054 da TAM. Sob o título "Desastre envolvido em farsa", o texto afirma que "é difícil decidir qual das ações do governo após o pior desastre da história da aviação brasileira é mais representativa da incompetência de sua resposta a uma crise que já durava pelo menos dez meses".

Na seqüência o jornalista pergunta: "terá sido a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não aparecer em público até três dias depois do acidente ou a de não fazer nenhuma declaração nas primeiras quatro horas (sua mensagem de condolências chegou depois, por exemplo, do que aquela do presidente Néstor Kirchner da Argentina)?"

O artigo ainda critica o ministro da Defesa, Waldir Pires, afirmando que ele já deveria ter sido afastado do cargo após o acidente com o avião da Gol. O jornalista ainda comenta a condecoração dos diretores da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), "quando deveriam receber reprimendas ou as demissões que merecem", e a filmagem que flagrou o assessor especial da presidência Marco Aurélio Garcia comemorando uma a notícia de um problema mecânico na aeronave.

"Qualquer que seja a causa do acidente, ele era uma tragédia esperando para acontecer. A extrema necessidade de um governo mais eficiente no Brasil nunca esteve tão clara", conclui Wheatley.

***** Defeito no Airbus: manutenção da TAM na mira
Cláudio Humberto

O cuidado ou a falta de cuidado da TAM com a manutenção de suas aeronaves, motivo de muitas críticas, volta a ser lembrada após a revelação do "Jornal Nacional" desta quinta-feira, de que o reverso direito do Airbus da TAM estava com defeito desde sexta-feira (13). O "JN" revelou também que o avião fez um pouso crítico no mesmo aeroporto de Congonhas, onde se espatifaria no dia seguinte, matando os 186 ocupantes. Um defeito no reverso causou a queda do Fokker 100 da TAM, em outubro de 1996, que matou 99 pessoas. Na ocasião, a manutenção da TAM já era muito criticada.

Na denúncia ao MP, os advogados gaúchos responsabilizam criminalmente as autoridades que não cumpriram o dever de solucionar o caos aéreo.

Pensando bem.... nos últimos dez meses, as autoridades do setor aéreo só se preocuparam com uma coisa: manter seus empregos.