O MARCO ZERO DA CRISE AÉREA.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Vocês lerão num dos próximos posts, entrevista concedida por Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, o primeiro da era Lula, e que pediu demissão por discordar da equipe econômica da política que estava sendo implementada por Palocci & Cia. O importante na entrevista é a acusação que Lessa faz ao governo Lula em relação à crise aérea e a maneira sórdida como foi tratada a questão da VARIG.
Para o COMENTANDO A NOTÍCIA nenhuma novidade, já que acusamos o governo Lula de ter provocado a falência daquela companhia premeditadamente, por razões que ainda se mantém ocultas, mas que o tempo ainda nos trará a versão correta do que se passou e das razões, nenhuma honesta logicamente, pelas quais o governo Lula deixou a coisa terminar do jeito que conhecemos. Carlos Lessa vem abrir um pouco ao menos a suspeita que sempre sustentamos, a de que o governo Lula deixou de socorrer a VARIG porque quis que a companhia quebrasse. Claro que Lessa meio que tenta esquivar-se, ao dizer que Palocci negou o socorro culpando o FMI. Isto, contudo, não é verdade, tanto não é que o BNDES andou fazendo algumas operações para lá de suspeitas com multinacionais do setor elétrico em prejuízo do próprio BNDES. Ainda vamos pesquisar no arquivo a matéria que publicamos sobre isto.
A questão fundamental aqui, nesta entrevista do Lessa, é que ela vem de encontro a uma outra entrevista do mesmo Jornal do Brasil e que transcrevemos ontem, de Ozires Silva: o apagão aéreo começou em dois momentos bem marcantes, ambos no governo Lula, sendo o primeiro a falta dos investimentos que o governo sabia serem imprescindíveis, e a derrocada da VARIG. A versão que se corre por aí marca a queda do Boeing da Gol em setembro de 2006 como o marco do início da crise. Errado, a crise começa antes e inclusive diante do noticiário dos últimos dias, isto fica cada vez mais evidente. Observem quantas aeronaves, sejam da Gol ou mesmo TAM, esta última principalmente, tem tido problemas técnicos e mecânicos. No tempo da VARIG no ar, raramente se percebia aeronaves com tais “deficiências”. E tudo por uma razão: a VARIG tinha um centro de manutenção que era utilizado por inúmeras companhias internacionais que o consideravam de primeiríssima qualidade. O atendimento aos passageiros, fosse nos balcões da companhia ou seus tripulantes, eram referência internacional.
Para qualquer companhia tentar ser maior do que a VARIG precisava tentar competir também neste campo, atendimento e manutenção. Com a sua quebra, este ponto de referência na aviação comercial brasileira sumiu do radar. A TAM ou a GOL são empresas ainda bastantes jovens, que jogaram pesado no campo do baixo custo, para ganhar mercado com bilhetes mais baratos. Isto num tempo de inflação fazia muita diferença. Claro que a VARIG teve problemas de má gerência, mas isto só não explica a falta de socorro que o governo Lula se negou conceder.
Depois, dentro da política de aparelhamento do Estado pelo petê e os sindicalistas congregados e aliados, todos os órgãos ligados ao controle e fiscalização do setor aéreo passaram pelo processo de mediocridade que, de resto, ocupa todo o espectro da administração federal. Assim, no lugar do antigo DAC, foi inventada a ANAC, aparelhada a INFRAERO, além dos investimentos que ficaram congelados. Deu no deu, e que está ainda está em pleno vigor, uma crise sem precedentes. Não por causa de preços, não por causa de competição dentre as empresas. Nada disso. Mas pela esculhambação, anarquia, falta de comando, falta de política para o setor, misturados com descasos e omissão, conivência com o vagabundismo laboral, preenchimento de cargos considerados os apelos indecentes do compadrio político.
Já dissemos aqui e tornamos a repetir: a crise somente começará a ser debelada, a partir do momento em que Lula aceitar a idéia que o setor vive de fato uma crise. E não uma crise qualquer: um crise que mata. Além de acreditar que a crise existe, Lula precisa tomar uma decisão inadiável: demitir toda a cúpula, seja da INFRAERO seja da ANAC. Proceder, ato contínuo, a uma devassa nos dois organismos, e depois neles colocar gente competente, gente ligado ao setor aeronáutico, e não precisa ser militar, e criar regras claras de atuação dos órgãos nos seus respectivos campos. Sem isso, a crise tende a se agravar mais e mais.
Mas não pensem que apenas o governo tem sua parcela de culpa nesta maçaroca toda: as empresas TAM, principalmente, mas também a Gol, pintam e bordam sobre os passageiros sem que a ANAC faça valer sua autoridade e o cumprimento das leis em vigor. Falta a estas empresas um pouco mais de respeito, e este respeito ausente é derivado também por coisas que existem neste Brasil em quantidades cada vez mais crescentes: a impunidade. Já comentamos aqui das indenizações que a TAM vem protelando o pagamento, do acidente em São Paulo, em 1996, e outro de 1990. Indenizações pedidas na Justiça que continua aceitando o jogo de empurra dos advogados da TAM para que os beneficiários morram antes dela ser compelida ao pagamento. Tivéssemos um Judiciário mais competente, por certo a TAM já teria assumido um outro comportamento. Com uma justiça negligente, os empresários se sentem convidados a fazer o que bem entenderem, mesmo que ao custo de muitas vidas.
E mais: Lula pode até achar que não, os institutos de pesquisa podem até mostrar outros resultados, os assessores podem até darem um top, top, top para toda a nação ao estilo cafajeste do salafrário Garcia. Mas isto um dia ainda vai respingar em Lula de forma indiscutível. A baderna não apenas no controle aéreo, mas de resto em todo o país, a mediocridade crescente, a corrupção intensa e também crescente, vão marcar este governo na história. Não pode um monte de estrume tratar o país e seu povo com tanto descaso, imoralidade, desídia, desfaçatez, com tanto cinismo, mistificação e ladroagem, sem que este país e seu povo um dia não despertem deste pesadelo e percebam o quanto foram enganados por estes levianos e cretinos. Não é possível que o mal supere o bem, não é possível entender que a delinqüência deste bando sem caráter, consiga sempre safar-se sem que um dia tenha que prestar contas de sua falta de honra.
Leve o tempo que levar, mas dia virá em que se descobrirá neste país o quanto Lula e seu partido representaram de atraso e desgoverno.
A última patifaria, anunciada inclusive na fala de Lula, foi a de que o tal CONAC vai se reunir semanalmente para avaliar as medidas e providências que estão sendo tomadas pelo governo. Querem saber? O tal CONAC é mais um daqueles entulhos que se cria para não resolver coisa alguma. Já existe lei, já existem órgãos demais. Bastaria que Lula governasse e cobrasse resultados de seus auxiliares, assessores e ministros. Quando a estrutura de pessoal, na Presidência da República, era muitíssimo menor do que a atual, não havia crise aérea. Portanto, que Lula justifique agora esta montanha de relapsos que nomeou e os faça trabalhar, muito embora a incompetência de todos não vá resolver coisa alguma. Na verdade, quando o governante é fraco e sem caráter, normalmente os que o cercam tendem a se espelhar por aquele que os comanda. Sendo assim, a anarquia vai continuar. O Brasil está sem governo e sem rumo desde janeiro de 2003, e o ponto de chegada ainda muito distante: dezembro de 2010. Até lá é rezar para que novas tragédias não continuem matando tantos inocentes.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Vocês lerão num dos próximos posts, entrevista concedida por Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, o primeiro da era Lula, e que pediu demissão por discordar da equipe econômica da política que estava sendo implementada por Palocci & Cia. O importante na entrevista é a acusação que Lessa faz ao governo Lula em relação à crise aérea e a maneira sórdida como foi tratada a questão da VARIG.
Para o COMENTANDO A NOTÍCIA nenhuma novidade, já que acusamos o governo Lula de ter provocado a falência daquela companhia premeditadamente, por razões que ainda se mantém ocultas, mas que o tempo ainda nos trará a versão correta do que se passou e das razões, nenhuma honesta logicamente, pelas quais o governo Lula deixou a coisa terminar do jeito que conhecemos. Carlos Lessa vem abrir um pouco ao menos a suspeita que sempre sustentamos, a de que o governo Lula deixou de socorrer a VARIG porque quis que a companhia quebrasse. Claro que Lessa meio que tenta esquivar-se, ao dizer que Palocci negou o socorro culpando o FMI. Isto, contudo, não é verdade, tanto não é que o BNDES andou fazendo algumas operações para lá de suspeitas com multinacionais do setor elétrico em prejuízo do próprio BNDES. Ainda vamos pesquisar no arquivo a matéria que publicamos sobre isto.
A questão fundamental aqui, nesta entrevista do Lessa, é que ela vem de encontro a uma outra entrevista do mesmo Jornal do Brasil e que transcrevemos ontem, de Ozires Silva: o apagão aéreo começou em dois momentos bem marcantes, ambos no governo Lula, sendo o primeiro a falta dos investimentos que o governo sabia serem imprescindíveis, e a derrocada da VARIG. A versão que se corre por aí marca a queda do Boeing da Gol em setembro de 2006 como o marco do início da crise. Errado, a crise começa antes e inclusive diante do noticiário dos últimos dias, isto fica cada vez mais evidente. Observem quantas aeronaves, sejam da Gol ou mesmo TAM, esta última principalmente, tem tido problemas técnicos e mecânicos. No tempo da VARIG no ar, raramente se percebia aeronaves com tais “deficiências”. E tudo por uma razão: a VARIG tinha um centro de manutenção que era utilizado por inúmeras companhias internacionais que o consideravam de primeiríssima qualidade. O atendimento aos passageiros, fosse nos balcões da companhia ou seus tripulantes, eram referência internacional.
Para qualquer companhia tentar ser maior do que a VARIG precisava tentar competir também neste campo, atendimento e manutenção. Com a sua quebra, este ponto de referência na aviação comercial brasileira sumiu do radar. A TAM ou a GOL são empresas ainda bastantes jovens, que jogaram pesado no campo do baixo custo, para ganhar mercado com bilhetes mais baratos. Isto num tempo de inflação fazia muita diferença. Claro que a VARIG teve problemas de má gerência, mas isto só não explica a falta de socorro que o governo Lula se negou conceder.
Depois, dentro da política de aparelhamento do Estado pelo petê e os sindicalistas congregados e aliados, todos os órgãos ligados ao controle e fiscalização do setor aéreo passaram pelo processo de mediocridade que, de resto, ocupa todo o espectro da administração federal. Assim, no lugar do antigo DAC, foi inventada a ANAC, aparelhada a INFRAERO, além dos investimentos que ficaram congelados. Deu no deu, e que está ainda está em pleno vigor, uma crise sem precedentes. Não por causa de preços, não por causa de competição dentre as empresas. Nada disso. Mas pela esculhambação, anarquia, falta de comando, falta de política para o setor, misturados com descasos e omissão, conivência com o vagabundismo laboral, preenchimento de cargos considerados os apelos indecentes do compadrio político.
Já dissemos aqui e tornamos a repetir: a crise somente começará a ser debelada, a partir do momento em que Lula aceitar a idéia que o setor vive de fato uma crise. E não uma crise qualquer: um crise que mata. Além de acreditar que a crise existe, Lula precisa tomar uma decisão inadiável: demitir toda a cúpula, seja da INFRAERO seja da ANAC. Proceder, ato contínuo, a uma devassa nos dois organismos, e depois neles colocar gente competente, gente ligado ao setor aeronáutico, e não precisa ser militar, e criar regras claras de atuação dos órgãos nos seus respectivos campos. Sem isso, a crise tende a se agravar mais e mais.
Mas não pensem que apenas o governo tem sua parcela de culpa nesta maçaroca toda: as empresas TAM, principalmente, mas também a Gol, pintam e bordam sobre os passageiros sem que a ANAC faça valer sua autoridade e o cumprimento das leis em vigor. Falta a estas empresas um pouco mais de respeito, e este respeito ausente é derivado também por coisas que existem neste Brasil em quantidades cada vez mais crescentes: a impunidade. Já comentamos aqui das indenizações que a TAM vem protelando o pagamento, do acidente em São Paulo, em 1996, e outro de 1990. Indenizações pedidas na Justiça que continua aceitando o jogo de empurra dos advogados da TAM para que os beneficiários morram antes dela ser compelida ao pagamento. Tivéssemos um Judiciário mais competente, por certo a TAM já teria assumido um outro comportamento. Com uma justiça negligente, os empresários se sentem convidados a fazer o que bem entenderem, mesmo que ao custo de muitas vidas.
E mais: Lula pode até achar que não, os institutos de pesquisa podem até mostrar outros resultados, os assessores podem até darem um top, top, top para toda a nação ao estilo cafajeste do salafrário Garcia. Mas isto um dia ainda vai respingar em Lula de forma indiscutível. A baderna não apenas no controle aéreo, mas de resto em todo o país, a mediocridade crescente, a corrupção intensa e também crescente, vão marcar este governo na história. Não pode um monte de estrume tratar o país e seu povo com tanto descaso, imoralidade, desídia, desfaçatez, com tanto cinismo, mistificação e ladroagem, sem que este país e seu povo um dia não despertem deste pesadelo e percebam o quanto foram enganados por estes levianos e cretinos. Não é possível que o mal supere o bem, não é possível entender que a delinqüência deste bando sem caráter, consiga sempre safar-se sem que um dia tenha que prestar contas de sua falta de honra.
Leve o tempo que levar, mas dia virá em que se descobrirá neste país o quanto Lula e seu partido representaram de atraso e desgoverno.
A última patifaria, anunciada inclusive na fala de Lula, foi a de que o tal CONAC vai se reunir semanalmente para avaliar as medidas e providências que estão sendo tomadas pelo governo. Querem saber? O tal CONAC é mais um daqueles entulhos que se cria para não resolver coisa alguma. Já existe lei, já existem órgãos demais. Bastaria que Lula governasse e cobrasse resultados de seus auxiliares, assessores e ministros. Quando a estrutura de pessoal, na Presidência da República, era muitíssimo menor do que a atual, não havia crise aérea. Portanto, que Lula justifique agora esta montanha de relapsos que nomeou e os faça trabalhar, muito embora a incompetência de todos não vá resolver coisa alguma. Na verdade, quando o governante é fraco e sem caráter, normalmente os que o cercam tendem a se espelhar por aquele que os comanda. Sendo assim, a anarquia vai continuar. O Brasil está sem governo e sem rumo desde janeiro de 2003, e o ponto de chegada ainda muito distante: dezembro de 2010. Até lá é rezar para que novas tragédias não continuem matando tantos inocentes.