sexta-feira, outubro 15, 2010

A campanha do dito pelo não dito

Adelson Elias Vasconcellos

Antes de iniciar este texto, uma recomendação especialmente às mulheres brasileiras: não deixem de ler o artigo postado mais abaixo, Dilma, não fale pelas mulheres, da Márcia Vaz. Imperdível e reflexivo o suficiente para por um pingo de juízo nesta discussão toda sobre aborto.

Em frente. O grande mote da propaganda da candidata governista ao longo de toda a sua campanha, pré-campanha e até mesmo a da pré-pré-campanha, tem sido a de que ela representa a continuidade do governo Lula que, por estar bem avaliado, representava um precioso capital político ao qual Dilma pretendia ligar-se de forma definitiva, com o objetivo de transferir para si os votos necessários para sua eleição.

Veio o inesperado segundo turno, e lá estava o “poste” cantando as glórias do governo do qual participara de forma integral, do primeiro ao último dia, prometendo dar continuidade a tudo o que Lula começara e que, a rigor, já era continuidade de tudo o que começara com Fernando Henrique e Itamar Franco. Até o programa nacional de privatização, este instalado por Fernando Collor, que recebeu no governo FHC o máximo de transparência e solidez, mas que o PT abomina, Lula aprofundou, apesar de dona Dilma aparecer na campanha da tevê pregando o mesmo discurso vigarista que o próprio Lula encenou em 2006, tentando desconstruir a candidatura de Serra.

O que é interessante e vale ressaltar que Dilma, desde que chegou ao Planalto pelas mãos de Lula, primeiro no Ministério de Minas e Energia e, mais tarde, guindada à Casa Civil, pela queda de José Dirceu pilhado como chefe da quadrilha do Mensalão, em 2005, jamais, em momento algum, se ouviu de Dilma Rousseff uma única crítica às decisões de Lula. Para ela, não tem esta de Deus no Céu e Lula na Terra. É Lula no céu, na terra e, se necessário, no inferno também.

Assim, entende-se o discurso pregando-se como a legítima herdeira de Lula, e seu provável governo nada mais será do que mera continuidade de tudo o que está aí. Para o bem ou para o mal.

Mas campanha eleitoral tem o dom de fazer as pessoas caírem na tentação da demagogia barata, da política rasteira, e da hipocrisia explícita. E é justamente isto que se percebe estar acontecendo com Dilma nesta reta final de campanha.

Como não levou o caneco no primeiro turno, tentou-se arranjar uma desculpa perante a opinião pública, para justificar a frustração. E como o baú de maldades do Petê é imenso, logo saiu-se a campo com a “campanha de calúnias e mentiras da oposição”, ou, “campanha de ódio da oposição” e assim foi até que o Datafolha exibiu que o caso Erenice teve mais influência sobre a não vitória no primeiro turno, do que qualquer outra coisa. Entre tapas e beijos, aturdidos ainda sobre causas e desarranjos, o comitê de Dilma, de repente, viu-se no meio de um tiroteio para o qual ainda não encontrou a porta de saída. A questão do aborto, e as declarações de Dilma favoráveis à sua descriminação, além daquelas duas situações que a lei já prevê, tomou conta do debate. Dilma tenta negar aquilo que está gravado. O vídeo do youtube, em que, numa sabatina da Folha de São Paulo, a candidata diz com todas as letras ser favorável à descriminalização, derrubou qualquer outro argumento que Dilma e sua campanha pudessem contradizer sobre sua opinião. É claro que, num país de maioria cristã, a questão do aborto envolve não o que alguns tentam dissimular como “preconceitos”. É uma questão fechada, ela envolve valores arraigados no sentimento das pessoas. Não se trata apenas de tabu, e sim de uma posição a que podemos classificar como “valores pétreos da sociedade”. Quem bulir neste ponto, vai se queimar. E foi a partir daí que a candidatura Dilma começou a se desmoronar. Não que o tema aborto tenha sido o pontapé inicial da queda: a questão dos sigilos e o caso Erenice acenderam na população um sinal de alerta que se tornou mais ruidoso ainda quando se confrontou a opinião em passado recente de Dilma e sua negativa em assumir o que disse. Assim, não é pela posição de Dilma, como de resto é política do governo Lula e faz parte do programa do Petê a descriminalização, é sim a sua tentativa descarada de tentar ludibriar a população, mentir acintosamente sobre um tema que requer mais seriedade e compromisso.

Não se pode dizer que Dilma, ao declarar-se favorável à descriminalização, estivesse sendo incoerente. Pelo contrário: tanto o governo Lula pratica uma política favorável à descriminalização que financiou à Fiocruz um filme com uma posição favorável. O próprio PNDH, versão 3.0, montado e revisado pela própria Dilma quando ainda chefe da Casa Civil, é definitivo nesta questão. Só voltaram atrás dada a forte reação negativa da sociedade, o que não quer dizer que tenham mudado de opinião.

Mas o que chama mais atenção é que, de repente, a Dilma, na tentativa de reconquistar os votos que perdeu e estancar a sangria que se percebe nas pesquisas, resolveu adotar um comportamento diferente da tal continuidade.

Além de agora ser assumidamente contrária ao aborto, e tentando captar os 20 milhões de votos de Marina Silva – essenciais para ganhar a corrida -, de repente, resolveu ressuscitar o Plano Amazônia que, diga-se, foi o estopim que levou a ex-ministra Marina a sair do governo e do partido. Há declarações da Dilma dizendo que o projeto da Marina não era o projeto do governo Lula. Mas, na campanha, aquilo que foi defenestrado por Dilma, Lula & Cia., como que por encanto, passou a ser o sonho dourado de consumo do governo e da própria Dilma.

Mas a calhordice não resume apenas a estes dois pontos. Em seu site, Dilma resolveu publicar a sua pauta de temas sindicais. Assim, em troca de apoio político, sua campanha abraçou a pauta de reivindicações da Força Sindical pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e o fim do fator previdenciário para a aposentadoria. A petista jamais endossou essas bandeiras, mas seu site oficial apresentou nesta quinta-feira um vídeo no qual essa promessa é apresentada pelo deputado reeleito Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), que se tornou o anfitrião da candidata no segundo turno em São Paulo.

Em um encontro nesta quinta-feira no comitê intersindical de Dilma em São Paulo, líderes das seis centrais sindicais - CUT, Força Sindical, CTB, CGTB, UGT e Nova Central - definiram uma agenda de mobilização diária pró-Dilma. A iniciativa ganhou destaque no site da campanha, onde Paulinho anuncia:

A presidenciável já se manifestou de forma contrária à redução geral da jornada, que considera ser um assunto a ser negociado entre patrões e empregados.

Dilma também elogiou, em junho, o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à extinção do fator previdenciário, que foi aprovada pelo Congresso, em desacordo com a vontade do Executivo. A petista sustenta que uma reforma da Previdência não é necessária devido ao "bônus demográfico" do país, mas já citou que poderão ser feitos pequenos ajustes, sem grandes mudanças nas aposentadorias.

Ora, para quem prega a continuidade, pura e simples, do governo Lula e do qual participou até abril deste ano, fica difícil aceitar uma mudança de posições tão abruptas, sobre temas em que, antes da campanha chegar no ponto atual, dona Dilma tinha e defendia posições fechadas e que se contradizem com seu ideário atual.

É bom que o eleitorado se mantenha alerta para esta ambiguidade, porque, se na campanha Dilma promete coisas que no poder votou contra, ao retornar ao poder nada nos garante que manterá a promessa de campanha. Lula, na oposição demonizou, por exemplo, a mudança constitucional que garantiu a reeleição para presidente, governadores e prefeitos. No poder, já se assistia nos últimos meses a bravata de que “oito anos” é pouco.

Não sei e não aposto em quem vencerá a eleição para suceder Lula. Mas uma coisa nos é possível concluir: o fato de Dilma não ter vencido no primeiro turno, somado ao resultado das últimas pesquisas, está fazendo com que a campanha governista comece a desgovernar-se. É visível a falta de coerência, nesta perturbada lógica de dar tiro para todo o lado. É visível a falta de segurança que se nota até nas falas e discursos. O teor que a campanha na tevê tem mostrado, é de se tentar apostar em táticas do passado que deram certo, para ver se colam mais uma vez para a retomada do favoritismo que se desenhou no primeiro turno. E, neste sentido, dê-lhe vigarices em cima de vigarices, e sobre as quais já desmontamos uma a uma.

Dilma pode reverter o quadro atual? Por certo que sim, afinal, ainda faltam 16 dias até a eleição, tempo muito longo para os imprevistos de oliveira silva se apresentarem e mudarem todo o cenário. Mas de uma coisa já é possível sacar: o tal mote da continuidade já foi prô brejo e levou junto toda a coerência da campanha. Agora vale tudo aquilo que os petistas sempre traziam na bagagem em tempos de oposição: chute nas canelas, no fígado, abaixo da linha de cintura, e muitas mentiras, calúnias, discursos indecorosos destilando um ódio atroz contra adversários, além, claro, do uso cada dia mais intenso e mais ilegal seja da máquina ou dos mesmo dos recursos públicos.

Para finalizar: Dilma prepara uma carta ao povo brasileiro em que “assumirá” o compromisso em relação à não levar adiante a ideia embutida no programa de seu partido quanto às legalização irrestrita do aborto. De minha parte, prefiro manter reservas quanto a este compromisso. Sabem por quê? Dilma não tem crédito para hoje dizer uma coisa, e amanhã manter e fazer o que disse e o que prometeu. Assim já foi com o próprio tema. Em relação a tal carta, parece que a coisa complicou um pouquinho (vejam nesta edição artigo do Reinaldo Azevedo a respeito). Em relação a Deus, então, minha gente, chega a ser cômico. A candidata foi à Basílica de Nossa Senhora Aparecida para uma missa. Coitada, a recém convertida, sequer conseguiu fazer o sinal da cruz direitinho...

No vídeo abaixo, e contrariando completamente o primeiro mandamento que determina “amar a Deus acima de todas as coisas”, vejam que “beleza” a declaração da cristã nova... E depois eles querem que a gente os leve a sério! Devem estar de brincadeira, não é mesmo?


O Mensalão do Lula e um partido à beira de um ataque de nervos.

Adelson Elias Vasconcellos

O senhor Luiz Inácio é do tipo de político que não sabe perder, mas também não sabe ganhar. Na vitória, sua já suprema arrogância assume contornos explosivos, como nas declarações que deu no Piauí, em que afirmou que a vitória de seus aliados era uma vingança divina sobre seus adversários. Na derrota, então, se tiver crianças na sala, mande-as para o quarto imediatamente.

Os últimos dias têm revelado uma sensível mudança dos ventos e do humor do eleitorado. O encantamento do primeiro turno, parece ter esgotado sua quota de frouxidão e tolerância. Nesta segunda quadra da eleição presidencial, quando Lula imaginava que, a exemplo do que aconteceu com ele próprio em 2006, e Dilma iria dar uma forte arrancada rumo à vitória, as coisas parecem não querer repetir-se. O horizonte venturoso de antes, ainda no primeiro turno, parece turvar-se cada vez com maior intensidade neste segundo turno. E, na medida em que as notícias ruins se sucedem para a campanha Dilma, Lula vai assumindo um tom cada dia mais explosivo e seus discursos vão destilando um ódio de cão raivoso cada vez mais acentuado.

O clima no comitê de campanha se resume a isto: com a divulgação da pesquisa CNT/Sensus apontando empate técnico com José Serra (PSDB), na disputa do segundo turno: 46,2 x 42,7% deixou todo mundo enfurecido. Por ordem de Lula, o ministro da Propaganda, Franklin Martins, deu piti no comitê exigindo “pancadaria” no tucano. Antonio Palocci e o marqueteiro João Santana tentaram ponderar, mas o tempo fechou.

Razões para pânico: a distância entre Dilma e Serra caiu de oito para seis e ontem para apenas quatro pontos percentuais (CNT/Sensus).

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, há dias deixou de tuitar: após entrevista admitindo erros no primeiro turno, levou uma bronca federal.

Assim, doravante, esqueçam o Lulinha paz e amor, a Dilminha paz e amor. Se nos últimos dias, a campanha já se emporcalhara de vez com vigarices, mentiras, mistificações e baixarias, a tendência de que o nível degringole de vez é total. Lula não aceitará de maneira alguma ser derrotado estando no poder. Não admite ser oposição, não aceita transferir o poder para aqueles que ele imaginava derrotados e quase extintos.

É como se tudo o que fez ao longo de quase oito anos no poder, não tivesse servido para nada. Claro que a manutenção de políticas sociais e transferências que herdou de Fernando Henrique e que até aprofundou, é lógico que as bases da política econômica implementadas no governo anterior e que manteve inalteradas, são conquistas do país a serem festejadas. Mas não convidem Lula para esta festa caso sua candidata perca a eleição, e Lula tenha que transferir a faixa presidencial para Serra. Porque no fundo, minha gente, Lula nunca governo o Brasil para o Brasil.

Seus dois mandatos foram dedicados, exclusivamente, para si mesmo, para sua mística, para tornar-se o rei idolatrado, único, incomparável, cantado em prosa e verso de norte a sul como o maior dentre os maiores estadistas não apenas deste recanto tupiniquim, mas de toda a história do universo. Na sua visão egocêntrica, nem a obra da criação divina é comparável a sua obra de governança. Ninguém foi mais perfeito do que ele próprio. Lula, e aí reside seu grande e imenso erro, não se deu conta de que os governantes, sejam quais forem, são apenas peças temporárias e removíveis do imenso tabuleiro da história política das nações. Para Lula, o Brasil jamais existiu antes dele, e não conseguirá sobreviver depois dele, sem ele no comando. Acho que Lula, ao deixar o poder, melhor faria se, após uma longa viagem de retiro, passasse um certo tempo em tratamento com algum analista para voltar à vida terrena, à realidade do dia a dia comum a todos os mortais.

Sabem o tal PAC, aquele programa que ele copiou, recortou e colou do Avança Brasil do Fernando Henrique? Ali, crescimento não se referia ao do Brasil, e sim ao do partido. Desde a seleção dos programas, até a repartição do butim, tudo foi planejado nos menores detalhes para dar certo. O tal PAC foi criado e gerenciado como um imenso cabo eleitoral, num primeiro momento, e segundo, como o maior mensalão da república.Conforme Rogério Werneck já demonstrara em artigo no Estadão, esta foi um campanha movida a gasto público, e não é recente, Lula usa e abusa da máquina e dos recursos públicos há pelo menos dois anos.Na semana seguinte à realização do primeiro turno, publicamos inúmeras denúncias de crime eleitoral em que a compra de votos mais se destacava. Mas, especialmente, uma ocorrida no Piauí me chamou atenção: a que dava conta da atuação de Alexandre Padilha, recentemente licenciado das funções de ministro das Relações Institucionais para se dedicar, integralmente, à campanha de Dilma. Padilha foi denunciado por trocar recursos públicos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), no valor de R$ 108 milhões, por apoio político do prefeito de Teresina, Elmano Ferrer (PTB), em favor da candidatura de reeleição do governador Wilson Martins (PSB). O dinheiro será destinado para obras de infraestrutura e drenagem na capital do Piauí. Padilha pediu licença do cargo de ministro para se engajar na campanha de Dilma Rousseff.

Muito bem: não pense o leitor que este caso é único. Ele vem sendo utilizado desde que o PAC deu o ar da graça, com a conivência criminosa de governadores e prefeitos. Este é o verdadeiro mensalão do Lula, e seu uso demonstra claramente que o PAC tinha e tem outros objetivos, totalmente alheios ao interesse do país: ele financia a manutenção do poder, e não o desenvolvimento do país, que passou a ser de menor importância.

Querem outro exemplo? Hoje, em Goiânia, o governador Alcides Rodrigues (PP) e o candidato lançado por ele no primeiro turno, Vanderlan Cardoso (PR), anunciaram, com direito a muita festa, que no segundo turno apoiarão Iris Rezende (PMDB) ao governo de Goiás e Dilma Rousseff (PT) à sucessão de Lula.

Tudo bem, se não fosse por uma incômoda coincidência. Ontem, o mesmo Alcides estava em Brasília para outra reunião. Junto com Lula, assinou acordo que garantiu uma injeção de R$ 3,7 bilhões em dinheiro do governo federal na combalida CELG, a empresa de distribuição de energia de Goiás.

Dinheiro emprestado pela Caixa Econômica Federal. Com juros camaradas, 20 anos para pagar e dois anos de carência. Ou seja, conta para o próximo governador pagar.

Na sexta-feira da semana passada, Alcides e Vanderlan haviam se encontrado com Lula. Na ocasião, ficou decidido que a CELG receberia o dinheiro. Também foi combinado que o governador e seu candidato se bandeariam para o palanque de Dilma.

O anuncio oficial do apoio a Dilma e Iris, no entanto, só aconteceu depois da assinatura dos papéis do empréstimo. Sintomaticamente, o ex-secretário da Fazenda de Alcides, Jorcelino Braga, testemunhou a cerimônia de Brasília. Braga foi escolhido como marqueteiro da campanha de Iris no segundo turno.

O caso da CELG é uma das grandes questões da campanha de Goiás. Tanto Iris quanto seu adversário no segundo turno, Marconi Perillo (PSDB), já governaram o Estado. Perillo debita na conta do PMDB as dificuldades da empresa.

No discurso que fez durante a assinatura do empréstimo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, acusou “gestões anteriores” do Estado pelas dificuldades da empresa.

Em agosto, a Assembleia Legislativa de Goiás aprovou uma lei que proibia o governo de usar o dinheiro do empréstimo federal para quitar débitos da CELG com o ICMS.

O governo Lula achou uma forma de contornar a proibição. Alem dos 3,7 bi para o governo do Estado, emprestou R$ 700 milhões para a própria CELG. Dinheiro que será usado para... quitar os débitos com o ICMS.

Na prática, o dinheiro faz uma escala na empresa e vai para os cofres do governo estadual e das prefeituras.

Em Goiás, as pesquisas indicam, para preocupação de Lula, o crescimento não apenas de Perillo, mas também de José Serra.

Se os políticos do Brasil fossem pessoas corretas, sérias, honestas, dignas de representar a sociedade no parlamento e, por certo, casos como os acima narrados, fariam a festa dos reportes todos os dias. Se os políticos em Brasília se alegram com a putaria de cargos de confiança, país afora, a distribuição de verbas públicas como moeda de troca na cooptação para compor alianças políticas, está disseminada. E isto só é possível acontecer num país em que o Estado, além do centralismo exacerbado e irracional, se confunde com a total ausência de transparência do gasto público. O velho costume cafajeste de se misturar interesses pessoais acima do bem público, e transformar o Estado num imenso balcão de negócios para favorecer a prática, se acentuou com o governo atual. Não é por outra razão que, a par do imenso volume na arrecadação de recursos vivido nos últimos anos, os serviços públicos essenciais padecem à míngua, cada mais esfoliados, cada dia mais indignos e abandonados à própria sorte. Quem padece? São exatamente aqueles a quem Lula diz dedicar sua preocupação, ou seja, os mais pobres que, sem recursos, dependem exclusivamente do Estado para sua sobrevivência e manutenção.

Mas, e como se vê, foram transformados em verdadeiras massas de manobras: dependentes do Estado para tudo, rouba-se- lhes a consciência cidadã em troca do voto, que passa a ser a moeda de troca dos bolsa vale tudo, menos a dignidade de serem livres e poderem exercer livremente suas escolhas.

O Mensalão do Pac, e conforme demonstramos em inúmeros artigos – relatórios do site Contas Abertas, jamais deixaram de ser o que de fato são: pactóides. Seu prazo de validade se inicia um pouco antes da campanha e se extingue na próxima eleição.

E este passa a ser o temor de um certo comitê a beira de um ataque de nervos: a possibilidade de uma cada vez mais provável vitória da oposição em 31 de outubro, e que provoca um rebuliço enorme dado o temor de, além de perderem o poder, os cargos, o acesso às verbas do tesouro, ter a oposição a oportunidade única talvez em toda a sua história, de desmascarar a mistificação que vem sendo contada ao país e ao mundo desde janeiro de 2003. E aí, meu irmão, não há orgulho que suporte tamanho prejuízo.

O quase empate nas pesquisas e uma opinião esdrúxula de Luís Nassif

Bolívar Lamounier, Portal Exame

Os números desta semana permitem-nos afirmar que certa projeção dilmista sobre a eleição soçobrou de vez. Refiro-me aqui ao triunfalismo segundo o qual a candidata governista derrotaria Serra por uma diferença de 20 pontos ou mais.

Isso iria inexoravelmente ocorrer - dizia-se – porque os eleitores iriam decidir com base quase exclusivamente na boa situação econômica do momento e nos altos índices de aprovação de Lula.

Dilma tem chance de ganhar a eleição ? Tem condições de alargar de novo a diferença em relação a Serra ? Sim e sim, isto é óbvio. Se assim não fosse, eu não estaria falando em empate.

O que não faz sentido é pretender explicar os quase 50% de votos em Serra como consequência do momento econômico ou do desempenho supostamente impecável do governo Lula.

O que os números vêm mostrando, há várias semanas, é que uma parcela expressiva dos cidadãos leva em consideração outros critérios quando faz sua escolha.

Tais critérios incluem valores morais, a avaliação comparativa dos dois candidatos, o projeto de país de um e outro etc . Basta lembrar, a este respeito, o forte prejuízo que o envolvimento de sua principal assessora nas irregularidades da Casa Civil acarretou para a candidata oficial.

RISCOS DE RETROCESSO AUTORITÁRIO
A hipótese de um retrocesso autoritário vem sendo discutida desde meados de agosto, pelo menos. Não preciso recapitular tudo. Quero apenas lembrar que o fulcro das preocupações era a acachapante vitória governista que então se esboçava.

Antevia-se, com efeito, que uma maioria lulopetista muito ampla poderia, por um lado, facilitar alterações graves na Constituição, a implantação do chamado “controle social da mídia” etc e , por outro, estimular o PT e os “movimentos sociais” que gravitam em torno dele a atuarem no limite da democracia representativa .

No dia 23 de agosto eu publiquei no Estadão um artigo intitulado “A mexicanização em marcha”. Levei chumbo grosso, mas não me lembro de ter lido contestação alguma ao meu ponto de partida . Peço licença para citar algumas linhas :

” O processo sucessório presidencial em curso comporta dois cenários marcadamente assimétricos, conforme o vencedor seja José Serra ou Dilma Roussef.

Se for José Serra, não é difícil prever a cerrada oposição que ele sofrerá por parte do PT e dos “movimentos sociais”, entidades estudantis e sindicatos que ele controla, e provavelmente por parte também do próprio Lula.

Se for Dilma Roussef [e por ampla margem, como as pesquisas então indicavam] - o cenário provável é a falta e não o excesso de oposição”.

Eu temia obviamente que o trio PSDB-DEM-PPS viesse a ser dizimado, e ele de fato ficou muito reduzido tanto na Câmara como no Senado. Mas a minha hipótese se impunha, de qualquer forma, em vista da profunda diferença que existe entre estes três partidos, de um lado, e o PT e seus “movimentos”, por outro.

A diferença a que me refiro é muito mais profunda que a situação de debilidade em que se encontra atualmente a aliança PSDB-DEM-PP . A questão é que estamos falando de tipos totalmente distintos de partido.

Quando se constituiu, o PT deixou para trás o tipo tradicional (soviético) de partido comunista clandestino, mas não se integrou de maneira inequívoca às regras da democracia representativa.

Foi dentro dessa ordem de idéias que eu fiz no artigo citado o seguinte resumo da ópera : “no cenário Dilma, o conjunto de engrenagens que Lula montou ao longo dos últimos sete anos e meio entrará em pleno funcionamento, liquidando por certo período as chances de uma oposição eficaz. A prevalecer tal cenário, parece-me fora de dúvida que a democracia brasileira adentrará uma quadra histórica não isenta de riscos”.

Preocupações semelhantes às minhas avolumaram-se durante o mês de setembro, culminando no ”Manifesto em Defesa da Democracia” , lido no Largo de São Francisco pelo ex-promotor Hélio Bicudo e posteriormente assinado por mais de 50 mil pessoas.

Outro dia, numa entrevista, Hélio Bicudo sustentou sua advertência contra o risco de uma ”autoritarismo civil” eventualmente mais nefasto até que o militar. Bicudo, para quem não se recorda, participou da fundação do PT e exerceu mandato de deputado federal pela legenda.

Recapitulei os fatos acima para poder mencionar, mesmo brevemente, um texto postado hoje pelo jornalista Luís Nassif. Ele também fala em tendências autoritárias, mas entende que elas se devem a “sementes de ódio” semeadas pela mídia e por Fernando Henrique Cardoso …!

Segundo Nassif, este lado e, por extensão, a candidatura Serra, é que estariam ”misturando a exploração dos preconceitos da classe média com o [...] a religiosidade das classes mais simples” . O resultado de tal mistura seria o que Nassif denomina a ”psicologia de massas do fascismo”.

Eu teria bastante a comentar, se este texto já não estivesse tão longo. Ranço fascista, se vamos procurá-lo à nossa volta, que tal começar pelos diversos braços corporativistas do PT , por exemplo aquele que se infiltrou na Receita Federal ?

Exploração da “religiosidade das classes mais simples” : a quais classes mais simples Nassif se refere ? As do nordeste, por exemplo ? Sim, vai ver que foi Serra, não Lula, quem lá esteve várias vezes para encenar seu teatro proto-religioso, ora no papel do Padre Cícero, ora no do próprio Jesus Cristo . Ora, Nassif, tenha dó.

Dilma, não fale pelas mulheres!

Márcia Vaz , Mídia Sem Máscara

Aborto nunca foi questão de saúde pública e sim de injustiça entre dois pacientes saudáveis (ou não) onde o mais fraco e indefeso, que é o bebê, é arrancado fora.

Em entrevista ao Jô Soares (26/08/2008), Dilma Rousseff disse acreditar que, assim como ela, não exista mulher que não tenha desejado ser bailarina. Não consigo visualizar Dilma na ponta dos pés, de sapatilha rosinha e uma delicada saia de tule. Nem mesmo na sua infância. O que me atrapalha são frases como a do próprio entrevistador Jô Soares que ao ouvir sobre o sonho da candidata de ser bailarina na infância logo emenda comentando que ela passa uma imagem de "durona".

Aproveitando o adjetivo "durona" que o Jô Soares usou na entrevista digo que ela não está autorizada a falar em meu nome e muito menos deduzir quais eram os meus sonhos de criança. Pois, como mulher, ela me envergonha. Nem tanto pela oposição do sonho de "bailarina" com a linha "durona" que ela transmite. A oposição entre nós duas está em questões como a maternidade, a vida, o aborto, a família.

Eu nunca tive o sonho de ser bailarina na minha infância, embora tenha aprendido no lar a apreciar arte. Seja balé, música clássica, canto gregoriano ou ainda a bela voz do meu pai cantando trechos de ópera. Mas se teve um sonho que me acompanhou desde pequenina foi o sonho de ser mãe de muitos filhos. E graças a Deus, que é tão bom, tive seis filhos maravilhosos. Meu quarto filhinho partiu quando eu estava com oito semanas de gestação. Pude ver nas imagens do ultrassom seu coraçãozinho que depois parou de bater e nos deixou. Mas ainda assim, morto, eu não tive a coragem de abandoná-lo no hospital para... experiências? Para ser jogado no lixo? Para estudantes de medicina fazerem análise? Para ser triturado nos famosos liquidificadores que batem bebês até o ponto de caldo? Não. Consciente de que ele era meu filho tanto quanto os outros cinco que estão vivos, quis dar-lhe um enterro de cristão. Solicitei ao meu médico o corpinho do bebê e fui atendida. Destaco aqui as palavras do Dr. Argeu Clóvis de Castro, meu atencioso e competente médico (principalmente na minha 5ª cesariana): "A criança é um Direito dos Pais." Sorte minha ter um médico de tamanha sensibilidade e noções claras do que chamo de Verdadeiros Direitos da Mulher.

Com meu bebê de apenas oito semaninhas, que teve o batismo de desejo, fui providenciar o que já passa da hora da Igreja e do governo providenciar: um lugar para enterrar pequeninos cristãos. Enterrar os mortos é uma das sete obras de misericórdia. Meu amorzinho foi enterrado após uma missa de corpo tão pequeno quanto presente. Já li e ouvi vários depoimentos de mães amorosas que ao perderem seus bebês bem prematuros sentem essa necessidade de um lugar para eles como fazem com qualquer outro falecido da família. Afinal eles são, sem sombra de dúvidas, seres humanos, desde a concepção. Em Brasília existe cemitério até para cachorrinhos, coelhinhos e outros animais irracionais. O homem que se diz "humano" e "racional" parece estar trocando as prioridades reconhecendo mais o direito a enterrar seus fofos bichinhos do que seus filhos, carne da sua carne.

Existem mulheres e... mulheres. Que a candidata Dilma não julgue todas nós brasileiras por modelo como ela. Muitas de nós estão em lados opostos. Dilma junto ao PT, ambos já tendo entrado para a história do Brasil como o lobo-ladrão que surpreende as ovelhinhas pelas costas, pé-ante-pé, com o sol já quase se pondo e as luzes se apagando no final de 2009, Véspera da comemoração da Noite Santa do Nascimento do Menino Jesus. E o presente de Natal não foi nada que lembrasse ouro, incenso e mirra. Mas sim um plano diabólico que bem pode ser chamado de Plano Nacional do Demônio para os Humanos, multiplicado por 3 (PNDH-3). Já eu, me encontro do outro lado, junto à Igreja Católica, a todos os cristãos e aos que estão tendo a coragem de reagir diante da tentativa de implantação de leis infames como a do aborto ou que defendem experiências com embriões e mais todo um pacote fechado contra a família. Leis que se igualam às dos comunistas e nazistas que se fartaram de fazer experiências com criancinhas e adultos humanos nos seus campos de concentração. Ninguém merece. Ninguém! Seja judeu, católico, ateu, negro, branco, índio.

Quanto às suas tentativas frustradas de enganar os eleitores com falas sem nexo: "Eu, pessoalmente, sou contra o aborto. [...] Quem assinou o decreto PNDH3 foi o Lula. [...] Eu desconheço estes fatos. [...] Não houve encontro. Eu não concluí o curso em questão porque estava trabalhando. [...]" Que a candidata não despreze a inteligência dos seus eleitores. Porque dá no que deu. Os brasileiros entenderam sua tentativa de enganá-los e mostraram isso muito bem nas urnas quando lhe tiraram o gosto da pretensa vitória no 1º turno.

Não se afronta Deus audaciosamente como vem sendo feito. A candidata Dilma sabe perfeitamente que o que bagunçou sua pretensa vitória no 1º turno das eleições de 2010 foi o ataque às criancinhas, foi a questão do aborto, a questão da família. Suas palavras enganosas "questão de saúde pública", não prevaleceram. Questão de saúde pública é um bebê ou muitos morrerem num mesmo hospital por causa de infecção hospitalar, por exemplo. Agora, aborto nunca foi questão de saúde pública e sim de injustiça entre dois pacientes saudáveis (ou não) onde o mais fraco e indefeso, que é o bebê, é arrancado fora.

O Menino Jesus escapou da mão pesada de Herodes. Mas, quantas crianças morreram atravessadas pela espada dos soldados que cumpriam as "ordens do partido de Herodes". Que o Brasil esteja livre da maldição do aborto. Que Deus nos livre de um novo Herodes com mão tão pesada. A história da humanidade registra que Herodes foi transparente na sua crueldade ordenando a matança daquelas crianças e ponto final (só faltou um "PT, saudações"). Mas Dilma Rousseff se esconde atrás de jogo de palavras até dentro da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) falseando ser contra o aborto e ainda assim sendo muito bem recebida lá. Dizendo se considerar grande "devedora da CNBB". É com razão que Dom Bergonzini afirmou taxativamente que ele não deve obediência à CNBB. Deve obediência à Igreja, ao Papa Bento XVI e a Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela joga a culpa no seu partido. O PT diz que o decreto foi assinado pelo Presidente Lula. Lula diz que particularmente também é contra o aborto. Mas ele não tem deficiência nos olhos, apenas em uma das mãos. Resumindo, ele assinou, Dilma se gaba de ser a continuidade do governo do assinante Lula e ambos são o orgulho um do outro e os dois causam o mesmo orgulho no PT, aquele... o partido que apresentou o PNDH3. Ou será que todos vão dizer o de sempre. Que não se conhecem, jamais se viram ou mesmo que nunca houve antes na história deste país um único encontro entre eles para a "arquitetação" do famoso plano daquele triste Natal?

Meiguice, sonhos de bailarina, mãos que embalam um bebê no berço ou voz que canta doces cantigas de ninar noite adentro certamente não são os pontos fortes de Dilma. E muitas mulheres no Brasil estão se sentindo ofendidas ao serem representadas de forma masculina, por uma "mão pesada", conhecida como "linha dura", o que não condiz com muitas de nós brasileiras. Sendo assim, eu convoco as nossas doces mãezinhas, as mulheres amorosas, as mulheres meigas e que ainda sejam femininas a não votar na candidata Dilma Rousseff para que a ira santa de Deus não caia sobre a nossa nação, sobre nossas famílias. Não quero ter parte nisso. Cresci ouvindo meu sábio pai exaltando o fato de nossa bandeira nacional, além de ser linda, não conter o vermelho, cor de sangue derramado. Ainda hoje guardo na lembrança a letra da música que cantei muito no nosso lar: "Eu te amo, meu Brasil... Eu te amo... Meu coração é verde amarelo, branco, azul, anil."

Que os cristãos, militares, imprensa, intelectuais e todo homem de bem, todos, no segundo turno saibam negar o seu voto à Dilma fazendo ressoar ao pé do ouvido da pretensa candidata, o grito sufocado de tantas crianças inocentes abortadas e que morrem com um "grito silencioso" clamando por justiça.

E para os que se calam fingindo não ter nada que ver com isso, gostaria de lembrar um fato. Edith Stein, filósofa judia renomada e convertida ao catolicismo, foi arrancada do mosteiro onde se encontrava e levada para ser executada no famoso campo de concentração de Auschiwtz. Em 1933 quando Hitler estava apenas começando aquilo que terminaria em matança cheia de experimentos com humanos ela escreveu ao Papa Pio XI alertando-o de que no futuro o pecado recairia sobre aqueles que tivessem silenciado. Acertadas palavras que servem perfeitamente para cada um de nós que se calar hoje, 2010. Se a Igreja em peso se levantar, não será necessário novamente, como fez o Papa Pio XII, esconder milhares de judeus em igrejas, mosteiros ou casas de famílias católicas.

Parabéns Dom Luiz Bergonzini! Parabéns, Pastor Paschoal Piragine, Dr. Ives Gandra, Padre Paulo Ricardo, Dr. Zenóbio Fonseca, Dom Manoel Pestana Filho e... quem mais chegar! Parabéns desde já a todos aqueles que não silenciarem. Aos que fazem gravações usando um simples celular, se manifestam em nome da sua família, fazem emails e outras formas de comunicação que vão parar na internet, no You Tube, na TV, nos jornais...

Não permitir que o aborto e outros decretos contra a família entrem no Brasil através de Dilma Rousseff, do PT ou quem quer que seja (afinal não é nada pessoal ou partidário, mas é quase) exigirá muito de nós brasileiros. Que nossas orações sejam feitas com o fervor de quem crê que tudo depende só de Deus, mas trabalha com garra, com gana. Como se tudo dependesse só das ações de cada um de nós. "Nós", incluindo mulheres, crianças e idosos que normalmente em caso de guerra são resguardados deixando ir à frente apenas os homens, aqueles que honram as calças que vestem, mesmo que seja por baixo da batina. Afinal, eles sabem que largar crianças, mulheres e idosos expostos ao inimigo é ato de covardia!

(*) Márcia Vaz é escritora, mãe de cinco filhos, e sofreu perseguição por insistir em escolarizá-los em casa.

Dilma agora não quer assinar manifesto antiaborto e contra casamento gay acertado com evangélicos que a apoiam

Reinaldo Azevedo

Não sei quem vai ganhar as eleições. Sei o que é rebaixamento da qualidade do debate. O PT se meteu numa grande enrascada porque é autoritário. Não aceita crítica. O partido sempre foi muito hábil em pespegar no adversário a pecha de reacionário, inimigo do povo ou sei lá o quê. Ao perceber que várias confissões cristãs — católicos, evangélicos, protestantes tradicionais — demonstravam inconformismo na rede com as opiniões da candidata e do partido sobre aborto e outros temas ligados a costumes, como a união civil entre homossexuais, resolveu acionar o botão de emergência de sempre. Mobilizou movimentos sociais, auto-intitulados intelectuais e alguns porta-vozes na imprensa e denunciou um grande complô contra Dilma Rousseff. Não ocorreu aos petistas que fatias da sociedade simplesmente exerciam o sagrado direito de opinar. Atribuíram ao fator religioso o risco de não vencer a disputa no primeiro turno, como se fosse esse o único passivo da candidata e do partido.

Qual era a aposta? Forma-se um grande movimento cívico contra os “reacionários”, e está tudo resolvido. Mas, como já escrevi aqui, o tiro saiu pela culatra. Deu tudo errado. As entrevistas de Dilma defendendo a descriminação do aborto vieram a público. O tema ganhou corpo. Ela tem o direito de defender o que acha certo. O problema é que passou a enrolar. O mesmo se diga em relação à sua estranha maneira de acreditar nos, como posso chamar?, “deuses” (???) do cristianismo… Na prática, acha que cada um tem o seu. Também tem lá suas dúvidas se Ele existe ou não. Em vez do “movimento cívico e laico”, o que se viu no país foi uma certa onda de indignação com a tentativa de usar a religião como escada.

Dilma se reuniu anteontem com líderes evangélicos ligados à sua candidatura. Querem que ela dê uma promessa por escrito de que não vai se comprometer, noum eventual governo, com ações que conduzam à descriminação do aborto e ao casamento entre homossexuais. A petista é hoje, na prática, uma candidata amordaçada, que teria dificuldades de dizer o que pensa sobre temas que, antes, eram tranqüilos no PT: o partido sempre foi favorável à descriminação do aborto e militante entusiasmado do chamado casamento gay. Já lamentei aqui a sua covardia. Que faça o debate com a sociedade, com os eleitores! Mas não! Tenta dizer uma coisa e seu contrário ao mesmo tempo.

Um tanto curiosamente, quem se pronunciou ontem sobre um dos temas espinhosos, em termos que parecem bastante aceitáveis, foi o tucano José Serra, que não tem por que correr. Ele disse não ver nada demais na união civil entre homossexuais e afirmou que casamento é outra coisa. E lembrou uma obviedade: a própria Justiça tem reconhecido a união de pessoas do mesmo sexo na concessão de direitos. Pronto! Ninguém tem de se meter no que duas pessoas adultas decidem fazer entre quatro paredes. Dilma parece impedida de dizer até isso. Sua campanha comete o erro de ir para uma reunião que poderia resultar num documento que poria uma espécie de mácula numa parcela da população brasileira. Será que assiná-lo seria bom para o PT e para a campanha?

Somou um desgaste ao outro: o de fazer a reunião e o de, agora, resistir a assinar o texto. O que isso denota? O vale-tudo eleitoral, que, à diferença do que acusam os petistas, está é sendo jogado pelo partido, não pelos adversários. Em 2008, na disputa pela Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy resolveu meter os pés pelas mãos no debate de costumes e deu no que deu.

Os que achávamos que Dilma Rousseff não teria uma eleição assim tão fácil éramos ridicularizados pelos “especialistas”, que agora vêem Serra ou em empate técnico ou rumo a ele. Reitero: não sei o que vai acontecer, mas sempre me pareceu claro que as restrições a Dilma não se limitavam ao terreno religioso. No que concerne ao aborto, aliás, não é preciso ser cristão, como demonstrou Olavo de Carvalho em texto notável, para rechaçá-lo: a questão tem a ver com uma escolha que é de natureza moral. Conheço agnósticos que o repudiam igualmente.

Estivesse o PT menos confiante, teria sido mais prudente; por prudente, não teria buscado de modo desesperado “a” razão para não ter conseguido eleger a sua candidata no primeiro turno — razão que considerava “culpa” da oposição. A arrogância conduziu ao erro. E ainda não parou de errar neste segundo turno. A eleição, que parecia um passeio, já lhes provoca arrepios.

Maioria cativa

Dora Kramer - O Estado de São Paulo

Os partidos governistas, assim compreendidos os que são aliados do governo Luiz Inácio da Silva, elegeram maioria expressiva no Congresso Nacional: mais de 60% dos deputados federais e quase 60% dos senadores, numa conta que considera 7 senadores e 66 deputados "independentes".

As pesquisas indicavam que os governistas seriam em maior número, cerca de 70%, até um pouco mais, tanto na Câmara como no Senado. De qualquer modo, um quadro muito diferente daquele desenhado pela eleição de 2002, quando Lula chegou ao poder.

Em 2003 tomaram posse 254 deputados tidos como governistas e 259 considerados oposicionistas. No Senado o cenário era ainda mais favorável à oposição: 31 governistas para 50 oposicionistas.

A situação não demorou a se alterar e, principalmente na Câmara, na eleição seguinte a correlação de forças estava não só invertida, como era de impressionantes 353 governistas para 160 oposicionistas.

No Senado, apesar de o governo ter se fortalecido (49 senadores para 32 da oposição) a vida continuou difícil para o Palácio do Planalto, notadamente por causa do comportamento do PMDB.

Para 2010, Lula tinha um plano: dizimar os oposicionistas no Senado. Conseguiu parcialmente, ao trabalhar para derrotar adversários como Tasso Jereissati, Marco Maciel e Artur Virgílio, mas não "fez" os 58 senadores previstos.

Ficou com 48 das 81 vagas, sem contar as cadeiras do PP, PV, PSOL e sem partido, enquanto à oposição ficaram reservados 26 lugares.

O PMDB agora bem mais firme do lado lulista porque o presidente do partido será vice-presidente da República, se Dilma Rousseff for eleita presidente.

E se o resultado for outro, e se José Serra ganhar?

Problema nenhum. Ficará em minoria no Congresso algumas semanas até que os partidos antes aliados a Lula se tornem aliados ao novo presidente.

Os analistas estrangeiros terão algum trabalho para explicar aos respectivos públicos o fenômeno, por aqui sobejamente conhecido e absolutamente lamentável, da formação de maiorias no entorno no poder, qualquer que seja ele.

Caso seja Serra e não Dilma o vencedor, tais partidos terão adaptação rápida, uma vez que migraram para a seara petista vindos exatamente de onde agora se prontificariam a voltar em nome do patriotismo e da governabilidade.

Sinuca.
Os líderes religiosos exigem de Dilma praticamente um rompimento público com causas caras ao PT - casamento entre homossexuais e descriminalização do aborto, entre outras - quando pedem que ela divulgue uma carta aberta se comprometendo a não mexer com esses assuntos.

Se for preciso, o partido aceitará calar até a eleição, mas é difícil acreditar que aceite a situação, uma vez ganha a Presidência. Inclusive porque é o presidente do PT quem chama de "medieval" o debate dos temas de caráter religioso.

Pesos.
Compreende-se que o PT queira "inflar" o personagem Paulo Preto, procurando criar correspondência no PSDB com o caso Erenice Guerra. Trata-se, porém, de uma comparação militante.

A acusação ao Paulo Preto é de ter desviado R$ 4 milhões doados à campanha de José Serra. Questão a ser resolvida pelo PSDB, por suposto.

Já as denúncias envolvendo Erenice dizem respeito a desvios públicos engendrados a partir da Casa Civil da Presidência da República, cuja acusada um dia antes de ser orientada a pedir demissão ainda recebia crédito de confiança por parte da candidata Dilma.

Querer que o episódio tucano tenha agora o mesmo efeito que teve o caso petista no primeiro turno é apostar alto no poder da manipulação dos fatos.

Ou querer produzir imparcialidade de maneira artificial.

Egotrip.
De um tucano "coordenador" de campanha sobre a possibilidade de vitória no segundo turno: "Vai depender do psiquiatra do Serra."

Munição anti-Dilma é do próprio lulismo

Editorial, O Globo

Para usar uma imagem do boxe, é como se, numa luta de dois rounds, uma esmagadora maioria previsse a vitória de um dos lutadores por nocaute. Porém, um golpe inesperado daquele marcado para perder jogou o adversário favorito, zonzo, nas cordas, enquanto soava o gongo do intervalo.

É assim que parece a candidata Dilma Rousseff, que tenta se refazer do susto de não ter acabado com a eleição no primeiro turno, e parte para o ataque, na campanha do segundo, aposentando o manual de boas maneiras usado no início da luta.

Se vai funcionar, não se sabe.

A primeira pesquisa do segundo turno, do Datafolha, registrou grande estreitamento na vantagem que Dilma ostentava em relação a Serra.

Os 54% a 46% dos votos válidos levantados pela sondagem refletiram um importante sangramento de votos dilmistas iniciado na última semana de campanha do primeiro turno.

Ontem, foi a vez do Ibope, divulgado no “Jornal Nacional”: 53% a 47%. Confirma-se a aproximação de Serra.

A julgar pelo primeiro debate do segundo turno, domingo na TV Bandeirantes, uma das armas sacadas pela candidata oficial, como fizera Lula no segundo turno de 2006, o “fantasma” das privatizações, encontra um candidato tucano rápido no gatilho da réplica, ao contrário de Geraldo Alckmin naquela ocasião.

Além disso, os quatro anos de governo lulopetista concedidos a mais pelo eleitorado demonstraram que sacrossantas estatais terminaram privatizadas, mas de maneira deletéria: privatizadas pelo fisiologismo político, caso do setor elétrico; pelo aparelha-mento, em que se destaca a Petrobras; e para a criação de dificuldades a fim de se venderem facilidades, como ocorrido nos Correios sob a influência de Erenice Guerra e herdeiros.

Dilma Rousseff e o PT se apresentam como vítimas de torpes acusações espalhadas pela internet.

O ponto nevrálgico dos ataques tem sido a lembrança de que a candidata já defendeu a legalização do aborto, tema que, infelizmente, tem servido para contaminar o debate político por crenças religiosas.

Até aqui, a campanha tem servido de alerta ao PT, alvejado por uma artilharia conhecida por militantes do partido: textos e filmes distribuídos pela internet.

Outro aspecto de todo este tiroteio é que parte da munição de que se valem grupos para atacar Dilma Rousseff é obtida em documentos oficiais.

Neste sentido, não se pode, a rigor, entender como calúnias algumas mensagens que circulam na rede de computadores. Afinal, como o governo Lula é um conglomerado de correntes ideológicas, com várias capitanias hereditárias distribuídas pela máquina pública, e algumas delas controladas por agrupamentos de esquerda autoritária, não é difícil encontrar propostas radicais, emanadas de dentro do governo, contrárias à Constituição.

Quem consultar a terceira versão do “Plano Nacional de Direitos Humanos”, assinado pelo próprio Lula, encontrará muito daquilo de que a candidata quer manter distância: descriminalização do aborto, censura à imprensa, ataque ao direito constitucional de propriedade etc.

A própria Dilma chegou a encaminhar à Justiça eleitoral parte desse plano como programa de seu governo. Diante da má repercussão, voltou atrás.

Haja o que houver, Lula paga hoje um preço por ter abrigado no governo correntes cujo projeto de país nada tem a ver com as aspirações das classes médias que aumentam de peso na sociedade brasileira.

FHC desafia Lula a debater 'cara a cara'

Roberto Almeida - O Estado de São Paulo

Em discurso inflamado para tucanos, ex-presidente classifica sucessor de 'mesquinho' e de mentir 'sem cessar' sobre o País que encontrou ao assumir mandato

Em sua mais contundente incursão na campanha tucana até agora, que incluiu a defesa de seu legado à frente do Palácio do Planalto, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, desafiou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um debate "cara a cara" após o fim das eleições.

Diante de centenas de militantes do PSDB, em um hotel na zona norte da capital paulista, FHC pediu a Lula que, quando "perder o monopólio da verdade", vá ao instituto que leva seu nome, em São Paulo, para debater. "Presidente Lula, quando acabar as eleições, quando você puser o pijama, será bem recebido. Venha ao meu instituto, vamos conversar, cara a cara", bradou, em discurso inflamado.

O ex-presidente, dizendo-se alvo de mentiras, passou a defender suas gestões na Presidência (1994–2002). As cenas, gravadas por uma equipe da campanha do presidenciável tucano José Serra – que não esteve no evento –, devem ir ao horário eleitoral.

"Estou calado há muitos anos ouvindo. Agora quando o presidente Lula vier, como deve vir, como todo presidente democrata eleito, perder a pompa toda, perder o monopólio da verdade, está desafiado a conversar comigo em qualquer lugar do Brasil", disse FHC.

"Não é para conversar para dizer o que eu fiz, o que ele fez. Isso o povo vai julgar. É para ter firmeza, olhando cara a cara, um ao outro, e ver se um é capaz de dizer ao outro as coisas que diz", continuou o ex-presidente.

Como exemplo dos pontos que abordaria no debate com Lula, FHC citou o Plano Real, principal bandeira tucana, e disse que questionaria o petista sobre as responsabilidades pela estabilização econômica do País.

"Quero ver o presidente Lula, que votou contra o Real, que fez o PT votar contra o Real, dizer que estabilizou o Brasil. Ele não precisa disso. Ele fez coisas boas que eu reconheço. Ele agiu bem na crise atual, financeira. Para que, meu Deus, ser tão mesquinho? É isso que quero perguntar a ele: ‘Lula, por que isso, rapaz?’", bradou.

Aos militantes tucanos, o ex-presidente apostou na veemência para que seu nome, antes escondido nas campanhas, passe a ser defendido abertamente.

"Eu não tenho do que me arrepender. Eu mudei o Brasil. Eu nunca disse isso. Agora, oito anos depois do governo Lula (digo que) eu mudei o Brasil. Não mudei sozinho, mas com o povo brasileiro, com uma equipe de gente competente, com outros partidos. Tudo o que foi inovador foi plantado naquele período. Chega de ficar calado", afirmou FHC.

Privatizações.
O ex-presidente elevou o tom e pediu "respeito" ao rebater nota divulgada ontem pelo presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, que o acusou de preparar a estatal para a privatização.

"Quem é esse Gabrielli pra falar isso pra mim, meu Deus? Eu mandei uma carta ao Senado para dizer que não privatizaria a Petrobrás. Eu perdi uma cátedra porque eu defendi a Petrobrás e fui processado", anotou FHC.

De acordo com FHC, a "politicalha" voltou avançar sobre a estatal após sua saída do governo. "Por isso, perdeu já 20% do valor de mercado sob a batuta dessa gente. O mercado, assim chamado, percebeu agora – custou – que tem ingerência política", anotou.

Ao final do discurso, o ex-presidente lembrou ainda a queda da ex-ministra chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, acuada por denúncias de lobby no Planalto. "Não queremos um Brasil de preguiçosos, não queremos um Brasil de amigos do rei. Nós não queremos um Brasil de companheiras tipo Erenice", anotou FHC, que pediu "apoio total" à candidatura de Serra.

Lógica do abortismo

Olavo de Carvalho, Mídia Sem Máscara

Para o abortista, a condição de "ser humano" não é uma qualidade inata definidora dos membros da espécie, mas uma convenção que os já nascidos podem, a seu talante, aplicar ou deixar de aplicar aos que ainda não nasceram.

O aborto só é uma questão moral porque ninguém conseguiu jamais provar, com certeza absoluta, que um feto é mera extensão do corpo da mãe ou um ser humano de pleno direito. A existência mesma da discussão interminável mostra que os argumentos de parte a parte soam inconvincentes a quem os ouve, se não também a quem os emite. Existe aí portanto uma dúvida legítima, que nenhuma resposta tem podido aplacar. Transposta ao plano das decisões práticas, essa dúvida transforma-se na escolha entre proibir ou autorizar um ato que tem cinquenta por cento de chances de ser uma inocente operação cirúrgica como qualquer outra, ou de ser, em vez disso, um homicídio premeditado. Nessas condições, a única opção moralmente justificada é, com toda a evidência, abster-se de praticá-lo.

À luz da razão, nenhum ser humano pode arrogar-se o direito de cometer livremente um ato que ele próprio não sabe dizer, com segurança, se é ou não um homicídio. Mais ainda: entre a prudência que evita correr o risco desse homicídio e a afoiteza que se apressa em cometê-lo em nome de tais ou quais benefícios sociais hipotéticos, o ônus da prova cabe, decerto, aos defensores da segunda alternativa. Jamais tendo havido um abortista capaz de provar com razões cabais a inumanidade dos fetos, seus adversários têm todo o direito, e até o dever indeclinável, de exigir que ele se abstenha de praticar uma ação cuja inocência é matéria de incerteza até para ele próprio.

Se esse argumento é evidente por si mesmo, é também manifesto que a quase totalidade dos abortistas opinantes hoje em dia não logra perceber o seu alcance, pela simples razão de que a opção pelo aborto supõe a incapacidade - ou, em certos casos, a má vontade criminosa - de apreender a noção de "espécie". Espécie é um conjunto de traços comuns, inatos e inseparáveis, cuja presença enquadra um indivíduo, de uma vez para sempre, numa natureza que ele compartilha com outros tantos indivíduos. Pertencem à mesma espécie, eternamente, até mesmo os seus membros ainda não nascidos, inclusive os não gerados, que quando gerados e nascidos vierem a portar os mesmos traços comuns. Não é difícil compreender que os gatos do século XXIII, quando nascerem, serão gatos e não tomates.

A opção pelo abortismo exige, como condição prévia, a incapacidade ou recusa de apreender essa noção. Para o abortista, a condição de "ser humano" não é uma qualidade inata definidora dos membros da espécie, mas uma convenção que os já nascidos podem, a seu talante, aplicar ou deixar de aplicar aos que ainda não nasceram. Quem decide se o feto em gestação pertence ou não à humanidade é um consenso social, não a natureza das coisas.

O grau de confusão mental necessário para acreditar nessa ideia não é pequeno. Tanto que raramente os abortistas alegam de maneira clara e explícita essa premissa fundante dos seus argumentos. Em geral mantêm-na oculta, entre névoas (até para si próprios), porque pressentem que enunciá-la em voz alta seria desmascará-la, no ato, como presunção antropológica sem qualquer fundamento possível e, aliás, de aplicação catastrófica: se a condição de ser humano é uma convenção social, nada impede que uma convenção posterior a revogue, negando a humanidade de retardados mentais, de aleijados, de homossexuais, de negros, de judeus, de ciganos ou de quem quer que, segundo os caprichos do momento, pareça inconveniente.

Com toda a clareza que se poderia exigir, a opção pelo abortismo repousa no apelo irracional à inexistente autoridade de conferir ou negar, a quem bem se entenda, o estatuto de ser humano, de bicho, de coisa ou de pedaço de coisa.

Não espanta que pessoas capazes de tamanho barbarismo mental sejam também imunes a outras imposições da consciência moral comum, como por exemplo o dever que um político tem de prestar contas dos compromissos assumidos por ele ou por seu partido. É com insensibilidade moral verdadeiramente sociopática que o sr. Lula da Silva e sua querida Dona Dilma, após terem subscrito o programa de um partido que ama e venera o aborto ao ponto de expulsar quem se oponha a essa ideia, saem ostentando inocência de qualquer cumplicidade com a proposta abortista.

Seria tolice esperar coerência moral de indivíduos que não respeitam nem mesmo o compromisso de reconhecer que as demais pessoas humanas pertencem à mesma espécie deles por natureza e não por uma generosa - e altamente revogável -- concessão da sua parte.

Também não é de espantar que, na ânsia de impor sua vontade de poder, mintam como demônios. Vejam os números de mulheres supostamente vítimas anuais do aborto ilegal, que eles alegam para enaltecer as virtudes sociais imaginárias do aborto legalizado. Eram milhões, baixaram para milhares, depois viraram algumas centenas. Agora parece que fecharam negócio em 180, quando o próprio SUS já admitiu que não passam de oito ou nove. É claro: se você não apreende ou não respeita nem mesmo a distinção entre espécies, como não seria também indiferente à exatidão das quantidades? Uma deformidade mental traz a outra embutida.

Aristóteles aconselhava evitar o debate com adversários incapazes de reconhecer ou de obedecer as regras elementares da busca da verdade. Se algum abortista desejasse a verdade, teria de reconhecer que é incapaz de provar a inumanidade dos fetos e admitir que, no fundo, eles serem humanos ou não é coisa que não interfere, no mais mínimo que seja, na sua decisão de matá-los. Mas confessar isso seria exibir um crachá de sociopata. E sociopatas, por definição e fatalidade intrínseca, vivem de parecer que não o são.

Petrobras dispara com avanço de Serra em pesquisas

Por Alexander Cuadros, Portal Exame, leiam este interessante texto que contraria tudo o que o PT e a Dilma vem dizendo na campanha. Retorno para comentar:

Candidato do PSDB é visto como melhor administrador público por analistas do mercado

As ações da Petrobras subiram 2,8% e atingiram a maior cotação desde julho


São Paulo - A Petróleo Brasileiro SA teve hoje a maior alta em duas semanas depois que pesquisas eleitorais mostraram que o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira à Presidência, José Serra, aproximou-se da candidata do Partido dos Trabalhadores, Dilma Rousseff, nas intenções de voto para o segundo turno.

A Petrobras subiu 2,8 por cento, para R$ 26,44, a maior alta para o fechamento nas últimas duas semanas. O petróleo caiu 0,4 por cento em Nova York.

O ex-governador de São Paulo está 4,6 pontos percentuais atrás de Dilma, de acordo com a pesquisa Sensus divulgada hoje pela Confederação Nacional dos Transportes. Na votação final do primeiro turno, a vantagem da ex-ministra-chefe da Casa Civil foi de 14 pontos sobre Serra.

Investidores, receosos de que Dilma possa usar a Petrobras para que o governo atinja suas metas sem se preocupar com os lucros da empresa, podem estar apostando na vitória de Serra, segundo a Deltec Asset Management, a Teórica Investimentos e a Spinelli Corretora.

"Há um empate técnico", disse Max Bueno, analista da Spinelli em São Paulo. "Isto pode ser visto positivamente. Ele não é somente menos intervencionista; Serra teria mais responsabilidade fiscal e cortaria despesas."

Serra ficou com 47,7 por cento das intenções de voto, enquanto Dilma teve 52,3 por cento, na pesquisa Sensus com 2.000 pessoas feita entre os dias 11 e 13 de outubro. O levantamento tem uma margem de erro de 2,2 pontos percentuais. No primeiro turno, Serra teve 33 por cento dos votos e Dilma, 47 por cento. Outras pesquisas feitas nos últimos dias pelo Ibope, Datafolha e Vox Populi também mostraram um crescimento da candidatura de Serra.

"Mais intervencionista"
"Uma presidência de Dilma será vista como mais intervencionista", disse Greg Lesko, que ajuda a administrar cerca de US$ 750 milhões na Deltec em Nova York.

O Barclays Plc cortou a recomendação para as ações da Petrobras na semana passada, citando receios de que a interferência do governo na estatal afete os lucros da companhia, em meio à tentativa da administração federal de atingir metas de desenvolvimento econômico e social.

"Um possível governo Serra teria melhor qualidade de administração pública", disse Rogério Freitas, que ajuda a administrar US$ 56 bilhões na Teórica no Rio de Janeiro. "Isso pode ser positivo para todas as estatais, não apenas a Petrobras, mas também a Eletrobras."

As ações da Centrais Elétricas Brasileiras SA subiram 0.9 por cento para R$ 29,21, a maior cotação desde 25 de junho.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Desde que o governo Lula iniciou a sua pajelança em relação ao pré-sal, o mercado vem reagindo de forma negativa à intromissão estatal, e as ações da companhia, em apenas 10 meses, perderam cerca de 30% de seu valor. O que Dilma tem propagado na campanha é que os tucanos querem privatizar o pré-sal, a Petrobrás, dentre outras vigarices mais. Pois bem, bastou o mercado perceber, mesmo que de forma remota, uma tênue possibilidade de José Serra poder vencer a eleição e qual foi a reação? As ações voltaram a subir. E por conta do quê? Por certo, não é pela vigarice que Dilma e o PT contam ao país, e sim por conta de considerarem o tucano “como melhor ADMINISTRADOR PÚBLICO por analistas do mercado”, ou seja, alguém capaz de fortalecer a companhia e não praticar esta mistureba indecorosa de política partidária com negócios empresariais. É isto! Apenas e tão somente “competência”, e não o terrorismo de baixo nível que Dilma tenta enganar o país. Em resumo: o que o PT ainda não percebeu é que, no Brasil sem PT, existe muito mais vida inteligente...

Boca fechando

Merval Pereira, O Globo

A pesquisa do Ibope divulgada ontem pelo "Jornal Nacional" mostra que a diferença entre a candidata oficial, Dilma Rousseff, e o tucano José Serra se reduziu pela metade desde a eleição de 3 de outubro. De 47% dos votos válidos, Dilma aumentou 6 pontos, chegando a 53%, enquanto Serra, que teve 33% nas urnas, hoje está com 47%, tendo crescido nada menos que 14 pontos em dez dias.

A diferença de 14 pontos caiu para seis com o início da propaganda oficial e depois do primeiro debate do segundo turno, na TV Bandeirantes. Ou, como dizem os especialistas quando a diferença entre os candidatos se estreita, "a boca do jacaré está fechando".

É possível tirar a ilação de que o tom mais agressivo utilizado pela candidata Dilma Rousseff não surtiu efeito.

O resultado da pesquisa do instituto Vox Populi, que faz pesquisas para o PT, também divulgada ontem, que deu uma diferença de 8 pontos para Dilma, igual ao detectado pelo Datafolha depois do primeiro turno, mas antes do debate televisivo, pode ser atribuído à data em que foi realizada.

Enquanto o Ibope foi feito entre os dias 11 e 13, o Vox Populi fez a sua pesquisa no domingo e na segunda-feira. Como estava programado o debate para a noite de domingo, a pesquisa só pegou parcialmente o efeito dele na opinião dos eleitores.

O difícil é entender por que o instituto Vox Populi fez questão de sair a campo no próprio domingo, antes do debate.

A Nuvem

A guerra santa em que está se transformando perigosamente a campanha presidencial já tem sua crítica quase em tempo real em um novo livro do acadêmico Carlos Nejar, que está sendo lançado pela editora R&F.

"A nuvem candidata à Presidência" relata em tom de crônica a atual campanha eleitoral, com todos os candidatos perfeitamente identificados, embora com outros nomes, e uma vencedora, a própria Nuvem do título.

Um ditado muito conhecido é o que diz que "política é como nuvem, cada vez que se olha está diferente". Nejar foi buscar a própria nuvem para falar de uma candidata nefelibata, perdida com seus sonhos no meio de uma guerra eleitoral.

A candidata oficial é Dila Mene, homenagem à amada de Camões, Dinamene, que um lapso do escrivão pôs a perder, e o presidente explica: "Dila sou eu hoje! Dila sou eu amanhã. Sou eu sempre Dila".

A candidata oficial "mudou a aparência, os penteados, mas não se adaptou ao espetáculo, atriz novata no palco, atropelando a metade das falas ditadas da coxia".

O opositor principal é Teodorico Serra, que detesta cães e gatos, "não tem carisma, tudo nele é forçado, (...) reúne preparo e certa tendência ao autoritarismo".

Albertina "é filha da floresta, suave, elegante, inteligente nos debates, mas perde-se na miudeza do partido e dos programas, que é como querer chegar na Lua montada sobre um cavalo".

Há ainda Plínio, O Velho, "trazendo os oráculos gregos e latinos, com um socialismo corroído nas ruínas e que parece novo, diante do formol ou espartilho da situação e de certa oposição que não tem ideias. Igual a seu homônimo da antiguidade, pode ser engolido pelo Vesúvio eleitoral que preserva os grandes devorando os pequenos".

Nejar cita Laurence J. Peter, o educador canadense autor do "Peter principle" (Princípio de Peter) que diz que, numa burocracia de sistema hierárquico, todo funcionário tende a ser promovido até o seu nível de incompetência.

Pois Peter também definiu que "entrar numa igreja não o torna cristão, assim como entrar numa garagem não a transforma em um carro".

Crítica que, para Nejar, poderia ser perfeitamente dirigida às súbitas aparições de candidatos ateus em igrejas, "com o rosto mais resignado e eclesial".

E, como que já prevendo a polêmica que está instalada na campanha presidencial, ele relata as dificuldades da candidata Dila Mene para definir sua religiosidade.

Perguntada em 2007 se acreditava em Deus, uma pergunta recorrente a todos os candidatos a presidente, ela respondeu: "Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há?".

Já em fevereiro deste ano, perguntada se tinha alguma religião, respondeu, respondeu peremptória: "Não, mas respeito".

Em abril, disse na TV Bandeirantes: "Acredito numa força superior que a gente pode chamar de Deus".

Em maio, perguntada pela revista Isto é se era católica, saiu-se com essa: "Sou. Quer dizer, antes de tudo cristã. Num segundo momento, católica. Num terceiro, macumbeira".

Albertina é decididamente evangélica, e Teodorico Serra é católico apostólico romano. Certa feita, em uma reunião de evangélicos, misturou "fumantes e ateus".

Escreve Nejar: "Talvez para ele o ateu seja um fumante do nada e o fumante, um ateu do cigarro. Ou talvez o ateu seja um charuto, e o fumante, vapor engarrafado".

Já a Nuvem, em vez da Bolsa-Família, inventou a Bolsa-Futuro, "que é a societária paz. Criando formas de as famílias, com o próprio esforço, se sustentarem".

Letícia, o nome da Nuvem, relata Carlos Nejar, "viu cumprir-se sua vitória nas urnas sem saber ao certo onde estava. E escutava os alaridos das ruas. Não sei, leitores, se o sonho lhe pregou uma peça, ou se ela é que pregou uma peça ao sonho. O fato é que todos os dias se uniram àquele dia. Como se os sinos de muitos e muitos anos tocassem numa só vez. E a alma de repente quisesse vir para fora do corpo".

O assunto proibido da eleição

Comentando a Notícia

O artigo a seguir é reprodução do mesmo artigo escrito pelo Guzzo para a Revista Exame, ainda bem antes da eleição de 03 de outubro. Nós o publicamos aqui em junho passado. E, depois de um longo primeiro turno, estando já metade do segundo, observem a atualidade do que se cobrava.

Dada a importância, vamos reproduzi-lo para ver se alguém se toca. E isto diz respeito a todos, mesmo aos não eleitores.

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Os candidatos ainda não disseram, de maneira objetiva, o que vão fazer com a carga tributária. Algum deles pretende, realmente, cortar impostos?
É aceitável que candidatos à Presidência da República atravessem uma campanha eleitoral inteira e cheguem ao dia das eleições sem ter assumido nenhum compromisso preciso sobre o que pretendem fazer em relação aos impostos pagos pelos eleitores cujos votos estão pedindo? Não se trata de pouca coisa. Os candidatos não estão disputando a presidência de um clube de debates; estão solicitando que a população os coloque, simplesmente, no principal cargo público do país. Da mesma maneira, impostos não são um detalhe secundário, que possa ser entregue aos estudos de uma equipe de técnicos e deixado para ver depois. Ao contrário: envolvem interesses diretos, imediatos e permanentes do eleitor, e estão entre as questões mais críticas da economia nacional. Não deveria ser aceito como um fato normal, portanto, que a pessoa que vai estar sentada na cadeira de presidente do Brasil daqui a seis meses chegue lá sem ter dito nada de útil sobre o assunto. Não deveria, mas, salvo alguma grande surpresa, é exatamente isso o que vai acontecer.

Todos os candidatos, é claro, dizem que estão preocupados com o tema. Deploram a situação de anarquia vivida há anos pelo sistema tributário brasileiro. Prometem mais racionalidade, mais eficiência e mais justiça na cobrança dos impostos. Não resistem, obviamente, ao impulso de pregar a necessidade de um regime fiscal mais "enxuto" - eis aí uma palavra que, por alguma razão, fascina os políticos brasileiros. Em certos momentos, chegam até mesmo a dizer que o país está precisando de uma reforma fiscal - junto, naturalmente, com pelo menos mais uma dúzia de outras reformas indispensáveis e urgentes. A única coisa que não falam, em matéria de impostos, é o que realmente pretendem fazer com eles na prática. "Reforma fiscal", na experiência brasileira, é algo que não quer dizer rigorosamente nada; por isso mesmo a expressão é utilizada com tanta frequência na vida pública, pois permite que a pessoa fique a favor do bem sem ter de assumir compromisso nenhum. Como, na verdade, o conceito de "reforma fiscal" poderia ter algum significado quando o administrador público brasileiro, como princípio supremo, só admite mexer em impostos se houver a garantia de que qualquer mudança não vá diminuir em nada a arrecadação?

Dos candidatos à Presidência, em matéria de impostos, o eleitor tem o direito de esperar três definições muito objetivas e descomplicadas. O candidato, se eleito, vai cortar quais impostos, e em quanto? Vai deixar a situação como está? Vai aumentar o número de impostos ou suas alíquotas atuais? (Fica entendido, evidentemente, que não vale suprimir um imposto ou reduzir uma alíquota e fazê-los reencarnar em outro lugar da receita.) Qualquer manifestação, por parte dos candidatos, que não responda a essas perguntas será, no fim das contas, conversa fiada - e, pelo andar da procissão até agora, é justamente conversa fiada o que o eleitorado vai ouvir até o dia 3 de outubro. Quanto às convicções reais dos dois principais concorrentes em relação ao tema, o que se pode fazer no momento é examinar seu histórico, pois eles mesmos, de viva voz, não se abriram a respeito de nenhuma das três definições mencionadas acima - e não parecem prestes a se abrir. O ex-governador José Serra é possivelmente o político brasileiro de primeiro plano que melhor conhece a administração pública brasileira; se não fala sobre redução de impostos, não é, com certeza, por não saber o que deve dizer, e sim porque a ideia não combina com seu DNA. A ex-ministra Dilma Rousseff tem apontado deficiências no sistema, sobretudo em relação a impostos em cascata, mas ao mesmo tempo não perde nenhuma oportunidade de dizer que concorda em absolutamente tudo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; e o que se sabe das posições do presidente sobre o assunto é que ele não aceita, até hoje, o fim da CPMF, algo que trata como um crime de lesa-pátria.

No mais, é esperar e ver.

Eles pensam que os eleitores são idiotas

Augusto Nunes, Veja online

Dilma Rousseff tem o direito de acreditar ou não em Deus, em Nossa Senhora, em um santo ou em todos, em Lula, no PT ou nas aparições regulares de ETs em Varginha. Pode frequentar igrejas ou não fazer ideia do que é uma missa. Está liberada para decorar a Bíblia ou não conseguir recitar a Ave Maria. E deve sentir-se à vontade tanto para defender quanto para criticar a legalização do aborto. Mas não tem o direito de mentir, sejam quais forem as condições de temperatura e pressão da campanha presidencial.

Lula pode advogar em defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou lutar para que jamais seja instituído. Tem o direito de endossar integralmente o Programa Nacional de Direitos Humanos ou opor-se a alguns tópicos. Mas não pode endossar ou repelir simultaneamente a mesma coisa. Ou acha isto ou acha aquilo. Estejam como estiverem as curvas das pesquisas eleitorais, um presidente da República tem o dever de expressar claramente o que pensa. O vídeo divulgado pelo blog do Josias de Souza reafirma que, para eleger a sucessora, Lula está enganando o país.

Nem Dilma nem Lula têm o direito de contar mentiras para ganhar a eleição. Claro que ambos apoiam sem restrições todas as propostas do PNDH. Claro que Dilma não sabe da missa nem o começo, que Lula aceita com naturalidade a união homossexual. Não há nada de errado nisso. Se fossem sinceros, estariam apenas exercendo a liberdade de crença e de opinião que a Constituição garante. Em vez disso, resolveram tratar todos os brasileiros como um bando de idiotas. Logo descobrirão que a maioria não é.

Governo vai rever plano de Marina para Amazônia

Cláudio Angelo, Folha De S. Paulo

Ministros criticam proposta de ex-ministra, considerada "preservacionista"
Mudanças vão incluir a presença de militares, projetos de mineração e hidrelétricas, além de rever terras indígenas

Principal legado de Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente, o PAS (Plano Amazônia Sustentável) será revisto pelo governo. Sua nova versão deverá incluir projetos de mineração, defesa e grandes hidrelétricas.

A reforma no plano começou a ser debatida ontem em um seminário organizado pela SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos).

O momento não poderia ser pior politicamente: o PT e o governo tentam atrair a candidata derrotada verde e seus 20 milhões de eleitores para a campanha de Dilma Rousseff no segundo turno.

O PAS é um ponto sensível para Marina: construído durante três anos, ele deveria dar as diretrizes para o desenvolvimento da região. Marina costumava se referir ao plano como seu "filho".

Quando decidiu lançá-lo, em maio de 2008, o presidente Lula entregou sua execução à SAE, então chefiada por Mangabeira Unger, alegando que Marina não era "isenta". Foi o estopim da demissão da ministra.

‘Economist’: Brasil ‘só começou’ a alardear ‘guerra cambial’

Sílvio Guedes Crespo

Capa da ‘Economist’: ‘Guerra cambial’
(imagem:reprodução)

Faltava apenas a revista “The Economist”. “Financial Times”, “The Wall Street Journal”, “The New York Times”, “Bloomberg” e vários outros serviços importantes de informações econômicas já debatem a iminência de uma “guerra cambial internacional”, declarada pelo ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega.

Mas o hebdomadário (sic) britânico traz um ponto de vista particular. Enquanto Martin Wolf, talvez o mais famoso colunista do “Financial Times”, tentou, em dois artigos, explicar “como ganhar” essa guerra, a “Economist” procura apontar uma forma de interrompê-la.

Primeiro que, para a “Economist”, o conflito em torno do câmbio ainda não é “uma guerra cambial real”. O que vemos são retóricas fortes, mas medidas ainda “modestas” dos governos, diz a reportagem. O texto chega a dizer que a atual situação é uma “falsa guerra”, mas que pode evoluir para uma guerra verdadeira se os Estados Unidos tomarem uma medida unilateral.

O país ameaçou impedir a China de comprar os títulos públicos norte-americanos. Se essa promessa se concretizar, a nação asiática procurará uma forma de retaliação, e é “aí que começará a guerra cambial”, afirma a “Economist”.

A revista acredita, inclusive, que a “violência econômica” não é o único meio de fazer com que a China valorize sua moeda. A reportagem considera que as ameaças feitas pelos EUA podem ser “blefes impraticáveis” ou “provocações perigosas”.

Mas, então, como barrar a iminência da guerra cambial? Para a “Economist”, é preciso não fazer nada, ou melhor, não intervir diretamente. A saída seria simplesmente permitir que a economia global se rearranje naturalmente, permitindo que moedas como o real se valorizem.

“O que é preciso acontecer está claro. A demanda global precisa se reequilibrar, saindo de economias ricas endividadas e indo para as que mais aumentam gastos, no mundo emergente. Reformas estruturais [...] ajudarão, mas a taxa de câmbio [dos países emergentes] precisa se apreciar”. E a revista avisa: “Está claro, também que esse não será um processo sem dor”.

A pressão para que a China valorize sua moeda não deve ser feita unilaterlamente pelos EUA, e sim por meio de órgãos internacionais, na opinião da reportagem. Os norte-americanos devem aproveitar o fato de que vários países estão insatisfeitos com o yuan baixo. ”O Brasil e outras nações só começaram a falar”, afirma a “Economist”.

Puxão de orelha
A “Economist” publicou também uma carta de um leitor do Brasil puxando a orelha da revista a respeito de uma reportagem publicada na semana passada, na qual afirma que “Lula prevalecerá” em 2011.

A abordagem no seu artigo sobre o próximo presidente brasileiro está claramente enviesada. Seria melhor esperar e ver em quem os brasileiros vão votar em vez de promover o conceito de “sucessora escolhida por Lula”, afirmou René Mendes, de São Paulo.

Nesta quinta-feira, 14, uma pesquisa CNT/Sensus aponta empate técnico entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Já o Ibope mostra seis pontos de vantagem para a petista.

PF analisará “momento” para possível depoimento de Erenice, diz Barreto

Mário Sérgio Lima, Folha de São Paulo

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, afirmou nesta quinta-feira que a Polícia Federal segue investigando as denúncias contra a ex-ministra-chefe da Casa Civil Erenice Guerra, e que cabe ao órgão definir se ela será convocada a depor e qual o momento adequado para ouvi-la.

"A Polícia Federal está realizando as oitivas e definirá os passos da apuração. Eu não vou me intrometer no trabalho do delegado", afirmou Barreto.

Erenice deixou o governo após reportagem publicada pela Folha na qual sócios da empresa EDRB acusam seu filho Israel e um assessor de pedir R$ 240 mil mais 5% de comissão para agilizar a liberação de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

A revista "Veja" também trouxe reportagem que aponta que o filho de Erenice e a empresa Capital Assessoria e Consultoria Empresarial fizeram lobby para ajudar a MTA a obter a renovação de uma concessão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Nesta quarta-feira, a Polícia Federal pediu a prorrogação do prazo para apurar as suspeitas de tráfico de influência na Casa Civil envolvendo familiares da ex-ministra.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Alguma surpresa em relação ao embromation do governo quanto ao propalado “interesse” pela investigação dos casos envolvendo a Dona Erenice Guerra? O grande problema dos petistas é serem previsíveis demais na sua delinquência!