sexta-feira, outubro 15, 2010

‘Economist’: Brasil ‘só começou’ a alardear ‘guerra cambial’

Sílvio Guedes Crespo

Capa da ‘Economist’: ‘Guerra cambial’
(imagem:reprodução)

Faltava apenas a revista “The Economist”. “Financial Times”, “The Wall Street Journal”, “The New York Times”, “Bloomberg” e vários outros serviços importantes de informações econômicas já debatem a iminência de uma “guerra cambial internacional”, declarada pelo ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega.

Mas o hebdomadário (sic) britânico traz um ponto de vista particular. Enquanto Martin Wolf, talvez o mais famoso colunista do “Financial Times”, tentou, em dois artigos, explicar “como ganhar” essa guerra, a “Economist” procura apontar uma forma de interrompê-la.

Primeiro que, para a “Economist”, o conflito em torno do câmbio ainda não é “uma guerra cambial real”. O que vemos são retóricas fortes, mas medidas ainda “modestas” dos governos, diz a reportagem. O texto chega a dizer que a atual situação é uma “falsa guerra”, mas que pode evoluir para uma guerra verdadeira se os Estados Unidos tomarem uma medida unilateral.

O país ameaçou impedir a China de comprar os títulos públicos norte-americanos. Se essa promessa se concretizar, a nação asiática procurará uma forma de retaliação, e é “aí que começará a guerra cambial”, afirma a “Economist”.

A revista acredita, inclusive, que a “violência econômica” não é o único meio de fazer com que a China valorize sua moeda. A reportagem considera que as ameaças feitas pelos EUA podem ser “blefes impraticáveis” ou “provocações perigosas”.

Mas, então, como barrar a iminência da guerra cambial? Para a “Economist”, é preciso não fazer nada, ou melhor, não intervir diretamente. A saída seria simplesmente permitir que a economia global se rearranje naturalmente, permitindo que moedas como o real se valorizem.

“O que é preciso acontecer está claro. A demanda global precisa se reequilibrar, saindo de economias ricas endividadas e indo para as que mais aumentam gastos, no mundo emergente. Reformas estruturais [...] ajudarão, mas a taxa de câmbio [dos países emergentes] precisa se apreciar”. E a revista avisa: “Está claro, também que esse não será um processo sem dor”.

A pressão para que a China valorize sua moeda não deve ser feita unilaterlamente pelos EUA, e sim por meio de órgãos internacionais, na opinião da reportagem. Os norte-americanos devem aproveitar o fato de que vários países estão insatisfeitos com o yuan baixo. ”O Brasil e outras nações só começaram a falar”, afirma a “Economist”.

Puxão de orelha
A “Economist” publicou também uma carta de um leitor do Brasil puxando a orelha da revista a respeito de uma reportagem publicada na semana passada, na qual afirma que “Lula prevalecerá” em 2011.

A abordagem no seu artigo sobre o próximo presidente brasileiro está claramente enviesada. Seria melhor esperar e ver em quem os brasileiros vão votar em vez de promover o conceito de “sucessora escolhida por Lula”, afirmou René Mendes, de São Paulo.

Nesta quinta-feira, 14, uma pesquisa CNT/Sensus aponta empate técnico entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Já o Ibope mostra seis pontos de vantagem para a petista.