Adelson Elias Vasconcellos
Há algum tempo que leio sobre o tal “kit-gay” e as referências sobre o material que o MEC encomendou, produziu e aprovou, prestes a ser distribuídos a milhões de estudantes do ensino público, e NENHUMA foi positiva.
Claro que as opiniões podem embutir certo preconceito, antipatia, ou qualquer outro sentimento parecido para com o movimento em si, e não contra o material que trazia uma mensagem teórica, intencional, de combater a violência contra uma minoria.
Assim, esperei até que pudesse assistir aos vídeos que, para alguns, o ministro Haddad confessou não ter visto nada de errado. Já comentei aqui sobre a mentira que o ministro tentou aplicar a alguns parlamentares, quando disse que nada estava decidido, que ele sequer tivera acesso ao material e que se propunha a estudar com uma comissão constituída pelo Congresso, todo o kit produzido antes de sua divulgação. No dia seguinte, contudo, em programa de rádio, o ministro confessou que o material não apenas já estava pronto, mas que ele julgara positivo, não contendo nada de errado.
É evidente que esta contradição, em tão curto espaço de tempo, não passou despercebida dos parlamentares com quem Haddad havia se reunido. E foi a partir daí que o país pode perceber o que estava em jogo.
Procurada pelos parlamentares das bancadas católica e evangélica, a presidente pediu para assistir os vídeos e mandou suspender o tal kit. Em entrevista à imprensa, justificou de forma clara que o governo, o seu governo, não investiria publicidade quanto as opções sexuais das pessoas, uma vez que o estado não tem nada com isso.
À primeira vista, a justificativa parece, até certo ponto, correta. Porém, é preciso destacar que, a atitude de assistir o material que o MEC mandara produzir e que estava prestes a divulgar, só foi tomada pela rebelião de parlamentares de várias correntes políticas. Ou seja, se não houvesse protestos, a presidente sequer teria assistido previamente os tais vídeos.
Este é um ponto importante, porque revelador de uma fragilidade de um governante que, até então, se mostrara ao país como durona, intolerante com o erro, que era eficiente e cobrava a mesma eficiência de seus ministros, assessores e auxiliares. Uma gerente no mais alto grau de eficácia e competência. E isto nos faz lembrar de outro fato, recente, quando a presidente reclamou da questão dos aeroportos, tendo dito que estava sendo enrolada há cinco anos.
De qualquer forma, até porque os tais vídeos vazaram na internet, e para um melhor julgamento, me dispus a assisti-los. Adoraria que TODOS os pais que tenham filhos estudando em escolas públicas a partir do nível médio, pudessem assistir aquilo que não passa, prá resumir, de MOLESTAMENTOS MORAL E SEXUAL. E ATENÇÃO: o material seria distribuído e exibido para crianças a partir de 11 anos de idade. Sem dúvida, trata-se de um crime dos mais perversos, uma vez que praticado contra quem não pode se defender e sequer tem formação suficiente para não se deixar influenciar pelas mensagens apelativas. Não há outra forma para caracterizar um conteúdo formado por imagens e diálogos de puro lixo moral, que foi produzido e pago com dinheiro público, isto é, com dinheiro saído do bolso dos pais cujos filhos seriam as vítimas de ação espúria e covarde por parte do Estado, em nome de uma causa supostamente nobre, mas que, no fundo, não passa de um movimento que pretende substituir um preconceito por outro. Ou seja, ao fim e ao cabo de algum tempo, caso TODO o material estivesse disseminado e assimilado pelos adolescentes, a maioria se tornaria alvo do escárnio da minoria.
A questão deve ser vista pela natureza que ela tem: homossexualismo, independente de homem ou mulher, não é uma doença. É uma predisposição de natureza genética, com a qual a pessoa nasce. E, aí é que está o problema, ela atinge, segundo dados confiáveis, não mais do que 10% da população mundial, inclusive considerado este percentual através da história. Ou seja, o homossexualismo por mais natural que ele seja, não passa de um “irregularidade” genética. Ora, ser natural não é o mesmo que ser normal. O normal, e não dá para brigar com a ciência, é a heterossexualidade.
Então, o que temos é que, se o movimento de homossexuais, homem ou mulher não importa, quer ser aceito e respeitado pela imensa maioria da humanidade, que é normal, não pode querer transformar a todos os heterossexuais em anormais. Não pode, em nome de sua causa de “direitos humanos”, porque, afinal, independente do sexo ou de sua opção, eles também são humanos, querer reverter a natureza e implantar uma espécie de preconceito contra aqueles que lhe são diferentes na opção e conduta.
Falar em homofobia na forma como o debate se desenvolve no país, até parece que ser “normal” e “maioria” para esta turma é que é errado. Precisamos ter um pouco mais de cautela neste aspecto. Eles pretendem o quê com sua causa, reconhecimento de sua opção? Ótimo, mas não venham tentar inverter a lógica natural e normal da existência. Os diferentes são eles, não os outros.
Reclamam de preconceito? Ótimo, mas por que o MEC ao encomendar o tal “kit” convocou apenas entidades flagrantemente homossexuais para a sua produção? Vejam: o material se destina a quem, aos homossexuais ou heterossexuais? É claro que ao último grupo. Então por que a linguagem empregada deve ser a do grupo que se diz discriminado? Que seus representantes e entidades tenham vez no debate e na produção de leis de proteção e de orientação contra o preconceito é uma coisa, mas não podem ser apenas eles a ditarem as normas para todo o restante da sociedade que, é bom não esquecer, representa um total de 90%.
Veja-se o caso que se discute no Congresso, a tal lei da homofobia. A tal comissão comandada pela senadora Marta Suplicy até agora só chamou para o debate de ideias, unicamente, representantes homossexuais. É isto que chamam de democracia? Nada disso, o tal debate não passa da ditadura da minoria sobre a maioria, o que vem a ser justamente a imposição de um preconceito em lugar de outro.
É bom também esclarecer outro detalhe: quando se fala em “liberdade” é muito fácil confundir, nos tempos atuais, com libertinagem. A primeira, que é um valor individual, só se completa mediante sua regulação social, ou seja, a liberdade de um não pode ferir a de outrem. Assim, não existe liberdade absoluta, que para tornar-se numa conquista plena de cada um, impõem responsabilidades para se legitimar. No caso da libertinagem, não há limites. Estamos diante de um quadro de barbárie, de ausência completa de moral e de regras. E isto jamais poderá ser uma conquista da civilização, até pelo contrário, é sua degeneração.
Cada um tem o direito de se acasalar com quem bem entender, e ninguém tem nada a ver com isso. Porém, sua opção não poderá ser imposta aos demais que não nasceram com a tal “irregularidade” genética e, sexualmente, se comportam de maneira natural e normal.
Da mesma forma, não se pode eliminar o preconceito interior das pessoas por decreto. Assim, falar de “direitos humanos” deve ser uma orientação que atinja a todos, e não apenas alguns grupos.
Por exemplo, há religiões que não admitem o homossexualismo. Vai se pretender o que, eliminar sua crença, sua fé, seus dogmas? Vai se proibir que orientadores religiosos deixem de criticar o comportamento minoritário no campo da sexualidade? Ou agora qualquer crítica à homossexuais será classificado como "crime", e não como o exercício à liberdade de expressão?
Não fui totalmente contrário a recente decisão do STF. Que os ministros do Supremo digam ser natural que se mude a lei para abrigar o direito dos homossexuais estabelecerem união civil, é uma coisa. Não podem é legislar da forma como o fizeram, contrariando o que dispõe a respeito o texto constitucional, provocando uma tremenda insegurança jurídica. Sua missão é justamente contrária àquela que resultou de sua decisão.
Quando comentei aqui a decisão do STF, afirmei ser favorável a união civil sim, como direitos a herança, a divisão do patrimônio e até a pecúlio em razão de morte. Mas esta última deve estar sujeita, primeiro, a que um ou ambos tenham contribuído para a previdência social, a exemplo do que se exige dos heterossexuais. Mas serei contrário a qualquer reivindicação quanto à adoção de crianças. Quem é pai ou mãe sabe que a criação de um filho exige a presença da figura materna e paterna, justamente, para haver equilíbrio e segurança na formação da criança. Senhores, a Natureza é sábia, e há uma penca de razões, que talvez muitos não tenham consciência, para que um filho seja fruto de um casal, homem e mulher. Não se trata apenas de “condições econômico-financeiras”, mas de equilíbrio emocional possível de se obter pelos valores que se fundem da união de um homem e uma mulher.
Respeito é um direito natural que pertence a todos, independente de gênero, sexo, cor, religião ou crença política. Mas “direitos especiais” devem se restringir a evitar a discriminação violenta, a não agressão, e não para se abrir as portas para a promiscuidade e libertinagem, ou molestamento que, no fundo, é o que se depreende dos tais vídeos.
Educação é um processo de transmissão de conhecimentos e VALORES. E, se a maioria é heterossexual, nada mais natural que sejam os seus valores a prevalecerem na sociedade. Isto vale para o ser humano como para qualquer espécime vivo encontrado na natureza.
Todo o movimento que busca extirpar a discriminação e o preconceito deve ter por base apenas o limite de se evitar que uma minoria seja humilhada e constrangida pela maioria. Mas não pode é tentar substituir um preconceito por outro, ou querer impor sua diferença a todos os demais. E, porque são justamente minorias frutos de uma irregularidade genética, acharem que a sua natureza é que é a opção normal das sociedades. Porque, senhores, não há ciência que justifique esta inversão.
Se o material produzido foi taxado pela presidência (e por muito mais gente) como inadequado, e por conta disso teve sua distribuição cancelada, é justo que, ou quem recebeu pelo mau serviço reembolse os cofres públicos, ou se disponha a produzir o material adequado sem ônus aos contribuintes. Mas uma coisa seria obrigação de dona Dilma providenciar: a imediata demissão do ministro Fernando Haddad, o mais inepto e incompetente ministro da Educação que o país já teve. Chega de espertalhões, vigaristas, irresponsáveis e picaretas tratando de algo vital para o futuro deste país.
E que, doravante, não apenas o MEC mas todo o Poder Público, ao tratar de assuntos sobre temas controversos como este, principalmente aqueles que digam respeito a seara dos pais e educadores, portanto, de foro íntimo, chame para o debate o conjunto da sociedade, e não apenas parte dela, como ocorreu no caso do Código Florestal quando dona Dilma Rousseff ouviu apenas os ambientalistas. Jamais se reuniu com os produtores rurais e com o relator do texto que foi aprovado na Câmara. O Brasil somos muitos e somos todos, e não apenas alguns. É preciso deixar bem claro para dona Dilma e para toda a corriola que a cerca em milhares de cargos públicos, a maioria, por sinal, perfeitamente dispensável: a reprovação do tal kit de molestamento infantil não parte apenas de religiosos de qualquer credo, e sim por todos os pais e mães responsáveis por seus filhos. Sala de aula não é local para apresentações de bordel, muito menos proselitismos de uma minoria que deseja impor suas diferenças à maioria!!!
Encerro com um trecho extraído de um texto escrito hoje pelo jornalista Reinaldo Azevedo e postado em seu blog, como um convite para reflexão, que diz bem da miséria moral que o debate sobre alguns temas vem tomando conta do país, infelizmente.
E esse tem sido um problema permanente da nossa democracia. O estado está sendo tomado de assalto por minorias organizadas que pretendem impor a sua pauta, independentemente da vontade da maioria e de suas instâncias de representação. É assim em todas as áreas. Os Verdes de Marina Silva acham que o Congresso não tem de se meter com meio ambiente porque isso é coisa de sua militância; os gays organizados acham que os educadores e os héteros não têm que se envolver com o material anti-homofobia porque isso é coisa de sua militância; os negros organizados acham que os não-negros não podem participar do debate de cotas porque isso é coisa de sua militância; mulheres organizadas defendem que o aborto seja decidido em plebiscito por mulheres porque isso é coisa de sua militância; os maconheiros organizados acham que os não-maconheiros não tem legitimidade para debater a descriminação de drogas porque isso é coisa de sua militância…