terça-feira, março 06, 2012

Dificuldades

Merval Pereira, O Globo

A decisão do presidente do PSB, governador Eduardo Campos, de adiar “até junho” uma decisão oficial sobre quem seu partido apoiará na campanha para a Prefeitura de São Paulo mostra bem a dificuldade que o PT terá para montar uma coalizão partidária que dê suporte à por enquanto frágil candidatura do ex-ministro Fernando Haddad.

É sintomático que os governistas já estejam na defensiva, colocando vários de seus atores principais para defender Haddad das críticas quanto ao chamado “kit-gay” que o Ministério da Educação queria distribuir nas escolas, provocando grande rejeição na sociedade mais conservadora, especialmente entre os evangélicos.

O senador Marcelo Crivella, sobrinho do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, que foi alçado ao Ministério da Pesca com o objetivo duplo de acalmar os evangélicos e retirar da corrida paulistana o candidato do PRB, Celso Russomanno, já disse que Haddad jurou a ele que não fora o responsável pelo “kit-gay”, como se uma empresa terceirizada tivesse poderes de definir programas ministeriais.

Também o ex-ministro José Dirceu, para defender a candidatura de Fernando Haddad, saiu com ataques a “setores evangélicos” que quereriam provocar um retrocesso nas políticas sociais do governo, colocando lenha na fogueira da briga entre petistas e evangélicos.

A primeira pesquisa de opinião divulgada depois que o ex-governador José Serra decidiu entrar na disputa teve o duplo papel de reforçar sua posição internamente no PSDB, desidratando os pré-candidatos que ainda insistem em disputar as prévias, e ao mesmo tempo enfraquecer a candidatura de Fernando Haddad, que aparece com 3% de preferência.

A pesquisa do Instituto Datafolha mostra claramente que, por enquanto, a única expectativa de força do petista é a influência que Lula pode vir a ter na campanha paulistana.

O ex-presidente da República tornou-se o mais forte cabo eleitoral da eleição na capital paulista, com 44% de eleitores admitindo que podem vir a votar em quem ele apoiar.

O Datafolha fez um cálculo dessa influência com os índices de Haddad no momento e chegou à conclusão de que ele pode chegar a números próximos a 40%, o mesmo acontecendo com Serra, que tem no governador Geraldo Alckmin um valioso apoiador na capital e aparece nessa primeira pesquisa com 30% de preferência.
Haddad tem, no entanto, que conseguir um tempo de televisão grande o suficiente para ser apresentado ao eleitor paulistano, que praticamente o desconhece.

Serra, por sua vez, trabalha para que o PT tenha o menor tempo possível e simultaneamente tenta ampliar sua coligação com partidos que, a nível nacional, estão na aliança governista, mas têm interesses eleitorais distintos nas eleições municipais.

Ele também precisa de um bom tempo de televisão para tentar reduzir seu índice de rejeição e reverter a má avaliação que hoje a prefeitura de Kassab tem.

É o caso do PSB, cujas bancadas estadual e municipal preferem apoiar José Serra e já estão integradas nas administrações de Kassab na prefeitura e de Alckmin no governo estadual.

É o caso também do PDT, que pode lançar Paulinho da Força como candidato, e do PMDB, que tem no deputado federal Gabriel Chalita sua melhor aposta, inclusive para tentar chegar ao segundo turno podendo contar ou com o apoio de Alckmin contra o PT se o PSDB não estiver disputando; ou com o do PT contra os tucanos se a situação inversa ocorrer.

É pouco provável, no entanto, que o PMDB abra mão dessa possibilidade para ajudar o PT paulistano, pois a disputa por espaços políticos está intimamente ligada aos resultados das eleições municipais deste ano.

O que o presidente da Câmara, o petista Marco Maia, chamou de “TPE” (tensão pré-eleitoral) na verdade é uma tensão política que se agrava a cada disputa de poder entre PT e PMDB, o que torna cada vez mais difícil uma convivência pacífica entre os dois principais partidos da coligação.

As dificuldades só aumentarão à medida que o ex-presidente Lula, o grande mentor dessa coalizão governamental tão esdrúxula, afaste-se das negociações para tratar de sua saúde.

Enquanto Lula não estiver em condições físicas de manter longas conversas políticas para amarrar as pontas de acordos, a candidatura de Haddad permanecerá congelada, à espera de uma definição.

Não é à toa que lideranças petistas, incomodadas com a imposição, mas sem condições políticas de criticar Lula, começam a falar até mesmo em abrir mão da cabeça de chapa para apoiar o candidato do PMDB.

Na verdade o que esses grupos querem é ressaltar a fragilidade política de Fernando Haddad para fortalecer a única candidata que é capaz de enfrentar José Serra em boas condições de largada, a senadora Marta Suplicy.

A pergunta que não quer calar nos meios petistas é se Lula terá condições físicas para entrar na disputa como estava disposto antes de o câncer na laringe surgir e todas as complicações provenientes do tratamento.

Essa incerteza tem provocado muitas reflexões dentro do PT, que sabe que o futuro do governo Dilma, da coligação governamental e de sua performance nas eleições municipais deste ano dependerá de Lula estar em condições de subir em palanques para pedir votos para os seus candidatos, ao mesmo tempo em que garante o futuro da coalizão com a expectativa de permanência no poder com a reeleição de Dilma, com sua bênção.

Funcionalismo - nova e privilegiada previdência

Roberto Macedo - O Estado de S.Paulo

Um dos maiores privilégios no Brasil vem da diferença entre o regime previdenciário do funcionalismo público e o dos trabalhadores cobertos pelo INSS. O contraste é particularmente forte no governo federal, no qual as remunerações são maiores. Alguns dos números que evidenciam isso estavam ontem neste jornal: o déficit previdenciário da União alcançou R$ 56 bilhões em 2011, para cerca de 1 milhão de aposentados e pensionistas; já o do INSS foi de R$ 35,5 bilhões, para 28 milhões nessa condição.

A iniquidade ocorre porque o sistema do funcionalismo garante aposentadoria integral com o último salário da ativa a muitos servidores (os admitidos até dezembro de 2003). Há regras também mais favoráveis para os demais, e para todos eles não há o teto das aposentadorias do INSS, hoje em R$ 3.916.

Embora antigo, o problema só foi enfrentado no governo Fernando Henrique Cardoso, via Emenda Constitucional (EC) n.º 20, de dezembro de 1998, que entre outras medidas abriu a perspectiva de um teto como o do INSS e previdência complementar para servidores públicos, desde que aprovados por lei complementar, que exige quórum qualificado. Em seguida, foi enviado ao Congresso um projeto nessa direção, mas nem chegou a voto, dada a pressão de interesses corporativos.

Depois de FHC esperava-se que o ex-presidente Lula, ex-trabalhador associado ao INSS, reduzisse tal iniquidade, colocando pelo menos os novos servidores sob regime similar ao do INSS e do seu teto. Com isso os interessados em benefícios maiores teriam de recorrer à previdência complementar. Entretanto, Lula sucumbiu a pressões corporativas, também avalizadas pelo seu partido.

Houve, porém, avanço em paralelo, pois logo no início de seu governo, pela EC 41, de dezembro de 2003, limites de idade para aposentadoria (55 anos para mulheres e 60 para homens), já instituídos pela EC 20 para novos servidores, foram estendidos a todos, ainda que com alguma flexibilidade. E mais: foi eliminada a exigência de lei complementar para estabelecer o teto e a previdência complementar desses servidores. Só em 2007, contudo, chegou ao Congresso um projeto de lei ordinária com tal objetivo. E só ontem um substitutivo desse projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados. Isso no seu texto-base, ficando os destaques para votação ontem, segundo este jornal.

Nesse percurso, o noticiário recente concentrou-se no votar ou não, sem entrar no conteúdo e no mérito do projeto. No que tem de bom, a previdência complementar que institui será baseada no mecanismo de contribuição definida. Ou seja, o benefício previdenciário virá dessa contribuição e o valor dele dependerá dos aportes feitos pelo participante e pelo governo federal para constituir reservas que responderão pelo pagamento.

Esse mecanismo se contrapõe ao atual, de benefício definido, no qual este se pauta pelo último salário da ativa ou por médias de salários passados. Como resultado dessa e de outras razões, como a não inexistência de reservas e a política salarial governamental - ou a ausência dela, por força de interesses corporativos -, o sistema é altamente deficitário, como apontado acima.

No que tem de ruim, entre outros problemas o crucial está no § 3.º do artigo 16 do projeto, onde se diz que "a alíquota da contribuição do patrocinador (...) não poderá exceder (...) 8,5%". Aliás, esse aspecto ficou entre os destaques a serem votados ontem, cujo resultado ignorava ao concluir este texto.

Do ponto de vista das finanças públicas, e do cidadão comum, que com seus impostos custeará essa contribuição, essa taxa é o aspecto fundamental. Mas como avaliá-la, se alta ou baixa? Lidei com esse problema por vários dias. Consultando uns poucos casos de empresas que têm previdência complementar, soube ser mais comum a taxa de 5%. E ao recorrer a um especialista em seguros, Francisco Galiza, a quem agradeço, ele me conduziu ao Relatório de Atividades (2010) da Superintendência Nacional de Previdência Complementar, órgão do Ministério da Previdência Social e, portanto, fonte oficial.

Ora, o relatório diz que no mesmo ano a taxa média de contribuição patronal aos planos em manutenção na modalidade de contribuição definida foi de 4,6%, mostrando que os 8,5% citados estão bem acima dessa média e, assim, constituem um privilégio. Aliás, a taxa é superior até mesmo à média das alíquotas dos planos de benefício definido, que foi de 5,9% no mesmo ano.

Com isso servidores, no novo sistema proposto, poderiam escolher para sua contribuição uma taxa mais custosa para o governo, o que levaria ao privilégio, configurando uma iniquidade. E há outra: quem, por exemplo, tiver um salário de, digamos, R$ 10 mil por mês terá mais condições de optar por taxas mais elevadas do que quem ganha pouco acima do teto ou mesmo abaixo dele, pois este último grupo também poderá aderir à nova previdência. No caso de rendimentos menores, é sabidamente maior a pressão dos componentes essenciais sobre o orçamento doméstico. Em síntese, quem ganha mais receberá proporcionalmente mais do governo.

Notei também que do projeto original, de 2007, para o substitutivo a taxa passou de 7% para 8,5%, por mais pressões corporativas exercidas nos meandros da Câmara. E tudo com muito silêncio, como num funeral no qual se enterrarão as esperanças de que privilégios previdenciários de servidores seriam efetivamente corrigidos.

Se a votação prevista para ontem manteve uma delas, ou outra ainda elevada, só o Senado poderá ressuscitar essas esperanças. Mas precisarei ver para crer, pois no Congresso a equidade social só tem espaço garantido nos discursos. Na hora de votar seus membros costumam se pautar mais pelas pressões dos mais próximos do que pelos interesses dos contribuintes, que deveriam defender.

Economia do Brasil cresce 2,7% em 2011 e se torna a 6ª maior do mundo

Alessandra Saraiva e Daniela Amorim, da Agência Estado

No quarto trimestre de 2011 o Produto Interno Bruto registrou aumento de 0,30% em comparação ao terceiro trimestre do mesmo ano



SÃO PAULO - A economia do Brasil cresceu de acordo com o previsto em 2011. Segundo o IBGE, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 2,7% no ano passado. A projeção era de crescimento entre 2,6% e 3%. O PIB per capita em 2011 ficou em R$ 21.252, uma alta de 1,8%, em volume, em relação a 2010. Ainda segundo o instituto, o PIB de 2011 em valores correntes somou R$ 4,143 trilhões.

Um crescimento de apenas 0,7% em 2011 já seria suficiente para que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro ultrapassasse o da Grã-Bretanha, tornando o Brasil a sexta maior economia do mundo, segundo cálculos feitos a pedido da BBC Brasil pela consultoria IHS Global Insight, com sede nos EUA.

No quarto trimestre de 2011 o Produto Interno Bruto registrou aumento de 0,30% em comparação ao terceiro trimestre do mesmo ano. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas consultados pelo AE Projeções (de queda de 0,20% a alta de 0,70%) e ficou acima da mediana projetada positiva de 0,20%.

Na comparação com o quarto trimestre de 2010, o PIB apresentou alta de 1,40%, dentro das estimativas do AE Projeções, que variavam de uma alta de 0,80% a 1,90%, com mediana de 1,50%.

Indústria
O Produto Interno Bruto da indústria caiu 0,5% no quarto trimestre de 2011, ante o terceiro trimestre do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre de 2010, o PIB da indústria caiu 0,4% no quarto trimestre de 2011. Em 2011, o PIB da indústria subiu 1,6% ante 2010.

Agropecuária
O PIB da agropecuária subiu 0,9% no quarto trimestre do ano passado ante o terceiro trimestre de 2011. Na comparação com o quarto trimestre de 2010, o PIB da agropecuária teve alta de 8,4% no último trimestre do ano passado.

Com o desempenho fechado do quarto trimestre de 2011, o PIB da agropecuária encerrou o ano passado com alta de 3,9% ante o resultado de 2010.

Serviços
O PIB de serviços mostrou alta de 0,6% no quarto trimestre de 2011 ante o terceiro trimestre do ano passado. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que anunciou hoje os resultados das Contas Nacionais Trimestrais.

Na comparação com o quarto trimestre de 2010, o PIB de serviços mostrou alta de 1,4% no quarto trimestre de 2011. Isso levou uma alta de 2,7% no PIB de serviços em 2011 em relação a um ano antes.

Consumo do Governo
O consumo do governo subiu 0,4% no quarto trimestre de 2011 ante o terceiro trimestre do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre de 2010, o consumo do governo subiu 1,3% no quarto trimestre de 2011. No acumulado de todo o ano passado, o consumo do governo cresceu 1,9% ante o ano anterior.

Consumo das famílias
O consumo das famílias subiu 1,1% no quarto trimestre de 2011, ante o terceiro trimestre do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre de 2010, o consumo das famílias subiu 2,1% no quarto trimestre de 2011. Em 2011, o consumo das famílias subiu 4,1% ante 2010.

Formação Bruta de Capital Fixo
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que representa a parcela de investimentos dentro do Produto Interno Bruto (PIB), subiu 0,2% no quarto trimestre do ano passado ante o terceiro trimestre.Na comparação com o quarto trimestre de 2010, a FBCF avançou 2% no quarto trimestre do ano passado. Isso conduziu a um resultado de alta de 4,7% no FBCF em 2011 em relação a 2010.

Exportações e importações
As exportações brasileiras subiram 1,9% no quarto trimestre de 2011 ante o terceiro trimestre do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre de 2010, as exportações subiram 3,7% no quarto trimestre de 2011. Em 2011, as exportações subiram 4,5% ante 2010.

No caso das importações, houve alta de 2,6% no quarto trimestre de 2011 contra o terceiro trimestre do ano passado. Na comparação com o quarto trimestre de 2010, houve aumento de 6,4% nas importações no quarto trimestre de 2011. Com isso, as importações subiram 9,7% em 2011 contra 2010.

Taxa de investimento
A taxa de investimento da economia brasileira (FBCF/PIB) em 2011 foi de 19,3% em 2011, inferior à taxa de 2010, quando registrou 19,5%. Os técnicos do instituto concederão entrevista dentro de instantes sobre os resultados.

Revisão
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revisou o resultado do PIB do terceiro trimestre de 2011 em relação ao segundo trimestre do mesmo ano de estabilidade (0,0%) para queda de 0,1%. Também houve revisão no número do PIB no segundo trimestre do ano passado ante o trimestre imediatamente anterior, de +0,7% para +0,5%.

Houve revisão ainda na alta do PIB no primeiro trimestre de 2011 ante o quarto trimestre de 2010, de 0,8% para 0,6%. Já a alta do PIB no quarto trimestre de 2010 ante o terceiro trimestre do mesmo ano foi revisado de 0,7% para 1,1%.

Embaixada francesa confirma explicação de Valcke: "não é insulto"

Portal Terra

 Foto: AP
Após pedido de desculpas, secretário da Fifa
 visita obras da Copa no Brasil em 12 de março

A explicação do secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, de que foi mal interpretado em relação às críticas aos preparativos do Brasil para a Copa do Mundo de 2014 encontra respaldo na língua francesa. Segundo a embaixada da França em Brasília, a expressão utilizada pelo dirigente que gerou bastante polêmica ("se donner un coup de pied aux fesses") é "comum" no país europeu e não representa de maneira alguma um insulto.

Segundo Stephane Schorderet, conselheiro de imprensa e porta-voz da embaixada francesa, o uso do pronome "se" (também "se", em português) antes do verbo "donner" ("dar") torna o verbo pronominal: "não significa que uma pessoa vai dar um pontapé em você", afirmou ele em contato telefônico com a reportagem do Terra. "Você mesmo vai dar em você um pontapé atrás para acelerar o movimento", completou.

A explicação de Schorderet, que fala português com bastante sotaque e pedia auxílio a uma assistente quando não conseguia encontrar a palavra que queria para se comunicar no idioma oficial do Brasil, corrobora a justificativa de Valcke.

Na última sexta-feira, durante encontro da International Board em Bagshot, na Inglaterra, o secretário-geral da Fifa fez duras críticas às "muitas coisas atrasadas" na organização do próximo Mundial. "Não entendo por que as coisas não avançam. A construção dos estádios não está acontecendo dentro dos prazos. Por que será?", afirmou.

Para completar, ele usou a polêmica expressão, que no Brasil foi traduzida como: "os organizadores precisam de um pontapé na bunda". Isso gerou um mal-estar com o governo brasileiro, o que motivou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, a pedir oficialmente a substituição de Valcke como interlocutor da Fifa nos assuntos relacionados à Copa. Na última segunda-feira, o francês enviou uma carta com um pedido de desculpas ao ministro, dizendo-se mal interpretado e apontando que a controversa frase significa apenas "acelerar o ritmo".

Conforme atestou Schorderet, "un coup de pied aux fesses" significa exatamente "um golpe com o pé na parte traseira do corpo", mas o fato de Valcke ter utilizar o verbo "donner" como pronominal altera a frase. "A imagem é que se você der um pontapé a si mesmo você vai ir em frente mais rapidamente. Você está seguindo um ritmo, parece dormir um pouco, então precisa se motivar", afirmou o porta-voz, para quem "não há uma expressão similar" em português. Segundo ele, "dar um tapa em si mesmo para acordar" seria o mais próximo que existe.

"É uma expressão muito comum na França", prosseguiu o representante da embaixada, que ainda deu um exemplo de como ela é costumeiramente usada. "Um pai pode dizer a seu filho que não trabalha de maneira optimal: 'você precisar de te dar um pontapé no traseiro para se motivar, acelerar o movimento e obter os resultados esperados'", disse ele. "Não há mal em relação a essa expressão. Não é de qualquer maneira um insulto. É um conselho".

A reportagem consultou ainda a tradutora juramentada de francês Isabelle Nieto, cujo nome está listado na Associação Profissional dos Tradutores Públicos e Intérpretes Comerciais do Estado de São Paulo (ATPIESP). Ela também confirmou a explicação de Jérome Valcke, dizendo que a presença do pronome "se" na frase do dirigente é "importantíssima e fundamental".

"Quando você fala 'se donner' é realmente que você mesmo tem que tomar uma atitude para ir mais rápido, no sentido de andar, se movimentar para frente, realmente você próprio se movimentar, tem que tomar uma atitude", explicou Isabelle. "Se fosse 'leur donner' ('dar a eles') aí seria 'dar um pontapé na bunda deles'".

A tradutora, que é brasileira e filha de franceses, ainda apontou que a expressão empregada por Valcke "não é chula". "Você usa no cotidiano", encerrou.

Caso Grazielly termina como crime sem castigo

247

Após depoimento de dez pessoas, inquérito da morte da garota de três anos, atropelada por um jet ski em Bertioga (SP), foi concluído ontem sem indiciamentos; família do poderoso empresário Zé Cardoso, dona da embarcação, sai ilesa

 Foto: Divulgação


De dez testemunhas ouvidas no caso da morte da menina Grazielly, de três anos, atropelada por um jet ski na praia de Bertioga, litoral de São Paulo, em 18 de fevereiro, nenhuma foi indiciada pelo crime. O inquérito foi concluído nesta segunda-feira pelo delegado de Bertioga, Maurício Barbosa, e encerrado como um crime sem castigo, como previu o 247 em matéria publicada no último dia 27 (leia abaixo).

Entre os envolvidos no caso, estão o adolescente de 13 anos que pilotava a embarcação – apesar de ser responsabilizado pelo acidente, o menor não pôde ser indiciado. O caso deve ser encaminhado ao Ministério Público e à Vara da Infância ainda nesta terça-feira. Entre outros entrevistados estão os pais do adolescente, seus padrinhos – família do poderoso empresário Zé Cardoso, dona do jet ski e da casa onde ele estava hospedado, na Riviera de São Lourenço – os pais e um tio de Grazielly.

Leia abaixo matéria publicada pelo 247 em 27 de fevereiro:

Caso Grazielly caminha para ser crime sem castigo
A empresária Ana Júlia Cardoso, proprietária do jet ski e madrinha do adolescente suspeito de ter atropelado e matado a menina Grazielly Almeida Lames, de 3 anos, pediu perdão à mãe da criança. O acidente aconteceu na Praia de Guaratuba, em Bertioga, no sábado de carnaval (18).

Em entrevista ao Fantástico, ela afirmou que o menino utilizou o veículo sem autorização dela e do marido, José Augusto Cardoso, porque o afilhado é um menino que "só faz o que quer".

Em depoimento à polícia, o jovem disse que foi autorizado pelos padrinhos a usar a embarcação. Testemunhas disseram que viram o jet ski sendo entregue ao menino e a um amigo por um adulto, que seria o caseiro dos Cardoso. Ana Júlia confirmou a versão do funcionário, que nega o envolvimento no caso.

Após o atropelamento, o adolescente, a mãe e o amigo fugiram do local sem prestar socorro. A família Cardoso também não fez nada para ajudar a menina.

Os Cardoso administram a Empreiteira Pajoan, prestadora de serviços no setor de coleta de lixo que coleciona irregularidades e dezenas de multas aplicadas pela Cetesb, mas que mesmo assim mantém ativo seu aterro na cidade. José Augusto Cardoso e a mulher Ana Júlia pretendem concorrer à prefeitura de Suzano pelo PSDB esse ano.

Mesmo assim, o crime pode ficar sem castigo. O rapaz não pode ser preso, por ser menor de idade. Responsável pela defesa do adolescente, o advogado Maurimar Bosco Chiasso já deixou claro como vai tentar livrar de punição o menor e seus pais – família abastada de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Em coletiva à imprensa, disse que o homicídio culposo, registrado pela polícia, é na verdade um “fatídico acidente”.

Jérôme Valcke, o Incrédulo

Wanderley Nogueira, Portal Terra

Crédito: AP
Valcke aguarda por obras no Brasil, 
que demoram a sair do lugar para a Copa de 2014.

Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, não poupou o Brasil.

Disse, na Inglaterra, que não consegue compreender porque as coisas não andam. Lembrou que estádios estão fora do cronograma e muitas outras coisas estão atrasadas.

Lamentou que até agora a Fifa não recebeu documentos importantes. Disse que “os documentos assinados deveriam estar conosco até 2007, e estamos em 2012″.

Para os simples mortais, importante mesmo é o mundo real.

Discursos, críticas, promessas e obras anunciadas são confirmadas ou não pelos olhos da população.

Não é preciso ser um suprassumo em economia, engenharia, planejamento ou administração para ter certeza que a montagem para o Mundial 2014 não caminha bem.

Basta passar pelas ruas de todas as cidades envolvidas de uma maneira ou outra com a competição para perceber que o tal “legado” está em absoluta marcha lenta.

Os ufanistas de plantão vão, novamente, atacar a Fifa dizendo que ela é prepotente, arrogante e se acha acima do bem e do mal. Talvez a entidade seja mesmo tudo isso.

Mas, um fato é inegável: o Brasil aceitou as regras do jogo.

Concordou com tudo para ser sede da Copa, e com o passar do tempo, tem tentado mudar o acordo.

Além disso, tentou encontrar alguém que diga: “estou vendo que as obras exigidas ou recomendadas pelo Caderno de Encargos da Fifa estão sendo feitas”.

Entrevistas e promessas não convencem mais ninguém.

O “estilo” São Tomé é único que tem grande poder de convencimento. É o “ver para crer”.

O santo que ninguém sabe ao certo onde nasceu, morreu na Índia. Quando falaram sobre a ressurreição de Jesus, Tomé não acreditou: preciso ver para crer. Foi chamado de Tomé, o Incrédulo.

Após ver Jesus vivo, Tomé professa sua fé em Jesus, e a partir de então é considerado Tomé, o Crente.

É mais ou menos a situação de Valcke, o Incrédulo. Ele quer ver para crer…

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A FIFA está tendo muita paciência com o Brasil. 

Se eu fosse o Jerome Valcke já teria tirado a Copa do Brasil há muito tempo. 

Na hora de fechar o acordo para sediar o Copa, o Brasil promete mundos e fundos. Agora não quer cumprir com aquilo que prometeu?

Nova estratégia para números inquietantes

Washington, Novaes - O Estado de S.Paulo

O noticiário é inquietante: órgãos da indústria preveem que ela poderá arrefecer sua atividade em 2012 (Estado, 1.º/2), depois de só havê-la expandido 0,3% em 2011 (10,5% em 2010). A sobrevalorização do real e a crise europeia são arroladas entre as causas. E na melhor das hipóteses o setor industrial poderá crescer 2,8% em 2012, ante 3,3% dos serviços e uma taxa geral de 3%. O emprego industrial, diz o IBGE, só aumentou 1% no último ano, ante 3,4% em 2010; e no último trimestre decresceu 0,4%, depois de sete trimestres positivos. Tudo isso apesar de o ministro da Fazenda prever um crescimento do PIB de 5%, embora admita que com a crise na Europa poderá ser de apenas 4%.

Mas não é só. A "invasão asiática" tem levado o Ceará, por exemplo, a passar de exportador de produtos desse setor a importador (Estado, 4/1) - ao lado dos calçados e celulares. Estamos até importando etanol dos Estados Unidos (11/1). Os temores estendem-se à área da siderurgia e ao "risco de desnacionalização" representado pelas tentativas de China e Índia de entrarem no mercado interno (6/1). E ainda se pode somar o problema da redução da demanda europeia, com a queda de 0,3% no último trimestre de 2011.

Uma análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea, 3/2) agrega questões como a de o crescimento econômico nacional, em uma década - 2000-2009 -, evidenciar-se como muito dependente de atividades com uso intensivo de recursos naturais, principalmente na agropecuária e no extrativismo - de baixo valor agregado e com reduzido efeito multiplicador sobre o restante da economia. Essa condição de simples fornecedor de commodities ao mercado global seria obstáculo para uma estratégia nacional de sustentabilidade a longo prazo.

Na verdade, o problema maior apontado nas análises é a falta de inovação tecnológica. Os gastos com pesquisa e desenvolvimento no País foram de apenas 1,19% sobre o PIB de 2009, enquanto no Japão se traduziam em 3,45%; na Alemanha, em 2,86%. O baixo investimento reflete-se, por exemplo, no número de pedidos de patentes depositados nos EUA em 2009 por outros países: Japão, 81 mil; China, 7 mil; Brasil, 464.

No conjunto, apesar do otimismo do Ministério da Fazenda, o Banco Central, depois de calcular a expansão do PIB brasileiro no ano passado em 2,72%, prevê para este ano algo em torno de 3%. O contra-ataque viria do governo federal, na proposta (Estado, 5/2) de quatro medidas provisórias para estabelecer regimes tributários especiais que facilitem a importação de máquinas capazes de produzir aqui equipamentos de alto conteúdo tecnológico em áreas como as de semicondutores, TV digital, telecomunicações e computadores pessoais. Mas não é simples. Há tréplicas sobre a mesa, como as da União Europeia e de vários países, que pedem na Organização Mundial do Comércio (OMC) o fim da isenção local de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para montadoras de veículos. As restrições locais também têm levado a altas do IPI para carros importados e quedas nas vendas (40,5% em janeiro).

O próprio Ipea não acredita que medidas emergenciais na área tributária enfrentem a questão. Na sua Conjuntura em Foco (Estado, 17/12), segundo o analista Celso Ming, esse órgão afirma que "a indústria brasileira enfrenta problemas sistêmicos de competitividade". Não se trata - diz a análise - de "concorrência predatória da China, nem força demais dada ao agronegócio, nem descaso da política industrial. É falta de competitividade". Tanto que de 2005 a 2011 a participação de produtos manufaturados no total das exportações brasileiras caiu de 55,1% para 36%. Muitos problemas são mencionados, como a qualidade da infraestrutura, a carga tributária, o nível de qualificação da mão de obra, entraves burocráticos, estratégias de preços, política para a inflação, estímulos à demanda interna. Mas, para o comentarista, o centro da questão está na excessiva valorização do real e no "enorme" custo Brasil.

São muitas as controvérsias. O Fundo Monetário Internacional (FMI) revê a projeção de crescimento da economia mundial para este ano (de 4% para 3,25%) e para o Brasil (agora, 3%). E lembrando que, se as indústrias intensivas em tecnologia e conhecimento respondem por mais de 30% do PIB norte-americano e 23% do chinês, no Brasil não chegam a 4,6% as exportações de alta intensidade tecnológica (eram 7,4% em 2005).

A revista da Universidade de São Paulo sobre ciência, tecnologia e informação (março a maio de 2011) mostra como é lento o crescimento do dispêndio nacional em pesquisa e desenvolvimento, que era de 1,04% do PIB em 2001, caiu para 0,9% em 2004 e chegou a 1,19% em 2009.

Por outras vias, há quem pense que o caminho brasileiro não se restrinja a inovações em tecnologia, e sim que tenha de passar também por uma inflexão radical, rumo a nosso fator estratégico mais forte: a área da biodiversidade. Até mesmo porque, embora detenhamos uma grande parte do acervo planetário de espécies, de 1996 a 2006 nossas exportações de plantas medicinais, por exemplo, só aumentaram 6%, enquanto as importações dessas mesmas espécies cresceram 40% e tivemos déficit comercial inacreditável - num mercado mundial de US$ 250 bilhões anuais. E sem inovação tecnológica em nossos produtos.

Mas para caminhar nessa direção a evolução de nossas políticas terá de ser radical. Poderia ser um bom começo o projeto em tramitação na Câmara dos Deputados que cria o "PIB verde" - para que o IBGE considere nas contas nacionais o patrimônio ambiental e as atividades a ele relacionadas. Há umas duas décadas, Robert Costanza e um grupo de cientistas na Universidade da Califórnia calcularam em três vezes o PIB mundial, em um ano, o valor dos serviços prestados gratuitamente pela natureza (fertilidade do solo, regulação hídrica e climática, etc.) se tiverem de ser substituídos por ações humanas.

Se o mundo caminhar nessa direção, como produto da crise planetária, a perspectiva brasileira poderá ser extraordinária.

Hora de colocar ordem na casa

Murilo Ramos, Revista Época 

Bem-sucedido na condução da economia em meio à crise internacional, Mantega enfrenta desgaste por não controlar seus subordinados

inShare(Foto: Jorge Araújo/Folhapress)
 FLANCO ABERTO 
O ministro Guido Mantega, após uma uma visita ao ex-presidente Lula, em São Paulo. 
Problemas em áreas que deveriam ser fontes de boas notícias 

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, poderia estar no nirvana. Há seis anos no cargo, Mantega acumulou força e prestígio ao atravessar – até agora – de forma bem-sucedida a maior crise da história recente do capitalismo mundial, desencadeada pela quebra do banco Lehman Brothers em 2008. No ano passado, Mantega pilotou uma manobra de pouso suave da economia brasileira, que afastou os riscos de um superaquecimento e da volta da espiral inflacionária e iniciou um processo de redução das altas taxas de juros. Apesar disso, Mantega vem, em 2012, acumulando problemas no Ministério da Fazenda – e eles não estão relacionados à excessiva valorização do real ou aos efeitos da crise do euro. O mais explosivo deles está relacionado a uma disputa interna por poder em duas instituições, o Banco do Brasil (BB) e a Previ (o fundo de pensão dos funcionários do BB), que, por ser abarrotadas de recursos, só deveriam ser fontes de boas notícias para o governo.

 Beto Barata/AE, Rafael Andrade/Folhapress,
Fábio Costa/JCom/D.A Press e Alan
Marques/Folhapress
  
A disputa por poder – que se arrasta há algum tempo entre facções lideradas pelo presidente do Banco do Brasil, Adelmir Bendine, e o presidente da Previ, Ricardo Flores – transbordou para as páginas dos jornais e ganhou contornos de uma briga de rua, com dossiês e outros golpes sujos. Na terça-feira, o jornalFolha de S.Paulo publicou informações bancárias sigilosas do ex-vice-presidente de Negócios Internacionais do BB Allan Toledo. Segundo investigação atribuída ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Toledo recebeu quase R$ 1 milhão provenientes de uma conta de uma aposentada em 2011. A reportagem sugeria que a aposentada fora intermediária no repasse de recursos de um sócio de um dos donos da Marfrig, frigorífico que contraiu empréstimos no Banco do Brasil e onde trabalha um irmão de Toledo.

De acordo com Toledo, a aposentada é Liu Mara, sua mãe adotiva. Toledo afirma que Liu Mara tem câncer e que o montante depositado em sua conta é resultado da venda de um imóvel em São Paulo. Os depósitos, segundo Toledo, foram feitos para que ele administrasse o uso dos recursos num tratamento de saúde de Mara. Mesmo com a investigação atribuída ao Coaf, existem suspeitas de que as informações sobre a conta tenham vazado diretamente do BB com o objetivo de lançar dúvidas a respeito da legalidade do dinheiro e de colocar Toledo em situação delicada. No fim do ano passado, Toledo foi exonerado logo após ÉPOCA revelar que o BB decidira investir mais de R$ 2 bilhões para administrar o Banco Postal, ligado aos Correios, sem contratar um parecer chamado “fairness opinion” – um documento normalmente usado para dar respaldo ao negócio. Toledo passou a ser rotulado, por aliados de Bendine, como um dos responsáveis, com Flores, por tentar enfraquecer Bendine a ponto de substituí-lo.

Inconformado com a divulgação de detalhes de sua vida financeira, Toledo disse que foi usado na guerra entre Bendine e Flores e anunciou um processo contra o banco. Na quinta-feira, numa entrevista coletiva sobre o assunto, Mantega afirmou que não foi orientado pela presidente Dilma a promover substituições no BB ou na Previ e disse que essa é uma crise baseada em “fofocas”. Mas ele não menosprezou completamente o episódio e disse que está preocupado com possíveis desdobramentos da crise tanto nos resultados do banco como no fundo de pensão. Mantega exigiu também a abertura de uma sindicância para averiguar o possível vazamento das informações.

Um servidor importante a ser ouvido nessa sindicância é o diretor de Gestão de Segurança do Banco do Brasil, Marcos Ricardo Lot. Ele é funcionário de carreira do banco há 29 anos e assumiu a Gestão de Segurança em novembro do ano passado. Em nota à imprensa, o Banco do Brasil afirmou que está apurando se houve quebra de sigilo ou acesso indevido às informações bancárias, mas que não identificara nenhuma irregularidade até o momento. O banco também repudiou as afirmações de que tornara “públicos” os dados bancários de Toledo. Além de ser responsável pelo sistema de segurança que garante a preservação do sigilo das informações do banco, Lot é uma testemunha importante por ser ligado a outro personagem de destaque na trama de intrigas no BB e na Previ: Ricardo de Oliveira, o discreto vice-presidente de Governo do Banco do Brasil, acusado de ter vazado os dados de Toledo.

Conhecido como Gordo, Oliveira ganhou influência no governo ao se aproximar de uma ex-assessora do presidente Lula em São Paulo, Rosemary Noronha. Oliveira também tem a simpatia do secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, e do próprio ministro Mantega. Atribuem-se ao Gordo a indicação e a sustentação de Bendine na presidência do banco. A força de Oliveira é tão grande no banco que ele costuma entrevistar os candidatos aos melhores cargos do BB. Com tanta influência, ele ganhou também alguns inimigos importantes – principalmente entre alguns líderes do PT que perderam espaço na administração do banco. Um exemplo desse descontentamento de parte do PT com a gestão de Bendine e Oliveira ocorreu em fevereiro. O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT), suspendeu uma sessão da Casa em protesto por não ter sido contemplado na nomeação de um apadrinhado para um posto de destaque no banco.

A ingerência de alas do PT no comando do Banco do Brasil e na Previ é antiga. Por muito tempo, a Previ foi comandado por um petista – o ex-sindicalista Sérgio Rosa. A saída de Rosa do comando da Previ, em 2010, desencadeou as atuais desavenças. Em meio à pressão do PT para continuar no comando da Previ, o preferido de Bendine para o cargo era um dos vice-presidentes do banco, Paulo Rogério Caffarelli, que atualmente substitui Toledo na vice-presidência de Negócios Internacionais. Citado num dossiê que o envolveu com denúncias de favores concedidos a uma das filhas de Mantega, Marina, Caffarelli viu suas chances de assumir a Previ diminuir. Quem acabou assumindo o comando do fundo foi o vice-presidente de Crédito, Ricardo Flores – com o apoio do ex-presidente Lula, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e do secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa.

A fim de se fortalecer na presidência da Previ, Flores buscou aproximar-se do ex-deputado José Dirceu e do presidente do Congresso, o senador José Sarney (PMDB-AP). Também passou a agradar a Mantega. Com a eleição de Dilma, Bendine passou a dar sinais de apreensão. No ano passado, ele flertou com a possibilidade de assumir a presidência da Vale. Para isso, esperava contar com o apoio de Flores, porque a Previ é a principal acionista da Vale. Os planos de Bendine foram frustrados. Diante da resistência do Bradesco, outro importante acionista da Vale, ao nome de Bendine, Flores resolveu apoiar a chegada de um funcionário antigo da companhia, Murilo Ferreira, à presidência da empresa. O clima entre Bendine e Flores azedou.

Nesse ambiente de balcanização, Mantega precisará mostrar força, enquanto as encrencas se acumulam. Uma bem difícil é seu relacionamento com o secretário executivo, Nelson Barbosa, o presidente do Conselho de Administração do Banco do Brasil. Desde a campanha eleitoral de 2010, quando Dilma encomendou a Barbosa a confecção do plano econômico do governo, Mantega tem manifestado incômodo com a atenção dispensada por Dilma a seu secretário executivo. Dilma também confiou a Barbosa a condução do importante projeto que cria o fundo de pensão dos servidores públicos, aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados. Os atritos entre Barbosa e Mantega chegaram ao ápice recentemente, quando Mantega deixou Barbosa fora das discussões sobre o corte no Orçamento para 2012, episódio inimaginável, dado o funcionamento do Ministério da Fazenda. Mantega enfrenta ainda uma questão pessoal gravíssima – sua mulher se trata de um câncer –, que tem contribuído para inflar o nome de Barbosa nas bolsas de apostas e especulações.

A demissão de Luiz Felipe Denucci da presidência da Casa da Moeda no fim de janeiro trouxe outro problema para Mantega. Ele foi acusado de manter Denucci no cargo por mais de um ano, ignorando uma denúncia antiga de corrupção. Pressionado a dar explicações, Mantega foi pouco hábil politicamente. Pôs a culpa da nomeação de Denucci no líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO). Ficou evidente que Mantega não tinha o controle político do cargo. Parlamentares do PT fizeram um contorcionismo para evitar sua ida ao Congresso e livrá-lo das perguntas sobre a Casa da Moeda. Agora, não tem mais jeito. Até a metade do mês, Mantega comparecerá a uma comissão do Senado. Certamente será indagado sobre as confusões envolvendo o Banco do Brasil e a Casa da Moeda. Chegou a hora de ele provar que pode transitar tanto pelo intrincado universo das crises financeiras internacionais quanto pelos choques planetários entre seus subordinados.  

Réquiem para a indústria

Jose Luiz Alqueres, O Globo

Neste jornal foi publicado em dezembro um artigo no qual advogávamos a adoção de procedimentos simples, previstos nas regras do Banco Mundial, para ensejar que a licitação para novos trens de subúrbio no Rio de Janeiro pudesse oferecer uma chance real para a indústria nacional sair vencedora. O procedimento seria a atribuição de uma margem de preferência de 15% ao fornecedor nacional — o que é aceito, quase incentivado pelo Banco Mundial, que hoje se preocupa com o equilíbrio no desenvolvimento global e redução de pobreza via criação de empregos.

A citada margem no caso brasileiro é, aliás, exígua para quem tem que pagar, dentre outros, o alto custo de capital no Brasil, os juros durante a fabricação, a penalização pela logística proibitiva e pela inflexibilidade nas leis laborais.

Nada foi feito e o jornal dá noticia que os organizadores da licitação, da qual participaram 5 grupos, celebraram no dia 27 a vitória de uma empresa chinesa por um preço inferior em 19% ao da mais bem colocada nacional.

E ainda tentam se justificar: “Mesmo com os 15%, se concedidos, o nacional não ganharia.” A empresa vencedora é a mesma que acumula atraso de mais de dois anos na entrega do lote anterior de trens, causando enormes transtornos para o Rio.

A indústria brasileira aponta que sairia vencedora se existisse isonomia na competição (no caso bastaria ela poder receber a parte importada do seu fornecimento em moedas de origem e nesta parte não incidissem os impostos de importação — não incidentes sobre os chineses — fazendo com que os 19% se reduzissem a uns 6 ou 7 %, que estariam dentro da margem dos 15%).

Mas o caso específico — grave — não é o principal. Aqui importa a reflexão estratégica.

O resultado foi anunciado no mesmo dia que o onipresente Banco Mundial lançou o relatório “China 2030 ” — elaborado em parceria com o governo chines — onde se advoga a mudança do modelo de desenvolvimento daquele país, dentre outras coisas limitando a mistura de interesses de governo com o das suas estatais, pouco eficientes e gravosas, que só se sustentam às custas da imposição de uma enorme carga à parcela pobre da China, privada dos benefícios sociais que o desenvolvimento poderia lhe trazer. Parece que por lá eles começam a criticar a tese do ” vamos fazer crescer o bolo antes de dividi-lo”, tese esta que sabemos bem a que leva: mais centralismo, mais corrupção (também circulou o dado sobre a concentração de bilionários chineses no seu parlamento…).

Enquanto eles estão tratando dos meios de corrigir isto, nós aqui vamos oferecendo a destruição da nossa indústria na ilusão de reduzir o déficit na balança comercial com a China, altamente superavitária para o Brasil. Como eles necessitarão cada vez mais de commodities é de se esperar que pouco reste, em breve, da nossa indústria de transformação e de bens de capital no Brasil.

É uma tragédia porque um país não se faz sem domínio de tecnologias de engenharia e de processos e estas fábricas que ora se contrairão, e algumas desaparecerão, são as mesmas que ensejaram a formação de uma capacitação na iniciativa privada que tanto diferencia para melhor o Brasil de seus vizinhos latino-americanos. E como visto, em condições isonômicas, elas são competitivas.

Ao se despedir da sua presidência no CNI, no final de 2010, Armando Monteiro fez um discurso profético para 500 empresários em São Paulo: “O próximo governo terá que arbitrar entre interesses conflitantes e de todos os segmentos que vêm a Brasília apresentar suas posições o mais despreparado, o menos estruturado nas suas proposições é o industrial.”

Deve ser por isso que a participação da indústria no PIB reduziu-se à metade em poucos anos. Deve ser por isso que uma pequena bolha de crescimento no setor real expõe a falta de engenheiros (para não falar na de pedreiros, soldadores, contramestres etc ). E parece que um novo avatar daquele Brasil do passado — “Uma grande fazenda exportadora de café e minérios” no dizer de Celso Furtado — vai voltar a acontecer.

2012 se parece muito com 2008

Paulo Rabello De Castro, Brasil Econômico

As semelhanças de 2012 com os terríveis desajustes da economia mundial ocorridos em 2008 não param de se acumular diante dos nossos olhos.

Os mercados especulativos, no entanto, têm reagido como se não tivessem tal conhecimento prévio.

Os riscos de natureza sistêmica não param de crescer. Mas as bolsas e as principais commodities realizaram a melhor recuperação de cotações desde 2010, quando o Fed (banco central americano) entrou para valer suprindo liquidez, com mais um grande afrouxamento monetário.

Desta vez, quem entra em campo para prover dinheiro barato a rodo é o Banco Central Europeu (BCE), ao conduzir, anteontem, uma mega-operação de € 529,5 bilhões em compras de papéis de cerca de 800 bancos da região, com prazo de três anos, a uma taxa de 1% ao ano.

O BCE já havia realizado uma injeção inicial, no apagar das luzes de 2011, de € 489 bilhões. Naquela, cerca de 500 bancos participaram, vendendo papéis. Uma crítica velada ecoou, ontem mesmo, contra a nova operação do BCE, vinda do sócio principal do “clube monetário” europeu, o Bundesbank alemão.

Os alemães não gostaram nada dos riscos tomados pelo BCE, e largaram uma carta a Mario Draghi, em termos severos, falando da “perda de reputação” do BCE como um risco incorrido pela instituição que vela pela estabilidade da moeda europeia.

O embate ideológico dentro da estrutura de poder na região é evidente, entre “linhas-duras” e “socorristas”.

Estes entendem ser urgente o socorro que for preciso aos bancos para prevenir o risco sistêmico de uma suspensão geral de créditos bancários às atividades produtivas na região, provocando um pânico recessivo.

Contudo, os “linha-duras” enxergam o megasocorro como mero adiamento dos ajustes inevitáveis no sistema, empurrando o problema com a barriga, enquanto a liquidez de curto prazo, passeando na tesouraria dos bancos, apenas serve como munição para especulação nos mercados de risco e de derivativos.

De fato, o episódio da crise financeira americana de 2008 se desenrola de novo, agora na Europa, com contornos bastante semelhantes.

Enquanto as autoridades americanas do então governo Bush negavam de pés juntos o agravamento do problema, a grande corretora Bear Stearns era resgatada em março de 2008, numa operação que começou com uns poucos bilhões de dólares, para ir crescendo sucessivamente.

Em maio de 2008, o secretário do Tesouro veio ao mercado para dizer que “o pior da crise ficou para trás”.
As autoridades europeias reproduzem agora o mesmo tom em relação à bola de neve dos débitos europeus absorvidos pelo BCE.

As autoridades, como em 2008, tentam ganhar tempo, na esperança de melhoria das condições de demanda em outras regiões do globo, como forma de estimular a máquina produtiva europeia.

Um dos problemas, contudo, do cenário otimista é o preço crescente das matérias-primas, especialmente o petróleo, cuja especulação eleva a cotação na mesma trajetória altista insustentável de 2008, quando o barril chegou muito perto de US$150, antes de despencar das nuvens ao final daquele ano.

Neste cenário de jogo de espelhos, entre 2008 e 2012, um desfecho igualmente negativo tem boas chances de acontecer. O Brasil, como em 2008, ainda aposta na “marolinha” e evita enfrentar suas ineficiências.

Será o grande teste da presidente Dilma. Mas o país precisa acordar e abrir os olhos.

Brasil lança moda da água de coco, mas não ganha mercado no mundo

Ana Clara Costa, Veja online

Com oferta voltada, sobretudo, ao mercado interno e menor competitividade, país vê exportação do produto para os EUA ficar com asiáticos

(Larry Crowe/AP) 
Vita Coco, de Madonna, é líder em vendas nos EUA 

Das areias tropicais às prateleiras de lojas descoladas nos Estados Unidos, a água de coco vem conquistando número adeptos em um mundo sedento por hábitos saudáveis. Produto trivial em supermercados e barracas de praia brasileiras, ele agora ganha espaço no mercado americano. Entre seus adeptos há milhares de praticantes de ioga do país - e também celebridades como Madonna, Demi Moore e Rihanna. A caixinha tetra pak da água de coco é o meio de hidratação mais popular entre os entusiastas da ioga, que abominam isotônicos industrializados.

O consumo da bebida nos EUA, em crescimento há oito anos, aconteceu por influência direta do Brasil, onde a indústria do coco floresce há décadas. Contudo, no momento em que esse setor passou a chamar a atenção das multinacionais de alimentos, o país deixou de ser destino prioritário no que compete aos investimentos.

Madonna: fã e investidora

Especialistas e produtores ouvidos pelo site de VEJA apontam duas razões para a menor atratividade. Em primeiro lugar está o fato de o Brasil – quarto maior produtor mundial, com 2,75 milhões de toneladas em 2009, segundo as Nações Unidas – ser um mercado consumidor voraz, que se apropria de tudo o que produz. Durante o Verão, os brasileiros, sem saber, chegam até a consumir água, leite e coco ralado importados. Os filipinos, por exemplo, lideram a produção global de coco, com 19,5 milhões de toneladas, mais de 600% acima do Brasil. Bem próxima disso vem a produção indonésia, com 15,3 milhões de toneladas, seguida da indiana, com 10,8 milhões de toneladas. Os produtores da Indonésia e Filipinas, por sua vez, até bem pouco tempo atrás simplesmente jogavam fora boa parte da bebida - muito menos importante para a cultura e a culinária locais do que a polpa do coco.

O segundo ponto reside no custo Brasil. O produtor nacional despesas mais elevadas com folha de pagamentos, transporte e impostos.

Conexão Brasil-Ásia-EUA – 
O empresário brasileiro Rodrigo Veloso foi um dos que se rendeu às vantagens do Sudeste Asiático – região, aliás, de onde o coco é originário. Em 2004, ele desembarcou nas Filipinas em busca de fornecedores locais da água da fruta. A bebida, curiosamente, estava longe de ser um negócio lucrativo por lá. Apesar de consumida pela população local, a indústria filipina era composta por pequenos produtores para os quais grande parte da água era tratada como resíduo.

Em 2005, Veloso juntou suas economias e partiu para a Califórnia, onde conseguiu 100 mil dólares de um investidor para fundar a O.N.E., marca de água de coco vendida apenas no mercado americano. Sete anos depois, a empresa tem como sócia ninguém menos que a Pepsico e fatura mais de 50 milhões de dólares anualmente. “Nossas maiores fábricas estão nas Filipinas porque lá temos capacidade de expandir internacionalmente. O Brasil não tem coco para matar a sede do mundo”, diz Veloso.

Moda brasileira – 
Apesar de não se destacar como fornecedor global, o país é o responsável pela difusão dessa onda “natureba” no mercado dos EUA. Ao conhecer uma brasileira em Nova York, o empresário americano Michael Kirban perguntou a ela o que mais sentia falta do país. Saudosa, respondeu que era a água de coco. Um ano depois, a conhecida virou esposa e Kirban. O executivo, maravilhado com o fato de a bebida ser comercializada em embalagens tetra pak, resolveu vir ao país para entender o modelo de negócio dos grandes fabricantes nacionais, como a Amacoco, de Pernambuco.

Com fornecedores locais contratados e dominando todos os detalhes da produção da bebida, o empresário lançou nos EUA, em meados de 2004, a marca Vita Coco – que hoje é líder de mercado, com faturamento próximo de 100 milhões de dólares ao ano. Entre seus sócios estão ninguém menos que Madonna, o ator Matthew McConaughey e a estilista Diane von Furstenberg. Em 2007, só três anos após fundar a empresa, Kirban vendeu 25% das ações para a firma de investimentos Verlinvest, da Bélgica, por 7 milhões de dólares. 

Não demorou para que outras empresas percebessem o mercado promissor. Fundada no final de 2004, a Zico recebeu cerca de 15 milhões de dólares em 2009 em investimentos da gigante Coca-Cola. Na época, a empresa já era popular entre os adeptos da vida saudável e vegetarianos. Tudo porque seu fundador, Mark Rampolla, realizou um bem-sucedido projeto de promoção do produto em centros de ioga espalhados pelos EUA. Ele não tinha verba suficiente para voos publicitários maiores. Pouco tempo depois, os praticantes da atividade viraram verdadeiros garotos-propaganda da bebida, além de consumidores vorazes.

Apesar de estar longe da popularidade de isotônicos, como o Gatorade, e refrigerantes, o mercado americano de água de coco já movimenta cerca de 400 milhões de dólares ao ano. No brasileiro, o faturamento é pouco mais da metade disso: em torno de 400 milhões de reais ou 230 milhões de dólares. O volume financeiro maior nos Estados Unidos, que se comparados ao Brasil podem ser considerados novatos, tem explicação. Por ser importado, o produto está longe de ter preços populares. Uma caixinha de 330 ml custa cerca de 3 dólares – o equivalente a pouco mais de 5 reais – nas lojas do país.

Gosto diferente – 
O potencial do produto fez com que grandes empresas de bebidas entrassem no jogo também no mercado doméstico. Ao mesmo tempo em que adquiriu a Amacoco no Brasil (que fabrica a líder em vendas Kero Coco) em 2009, a Pepsi também arrematou uma participação minoritária na O.N.E., em um movimento sincronizado para liderar o setor. Por meio de sua marca de sucos Naked, a multinacional também passou a produzir água de coco com sabor nos Estados Unidos. “O americano não está acostumado com o sabor do coco e muitos preferem a bebida mesclada com algum outro ingrediente”, afirma Vladmir Maganhoto, diretor da unidade de negócios de água de coco da Pepsico.

Planos de diversificação de bebidas feitas de água de coco para o Brasil ainda não saíram do papel. Segundo o executivo, as inovações levarão tempo para serem colocadas em prática, sobretudo porque o sabor natural da fruta agrada o paladar nacional. “Mas ainda é cedo para dizer que o Brasil é um mercado maduro. Há muito para crescer aqui e não vejo esse setor se expandindo menos de dois dígitos por ano nos próximos cinco anos”, diz Maganhoto.

A multinacional conta com o aumento de renda da população para catapultar a adesão dos consumidores do interior do país às suas caixinhas. “Apesar de ser um grande consumidor de água de coco, o brasileiro ainda está descobrindo a bebida embalada”, afirma o executivo. A Kero Coco é atualmente a água de coco mais vendida do mundo e o Brasil mantém-se como o principal mercado da bebida, segundo a consultoria Euromonitor.

Também há outros mercados a desbravar. Apesar do respaldo de distribuição de empresas como Pepsico e Coca-Cola, a água de coco em caixinha ainda não chegou de maneira expressiva à Europa, África ou Ásia – com exceção dos países do Sudeste Asiático. “A água de coco é um produto de valor agregado e a Europa está em crise. O continente é um mercado promissor, mas que está com muitos desafios neste momento”, diz Maganhoto, da Pepsico. Em um mundo sedento por saúde e alimentos orgânicos, os coqueiros vêm aí.