terça-feira, março 06, 2012

Jérôme Valcke, o Incrédulo

Wanderley Nogueira, Portal Terra

Crédito: AP
Valcke aguarda por obras no Brasil, 
que demoram a sair do lugar para a Copa de 2014.

Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, não poupou o Brasil.

Disse, na Inglaterra, que não consegue compreender porque as coisas não andam. Lembrou que estádios estão fora do cronograma e muitas outras coisas estão atrasadas.

Lamentou que até agora a Fifa não recebeu documentos importantes. Disse que “os documentos assinados deveriam estar conosco até 2007, e estamos em 2012″.

Para os simples mortais, importante mesmo é o mundo real.

Discursos, críticas, promessas e obras anunciadas são confirmadas ou não pelos olhos da população.

Não é preciso ser um suprassumo em economia, engenharia, planejamento ou administração para ter certeza que a montagem para o Mundial 2014 não caminha bem.

Basta passar pelas ruas de todas as cidades envolvidas de uma maneira ou outra com a competição para perceber que o tal “legado” está em absoluta marcha lenta.

Os ufanistas de plantão vão, novamente, atacar a Fifa dizendo que ela é prepotente, arrogante e se acha acima do bem e do mal. Talvez a entidade seja mesmo tudo isso.

Mas, um fato é inegável: o Brasil aceitou as regras do jogo.

Concordou com tudo para ser sede da Copa, e com o passar do tempo, tem tentado mudar o acordo.

Além disso, tentou encontrar alguém que diga: “estou vendo que as obras exigidas ou recomendadas pelo Caderno de Encargos da Fifa estão sendo feitas”.

Entrevistas e promessas não convencem mais ninguém.

O “estilo” São Tomé é único que tem grande poder de convencimento. É o “ver para crer”.

O santo que ninguém sabe ao certo onde nasceu, morreu na Índia. Quando falaram sobre a ressurreição de Jesus, Tomé não acreditou: preciso ver para crer. Foi chamado de Tomé, o Incrédulo.

Após ver Jesus vivo, Tomé professa sua fé em Jesus, e a partir de então é considerado Tomé, o Crente.

É mais ou menos a situação de Valcke, o Incrédulo. Ele quer ver para crer…

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
A FIFA está tendo muita paciência com o Brasil. 

Se eu fosse o Jerome Valcke já teria tirado a Copa do Brasil há muito tempo. 

Na hora de fechar o acordo para sediar o Copa, o Brasil promete mundos e fundos. Agora não quer cumprir com aquilo que prometeu?