NO BARRANCO DE CONGONHAS, A LAMA QUE ESCORRE...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
A lama encheu a avenida. Pouco a pouco, um barranco, com enormes muros de arrimo, começou a descer rumo à avenida. A chuva, nem tão forte assim, respingava com suas gotas um caudal de barro, grama, entulhos. Como se brotasse da terra, num chorar intermitente e de profunda dor, uma canaleta mostrava sua cara. Dela pendiam aquelas lágrimas quase absurdas, e mesmo que tardia, a terra chorava um choro sentido, ela que ali estivera passiva como uma personagem, uma testemunha ocular, que assistira um vôo que não freava no solo em que tocava, uma aeronave que se arremetia por sobre a avenida e ia de encontro ao prédio erguido do outro lado, onde explodiria, recebendo ali a última de suas encomendas para despachar, mas que embarcaria no silêncio do cargueiro da morte, levando consigo dezenas de vidas, mutiladas pela carruagem da irresponsabilidade.
Na lama que ora escorria iam junto todas as declarações, a falta de escrúpulos, as mentiras, as farsas, as empulhações de um governo e todo seu séqüito de atores delinqüentes. Tudo o que profanaram os ouvidos nacionais, tudo o que eles fecharam os olhos para não ver, como se negativa suficiente fosse para encobrir seus desmandos e seu descaso, a lama agora empurrava para a avenida, por onde passam carros, ônibus, pessoas. Ali, ainda úmida, contorciam-se os estertores de agonias das versões oficiais e oficiosas da mentira escancarada aos olhos de todos. Misturada aquela lama toda, embrulhado naquele barro lavado, misturavam-se a honra e a cara de um governo eleito para evitar a dor da tragédia anunciada, para evitar a lama que enxovalha o poder central. Escorria a decência pouca que ainda havia e que agora jaz sem nada poder evitar, arregaçando o verdadeiro descalabro de um governo corrupto como nunca se viu, incompetente como nunca se teve, irresponsável e sem honra como jamais se terá.
Não mais se poderá dizer que a crise não existe, ou que ela é fabricada pela mídia reacionária, pela mídia das elites, pela mídia burguesa; não mais se poderá dizer que a crise é um produto fabricado e plantado pelos inimigos políticos do governo; ou, que a crise possa ser fruto do progresso, como se ineficiência e incompetência pudesse ser sub-produto do desenvolvimento, onde ocorre justamente o contrário.
Na lama que escorre barranco abaixo, e vai se resvalar até o leito da avenida à sua frente, vai junto toda esta ladainha federal, toda esta fala embusteira e desavergonhada, vão-se todas as tolices e parlapatices que nos atiraram na cara nos últimos dez meses. Desnudou-se na lama do barranco que se esvai, a farsa de um governo assassino e mau caráter.
O barranco, que assistira o desastre à sua frente, não mais se conteve: aproveitou a chuva que caía, e cheio de dor pelo assassinato em massa que o fizeram presenciar, vomitou sua revolta, sua tristeza. Jorrou na lama putrefata de um governo viciado na mentira, na farsa, na jogadinha de pegadinhas políticas, nas falas zombeteiras de palacianos sem graça, sem alma, sem honra, sem ética, sem caráter. O barranco da cabeceira do aeroporto de Congonhas cansou e descarregou na avenida sua indignação. Mostrou o nível mais baixo a que um governo pode chegar. Rendeu-se à dor dos que foram vitimados pelos imorais e irresponsáveis que riam e riem das desgraças que afligem parte do povo brasileiro, parte esta que trabalha, que estuda, que lutou e se sacrificou para serem profissionais dignos e honestos, que não se valeram de suas relações promíscuas para galgarem a fidalguia dos gigolôs da nação, vagabundos imorais, para sobreviverem. Gente que um dia também foi pobre, mas que não se acomodou à esmola degenerativa e preguiçosa, jogada como pérolas aos porcos, que sobre ela pisam mas se agarram e se vendem por míseros trocados, quando deveriam cobrar não a esmola servil mas as oportunidades de um trabalho digno, de uma vida digna, de um governo digno.
Portanto, o barranco de Congonhas ruiu porque não suportou mais ser um agente passivo da imoralidade de um governo podre e deprimente. Na sua lama, mistura-se não apenas um lamento de dor, mas um grito de basta: ele não mais quer testemunhar novas desgraças que poderiam ser evitadas se governo houvesse neste país. Ele se nega a continuar conivente e cúmplice de uma horda de medíocres que não apenas martirizam o país, mas que também disseminam o vírus fétido do caos.
A lama do barranco de Congonhas, que escorre e vai para a avenida carrega consigo, portanto, toda a veleidade, toda a imundície sórdida do governo mais podre que este país já teve. E na sua desistência de ser cúmplice de novas tragédias, o barranco de Congonhas está nos alertando para lutarmos e resistirmos, antes que Lula e seus delinqüentes imorais exterminem com os poucos honestos que ainda restam em novas fogueiras em louvor do caos e do descalabro.
O barranco de Congonhas chorou pelos que se foram visceralmente cozidos no fogo da indecência mas, dos seus soluços e lamentos, brotou o alerta para os que ainda resistem, permanecerem lutando e se indignando. Por pior que seja o caos que reina entre nós e nos vitima todos os dias, em repetidas pequenas tragédias que não matam a vida e sim a esperança, ele não pode mais do que a força da nossa fé, do que a força do caráter dos bons e dos honestos, dos trabalhadores e dos dignos. Afinal, como a lembrar meu avô, se não há bem que dure, por certo também é que não há mal que um dia, cedo ou tarde, não acabe...
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
A lama encheu a avenida. Pouco a pouco, um barranco, com enormes muros de arrimo, começou a descer rumo à avenida. A chuva, nem tão forte assim, respingava com suas gotas um caudal de barro, grama, entulhos. Como se brotasse da terra, num chorar intermitente e de profunda dor, uma canaleta mostrava sua cara. Dela pendiam aquelas lágrimas quase absurdas, e mesmo que tardia, a terra chorava um choro sentido, ela que ali estivera passiva como uma personagem, uma testemunha ocular, que assistira um vôo que não freava no solo em que tocava, uma aeronave que se arremetia por sobre a avenida e ia de encontro ao prédio erguido do outro lado, onde explodiria, recebendo ali a última de suas encomendas para despachar, mas que embarcaria no silêncio do cargueiro da morte, levando consigo dezenas de vidas, mutiladas pela carruagem da irresponsabilidade.
Na lama que ora escorria iam junto todas as declarações, a falta de escrúpulos, as mentiras, as farsas, as empulhações de um governo e todo seu séqüito de atores delinqüentes. Tudo o que profanaram os ouvidos nacionais, tudo o que eles fecharam os olhos para não ver, como se negativa suficiente fosse para encobrir seus desmandos e seu descaso, a lama agora empurrava para a avenida, por onde passam carros, ônibus, pessoas. Ali, ainda úmida, contorciam-se os estertores de agonias das versões oficiais e oficiosas da mentira escancarada aos olhos de todos. Misturada aquela lama toda, embrulhado naquele barro lavado, misturavam-se a honra e a cara de um governo eleito para evitar a dor da tragédia anunciada, para evitar a lama que enxovalha o poder central. Escorria a decência pouca que ainda havia e que agora jaz sem nada poder evitar, arregaçando o verdadeiro descalabro de um governo corrupto como nunca se viu, incompetente como nunca se teve, irresponsável e sem honra como jamais se terá.
Não mais se poderá dizer que a crise não existe, ou que ela é fabricada pela mídia reacionária, pela mídia das elites, pela mídia burguesa; não mais se poderá dizer que a crise é um produto fabricado e plantado pelos inimigos políticos do governo; ou, que a crise possa ser fruto do progresso, como se ineficiência e incompetência pudesse ser sub-produto do desenvolvimento, onde ocorre justamente o contrário.
Na lama que escorre barranco abaixo, e vai se resvalar até o leito da avenida à sua frente, vai junto toda esta ladainha federal, toda esta fala embusteira e desavergonhada, vão-se todas as tolices e parlapatices que nos atiraram na cara nos últimos dez meses. Desnudou-se na lama do barranco que se esvai, a farsa de um governo assassino e mau caráter.
O barranco, que assistira o desastre à sua frente, não mais se conteve: aproveitou a chuva que caía, e cheio de dor pelo assassinato em massa que o fizeram presenciar, vomitou sua revolta, sua tristeza. Jorrou na lama putrefata de um governo viciado na mentira, na farsa, na jogadinha de pegadinhas políticas, nas falas zombeteiras de palacianos sem graça, sem alma, sem honra, sem ética, sem caráter. O barranco da cabeceira do aeroporto de Congonhas cansou e descarregou na avenida sua indignação. Mostrou o nível mais baixo a que um governo pode chegar. Rendeu-se à dor dos que foram vitimados pelos imorais e irresponsáveis que riam e riem das desgraças que afligem parte do povo brasileiro, parte esta que trabalha, que estuda, que lutou e se sacrificou para serem profissionais dignos e honestos, que não se valeram de suas relações promíscuas para galgarem a fidalguia dos gigolôs da nação, vagabundos imorais, para sobreviverem. Gente que um dia também foi pobre, mas que não se acomodou à esmola degenerativa e preguiçosa, jogada como pérolas aos porcos, que sobre ela pisam mas se agarram e se vendem por míseros trocados, quando deveriam cobrar não a esmola servil mas as oportunidades de um trabalho digno, de uma vida digna, de um governo digno.
Portanto, o barranco de Congonhas ruiu porque não suportou mais ser um agente passivo da imoralidade de um governo podre e deprimente. Na sua lama, mistura-se não apenas um lamento de dor, mas um grito de basta: ele não mais quer testemunhar novas desgraças que poderiam ser evitadas se governo houvesse neste país. Ele se nega a continuar conivente e cúmplice de uma horda de medíocres que não apenas martirizam o país, mas que também disseminam o vírus fétido do caos.
A lama do barranco de Congonhas, que escorre e vai para a avenida carrega consigo, portanto, toda a veleidade, toda a imundície sórdida do governo mais podre que este país já teve. E na sua desistência de ser cúmplice de novas tragédias, o barranco de Congonhas está nos alertando para lutarmos e resistirmos, antes que Lula e seus delinqüentes imorais exterminem com os poucos honestos que ainda restam em novas fogueiras em louvor do caos e do descalabro.
O barranco de Congonhas chorou pelos que se foram visceralmente cozidos no fogo da indecência mas, dos seus soluços e lamentos, brotou o alerta para os que ainda resistem, permanecerem lutando e se indignando. Por pior que seja o caos que reina entre nós e nos vitima todos os dias, em repetidas pequenas tragédias que não matam a vida e sim a esperança, ele não pode mais do que a força da nossa fé, do que a força do caráter dos bons e dos honestos, dos trabalhadores e dos dignos. Afinal, como a lembrar meu avô, se não há bem que dure, por certo também é que não há mal que um dia, cedo ou tarde, não acabe...