quarta-feira, julho 25, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

E SE AO INVÉS DE FHC TIVESSE SIDO LULA EM 1995?
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

É difícil comparar governos, às vezes, se cometem injustiças, por fazermos avaliações sem considerar-se as condições de governabilidade do país entre um período e outro. Não é este o caso de Fernando Henrique, 1995-2002, e Lula, desde 2003.

Ao assumir seu primeiro mandato, Fernando Henrique encontrou o seguinte Brasil: inflação galopante e sem controle, dívida externa fora de controle, total desequilíbrio fiscal, uma enxurrada de empresas estatais sugando o orçamento com monumentais déficits, sem a menor condição de investimento, comércio internacional querendo recuperar-se ainda das atrapalhadas da moratória de Sarney e das atrapalhadas de Collor, instabilidade econômica com total vulnerabilidade a qualquer espirro, instabilidade política em razão da renúncia de Collor.

Durante aquele período, o mundo sofreu cinco graves crises financeiras internacionais, México, Argentina, Rússia, Turquia e Sudeste Asiático, e4 cresceu na média em torno de 2%. O Brasil fechou o período com média ligeiramente superior a 2,3%. Apesar dos problemas, das instabilidades, das crises, conseguimos domar a fera da inflação, equilibrar as contas públicas, criar uma moeda valorizada, criar um leque de proteção social, reduzir o analfabetismo, reduzir a mortalidade infantil, reduzir sensivelmente o trabalho escravo infantil, recuperar mercados internacionais para os produtos brasileiros. Chegamos ao final do período com estabilidade econômica e política, e com uma série de avanços sociais e educacionais, bem como conseguimos implantar uma longa série de políticas de saúde pública, bastante elogiadas por organismos internacionais.

Vejamos Lula: recebeu o governo com inflação dominada, equilíbrio fiscal, déficit contido, endividamento renegociado em condições bastante favoráveis, indicadores econômicos favoráveis, o mundo no seu período cresceu em médias superiores a 5%, todo um programa de planejamento no campo da energia traçado e implantado, nenhuma crise financeira internacional, políticas sociais em pleno vigor. Ou seja, o Brasil que Lula encontrou já não tinha mais inflação, desequilíbrio fiscal, vulnerabilidades a acontecimentos externos, estabilidade política garantida, além de franco avanço nos indicadores de saúde, educação e sociais. Bastava a Lula terminar o trabalho iniciado e pronto: o país estaria galopando na mesma velocidade com que os demais emergentes galoparam nestes últimos cinco anos. Porém, a média de crescimento é inferior a 3,0%, metade dos demais países, os indicadores de educação e saúde perderam velocidade e alguns até retrocederam, e apesar da balança comercial com superávits históricos, perdemos posições no ranking do comércio mundial, e, bem dentro do governo, instalado uma rede de corrupção vergonhosa, além de uma crise aérea que não existia, e que está simplesmente destroçando o país.

A pergunta que fica não é quem é melhor, e sim, se Lula tivesse encontrado o país nas mesmas condições que FHC encontrou, ou, se ao invérs de FHC haver ganho a eleição, o vencedor tivesse sido Lula, o país teria avançado o quanto avançou no período até chegar à esta estabilidade e política de hoje ?

Olhando-se para dentro do governo Lula a conclusão a que chega é de que não estaríamos vivendo o bom momento econômico atual com Lula no poder em lugar de FHC. Pela simples razão de que este governo Lula é ruim de serviço mesmo.

Naquilo que Lula mexeu, o país deu marcha ré. No que ele manteve da herança recebida, o país anda bem e avança.

Não é apenas a crise aérea, fabricada pelo governo atual, que nos espelhamos para chegarmos a esta conclusão. Bastante seria retroceder no passado para sabermos que a relação entre os poderes nunca foi tão promíscua como agora com Lula e Petê no poder.

Nunca as instituições foram tão destroçadas como agora estamos vendo, o crime aumentou, a infra-estrutura a cada dia mais se desmorona, os níveis de educação recuaram muito comparando-se os dois períodos, o apagão volta à cena e sua ameaça ainda é real, nosso comércio internacional se sustenta muito mais em comoditties valorizadas pelo crescimento dos demais países e não por políticas internas, nunca tantos brasileiros emigram tanto para tantos países em busca de melhor condição de vida como agora se vê e se assiste, nunca a segurança pública foi tão crítica como agora, e a cada dia que passa e novos rankings de qualidade de país são divulgados, mais e mais percebemos que estamos perdendo para nações com muito condições e riquezas do que o Brasil. Estamos andando para trás, enquanto o mundo segue em frente.

Tivesse Lula sucedido Itamar Franco, e deste recebido o país que FHC herdou, considerando-se o conjunto da obra do governo atual, dá até medo imaginar-se o país que seríamos.

Nos artigos de hoje, vocês lerão uma síntese excelente da Lucia Hippolito sobre a questão aérea, um artigo também excelente do Pedro do Coutto, da Tribuna da Imprensa sobre estilos diferenciados de presidentes que o Brasil já conheceu, e concluirão que o problema do governo atual não é a capacidade política de Lula, e sim, a dubiedade com que age na administração dos principais problemas nacionais. Segue ainda um artigo relembrando da VARIG e a carta triste e angustiada de uma das muitas mães atingidas na tragédia com o Airbus da TAM, e o sentimento de repulsa à fala de Lula na sexta-feira, considerando-a falsa e mentirosa. E encerrando, nesta e4dição mais algumas pérolas do jeito TAM de anarquizar a segurança dos vôos com manutenção de aeronaves que mereciam a medalha do demérito aeronáutico. Ah, quase que esquecia: num artigo do Correio Braziliense, apresentaremos os currículos dos “profissionais” (ir)responsáveis que comandam e infernizam a vida dos passageiros com uma crise fruto da incompetência, descaso, falta de respeito e, claro, fruto disto tudo, da falta de autoridade, da falta de governo, já que seu ocupante está muito mais preocupado com sua imagem populista (e canalha), e foge covardemente dos problemas criados por seu desgoverno, para atirar-se nos braços da claque contratada para afagar-lhe o ego, apesar das fumaças que ainda ardem no local da maior tragédia da aviação brasileira de todos os tempos.

O Brasil foi na Venezuela com um time de reservas e venceu a Argentina com seu time de estrelas de goleada e foi campeão da Copa América. No Pan, bastou escalar Lulinha e tomamos um baile do Equador no futebol masculino. Nem medalha disputaremos. E como desgraça pouca é bobagem, deu apagão até na tocha olímpica do PAN. Inédito o fiasco.

O que me preocupa é como chegaremos em 2010, data das próximas eleições presidenciais. Se Lula continuar ignorando os problemas reais do país, investindo sua imagem unicamente no assistencialismo ordinário, e apostando todas suas fichas que a crise se resolverá por um passe mágica e sem afetar as demais instituições democráticas do país, vai pagar muito caro pela imprevidência. Seria bom que ele começasse a se preocupar e cuidar com mais atenção da classe que sua política imbecil insistir em ignorar e escarrar: vai precisar muito dela ainda, nem tanto ele politicamente, mas o povo brasileiro é feito não apenas por pobres e os muito ricos, mas também pelo contingente formado pela classe média. E nenhum país, fosse na história antiga ou contemporânea conseguiu atingiu grau elevado de desenvolvimento com os governantes louvando desprezo e ódio aos “pequenos burgueses”. Eles são o esteio da nação, sem eles governante algum consegue se sustentar...

Os sinais de deterioração do governo são muitos e bastante visíveis. Seria bom que alguém começasse a se dar conta disto enquanto é tempo... Senão, depois quem vai fazer top-top-top somos nós, e ao menor sinal de reclamação, bradaremos com a maior simplicidade: “Não esquenta, não, relaxa e goza que a zorra é tua, seu cretino!”.