quarta-feira, junho 13, 2007

TOQUEDEPRIMA...

Lula abre vagas ao PMDB nos bancos estatais
Veja online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou uma divisão de cargos no Banco do Brasil para abrir espaço para aliados do PMDB. Na campanha à reeleição, no ano passado, Lula dissera que não nomearia nem mesmo um faxineiro para o BB. De acordo com reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, o presidente orientou o conselho de administração do banco a separar uma vice-presidência em duas unidades para criar mais uma vaga na direção.

Por orientação de Lula, a assembléia dos acionistas poderá aprovar em breve a divisão da vice-presidência de Governo e Agronegócios em dois cargos - que seriam ocupados ex-senador Maguito Vilela, do PMDB, e pelo ex-ministro Luiz Carlos Guedes Pinto, ligado ao PT. Vilela, candidato derrotado ao governo de Goiás em 2006, deve cuidar das contas de oito Estados, da subsidiária de previdência do BB e de um montante de 187 bilhões de reais anuais em tributos federais, estaduais e municipais.

De acordo com reportagem da Agência Estado, o governo abre espaço para o PMDB também na Caixa Econômica Federal, onde o ex-deputado Moreira Franco deverá assumir uma vice-presidência ou uma diretoria. Outro peemedebista, Paes de Andrade, ex-presidente do partido, também pode ser nomeado para uma vice-presidência. Em 2006, na campanha eleitoral, Lula visitou a sede do BB e defendeu a profissionalização dos bancos estatais e prometeu não fazer indicações políticas a eles.

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Oposição cobra apuração sobre o caso Vavá

Os parlamentares de oposição pediram a investigação sobre o caso do indiciamento do irmão mais velho do presidente Lula, Genival Inácio da Silva, por tráfico de Influência no Executivo e exploração de prestígio no judiciário. A Operação Xeque-Mate da Polícia Federal realizou busca e apreensão na casa de Vavá, desarticulando uma suposta máfia de caça-níqueis envolvida em um esquema de corrupção policial.
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O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) pediu apuração rigorosa do caso. "O que preocupa é que a primeira família esteja sendo investigada. O comentário do presidente, sugerindo que as investigações prossigam, é o mínimo que se espera de resposta", disse o líder do Democratas na Câmara.
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O senador Arthur Virgílio (AM), líder tucano no Senado, afirmou que o assunto vai ao plenário da Casa. "Estou impressionado. Nunca vi nada tão deplorável no momento político e na democracia brasileira. No meio disso tudo há uma massa de pessoas que se sentem impotentes", declarou.
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Já o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que essa exploração sobre o caso já era esperada. "É claro que ele é um atrativo não só jornalístico do ponto de vista quando se trata do irmão do presidente é notícia", reclamou Chinaglia.
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O presidente da República em exercício, José Alencar, declarou que acredita na inocência do irmão de Lula porque o conhece e ele “não estaria metido em coisas deste tipo”.

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Comércio bombando
Carlos Sardenberg, Portal G1

Não foram apenas as vendas de automóveis que bateram recordes. Hoje, a Serasa, a maior empresa de verificação de crédito do país, informou que o mês passado foi o melhor maio para o comércio brasileiro desde 2000. Importante: com o Dia das Mães, maio é o segundo mês mais importante para o comércio, perdendo apenas para dezembro.
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O Indicador Serasa de Atividade do Comércio indicou que as vendas no varejo subiram 10,1% em relação ao maio de 2006. No acumulado janeiro/maio, o crescimento é de 9,7%, sobre o mesmo período do ano passado. É também o melhor resultado desde 2000, ano em que o país cresceu perto dos 5%.
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Nos hipermercados, supermercados e varejo de alimentos e bebidas, as vendas aumentaram 7,2% nos primeiros cinco meses deste ano. Foi melhor no varejo especializado - lojas de eletroeletrônicos, computadores e informática, veículos, materiais de construção: alta de 12,5% no volume de vendas. ara os analistas da Serasa, estes significativos índices de crescimento das vendas do varejo O que explica isso?
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Ganhos de renda (os rendimentos pessoais estão crescendo na faixa de 5% reais ao ano, conforme o IBGE), aumento do número de ocupados e, muito especialmente, a explosão do crédito pessoal. Não por acaso, as vendas que mais sobem são de automóveis, eletrônicos e computadores, que dependem de crédito.
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No caso dos automóveis, por exemplo, 85% das vendas são no crediário.

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Bush e Blair terminam com aliança política e pessoal

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, dois aliados que marcaram a política internacional nos últimos anos, despediram-se nesta quinta-feira.
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“É um momento nostálgico para mim. Lamento que tenha chegado, mas assim é a vida”, declarou Bush, lembrando do aliado estrangeiro que mais confiou politicamente.Blair foi mais cauteloso e não fez referências pessoais ao presidente dos EUA, talvez porque a imprensa britânica tem o criticado muito por sua ligação com Bush. Com o fim da aliança, o republicano fica praticamente sozinho no cenário internacional.

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A tangerina na guerra das águas
Lauro Jardim, Radar, Veja online

A AmBev lança na semana que vem, inicialmente apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo, um novo sabor do H2OH!. Agora, será a vez do limão/tangerina. Lançado em setembro, o H2OH! limão é um refrigerante levemente gaseificado e sem açúcar. Mas é vendido como se fosse uma água com sabor. Virou sucesso de público rapidamente: na Grande São Paulo, por exemplo, já vende mais do que a Coca Cola Light.
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A reação da Coca
Apanhada no contrapé, a Coca-Cola só conseguiu reagir à altura no mês passado: relançou com forte campanha publicitária a Aquarius, a sua água com sabor. A Aquarius sabor limão, aliás, tem uma embalagem que lembra a da AmBev. A Coca acredita no potencial de seus distribuidores para virar o jogo.
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A guerra continua
Como o nicho de mercado tem se mostrado promissor, todos apostam: outros sabores virão.

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Estatais investem menos do que a meta
Do Jornal do Brasil

"As empresas estatais executaram só 22,7% dos investimentos previstos para o ano no primeiro quadrimestre, menos do que a meta fixada para o período entre janeiro e abril, de 33,3% do total. Segundo levantamento realizado pela Associação Contas Abertas a pedido deste jornal, as estatais investiram R$ 11,3 bilhões nos quatro primeiros meses, mas o objetivo era desembolsar R$ 16,6 bilhões. Em 2007, as estatais têm autorização para investir R$ 49,8 bilhões."

Lula defende Vavá e critica a mídia

Jornal do Brasil

"Todos são inocentes até prova em contrário." A afirmação - óbvia ao repetir uma regra básica do direito - foi feita ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na primeira entrevista concedida no Brasil depois de seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, ser indiciado na esteira da Operação Xeque-Mate da Polícia Federal. Lula disse acreditar na inocência do irmão. Reforçou o discurso segundo o qual Vavá - que teve os sigilos fiscal e bancário quebrados ontem pela Justiça de Mato Grosso do Sul - não tem capacidade para fazer lobby.

Falando em um hotel em São Paulo, Lula não poupou críticas à Polícia Federal pelo vazamento de informações que, segundo ele, são sigilosas "só para a Justiça". Além disso, disparou contra a imprensa, acusando-a de "escrachar" e condenar pessoas que ainda nem foram julgadas pelo poder competente - o Judiciário. Lula também defendeu as investigações da Polícia Federal, mas disse que as divergências internas - motivadas por disputas recentes pelo comando da corporação - não podem colocar em risco o trabalho de combate à corrupção em curso.

- Não cabe a um delegado passar para a imprensa (informações sigilosas). As pessoas vão sendo execradas sem poder se defender - disse o presidente. - Sou republicano e acho que estamos fazendo a apuração correta.

Lula afirmou ser a favor das investigações. Acrescentou que quem errou tem de pagar pelo que fez e frisou que quem não quer se aborrecer com as investigações que não se envolva com a ilegalidade.

- Quero que o processo siga um curso normal, com tranqüilidade e que a Justiça cumpra o seu papel.

Segundo o presidente, uma investigação deve seguir todas as etapas previstas em lei. Ou seja, depois da acusação, deve-se esperar o pronunciamento do Ministério Público e, posteriormente, a sentença judicial.

- Até prova em contrário todos são inocentes.

Lula mandou um recado para os que tentam utilizar seu nome para fazer lobby no governo. Disse que na família Silva, e entre os amigos e correligionários, todos saberiam que, como presidente da República, não faz favores a ninguém no governo.

- Não tem favor para irmão, amigo ou adversário - sentenciou o presidente.

Lula recusou-se a entrar em detalhes sobre a utilização de grampos como método de investigação pela Polícia Federal.

- Um presidente não pode ficar respondendo sobre telefonemas - disse Lula, pedindo paciência aos jornalistas. - Acho que é melhor esperar a investigação correta. Os que forem culpados serão punidos.

O presidente prometeu que não passará a mão na cabeça de ninguém: "Quem errou tem de pagar pelo erro que cometeu".

Ao chamar a atenção para a possibilidade de se cometer injustiças com vazamento e divulgação de informações, Lula lembrou o caso do ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, que pediu exoneração quando seu nome apareceu no noticiário sob a suspeita de ter recebido uma propina de R$ 100 mil da Construtora Gautama. O presidente voltou a pedir que as investigações sejam corretas, criteriosas e exortou os jornalistas presentes que prestem atenção "ao momento que vivemos" e que tomem cuidado com o que escrevem.

De acordo com Lula, por trás das denúncias e da ampla divulgação, há interesses que não quis revelar. Ressalvou, no entanto, que a ele "não cabe o papel de vítima".

COMENTANDO A NOTÍCIA: Ninguém está incriminando ninguém. A imprensa apenas está fazendo e cumprindo o seu papel de informar. Porém, não é pelo fato de Vavá ser irmão do Presidente da República que ficará mune ao noticiário se a ele der motivos. Como agora. Além disto, as informações que têm sido passadas para a imprensa vem de órgãos de investigação do próprio governo. Portanto, ninguém está inventando notícia. Outra coisa é se os vazamentos de informações são falsos, ou estão sendo usados como moeda de troca para a obtenção de vantagens salariais. Neste caso, isto é assunto que o governo deve resolver. Não cabe a imprensa ser fiscal dos auxiliares do presidente. Ela faz aquilo que está sendo entregue a ela: dar conta da informação. Se Vavá é inocente ou não caberá a justiça julgar. Porém, seria conveniente que Lula não se irritasse tanto com a imprensa, já que desde 2005 os fatos da ação de seu irmão agindo como lobista ou exercendo tráfico de influência são bastante convincentes e já mereciam uma investigação mais séria e há mais tempo. Também é bom que Lula se dê conta de um detalhe: enquanto a polícia federal só acusa os outros merece elogios, mas quando o assunto bate na porta da casa do presidente, aí ela merece censura ? Dois pesos e duas medidas ?

Impressionante: país tem 260 mil ONGs

Pedro do Coutto, Tribuna da Imprensa
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Ainda que pareça incrível, na realidade o Brasil tem nada menos que 260 mil ONGs funcionando, ou fingindo funcionar, mas a maioria recebendo verbas públicas, tanto federais quanto estaduais e municipais. Não deve constituir exagero dizer que, em diversos casos, ONGs recebem simultaneamente nas três escalas. O panorama geral encontra-se revelado em pesquisa organizada pelo economista Filipe Campello, que trabalha na assessoria parlamentar da Alerj.

Recorreu ao site CMI Brasil, à matéria da jornalista Isabel Clemente, Revista Época, edição de 03/06/2006, ao site Contas Abertas, ao Globo On Line de 22 de novembro do ano passado. E também a levantamento feito pelo Tribunal de Contas da União. De 2002 a 2006, portanto no curto espaço de quatro anos, o número de ONGs passou de 22 mil para 260 mil. O Tribunal de Contas assinalou quem neste período, houve um crescimento da ordem de 1180 por cento. Por que, de repente, surgiram tantas entidades dispostas a se sacrificar pessoalmente e crias tantas Organizações Não Governamentais?

Tem que haver explicação lógica, caso contrário, estaríamos diante do maior fenômeno de filantropia de toda história universal. Evidente que não se pode acreditar nisso. Ninguém analisa fatos políticos ou administrativos se não levar em conta o ângulo da economia. Mais ainda, se não considerar a ponte que liga as administrações públicas ao mundo dos negócios. A beneficência existiu em nosso País em outras épocas que ficaram no passado.

Hoje em dia, as pessoas, mesmo as de renda alta, não têm tempo para se dedicar à filantropia. Durante quatorze anos, de 76 a 90, fui diretor da antiga LBA. Tomei contato com uma série de entidades que se apresentavam como filantrópicas, e de fato eram, mas dependiam das verbas relativas a convênios que mantinham com a Legião Brasileira de Assistência.

Agora, não tem o menor cabimento que existam 260 mil ONGs, uma para cada grupo de 700 habitantes. Os números falam por si. Não entra na cabeça de ninguém. Tal proporção não possui a menor lógica. Além do mais, pergunto eu: como é possível que Organizações Não Governamentais possam resolver, ou pelo menos equacionar, problemas governamentais? O próprio nome de tais organizações define aparentemente tudo. Mas não o que está por trás do fenômeno brasileiro, que merece registro no Guiness Book, livro dos recordes.

A quanto montam os recursos públicos que lhes são repassados e quais os serviços que efetivamente prestam? No Rio de janeiro, o deputado Gerson Bergher, do PSDB, enviou requerimento de informações ao governador Sérgio Cabral. Inclusive para saber qual a parcela do orçamento estadual percebida pelas ONGS que operam no território carioca e fluminense. Um dos campos dessa atividade refere-se à terceirização. Não podendo, pela Constituição federal, fazer admissões sem concurso público, as administrações, não só do RJ, recorrem a ONGS.

Estas contratam mão-de-obra e colocam à disposição do poder público. Claro, recebem intermediação pela tarefa. O que é contraditório, pois sairia muito mais barato aos governos fazerem a contratação direta pela CLT. Inclusive porque, pela mesma Consolidação das Leis do Trabalho, se as ONGS não recolherem as contribuições a que se encontram, obrigadas para o INSS e FGTS, o Estado terá que fazê-lo. Logo existe configurada a figura legal da responsabilidade solidária.

Mas, sem dúvida, o lobby das ONGS é forte. Tão forte que elas cresceram, no País, de 22 mil para 260 mil em quatro anos, como vimos no início deste artigo. Porém, há casos em que a atividade não se limita à contratação de pessoal. E sim à de serviços, incluindo cursos profissionalizantes, como aconteceu com a Fesp, no início do governo Rosinha Garotinho.

Os contratos relativos a cursos profissionalizantes foram denunciados com amplo destaque pelo" Jornal do Brasil". A governadora demitiu - temos que reconhecer - a diretoria da Fundação Especial de Serviço Público. Sobretudo porque os cursos "profissionalizantes" contratados nada tinham a ver com a administração pública. No fundo, não se destacam apenas exemplos emblemáticos. É fundamental que o Tribunal de Contas da União e os tribunais de contas dos estados façam um levantamento eficaz do que é pago às ONGs em todo o Brasil. São muitos bilhões de reais por ano.

O que fazem concretamente as ONGs que os poderes públicos não posam fazer diretamente? É indispensável medir o que é pago e o que é realizado em contrapartida. Se não for feito isso, o País afunda no mar de uma falsa benemerência, e no redemoinho de uma dedicação voluntária só de fachada.

Arruaceiros do MST afrontam estado de direito democrático

por Aluízio Amorim , Blog Diego Casagrande
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Preparem-se. Os neoluditas do MST vêm aí com toda a força. Basta ver o monte de idiotices que proclamaram na abertura do congresso que realizam em Brasília, com direito à presença de um Ministro de Estado e, como não poderia deixar de ser, do Senador Eduardo Suplicy, nos atos de abertura.
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A chefe nacional desse movimento de arruaceiros, identificada como Marina dos Santos, mandou ver, avisando que “este congresso será um marco da luta contra as "políticas neoliberais" desse governo. Ela defendeu um projeto "popular e revolucionário" que resolva os problemas do País e criticou a imprensa, que chamou de "servil".
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Como se vê, a questão fundiária há muito tempo deixou de ser a bandeira do MST. Essa organização que é ilegal, embora amealhe recursos públicos através de ONGs, partirá para o confronto com empresas agrícolas e, particularmente, contra investimentos que vêm do exterior.
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Para consecução desse plano absurdo poderá repetir ações neoluditas, como aquela que destruiu o laboratório da Aracruz, no ano passado no Rio Grande do Sul, sem contar a depredação de grandes lavouras. Investiram contra o que qualificaram de “deserto verde” o providencial reflorestamento com eucaliptos e pinus. Ora, sabe-se, por exemplo, que a indústria moveleira, que produz todos os tipos de móveis, dos mais comuns aos mais sofisticados, vale-se de madeira de reflorestamento, portanto, as camas, mesas e cadeiras que os “companheiros” usam no seu dia-a-dia.
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Este é o “projeto popular e revolucionário” ao que o bando se refere. Destruir reflorestamentos e afugentar investimentos dos quais o país necessita para se desenvolver e criar empregos. E, para concluir, a líder sem terra assacou contra a imprensa. Talvez porque seja analfabeta. Se lesse os jornalões veria quanta condescendência há em relação ao MST. Aliás, nesta terça-feira com toda certeza a abertura do congresso estará na primeira página dos jornais e no noticiário das televisões.
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Marina cumpre o seu papel que é agitar. Ela sabe que as redações estão coalhadas de jornalistas petralhas, muitos ingênuos, que adoram uma matéria com “sem terra” e com pobrismos de todos os calibres. Sabe também que os políticos da oposição não fedem nem cheiram.
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O certo é que MST se transformou num movimento político. Não tem mais nada a ver com problema de terra, já que os assentamentos vêm sendo realizados. Hoje não passa de um braço armado do PT que, juntamente com a CUT, está sempre de prontidão para atacar.
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Lembram da última eleição? Em várias ocasiões, quando o clima da campanha esquentou para cima de Lula, por conta dos escândalos que começaram com o mensalão, líderes da CUT e do MST ameaçaram colocar seus bandos na rua. Qualquer ação oposicionista era qualificada de “golpe”.
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E, finalmente, não tiveram sequer preocupação em dissimular seus planos insidiosos. Recolheram-se estrategicamente e pararam de invadir propriedades privadas para não prejudicar a campanha do “companheiro” Lula.
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Passada a refrega eleitoral estão aí deitando falação e ameaçando deflagrar um projeto “revolucionário”. E tudo isso com a complacência do governo que envia um Ministro e um Senador de seu partido a esse congresso espúrio, sinalizando que concorda com a clara ameaça ao estado de direito democrático.

O nó da reforma política

Editorial Estadão

Passado um decênio desde que o Congresso dela começou a se ocupar e quatro anos depois da aprovação de um projeto de reforma política numa comissão especial da Câmara, a matéria deverá finalmente ser votada em plenário esta semana - a menos que o desacordo entre os parlamentares, em especial no PT, quanto ao principal item da proposta acabe mantendo a questão no limbo. O foco da discórdia incide sobre a mudança do sistema eleitoral. Pretendendo dar fim a uma tradição que remonta à Independência - a de se votar em nomes para a composição das casas legislativas -, o projeto implanta o sistema de listas partidárias fechadas nos pleitos para vereador, deputado estadual e federal. A mudança gera controvérsias não apenas entre os políticos, mas também entre os estudiosos da política.
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Assim como acontece na maioria absoluta das democracias que adotam o sistema proporcional, o eleitor passaria a votar em partidos e não mais em candidatos individuais. A fórmula vigente no Brasil é adotada por muito poucos países, como Chile, Peru, Polônia e Finlândia. Calculado o número de cadeiras a que cada partido tiver direito em função do total de sufrágios recebidos, elas serão ocupadas conforme a posição dos candidatos na lista. Assim, se uma agremiação fizer jus a uma bancada de 30 representantes, ela será formada pelos 30 primeiros nomes da sua relação. Naturalmente, o eleitor saberá, antes de votar, quem são e que lugar ocupam nas respectivas listas os candidatos de cada legenda - uma coisa e outra decididas em convenções. Para os críticos, isso dará aos chefes partidários um poder descomunal.
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Os defensores da inovação retrucam que, no sistema atual, eles já detêm esse poder na escalação das chapas e na escolha dos candidatos que aparecerão mais do que os outros no horário eleitoral. Confiam também em que a mudança, com o tempo, contribuirá para a democratização da vida partidária, enfraquecendo, em vez de fortalecer, as caciquias que as controlam. A questão - como todas as demais referentes ao sistema político, partidário e eleitoral - é complexa por uma razão essencial e incontornável: todo sistema é um cobertor curto. E freqüentemente não há consenso sobre as vantagens e desvantagens de um modelo existente, em comparação com aquele que poderá substituí-lo. Nem tampouco sobre os efeitos de determinada mudança para as demais regras do jogo.

O sistema de listas abertas tem males de sobejo, ainda mais quando acompanhado das coligações que nutrem as legendas de aluguel, estimulando a fragmentação partidária, e distorce a intenção do eleitor - que vota no candidato A do partido X e elege, sem saber, o candidato B do partido Y a ele coligado. (O projeto de reforma limita as coligações aos pleitos majoritários.)
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A personalização da escolha eleitoral - e inumeráveis eleitores logo esquecem em quem votaram para o Legislativo - instaura a custosa guerra de todos contra todos em cada partido, favorecendo a corrupção eleitoral; leva os vitoriosos a se imaginar donos dos seus mandatos e livres para fazer com eles o que bem entenderem; e ainda obriga os governantes a negociações no varejo para prevalecer no Legislativo.
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É verdade que o padrão em vigor tende a favorecer a renovação política, muito mais do que a alternativa proposta. O sistema de lista fechada abre a possibilidade de os atuais legisladores terem o privilégio de encabeçar as listas partidárias, cristalizando oligarquias parlamentares. Eis por que os adversários da mudança argumentam que ela praticamente instituirá a prorrogação dos mandatos. É inegável, de outra parte, que o voto em chapa fortalecerá o sistema partidário e que, sem ela, como sustenta o deputado goiano Ronaldo Caiado, do DEM (ex-PFL), relator do projeto de reforma, as outras medidas perderão a razão de ser - notadamente o também polêmico financiamento público exclusivo das campanhas. De fato, isso só fará sentido se os destinatários dos recursos forem os partidos e não os candidatos.
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Também a fidelidade partidária depende do ponto-chave da reforma. A rigor, só o voto em lista travará as portas giratórias das bancadas, pois o parlamentar que largar o partido que o elegeu será substituído pelo primeiro dos suplentes - e o infiel perderá o assento.

Lula estabelece mais um recorde

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

O jornalista Ruy Castro navegava distraidamente pela internet quando localizou, nas águas da Wikipédia, uma "lista de escândalos de corrupção no Brasil". Ao conferir o achado, topou com uma relação de 222 episódios ocorridos entre 1974, no início do governo Ernesto Geisel, e a primeira quinzena deste junho, já na segunda etapa da era Lula.

Na edição do dia 11, o colunista da Folha de S.Paulo divulgou as marcas alcançadas pelos sete servidores da nação. A competição é liderada por Luiz Inácio Lula da Silva, com 101 ocorrências. Vai superar o recorde com a entrada da Operação Xeque-Mate na procissão de pecadores, que ainda exibe no último andor a Operação Navalha.

Com bom desempenho, mas longe do campeão, aparecem em seguida Fernando Henrique Cardoso (44 pontos), Itamar Franco (31), Fernando Collor (19), Ernesto Geisel (10), João Figueiredo (11) e José Sarney (seis). No acervo de Sarney, ressalvou Ruy Castro, não figura a farsa da licitação para as obras da Ferrovia Norte-Sul, desmascarada pelo jornalista Jânio de Freitas. Outra omissão relevante suprime do legado de Figueiredo a bomba detonada no estacionamento do Riocentro por terroristas fardados.

Nas páginas reservadas aos governos militares, o autor do levantamento ignora a fronteira que separa casos políticos e casos de polícia. As ocorrências do governo Geisel, por exemplo, misturam o Caso Atalla e o Caso Lutfalla - genuínos monumentos à corrupção erguidos por bandos de figurões federais, políticos ladrões, mafiosos no comando de partidos, caciques regionais e empresários bandidos - com assassinatos hediondos (Caso Vladimir Herzog e Caso Manoel Fiel Filho) ou projetos políticos que mudariam o país para melhor, como "a abertura política".

Tais falhas se tornam desprezíveis diante da relevância de constatações reafirmadas, com minúcia e consistência, pela lista da Wikipédia. Na ditadura ou na democracia, seja o presidente militar ou civil, rouba-se muito no Brasil. As quadrilhas federais sempre encontraram meios de saquear os cofres públicos. Pecam sem remorso, violam as leis sem sobressaltos por saberem que a impunidade aqui prevalece desde o desembarque da primeira caravela.

A leitura da lista avisa que as coisas vão mal: a turma toda está por aí, gastando fortunas tungadas do povo. E confirma que, no Brasil, o que está ruim sempre pode piorar. A Polícia Federal passou a investigar e prender com competência e rigor, dirão os devotos de Lula. Mas ninguém é condenado, replicam os fatos. Nem mesmo amigos e parentes do chefe escapam da mira dos investigadores, lembrarão os bons companheiros. Está provado que Lula não tem nada com isso.

Ele nunca sabe de planos criminosos em andamento. Consumados, exige provas. Confrontado com montanhas de evidência, avisa que espera a decisão da Justiça. Mas absolve liminarmente meliantes de estimação.
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Foi assim com José Dirceu, Antonio Palocci, Delúbio Soares, Silvio Pereira, José Genoino, João Paulo Cunha, Severino Cavalcanti e tantos outros mensaleiros. Foi assim com o tesoureiro portátil Paulo Okamotto, o churrasqueiro particular Jorge Lorenzetti, o padroeiro Roberto Teixeira. E assim sempre será: Lula é amigo dos amigos.

É também homem de família, e por isso reage com desdém ou indignação a histórias mal contadas envolvendo doações em dinheiro que beneficiaram parentes próximos. Foi assim com a filha Lurian e o filho Lulinha. Assim tem sido com o irmão Vavá, que transformou carteira de identidade em gazua.

O Brasil inteiro sabe disso há dois anos. Menos Lula.

TOQUEDEPRIMA...

Vavá 'vendia favores' a empresário, diz PF
Veja online

O irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Genival Inácio da Silva, recebia dinheiro para prestar favores a um empresário do ramo de jogos suspeito de ser o chefe do esquema investigado pela Operação Xeque-Mate. A informação foi divulgada na noite de quarta-feira pela Polícia Federal, que conduz a apuração do caso. De acordo com a PF, o irmão de Lula não conseguiu atender os pedidos do empresário Nilton Cezar Servo, detido na terça-feira.

Os responsáveis pela investigação dizem que Genival, o Vavá, recebia entre 2.000 e 3.000 reais de Servo e prometia benefícios e vantagens ao empresário em órgãos do governo. Os delegados não revelam quais interesses eram defendidos pelo irmão de Lula e onde ele tentava atuar. A PF deixa claro, porém, que Vavá não levava adiante as promessas - que, segundo os agentes, ele não era capaz de cumprir.

Na segunda-feira, o irmão do presidente foi indiciado sob suspeita de tráfico de influência no governo e exploração de prestígio na Justiça. A PF pediu a prisão de Vavá, mas a Justiça não aceitou o pedido - interpretou que não havia comprovação do tráfico de influência. De acordo com reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, a PF começou a investigação por Servo, e daí chegou a Vavá, que também passou a ser investigado.

Escutas - Nilton Cezar Servo prestou depoimento na quarta, em Campo Grande. Apontado pela PF como um dos líderes da máfia dos caça-níqueis, ele manteve contato com Vavá até março deste ano, segundo as escutas telefônicas feitas pelos investigadores. Há cerca de dois anos, reportagem de VEJA mostrou que Vavá abrira um escritório para intemediar negócios entre empresários e o governo federal.

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Chega! Basta!
Blog do Noblat

Bem, se dessa vez o povo não for às ruas manifestar sua indignação, percam as esperanças. Ele jamais irá.

Vejam a notícia de onde O Globo tirou sua manchete de primeira página da edição deste domingo:

"A Polícia Federal gravou, durante a Operação Hurricane , ligações telefônicas que indicam o pagamento de propinas a jurados no desfile deste ano das escolas de samba do Grupo Especial. Um relatório da Divisão de Contra-Inteligência da PF, sobre indícios de manipulação do resultado, também revela que um pistoleiro seria usado pelo bicheiro Aniz Abrahão David, o Anísio da Beija-Flor, para pressionar jurados.

Apontado nas investigações como o principal tesoureiro da organização criminosa chefiada por Capitão Guimarães, ex-presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), e Anísio da Beija-Flor, Júlio Cesar Guimarães era o responsável pela escolha do corpo de jurados

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Presidente da OAB defende código de ética para magistrados

Cezar Britto, presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), defendeu nesta terça-feira um código de ética para os magistrados. "Não tenho dúvidas de que esse código chega em boa hora e com destino certo, em um momento em que alguns membros do Judiciário estão sendo questionados por atividades não-éticas", disse.
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Para o presidente da Ordem, todas profissões devem se guiar por orientações éticas, e os magistrados ainda mais, uma vez que a classe tem o dever de dar exemplo para terceiros. “Se a credibilidade é a razão de ser do próprio Judiciário, o código de ética tem essa demonstração clara: a de buscar a credibilidade por meio de uma orientação, pois o código de ética nada mais é do que isso: uma orientação geral para os membros de uma profissão”, declarou. O código de ética da categoria, que será discutido nesta terça pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), é alvo de críticas das entidades que a representam. Britto disse não entender a razão dos questionamentos ao código. "A punição só ocorre quando não se segue o código. Por isso não dá para compreender uma categoria, qualquer que seja ela, não querer ter um código a lhe orientar."

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Na pior das hipóteses, uma goleada
Da coluna Painel, na Folha de S.Paulo

"Do corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), para um grupo de colegas de Casa logo após a reunião do Conselho de Ética que decidiu pela abertura de processo contra Renan Calheiros (PMDB-AL): "O Renan provou que tem renda para sustentar até dez Mônicas".

Na mesma conversa, Tuma e os peemedebistas Valdir Raupp (RO) e Wellington Salgado (MG) fizeram uma projeção segundo a qual, hipoteticamente, se o pedido de cassação de Renan fosse ao plenário, o presidente do Senado seria absolvido por um placar de 78 a 3."

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Índio quer terra na Restinga de Marambaia

Cada uma das quase 200 famílias de descendentes quilombolas está reivindicando o equivalente a 70 Maracanãs de titulação de terras na paradisíaca Restinga de Marambaia, antigo entreposto do vergonhoso tráfico negreiro, no litoral do Rio de Janeiro. A região em Mangaratiba é uma das últimas áreas de manguezais e floresta da Mata Atlântica ainda intocadas e já recebeu FHC e Lula para temporadas de descanso. A Marinha, que cuida da área, reconhece o direito à ocupação, mas alerta para o risco de favelização do lugar, considerado de segurança nacional para proteção do porto de Sepetiba e das usinas nucleares de Angra dos Reis. O critério para definir o remanescente quilombola é da auto-declaração como descendente de negro fugido, os bravos que não aceitavam o torpe jugo do explorador branco. De 1538 a 1865, calcula-se que 15 milhões de escravos foram trazidos da África para o Brasil. Mas é bom lembrar que foram os índios os primeiros escravos no Brasil e que, antes da Marinha e dos quilombolas, Marambaia era terra de índio

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São Paulo está mais velha
Mauro Braga e Redação da Tribuna da Imprensa

Levantamento de indicadores demográficos, realizado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), mostra que a população de São Paulo é constituída, predominantemente, de velhos. Em 2006, o número de homens e mulheres com idade entre 0 a 29 anos era praticamente igual a soma do resto da população com mais de 30 anos. Em 1980, a faixa de paulistas com menos de 30 anos era quase o dobro.

A clássica pirâmide, tão ensinada nos colégios, com jovens na base e idosos no pico, não existe mais. "A representação gráfica está caminhando mais para um quadrado", diz Bernadette Waldvogel, gerente de indicadores e estudos populacionais do Seade. "Esses dados revelam que o Estado vem sofrendo um processo contínuo de desaceleração do ritmo de crescimento populacional."

Nos últimos 26 anos, a taxa de natalidade caiu pela metade. Antes, o índice calculado, por mil habitantes, era de 29 crianças nascidas. Hoje é de 15,50. As taxas de mortalidade subiram 18%. Era 6,96, na década de 80, e passou para 8,89, em 2006, em cada mil habitantes. (AE)

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MST ´pós-Lula´ volta a falar em revolução no País

José Maria Tomazela, Estadão online
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João Pedro Stédile diz que mudanças são possíveis se ´as massas forem para as ruas´; movimento promove 5º Congresso Nacional com 18 mil participantes

BRASÍLIA - Dois dos principais dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) voltaram a falar em mudança de poder no País, mesmo faltando mais de um ano para terminar o governo do seu antigo aliado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O líder nacional João Pedro Stédile disse que as mudanças são possíveis se "as massas forem para as ruas".

Segundo o líder, o MST acumula forças e espera o momento em que o povo brasileiro volte a se mobilizar. "Estamos num momento de descenso do movimento de massa, mas um dia vai haver uma reação." Stédile traçou um quadro propício para a mobilização popular, mas acusou o governo Lula de "abafar" os efeitos da crise. "No meio do povo, a crise está sendo maquiada com o programa Bolsa Família."

Depois de analisar os momentos de crise e de mobilização vividos pelo País nas últimas décadas, concluiu que o momento é de acumular forças. "Mobilização sem crise econômica é muito difícil." No mesmo evento, o 5º Congresso Nacional do MST em Brasília, o dirigente nacional Gilmar Mauro disse que o movimento vai construir um novo ciclo "que ajudará que tenha uma revolução no Brasil".

Dirigindo-se a mais de 10 mil sem-terra que lotavam o ginásio Nilson Nelson, disse que não se fará reforma agrária sem mudar o poder no País. "O futuro da revolução brasileira depende de nós." E resumiu a missão do MST: formar militantes para fazer a reforma agrária e estimular as classes operárias, as periferias e os morros para mudar o País.

Fracasso da reforma agrária
Em conversa com jornalistas, Stédile reconheceu que o modelo de reforma agrária "resultado de 20 anos de lutas" fracassou. Ele comparou os assentamentos a um "quadrado burro" e disse que a maior parte foi feita na Amazônia Legal, contribuindo para o desmatamento. O novo modelo, que está sendo discutido no congresso, prevê agrovilas próximas de centros urbanos para escoar a produção. "Tem de ser combinado com pequenas agroindústrias para se tornar sustentável."

Ele acusou Lula de ter descumprido compromisso assinado durante a marcha nacional em 2005, de liberar R$ 100 milhões para agroindústrias. O MST não vai parar de fazer ocupações e pressionar para conseguir terra, mas terá novas formas de luta principalmente contra o agronegócio. "Por exemplo, nosso sonho é desapropriar a usina Cevasa, da Cargill, na região de Ribeirão Preto (SP). Como não temos forma de desapropriar, vamos ocupar por um dia", exemplificou.

Ele disse que o movimento cresceu em número de militantes e importância para a sociedade, mas precisa extrapolar sua pauta, buscando interferir na política econômica. "Não vamos virar um partido político."

Depois de criticar a "grande imprensa", disse que o MST pretende construir uma rede de rádios para chegar às massas. O líder disse ter indicativos de que a sociedade apóia o movimento. Defendeu a união das forças de esquerda, mas disse que o MST não tem o poder de ser o "padrinho".

Anunciou um plebiscito para a Semana da Pátria, no qual serão colocados temas como a reestatização da Companhia Vale do Rio Doce, o alto custo da energia elétrica e a questão do emprego. Stédile fala aos militantes sobre o agronegócio como um projeto da classe dominante. Outro palestrante, Plínio de Arruda Sampaio, vai abordar a história da reforma agrária. O congresso se encerra nesta sexta-feira.

Escolinha do MST ensina a "ocupar e enfrentar"

Tribuna da Imprensa

Sob a lona, um grupo de 28 meninos e meninas repete um refrão que ensina a "ocupar toda terra improdutiva, resistir com organização e enfrentar para não sair" É hora de aula na Escola Itinerante Paulo Freire, do Movimento dos Sem Terra (MST), montada no acampamento do 5º Congresso Nacional, em Brasília. As crianças são estudantes de 8 a 10 anos e acompanham os pais no evento.

Ali, enquanto os adultos discutem as formas de pressão para fazer andar a reforma agrária, meninos e meninas são preparados para a "luta". Segundo o MST, o movimento tem duas mil escolas públicas em seus acampamentos e assentamentos, onde estudam 160 mil crianças. Também já formou mais de 4 mil professores. Entre os que atuam na escolinha itinerante, muitos preferem ser chamados de "educadores", já que, segundo o MST, nem todos têm o diploma de professor.

A pequena Maurally Fernandes, de 8 anos, canta o refrão sem saber ainda o que significa. "Estou aprendendo a cantar, mas quero pintar." Ela é de uma das filhas de Adenilson Pereira Souza, assentado em São Mateus, interior do Espírito Santo, e cursa a segunda série do primeiro grau.

Maria Cristina Vargas, integrante do setor de educação do MST, disse que as aulas na escola itinerante são dadas de forma "mais lúdica e dinâmica". Ter escolas próprias foi uma forma de aproximar o ensino da realidade das crianças assentadas e acampadas. "Elas precisam entender o que os pais fazem e falam " Nas escolas das cidades, alega, há preconceito contra os alunos sem-terra.

Para o MST, os camponeses têm o direito de construir seu projeto de escola, por isso o movimento passou a discutir que tipo de escola queria. Uma das constatações foi de que o processo de "formação" dos militantes esbarrava na falta de escolaridade. Muitos não sabiam ler ou interpretar as cartilhas do movimento.
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Um levantamento mostrou que, em alguns Estados, como o Maranhão, o índice de analfabetismo entre assentados e acampados com mais de 12 anos chega perto de 50%. Segundo Cristina, mais de 50 mil aprenderam a ler e escrever nos últimos dois anos. Amanhã, o MST lança uma campanha nacional com o lema "todas e todos sem terra estudando". Assentados e acampados irão identificar os analfabetos para encaminhar aos cursos de alfabetização.

Conselho de Ética descarta ouvir jornalista

Folhapress

O presidente do Conselho de Ética do Senado, Sibá Machado (PT-AC), descartou ontem ouvir o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a jornalista Mônica Veloso no processo sobre suposta quebra de decoro parlamentar por parte do peemedebista. Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para pagar aluguel e pensão a Mônica, com quem tem uma filha fora do casamento.
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A afirmação de Sibá ocorreu após reunião com o relator do processo no Conselho, Epitácio Cafeteira (PTB-MA). "Acho que ele [Renan] já disse de público [o que era necessário]. É o suficiente. Não tem mais o que acrescentar", afirmou Sibá. "A Mônica não deve ser ouvida. Ela não pode responder à representação do PSOL. O que importa agora são os documentos", disse.

Sibá marcou para hoje uma reunião do Conselho na qual pretende definir os procedimentos relativos ao processo contra Renan. O presidente do Senado é acusado pelo PSOL de quebra de decoro parlamentar.

Silêncio
Segundo o presidente do Conselho, Cafeteira não quis adiantar nada do que já analisou dos documentos que tem em mãos. À imprensa, para justificar seu silêncio, depois de receber os documentos da Corregedoria Geral do Senado e também da defesa de Renan, o relator mandou distribuir uma cópia do do regimento do Conselho de Ética, que diz: "Os membros do Conselho deverão, sob pena de imediato desligamento e substituição, observar a discrição e o sigilo inerentes à natureza de sua função".

Cafeteira está isolado em seu gabinete analisando os documentos contidos em três pastas documentos e um envelope. Ele pediu para não ser interrompido a não ser em casos excepcionais. Ele alega precisar de concentração para analisar o material sobre o processo, segundo informou sua assessoria.

Depoimentos
Apesar da posição de Sibá descartando os depoimentos de Renan e Mônica, o PSOL pretende apresentar hoje no Conselho de Ética do Senado um requerimento solicitando que sejam ouvidas, pelo menos, dez pessoas envolvidas nas denúncias. Para o líder do partido, Chico Alencar (RJ), é fundamental tomar os depoimentos da jornalista e do lobista.

"Não ouvi-los, seria um pré-julgamento a partir das explicações apresentadas pelo senador Renan Calheiros", afirmou Alencar. "Não queremos o arquivamento sumário do processo." Porém, para Sibá, não há necessidade de ouvir Gontijo - cujo depoimento foi prestado à Corregedoria Geral do Senado. Na opinião do petista, durante seu depoimento, o lobista nada acrescentou às investigações.

Explicações
Segunda-feira, o presidente do Senado se antecipou e entregou sua defesa ao Conselho de Ética da Casa. A pedido do senador, seu advogado Eduardo Ferrão entregou a Cafeteira, em mãos, duas pastas de documentos, incluindo todos os detalhes que julgou necessário para análise do processo.
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A idéia de Renan é tentar retomar sua rotina anterior às acusações: com despachos habituais e conduzindo as sessões no plenário. De acordo com pessoas próximas ao presidente do Senado, outra intenção dele é evitar tocar no assunto e quando for abordado sobre o tema responder com os argumento anteriores - em que negou ter usado recursos da Mendes Júnior para pagar Mônica.

Votação da reforma política começa amanhã

A Câmara inicia amanhã,13/6, a votação da proposta de reforma política. Cada item será analisado em separado, nominalmente.

O primeiro assunto a ser votado será o voto em lista fechada nas eleições para vereador, deputado estadual e federal. Pelo modelo atual, os eleitores votam no candidato de sua preferência. Com a mudança, o eleitor passará a votar numa lista de deputados definida pela direção da legenda. Se o partido tiver direito a dez vagas na Câmara, por exemplo, assumem os primeiros dez dessa lista.

Quem é favorável, diz que o projeto dará mais poder à legenda e enfraquecerá as oligarquias. Quem é contra, diz que o partido terá um poder gigantesco ao definir quem serão os primeiros da lista.

Nessas divergências, não há partido que tenha chegado a um consenso sobre o assunto. A maioria dos deputados do PT, PSDB, DEM e PMDB são favoráveis. Nos partidos menores, a tendência é oposta.

O segundo item a ser votado é o financiamento público de campanha. Seriam destinados R$ 7 por eleitor para os partidos. E as legendas usariam esse dinheiro para as campanhas de todos os candidatos. Nenhum candidato poderia receber um centavo de empresas privadas, como acontece hoje.

Depois desses dois pontos, que são os mais polêmicos, serão encaminhados os demais, como fidelidade partidária, que impedirá que um deputado eleito mude de partido assim que se eleger, fim das coligações para eleições para a Câmara e extinção da reeleição.

Como os temas são polêmicos, a votação não deve ser concluída em um dia ou uma semana. Alguns líderes afirmam, inclusive, que amanhã a sessão será destinada apenas a debates. E que a análise das propostas vai se alongar pelas próximas semanas.

TRAPOS & FARRAPOS...

Reforma equivocada, pacote do nada e um Congresso nulo.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
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Reforma política antecipada
Os fatos atropelaram a reforma política que andava pelas caronas e com interesse de ser deflagrada pelo governo e pelo Congresso. Porém, com tanta operação da Polícia Federal saindo pelo ladrão, envolvendo gente graúda de todos os poderes, a elite política achou que era hora de tomar duas providências: a primeiras, a de dificultar investigações. Iniciou-se um chororó medonho contra a Polícia Federal, se estuda impedir que o TCU “investigue” as agências reguladoras, estuda-se meios de que dificultar que se plante grampos de forma desenfreada. Aliás, a elite política tupiniquim não seria elite se primeiro não cuida-se de seus próprios interesses...

De outro lado, como querendo mudar o foco dos holofotes da mídia, e distrair a opinião pública, soltaram na praça a tão propalada reforma política que, pelo andar da carruagem promete muito barulho e nenhum resultado. E um dos pontos mais controversos, mas que a tendência atual se insinua com forte apelo por sua aprovação trata-se do chamado voto de lista. É uma traição a 126 milhões de eleitores. Não acredito que a maioria dos brasileiros até a próxima eleição, se dará conta da punhalada, até o momento em que for votar e notar e notar que lhe tiraram o direito de escolher o seu preferido. Que quem o escolherá será os próprios caciques mentecaptos que continuam a confundir e a trair o povo brasileiro para assegurar-se sempre presos ao poder, do que parece que a maioria consegue sugar fortunas inexplicáveis. Depois é o que se vê: um escândalo atrás do outro, sempre envolvendo a mesma raça de canalhas, e sempre no cometimento dos mesmos crimes: corrupção, desvio de dinheiro público para paraísos fiscais em suas conta pessoais. E o país que se dane, porque esta raça não tá nem aí para aquilo que realmente interessa ao país.

MST: 30 mil em Brasília. Pura pólvora
Cerca de 30 mil seguidores do MST estão em Brasília para, dizem seus líderes, discutirem reforma agrária. Normalmente, em ocasiões como esta, a reunião de tanta gente para protestar, gente que anuncia seu amor eterno à Venezuela e Cuba, gente que já depredou o próprio Congresso Nacional, gente que promete desfazer a união com o presidente Lula, e protestará justo contra ele que tem sido incansável em mantê-los impunes em dois crimes que mais caracterizam o movimento: aplicação irregular de dinheiro público, e invasão e depredação de prédios e patrimônios públicos e privados ! Pois bem, tanta gente assim, com tal apetite para a baderna, pode ser perigoso na capital federal. Qualquer deslize pode descambar para uma onda de arruação, ataques, agressões e violências de toda a sorte. Vamos rezar para que tudo seja feito do modo mais pacífico possível. O histórico não nos dá nenhuma segurança: o MST parece querer impor sua “revolução” a qualquer preço, e isto costuma sair do controle.

O interessante desta vez é sabermos da existência da escolhinha do MST, onde as crianças aprender a invadir terras e protestar. Português, Matemática, ou plantar arroz, feijão ou batata, parece não ser da prioridade dos “professores” do movimento. Para eles, é mais importante ensinar às crianças a decifrar o pensamento de Marx do que de conhecerem Machado de Assis ou Monteiro Lobato.

E não se vê ninguém do governo federal intervindo nesta escola de vigaristas, desordeiros e bandidos. E ainda querem depois terem moral para nos falar de segurança e combate ao crime organizado., como se este já não fosse o próprio governo aí instalado.

Quantidade de ONGs ou sugadores dos cofres públicos
Em seu artigo na Tribuna da Imprensa, Pedro do Coutto nos informa a existência de 260 mil ONGs atuando no país. Quer dizer, elas existem, estão aí para receberem as boas graças das verbas federais tão generosas, algumas recebem doações também da iniciativa privada. Sabemos de algumas que são bastante ativas, realizando trabalhos comunitários de grande relevo social. Mas a grossa maioria é picaretagem pura. Está demorando para a CPI das ONGs já aprovada ser instalada e iniciar seus trabalhos. Não que a CPI terá o dom de nos conta5r4 tudo o que se precisa saber. Mas certamente, alguma forma de regulamentação poderá sair dali para moralizar um pouco este contingente imenso de vigaristas, que existem apenas no papel, e cujos donos tem o único interesse de viver do dinheiro alheio.

Conselho de Ética. Ética ?
Conselho de Ética encarregado de apurar as acusações feitas ao senador Renan Calheiros informa que não irá ouvir o testemunha de Mônica Velloso. Não o considera essencial. Ou seja, o conselho acha que o principal pivô do Caso Renan não precisa ser ouvido. Então prá quê a farsa toda ? Por quê montou-se todo este circo ? A cada dia o Congresso por si só se anula e se enterra na lama da degradação. E que fique claro: contra a canalhice humana, não há reforma política que dê jeito. Quem transgride é o homem e não o sistema no qual ele se encontra.

CPI apagada
Enquanto isso, na CPI do Apagão Aéreo nenhum piol, nenhuma pergunta, nenhuma investigação sobre as irregularidades da INFRAERO, (e não são poucas). Ora se a Infraero é um dos agentes envolvidos na crise aérea, porque administra os aeroportos do país, onde tudo aconteceu, não investigar as irregularidades cometidas é assinar atestado explícito de conivência e impunidade à corrupção. Prá quê CPI ?

Oito anos de governo petista resultaram num estado do crime
O estado do Mato Grosso do Sul foi governado nos últimos anos por Zeca do PT. E de lá o que não cessa são as informações de toda a sorte de administração criminosa. Naquele estado se repetiu as mazelas que as administrações petistas fizeram e ainda fazem por todo o país, inclusive no governo federal. Recorde absoluto. No excelente artigo do Augusto Nunes do Jornal do Brasil ele nos relata os números desta quantidade recorde de malvadezas. E não se sabe até agora de nenhum indiciamento do senhor Zeca pela administração criminosa seja da máquina pública seja dos recursos, seja ainda da permissividade e tolerância para com o crime que rondava sob o manto oficial protetor de sua administração. Cadê o Ministério Público ? Cadê a Corregedoria Geral da União. Cadê a Polícia Federal ?

Pacote de nada
Ao estilo Lula de governar, Mantega em solenidade hoje, anunciou um pacote de medidas para aliviar os prejuízos que alguns setores da atividade industrial vem enfrentando por conta da valorização do real frente ao dólar. Cantou marra em desonerações e benefícios. Olhando-se o ta,l pacote, o que se vê é um nada para coisa alguma.

O que se diz ser desoneração é balela. Isto não é desoneração coisíssima nenhuma. Permitir a antecipação de créditos é reduzir o confisco praticado pelo governo com o tal parcelamento. Pergunta-se: qual o imposto foi dispensado, ou teve alíquota cortada pela metade ? NENHUM. Então, desoneração nenhuma. Nem sobre a folha de pagamento, promessa feita pré-pacote, ainda na fase de “estudos”.

Além do mais, ao impor limites para empresas com volume de 60 por cento da produção exportável, esqueceu as pequenas e médias empresas que sem incentivo algum ficarão alijadas de vez do comércio exterior, até porque são estas empresas que mais sofrem prejuízos por não terem o poder de barganha para obter melhores linhas de financiamento..

Na verdade, o governo não abriu mão de absolutamente nada. Tenta compensar o câmbio com dívidas em créditos mais baratos. Ora, o que o empresário menos quer é justamente endividar-se por conta de um câmbio fora da realidade e uma carga tributária vergonhosa. E nisso o governo não mexeu. Ou seja, foi um pacote de nada. Inútil.

TOQUEDEPRIMA...

Zeca do PT acusado de conivência com bingos e caça-níqueis
De O Estado de S.Paulo

"A tolerância com a jogatina em Mato Grosso do Sul, alvo principal da Operação Xeque-Mate, teve respaldo em uma lei estadual e uma contratação feita pelo governo Zeca do PT, em seu primeiro mandato (1999-2002). A informação é do delegado Marcelo Vargas Lopes, da Polícia Civil, que depôs ontem no inquérito sobre corrupção, contrabando, formação de quadrilha, tráfico de influência e exploração de prestígio envolvendo 79 empresários e lobistas, incluindo Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Dario Morelli Filho, amigo e compadre do presidente.

“Bingo e caça-níquel não era uma política de repressão de segurança pública, mas uma política de governo”, declarou Vargas. O delegado é citado nos grampos feitos pela Polícia Federal, com autorização da Justiça. Ele atribui as menções ao seu nome à “raiva desse povo”."

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Compadre de Lula pagava propina a policiais, diz PF
Da Folha de S.Paulo

"Relatório da Polícia Federal que integra a Operação Xeque-Mate, desencadeada na semana passada em Mato Grosso do Sul e São Paulo, aponta que Dario Morelli Filho, militante do PT e compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, "é o responsável por fazer o pagamento de propina aos policiais corruptos" em Ilhabela (SP).

Segundo a PF, "em contrapartida, os policiais não reprimem a atividade ilícita de exploração de jogos de azar".

Morelli está preso em Campo Grande (MS) junto com outros suspeitos, entre os quais, Nilton Cézar Servo, com quem dividiria a propriedade da sala de Ilhabela, chamada de "Deck Vídeo Bingo". A empresa, registrada, segundo a PF, em nome de um "laranja", rendia diariamente R$ 1.000 para Servo e Morelli, segundo gravações de conversas telefônicas."

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FHC afirma: “Ou recuperamos a decência, ou não há o que fazer”

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta segunda-feira que o “Estado brasileiro é permeado de corrupção, compadrismo, leniência e desrespeito.” O tucano conclamou a população à “não aceitar a leniência permanente diante do roubo de dinheiro público.” O ex-presidente avaliou que “ou recuperamos a decência, ou não há o que fazer.”
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As declarações do tucano foram em meio a uma palestra sobre aquecimento global. Ele enfatizou que a corrupção é o que mais ajuda nos crimes ambientais. Logo após, foi questionado sobre corrupção, mas só respondeu sobre temas do meio-ambiente.

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Verba para educação não é usada

Manoela Billy Rocha, 16 anos, João Ricardo Iabrudi Braga, 25. Os dois, além da juventude, escondem outra semelhança, nada agradável: são vítimas recentes da imprudência de terceiros ou de si próprios. Ambos morreram tragicamente em acidentes de carro na Zona Sul do Rio.

Manoela foi um dos cinco jovens mortos no mais trágico acidente dos últimos tempos na cidade, quando um Honda Civic se espatifou contra uma árvore na Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa, na madrugada do dia 3 de setembro passado. Recém-saído de uma boate, o motorista do carro estava alcoolizado e dirigia em alta velocidade. O caso chocou o Brasil.

João Ricardo morreu no fim de março, quando um carro desgovernado veio na contramão e bateu contra seu Palio, a mais de 100 km/h, na Rua Jardim Botânico, na altura do Clube Militar. João dispensou o cinto de segurança.

A gravidade dos dois casos poderia ter sido menor - ou nula caso os jovens condutores colocassem mais em prática a consciência no trânsito. O Departamento de Trânsito do Estado do Rio (Detran) tem um programa direcionado especificamente para essa questão.

Para este ano, o governo estadual autorizou, em seu orçamento, gastos de mais de R$ 2,2 milhões com a ação Educação no Trânsito. Até a última terça-feira, contudo, nada tinha sido gasto. As informações são do Sistema Integrado de Administração Financeira dos Estados e Municípios (Siafem).

Enquanto isso, na Alerj, três leis foram aprovadas no fim do ano passado pelos deputados. A que mais promete efeitos a longo prazo na redução do número de acidentes no Estado é a que determina a inclusão de disciplinas Noções de Trânsito e Educação para o Trânsito na grade curricular das escolas da rede estadual de ensino.

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Dízimo para que te quero

Quem viu ficou confuso. Em um canal de tevê a cabo, o líder da Igreja Mundial Poder de Deus, bispo Edson Canaran, atacou as igrejas pentecostais (a dele também é) que pedem dinheiro aos fiéis em troca de milagres e orações. Ele falava segurando o microfone com uma mão e, na outra, um carnê (R$ 50 a folha) para ajudá-lo a continuar a pregar a palavra de Deus.

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Para Chávez, 'querem manipular' amigo Lula
Veja online

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, elogiou na quarta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - a quem, segundo ele, "tentam manipular" para provocar um conflito entre seu país e o Brasil. Chávez também agradeceu ao PT, ao MST e a integrantes do governo Lula, que apoiaram o governo venezuelano no caso do fechamento do canal RCTV, no mês passado.

"Quero agradecer as declarações do presidente Lula. Tentaram manipular o que ele disse mas não conseguiram. Brasil e Venezuela são países amigos e seguirão juntos", disse Chávez em entrevista coletiva concedida em Caracas. O presidente venezuelano comentava a polêmica iniciada na semana passada com suas críticas à decisão do Senado brasileiro de aprovar texto contrário ao fechamento da RCTV.

Depois de acusar o Congresso do Brasil de ser um "papagaio de Washington" e de ter cometido um "ato grosseiro" com a aprovação do texto, Chávez disse na quarta que Lula "tem toda razão" quando diz que cada líder deve cuidar dos assuntos de seu próprio país. Também agradeceu ao chanceler Celso Amorim e ao assessor presidencial Marco Aurélio Garcia, que tentaram minimizar o conflito. Garcia defendeu abertamente a decisão de Chávez de fechar a RCTV.

"Queriam debate, aí está", provocou Chávez, que acusou a imprensa de dar importância exagerada aos seus ataques contra o Brasil. "Saiu a nota de apoio do PT, que agradeço, e a dos sem-terra", completou, em referência aos textos divulgados pelos grupos apoiando o fechamento da RCTV. Na mesma entrevista, Chávez fez nova provocação: "Li que no Brasil andavam perguntando quando acabava a concessão da Globo".

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Renan, o rei do gado
Lauro Jardim, Radar, Veja online

O Ministério da Agricultura bem que poderia colaborar para decifrar mais um dos enigmas que cercam o patrimônio de Renan Calheiros. O senador apresentou declarações de renda que mostrariam ganhos de 1,9 milhão de reais nos últimos quatro anos com a venda de gado. Somente em 2006 teria vendido 784 cabeças. O mistério seria facilmente desfeito se o ministério divulgasse o número de guias de trânsito animal (GTAs) dos bois de Renan. A emissão de uma GTA é obrigatória quando é feita a compra de algum animal. VEJA tentou obter o número de guias emitidas na venda das vaquinhas do senador. O ministério informou que, devido à "carência de infra-estrutura" e à "falta de organização da papelada em Alagoas", esse levantamento não poderia ser feito em menos de cinco meses. O atual ministro da Agricultura é Reinhold Stephanes, do mesmo PMDB de Renan Calheiros.

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O jabá do Vavá

Adriana Vandoni (*), Prosa & Política

A última operação da Polícia Federal, a Xeque-mate, envolveu Vavá, o melhor irmão do presidente. A operação investiga pessoas supostamente envolvidas nos crimes de contrabando, corrupção, tráfico de drogas e exploração de jogos de azar. Fizeram busca e apreensão de um material, cartas e protocolos para aposentadorias, na casa de Vavá. Havia cartas endereçadas para Aloísio Mercadante, que não sabe de nada nem nunca recebeu carta alguma. Quiçá nem conhece o Vavá. Os documentos do INSS, segundo o filho do Vavá, eram processos de aposentadorias que seu pai iria agilizar. Mas nunca fez isso, ele recebia os pedidos e engavetava. Provavelmente mentia às pessoas que estava agilizando, mas não fazia nada. Coisa de sangue, entende?Pois bem, de acordo com o advogado de Vavá - o melhor irmão, ele foi envolvido por ter falado ao telefone com um dos presos na Operação, o ex-deputado Nilton Cézar Servo, acusado pela Polícia Federal de comandar a máfia dos caça-níqueis. Mas Vavá não tem relação profissional alguma com o Servo. Era apenas uma conversa trivial do tipo:
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- E aí, Vavá, tudo bem?
- Olá “Fervo”, tudo bem comigo, e com “vofê”?
- Bem, graças a Deus. E aí, você acha que vai fazer sol neste fim de semana?Coisas desse tipo, mas a Polícia Federal, equivocadamente, achou que Vavá tinha alguma ligação com o Servo. “É uma ligação de qualidade ruim, é uma conversa de amigo, não é comprometedora”, informou o advogado do melhor irmão.
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Por coincidência também, ou equívoco, foi preso na mesma operação, o melhor “cumpadre” do “cumpanhero” Lula. Dario Morelli, segundo a Polícia Federal, é dono de máquinas caça-níqueis e dono do telefone de Vavá, porém, “ele [Vavá] não sabe nem por onde o Dario anda. A relação é só por telefone”, disse o advogado do Vavá. Bem, mas pelo que entendi, é exatamente a relação do telefone que o implica, ou não?
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Que gente mais estranha! O melhor irmão não conhece o melhor cumpadre e conversa ao telefone com o acusado de comandar uma máfia sobre trivialidades. Isso me lembra as 29 ligações entre o deputado federal Carlos Abicalil (PT-MT) e a gangue do dossiê, vocês se lembram? Ele conversou vinte e nove vezes com a turma, exatamente no período em que a coisa estava sendo fechada, porém, só conversou trivialidades. Coisas do tipo tempo, santo, sei lá... Esse povo não deve ter nada interessante mesmo pra conversar, não é?
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Disso tudo existem algumas possibilidades de interpretação: que a Polícia Federal queria se mostrar autônoma envolvendo até o melhor irmão do presidente. Que a Polícia Federal envolveu o melhor irmão, tomou uma catracada do governo e vai passar recibo de incompetente. Ou que a Polícia Federal é de fato uma Instituição boquirrota, falastrona, imprudente e precipitada, como afirma o advogado do Vavá, afinal, fazer busca e apreensão na casa de alguém apenas pelo fato de ter escutado uma conversa trivial de amigos, sem nada comprometedor? Neste caso esta Polícia é no mínimo irresponsável.
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Além do melhor “cumpadre” do presidente, além do melhor irmão do presidente e seu melhor amigo, além do questionamento se Vavá recebeu algum jabá ou se Vavá arrumava jabá, além de tudo isso o que está em xeque-mate é respeitabilidade e confiabilidade de uma Instituição que, até provem o contrário, é independente, preparada e justa. É essa imagem que precisamos ter da Polícia Federal. Mas se continuar nesse carnaval, estaremos no caminho de se desacreditar mais esta Instituição.
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Chega a dar pena do Vavá que pedia merrecas que variavam entre dois a três mil reais. Em Mato Grosso, só pra comparar, um senador recém-eleito disse no mês passado que a “comissão” no atual governo chega a 50%, disse isso reclamando, afinal, o de praxe era 10%.
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Pensando bem, Vavá é um Zé Mané que enganava trouxas. Quer saber de uma coisa? Vamos passar logo para o próximo escândalo, porque este é fraquinho.
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(*) Adriana Vandoni - é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ, professora do curso de pós-graduação em Gestão de Cidades.