quarta-feira, junho 13, 2007

O jabá do Vavá

Adriana Vandoni (*), Prosa & Política

A última operação da Polícia Federal, a Xeque-mate, envolveu Vavá, o melhor irmão do presidente. A operação investiga pessoas supostamente envolvidas nos crimes de contrabando, corrupção, tráfico de drogas e exploração de jogos de azar. Fizeram busca e apreensão de um material, cartas e protocolos para aposentadorias, na casa de Vavá. Havia cartas endereçadas para Aloísio Mercadante, que não sabe de nada nem nunca recebeu carta alguma. Quiçá nem conhece o Vavá. Os documentos do INSS, segundo o filho do Vavá, eram processos de aposentadorias que seu pai iria agilizar. Mas nunca fez isso, ele recebia os pedidos e engavetava. Provavelmente mentia às pessoas que estava agilizando, mas não fazia nada. Coisa de sangue, entende?Pois bem, de acordo com o advogado de Vavá - o melhor irmão, ele foi envolvido por ter falado ao telefone com um dos presos na Operação, o ex-deputado Nilton Cézar Servo, acusado pela Polícia Federal de comandar a máfia dos caça-níqueis. Mas Vavá não tem relação profissional alguma com o Servo. Era apenas uma conversa trivial do tipo:
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- E aí, Vavá, tudo bem?
- Olá “Fervo”, tudo bem comigo, e com “vofê”?
- Bem, graças a Deus. E aí, você acha que vai fazer sol neste fim de semana?Coisas desse tipo, mas a Polícia Federal, equivocadamente, achou que Vavá tinha alguma ligação com o Servo. “É uma ligação de qualidade ruim, é uma conversa de amigo, não é comprometedora”, informou o advogado do melhor irmão.
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Por coincidência também, ou equívoco, foi preso na mesma operação, o melhor “cumpadre” do “cumpanhero” Lula. Dario Morelli, segundo a Polícia Federal, é dono de máquinas caça-níqueis e dono do telefone de Vavá, porém, “ele [Vavá] não sabe nem por onde o Dario anda. A relação é só por telefone”, disse o advogado do Vavá. Bem, mas pelo que entendi, é exatamente a relação do telefone que o implica, ou não?
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Que gente mais estranha! O melhor irmão não conhece o melhor cumpadre e conversa ao telefone com o acusado de comandar uma máfia sobre trivialidades. Isso me lembra as 29 ligações entre o deputado federal Carlos Abicalil (PT-MT) e a gangue do dossiê, vocês se lembram? Ele conversou vinte e nove vezes com a turma, exatamente no período em que a coisa estava sendo fechada, porém, só conversou trivialidades. Coisas do tipo tempo, santo, sei lá... Esse povo não deve ter nada interessante mesmo pra conversar, não é?
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Disso tudo existem algumas possibilidades de interpretação: que a Polícia Federal queria se mostrar autônoma envolvendo até o melhor irmão do presidente. Que a Polícia Federal envolveu o melhor irmão, tomou uma catracada do governo e vai passar recibo de incompetente. Ou que a Polícia Federal é de fato uma Instituição boquirrota, falastrona, imprudente e precipitada, como afirma o advogado do Vavá, afinal, fazer busca e apreensão na casa de alguém apenas pelo fato de ter escutado uma conversa trivial de amigos, sem nada comprometedor? Neste caso esta Polícia é no mínimo irresponsável.
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Além do melhor “cumpadre” do presidente, além do melhor irmão do presidente e seu melhor amigo, além do questionamento se Vavá recebeu algum jabá ou se Vavá arrumava jabá, além de tudo isso o que está em xeque-mate é respeitabilidade e confiabilidade de uma Instituição que, até provem o contrário, é independente, preparada e justa. É essa imagem que precisamos ter da Polícia Federal. Mas se continuar nesse carnaval, estaremos no caminho de se desacreditar mais esta Instituição.
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Chega a dar pena do Vavá que pedia merrecas que variavam entre dois a três mil reais. Em Mato Grosso, só pra comparar, um senador recém-eleito disse no mês passado que a “comissão” no atual governo chega a 50%, disse isso reclamando, afinal, o de praxe era 10%.
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Pensando bem, Vavá é um Zé Mané que enganava trouxas. Quer saber de uma coisa? Vamos passar logo para o próximo escândalo, porque este é fraquinho.
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(*) Adriana Vandoni - é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ, professora do curso de pós-graduação em Gestão de Cidades.