Jornal do Brasil
"Todos são inocentes até prova em contrário." A afirmação - óbvia ao repetir uma regra básica do direito - foi feita ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na primeira entrevista concedida no Brasil depois de seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, ser indiciado na esteira da Operação Xeque-Mate da Polícia Federal. Lula disse acreditar na inocência do irmão. Reforçou o discurso segundo o qual Vavá - que teve os sigilos fiscal e bancário quebrados ontem pela Justiça de Mato Grosso do Sul - não tem capacidade para fazer lobby.
Falando em um hotel em São Paulo, Lula não poupou críticas à Polícia Federal pelo vazamento de informações que, segundo ele, são sigilosas "só para a Justiça". Além disso, disparou contra a imprensa, acusando-a de "escrachar" e condenar pessoas que ainda nem foram julgadas pelo poder competente - o Judiciário. Lula também defendeu as investigações da Polícia Federal, mas disse que as divergências internas - motivadas por disputas recentes pelo comando da corporação - não podem colocar em risco o trabalho de combate à corrupção em curso.
- Não cabe a um delegado passar para a imprensa (informações sigilosas). As pessoas vão sendo execradas sem poder se defender - disse o presidente. - Sou republicano e acho que estamos fazendo a apuração correta.
Lula afirmou ser a favor das investigações. Acrescentou que quem errou tem de pagar pelo que fez e frisou que quem não quer se aborrecer com as investigações que não se envolva com a ilegalidade.
- Quero que o processo siga um curso normal, com tranqüilidade e que a Justiça cumpra o seu papel.
Segundo o presidente, uma investigação deve seguir todas as etapas previstas em lei. Ou seja, depois da acusação, deve-se esperar o pronunciamento do Ministério Público e, posteriormente, a sentença judicial.
- Até prova em contrário todos são inocentes.
Lula mandou um recado para os que tentam utilizar seu nome para fazer lobby no governo. Disse que na família Silva, e entre os amigos e correligionários, todos saberiam que, como presidente da República, não faz favores a ninguém no governo.
- Não tem favor para irmão, amigo ou adversário - sentenciou o presidente.
Lula recusou-se a entrar em detalhes sobre a utilização de grampos como método de investigação pela Polícia Federal.
- Um presidente não pode ficar respondendo sobre telefonemas - disse Lula, pedindo paciência aos jornalistas. - Acho que é melhor esperar a investigação correta. Os que forem culpados serão punidos.
O presidente prometeu que não passará a mão na cabeça de ninguém: "Quem errou tem de pagar pelo erro que cometeu".
Ao chamar a atenção para a possibilidade de se cometer injustiças com vazamento e divulgação de informações, Lula lembrou o caso do ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, que pediu exoneração quando seu nome apareceu no noticiário sob a suspeita de ter recebido uma propina de R$ 100 mil da Construtora Gautama. O presidente voltou a pedir que as investigações sejam corretas, criteriosas e exortou os jornalistas presentes que prestem atenção "ao momento que vivemos" e que tomem cuidado com o que escrevem.
De acordo com Lula, por trás das denúncias e da ampla divulgação, há interesses que não quis revelar. Ressalvou, no entanto, que a ele "não cabe o papel de vítima".
COMENTANDO A NOTÍCIA: Ninguém está incriminando ninguém. A imprensa apenas está fazendo e cumprindo o seu papel de informar. Porém, não é pelo fato de Vavá ser irmão do Presidente da República que ficará mune ao noticiário se a ele der motivos. Como agora. Além disto, as informações que têm sido passadas para a imprensa vem de órgãos de investigação do próprio governo. Portanto, ninguém está inventando notícia. Outra coisa é se os vazamentos de informações são falsos, ou estão sendo usados como moeda de troca para a obtenção de vantagens salariais. Neste caso, isto é assunto que o governo deve resolver. Não cabe a imprensa ser fiscal dos auxiliares do presidente. Ela faz aquilo que está sendo entregue a ela: dar conta da informação. Se Vavá é inocente ou não caberá a justiça julgar. Porém, seria conveniente que Lula não se irritasse tanto com a imprensa, já que desde 2005 os fatos da ação de seu irmão agindo como lobista ou exercendo tráfico de influência são bastante convincentes e já mereciam uma investigação mais séria e há mais tempo. Também é bom que Lula se dê conta de um detalhe: enquanto a polícia federal só acusa os outros merece elogios, mas quando o assunto bate na porta da casa do presidente, aí ela merece censura ? Dois pesos e duas medidas ?
"Todos são inocentes até prova em contrário." A afirmação - óbvia ao repetir uma regra básica do direito - foi feita ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na primeira entrevista concedida no Brasil depois de seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, ser indiciado na esteira da Operação Xeque-Mate da Polícia Federal. Lula disse acreditar na inocência do irmão. Reforçou o discurso segundo o qual Vavá - que teve os sigilos fiscal e bancário quebrados ontem pela Justiça de Mato Grosso do Sul - não tem capacidade para fazer lobby.
Falando em um hotel em São Paulo, Lula não poupou críticas à Polícia Federal pelo vazamento de informações que, segundo ele, são sigilosas "só para a Justiça". Além disso, disparou contra a imprensa, acusando-a de "escrachar" e condenar pessoas que ainda nem foram julgadas pelo poder competente - o Judiciário. Lula também defendeu as investigações da Polícia Federal, mas disse que as divergências internas - motivadas por disputas recentes pelo comando da corporação - não podem colocar em risco o trabalho de combate à corrupção em curso.
- Não cabe a um delegado passar para a imprensa (informações sigilosas). As pessoas vão sendo execradas sem poder se defender - disse o presidente. - Sou republicano e acho que estamos fazendo a apuração correta.
Lula afirmou ser a favor das investigações. Acrescentou que quem errou tem de pagar pelo que fez e frisou que quem não quer se aborrecer com as investigações que não se envolva com a ilegalidade.
- Quero que o processo siga um curso normal, com tranqüilidade e que a Justiça cumpra o seu papel.
Segundo o presidente, uma investigação deve seguir todas as etapas previstas em lei. Ou seja, depois da acusação, deve-se esperar o pronunciamento do Ministério Público e, posteriormente, a sentença judicial.
- Até prova em contrário todos são inocentes.
Lula mandou um recado para os que tentam utilizar seu nome para fazer lobby no governo. Disse que na família Silva, e entre os amigos e correligionários, todos saberiam que, como presidente da República, não faz favores a ninguém no governo.
- Não tem favor para irmão, amigo ou adversário - sentenciou o presidente.
Lula recusou-se a entrar em detalhes sobre a utilização de grampos como método de investigação pela Polícia Federal.
- Um presidente não pode ficar respondendo sobre telefonemas - disse Lula, pedindo paciência aos jornalistas. - Acho que é melhor esperar a investigação correta. Os que forem culpados serão punidos.
O presidente prometeu que não passará a mão na cabeça de ninguém: "Quem errou tem de pagar pelo erro que cometeu".
Ao chamar a atenção para a possibilidade de se cometer injustiças com vazamento e divulgação de informações, Lula lembrou o caso do ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, que pediu exoneração quando seu nome apareceu no noticiário sob a suspeita de ter recebido uma propina de R$ 100 mil da Construtora Gautama. O presidente voltou a pedir que as investigações sejam corretas, criteriosas e exortou os jornalistas presentes que prestem atenção "ao momento que vivemos" e que tomem cuidado com o que escrevem.
De acordo com Lula, por trás das denúncias e da ampla divulgação, há interesses que não quis revelar. Ressalvou, no entanto, que a ele "não cabe o papel de vítima".
COMENTANDO A NOTÍCIA: Ninguém está incriminando ninguém. A imprensa apenas está fazendo e cumprindo o seu papel de informar. Porém, não é pelo fato de Vavá ser irmão do Presidente da República que ficará mune ao noticiário se a ele der motivos. Como agora. Além disto, as informações que têm sido passadas para a imprensa vem de órgãos de investigação do próprio governo. Portanto, ninguém está inventando notícia. Outra coisa é se os vazamentos de informações são falsos, ou estão sendo usados como moeda de troca para a obtenção de vantagens salariais. Neste caso, isto é assunto que o governo deve resolver. Não cabe a imprensa ser fiscal dos auxiliares do presidente. Ela faz aquilo que está sendo entregue a ela: dar conta da informação. Se Vavá é inocente ou não caberá a justiça julgar. Porém, seria conveniente que Lula não se irritasse tanto com a imprensa, já que desde 2005 os fatos da ação de seu irmão agindo como lobista ou exercendo tráfico de influência são bastante convincentes e já mereciam uma investigação mais séria e há mais tempo. Também é bom que Lula se dê conta de um detalhe: enquanto a polícia federal só acusa os outros merece elogios, mas quando o assunto bate na porta da casa do presidente, aí ela merece censura ? Dois pesos e duas medidas ?