quarta-feira, junho 13, 2007

Conselho de Ética descarta ouvir jornalista

Folhapress

O presidente do Conselho de Ética do Senado, Sibá Machado (PT-AC), descartou ontem ouvir o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a jornalista Mônica Veloso no processo sobre suposta quebra de decoro parlamentar por parte do peemedebista. Renan é acusado de usar o lobista Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Júnior, para pagar aluguel e pensão a Mônica, com quem tem uma filha fora do casamento.
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A afirmação de Sibá ocorreu após reunião com o relator do processo no Conselho, Epitácio Cafeteira (PTB-MA). "Acho que ele [Renan] já disse de público [o que era necessário]. É o suficiente. Não tem mais o que acrescentar", afirmou Sibá. "A Mônica não deve ser ouvida. Ela não pode responder à representação do PSOL. O que importa agora são os documentos", disse.

Sibá marcou para hoje uma reunião do Conselho na qual pretende definir os procedimentos relativos ao processo contra Renan. O presidente do Senado é acusado pelo PSOL de quebra de decoro parlamentar.

Silêncio
Segundo o presidente do Conselho, Cafeteira não quis adiantar nada do que já analisou dos documentos que tem em mãos. À imprensa, para justificar seu silêncio, depois de receber os documentos da Corregedoria Geral do Senado e também da defesa de Renan, o relator mandou distribuir uma cópia do do regimento do Conselho de Ética, que diz: "Os membros do Conselho deverão, sob pena de imediato desligamento e substituição, observar a discrição e o sigilo inerentes à natureza de sua função".

Cafeteira está isolado em seu gabinete analisando os documentos contidos em três pastas documentos e um envelope. Ele pediu para não ser interrompido a não ser em casos excepcionais. Ele alega precisar de concentração para analisar o material sobre o processo, segundo informou sua assessoria.

Depoimentos
Apesar da posição de Sibá descartando os depoimentos de Renan e Mônica, o PSOL pretende apresentar hoje no Conselho de Ética do Senado um requerimento solicitando que sejam ouvidas, pelo menos, dez pessoas envolvidas nas denúncias. Para o líder do partido, Chico Alencar (RJ), é fundamental tomar os depoimentos da jornalista e do lobista.

"Não ouvi-los, seria um pré-julgamento a partir das explicações apresentadas pelo senador Renan Calheiros", afirmou Alencar. "Não queremos o arquivamento sumário do processo." Porém, para Sibá, não há necessidade de ouvir Gontijo - cujo depoimento foi prestado à Corregedoria Geral do Senado. Na opinião do petista, durante seu depoimento, o lobista nada acrescentou às investigações.

Explicações
Segunda-feira, o presidente do Senado se antecipou e entregou sua defesa ao Conselho de Ética da Casa. A pedido do senador, seu advogado Eduardo Ferrão entregou a Cafeteira, em mãos, duas pastas de documentos, incluindo todos os detalhes que julgou necessário para análise do processo.
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A idéia de Renan é tentar retomar sua rotina anterior às acusações: com despachos habituais e conduzindo as sessões no plenário. De acordo com pessoas próximas ao presidente do Senado, outra intenção dele é evitar tocar no assunto e quando for abordado sobre o tema responder com os argumento anteriores - em que negou ter usado recursos da Mendes Júnior para pagar Mônica.