Adelson Elias Vasconcellos.
O que aconteceu hoje, no jogo entre Atlético Paranaense e Vasco Gama é bem a cara do Brasil dos nossos dias. Raras são as partidas de futebol realizadas no país que não acabam em pancadaria entre torcedores, dentro ou fora dos estádios.
Nas informações iniciais, se quis atribuir culpa ao Ministério Público, por haver determinado que dentro do estádio, o policiamento somente poderia ser feito por seguranças privados. Desinformação pura. Ocorre que há uma lei estadual que proíbe a presença de policiais fardados . Em Santa Catarina, portanto, conforme esta lei que podemos chamar de “burra” ou estúpida”, o policiamento dentro dos estádios e em seu entorno somente poderá ser feita por seguranças privados.
Acontece que, conforme reza o regulamento do próprio campeonato, a CBF determina que o policiamento dentro dos estádios deverá ser de competência de policiais privados. Então, diante de uma lei local, contrária ao regulamento da CBF, por que esta entidade autorizou a realização do jogo em Joinville? Sinceramente, neste caso, tanto as autoridades locais quanto a própria CBF são culpadas pelo tumulto.
Mas, vamos avançar um pouco. Por que estas brigas nos estádios se repetem com tamanha frequência? Será apenas culpa das chamadas torcidas organizadas? Sim e não. Sim, porque dentro destas torcidas o clima de guerra com tra torcidas organizadas é real. Assim, não se tratam apenas de torcedores. São bandidos na própria acepção da apalavra. E não, porque se na primeira e segunda briga, os responsáveis pelo tumulto tivessem sido exemplarmente punidos e cumprissem pena rigorosa, certamente, serviria como desestímulo para que novas tragédias se repetissem.
Mas não é isso que acontece. Neste ínterim, cabe uma pergunta: no que resultou a morte do garoto na Bolívia provocado pela torcida do Coríntians? A própria diplomacia brasileira agiu intensamente para que os 12 presos fossem libertados. Além disso, se arranjou um menor para servir de laranja para que ninguém fosse punido pela justiça boliviana.
Dias depois, um daqueles estúpidos presos e depois libertados na Bolívia, foi flagrado em nova briga em Brasília. Pergunto: este cidadão está preso? Está impedido de ir a futebol? Certamente que não. Continua livre, leve e solto.
Ora, para um país que tem a pretensão de sediar uma copa do mundo, que será disputada em 12 cidades-sedes, esta violência toda que estamos assistindo domingo a domingo nos estádios brasileiros, já não era para ter sido coibida?
Avanço ainda um pouco mais. Qual a punição “rigorosa” prevista em lei para estes bandidos travestidos de torcedores? Que iniciativa a classe política brasileira tem tomado para criar uma legislação rigorosa que ponha fim aos tumultos? Estão esperando o que, que aconteçam tragédias com vítimas fatais?
Como vimos neste domingo, em reportagem da Exame.com reproduzida no blog, a violência, não só nos estádios, mas em todo o país tem se acentuado de maneira incontrolável. Estamos matando mais do que qualquer guerra. São mais de 50 mil homicídios por ano. E aí, nada será feito, bandido continuará tendo vida mansa e liberdade total de ação?
O agravante no jogo de hoje, entre Atlético Paranaense e Vasco da Gama, é que ele transmissão internacional. E esta terá sido a imagem que o país passou a seis meses do início da copa do mundo. É assim que se pretende atrair milhares de turistas a visitarem o Brasil a partir de junho de 2014?
Não são fatos eventuais, tampouco ações de Black blocs. A violência no futebol já vem ocorrendo há alguns anos, e muitas vezes chamamos a atenção para estes tumultos. Como não houvesse punições, a violência vem num crescendo assustador, sem que perceba, tanto de parte das forças policiais, como das autoridades políticas, como ainda da própria entidade responsável pela organização e realização dos campeonatos nacionais, nenhuma atitude minimamente responsável e direcionada a garantir segurança aos verdadeiros torcedores que vão estádios por puro prazer, e não para duelarem com violência contra outros torcedores.
Será que desta vez alguém resolverá agir? Será que iniciativas e providências serão tomadas no sentido de garantir ambiente de segurança nos estádios do país? Serão que os brigões finalmente serão punidos com rigor e terão seu ingresso nos estádios proibido durante um bom tempo?
Espera-se que uma verdadeira tragédia com vítimas não venha acontecer para comover nossas autoridades fazendo-as a agir. Chega de tanta negligência, de tanta omissão, de tanta irresponsabilidade.
Segue a reportagem do Estadão, com a imagens da estupidez.
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Torcedores de Atlético-PR e Vasco brigam e fazem jogo parar em Joinville
Juiz decide interromper o jogo. Um Helicóptero pousa no estádio para socorrer vítimas, algumas em coma
Franklin de Freitas
Torcedor do Atlético-PR é retirado de maca e enviado para o hospital
durante confronto entre torcedores do Vasco e Atlético
SÃO PAULO - As torcidas de Atlético-PR e Vasco fizeram neste domingo o jogo parar. A violência dos dois lados deixou feridos nas arquibancadas da Arena Joinville. Os atleticanos invadiram espaço reservado aos vascaínos, encurralando os rivais num canto do estádio. Não havia policiamento na parte de dentro do campo por determinação das leis locais. O sargento Adilson Morena, da Polícia Militar, disse que quem faz a segurança interna nos estádios de Joinville é o time mandante, no caso deveria ser o Atlético-PR.
Havia, segundo ele, 120 policiais na parte externa do estádio, e 80 contratados para as áreas internas. O que se viu foi uma das piores brigas de torcida dos últimos tempos.
As imagens chocam. A confusão na arquibancada foi rápida e violenta. Depois que os vascainos apanharam dos atleticanos que resolveram invadir o espaço do adversário, um grupo de torcedores do time do Rio conseguiu pegar dois atleticanos e não parou de bater nos rapazes, que também estavam envolvidos na briga, até que o policiamento chegou 'atirando' com balas de efeito moral e assim conseguiu frear as agressões. Eram pontapés, socos, chutes e pauladas. Havia mulheres no local reservado aos vascaínos.
Houve corre-corre. Muita confusão. As imagens da SporTV, que transmitia o jogo ao vivo, mostravam um torcedor com a camisa do Atlético-PR esticado no chão, de pescoço mole e sem se mexer. Havia outros. As torcidas se enfrentaram por cerca de cinco minutos, tempo suficiente para deixar um rastro de destruição. O jogo estava no mínuto 17. Pelo menos um torcedor do Atlético-PR permaneceu desacordado. Quatro foram levados para hospitais.
Cleber Yamaguchi/Eleven
Torcedor do Atlético Paranaense é visto ferido durante o confronto com torcedores do Vasco
ESTADO DE COMA
Dirigentes do Vasco informaram que torcedores do clube também foram levados ao hospital São José em estado "gravíssimos". Correu a informação que um vascaíno morreu após levar pauladas na cabeça. Autoridades do jogo e do hospital não confirmaram o óbito até 18h30. A Polícia informou inicialmente que apenas dois torcedores haviam sido levados para o hospital São José. Eles estavam bastante machucados. Um helicóptero teve de descer no campo para prestar atendimento médico. Carregou um torcedor. "As cenas que vi na arquibancada nunca havia visto antes no futebol", disse o técnico do Atlético-PR, Vágner Mancini.
Da mesma forma, Adílson Baptista, comandante do Vasco, parecia incrédulo e estarrecido com o enfrentamento e brutalidade das torcidas. "É triste e lamentável. Às vésperas da Copa do Mundo você vê cenas como essas, com torcedores sendo agredidos e se agredindo. Estou chocado. O mundo está vendo isso. Houve muita confusão e acho até que tem gente morta (não há informações de vítimas). Isso não é esporte."
O juiz decidiu parar o jogo por 30 minutos inicialmente, que depois foi retomado. Não havia clima para a continuidade da partida. Dirigentes do Vasco queriam deixar o estádio. Os jogadores do Vasco também se disseram amedrontados com o que o torcedor do seu próprio time poderá fazer caso se confirme o rebaixamento para a Segunda Divisão.
Heuler Andrey
Torcedor vascaíno apanha e é socorrido durante partida do Campeonato Brasileiro
MINISTÉRIO PÚBLICO
O jogo ainda estava no começo, com vitória parcial do Atlético-PR por 1 a 0, quando começou a correria na arquibancada. Alguns torcedores do time paranaense partiram para cima dos vascaínos, que resolveram enfrentar os rivais. Diante das cenas de selvageria, a partida foi interrompida, com jogadores assustados com a violência. Eles tentaram pedir o fim da briga. Não foram ouvidos. Por decisão que teria envolvido a PM, o Ministério Público e o Atlético-PR, não havia policiamento dentro do estádio. Os policiais ficaram do lado de fora da Arena Joinville, enquanto a segurança interna era privada. Depois que começou a briga, a PM resolveu intervir, controlando os ânimos e montando um cordão de isolamento.
O Atlético-PR é o mandante do jogo, mas foi obrigado a jogar em Joinville para cumprir punição que o impedia de atuar em Curitiba.






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