quinta-feira, agosto 10, 2006

Aleluias à jumentice !

Nestes bicudos tempos de mensaleiros, sanguessugas, cofres cuequinha ou cuecões, quando se pensa que nossos ilustres representantes já esgotaram seus estoques de safadezas, trambiques e maluquices, somos surpreendidos: a criatividade deles é ilimitada.

O excelente Ralph J. Hofmann, escreveu um artigo sob o título FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País - texto completo aqui), através do qual fomos apresentados ao Projeto de Lei Complementar 137/04, do deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), ou como o projeto se auto- intitula, “Poupança Fraterna”.

Você, caro leitor, por acaso já ouviu falar de alguma coisa mais ou menos parecida como “Poupança Fraterna”? Não? Então você não sabe o que está perdendo. Trata-se de uma jóia rara. Digno de figurar no Guiness Book como a maior excrescência de todos os tempos. Quando a gente pensa que um cara desses goza de um mandato parlamentar, é de se perguntar: que país de malucos é este Brasil ? Porque só na cabeça de um maluco se poderia criar tamanha esquisitice. Realmente, a classe política brasileira tem verdadeira adoração por sandices.

Pelo projeto do “santo”, todos os brasileiros e brasileiras, durante sete anos, terão um limite máximo de consumo mensal para cada pessoa utilizar para seu sustento e de seus dependentes residentes no País (lá fora tá liberado, ainda bem!) . Este limite será calculado de acordo com a renda per capita nacional mensal calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o IBGE, em 2003, a renda per capita anual era R$ 8.565, o que significa cerca de R$ 713 ao mês.

Legal não é mesmo ? Ou seja, todos, sem exceção, terão de se contentar durante sete anos, a viverem dignamente com R$ 713,00 por mês, para sustentar a si e a sua família. Piada ? Não, é maluquice mesmo .

Aí você se pergunta, e quem ganhar mais do que isto ? E é aí que nasce, sem seu consentimento, independente de necessitar ou não, a Poupança Fraterna. Pelo projeto, a parcela dos rendimentos que exceder o limite de consumo, será depositada, a título de empréstimo compulsório, em uma conta especial de caderneta de poupança, em nome do depositante, denominada Poupança Fraterna.

Mais digna é a justificativa do projeto. O objetivo segundo o autor, "...é fortalecer os valores humanísticos de fraternidade, liberdade e igualdade, que facilitarão e possibilitarão a todos os brasileiros acesso aos bens essenciais". Na avaliação de Fonteles, a proposta promoverá também a inclusão social e econômica da parcela da população que hoje possui baixa capacidade de consumo. "A fome em que vivem milhões de seres humanos deve-se à má distribuição da renda e da riqueza, e não à escassez de alimentos", defende o deputado. Ah, se você ler dez vezes a justificativa e não conseguir entender o que ele quer dizer com “...fortalecer os valores humanísticos de fraternidade, liberdade e igualdade, que facilitarão e possibilitarão a todos os brasileiros acesso aos bens essenciais” , não se preocupe, o maluco não é você, é a anta que produziu esta pérola.

O projeto estabelece que os depósitos da “poupança fraterna” poderão ser feitos no Banco do Brasil ou na Caixa Econômica Federal, a critério do titular da conta. A proposta também prevê a livre movimentação dos recursos pelo titular entre as duas instituições financeiras. Os recursos aplicados serão remunerados com juros equivalentes à 50% dos depósitos efetuados em caderneta de poupança. Não é uma belezura, você ainda tem o “direito” de escolher ou Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil, claro, porque o deputado talvez não queira ferir seus direitos de rasgar dinheiro ou de por fogo nele. Ele te dá liberdade de escolher, ou até de ficar brincando com ele, transferindo ora para uma ou para outra instituição financeira. Você se sentirá um verdadeiro banqueiro.

E a cereja final do belo bolo do deputado vem agora (o quê! você pensa que a doideira do moço é uma história só de começo e meio, nada disso, tem um apoteótico final). É a devolução. Sim, porque o projeto do deputado é não para ficar eternamente com seu dinheiro. Como você é perdulário compulsivo, ele promete aplicar e guardar seu dinheiro por ..... apenas 14 anos. Os recursos aplicados serão devolvidos aos poupadores ou seus herdeiros nos 14 anos seguintes ao término do prazo de poupança, em prestações mensais equivalentes à metade de cada um dos depósitos realizados.

Mas daí você pergunta: durante todo este tempo não vou poder mexer no meu dinheiro ? Qual é, meu irmão, o deputado é cabeça boa, bom coração, tem sentimentos, ele pensa no dia de amanhã, por isso o projeto da Poupança Fraterna prevê exceções para devolução antecipada.Nas seguintes hipóteses de saques extraordinários dos valores depositados:
1. morte do titular;
2. aquisição de casa própria para fins de residência permanente, limitado a R$ 200 mil; e
3. tratamento de doença grave do titular, do cônjuge ou dependentes diretos;

Que tal, você já imaginou no raio de sua vida se deparar com tamanha preocupação social para com o salário que você ganha ? O deputado sim, por isso, ele recolherá para você tudo o que exceder em seu salário o valor mensal de R$ 713,00, e vai aplica-lo. Claro que existirá uma carência, porque, pombas, não sejamos exigentes, dinheiro aplicado precisa de tempo para render. Por isso, a inteligência dele fez os cálculos e previu que o dinheiro precisará de uma carência de 7 anos, para ser devolvido para o titular. E para evitar que você tenha um surto de consumismo, ele pensou: “Não dá para devolver tudo de uma só vez, o povo vai voltar a gastar muito”. Assim, para cada R$ 100,00 mensais depositados no Poupança Fraterna, ele promete começar a devolver R$ 50,00 devidamente acrescidos de juros equivalentes a 50% da poupança comum. Ou seja, se implantado hoje, suponha que você ganha R$ 813,00 mensais. Assim, você depositará R$ 100,00 na sua conta de poupança, em seu nome, e voltará a receber metade deste valor daqui a 14 anos. Como você ficou 7 anos depositando, mais 7 anos de carência, você levará outros quatorze anos para receber sua última parcela do Poupança Fraterna. Não é lindo ! Não é magnânimo este deputado ! Deste modo, pelo seu “belo” projeto ele terá resolvido todos os males do país. Primeiro, porque conseguirá acabar com a dor do desemprego. Como todos deixarão de consumir, não teremos mais empregos. Fecharão todas as fábricas, lojas, mercados, bancos (banqueiro ganha muito), serviços. Seremos todos solidários na miséria. Ah, voltaremos a ter o saudável hábito de andar de bicicleta (velha é claro, a fábrica fechou, não dá comprar nova), ou uso do jumento, carroças, ou a pé mesmo. Mas ele terá acabado com a especulação financeira. Como levaremos 28 anos para reaver nosso dinheiro, até a Previdência Privada não terá mais déficit. Ninguém mais precisará se aposentar. Estaremos todos mortos, inclusive a viúva e os herdeiros.

Agora, respondam sinceramente, o deputado Fontelle é ou não um cara com visão social ?

Pois é, em pleno século 21, ainda temos um jumento destes com assento no Congresso Nacional. E depois não querem que o País viva em crise !

E sabe o que pode ser pior do que isso ? Como o Congresso começou a “analisar” o “extraordinário” projeto do Deputado Fontelle, corremos o risco dele aprovado !!!!!!!!!!!

O que vale mais, a vida ou o voto ?

São Paulo vive a terceira grande onda de violência patrocinada pelo PCC, e os governos estadual e federal não conseguem se entender. Em julho, o Ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e o Governador de São Paulo, Cláudio Lembo, realizaram inúmeras reuniões para se buscar soluções emergenciais que pudessem assegurar maior tranqüilidade ao cidadão. Fruto destas reuniões, o governo federal prometeu liberar 100,0 milhões de reais para ajudar o governo paulista no combate à criminalidade.

Porém, sendo ano eleitoral, o entendimento parou por aí. O governo federal promete recursos e não libera, e acusa o governo de São Paulo de não atender as exigências para a liberação concretizar-se. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos afirmou laconicamente: "Eles não apresentam os projetos. Não posso jogar dinheiro pela janela".

Em nota oficial, o gabinete o Secretário de Segurança comunicou: “Cada vez que a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) cumpre os requisitos para receber os R$ 100 milhões para os presídios do Estado, surge um novo embaraço. E assim, o dinheiro prometido pelo Ministério da Justiça fica cada vez mais longe de São Paulo. Essa é a descrição feita pelo titular da SAP, Antônio Ferreira Pinto, dos bastidores da liberação da polêmica ajuda prometida pelo governo federal para São Paulo. Agora o desafio é obter uma certidão do Tribunal de Conta da União (TCU) demonstrando que a situação de São Paulo é de calamidade." Como se ainda fosse preciso uma certidão para saber-se que a situação é da calamidade pública ! Calamidade é ser governado por gente incompetente !

Afinal, quem fala a verdade nesta história toda ? O governo federal insiste em colocar o Exército nas ruas, e como que intimida o governado Lembo a autorizar o patrulhamento. Entende que se tal acontecer, o presidente-candidato ganharia votos dos paulistas de Geraldo Alckimin, seu adversário, e de José Serra, favorecendo Aloísio Mercadante, candidato do PT ao governo de São Paulo e adversário de Serra.

Não querendo polemizar sobre um assunto tão controverso, acreditamos que até certo ponto o governador Cláudio Lembo tem enorme razão para queixar-se do governo federal.

Primeiro, vejamos os recursos que o governo Lula repassou para São Paulo para investimentos na área de segurança pública, se comparado com o ano de 2002, ultimo de FHC. Em 2002, o governo federal repassou para São Paulo, R$ 223,2 milhões; em 2003, primeiro ano de Lula, esse número caiu para R$ 65,3 milhões; em 2004, subiu um pouco: R$ 93,5 milhões; em 2005, despencou para R$ 29,7 milhões. Tais números não podem ser contestados porque são do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal).

Ainda no terreno de valores, vejamos outros números. No ano passado, o Ministério da Justiça foi autorizado a gastar R$ 5,6 milhões na área de Inteligência Federal: executou só R$ 1,9 milhão. Empregou apenas 30% do que podia no combate ao crime (R$ 12,2 milhões em vez dos R$ 40,8 milhões autorizados). Nas rodovias federais, por onde corre parte do tráfico de drogas e de armas, quando poderia ter investido R$ 84,4 milhões realizou apenas R$ 8,1 milhões, ou 9,6%. No Sistema Único de Segurança Pública, de extrema importância para o trabalho de integração, dos previstos R$ 244,4 milhões que empregou-se R$124,9, ou apenas 51% do total. Em “Prevenção e Preparação para Emergências e Desastres”, investiu-se apenas 0,06% do autorizado que seriam R$ 136,5 milhões, realizado R$ 93 mil. Conclusão, do total autorizado no Orçamento um gasto de R$ 512 milhões, e só foram efetivamente aplicados R$ 147,3 milhões, ou 28,7%. Ora, ou o Ministro Bastos não gosta realmente de gastar e investir nas principais áreas de segurança para reprimir, de maneira positiva, não apenas o crime organizado mas combater e coibir toda a violência, ou está muito mal informado sobre o que se passa em sua área de atuação.

Quanto a eficiência da Secretaria de Segurança de São Paulo, também não procedem as insinuações do Ministro Thomas Bastos, muito menos de Lula, quanto a qualidade do trabalho realizado. No primeiro trimestre deste ano, houve no Estado 1.551 homicídios dolosos; no de 2005, 2.127; no de 2004, 2.367... Em 2001, 3.418. Ou seja, em cinco anos, houve um declínio de 42,6% desse tipo de crime. No primeiro trimestre de 2002, houve 110 crimes de extorsão com seqüestro; no deste ano, 28 — uma queda de 74,5%. No primeiro trimestre de 2002, houve 145 latrocínios no Estado, contra 88 no de 2006. Provavelmente, são índices ainda muito altos, mas o que importa é saber que estão em acentuado declínio, o que levou a ONU a elogiar o Estado.

Considerando-se o Brasil, São Paulo mantém um total superior a 40 mil prisioneiros, o que representa 40% do total da população carcerária do país. Sabendo-se do crônico déficit de vagas, os presídios em São Paulo sofrem carências de todo o gênero, e para minorar questões de saúde, segurança, alojamento, segurança, o governo federal não conseguiu manter sequer o mesmo padrão em liberação de recursos que, historicamente, São Paulo recebia e vinha investindo. Convenhamos, o governo Lula colaborou diretamente para que a crise se acentuasse ao termos que se conhece hoje, e para o qual a vítima acaba sendo a população que paga impostos para receber serviços minimamente dignos, sendo a segurança um deles. Os números são eloqüentes em demonstrar o quão vago tornaram-se as insinuações do governo federal.

Em entrevista sobre as insinuações do Ministro Márcio Bastos, o ex-governador Geraldo Alckimin, informa: “Há 1.500 presos federais nas penitenciárias do estado. Eles levaram quatro anos para fazer um presídio (no Paraná) que só tem um preso. Nós construímos um sistema penitenciário grande. São Paulo trabalhou. Não fujo do problema, ao contrário do governo federal. Por trás de tudo que está acontecendo no estado, tem tráfico de drogas, de armas e lavagem de dinheiro, que são atribuições federais. Nos últimos dois anos, foram concedidos apenas 27 portes de arma no estado e, mesmo assim, apreendemos uma arma a cada 14 minutos. Todo mundo sabe que é contrabando”.

Porém, ao que se percebe, o Presidente Lula parece pouco se importar com a insegurança em São Paulo. Quanto maior o proveito eleitoral puder tirar, melhor. Além disto, como o candidato ao governo paulista, senador Mercadante continua patinando nas pesquisas, a tentativa de Lula é atingir o candidato José Serra. Em entrevista à Rádio Capital declarou o Presidente Lula: "Eu acho que o secretário devia ser mais sensato na hora de abrir a boca e, ao invés de ficar tentando apontar quem quer que seja, deveria tentar evitar essas coisas que estão acontecendo em São Paulo”. Lula afirmou que falta humildade da parte do secretário em assumir a falha no sistema de segurança do Estado. "Essas pessoas estão cuidando da segurança de São Paulo há muitos anos. Então, (...) ele deveria, de forma mais humilde, perceber que houve uma falha, que houve um erro no sistema prisional de São Paulo. Ele poderia tirar o telefone celular dos presos", acrescentou. Houve falha sim, presidente, mas do governo federal, e os números atestam flagrantemente o quê e onde as falhas aconteceram. Melhor faria o presiente Lula em aplicar em si mesmo a receita que endereça aos outros.
O presidente classificou como "mau-caratismo" a exploração política da atual crise de violência no Estado. Ele afirmou que existem cerca de 40 vagas no presídio federal de Catanduvas (PR) à disposição do governo paulista para transferir os presos considerados mais perigosos. E por que vossa excelência não leva para lá alguns presos federais que estão ocupando vagas nos presídios paulistas ? A regra que vale para um, vale para os dois. Mau-caratismo, pode ser, mas quem iniciou a exploração política - eleitoreira ?

E falar de ser sensato ? Mas qual sensatez, a do governo federal que retém as verbas já programadas na tentativa de criar o clima do quanto pior melhor ? E por que após a desistência de Garotinho em concorrer à Presidência, os espetáculos circenses do crime no Rio Janeiro sumiram como que por encanto? Por que o PCC na capital paulista só ataca quando o candidato Alckimin reage nas pesquisas ? Por que enquanto o PSDB não havia ainda definido seu candidato o PCC não se rebelava de maneira violenta como nos ataques de maio, julho e o desta semana ? Por quê ? Coincidências? Até pode ser, mas em razão do que disse o chefe do PCC, Marcola, ao deputados integrante da CPI que recolheram seu depoimento, de que tudo faria para evitar a eleição de qualquer candidato do PSDB, seria bom alguém tentar saber destes "por quês", porque, convenhamos, há muitas "coincidências" nesta história toda.

Ou ainda como indaga Cláudio Humberto, em seu blog: “Presidente da República tem lá de responder a ataques de Secretário de Segurança Pública? O ministro da Justiça havia respondido. O presidente do PT, também. Lula invoca a grandeza do cargo quando lhe é conveniente. Com atitudes como essa, ele mesmo diminui tal grandeza.)” Isto demonstra de quem parte o uso político da violência.

E em resposta ao presidente: “O governo executou apenas 1,45% das verbas do Fundo Penitenciário (Funpen) previstas no Orçamento deste ano e 4,8% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) até agora. Os dois fundos foram criados para melhorar as condições do sistema penitenciário e da segurança do país, mas a liberação das verbas é lenta e não atinge os objetivos. Este ano, está sendo prejudicada pelo atraso na aprovação do Orçamento e na assinatura de convênios com estados. Dos R$ 375,4 milhões previstos para despesas do Funpen foram executados apenas R$ 5,2 milhões do Orçamento deste ano e mais R$ 42,5 milhões em restos a pagar (despesas contratadas em anos anteriores), totalizando 47,7 milhões (12,7%). Em relação ao FNSP, a situação é parecida. Dos R$ 470 milhões previstos no Orçamento deste ano, foram liberados R$ 22,8 milhões e mais 48,9 milhões de restos a pagar, totalizando R$ 71,7 milhões (15,2%), segundo levantamento feito pelo site Contas Abertas, no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).” Por Regina Alvarez e Luiza Damé no Globo (10.08).

E se já não bastasse tudo isso, veja Sr. Lula, o que andam aprontando os seus aliados em São Paulo, Orestes Quércia e Aloisio Mercadante, e depois nos diga quem está agindo com “mau – caratismo”. No Estadão de hoje, por Marcelo Godoy: “Os candidatos ao governo de São Paulo Orestes Quércia (PMDB) e Aloizio Mercadante (PT) aproveitaram ontem a nova onda de ataques da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e o clima de tensão nas ruas de São Paulo para gravar imagens e depoimentos para seus programas de rádio e TV, que vão ao ar a partir do dia 16. A equipe de marketing de Quércia saiu às ruas de microfone e câmera em punho para registrar reclamações de paulistanos sobre a falta de segurança na capital. Mais do que queixas, a missão era explorar o atual momento de crise para gravar depoimentos mais emotivos, que retratassem o medo e o sentimento de insegurança da população. A produtora que faz a campanha de Mercadante gravou imagens de um evento do governo estadual de entrega de viaturas pela manhã em frente ao Estádio do Pacaembu. O candidato deu sinais ontem de como o assunto será explorado no horário eleitoral gratuito. 'Passei pelo Pacaembu e havia palco e banda de música para entrega de viaturas novas da Polícia (Militar). Deviam suspender a cerimônia, (a polícia) não tem comando. Deviam colocar os carros na rua para fazer patrulhamento preventivo', afirmou Mercadante, após dar entrevista à Rádio CBN, no centro. ‘Tinha uma cerimônia ali no Pacaembu, belíssima, e o povo assustado em casa', criticou o petista.” Chega ou quer que mande entregar embrulhado prá presente ?
Pode-se dizer que, mesmo tendo toda a estatística em seu favor,e um histórico de descasos e negligências como estão sendo tratados pelo governo federal, o governo paulista e mesmo o candidato Alckimin têm e vêm mantendo condutas exemplares. Porque, podendo agredir em resposta às autoridades federais que, covardemente, os atacam e de forma irracional distorcem os fatos em seu favor para o rasteiro proveito e uso político - eleitoreiro, continuam apenas a exigir respeito e seriedade para com o tema, porque acima do voto, o que está em jogo é a vida do cidadão paulistano. Aliás, como além de paulistanos são brasileiros também, bom seria que o governo Lula e o seu Ministro da Justiça passassem a ter a mesma postura e a mesma responsabilidade. E não seria nenhum despropósito afirmar-se que, diante dos fatos, dos números e das agressões, que doravante toda e qualquer vítima da violência em São Paulo deve ser atribuída à responsabilidade do Governo Federal.

E se não bastasse a racionalidade do tema, e a irracionalidade como o tema vem sendo tratado, é de se perguntar: um voto nas eleições majoritárias para presidente ou governo estadual é assim tão mais importante do que as vidas que estão em jogo ?

Leituras recomendadas - 6

Trocaram os 10 Mandamentos

Sebastião Nery (Tribuna da Imprensa)

SÃO PAULO - Waldemar Aranha, presidente do Banco do Estado da Paraíba no governo Pedro Gondim (61 a 66), de todos os amigos do então senador João Agripino era o mais dedicado. Dele se dizia que dormia emborcado para sonhar com os desejos do chefe e amigo.

Em 65, João Agripino elegeu-se governador (66 a 71) e imediatamente demitiu Waldemar Aranha do Banco da Paraíba. José Cavalcanti, amigo dos dois, ficou chocado, telegrafou a Aranha:

- Lamentavelmente, nossos amigos políticos são como trapezistas: quando se firmam lá em cima, empurram a escada.
É o que Lula fez com o povo brasileiro. Mais de 50 milhões seguraram a escada para ele subir. Quando chegou lá no alto, empurrou a escada. Só quer saber dos insaciáveis banqueiros, que já estavam lá em cima.
Texto completo aqui
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O voto como direito

Zélia Leal Adghirni

Não quero votar. Acho que o voto deveria ser um direito e não um dever. Uma liberdade de escolha. Poder dizer NÃO para todos que estão aí fazendo campanha eleitoral. E deixar livres todos os que desejam dizer SIM a estes senhores e senhoras, especialistas em discursos políticos com prazo de validade. Com a mesma intensidade que apoiei a campanha “Diretas Já”, gostaria de me agregar a um grupo que fizesse campanha contra o voto obrigatório. O próprio presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio, em entrevista ao programa de TV Observatório de Imprensa (terça feira, 8 de agosto) declarou textualmente : “Espero viver dias em que o voto no Brasil seja facultativo, independentemente da faixa etária do eleitor.” Segundo o ministro, o voto obrigatório foi uma opção político-legislativa-constitucional realizada em 1988.

Quando expresso em público minha opinião pelo voto facultativo, costumo ouvir que a situação seria muito pior. Num país com 125 milhões de eleitores, venceria o voto comprado. A maioria ficaria indiferente, não iria às urnas por preguiça ou por falta de confiança. Mas é assim que acontece nas verdadeiras democracias ocidentais. Vota quem quer. É verdade que os índices de abstenção são enormes. Eis o desafio: sensibilizar, seduzir e convencer o eleitor a votar. “Vote em mim, vote em meu partido, sou o melhor”. Mais ou menos assim. Depois teria que provar para os eleitores que eles acertaram na escolha. Caso contrário, não se elege mais. Poderia ser assim no Brasil. Chegaríamos enfim ao voto consciente, maduro, expressão máxima de liberdade de escolha.
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SENSUS: UMA PESQUISA – digamos – INFELIZ!
Cesar Maia, prefeito do Rio de Janeiro
1. Não há porque uma pesquisa isolada ser confiável. Às vezes fatores específicos nos dias em que a pesquisa foi feita, às vezes erros de aplicação, às vezes infelicidade na amostragem... enfim, quando um instituto faz uma pesquisa, especialmente num momento importante, como a publicação nas vésperas da entrada da TV, deve no mínimo, olhar a série e se é coerente internamente. Sensus não teve esses cuidados e publicou números incoerentes, inconsistentes, incompreensíveis. Deveria ter suspeitado de erros eventuais e repetido a pesquisa.
2. Especialmente porque é contratada por um órgão empresarial de concessionários de serviços públicos, que por isso mesmo não deveria publicar qualquer coisa. Certamente não há qualquer relação, mas isso ocorre um mês depois de terem conseguido do governo federal aumento de 10% nas tarifas de ônibus interestaduais, o dobro da inflação. E por isso mesmo deveriam redobrar os cuidados.
Texto completo aqui.
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A FACE OCULTA DO ASSISTENCIALISMO

Sebastião da Paixão Jr.

Nos termos do art. 203 da Constituição da República, a assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição, tendo como finalidade primordial a proteção da família, da maternidade, da infância, da adolescência e da velhice, dentro de uma pauta político-constitucional de proteção da dignidade humana. Nesse sentido, é dever do Estado brasileiro a implantação de políticas de amparo aos necessitados, evitando que os males sociais da miséria e da pobreza retirem do cidadão o mais fundamental de seus direitos: o de viver condignamente.
Diante da clamorosa desigualdade social que reina em nosso país, tem sido progressiva a preocupação de nossos governantes com a implantação de práticas assistencialistas. A mais festejada política assistencial do governo federal chama-se “Bolsa Família” que consiste em um programa de concessão de renda mensal variável a famílias pobres ou extremamente pobres, sendo, no frigir dos ovos, a unificação dos extintos programas Auxílio-Gás, Bolsa Escola, Cartão Alimentação e Bolsa Alimentação.
Texto completo aqui

TOQUEDEPRIMA...

OS VERDADEIROS CULPADOS PELA CORRUPÇÃO

A notícia que correu solta na mídia, que davam conta de apontar os resultados da preferência eleitoral para Presidência da República, indicavam que a corrupção até agora não havia colado em Lula, ao menos segundo o CNT/Sensus. Vejam os dados sobre as pessoas/instituições que estariam vinculadas a práticas corruptas (os primeiros números são de julho e os outros, de agosto – em %):

CORRUPÇÃO: Anterior/ Atual
· Congresso Nacional: 23,0 /30,8
· PT : 22,1 /18,3
· Governo: 11,3 /18,3
· Presidente Lula: 18,2 /17,8
· NS/NR: 25,5 /14,9
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Observando-se o quadro acima, até se poderia dizer que, dentre os entrevistados, os numerosos escândalos de corrupção que estouraram ao longo do Governo Lula, poucos associam as práticas ao Presidente. Seria aceitável não fosse por alguns “poréns”: a que partido político pertence o Presidente Lula ? PT, e ele aparece com 18,3%. Quem comanda o governo federal ? Presidente Lula, só que o instituto separou Lula do governo, o que convenhamos é um absurdo. O Governo aparece com os mesmos 18,3% do PT. Depois vem o Presidente com 17,8%. Ou seja, imaginamos que o Presidente Lula governe independente de seu partido, o que não é possível considerando-se que o PT encabeça o leque de partidos que compõe a base aliada do governo Lula, de cujo apoio o Presidente precisa para ter governabilidade. Porém, o que não se pode apartar é Lula do Governo. Ambos se fundem, chegando juntos a 36,1%. Agora, adicionando-se o partido do Presidente temos 54,4%. Ou seja, para 54,4 % o Presidente Lula, seu partido e seu governo, são apontados como responsáveis pela corrupção. Leiam-se a notícia e depois comparem-na com o percentual e vejam o que realmente a população pensa do Governo Lula. Portanto, conforme a leitura que se faça nas pesquisas que correm a solta, antes de acreditar na manchete confira o conteúdo, para não ficar um “mico”.

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Sugestão para o Jornal Nacional perguntar ao Presidente :

A propósito do quadro apresentado pela CNT/Sensus, que COMENTANDO A NOTICIA reproduziu acima, bem que Rede Globo poderia perguntar ao Presidente Lula na entrevista:

Presidente, em todos estes escândalos ocorridos em seu governo, e que o senhor disse que não sabia, aponte-nos, a não ser o senhor, presidente Lula, quem mais se beneficiou deles?

Mesmo que pudessem ou que quisessem, não acredito que teriam tal coragem. Como a "entrevista" será no Planalto, e diante de Heloisa Helena e Cristovan Buarque os inquisidores já aliviaram a contundência (ou truculência?), imaginamos que o circo vai ser aquele mesmo que já denunciamos no artigo Um mau exemplo da Rede Globo .

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COMO ESCONDER A VERDADE DO ELEITOR:

Tanto no Blog do Cláudio Humberto quanto na Folha de São Paulo (09.08) noticiou-se que a cúpula do PT tenta impor condições e prerrogativas para a entrevista de quinta (10) do presidente Lula ao “Jornal Nacional”. A entrevista, ao vivo, seria no Palácio Alvorada, e não no estúdio do “JN”, e temendo “espancamento” idêntico ao do tucano Geraldo Alckmin, segunda-feira, o PT só admite uma pergunta sobre denúncias de ladroagens no governo.

O Presidente Lula tem realmente grande “respeito” à liberdade de expressão, além de conceder um carinho muito especial para a não transmissão da verdade. Incrível.

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UM BOLSA FAMILIA MELHOR:

“O presidente Lula reafirmou ontem a prioridade do Bolsa-Família na campanha pela reeleição. Ontem, em Governador Valadares, no Leste mineiro, o presidente disse ser o único governante que dá atenção ao social e que cuida do povo e rebateu críticos que acusam o programa de ser assistencialista: ‘ Como este que vos fala já passou fome, sei que para aquele que toma café de manhã, almoça e janta todo o dia, talvez o Bolsa-Família seja assistencialismo. Mas para uma mãe que pega R$ 70 ou R$ 65 e vai ao supermercado comprar comida para levar para casa, se isso for assistencialismo, eu vou fazer muito assistencialismo, porque vou continuar cuidando do povo pobre desse país — disse Lula.’”

COMENTANDO A NOTICIA gostaria de lembrar ao Presidente Lula que o seu Bolsa Família, que nada mais que o Bolsa Escola do ex - Presidente Fernando Henrique, apenas que com outro nome, poderia ser melhor, se o Presidente tivesse cumprido com uma das suas mais propaladas promessas na campanha de 2002, quando anunciou no debate com José Serra na TV Globo, que geraria de 10,0 milhões de empregos. Ora, com isso poderia ter um grande contingente de beneficiados recebendo ao invés de 70,0 ou R$ 65,00, um salário mínimo de R$ 350,00, com direito a 13° salário, carteira assinada e assistência médica além de contribuir para a geração de renda. E como diminuiria a quantidade de beneficiados, seu Bolsa Família até poderia pagar um valor maior, em torno de R$ 120,00 ou 130,00. Nem quando justifica ele convence.

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A ARTE DE ASSALTAR O BOLSO DO CONTRIBUINTE :

A razão alegada pelo Presidente Lula para não conceder um reajuste de reajuste 16,5% aos aposentados do INSS (leia-se iniciativa privada), era de que iria provocar uma déficit maior na Previdência, e de que não havia como cobrir uma despesa adicional de 7,5 bilhões de reais. COMENTANDO A NOTICIA já por diversas informou que ser balela presidencial ao tal déficit. Ele não existe, conforme demonstrou relatório de Auditores Fiscais do próprio INSS.

Como também demonstra o desprezo ou preconceito com os aposentados para quem o Presidente já disse que não ficassem em casa, que fossem trabalhar. Ainda este ano, o Presidente precisará explicar-se junto ao TSE sobre os aumentos que andou concedendo para o funcionalismo público, algumas categorias brindadas com reajuste de 190,0%.

Porém, enquanto o Presidente fechava o cofre para os aposentados INSS de um lado, de outro, presenteava a má gerência do fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás, cobrindo o rombo de 9,5 bilhões, às custas de todos nós que pagamos impostos. Duas perguntas: se o fundo é dos funcionários da Petrobrás e o rombo é causado má gerência, por que o restante do País tem que arcar com o prejuízo ? Por que para uns pode socializar o prejuízo, e para os outros o cofre se fecha ? De fato, o Presidente tem preconceito com os velhos, que o diga o ex - Presidente Itamar..

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Lula tem preconceito com os velhos:

Não é apenas com o ex-Presidente Itamar que Lula tem bronca. É com todos os velhos. A política de achatamento dos benefícios previdenciários, no governo Lula, empurrando para o piso aqueles que recebem mais de um salário mínimo, elevou de 13,7 milhões para 16,2 milhões o número de aposentados e pensionistas que recebem o mínimo. A constatação é do DataAnaps, instituto da Associação Nacional dos Servidores da Previdência. No governo Lula, 2,5 milhões de beneficiários do INSS ficaram ainda mais pobres. Segundo o levantamento do DataAnasps, pulou de 64,6% para 70,1% o percentual de aposentados e pensionistas que só ganham salário mínimo.

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A grande dúvida de Tarso Genro:

Quetionado sobre sua opinião em respeito aos números das últimas pesquisas eleitorais, o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) disse: “Se as pesquisas estiverem corretas, a política do ódio e da desqualificação não está dando certo. É necessário que a oposição discuta o que fez quando foi governo, suas propostas e a reforma política".

COMENTANDO A NOTÍCIA achou suspeita a resposta do ministro. “Se as pesquisas estiverem corretas...", interessante ele começar com o "se". Acaso, sr. Tarso Genro, há alguma razão que desconhecemos para que elas não estivessem corretas ? Muito estranho, porque se insinua que possa haver manipulação (?). Será mesmo ...?