quinta-feira, dezembro 06, 2012

O adeus do Brasil ao genial Oscar Niemeyer.

Comentando a Notícia


Aos 104 anos, mantendo-se lúcido e ativo até o fim, o Brasil perdeu um dos  maiores gênios da sua história. 
O que dizer sobre este artista das curvas em concreto a não ser lamentar sua perda? 

Niemeyer é sua obra, sua obra é o homem que a concebeu com traços simples onde sua genialidade se impunha e  se consagrava, de forma absoluta e definitiva.

Mais do que modernizar a arquitetura brasileira dando-lhe uma forma própria, Niemeyer deixou a lição de que o simples pode ser genial a ponto do mundo se curvar em reconhecimento unânime.

O Brasil chora sua partida, mas se orgulha de Oscar Niemeyer ter sido um brasileiro autêntico, sem concessões, sem ufanismos, simples e humilde. Um brasileiro como tantos, mas único em sua arte.

Obrigado, Oscar Niemeyer, por sua arte. Pena que sua ideologia comunista deponha um tanto contra ele!!!

Por que Dilma não elimina os 11 encargos sobre a conta de energia, responsáveis em 50% do valor pago pelos consumidores?? Ou a insensibilidade e a inépcia da governante.


Adelson Elias Vasconcellos 

As atitudes e declarações de dona Dilma Rousseff, a soberana, sobre sua determinação em baixar a tarifa seria elogiáveis se, ao contrário de aplicar um garrote nas concessionárias, rasgando contratos e quebrando de forma arbitrária, sem nenhuma negociação com os interessados, ela decretasse, por exemplo, a eliminação do PIS e COFINS, cobrados em toda a  cadeia elétrica e chamasse os governadores estaduais às falas para brusca do ICMS, o maior vilão do custo final. 

Assim, esta intervenção populista e mau caráter sobre um setor estratégico, reduzindo margens, impondo indenizações escandalosamente sub avaliadas, impondo regras sem nenhuma forma de negociação com as concessionárias, reduzindo tarifas sem uma base de cálculo decente sobre os custos e sem atacar os impostos federais e estaduais que representam cinquenta por cento do preço final,  demonstra que a soberana está mais preocupada em jogar prá torcida e apenas para angariar simpatias junto ao eleitorado, sem levar em conta o interesse do país.  

Há algumas semanas demonstramos aqui o quanto Dilma se aproxima em estilo e programas do mais nevrálgico dos ditadores militares, o general Ernesto Geisel. A diferença é que Geisel pelo menos tinha melhor formação técnica e se impunha pela argumentação, ao contrária de Dilma, que quer se impor na base do grito, do soco na mesa, no chute nas canelas, eu mando e não discuto.

Se a tal MP 579 continuar sendo mantida na forma como foi concebida, sem levar em conta a importância estratégica do setor para o desenvolvimento a longo prazo do país, o Brasil estará, infelizmente, dando um  passo para trás, e criando um embaraço doloroso capaz de provocar apagões em sequência logo ali adiante. 

O apelo da energia mais barata não pode se impor ao custo de se comprometer investimentos no aumento da capacidade de geração, não vingar à custa da saúde econômica financeira das empresas. Este interesse eleitoreiro,  que busca atender apenas apetites imediatistas de angariar votos em eleições próximas,  conduz  o país para trás em busca da realização de um projeto de poder que não se vexa em comprometer o próprio futuro do país.

Aliás, tão logo a soberana fez questão de anunciar sua promessa no discurso do 7 de Setembro, às vésperas de eleições municipais,   disse e comprovei que o anúncio era eleitoreiro. Ao divulgar a MP 579, ficou claro que o custo total recairia praticamente sobre as concessionárias. Como também já havíamos alertado para o alto custo tributário incidente sobre as tarifas e que serviam para torná-la a quarta mais cara do mundo, considerando o fato de que mais de 70% da energia produzida era de fontes hidráulicas.

Da forma como a presidente vem conduzindo o tema fica claro que o tal espírito democrático passa longe do gabinete presidencial, e que o interesse do país sempre será colocado de lado em favor da manutenção a qualquer preço do poder. 

Quando o governo reviu sua posição inicial em relação às indenização pela antecipação das renovações,  imaginávamos que a porta da negociação para um entendimento de consenso estava sendo aberta. Ledo engano, a estratégia presidencial foi apenas um engana bobo para forçar a estatal Eletrobrás, que sequer conseguiu investir metade do previsto em 2012, a se submeter ao tacão autoritário e arbitrário do governo federal.

As medidas do governo federal, sob o comando petista, tem seu custo final, regra geral, recaído nos ombros dos estados, sem que a eles se dê nenhuma forma de compensação. Já os louros políticos das medidas populistas e desastrosas acabam sendo canalizadas pelo Planalto.

Corre nas emissoras de televisão, uma série de comerciais tentando limpar a barra do SUS. A justiça deveria determinar sua suspensão imediata dado ser uma propaganda mentirosa, que tenta vender à população a imagem de um serviço   incrivelmente deteriorado e que, nos tais comerciais, transpassam a imagem de um serviço de excelência.  Dinheiro público, presidente, não pode ser empregado para mentir, para falsear a verdade, para esconder a verdade de um serviço abaixo da crítica, vergonhoso, degradante. Bastante é ver o que aconteceu nesta semana no Rio de Janeiro, afora o fato de que as pessoas, mesmo com ordem judicial na mão determinando a internação nos hospitais, morrem nas portas e corredores, largados pelo chão ou em macas imundas, por falta absoluta de atendimento e até do cumprimento da ordem emanada pela Justiça. O SUS mata, razão porque esta campanha descaradamente mentirosa, deveria ter sua exibição suspensa, com o ressarcimento aos cofres públicos dos valores desembolsados para custeá-la.

Quer baixar a energia até em mais de 20%? É simples: não precisa de arbítrio, de populismo cretino nem de falsas promessas, muito menos comprometer o equilíbrio econômico das empresas. Basta que o governo federal reduza a níveis decentes o peso dos impostos que faz incidir sobre as tarifas. Dá para se chegar a 25 ou até 30% de redução sem colocar em risco o futuro do mercado de energia elétrica brasileiro. Menos arbítrio e menos intransigência e, por certo, todos sairão satisfeitos mas, mais do que isto,  é o interesse do país que será preservado.

Ao justificar as recentes medidas de incentivos à construção civil , o senhor Mantega afirmou que é fundamental reduzir tributos. Então, por que não reduzir os escorchantes tributos que aumentam em cinquenta por cento as faturas de energia que são cobradas do consumidores? Apesar para que os leitores tenham uma ideia, sobre a conta de energia incidem nada menos do que 11, eu disse ONZE tipos de impostos, taxas e encargos de responsabilidade do poder público.  Por que este governo não consegue fazer o mais simples? E mais uma questão: quem calculou e qual a base de cálculo empregada pelo governo federal para determinar o valor das tarifas que irão vigorar nos novos contratos fixados através da MP 579? Seria bom a gente saber quais os incompetentes  e os critérios de chutometria por eles empregados.  Seria  Porém, o governo Dilma mais fácil avaliar de que lado está a razão nesta briga. 

Sobre o tema energia, cabe ainda uma pergunta: terá o governo esquecido sobre os 11 bilhões (leia aqui) cobrados a mais nas contas de energia ao longo de boa parte dos dois mandatos do governo Lula? O governo ainda pretende quitar sua dívida para com os consumidores e que não são responsabilidade das concessionárias senão dele mesmo?

No fundo, esta reação bucéfala  contra as concessionárias que tiveram a coragem de dizer “não” ao pacote autoritário no mercado de energia contido na MP, é a tentativa cretina da soberana para apagar da memória, criando um fato “novo”, o novo pibinho de seu governo e abafar o escândalo “rosegate”..  Porque, senhores, bancar a redução, empurrando para o Tesouro a diferença necessária para atingir os 20%, é resolver um problema criando dois novos: de um lado, a redução acabará sendo bancada de qualquer maneira pelo contribuinte, pois o subsídio repercute no aumento da dívida. E, de outro, não resolve o desequilíbrio que ainda persistirá no mercado de energia.    

O novo pacotinho –
O governo anunciou novo pacote de estímulos, e prá varia como sempre, ele centra-se principalmente em abertura de créditos a juros facilitados. OK, até pode dar certo em alguma medida, mas o governo Dilma insiste em fazer a leitura errada sobre as razões para o baixo crescimento da economia. E teima e adotar as mesmas práticas que se demonstraram esgotadas e com pouco efeito no longo prazo.

Os princípais entraves ao crescimento econômico encontram-se todos lá, na negligência e falta de iniciativa do governo Dilma. São intocáveis, neles não se mexe, não se toca, não se altera. E, passados os efeitos do discurso ufanista e distorcido, acabaremos colhendo novas frustrações porque teimamos em não sair do lugar, insistindo na estagnação, repetindo os erros e os improvisos recentes. 

Depois, diante dos resultados, estes governinho insistirá em atribuir a terceiros seus próprios erros. E nova rodada  de incompetências nos farão perder o bonde e o rumo. 

O fechamento de fábricas da Azaléia: tragédia anunciada


Adelson Elias Vasconcellos

Já em 2010, a Azaleia / Vulcabrás anunciava a abertura de fábrica fora do Brasil destinada à exportação. Naquela altura, a insensibilidade, a incompetência e a irresponsabilidade do governo federal produziam estragos terríveis para a indústria nacional. O processo chamado de desindustrialização e desnacionalização se acentuava em razão dos altos juros pagos pelo Brasil e que atraiam uma enxurrada de dólares que provocava  a valorização excessiva da nossa moeda. Isto tinha por consequência pior, acabar com o restinho de competitividade dos nossos produtos industrializados, já castigados à exaustão por uma carga tributária extorsiva,  uma burocracia estatal sufocante e cara,  uma infraestrutura caótica e uma insegurança jurídica sem igual quando confrontada com os demais emergentes. 

E, antes que o governo federal tente justificar o fechamento das unidades da Azaleia/Vulcabrás com suas tolices e mentiras, é bom lembrar que as unidades fechadas estão na Bahia, governada pelo petista Jacques Wagner que, ao que parece, nada fez para evitar o desastre. 

Um mes depois do anúncio de abertura de uma fábrica fora do Brasil, publicamos aqui um artigo “Uma herança ruim prá danar” (íntegra aqui), do qual destacamos este trecho: 

Muito embora haja quem torça o nariz para o fato, o certo é que, como noticiamos aqui,  Philips, Marcolo, Novelis, Vulcabrás/Azaléia e, agora, a fabricante de calçados femininos Schmidt Irmãos, tradicional indústria de Campo Bom/RS, estão tomando o caminho de saírem do país para continuarem sobrevivendo. Afora estas, outras empresas estão mudando seu foco de “fabricantes” para distribuidoras: preferem comprar lá fora o produto pronto, e apenas o distribuírem no mercado interno. Pena que não se tenha uma estatística confiável, mas, certamente, a percepção é de que uma dezena de empresas brasileiras tenham sido adquiridas por multinacionais nos últimos cinco anos, confirmando a tese da desnacionalização. Neste sentido, destaca-se o ramo sucroalcooleiro, em razão do álcool combustível, ou etanol como queiram.

Assim, passados dois anos, e sem que este governinho merreca tenha tomado uma única decisão em favor da indústria brasileira, a não ser aqueles favores especiais e seletivos ao grupos dos amigos do poder e grandes colaboradores  do caixa do partido, a indústria segue sua trajetória de queda, sendo aniquilada por um governo que se dedica muito mais aos seus interesses partidários do que com o verdadeiro interesse do país.

Quando Dilma se refere às empresas concessionárias que não concordaram com sua intervenção cretina e arbitrária, taxando-as de “insensíveis” deveria refletir-se no próprio espelho. Por que, conforme destacamos e questionamos no post final desta edição, querendo tanto baixar as tarifas de energia (e isto deve ser feito mesmo), o governo não reduz a carga tributária que impõe sobre as tarifas? 

Convenhamos, este governo adora cumprimentar com o chapéu alheio. Mas é covarde, omisso e negligente  quando as circunstâncias lhe cobram maior responsabilidade e competência.  O que acontece agora com a Azaléia / Vulcabrás, demonstra o quanto o país está sendo desgovernado em nome, EXCLUSIVAMENTE, de um projeto de poder do partido organizado para o crime.

Crime sim, porque além dos esquemas de corrupção infiltrados em todos os recantos por este partido no Estado brasileiro, este governinho inconsequente tem sido responsável pelo fechamento de inúmeras indústrias que ficaram largadas à própria sorte por governantes que mais se preocupam  em olhar para o próprio umbigo do que o interesse maior do país. Tais crimes contra empresas teve seu início ainda no primeiro mandato de Lula quando Dilma Rousseff, ainda chefe da Casa Civil, preferiu decretar a falência da VARIG, do que cumprir a   ordem judicial, vencida pela companhia aérea em duas instâncias da Justiça, condenando a União  pagar bilionária indenização. 

A soberana deveria desinfetar seu vocabulário e fazer uma profunda reflexão sobre as muitas indústrias que sua negligência na condução da economia já provocou fechamento. Conforme divulgamos aqui recentemente,   foram mais de 1 milhão de empregos fechados na indústria, fora os bilhões de prejuízos causados por investimentos que simplesmente acabaram na lata do lixo por falta de uma política industrial minimamente decente.. 

Fica claro que para sobreviver nesta selva chamada governo petista, só sendo doador para o partido e sua gangue instalada no poder. O resto, para eles, que se dane.

Faxina urgente


Rolf Kuntz 
O Estado de S.Paulo

A próxima grande faxina da presidente Dilma Rousseff deveria ser na política econômica. Com dois anos perdidos e apenas meio mandato pela frente, ela tem pouco tempo para se livrar do entulho de erros e montar uma estratégia de crescimento de longo prazo. A melhor síntese dos enganos acumulados nos últimos dez anos está na balança comercial, onde aparecem com clareza tanto os equívocos da política interna quanto os enormes tropeços da diplomacia econômica. O desestímulo à indústria, a perda de competitividade, o erro de diagnóstico no meio da crise, a perigosa dependência da China e o delírio da opção terceiro-mundista estão refletidos na evolução do comércio de manufaturados e de commodities. Esses dados combinam perfeitamente com a estagnação industrial nos últimos dois anos, com a redução do investimento, mostrada no último relatório sobre o Produto Interno Bruto (PIB), e com a produção declinante de bens de capital - uma queda de 10,1% nos 12 meses até outubro.

O erro de diagnóstico já foi apontado mais de uma vez por vários analistas e confirmado por todos os dados recentes. O governo gastou muita munição para estimular o consumo e negligenciou a capacidade de resposta da indústria. O déficit comercial do setor de manufaturados, US$ 96 bilhões em 2011, deve chegar neste ano a US$ 100 bilhões, segundo estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A participação de manufaturados estrangeiros no mercado interno de consumo praticamente dobrou em dez anos e chegou a 20,1% em 2011. O grande salto ocorreu em anos recentes.

O desajuste industrial está longe de ser uma tendência nova. Entre 2000 e 2011 a produção do setor de transformação cresceu a uma taxa média anual de 2,4%, enquanto a produtividade da mão de obra aumentou 0,6% ao ano, segundo a CNI. Pelo menos 18 economias industriais bateram o Brasil nesse quesito. A lista ficaria muito maior com a inclusão de emergentes.

No entanto, apesar de todas as desvantagens comparativas, a exportação de manufaturados tem resistido razoavelmente ao impacto da crise global, enquanto o comércio de produtos primários é severamente afetado pela desaceleração das grandes economias, a começar pela chinesa. De janeiro a novembro, o Brasil exportou manufaturados no valor de US$ 83,4 bilhões, 1,4% menor que o de um ano antes. A receita dos básicos, US$ 104,2 bilhões, foi 7,8% inferior à de janeiro-novembro de 2011. A redução é explicável tanto pelos volumes quanto pelas cotações. Os preços de bens industriais, sabe-se há muito tempo, são menos sujeitos a grandes oscilações em tempos de crise. Não há nenhum mal em fomentar as vendas de produtos primários e semielaborados. Mas é um erro enorme descuidar do comércio da indústria de transformação, deixando-o na dependência de alguns mercados tradicionalmente acessíveis, como os latino-americanos. O Brasil tem perdido também esses mercados para produtores mais competitivos, como os chineses e outros asiáticos.

De janeiro a novembro, a exportação para a China, US$ 38 bilhões, foi 7,3% menor que a de igual período de 2011. Mais detalhes da pauta só estão disponíveis até outubro. Nesses dez meses, a receita obtida com os básicos foi 7,4% inferior à de um ano antes. A de manufaturados cresceu 17,2% e a de semielaborados, 3,38%, mas esse conjunto representou apenas 16,4% do valor total. A relação comercial entre Brasil e China é de estilo colonial. Foi definida como estratégica, no entanto, pelos formuladores da diplomacia petista.

As vendas brasileiras para os Estados Unidos chegaram a US$ 22,7 bilhões até outubro e US$ 24,9 bilhões até novembro (com ganho de 5,7% em relação ao ano anterior). Esse crescimento foi puxado pela indústria de transformação. Até outubro, as vendas de manufaturados para o mercado americano alcançaram US$ 11,1 bilhões, 48,8% do valor total. O aumento foi de 19% sobre os meses correspondentes de 2011. Incluídos os semimanufaturados, o total dos industrializados chegou a US$ 15,4 bilhões, 68% da receita. A relação com o Império é bem mais igualitária do que o comércio com os parceiros "estratégicos".

Uma diplomacia econômica mais adulta teria ao mesmo tempo ampliado o comércio com os grandes parceiros tradicionais - e para isso conviria negociar acordos com Estados Unidos e União Europeia - e continuado a diversificação geográfica, iniciada de fato há muito tempo. Uma política orientada para o comércio com todos os mercados, sem bobagens terceiro-mundistas, teria imposto uma atenção muito maior à produtividade e à inovação. O resultado seria uma economia muito mais dinâmica. Não se chega a isso com improvisações, incentivos parciais e provisórios, remendos tributários, demagogia na educação, voluntarismo e loteamento do governo. Se a presidente insistir nesse rumo, o País perderá bem mais que os quatro anos deste seu mandato.

Herança maldita


Editorial 
Folha de São Paulo

Sucessivos escândalos de corrupção solapam imagem de Lula; ex-presidente ainda deve explicações satisfatórias sobre todos esses episódios

Nos seus aspectos constrangedores e diminutos, o caso Rosemary Noronha comprova, para além de qualquer dúvida, o tipo de legado que o ex-presidente Lula deixou à sua sucessora no Planalto.

Ainda que tenham sido significativos os avanços econômicos e sociais ao longo de seu governo, Lula fez com que verdadeira herança maldita se mantivesse incrustada no aparelho de Estado brasileiro.

Nem mesmo se completam o desmantelamento e a punição da quadrilha mensaleira, outro foco de irregularidades é desvendado.

No mensalão, o escândalo estacou na figura todo-poderosa do ex-ministro José Dirceu, sem que surgissem provas do envolvimento de Lula no esquema criminoso.

Restaram, é claro, as suspeitas de conivência, reforçadas pela contínua atitude de apoio aos condenados que tanto Lula como setores ainda expressivos do petismo não têm pejo em manifestar.

Diferentemente do que ocorre em outros países, não é da tradição brasileira investigar a vida pessoal de suas figuras públicas.

Pouco importaria o tipo de relacionamento que se verificou entre Lula e Rosemary.

Entretanto impõem-se explicações sobre o fato de ela ter sido nomeada chefe do escritório da Presidência em São Paulo, exercendo a partir daí atuação diversificada no campo dos favorecimentos, das indicações, dos pareceres duvidosos e das propinas de ocasião.

Sem outras qualificações exceto a proximidade com o presidente, Rosemary conseguiu nomear Paulo Rodrigues Vieira para a diretoria da Agência Nacional de Águas e seu irmão, Rubens Carlos Vieira, para cargo equivalente na Agência Nacional de Aviação Civil.

Surge, com a ajuda de Paulo Vieira, a aprovação suspeita de um projeto portuário em Santos; surge um parecer favorável ao ex-senador Gilberto Miranda, permitindo que ocupasse uma ilha no litoral paulista; surgem laudos e diplomas falsos obtidos por Rosemary em benefício de seu grupo.

Sem dúvida, a dimensão das propinas e dos favorecimentos já descobertos autoriza a aplicação de um termo em voga, "mequetrefe", para os atos da assessora lulista.

Mas não é mequetrefe, afinal, o cargo de presidente da República. E não é inédito, muito ao contrário, o estilo de aparelhamento imposto pelo lulismo ao governo federal, que este episódio reafirma.

O ex-presidente, mais uma vez, esconde-se atrás da barreira de fumaça criada pelos correligionários.

Desmorona, aos poucos, o mito de estadista de que se quis cercar um governante que pôs o Estado a serviço de interesses partidários e que se esquiva, de modo contumaz, a assumir a responsabilidade dos atos delituosos que se cometeram sob seu poder.

Inteligência descobre que empresas europeias doam 100 milhões de Euros por ano para mensaleiros


Jorge Serrão 
Alerta Total 

Exclusivo – O Rosegate é a prova de que o Mensalão não acabou e parece eterno como os diamantes. Investigações sigilosas da Polícia Federal e de setores de inteligência das Forças Armadas descobriram que é de 25 milhões de Euros a generosa contribuição trimestral “doada” à cúpula de petistas por empresas européias beneficiadas com negócios no Brasil. A grana pesada (100 milhões anuais) rola por fora da contabilidade oficial, em depósitos feitos no exterior. Se tal descoberta não for abafada e ficar de fora do inquérito da Operação Porto Seguro, o titanic do PT vai afundar.

Um descuido (ou aposta na impunidade) fez com que viesse à tona o informe, que circula pela internet, de que, numa viagem de Lula a Portugal, Doutora Rosemary Nóvoa Noronha teria levado, na “mala diplomática”, 25 milhões de Euros. O valor, que teria sido declarado à receita portuguesa, seguiu em carro forte para depósito na agência central do Banco Espírito Santo, na cidade do Porto. A PF sabe que vários condenados no Mensalão – e um dos milagrosamente absolvidos – têm movimentadíssima conta corrente no BES português.

A imperícia foi que Rose mandou fazer o depósito tendo Luiz Inácio Lula da Silva como o possível beneficiário de um seguro que fora feito para evitar “algum sinistro” com tanto dinheiro. Se os dados da Aduana do aeroporto internacional Francisco de Sá Carneiro forem confirmados oficialmente, o bebê de Rosemary vai sofrer um aborto político. O Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, já pensa em pedir a prisão preventiva de Rosemary e intimar seu amigo Lula para dar explicações oficiais sobre tudo que envolve o Rosegate.

Um outro descuido, cometido por outro amigo de Rosemary, também detectado pela Polícia Federal, é guardado em estranho sigilo. Sete meses atrás, mesmo usando indevidamente as facilidades da “área reservada a autoridades”, o consultor e advogado José Dirceu de Oliveira e Silva teve um probleminha no embarque internacional do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Um servidor da Receita Federal resolveu apreender 35 mil Euros que ele levaria a uma viagem à Europa. O preço pago pelo ousado funcionário foi ganhar uma promoção: acabou transferido para o Aeroporto dos Guararapes, em Recife. Dirceu só ficou sem a grana em excesso que levava.

O fato mais grave de todos é que a Presidenta Dilma Rousseff – mesmo não envolvida ou beneficiada por tais maracutaias – têm pleno domínio de todos estes fatos sigilosos. Tanto que uma das cinco facções com poder na Polícia Federal já vaza que a Operação Porto Seguro estava programada para acontecer em setembro. Mas a cúpula da PF recebeu “uma ordem de cima” para nada fazer naquele momento, porque tumultuaria a situação política eleitoral. Torna-se ridícula a tentativa de o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, negar que a quadrilha atuasse na Presidência da República. Rosemary era chefe de gabinete da PR em São Paulo por indicação do bem amado Lula e por conveniência (ou conivência) da Presidenta Dilma Rousseff.

Rosemary não teve a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal, na deflagração da Operação Porto Seguro, simplesmente porque houve um movimento – que falhou – para que seu nome nem viesse à tona nesta primeira fase de investigações. Ficaria no famigerado “segredo judicial”. Mas como a operação envolveu também agentes de informação das Forças Armadas, ficou impossível esconder quem era Rosemary e o que ela representava, de verdade, para o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Rosemary terá de explicar como utilizava um passaporte exclusivo de membros do primeiro escalão governamental para viagens de negócio ao exterior que fazia sem a presença do amigo Lula. Serviços de inteligência das Forças Armadas receberam informes de que Rose participaria de negócios com diamantes em pelo menos cinco países: Bélgica, Holanda, França, Inglaterra e Alemanha. As pedras preciosas seriam originárias de negócios ocultos feitos pela cúpula petralha na África, principalmente Angola. Tal informação também foi passada à PGR pelos militares.

Foram detectadas dezenas de viagens não-oficiais de Rosemary ao exterior, para "passeios de negócios". O passaporte especial a denunciou. Foram 23 para a França. Para Suíça, ocorreram 18, por via terrestre, partindo de Paris, e mais quatro por via aérea. Rose também fez 12 deslocamentos de avião para a Inglaterra. Outras sete viagens para o Caribe e os Estados Unidos, aconteceram de navio – de acordo com a inteligência militar brasileira. Tais informações sigilosas sobre o Rosegate não aparecem nas 600 páginas do inquérito da Operação Porto Seguro.

O temor petralha é que o destino deles está nas mãos do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel – a quem os “gênios” do PT tentaram indiciar na CPI do Cachoeira, mesmo sabendo que o procurador nada tem com o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos. Gurgel tem tudo para decidir que a Operação Porto Seguro será mais um caso para o Supremo Tribunal Federal, por envolver autoridades com prerrogativa de foro privilegiado. De imediato, Gurgel deve pedir a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Lula & família, mesmo sabendo que nem tudo deve ser descoberto.

Gurgel tem tudo para pedir a prisão preventiva de Rosemary – que só os íntimos amigos petistas sabem por onde anda. Rose só não foi presa inicialmente por sua intimidade com o poderoso Lula. Exatamente por isso, agora, ele deve prestar contas à Justiça. Gurgel já tem documentos que confirmam como a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo agia com respaldo de Lula, principalmente nas viagens internacionais que fazia em companhia dele ou não, portando passaporte especial privativo de autoridades diplomáticas. E, também, como Rose ainda atuava em sintonia com José Dirceu, José Genoíno e demais figuras de proa condenadas na Ação Penal 470 do Supremo Tribunal Federal.

A imagem do governo Dilma será afetada diretamente pelo Rosegate. No teatro, até agora, ela tem se saído bem. Seus marketeiros venderam a falsa imagem de que ela demitiu Rose – quando, na verdade, o Diário Oficial da União publicou a conveniente expressão “exoneração a pedido” (da própria exonerada). Mas Dilma só terá mesmo problemas sérios se a economia atrapalhar. Governos suportam denúncias de corrupção, mas não resistem em tempos de agravamento de crise econômica.

Luiz Inácio Lula da Silva também tem um fim de carreira tenebroso. E a desgraça dele começa em casa. Mesmo que Marisa Letícia venha a público com a conversa de que ele é um sujeito família e que nada houve entre ele e Rosemary, o casamento fica, no mínimo, estremecido com a midiática fofocagem – inclusive internacional – sobre a relação Lula-Rose. Mas o grande temor dos amigos de Lula é com a saúde dele. Tratamento pós-câncer não combina com pressões psicológicas como as que ele vem sofrendo agora.

O mito Lula vive seu momento mais infernal. E tudo pode ficar ainda pior se o Procurador-Geral da República cumprir o dever... O que não ocorreu no processo do Mensalão, porque não convinha às ocultas forças internacionais que controlam o Brasil de verdade. Mas agora, como Lula nada mais é que um ex-Presidente, sem foro privilegiado ou imunidade parlamentar, a casa do mito tem tudo para ruir.

Pelo menos para a cúpula do PT, parece que a famosa Profecia Maia sobre o “fim do mundo” já é uma realidade bem concreta.

Diferenças fundamentais
O craque Jorge Bastos Moreno, de O Globo, revelou ontem que o ex-presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo, último dos presidentes da tal da dita-dura, tinha uma namorada secreta.

A grande diferença é que a empresária Myriam Abicair, que hoje é dona do badalado spa “Sete Voltas, em Itatiba, sempre foi tratada por Figueredo como “namorada” – e não como mera “amante”.

Outra diferença é que Myrian nunca entrou na aeronave presidencial, nunca teve cargo no governo, nunca fez parte de quadrilha para praticar tráfico de influência em benefício de empresas que fazem negócios com o governo e pagam mensalões, nem nunca se meteu com o complicado e perigoso negócio de venda internacional de pedras preciosas...

A conclusão a que se chega é que já não se fazem mais namoradinhas de presidentes como antigamente...

Vida que segue... Ave atque Vale! Fiquem com Deus.

Quando mensaleiros e a máfia dos pareceres se cruzam


Editorial
O Globo

Os escândalos do mensalão e da máfia dos pareceres, formada, segundo investigações da PF, sob a influência traficada pela chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, podem ser entendidos de várias maneiras.

Na aparência, de naturezas diferentes, os casos marcam um dos momentos de maior degradação ética da vida pública nacional.

Um, o mensalão, transcorreu no submundo da política e seguiu um enredo digno de ficção política, com operações engenhosas de lavagem de dinheiro público, para sustentar um projeto de poder do grupo hegemônico no PT.

O outro, em que aparece como protagonista Rosemary Noronha, próxima a Lula desde os tempos do sindicalismo no ABC, coloca à vista de todos um dos aspectos mais daninhos deste projeto de poder, a possibilidade do uso delinquente do Estado, para fins de enriquecimento pessoal privado. Roubo.

Os chefes do mensalão podiam estar pensando na “causa”, enquanto Rose, os irmãos Vieira (Paulo e Rubens) e os demais do esquema de corrupção montado em agências reguladoras visavam exclusivamente a se “dar bem”.

Os dois núcleos cometem crimes graves. O dos mensaleiros já tem penas definidas. Aguarda-se a vez de a turma da venda de pareceres comparecer ao tribunal.

Este grupo se aproveitou do projeto autoritário de controle do Estado por uma facção petista. Cassar a independência das agências reguladoras, decidir aparelhá-las com apaniguados, fazer o mesmo na administração direta e empresas estatais é tudo de que necessitam esquemas como o de Rosemary e irmãos Vieira para também assaltar os cofres públicos.

Eles são arrombados para literalmente comprar boa parte da base parlamentar do governo Lula e também para realizar sonhos de consumo da poderosa secretária Rose — cirurgia plástica, cruzeiro marítimo com dupla sertaneja...

A enorme capacidade de gastar dinheiro do Erário demonstrada por Rose é até mesmo comentada em e-mail de Paulo Vieira, infiltrado por ela, com a ajuda do Planalto, na agência de águas.

Esclarecedora do caráter e implicação de todos estes escândalos é a pressão de Rosemary para seus protegidos destinarem obras públicas à New Talent, construtora ligada ao marido, João Batista de Oliveira.

Revela a PF que Paulo Vieira e o irmão Rubens, escalado para agir na agência de aviação civil, tentavam conseguir contratos para a New Talent nos aeroportos de Viracopos e Guarulhos.

Eis uma das razões da enorme resistência a privatizações em geral e contra a retirada da Infraero, em especial, da administração de aeroportos. Em terminais concedidos a grupos privados, o marido de Rose terá grandes dificuldades de faturar algum projeto.

Bem como, sem estatais, haveria dificuldades na aplicação da fórmula de Marcos Valério de desviar dinheiro público por meio de contratos de publicidade fajutos (foi assim no Banco do Brasil/Visanet).

Mensaleiros e traficantes de pareceres se beneficiaram do mesmo projeto de um “Estado forte”.

Eduardo Campos diz que Lula merece respeito. E a Nação? Será que também merece respeito?


Carlos Newton
Tribuna da Imprensa

Com a descoberta do caso amoroso envolvendo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a política nacional está ficando cada vez mais apimentada. Agora é o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, presidente nacional do PSB e pretendente à sucessão presidencial em 2014, que entra no noticiário para defender Lula, comparando-o com seu antecessor Fernando Henrique Cardoso, que teve diversos romances fora do casamento e se enrolou tanto que acabou reconhecendo um filho que nem era seu, com a repórter Miriam Dutra, da TV Globo.

Indagado pelos jornalistas se Lula devia explicações à sociedade, em função dos atos de corrupção e tráfico de influência envolvendo a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa Noronha, que mantinha um caso amoroso com o então presidente, o governador pernambucano afirmou:

“Vamos compreender o papel de Lula como o do ex-presidente FHC (Fernando Henrique Cardoso) na história, de líderes que têm imperfeições, que cometeram erros, todos os dois, mas que legaram ao Brasil, cada um a seu tempo, algo que é importante para a vida brasileira até hoje (a democracia). O presidente Lula merece, do Brasil, respeito.”

APURAR TUDO…
Segundo a repórter Elizabeth Lopes, da Agência Estado, Campos defendeu que se investigue esse escândalo e que as pessoas que usaram cargos públicos para tráfico de influência sejam processadas.

“É preciso que se apure tudo e os responsáveis (por práticas ilegais) sejam punidos com o rigor da lei. O Brasil tem mudado, não se aceita mais que uma carga tributária de quase 36% possa ser administrada por práticas patrimonialistas, que não é mais admitido. E (o Brasil) tem mudado”, frisou, citando como exemplo a independência que certas instituições, como a Polícia Federal, têm para agir.

Ao falar de Lula, o presidente nacional do PSB disse que o petista prestou ao Brasil um papel de grande relevância, legando independência à Polícia Federal. “E estamos vendo um Ministério Público que não engaveta mais e que denuncia. Este é o legado que eu vejo do presidente Lula”, disse Campos, após o seminário “Novos ventos na política brasileira”, promovido pelo jornal Valor Econômico.

Traduzindo tudo isso: pretendente à sucessão presidencial em 2014, na verdade Campos está até animado com as desventuras de Lula. Tem o mesmo pensamento de Dilma Rousseff e acha que o uso do governo para fins libidinosos pode afastar Lula da disputa. É possível, não há dúvida, porque Lula, com suas luas-de-mel internacionais, realmente ultrapassou todos os limites.

O cúmplice de Rose


Ricardo Noblat

Lula deixou a presidência da República com uma ideia fixa - ou melhor: duas ideias.

A primeira: continuar mandando à distância por meio de Dilma. No que lhe interessa de verdade não pode se queixar. Manda. Outro dia até inventou uma CPI e Dilma só ficou sabendo ao retornar de uma viagem ao exterior.

A segunda ideia: por mais que negue, suceder Dilma a partir de 2014. Dona Marisa estava de acordo.

O câncer na laringe subtraiu-lhe parte da energia. Nem por isso abdicou do sonho do terceiro mandato. Recupera-se satisfatoriamente. E, salvo um imprevisto médico, estaria pronto para ir à luta.

Ocorre que duas gigantescas jamantas o atropelaram de agosto para cá: o julgamento do mensalão e o Rosegate.

Está lá, pois, o corpo de Lula estendido no chão. E é improvável que se levante antes de 2014. Depois será muito tarde.

Diz o PT, amparado por marqueteiros e analistas de pesquisas eleitorais: o julgamento do mensalão em pouco influenciou as eleições municipais de outubro último. O efeito dele foi quase nulo até mesmo em São Paulo, onde PT e PSDB travaram uma dura batalha.

De fato, eleição municipal é um fenômeno localizado. O eleitor está à procura de quem possa melhor administrar a sua cidade. Nada mais importa.

Eleição para deputado, senador, governador e presidente da República, não. Com frequência os interesses nacionais contaminam os locais.

Exemplo? Manaus.

Ali, em 2006, Lula colheu mais de 80% dos votos. Quatro anos depois, Manaus garantiu a Dilma uma votação estupenda. Lula foi lá este ano e pediu para que derrotassem Arthur Virgílio (PSDB), candidato a prefeito e seu desafeto.

Arthur se elegeu com folga.

Se a Justiça pusesse amanhã um ponto final no caso do mensalão e se o Rosegate acabasse apagado, por milagre, dos anais da política brasileira e da memória coletiva, nem por isso aumentariam as chances de Lula engatar a marcha da volta triunfal à presidência daqui a dois anos.

Imagine Lula, candidato, tendo que explicar a cada momento por que alguns dos seus ex-auxiliares de maior confiança estão presos.

Sim, porque os réus do PT no processo do mensalão só deverão ir para a cadeia no segundo semestre do próximo ano. E na cadeia ainda estarão quando a campanha presidencial do ano seguinte começar a pegar fogo.

Quer um cenário ainda pior para Lula, aspirante à vaga de Dilma?

E se em breve ele e outros suspeitos forem indiciados em um novo inquérito do mensalão? Isso não é só possível. É provável. A conferir.

O mensalão é um assunto árido para parcela expressiva dos brasileiros. E como envolve políticos, grana e desonestidade, não chama tanto a atenção. Estamos acostumados. Todo político é ladrão.

O Rosegate tem um ingrediente que o torna popular: lençóis e traições. É fácil de ser explicado: Lula cedeu à tentação e empregou no governo pessoas indicadas pela moça que se dizia sua namorada. Empregou, pelo menos, contra a opinião de dois dos seus ministros: o do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o da Defesa, Nelson Jobim.

Alojados em cargos estratégicos de agências reguladoras, tais pessoas formaram uma quadrilha para traficar influência e fraudar pareceres técnicos de órgãos federais.

A Polícia Federal descobriu o malfeito e indiciou-as por corrupção. A moça, também.

Sob a ótica religiosa, Lula é a versão atualizada de São Sebastião, picotado por flechas.

Sob a ótica profana, é o Tufão de um país chamado Avenida Brasil.


Esse foi o lance inaugural da eleição de 2012. O difícil é acreditar que ele tenha surpreendido Dilma.

Na melhor das hipóteses, Rose fez Lula de bobo. Na pior, de cúmplice.

Levando-se em conta seu prontuário, Lula ficou com mais pinta de “o cúmplice” do que de “o bobo de Rose”.

Vem aí uma crise elétrica?


Adilson De Oliveira (*)
O Globo

Como era de se esperar, a proposta do governo não foi recebida com entusiasmo pelas concessionárias de energia . Porém, a dimensão que a insatisfação tomou é preocupante

O governo anunciou com pompa e cerimônia a boa notícia: redução de 20% na tarifa elétrica. A notícia foi recebida com otimismo. A disparada nos preços da energia, um dos elementos centrais da perda de competitividade da economia brasileira, será revertida. O anúncio da má notícia foi deixado para mais tarde.
A tarifa elétrica brasileira é paradoxal. Apesar de menores custos comparativos, nossa tarifa é mais elevada que a de nossos parceiros comerciais, por três razões centrais: adicionais tarifários agregados para atender políticas de governo; incidência de tributos; tarifa fixada para condições vigentes no início da década passada.

O ambiente econômico atual oferece condições para substancial redução da tarifa. A maior parte dela viria da eliminação de encargos que não mais se justificam. Esse é o caso da RGR, da CDE e da CCC, que reduziriam a tarifa média em 10%. A reversão da incidência do PIS e da Cofins para o regime cumulativo reduziria em mais 4%. A ampliação de pressões competitivas permitiria alcançar a meta anunciada. Havia boas razões para receber com otimismo a notícia do governo.

O otimismo se esfumou com a necessária má notícia. Comedido na redução dos encargos, o governo preservou o regime de impostos e o essencial da redução dos custos será repassado para os acionistas das concessões vincendas. Como era de se esperar, a proposta não foi recebida com entusiasmo pelas concessionárias. Porém, a dimensão que a insatisfação tomou é preocupante. Regras confusas no cálculo de ativos não amortizados e obrigação de decidir antes de essas regras estarem plenamente em vigor explicam essa situação.

Criado o anticlímax, o governo ofereceu ajustes na sua proposta. Esse caminho tortuoso cria riscos regulatórios, cujo efeito principal será a postergação de investimentos. A perda da confiabilidade no sistema elétrico, já preocupante, será amplificada com efeitos danosos para a economia. Um pouco mais de agressividade na eliminação dos encargos injustificáveis permite melhor remunerar os ativos não amortizados. Porém, isso não é suficiente. É necessário que as concessões (vincendas e não vincendas) valorizem esses ativos com base no cenário econômico e energético atual: taxa de juro real baixa e de abundância na oferta de energia. Além disso, a expansão da oferta de gás natural não convencional nos Estados Unidos tem provocado forte redução no preço da energia no mercado global. Cedo ou tarde, as concessionárias terão que alinhar sua tarifa ao preço internacional.

A recontratação da energia das concessões vincendas deve ter papel motor na ampliação das pressões competitivas no mercado elétrico. Para tanto, basta o governo retomar as concessões vincendas (como previsto nos contratos de concessão), seguida da oferta da energia dessas centrais em leilões competitivos, abertos para distribuidoras e consumidores livres com preços mínimos preestabelecidos. Caberia aos consumidores livres e às distribuidoras revelarem o preço adequado para a energia dessas concessões, tornando-se desnecessária a fixação, pelo governo, de tarifas para cada concessão.

As empresas proprietárias das atuais concessões teriam garantido o ressarcimento de seus ativos não amortizados (após a devida auditoria contábil), ficando aptas para participar da relicitação das concessões com os créditos de seus ativos não amortizados. Ganhos financeiros nesse processo seriam canalizados para programas sociais e regionais que o governo decida preservar.

(*) Adilson de Oliveira é professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro

O estrago que 'madame' fez em nome de Lula


José Nêumanne 
O Estado de S.Paulo

Na entrevista coletiva em que foi apresentado como técnico da seleção nacional, Luiz Felipe Scolari fez uma brincadeira sobre a pressão sofrida por qualquer ocupante de seu novo emprego. "Se não quer pressão, é melhor não jogar na seleção, vão trabalhar no Banco do Brasil", disse ao completar a declaração de que ganhar a Copa de 2014 é uma obrigação. Bastou isso para que o mundo desabasse sobre sua cabeça. Apesar de ser esta notoriamente dura, seu dono, o autor da graçola, submetido a críticas de sindicatos de bancários e diretores e funcionários do BB, terminou pedindo desculpas em público.

O autor destas linhas é do tempo em que passar no concurso para o Banco do Brasil era quase como ganhar na loteria da Caixa Econômica Federal. Perceba que a sorte neste país está sempre sob chancela estatal. Emprego estável garantido, prestígio social e, como insinuou Felipão, vida mansa. Hoje já não se pode dizer o mesmo, mas também não é uma ocupação de que alguém venha a arrepender-se algum dia, principalmente diante das vicissitudes da economia, que às vezes provocam dores de cabeça nos assalariados da iniciativa privada, mas nunca prejudicam as evidentes vantagens de quem vive sob os auspícios da viúva.

De pouco adiantou o currículo do técnico, o último a dirigir uma seleção brasileira campeã do mundo, em 2002, na Ásia: ele teve de ajoelhar no milho e se penitenciar perante a corporação. Logo depois de seu triunfo, a gestão federal do Partido dos Trabalhadores (PT) empreendeu um esquema de compra de votos de bancadas aliadas para apoiar projetos no Congresso Nacional. E parte do dinheiro que usou foi surrupiado dos cofres do banco cuja honra foi agora defendida com tanto denodo por seus funcionários. O então diretor de Marketing nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Henrique Pizzolato, mandou depositar R$ 73,9 milhões nas contas das agências publicitárias mineiras DNA, Graffiti e SMPB, que os repassaram em forma de propina a partidos e políticos da base.

Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 12 anos e 7 meses de prisão, o ex-funcionário de carreira e petista da linha de frente terá de amargar pelo menos 2 anos e 1 mês numa cela e pagar R$ 1,3 milhão de multa. É muito dinheiro, mas praticamente nada comparado com o total que se sabe que foi furtado. O companheiro pisoteou e jogou no lixo a credibilidade de uma instituição financeira com mais de 200 anos de existência e excelente reputação no mercado financeiro mundial. Seus colegas e correligionários, entretanto, preferiram execrar a Justiça pela sentença que condenou o ladrão à merecida prisão e reclamar do técnico da seleção pela piada, que nem é das mais pesadas.

Tão zelosa em negar os próprios privilégios, a corporação do BB nunca se mostrou particularmente interessada em salvaguardar a boa imagem dela. Ao desbaratar a quadrilha dos "bebês da Rosemary", os irmãos Vieira, que compraram as graças da ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha, a Polícia Federal (PF) comprovou isso. Pois constatou que essa senhora, acusada de desvio de conduta na Operação Porto Seguro, conseguiu que Luiz Carlos Silva, presidente da empresa Cobra, braço tecnológico do BB, contratasse a New Talent, de João Vasconcelos, marido da moça, e seu genro, Carlos Alexandre Damasco Torres. Assinado em maio de 2010, quando o vice-presidente de tecnologia do BB era José Luiz Salinas, o contrato levou em conta um atestado de capacidade técnica que os agentes federais presumem ser falso. Genuína mesmo era a ligação de Salinas com José Dirceu, o ex-chefe da Casa Civil de Lula, como Pizzolato condenado (por corrupção ativa e formação de quadrilha), e com o ex-presidente do PT Ricardo Berzoini, que o apadrinharam para o cargo. Salinas, hoje na Ásia, era também frequentador habitual do gabinete de "madame Rosemary".

Ainda há tempo para a corporação do BB protestar contra a malsinada influência em créditos evidentemente desastrosos, que também comprometem a credibilidade do banco público, mas nem a Velhinha de Taubaté acredita nessa hipótese. Pois os indignados com a gracinha do sisudo Felipão nunca vieram a público reclamar do aparelhamento promovido pelo PT dos bancários Berzoini e Luiz Gushiken na antes respeitável instituição financeira. Ao contrário, todos neste momento estão empenhados em encontrar uma desculpa qualquer, similar à do caixa 2 de campanha, com a qual tentaram desacreditar o julgamento do mensalão.
Enquanto isso, dirigentes do PT, falsos ingênuos e blogueiros ditos progressistas fazem de tudo para desmoralizar pelo menos um dos responsáveis pela condenação dos companheiros Dirceu e José Genoino. A bola da vez não é o ex-presidente do STF Carlos Ayres de Brito nem o atual chefe máximo do Judiciário e relator do julgamento, Joaquim Barbosa, mas Luiz Fux.

O ministro está sendo acusado à boca pequena, como é comum no gulag de intrigas do PT, de ter-se comprometido a absolver os mensaleiros em troca da vaga no Supremo. A calúnia não se apoia em documentos nem na lógica e padece de um defeito de origem: quem mereceria recriminação, um jurista que aceita chegar ao topo da carreira renegando a independência e a honra de julgador ou um estadista que seja capaz de exigir dele tal promessa? A pergunta nem merece resposta, tão implausível é a injúria.

Mas há outras duas que não podem ser caladas. Qual a pior hipótese: a de uma secretária de luxo ter poderes para nomear e promover usando o santo nome do ex-presidente Lula em vão, sendo sempre atendida, ou a de este avalizar seus pedidos? Seria pior para a República o advogado-geral da União fazer tráfico de influência ou ele nunca ter percebido a quadrilha operando no gabinete ao lado, de um amigo que promoveu?

Pelo visto, o mensalão é pinto comparado com o estrago feito pela madame em nome de Lula.

Governo é que politizou redução da tarifa de eletricidade


Editorial
O Globo

Sobre o preço final da energia elétrica hoje pesam tributos elevados e encargos de várias naturezas. Muitos estados se tornaram dependentes do imposto

O fato de empresas como Cemig, Cesp e Copel, estatais de estados governados pelo PSDB, maior partido da oposição, não terem aceitado as condições do governo federal para a renovação de concessões de hidrelétricas não pode ser rotulada de atitude meramente política, como algumas autoridades vêm procurando caracterizar em Brasília. Se as estatais federais tivessem livre arbítrio sobre essa questão, provavelmente também teriam recusado tais condições, haja vista a reação contrária de seus acionistas minoritários. As ações da Eletrobras sofreram forte desvalorização ao longo das semanas que se seguiram ao anúncio dessas condições, refletindo a avaliação negativa que o mercado fez sobre elas. Só a estatal perdeu quase R$ 9 bilhões em valor de mercado.

Então, o que na verdade ocorreu foi que o governo federal errou na dose. A intenção de se aproveitar a renovação das concessões para reduzir as tarifas de energia elétrica é de fato oportuna, mas tal iniciativa deve se apoiar em bases realistas, para que os ganhos imediatos não acabem sendo anulados no médio e longo prazos. Quando as hidrelétricas forem oferecidas em leilão, não será uma surpresa se as atuais concessionárias as disputarem e se sagrarem vencedoras na licitação.

O governo federal cometeu, então, o equívoco de não ouvir mais as empresas e buscar uma saída para o impasse que foi criado. Na verdade, não foi a oposição que politizou o tema, mas o próprio governo, ao anunciar antecipadamente qual o percentual de redução das tarifas de energia, sabendo de antemão que essa proporção somente seria alcançada com a adesão integral das empresas às condições de renovação das concessões.

Na medida que capitalizou esse anúncio — com forte apelo popular —, o governo não quis voltar atrás da decisão, o que teria sido mais razoável. Mas agora Brasília teve de admitir que em vez dos 20% de redução nas tarifas de energia, o corte será da ordem de 16%. Trata-se, sem dúvida, ainda de redução substancial, e que ajudará os setores produtivos a ter um custo de energia mais competitivo com os de seus concorrentes em outros países, além de colaborar para a queda inflação em 2013.

Sobre o preço final da eletricidade continuam pesando tributos elevados e encargos de várias naturezas. Mesmo sendo um insumo essencial para a produção, estados não deixam de taxá-lo fortemente, chegando a arrecadar com o imposto sobre eletricidade um terço de suas receitas próprias, o que os torna mais dependente deste tipo de imposto. Não por acaso estados mais pobres são os que mais tributam a energia.
Companhias estatais remanescentes do setor elétrico precisam de um choque de eficiência, e forçá-las a tal merece aplausos. Porém, os parâmetros de mercado precisam ser respeitados. Se não, o preço será cobrado quando as empresas procurarem os investidores privados para se financiar.

Intenção e gesto


Dora Kramer
 O Estado de S.Paulo

Desde a aprovação da lei que veta candidaturas de gente condenada em julgamentos colegiados, a Ficha Limpa vem servindo de inspiração a outras instâncias e já transpôs a fronteira do ambiente eleitoral.

As prefeituras de Minas, São Paulo e Rio já incorporaram a exigência, bem como o Conselho Federal de Medicina e o Conselho Nacional de Justiça. A Lei da Ficha Limpa é um sucesso de crítica e bilheteria.

Muito bom que assim seja. O governo federal, inclusive, se inspirou na legislação para preparar um decreto a ser editado em breve a fim de estabelecer uma série de normas nas quais devem se enquadrar os candidatos a cargos ocupados por meio de indicação.

O texto está em exame na Casa Civil e aguarda assinatura da presidente Dilma Rousseff para que se faça o anúncio em grande estilo, a fim de demonstrar o rigor do governo no combate à corrupção.

Excelente que assim seja. Inquietante, contudo, que só agora essa preocupação com tal tipo de controle de qualidade se manifeste, equivalendo a uma confissão de que até agora o teor de "ficha" pouco importava.

Espantoso mesmo que o poder público (em todos os âmbitos de todos os matizes partidários) necessite do respaldo de novas regras para seguir um preceito já expresso na Constituição.

Em artigo de facílima compreensão. Tão nítido quanto sobejamente ignorado: o de número 37, cujo mandamento é a obediência aos preceitos da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência na administração pública.

Lei complementar (64) de 1990 regulamenta as exigências, detalhando os casos de impedimento para alguém se tornar um agente público. Está tudo lá devidamente por escrito. É só seguir. Na teoria há mecanismos de controle à disposição de quem se propuser a aplicá-los.

O problema é a prática. Ao que se saiba, o Gabinete Institucional da Presidência da República seria o encarregado de filtrar as indicações aos postos de livre nomeação do governo.

Mas, se não cumpre essa função, se não é ouvido ou se é desautorizado, se o que vale é a vontade do padrinho e a conveniência política de quem detém o poder da palavra final, não será um novo decreto que resolverá a situação.

Para ficar no escândalo mais recente, que motiva a antecipação do decreto, envolvendo a chefe do escritório paulista da Presidência e o braço direito do advogado-geral da União.

Quem insistiu na indicação do adjunto da AGU, mesmo com um passivo de processos anteriores? O titular da pasta. E por que conseguiu? Porque tinha força emanada "de cima".

A determinante aí não foi a norma da boa conduta, mas o preceito do prestígio sob o aval dos maiorais na hierarquia. Isso vale para o exame dos pré-requisitos do candidato e para a fiscalização do comportamento no exercício do cargo.

Contra Rosemary Noronha não pesavam acusações formais nem processos. Para todos os efeitos não estaria enquadrada nos impedimentos legais.

No dia a dia, porém, deslumbrou-se, extrapolou e pelos relatos que fazem auxiliares e políticos que com ela conviviam, era visível e causava desconforto a inadequação de seus atos.

Norma alguma será eficaz se não for eficiente sua aplicação e, sobretudo, se não for genuína a disposição de executá-la. São inúmeros os exemplos.

O da Comissão de Ética Pública é um deles. Seus mandamentos balizam o que é aceitável ou não por parte das autoridades do primeiro escalão federal, mas na realidade não valem de nada porque não são levados nem a ferro muito menos a fogo.

A Lei da Ficha Limpa é uma boa inspiração, mas é preciso que a mão que balança o adereço queira algo mais que simular empenho na superação de velhos vícios. Primordial que traduza isso em cada gesto, a fim de não cair no descrédito. Ou pior: naquele ambiente de trevas repleto de boas intenções.

Gilberto Carvalho, o tapete, a dor e a gozação


Josias de Souza

“Doa a quem doer” será uma boa expressão-lema para ser usada no Brasil quando, no futuro, quiserem contar como o país era cínico. Ela volta de tempos em tempos. Retornou nesta segunda-feira nos lábios do ministro Gilberto Carvalho, o Gilbertinho. Chefe da Secretaria Geral da Presidência, ele insinuou que bandido não terá vida fácil no governo. “Cortaremos na carne, doa a quem doer. Sempre foi assim, desde o governo Lula e continua sendo.”

Gilbertinho enxerga um quê de exagero na tese segundo a qual há corrupção demais no governo. “A impressão de que há mais corrupção agora não é real. O que há mais agora é que as coisas não estão mais embaixo do tapete.” Quando o “doa a quem doer” vem associado à jura de que nada será enfiado sob o tapete pode-se até desconfiar de ironia de quem ainda usa esses chavões, mesmo conhecendo o que se passa ao redor. Ou é ironia ou é desfaçatez.

Esses códigos costumam ser mencionados em meio a investigações rigorosas que nunca dão em nada. No julgamento do mensalão, o STF deu a entender que os ventos mudaram de rumo. Ministros e autoridades devem ter mais cuidado. Melhor se abster de pronunciar qualquer coisa parecida que com “cortar na própria carne” ou “doa a quem doer”. Pode comprometer a seriedade do momento. Gozação, agora, não.

Nota técnica da AGU contesta pareceres de Adams e Toffoli


Vinicius Sassine
O Globo

Advogados sugerem que seja reavaliada posição da União em processo que interessa a ex-senador

O GLOBO / GUSTAVO MIRANDA
Luís Inácio Adams . Um ex-braço-direito do advogado-geral 
da União está no centro das investigações da PF

BRASÍLIA - Uma nota técnica produzida na Advocacia Geral da União (AGU) na última quinta-feira, após a deflagração da Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, põe em xeque as manifestações de José Antônio Dias Toffoli, Evandro Gama e Luís Inácio Adams — todos na condição de advogados-gerais da União — em processo sobre a Ilha das Cabras, em Ilhabela (SP), de interesse do ex-senador Gilberto Miranda (PMDB-AM).

Após ser derrotado na Justiça de São Paulo, Gilberto Miranda (PMDB-AM) acionou o Supremo Tribunal Federal para garantir a permanência na ilha e a anulação de multa aplicada por danos ambientais. O ex-parlamentar, indiciado pela PF, usou como estratégia provocar a União para integrar os autos.

Toffoli, hoje ministro do STF, e Gama, procurador da Fazenda Nacional, pediram em junho e outubro de 2009, respectivamente, para a União ingressar no processo, o que beneficia Miranda. Gama chegou à AGU por indicação de Toffoli e exerceu a função de advogado-geral da União substituto com a saída do chefe para o cargo de ministro do Supremo. Em agosto de 2011, o atual advogado-geral, Adams, reiterou o pedido de a União entrar no processo sobre a ilha no litoral paulista.

Agora, com a revelação de um esquema de venda de pareceres jurídicos, os advogados da AGU decidiram apresentar manifestações oficiais de discordância. “São descabidas as argumentações iniciais do senhor Miranda”, afirma o coordenador-geral de Patrimônio e Meio Ambiente da AGU, Dennys Hossne, em nota técnica assinada na última quinta-feira, dia 29. O documento foi assinado também pelo diretor do Departamento de Patrimônio e Probidade, Renato Dantas. Eles discordaram da existência de interesse da União no processo em função da discussão sobre o domínio da ilha, tese sustentada pelo ex-senador. “Sugiro que seja reavaliada a posição da União”, conclui a nota.

Quando os advogados de Gilberto Miranda se manifestaram no processo em curso no STF sobre os pedidos da AGU, não colocaram qualquer objeção à entrada da União nos autos.

A Justiça de São Paulo multou o ex-parlamentar por danos ambientais — já que ele construiu ilegalmente um heliponto, uma praia artificial e um deque na ilha — e estabeleceu na sentença que o terreno pertence ao Parque Estadual de Ilhabela. O imóvel pertence à União, conforme registro da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) em São Paulo, vinculada ao Ministério do Planejamento.

Diante das suspeitas de corrupção na concessão da ilha ao ex-senador, o ministério determinou a suspensão do ato que permitiu a Miranda explorar o local, o chamado aforamento. A nota técnica da AGU, elaborada após a operação da PF, diz que “nada impediria” a inclusão da União em novo processo, e não necessariamente no processo em curso no STF.

A situação da Ilha das Cabras está no centro das investigações da Operação Porto Seguro. Para ver atendidos seus interesses e obter pareceres favoráveis, conforme a investigação da PF, o ex-senador recorreu a três servidores: Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), apontado como chefe da quadrilha; José Weber Holanda Alves, ex-advogado-geral adjunto da União e ex-braço-direito de Adams; e Evangelina Pinho, ex-superintendente da Secretaria de Patrimônio da União (SPU) em São Paulo. Os três foram indiciados pela PF por suposta participação no esquema.

Até agora, a AGU não tornou público o teor da maioria dos pareceres jurídicos assinados por Weber. Segundo o próprio órgão, o ex-advogado adjunto assinou 942 atos desde a nomeação para o gabinete da AGU, em julho de 2009, dos quais 40 documentos “têm alguma ligação com manifestações jurídicas”.

Sete se referem à Ilha dos Bagres, outra ilha ocupada por Miranda, em Santos (SP). “Os outros 33 atos não compõem o escopo da Operação Porto Seguro e ainda estão na AGU em fase de localização dos processos físicos”, sustenta o órgão, por meio da assessoria de imprensa.

A nota técnica produzida no último dia 29 foi motivada pelo extravio de um ofício encaminhado por Evangelina Pinho, da SPU, para a sede da AGU, em Brasília. No documento, ela reforça o interesse no ingresso da União no processo em curso no STF. O autor da nota técnica discorre, então, sobre posicionamentos anteriores da Coordenadoria de Patrimônio e Meio Ambiente em relação à Ilha das Cabras: “O dano ambiental já foi reconhecido em sentença do TJ-SP e, portanto, é de interesse da União que seja reparado com a maior brevidade possível, o que não ocorrerá se forem invalidadas decisões proferidas num processo que se iniciou em 1991.”

A análise dos pareceres da SPU, como o documento extraviado e depois recuperado, cabe à Secretaria Geral de Contencioso da AGU. A unidade deu um prazo de cinco dias úteis para que a SPU se manifeste sobre o interesse de continuar como parte no processo que discute a ocupação da Ilha das Cabras.

No STF, o ministro Joaquim Barbosa deixou a relatoria do agravo de instrumento por ter assumido a presidência do tribunal. O novo relator será o substituto do ministro Ayres Britto, que se aposentou no fim de novembro. Ainda não houve qualquer manifestação ou decisão nos autos.

Sobre a nota técnica discordante da posição adotada até agora sobre a Ilha das Cabras, a AGU sustenta que “a manifestação jurídica embasou o envio de ofício a cinco órgãos da administração federal para que se posicionem sobre o interesse de manter o pedido de ingresso da União”. “Foi por acionamento da SPU em SP que a AGU pediu ingresso como assistente no agravo de instrumento.” Toffoli sustenta que atuou no caso, em 2009, por orientação da Secretaria Geral de Contencioso da AGU. Gama diz ter assinado a pedido da SPU.

Energia sem planejamento


O Estado de S.Paulo

O governo federal terá de recorrer a cortes de impostos e a subsídios para garantir a prometida redução de 20,2% nas contas de luz, se for incapaz de superar ou compensar a resistência da Cesp e de outros grupos ao esquema de renovação antecipada de concessões. Terminado o prazo para adesão, ontem, só 60% das usinas aceitaram a proposta. O governo paulista a rejeitou, mas poderia aceitar um entendimento, se as condições apresentadas pela administração federal fossem melhoradas, segundo o secretário de Energia do Estado de São Paulo, José Aníbal. Até ontem, no entanto, nenhum avanço ocorreu nas negociações, disse o secretário ao sair de uma reunião no Ministério de Minas e Energia, em Brasília. Nem mesmo o prazo especial, até 31 de dezembro, para a apresentação de relatórios sobre reformas e ampliações de centrais elétricas tornou as condições mais aceitáveis, disse Aníbal. Sem acerto, a Cesp poderá ter de devolver a Usina Três Irmãos no começo do ano.

O governo mineiro havia informado, alguns dias antes, a intenção de recusar parcialmente as condições do poder central. A Cemig, segundo os representantes de Minas Gerais, teria direito à renovação dos contratos de três de suas usinas nos termos originais, sem compromisso de redução de tarifas.

O governo só conseguiu adesão geral das empresas de transmissão.

A presidente Dilma Rousseff e os responsáveis pelo setor energético falharam, portanto, quando resolveram impor às concessionárias um acordo concebido no interior do governo e nunca discutido abertamente com todos os grupos.

De modo geral, a proposta federal foi recusada porque as condições financeiras foram consideradas insuficientes. O governo propôs renovar as concessões antecipadamente em troca de redução das tarifas. Isso seria possível, segundo o esquema concebido em Brasília, porque as concessionárias já teriam amortizado a maior parte do investimento fixo. Poderiam excluir esse custo, portanto, da composição das tarifas.

O raciocínio pode ser correto, em princípio, mas ainda haveria uma amortização residual e seria preciso cobrir essa diferença. O valor oferecido ficou muito abaixo da necessidade estimada pelas companhias. Pelo menos em um caso - o da Usina Três Irmãos, da Cesp - houve um erro indiscutível, porque os cálculos foram feitos como se a operação tivesse começado dez anos antes da data efetiva.

Depois de alguns dias de discussão e de muitas críticas, contas foram refeitas e alguns valores foram aumentados. Alguns grupos aceitara. Outros, incluída a Cesp, continuaram rejeitando como insuficientes as compensações. Com as três usinas paulistas - Três Irmãos, Jupiá e Ilha Solteira - fora do esquema, o governo federal deve perder algo entre 1,6 e 1,7 ponto porcentual dos 20,2% de redução prometidos, disse o secretário José Aníbal.

Como outros grupos deveriam ficar fora do acordo, a perda total poderia ser maior e as renovações permitiriam um corte de apenas 17% ou menos, segundo especialistas. Para manter o objetivo original, o governo teria de cobrir a diferença com recursos próprios, cortando tributos ou subsidiando a energia.

A Eletrobrás, controlada pela União, aderiu ao acordo contra a vontade dos minoritários. Eles tentaram impedir a adesão, na assembleia de segunda-feira, mas o governo impôs sua vontade, sujeitando a empresa a perdas elevadas e reduzindo sua capacidade de investimento.

O elevado custo da energia elétrica é uma importante desvantagem da indústria brasileira na competição internacional. O governo deve dar prioridade, portanto, à redução desse custo, para fortalecer a economia nacional. Mas a administração federal tomou o caminho errado. Preferiu a improvisação ao planejamento, sem negociação com os agentes envolvidos. Aceitou até o risco de impor perdas à Eletrobrás, prejudicando sua capacidade de investir e comprometendo, portanto, a oferta e o custo futuros da energia. Mais uma vez a presidente Dilma Rousseff confundiu o papel do Estado como articulador e indutor do crescimento com o exercício autoritário do poder. Isso é ruim para seu governo e para o País.

O zum-zum é que tá faltando um


Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação

Corrupção, investigações, a mulher que sabia demais (e não era Doris Day cantando Que será, será, tendo como galã James Stewart), as fofocas do quem comeu quem, tudo isso é muito chato. Música é melhor. Aqui, por exemplo, levemente atualizado, um clássico popular: Zum-zum, de Paulinho Soledade e Fernando Lobo, com Dalva de Oliveira, sucesso de 1950. Parece coisa de hoje!

"Oi, zum, zum, zum, zum, zum, zum, zum / Tá faltando um! 
"oi, zum, zum, zum, zum, zum, zum, zum / Tá faltando um!
"Bateu asas, foi embora, não apareceu
"Nós vamos cair sem ele, foi a ordem que ele deu (bis)
"Ele que era o porta-estandarte / e que fazia alaúza e zum-zum
"Hoje o bloco está mais triste sem ele / Tá faltando um!
"Oi, zum, zum......(...)"

Está faltando um. Na hora em que a turma se expõe e cai na boca das ruas, o porta-estandarte se inclui fora dessa e manda o bloco se virar sem ele. Agora como antes, o bloco lamenta a ausência do chefe, que escapou desta para melhor.

A letra e a música são atualíssimas, mas alguma coisa mudou nos últimos 60 anos. "Zum-zum" é uma homenagem ao Comandante Edu, Carlos Eduardo de Oliveira, morto quando o Constellation da Panair que pilotava explodiu perto de Porto Alegre, em 28 de julho de 1950. Morreu trabalhando. Outras coisas não mudaram.

O Comandante Edu era fundador do Clube dos Cafajestes.

Link da gravação com Dalva de Oliveira: http://youtu.be/uqvpY-pz8tM

Alô, alô, quem fala?
Da coluna de Mônica Bergamo na Folha de S. Paulo: "Na tentativa, até agora infrutífera, de falar com Lula, Rosemary {Noronha} dizia que queria dar a ele ‘explicações’. Até o fim de semana, o ex-presidente evitava atendê-la".

Os sábios
Muita gente fala mal do ex-presidente Lula, achando-o pouco instruído. Mas Lula partilha a sabedoria de Sócrates, o filósofo grego: "Só sei que nada sei".

A coincidência
Sócrates, como Lula, não nos legou obra escrita. Mas teve grandes admiradores, que muito o citaram, muito o glorificaram, e ainda escreveram por ele.

Perto de uma, longe de outra
Lula se encontra por estes dias com a presidente Dilma Rousseff, em Paris, num seminário sobre Desenvolvimento Econômico e Combate à Crise. Com eles, estará também o presidente francês François Hollande.

A noite tudo encobre
O tempo passa e tudo se torna claro, menos as regiões de apagão. Há uma boa pista do motivo que levou aos apagões deste segundo semestre, em boa parte do país e por longos períodos: a Eletrobrás, controladora de 19 empresas de energia elétrica, investiu neste ano menos da metade do previsto em orçamento: 41,2%. Uma de suas empresas, a Eletronorte (que, por problemas técnicos, manteve seis Estados do Nordeste sem eletricidade, em setembro), investiu ainda menos: 38,2% do previsto. Furnas, uma das maiores produtoras do país, investiu um pouco mais - 57% do orçamento. 

Sem investimento, os clientes ficam no escuro.

Lamparinas! 
A Eletrobrás garante que o ritmo dos investimentos nada tem a ver com os apagões. É fantástica essa explicação: se os investimentos previstos não são necessários, por que foram previstos? O professor Roberto Piscitelli, do Conselho Federal de Economia, acha que as coisas são ainda piores do que parecem: "Há obras gigantescas, muito contestadas, mal planejadas". Ou seja, mesmo o que é investido não dá os resultados que poderiam ser atingidos.

No capricho
Paulo Skaf, presidente da Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, é um novo personagem político a ser levado em conta. Skaf está no PMDB, partido forte e com boa implantação em todo o Estado, comanda uma entidade poderosa (ou melhor, um grupo de entidades: Fiesp, Sesi, Senai) e está com postura totalmente reformulada na TV - provavelmente é efeito do trabalho de Duda Mendonça, que já está há algum tempo a seu lado. O sonho atual de Skaf é chegar ao Governo paulista; este sonho ganhou força com o mau desempenho de Gabriel Chalita, seu rival interno no PMDB, na luta pela Prefeitura paulistana.

Falta muito tempo para a eleição, mas vale prestar atenção em Skaf.

A hora do vale-tudo
Fazer oposição ao Governo Federal parece ao PCdoB, Partido Comunista do Brasil, um pecado tão mortal quanto duvidar que a Albânia, como dizia o partido, era o Farol do Mundo. Vale tudo: o portal Vermelho, do PCdoB, acusou o senador Aécio Neves, do PSDB mineiro, possível candidato oposicionista à Presidência, de interromper o luto pela morte de seu pai, o ex-deputado Aécio Cunha, para participar de uma reunião política. É verdade que Aécio Neves participou de uma reunião política; é verdade que seu pai morreu. Só que seu pai morreu em 2010. 

Nem o luto do PCdoB pela morte de Mao Tsé-tung durou tanto. 

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Tudo junto e misturado


Merval Pereira
O Globo

Dos fatos dos últimos dias, podemos selecionar vários que retratam à perfeição nossos tempos que, na definição de Eduardo Portella, são de “baixa modernidade”. Dois são exemplares, não apenas pelos protagonistas, mas pela maneira ligeira com que assuntos de Estado são tratados. Não por acaso, o modo petista de governar está na origem dos dois acontecimentos.

Pela ordem de precedência (pelo menos política) vamos tratar primeiro do caso envolvendo a chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, apanhada por uma ação da Polícia Federal em diversas falcatruas, com ramificações em vários órgãos do governo e em agências reguladoras.

Rosemary viajava na comitiva presidencial sempre que a primeira-dama dona Marisa não estava, todo mundo a conhecia como “a namorada” do Lula. Com esse título, Rosemary nomeava e demitia, era pistolão de primeiríssima até mesmo para ministros e autoridades dos diversos escalões da República.

O que fazem os petistas diante dos fatos que vão se desenrolando dia após dia no que chamam de mídia? Partem para o ataque, acusando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de também ter tido amantes, e até mesmo filho fora do casamento (que acabou provando-se não ser seu).

A “mídia” brasileira sempre tratou com discrição esse tipo de coisa, e estaria fugindo à regra somente porque se trata de Lula. Nada mais mentiroso. O que difere o caso de agora dos anteriores é que Rosemary ocupava um cargo público e nomeava pessoas para órgãos do governo. A corrupção que vai sendo revelada é apenas consequência dessa atrofia.

Outro caso: como decorrência do julgamento do mensalão, onde, como se sabe, figuras graúdas do PT foram condenadas até à prisão, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux vem sendo acusado de traição e estaria na lista de prioridades para vingança dos petistas.

Tudo porque teria prometido, ou deixado subentendido, em encontros com figuras de proa do governo, como o ainda todo-poderoso José Dirceu, e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, ambos já então réus do mensalão, que poderiam contar com seu voto no julgamento.

Como Fux não entregou o que presumidamente prometera, pois acompanhou o voto do relator Joaquim Barbosa em praticamente todos os casos, estaria no índex petista.

A primeira observação a fazer é que, a ser verdade, o governo petista estaria trocando a nomeação para o STF pela garantia de impunidade, o que não é uma prática possível de ser assumida publicamente, mas explica a ira de quem o nomeou com essa cabeça torta.

O que fez Fux, fustigado pelos ataques anônimos? Dispôs-se a dar uma entrevista a Mônica Bergamo, da “Folha de S. Paulo”, para contar sua versão dos acontecimentos e esvaziar possíveis retaliações, até a divulgação de gravação de uma das conversas em que supostamente vendera sua alma pela nomeação.

A entrevista de Fux pode ter esvaziado um golpe traiçoeiro, mas deixou cheiro de podre no ar e é desastrosa para ele e o STF. O ministro não apenas confirmou que teve diversos encontros com pessoas importantes no PT e no seu entorno, como Delfim Neto, como contou episódios que não são nada abonadores e podem indicar que trocou votos pela indicação ao STF.

A aproximação com o então ministro da Fazenda Antonio Palocci se deu depois que Fux votou a favor do governo no Superior Tribunal de Justiça numa disputa sobre IPI que proporcionou uma economia de 20 bilhões de dólares. “Você poupar 20 bilhões de dólares para o governo, o governo vai achar você o máximo. Aí toda vez que concorria, ligava para ele”, conta Fux.

Quanto ao apoio de João Pedro Stédile, do MST, ele conta que fez uma mesa de conciliação no STJ entre o proprietário e os sem-terra de um terreno invadido e depois pediu a ele para mandar um fax ao Planalto recomendando-o.

Diz-se que o então presidente Lula recusou-se a nomeá-lo com um argumento que tem lá sua lógica: “Como posso nomear um juiz que é apoiado tanto pelo Delfim como pelo Stédile?”.

Os dois casos mostram o estado das coisas no Brasil, onde a mistura de público e privado sempre foi o calcanhar de Aquiles do sistema democrático. Passamos por um retrocesso, voltando a práticas que pareciam superadas e de exacerbação do patrimonialismo justamente com o PT, que chegou ao poder supostamente para alterar a maneira de fazer política no país.