quinta-feira, dezembro 06, 2012

Número de jovens que não estudam ou trabalham chega a 17,2%


Exame.com
Akemi Nitahara, Agência Brasil

"Isso coloca a necessidade de políticas públicas que contribuam para uma inserção adequada desses jovens, na escola ou no mercado de trabalho", dizem as pesquisadoras

ChinaFotoPress/Getty Image
Jovem dormindo em parque público: entre os homens nessa faixa etária, 
11,2% estavam nessa situação em 2010, enquanto entre as mulheres o percentual foi 23,2%

Rio de Janeiro – Entre os anos 2000 e 2010, o número de jovens que não estudam, não trabalham e não procuram emprego aumentou em 708 mil pessoas. A proporção passou de 16,9% para 17,2% das pessoas entre 15 e 29 anos.

Em nota técnica divulgada hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), as pesquisadoras Ana Amélia Camarano e Solange Kanso alertam para as implicações sociais dessa constatação do Censo 2010. "Isso [os dados] coloca a necessidade de políticas públicas que contribuam para uma inserção adequada desses jovens, seja na escola ou no mercado de trabalho", dizem as pesquisadoras.

Entre os homens nessa faixa etária, 11,2% estavam nessa situação em 2010, enquanto entre as mulheres o percentual foi 23,2%, sendo que dois terços das mulheres que não estudavam e não trabalhavam eram casadas e 61,2% tinham filhos.

A grande maioria dos homens vivia com os pais, mesmo com a queda de 71,8% em 2000 para 62,6% em 2010. A proporção de chefes de domicílio subiu de 10,8% para 11,2%. Enquanto a renda familiar média nas residências com jovens que não estudam nem trabalham era R$ 1.621,86 , nas famílias com jovens que estudam e trabalham o valor sobe para R$ 3.024,34.

Quanto à escolaridade, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2011 mostra que os homens nessa condição tinham em média sete anos de estudo, enquanto as mulheres tinham oito anos. A escolaridade do chefe do domicílio na faixa estudada era mais baixa, o que aponta, segundo as pesquisadoras, que a da pessoa de referência na família influencia na frequência escolar do jovem e na renda familiar.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Já comentamos aqui esta triste estatística. Esta é uma das razões pelas quais se deve olhar com reservas – com muitas reservas – os dados sobre os números do desemprego no Brasil. O estudo acima desmonta a farsa do pleno emprego no país. Há muita gente em idade ativa fora do mercado de trabalho e seu número, simplesmente, não é considerado nas estatísticas do desemprego, o que acaba distorcendo a análise que faz  sobre o mercado de trabalho no país. 

Mas há um dado preocupante que salta aos olhos e que mereceria uma avaliação mais cuidadosa. Vejam lá: entre os anos 2000 e 2010, o número de jovens que não estudam, não trabalham e não procuram emprego aumentou em 708 mil pessoas. A proporção passou de 16,9% para 17,2% das pessoas entre 15 e 29 anos.

Creio que faltou ao estudo apontar as razões para este aumento de jovens que não trabalham e não estudam. Alguma coisa está provocando este aumento e, por certo, está relacionada  a políticas públicas ditas sociais que ao invés para atrai-los para a escola e mercado de trabalho os está afastando. Nos países da Comunidade Européia encravados em profunda crise econômica, os números não são muito maiores do que o nosso, onde se diz não haver crise alguma.