Adelson Elias Vasconcellos
Já em 2010, a Azaleia / Vulcabrás anunciava a abertura de fábrica fora do Brasil destinada à exportação. Naquela altura, a insensibilidade, a incompetência e a irresponsabilidade do governo federal produziam estragos terríveis para a indústria nacional. O processo chamado de desindustrialização e desnacionalização se acentuava em razão dos altos juros pagos pelo Brasil e que atraiam uma enxurrada de dólares que provocava a valorização excessiva da nossa moeda. Isto tinha por consequência pior, acabar com o restinho de competitividade dos nossos produtos industrializados, já castigados à exaustão por uma carga tributária extorsiva, uma burocracia estatal sufocante e cara, uma infraestrutura caótica e uma insegurança jurídica sem igual quando confrontada com os demais emergentes.
E, antes que o governo federal tente justificar o fechamento das unidades da Azaleia/Vulcabrás com suas tolices e mentiras, é bom lembrar que as unidades fechadas estão na Bahia, governada pelo petista Jacques Wagner que, ao que parece, nada fez para evitar o desastre.
Um mes depois do anúncio de abertura de uma fábrica fora do Brasil, publicamos aqui um artigo “Uma herança ruim prá danar” (íntegra aqui), do qual destacamos este trecho:
Muito embora haja quem torça o nariz para o fato, o certo é que, como noticiamos aqui, Philips, Marcolo, Novelis, Vulcabrás/Azaléia e, agora, a fabricante de calçados femininos Schmidt Irmãos, tradicional indústria de Campo Bom/RS, estão tomando o caminho de saírem do país para continuarem sobrevivendo. Afora estas, outras empresas estão mudando seu foco de “fabricantes” para distribuidoras: preferem comprar lá fora o produto pronto, e apenas o distribuírem no mercado interno. Pena que não se tenha uma estatística confiável, mas, certamente, a percepção é de que uma dezena de empresas brasileiras tenham sido adquiridas por multinacionais nos últimos cinco anos, confirmando a tese da desnacionalização. Neste sentido, destaca-se o ramo sucroalcooleiro, em razão do álcool combustível, ou etanol como queiram.
Assim, passados dois anos, e sem que este governinho merreca tenha tomado uma única decisão em favor da indústria brasileira, a não ser aqueles favores especiais e seletivos ao grupos dos amigos do poder e grandes colaboradores do caixa do partido, a indústria segue sua trajetória de queda, sendo aniquilada por um governo que se dedica muito mais aos seus interesses partidários do que com o verdadeiro interesse do país.
Quando Dilma se refere às empresas concessionárias que não concordaram com sua intervenção cretina e arbitrária, taxando-as de “insensíveis” deveria refletir-se no próprio espelho. Por que, conforme destacamos e questionamos no post final desta edição, querendo tanto baixar as tarifas de energia (e isto deve ser feito mesmo), o governo não reduz a carga tributária que impõe sobre as tarifas?
Convenhamos, este governo adora cumprimentar com o chapéu alheio. Mas é covarde, omisso e negligente quando as circunstâncias lhe cobram maior responsabilidade e competência. O que acontece agora com a Azaléia / Vulcabrás, demonstra o quanto o país está sendo desgovernado em nome, EXCLUSIVAMENTE, de um projeto de poder do partido organizado para o crime.
Crime sim, porque além dos esquemas de corrupção infiltrados em todos os recantos por este partido no Estado brasileiro, este governinho inconsequente tem sido responsável pelo fechamento de inúmeras indústrias que ficaram largadas à própria sorte por governantes que mais se preocupam em olhar para o próprio umbigo do que o interesse maior do país. Tais crimes contra empresas teve seu início ainda no primeiro mandato de Lula quando Dilma Rousseff, ainda chefe da Casa Civil, preferiu decretar a falência da VARIG, do que cumprir a ordem judicial, vencida pela companhia aérea em duas instâncias da Justiça, condenando a União pagar bilionária indenização.
A soberana deveria desinfetar seu vocabulário e fazer uma profunda reflexão sobre as muitas indústrias que sua negligência na condução da economia já provocou fechamento. Conforme divulgamos aqui recentemente, foram mais de 1 milhão de empregos fechados na indústria, fora os bilhões de prejuízos causados por investimentos que simplesmente acabaram na lata do lixo por falta de uma política industrial minimamente decente..
Fica claro que para sobreviver nesta selva chamada governo petista, só sendo doador para o partido e sua gangue instalada no poder. O resto, para eles, que se dane.