sábado, junho 23, 2007

TOQUEDEPRIMA...

* Demóstenes nega que viajou com amante
O Globo Online:

Diante de boatos de que teria viajado aos Estados Unidos com uma amante, com tudo pago pelo Senado, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) explicou na tarde desta quinta-feira que todo ano viaja a Nova York, para a sessão da ONU, e leva uma assessora, e não uma amante, porque não fala inglês. Ele disse ainda que não vê nenhum problema nisso porque até o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), viaja com assessores.

- O Renan disse que ia chamar todo mundo para o mesmo nível. Mas ele que fique sabendo que essa tática do cangaço não funciona. É uma tentativa imbecil de nos desqualificar. Fica ruim porque hoje eu sou solteiro, mas naquela época eu era casado. Não foi cometida nenhuma ilegalidade nem imoralidade - reagiu Demóstenes em entrevista.

Um pouco depois da entrevista de Demóstenese, Renan negou, no plenário do Senado, que esteja por trás dos boatos que circulam no Congresso atingindo senadores.

* Lula vai demitir presidente da Infraero
Blog do Noblat

Lula decidiu demitir o brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, a estatal que controla os aeroportos brasileiros, segundo o repórter Thomas Traumann no site da revista ÉPOCA. Ele acha que Pereira é um dos responsáveis pelo caos que toma conta dos aeroportos desde terça-feira.

(Atualização: 19:36: A Secretaria de Imprensa da Presidência negou que Lula tenha decidido demitir Pereira

* Relaxem e gozem. É o preço do sucesso!

Sabem o que disse, hoje, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, a respeito do apagão dos aeroportos?

- É o preço do sucesso.

Segundo ele, tudo se deve ao aumento do fluxo de passageiros. E o aumento se deve ao fato de as pessoas terem melhorado de vida e estarem com mais grana no bolso.

É o desenvolvimento, estúpido! Que nunca na História deste país foi tão expressivo. É isso.

Insuperável a dupla Marta ("Relaxem e gozem") Suplicy-Guido ("É o preço do sucesso") Mantega.

* Dilma desautoriza Costa sobre TV Digital

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, desautorizou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, a falar sobre gravação ou não de conteúdo da TV Digital.

O ministro, nesta quarta-feira declarou que o governo vai reavaliar na próxima reunião do Comitê de Desenvolvimento da TV Digital a decisão de permitir a gravação de filmes em alta definição de imagens pela TV Digital.

Em nota divulgada nesta quinta-feira, a Casa Civil informa que o Comitê, "integrado por dez ministros de Estado" decidiu em sua reunião no último dia 28 de maio não autorizar o bloqueio das gravações de conteúdo veiculadas pela TV Digital.

A nota confirma que a questão será reavaliada na próxima reunião do Comitê, mas ressalta que "até a análise do recurso" (encaminhado pelos radiodifusores) "não há nenhuma alteração da decisão tomada".

* EUA rejeitam fim de tarifa sobre álcool brasileiro

WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos rejeitou a proposta de eliminar a tarifa de importação sobre o álcool no país, o que mantém a barreira ao produto brasileiro. O governo americano estabeleceu em 1980 uma tarifa sobre o álcool importado de US$ 0,54 por galão (3,785 litros).

A Embaixada do Brasil em Washington avaliou, no relatório "Barreiras a produtos brasileiros no mercado dos Estados Unidos'', divulgado no mês passado, que "o álcool brasileiro enfrenta dificuldades para entrar no mercado americano há mais de 20 anos, devido a medidas protecionistas e subsídios à produção doméstica nos EUA''.

A proposta de eliminar a tarifa foi defendida pelo senador pelo Estado de New Hampshire, Judd Gregg. Segundo ele, comprar álcool do Brasil "faz muito mais sentido em termos geopolíticos''. "O simples fato é que eu preferiria comprar álcool do Brasil em vez de petróleo da Venezuela'', diz Gregg. "É uma energia mais limpa, é uma forma melhor de energia e é uma política nacional que deveríamos adotar, ao invés de endossar o atual governo venezuelano ao comprar petróleo de lá.''

Gregg disse ainda que a eliminação da tarifa pode expandir o consumo do produto na Costa Leste do país. "Desse modo, em algum momento vamos receber o álcool através de dutos, o que pode criar uma demanda maior pelo produto no país. E, isso beneficiará a produção no Meio-Oeste assim que descobrirmos um meio de transportar [o álcool] de modo eficiente ao Leste, porque a demanda terá sido criada.''

O senador republicano Charles Grassley (Indiana), no entanto, diz que o álcool comprado do Brasil já entra nos EUA livre de tarifas através dos países do Caribe. "O fato é que o Brasil não está tirando vantagem da isenção de tarifas de que atualmente dispõe'', afirmou. "Em particular, não sei porque deveríamos fazer isso, dada a posição do Brasil nas negociações da Rodada Doha, da OMC [Organização Mundial do Comércio].''

Ele lembrou que o Brasil é um dos líderes do G20 (grupo de países emergentes; o outro líder do grupo é a Índia), que tem resistido "aos esforços de obter para os produtos americanos maior acesso aos mercados, agrícolas ou manufaturados, no mundo inteiro''.

Além disso, o governo brasileiro intervém extensivamente no preço e na oferta do álcool no país. Mas a tarifa sobre o álcool nos EUA funciona como um nivelamento para uma isenção que se aplica tanto ao álcool produzido no país quanto ao importado. Assim, ao retirar a tarifa, estaríamos, de fato, subsidiando a produção de álcool.''

* Marta 'relaxa e goza' na FAB

Após sugerir que as vítimas do apagão aéreo "relaxem e gozem", a ministra Marta Suplicy (Turismo) ganhou um jatinho da FAB à disposição, 24 horas por dia. Ela alegou "razões de segurança" para evitar aeroportos e reações indignadas dos cidadãos. Como não há jatos suficientes para atender a todo o ministério, nestes dias de caos aéreo, a FAB tem sugerido aos colegas da ministra para pedir carona a ela, quando os destinos forem coincidentes.

* Uma fronteira de US$ 32 milhões
Folhapress

A Receita Federal apreendeu em Foz do Iguaçu, nos cinco primeiros meses do ano, US$ 32,64 milhões em mercadorias (aproximadamente R$ 65,28 milhões), valor 9% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Entre as mercadorias mais apreendidas estão cigarros, com US$ 5,81 milhões (R$ 11,62 milhões), seguidos por eletrônicos, US$ 5,14 milhões (R$ 10,28 milhões), e produtos de informática, no valor de US$ 3,38 milhões (R$ 6,76 milhões).

De acordo com balanço da Delegacia da Receita em Foz, a apreensão de CDs e DVDs piratas foi a que mais cresceu em relação aos cinco primeiros meses do ano passado. Foram US$ 118 mil só de mídia ótica, um aumento de 144%. Apenas em maio foram R$ 7,1 milhões em mercadorias retidas. O valor teve uma queda atípica de 20% em relação a maio do ano passado.

A Receita também apreendeu 1.775 veículos, calculados em R$ 19,7 milhões. Só no último mês, a Receita reteve 294 veículos. Desse total, 35 foram flagrados na Ponte Internacional da Amizade com fundos falsos, dos quais 24 paraguaios. O valor total da apreensão de veículos no mês soma US$ 2,2 milhões, ou R$ 4,4 milhões.

Além das mercadorias, foram apreendidas grandes quantidades de drogas e munições. Só no mês de maio foram 362,7 quilos de maconha, 3.971 munições, além de quantidades menores de cocaína, crack e lança-perfume. Dos 362,7 quilos de maconha, 56 foram apreendidos na Aduana. A apreensão de munições, em relação a maio do ano passado, aumentou 694%.

Brasil cai em rankings de comércio exterior da OMC

Daniel Gallas

O Brasil caiu nos rankings dos maiores países exportadores e importadores divulgados nesta quarta-feira pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo a OMC, o Brasil exportou US$ 137 bilhões em mercadorias em 2006, ocupando a 24ª posição na lista – uma posição a menos do que no ranking do ano anterior.

As exportações brasileiras representaram 1,1% do mercado mundial em 2006, o mesmo percentual registrado em 2005. O Brasil tem a mesma fatia do mercado exportador que a Tailândia e a Áustria.

Comércio em 2006 (em US$ bi)

Exportadores
1. Alemanha – 1.112
2. Estados Unidos – 1.037
3. China – 969
4. Japão – 647
5. França – 490
24. Brasil – 137

Importadores

1. Estados Unidos – 1.920
2. Alemanha – 910
3. China – 792
4. Grã-Bretanha – 601
5. Japão – 577
29. Brasil – 88
Fonte: OMC

No ranking dos países importadores, o Brasil caiu duas posições – da 27ª em 2005 para a 29ª no ano passado. O Brasil representou 0,7% do mercado importador mundial em 2006, com importações de US$ 88 bilhões em bens.

Surpresa no Brasil
O Brasil é o segundo maior exportador e importador de bens da América Latina, atrás apenas do México. Em 2006, o México exportou quase o dobro do valor brasileiro em bens (US$ 250 bilhões) e importou mais de três vezes do que o Brasil (US$ 268 bilhões).

A queda brasileira nos rankings surpreendeu a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), já que 2006 foi considerado um ano bom para as vendas externas do país.

Mesmo tendo caído no ranking de exportadores, as vendas externas brasileiras cresceram 16% em 2006, um ponto acima da média mundial de 15%.

Para o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, a queda do Brasil pode estar relacionada com o bom desempenho das economias européias.

"As exportações européias tiveram crescimento também (em 2006). A desvalorização do euro e a valorização do dólar no cenário internacional estimularam indiretamente as exportações da Europa também", disse à BBC Brasil.

O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, defendeu a Rodada Doha - de negociações comerciais internacionais para redução de barreiras comerciais em todo o mundo – como forma de melhorar o desempenho das economias mundiais.

"Uma conclusão bem-sucedida da Rodada Doha tem grande potencial para crescimento e alívio da pobreza. Um acordo também garantiria regras de comércio mais relevantes, ajudando a estabelecer uma fundação mais estável e certa para a dinâmica do mercado global de hoje", disse Lamy, em nota divulgada pela OMC.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Eis mais uma prova de que o Brasil não vai tão bem quanto Lula quer nos fazer crer. Vejam: no discurso presidencial, os números da nossa balança de comércio exterior são fantásticos, não é mesmo? Por certo que são, nunca vendemos tanto como agora. Mas o que é mesmo que estamos vendendo, além de comoditties cujos preços estão cada vez mais valorizados por conta das volumosas e cada mais crescentes compras da poderosa China ? Não fosse isso, e acreditem, estaríamos esmolando nas esquinas. E a causa é a incapacidade do governo de perceber que a atual política cambial é suicida. O ingresso de dólares, conforme tantas vezses já dissemos neste espaço, não se dá apenas por conta das exportações. Há muito ingresso financeiro, por conta da desoneração deste ingresso para financiamento da dívida pública. Com os juros mais altos do planeta, está feita a combinação perfeita para o real estar tão valorizado. E isto não é bom não. Fruto desta perversa combinação de fatores, já deixamos de exportar calçados, produtos têxteis, brinquedos e artesanato. Apesar do montante financeiro ser crescente nas exportações, estamos decaindo no volume. E poderíamos, senhores, estar bombando adoidado. O comércio mundial nunca foi tão dinâmico com tem sido desde 2003. E apesar dos nossos altos superávits, ainda assim, perdemos relevância neste comércio. Pela razão de que os ouros estão vendendo mais do que nós.

Por conta disto, é que estamos caindo no ranking. Não há discurso que resista aos fatos que os números reais nos exibem. Ontem informamos que o desemprego permanece estável, ou seja 10%. Quando se começam a juntar as peças que revelam a realidade de uma economia, e o cenário em que ela acontece, a realidade no caso do Brasil deveria ser muito preocupante. Estamos apenas olhando o nosso próprio passado, e esquecendo-nos de observar o que acontece à nossa volta no presente. O Brasil mesmo que esteja vendendo muito, em termos de valores, está perdendo muito em termos de volume e variedade. E isto representa retração de atividades que acabam desempregando. De um lado, há um lado positivo da economia que cresce, sem crises. Na comparação, os frutos de um acabam tolidos pelas decepções e perdas de outro. Dão porque estarmos na rabeira do crescimento dentre os emergentes. São as oportunidades que insistimos tanto de estarmos jogando fora. Sequer estamos nos mantendo dentro do ranking nas mesmas colocações de anos atrás. E como este quadro no governo Lula já se mantém há mais de quatro anos, e seu ufanismo exagerado não o deixa enxergar a realidade, acreditamos que esta estagnação ainda perdurará por muito tempo.

E não se vá cair na armadilha do crescimento em 5,0% do PIB ser um ótimo negócio: os outros já estão em 7,0%. Ou seja, estamos ficando para trás. Quer Lula aceite ou não, a realidade é dolorosa. E deveria merecer uma ação de ações não de longo prazo. Estamos é perdendo consistência no curto prazo mesmo.

Fracasso de Doha deixa Brasil na estaca zero

Denize Bacoccina

Exportadores dizem que governo errou ao não se preparar para negociações bilaterais

O fracasso das negociações para retomar a Rodada de Doha de liberalização do comércio mundial deixa o Brasil de volta à estaca zero na busca pela ampliação de mercados. Com a interrupção das discussões multilaterais, a negociação de acordos bilaterais se torna a única opção para incrementar de forma substancial o comércio exterior, na avaliação de entidades que representam exportadores.

O governo brasileiro – assim como os exportadores – sempre preferiu as negociações multilaterais, na Organização Mundial do Comércio (OMC), por ser a única via para acabar com os subsídios agrícolas, a principal reivindicação brasileira.

Mas tanto exportadores agrícolas como industriais afirmam que o governo errou ao apostar nas negociações multilaterais como única alternativa, sem continuar com as conversas bilaterais para o caso de a Rodada Doha fracassar.

“O Brasil agora é jogado nas negociações bilaterais sem que isso tenha feito parte de sua estratégia”, diz o presidente do Instituto de Estudos em Comércio e Negociações Internacionais (Ícone), André Nassar.

“Nós apostamos tudo (na OMC) e agora estamos sem nada”, afirma o coordenador de Comércio Exterior da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antonio Donizeti. “Sempre entendem que essas negociações deviam ser simultâneas.”

Mercosul X União Européia

Para Donizeti, mesmo que as negociações entre o Mercosul e a União Européia forem retomadas, o Mercosul fica numa posição mais fragilizada, porque os europeus já voltaram o foco para os mercados asiáticos.

“O Mercosul deixou de ser uma prioridade (para a UE). Estamos num cenário complicado. Sem acordo multilateral e sem perspectiva de acordos bilaterais”, afirma.

A sorte do setor agrícola, diz Donizeti, é que a economia mundial está crescendo e há muita demanda por produtos agrícolas. A projeção da CNA é de exportações de US$ 55 bilhões este ano, 12% a mais do que no ano passado.

“No curto prazo vamos continuar exportando mesmo com um mercado muito protegido, porque o mundo está crescendo e precisa de produtos agrícolas. Mas poderíamos estar crescendo muito mais se as tarifas fossem mais baixas, se os subsídios fossem reduzidos”, afirma.

O setor agrícola seria o principal ganhador da Rodada Doha, já que o agronegócio brasileiro é considerado competitivo em termos internacionais e somente alguns setores específicos poderiam sofrer com a competição externa.

Indústria
Para o setor industrial, a situação é menos definida. Alguns setores ganham com a abertura, mas outros passam a sofrer a concorrência dos produtos importados e podem até se tornar inviáveis.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que o Brasil agora deve se concentrar numa agenda de negociações bilaterais com poucos blocos e países.

O presidente do Conselho de Integração Internacional, Osvaldo Douat, cita Estados Unidos, União Européia, México, África do Sul e Conselho de Cooperação do Golfo (grupo de países árabes que inclui Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos), além da criação de um área de livre comércio latino-americana.

“Temos que priorizar uma nova agenda, focando em poucos países que possam dar bons resultados”, afirma.

André Nassar, do Ícone, afirma que o governo acertou ao dar prioridade às negociações na OMC, mas errou ao não preparar o país para negociações bilaterais caso elas dessem errado.

“Não tem a menor condição de o governo chegar agora para a sociedade e dizer que mudou tudo e alguns setores industrais vão ter que reduzir fortemente as tarifas de alguns setores”, afirma Nassar.

Nassar diz que, enquanto numa negociação multilateral é possível reduzir as tarifas de importação sem a necessidade de levá-las a zero, numa negociação bilateral os dois lados têm que se comprometer com uma abertura mais forte.

“No bilateral é preciso fazer uma abertura de verdade, levando boa parte das tarifas de importação para zero”, afirma.

Europa decide endurecer combate a barreiras do Brasil

Márcia Bizzotto, BBC Brasil
O combate direto a barreiras comerciais impostas pelo Brasil é uma das prioridades da União Européia, de acordo com a nova estratégia do bloco para acesso a mercados estrangeiros, divulgada nesta quarta-feira em Bruxelas.

Segundo um estudo encomendado pela Comissão Européia (Poder Executivo da União Européia), empresas do bloco indicaram Brasil, Rússia, Índia e China como os principais parceiros comerciais que a União Européia deve investigar.

Para dar início à nova estratégia, a União Européia criará em cada país prioritário uma equipe encarregada de detectar possíveis barreiras comerciais.

"Serão funcionários da Comissão Européia, especialistas e representantes de empresas que atuem no país em questão, gente que conhece bem o território do qual tratará", disse Peter Mandelson, comissário europeu de Comércio Exterior.

O documento não especifica quais seriam as barreiras impostas por cada país, mas a lista de reclamações dos empresários inclui "tarifas de exportação diferenciadas, sistemas de salvaguardas, cotas de acesso, restrições ambientais e fitossanitárias, pouca proteção a direitos intelectuais e regulamentos técnicos desnecessários".

"Só na China, as empresas européias perdem cada ano 20 bilhões de euros (mais de R$ 55 bi) por culpa das barreiras não-tarifárias", afirmou Mandelson.

Brasil
No caso do Brasil, a União Européia deverá se concentrar no setor de bens e serviços, área em que as principais barreiras apontadas pelos empresários europeus foram as restrições à propriedade estrangeira, obrigações de joint-venture e "tratamento discriminatório".

"O Brasil é muito importante (nessa nova estratégia). Vamos buscar a abertura do mercado de bens e serviços, como já venho pressionando para que aconteça tanto em nossas negociações bilaterais como na Rodada de Doha", afirmou Mandelson.

O comissário insiste que o fim das barreiras comerciais não beneficiará apenas à União Européia.

"Países como o Brasil já comprovaram que a abertura de mercados pode impulsionar o crescimento econômico e a melhora no nível de vida da população. Quando se comercializa mais, ganha-se mais", disse.

OMC
Segundo o comissário, o endurecimento da União Européia não resultará necessariamente em um aumento no número de ações do bloco contra seus parceiros comerciais na OMC (Organização Mundial do Comércio).

"A OMC não é uma opção. É o último recurso. Primeiro tentaremos derrubar as barreiras por meio de diálogo e negociações bilaterais", afirmou Mandelson.

A estratégia anterior da União Européia para acesso a mercados estrangeiros tinha sido elaborada em 1996 e estabelecia acordos multilaterais e bilaterais como a melhor forma de acesso ao mercado de países de fora do bloco.

"Muita coisa mudou desde então. As negociações multilaterais reduziram as tarifas, mas outras restrições regulatórias se tornaram cada vez mais importantes", concluiu Mandelson.

Questão de eficiência

Carlos Sardenberg, Portal G1

Como se fosse a coisa mais natural do mundo, o ministro da Defesa, Waldir Pires, manda avisar, de Paris, que a crise aérea não acaba antes de um ano. Considerando que a crise já vem infernizando os passageiros (e tripulantes e funcionários das companhias aéreas) há mais de um ano, serão no mínimo dois para equacionar o problema, como gostam de dizer os burocratas.Por que são necessários esses dois anos?

Para contratar, treinar e dar gratificações a controladores do tráfego aéreo. De novo, o ministro disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo, que a Aeronáutica precisa de dois anos para arrumar o quadro de controladores.Enquanto isso, no Rio, o ministro dos Portos, Pedro Brito Nascimento, disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo, que toda a gestão dos portos brasileiros está equivocada e travada. Tanto está que o governo não conseguiu liberar um único centavo dos R$ 2,1 bilhões previstos no PAC para obras de dragagem e modernização.

Para gastar, é preciso ter projetos – e parece que isso dá um trabalho danado.

Enquanto isso, a Receita Federal dá show de eficiência e bate recorde de arrecadação todo mês. E se não consegue gastar em obras de infra-estrutura, o governo é muito bom nos gastos com pessoal (contrata e cria cargos com facilidade), previdência e custeio.

TRAPOS & FARRAPOS:

A FALÊNCIA DE UM PAÍS RICO
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Muitos de nós, que trabalhamos, pagamos impostos, e tentamos sobreviver neste país chamado Brasil, onde a loucura e a insensatez pouco a pouco tomam conta das instituições, ficamos indignados diante de certos crimes, de certas barbaridades que são cometidas sem que se veja do lado das autoridades, afora os discursos imbecis de sempre e portanto inúteis, uma ação pública digna para por fim às crises que volta e meia nos sacodem.

No início do ano, foi aquele crime bárbaro, no Rio Janeiro, do menino João Hélio. Após tanto tempo decorrido, o que temos ? Ainda estamos discutindo providências a tomar.

O país vive uma crise sem precedentes no setor de controle do tráfego aéreo há exatos 9 meses. E o que vemos ? São ministros idiotas dando declarações estúpidas, os responsáveis cada vez mais enrolados sem saber o que fazer, um presidente que parece não estar nem aí, e não está mesmo porque vivendo mais fora do país do que dentro, por conta de meia dúzia de desmiolados que deveriam estar presos por ferirem a disciplina militar e segundo, já terem sido varridos de um serviço para o qual não reúnem as qualificações necessárias.


E aí somos obrigados a ouvir o presidente declarar que nunca vivemos período melhor da história. É isto que dá ser presidente sem ter estudado e continuar presidente sem o necessário acompanhamento dos fatos que se movem no dia a dia do país. Arrogância demais faz a criatura confundir-se e cega-lhe a razão.

Hoje, por exemplo, estudantes e professores que deflagraram uma invasão ilegal na Reitoria da USP desocuparam o prédio. Não sem antes distribuírem cacetadas e sopapos em jornalistas e cinegrafistas que lá estavam para cobrir o evento. Sintoma mais claro de derrota não poderia haver. Saem do jeito que entraram: com um discurso e o desprezo da opinião pública que não reconheceu no movimento nenhum mérito ou causa;. Baderna de politiqueiros ressentidos e ignorantes. Arruaça promovida por sindicalistas vagabundos em busca de 15 minutos de fama. Nada além disto.

Mas o país perdeu. E é simples entender: quando fizeram a invasão, o que competiria à reitora fazer? Pedir na justiça pela reintegração do prédio. A Justiça acatou o pedido e ordenou a desocupação. E o que a reitora fez ? Nada. Passou a negociar o que não era mais negociável. Afinal, a alei está aí para ser cumprida. Discuta-se depois, mas antes ela deve ser soberana sobre os atos de qualquer cidadão, universitário, professor ou não. E isto não aconteceu.

Agora, decorridos mais de cinqüenta dias, vendo o vazio de seu movimento, os desmiolados saem sob a promessa de que ninguém seria punido pela baderna e pela invasão. Certo ? Não, errado. Ao se conceder perdão ou anistia, ou simplesmente ignorar o que aconteceu por lá, simplesmente estamos mostrando para a sociedade de que aqui é possível tudo fazer, até ferir os ditames legais, e nada nos acontecerá. Este o sentimento que fica, um exemplo maior ainda de que a impunidade que reclamos na classe política é fruto da nossa leniência nos demais cantinhos de nossa sociedade. No trânsito não queremos ser multados apesar de infratores. Nos gabinetes e repartições, queremos ter a prioridade de atendimento, e não suportamos esperar os que chegaram antes de nós.

Assim, de concessão em concessão, vamos destruindo os valores que deveriam conduzir nosso dia a dia que é a disciplina, a lei, a ordem, a moral, a decência, e tudo o mais. Queremos os benefícios, queremos todos os bônus a que temos direito, mas não aceitamos os ônus decorrentes.

Da mesma forma como a meia dúzia de controladores devem ser exemplarmente punidos, também tantos os professores quanto os alunos invasores deveriam ser. Isto tem que ficar básico: a lei é igual para todos, quem a infringir deve pagar pelo preço de sua má escolha. Enquanto tal norma ou tal princípio não ficar latente na consciência de cada de um nós, enquanto o cumprimento à lei não for um sentimento universal imperativo nas vontades de todos, não há como esperarmos dias melhores, sem crises e sem desgraças, sem barbaridades e sem decepções.

Um país não é fruto da construção de uma única geração. Chegamos até aqui pelo país que nos foi passado por nossos pais, avós, bisavós, e assim por diante. Cada um, ao seu modo e a seu tempo, construiu e ajudou a colocar um tijolo nesta construção. Agora é tocada a nossa vez. Devemos fazer o mesmo. Temos obrigação de passarmos para nossos filhos e netos um país muito melhor daquele que herdamos. E pelo visto, parece que vamos deixar-lhe um país virado de cabeça para baixo.

A partir de 2003, Lula recebeu o país muito melhor do que FHC recebera. Tinha a obrigação de avançar, de melhorar, de construir mais coisas. Fernando Henrique enterrara de vez a inflação que nos afligiu por longos cinqüenta anos. Solidificou a estabilidade política. Venceu todas as graves crises econômicas internacionais ocorrida no seu período, fincara as estruturas capazes de nos devolver a estabilidade econômica. O mundo também colaborou que vivêssemos um período de enorme prosperidade e avanços. O que vimos ? O país continua estagnado, na avançou um centímetro que fosse nas reformas básicas necessárias para solidificar um crescimento sustentado e virtuoso.

Vivemos crises nas segurança pública, vivemos crises na agropecuária, vivemos crises nos campos, temos as crises políticas cada vez mais constantes, a crise aérea nos atormenta já há nove meses, e estamos diante da ameaça real de apagão elétrico. Onde então Lula foi buscar que este é o nosso melhor período ? No fundo, estamos regredindo, e o pior, jogando fora oportunidades de dar um rumo de progresso decente para o Brasil. Só estamos bem com base na herança que Lula recebeu nos fundamentos da economia e nos programas sociais que encontrou prontos, implantados e em vigor, e por conta de um excepcional período da economia internacional.

Vocês poderão ler na edição de hoje do COMENTANDO A NOTÍCIA alguns artigos e reportagens que demonstram esta afirmação muito claramente. Adoraria poder dizer que o Brasil melhorou com Lula no poder. Não por Lula e seu partido, mas pelo povo brasileiro que mais uma vez cai na gandaia de uma festa falsa e sem motivos.

E diante disto mais doloroso é sabermos que ainda pode ser pior ! Como dissemos, a construção de um país é obra de muitas gerações. E a de Lula está delegando para a geração a correção de seus erros, e a execução do trabalho que deixaram de fazer. O preço a s pagar será muito alto. Estamos regredindo, perdendo o rumo do que o restante anda tomando. Isto já está sendo percebido lá fora. São muitos que não conseguem entender porque estamos perdendo oportunidades, preferindo navegar no lodo do atraso. Fazer o quê, não foi o próprio povo que escolheu Lula para nos desgovernar até 2010 ?

Cabe aqueles que não se deixam iludir pela demagogia e idiotia continuar alertando para o país não cometa novos suicídios. É triste ver um país tão rico, com tanto potencial, resvalar em imbecilidades e se auto-flagelar deste jeito a troco de bolsa-esmola de 90 reais por mês.

TOQUEDEPRIMA...

* Cabral pede R$ 2,1 bi da União a fundo perdido
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, está pedindo ao governo federal que saiam do Orçamento Geral da União (OGU), a fundo perdido, os R$ 2,1 bilhões que está reivindicando para investimentos em rodovias e em saneamento no Estado, a serem realizados no contexto do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Ao sair ontem do Ministério da Fazenda, após audiência com o ministro Guido Mantega, Cabral disse que o Rio de Janeiro, ao contrário dos demais Estados que se candidatam a receber financiamentos federais para aplicar no âmbito do PAC, não tem condições de fazê-lo, justamente pela sua situação de endividamento, que é muito limitada.

"Nossa contrapartida pode ser de até 5%. Não pode tratar os desiguais como iguais." Uma das alegações do governador é a de que, na prática, o Estado já investiu R$ 400 milhões em obras de saneamento nos municípios da Baixada Fluminense e em São Gonçalo.

O repasse de recursos do Orçamento Geral da União não implica aumento do endividamento do Estado que os recebe, porque é uma transferência da União para uma unidade da Federação, diferentemente de um financiamento - um dinheiro que o Estado recebe e deve devolver, num prazo, com juros e correção. Em conversa com jornalistas, na saída do Ministério da Fazenda, Cabral informou que ainda não foi fechado um acordo entre o Rio de Janeiro e o governo federal sobre a ampliação do limite de endividamento do Estado.

"Há uma missão da Secretaria do Tesouro Nacional no Rio estudando o espaço de endividamento", disse o governador. Segundo Cabral, o governo do Rio, nos últimos anos, ao contrário dos de Minas e São Paulo, não vinha fazendo "o seu dever de casa", e isso cria uma situação especial, do ponto de vista fiscal. Ou seja: a princípio, o espaço para novas operações de crédito em favor do Estado é muito estreito.

* Receita do PT com "dízimo" de filiados sobe 545%
Da Folha de S.Paulo

"O crescimento da máquina administrativa do governo, sua ocupação por petistas e a criação de novos cargos têm rendido bons frutos ao caixa do partido. Nos quatro primeiros anos do governo Lula, houve um salto de 545%, já descontada a inflação, na arrecadação do "dízimo" com filiados que ocupam cargos de confiança no Executivo e Legislativo.

O "dízimo" é um percentual do salário que cada um precisa recolher ao partido.
Só nesta semana, Lula anunciou duas medidas que aumentam novamente o gasto com servidores sem concurso: um reajuste salarial que chega a 140% em alguns casos e a criação de mais 600 cargos de confiança em vários ministérios. Já são mais de 2.000 cargos sem concurso criados pelo petista.

No ano passado, só com o "dízimo", o PT arrecadou R$ 2,88 milhões. Em 2002, último ano na oposição, foram R$ 446 mil, em valores atuais."

* FHC defende privatizações e critica retrocessos de Lula

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta quinta-feira as privatizações realizadas em seu governo. "Não podíamos seguir adiante com o modelo que tínhamos. Era um modelo falido", disse.

FHC acusou seus antecessores de terem deixado o Estado sem condições de investir na infra-estrutura. "Era preciso buscar capital", afirmou. Quanto ao atual governo, o tucano fez críticas ao presidente Lula pelo retrocesso em relação às privatizações, citando o setor elétrico como exemplo. "Privatizou-se a transmissão, mas a geração ficou restrita ao sul do país, por pressões políticas".

Segundo FHC, as estatais se tornaram "bunkers" de poder político. "Nós podemos perder a oportunidade de nos tornarmos um país desenvolvido. Não é suficiente ter câmbio ajustado e metas de inflação. Sem produção, não há distribuição de renda", disse.

* Franklin Martins diz que orçamento da TV pública será de R$ 350 milhões

O chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, ministro Franklin Martins, afirmou nesta quinta-feira que o orçamento anual para a TV pública no Brasil será de R$ 350 milhões. De acordo com Franklin, o valor equivale ao menor orçamento de uma TV comercial do país.

O ministro disse que o dinheiro será incluído ao orçamento da Radiobrás, de cerca de R$ 200 milhões. Ele declarou que a intenção do governo é que a "TV Brasil" entre no ar até dezembro.
Franklin afirmou que não sabe se vai encaminhar proposta ao Congresso ou as regras da TV serão elaboradas através de medida provisória.

* Ex-empresária confirma superfaturamento na Infraero

De acordo com a ex-empresária Silvia Pfeiffer, que depôs na CPI do Apagão Aéreo, as denúncias de corrupção, em contratos entre a empresa que era sócia, a Aeromídia, e a Infraero eram verdadeiras, como reveladas pela Revista Istoé.Hoje desempregada, Silvia afirmou que há irregularidades em contratos de publicidade, obras e manutenção assinados entre a Aeromídia e a Infraero em aeroportos de Brasília, Curitiba e Maceió. Ela ainda revelou que alguns superfaturamentos foram superiores a 100%.

* Após derrota, Calheiros se diz traído

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), se reuniu com assessores e parlamentares mais próximos para avaliar a sua situação política e a derrota sofrida na reunião do Conselho de Ética da Casa na noite da quarta-feira. De acordo com pessoas que participaram do encontro, Calheiros concluiu que sua situação é "preocupante" e que foi "traído" por aliados. O Conselho adiou a votação do relatório elaborado por Epitácio Cafeteira (PTB-MA), que já deixou o cargo, que pedia o arquivamento do processo. Na avaliação de Calheiros, a oposição assumiu o controle do colegiado. Ao final da reunião, a contabilidade dos assessores foi a de que, no PT, restou a Calheiros apenas o apoio da senadora Ideli Salvatti (SC), que não tem direito a voto por ser suplente. No PMDB, o senador foi surpreendido com a "traição" do senador Walter Pereira (MS), que defendeu o adiamento da votação, quando a estratégia do partido era votar o relatório. O presidente do Senado acredita que a postura de Pereira provocou as baixas nos demais partidos.

* Desemprego se mantém estável em maio

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta quinta que o desemprego nacional se manteve em 10,1% em maio, índice alcançado em março. No mesmo mês do ano passado, a taxa era de 10,2%. O contingente de desocupados nas seis regiões investigadas pelo IBGE soma 2,3 milhões pessoas. A única mudança significativa foi registrada em Recife, queda de 15% para 12,4%. A número de ocupados cresceu 2,7% (548 mil pessoas) ante maio do ano passado, e atingiu a marca de 20,5 milhões de pessoas nas regiões.

* Bush culpa governo brasileiro por fracasso na OMC
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou que os governos do Brasil e da Índia são culpados pelo fracasso das negociações para liberalização do comércio mundial na OMC (Organização Mundial do Comércio) nesta quinta-feira.

Brasil e Índia optaram por sair das negociações com EUA e União Européia por considerar inútil continuar com o diálogo sobre um novo acordo na OMC, de acordo com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

"Grandes economias como o Brasil e a Índia não deveriam se opor aos progressos de países menores, mais pobres e em desenvolvimento. No entanto, parece que foi exatamente isso que aconteceu na Alemanha", afirmou Tony Fratto, porta-voz da Casa Branca.

O Rio Madeira e o veto às estatais

Mauro Santayana, Jornal do Brasil

O ministro interino de Minas e Energia deve explicar quem vetou a participação das empresas estatais na licitação do sistema hidrelétrico do Rio Madeira. Ele anunciou, em encontro com empresários em São Paulo, que essa decisão havia sido tomada. A opinião pública necessita saber se a posição é sua, singular, como ministro interino, se é da equipe do Ministério, se é da Empresa de Planejamento Energético ou do presidente da República.

O grande pecado da maioria de nossos políticos é a falta de conhecimento histórico. Agem como se o Brasil tivesse surgido, na geografia do mundo, com as linhas fronteiriças traçadas pela mercê divina. O que temos não nos foi dado: resultou de penosos sacrifícios dos antepassados. Não parece que o ministro Hübner conheça os problemas que tivemos com os norte-americanos e os bolivianos naquela mesma região, no início do século passado. Quase tivemos, na projeção norte-ocidental da Amazônia, um novo Estado com a soberania delegada pela Bolívia a um bando de aventureiros, sob o comando de Elmin Roosevelt, primo do então presidente dos Estados Unidos, Ted Roosevelt, mancomunados no Bolivian Syndicate. Só nos livramos do perigo graças à singular habilidade do Barão do Rio Branco - com a contribuição de Assis Brasil, embaixador em Washington - e à bravura de Plácido de Castro.

O aproveitamento dos rios internacionais tem sido origem de graves conflitos. Foi a necessidade do livre acesso ao território brasileiro pelo Rio Paraguai, vedado aos nossos barcos por Lopez, que levou à Guerra da Tríplice Aliança. Embarcamos, durante o regime militar, e por decisão discutível de geopolítica, na aventura de Itaipu, no Paraná, quando nos seria mais vantajoso erguer a represa em território nacional.

Fala-se muito no liberalismo do Estado norte-americano, sem que se conheçam suas instituições permanentes. Deveríamos imitar a presença soberana do Exército dos Estados Unidos, mediante o seu Corpo de Engenheiros, na construção e propriedade das usinas hidrelétricas, cuja exploração pode ser, ou não, concedida a empresas privadas, mas sob contratos bem amarrados, que lhes vedam o domínio das águas. O Corpo de Engenheiros do Exército norte-americano não tem o monopólio dos rios, uma vez que, em Federação de fato (e não de aparência, como a nossa) a autonomia dos Estados é grande, dentro de sua jurisdição, mas é a principal agência federal na gestão das águas. Não é só isso: quase todas as obras de interesse da União, sobretudo as que têm relação com a segurança (portos, aeroportos, quartéis, edifícios federais) são de sua responsabilidade.

A construção do complexo hidrelétrico do Madeira é necessária, para que se desenvolva a economia e se afirme a presença brasileira naquela região delicada. É suspeita a orquestração das ONGs, de inspiração internacional, contra a construção das hidrelétricas no Madeira. Há mais de 100 anos o Brasil soube opor-se à cobiça estrangeira, no caso do Acre. Ao assinar o Acordo de Petrópolis, assegurou os nossos interesses, mas também os de todos os vizinhos amazônicos (entre eles a própria Bolívia), que se livraram de se tornarem uma provável colônia dos Estados Unidos nas entranhas da América do Sul. Sob as regras do neoliberalismo, qualquer privado que obtiver a licitação poderá transferir para o estrangeiro o controle das águas do Madeira e da geração de energia, ameaçando a nossa soberania sobre o território. E poderia ser criada uma situação como a do Bolivian Syndicate. A História costuma repetir-se.

O bom senso aconselha entregar a energia do Madeira a uma estatal brasileira.

TCU identifica 400 obras paradas

Correio Braziliense
Auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) apontou 400 obras paralisadas no país, no valor aproximado de R$ 3,5 bilhões — o valor total aplicado chega a R$ 2 bilhões. A maioria das paralisações (79,8%) refere-se a problemas no fluxo orçamentário, ou seja, descontinuidade na liberação de recursos. As obras com porcentagem de execução entre 70% e 90% são a maioria entre os empreendimentos informados, indicando que a interrupção não ocorre apenas no início da construção.

Como resposta a esse quadro de abandono e desperdício, o tribunal aprovou a proposta de criação de um cadastro geral de obras, apresentada pelo ministro relator, Valmir Campelo. A idéia é que o cadastro seja sustentado por um sistema informatizado, que forneça informações detalhadas para a administração pública federal, para órgãos de controle público e mesmo para qualquer cidadão. Com esse sistema, será possível um acompanhamento on-line dos gastos públicos realizados em obras custeadas com recursos federais, mediante execução direta ou por meio de transferência de recursos a estados e municípios.As obras foram separadas em duas categorias: paralisadas (que não tinham execução orçamentária há mais de um ano, mas ainda possuíam contrato vigente) e não concluídas (não ficaram prontas, apesar das vigências dos seus ajustes já terem expirado). Todas executadas com recursos da União, as obras também são divididas em dois grupos, aquelas executadas de forma direta (obras inacabadas da União) ou por meio de transferências intergovernamentais (obras dos estados e municípios).

Das 400 obras inacabadas que utilizaram recursos da União, apenas 130 são obras tocadas diretamente pelo governo federal, o equivalente a 32,5% do total. Considerando o valor das obras, mais da metade dos recursos concentram-se nessas obras (54,63%), que geralmente apresentam maior porte. Nesse grupo de obras, a maioria é formada por "obras não concluídas" (83,08% do total), ou seja, não possuem mais contrato vigente.

"Prejuízo potencial"
Nas 130 obras inacabadas tocadas pelo governo federal, já foram aplicados R$ 1,08 milhão. O tribunal salienta que não há como qualificar esses gastos como prejuízo, porque essas obras podem ser retomadas e concluídas. Algumas delas podem até estar sendo utilizadas mesmo sem a conclusão final. O valor aplicado nessas obras pode ser avaliado como "prejuízo potencial", porque ainda não se concretizou, mas tal soma representa "um investimento público sem expectativa de retorno de benefício à sociedade", segundo o relatório da auditoria.Na distribuição das obras inacabadas da União por unidade orçamentária, a grande maioria (94,62%) concentra-se no Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). Isso se explica em função de os outros ministérios quase não executarem obras contratadas por eles mesmos. Na distribuição das obras inacabadas dos estados e municípios por unidade orçamentária, o ministério que possui a maior quantidade de obras inacabadas é o Ministério das Cidades (46,67%). Em segundo lugar vem o Dnit (21,1%), mas a quase totalidade desse percentual refere-se a obras não concluídas.

As obras com execução física maior que 90% correspondem a 20,3% do total da amostra. O prejuízo potencial para as obras dos estados e municípios realizadas com recursos federais corresponde a R$ 880 milhões.

Ranking: As obras inacabadas por ministérios
Transportes – 180
Cidades – 126
Educação – 31
Saúde – 27
Integração – 15
Turismo – 5

COMENTANDO A NOTICIA: Oh! meu Deus, quantas e quantas vezes já se falou deste problema aqui? E acreditem, muitas destas obras estão relacionadas no tal PAC de infra-estrutura que Lula lançou em janeiro como sendo algo “novo”. Errado. A maioria se trata de obras já iniciadas em outros governos, e que o próprio Lula interrompeu ao assumir. Agora vem e relança como sendo seu projeto de governo !!! Imaginem vocês os bilhões jogados fora ?

O Brasil para estar melhor precisa é de eficiência, precisa de GOVERNO, feito por gente séria, responsável e capaz. Não é com esta patifaria que se vê adotada pelo Planalto que sairemos do lugar. Não são com ações eivadas de ignorância e cretinice que o desenvolvimento chegará a toda a velocidade.

Lula precisa aprender um princípio básico para qualquer candidato a grande homem público: primeiro, ter a humildade de se reconhecer um servidor, um cumpridor da delegação de dirigir os destinos de um país por um breve espaço de tempo. E neste espaço, ninguém é salvador da pátria. É apenas mais um construtor colocando um tijolinho e assentando argamassa no grande edifício de uma nação.

Segundo, que é preciso mais humildade para reconhecer que as facilidades que encontra para fazer e acontecer, foram fruto do sacrifício e do trabalho daqueles que o antecederam. A história de um povo não começa na cabeça e no coração de um homem só. Respeitar esta história, ter consideração para com aqueles que vieram antes, é um princípio de dignidade, de grandeza de espírito, e principalmente, de reconhecimento pelo trabalho alheio. Todos somos limitados às vezes por nós mesmos, outras tantas, pelas circunstâncias históricas no momento em que tal ou qual fato aconteceu. O Brasil não teria a estabilidade econômica e política que vive no presente não fosse pelo trabalho feito por aqueles que primeiro restabeleceram a democracia no país. Depois, poderíamos até alinhar Collor, Itamar e Fernando Henrique. A soma combinada permitiu Lula viver um momento sem os problemas que aqueles enfrentaram.

Portanto, dê seguimento às estas obras, respeite o passado e saiba honrar cada centavo investido. Faça o básico e já terá feito muito, e terá o reconhecimento de todos. Não precisa mentir nem tampouco vender um país que nunca existiu.

Aprenda definitivamente esta lição, senhor Luiz Inácio: um grande homem não é feito nem de arrogância nem de prepotência. Ele é antes de tudo um construtor. Não cobre uma importância que somente a história será capaz de lhe dar. Seja, antes de tudo, um servidor público. O resto vem por conseqüência. Sem mentiras e sem marketing.

TOQUEDEPRIMA...

* Mensalão: STF mantém denúncia e interrogatórios de acusados

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por meio de liminar, a legalidade da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais contra os acusados de envolvimento com o escândalo do mensalão. A decisão é unânime e mantém os interrogatórios dos acusados, entre eles o publicitário Marcos Valério e o deputado José Genoino (PT-SP). A denúncia relata a realização de empréstimos supostamente fraudulentos realizados pelo banco BMG ao PT e ao grupo de empresas de Valério.

A decisão liminar vale até o julgamento final dos recursos apresentados pela defesa de Valério e de outras pessoas e empresas denunciadas por envolvimento no suposto esquema. Os acusados entraram com recurso alegando que a denúncia foi recebida pelo juízo de primeira instância no dia em que Genoino foi diplomado deputado federal.

No entendimento da defesa, como Genoino passou a ter foro privilegiado, somente a Procuradoria Geral da República poderia ter oferecido a denúncia, que só poderia ser recebida pelo STF. Os ministros entenderam que a denúncia foi recebida pela 4ª Vara Federal Criminal de Minas Gerais um dia antes da diplomação do deputado.

* Polícia deflagra operação contra "Gato Net" no Rio

A Polícia Federal desencadeou ontem no Rio de Janeiro a Operação TV Legal, para combate ao roubo de sinais de TV por empresas clandestinas, o chamado "gato NET". Ao menos 84 policiais e 12 fiscais da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) participaram da operação, munidos por 14 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal.

De acordo com a Delegacia Fazendária da Polícia Federal, as empresas clandestinas de TV por assinatura eram controladas por milícias. As residências atendidas pelo serviço - que custa de R$ 14 a R$ 25 por mês - são de comunidades carentes de Copacabana, Botafogo, Barra da Tijuca (todos na Zona Sul), Penha (Zona Norte), Sepetiba e Guaratiba (ambos na Zona Oeste).
Foram apreendidos equipamentos, em sua maioria, roubados de empresas regulares de transmissão de sinal de TV fechada. De acordo com a delegacia, na maioria dos casos há ex-funcionários dessas empresas empresas envolvidos. Ninguém foi preso, no entanto, de acordo com a PF, as investigações devem continuar e, com isso, devem ocorrer prisões dos envolvidos futuramente.

A PF informou que, antes dos Jogos Pan-Americanos, haverá uma megaoperação de combate às rádios piratas. O objetivo é evitar que os sinais dessas rádios prejudiquem os aeroportos durante o Pan.

* Argentina tem superávit de US$ 1,25 bi

BUENOS AIRES- O Instituto Nacional de Estatística e Censo da Argentina (Indec) informou ontem que o país teve um superávit comercial de US$ 1,25 bilhão em maio, de US$ 1,35 bilhão no mesmo mês de 2006. As exportações argentinas totalizaram US$ 4,79 bilhões em maio deste ano, com crescimento de 15% em relação a maio do ano passado.

As importações cresceram 25%, para US$ 3,54 bilhões. Economistas ouvidos na mais recente pesquisa do Banco Central da Argentina previam para maio deste ano um superávit comercial de US$ 1,271 bilhão, com US$ 4,721 bilhões em exportações e US$ 3,450 bilhões em importações.

* Brasil é o 2º emergente em aquisições e fusões


A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma em um estudo divulgado ontem sobre investimentos diretos estrangeiros (IDE) que a expansão internacional de grandes empresas de países emergentes, entre elas as do Brasil, é uma "característica nova e dinâmica do cenário de investimento global".

Entre os exemplos, a organização citou as compras da empresa canadense Inco pela brasileira Companhia Vale do Rio Doce, da anglo-holandesa Corus pela indiana Tata Steel, e da australiana Rinker pela mexicana Cemex.

O número de fusões e aquisições além fronteiras originadas em países que não são membros da OCDE atingiu um nível recorde no ano passado, US$ 115 bilhões. "E esse fenômeno não é limitado a alguns negócios", disse a entidade, que congrega 30 das economias mais industrializadas do mundo.

"O crescimento econômico rápido, especialmente na Ásia e nos países exportadores de petróleo, os preços elevados das matérias primas, e a contínua liberalização para investimentos em alguns países, têm alimentado um boom dos investimentos externos das economias emergentes."

O levantamento mostra que entre 1990 e maio deste ano, o Brasil foi o segundo país em desenvolvimento que mais originou aquisições e fusões de empresas sediadas na área da OCDE, com um volume total de US$ 32,1 bilhões. Cingapura foi o primeiro, com US$ 36 bilhões. O estudo informou que o fluxo de IDE para os países da OCDE no ano passado atingiu US$ 910 bilhões, uma alta de 22% em relação a 2005 e seu maior nível desde 2000.

"A perspectiva de curto prazo para os investimentos diretos estrangeiros continua forte, estimulada pelos elevados lucros corporativos, taxas de juros baixas e o crescimento econômico robusto", disse. A previsão é que neste ano o fluxo de IDE para os países da OCDE cresça 20%.

* Regulamentação de greve vai em agosto para o Congresso
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse ontem que o governo encaminhará ao Congresso Nacional, em agosto, um projeto regulamentando o direito de greve, mesmo sem acordo com os sindicatos. Segundo ele, os servidores públicos defendem a regulamentação da negociação coletiva, mas não deixam clara a sua intenção em negociar as regras sobre o direito de greve.

O ministro informou que os dois projetos chegarão ao Congresso em agosto, mas não estão condicionados um ao outro. Bernardo participou de um debate na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados e enfrentou duras críticas de alguns deputados e recebeu vaias de representantes dos sindicatos de servidores públicos.

Para ele, houve uma banalização da greve que, em alguns setores, causam danos irrecuperáveis. "É preciso entender que, na iniciativa privada, o dano é para o patrão. No serviço público, é um dano causado à população, sobretudo para aqueles menos favorecidos, porque dificilmente se encontrará num hospital público um deputado ou um ministro", disse.

O ministro também citou como exemplo a operação-padrão dos controladores de vôos. "Essa situação também precisa estar contemplada na legislação", defendeu. Para Paulo Bernardo, a greve é uma manifestação limite de confronto no processo de negociação.

Ele garantiu que o governo tem se sentado à mesa para negociar com todas as categorias, mas tem sido transparente ao dizer que não tem recursos no orçamento para absorver reajustes salariais este ano. "Estamos negociando reajustes com impacto em 2008, 2009 e 2010", disse. "Nossa situação em relação às greves é muito transparente. Não queremos impedir o direito à greve, mas tem que ter os termos e os limites", argumentou.

* Desemprego recua 3,23% no México

A taxa de desemprego no México recuou 3,23% em maio, seu nível mais baixo em um ano. O resultado é contrário ao projetado pelo mercado, que esperava um aumento de 3,70% no índice, segundo informaram fontes governamentais.
A cifra de maio é 0,37 ponto percentual menor se comparada a abril, quando a taxa de desemprego foi de 3,60%. O governo mexicano atribuiu o aumento dos postos de trabalho ao bom desempenho da economia.

O México esperar criar 660 mil empregos formais neste ano, contra 879.533 criados em 2006, quando a economia teve expansão de 4,8%. Segundo o Banco Central do México, a economia terá crescimento menor em 2007, entre 3% e 3,5%, devido a queda no desempenho indústria manufatureira do país.

Na semana passada, a Secretária de Trabalho do México comunicou que o número de trabalhadores inscritos no Instituto Méxicano de Seguro Social (IMSS) chegou a 14,35 milhões, graças a criação de aproximadamente 80 mil postos de trabalho em junho.

A pública e a privada

Fausto Wolff, Jornal do Brasil

Muitos anos atrás, o rei Gustavo da Suécia era apenas príncipe e, na entrevista coletiva que deu no clube dos correspondentes estrangeiros em Roma, declarou ser somente um rapaz simples, como qualquer outro sueco da sua idade. Como o clima permitia e éramos da mesma geração, perguntei-lhe por que um rapaz simples queria ser rei da Suécia. Ele ficou levemente embaraçado mas se saiu muito bem e hoje é um excelente rei casado com uma senhora nascida no Brasil.

Existem zilhões de profissões que não obrigam o cidadão a uma conduta exemplar. O auxiliar do dentista de Benfica pode tomar os porres que quiser sem dar satisfações a ninguém. O mesmo não deveria acontecer para quem tem uma vida pública: um ator, um político, um policial, um jogador de futebol, um jornalista. Se tem um troço que me irrita mesmo é ver ator, atriz, cantor, cantora, modelo, que, depois de torrar os países baixos da imprensa especializada nesse tipo de débeis mentais, acreditando-se famosos, jogam água fora da bacia: "'Respeitem minha vida privada".

Tem nada disso, não moreno. Ajoelhou tem rezar. Ser simpático, sorrir, apertar mãos e assinar autógrafos faz parte da tua profissão e fim de papo. Quem optou pela vida pública tem de lutar gentilmente pela privada. Parece que vou mudar de assunto mas não vou. Vocês vão ver.

Continuo no mesmo galope porque é mais forte do que eu (os jovens médicos nazistas das UTIs da Santa Maria e da Bambina, por exemplo) e só consigo ver jornalismo como oposição, como caixa de ressonância, como quixotismo e panfletarismo. Escrever sobre normalidade em tempos anormais é crime. Apesar disso, acho que nós - homens e mulheres de bem deste país - perdemos a batalha para os maus elementos, para os indivíduos, para os marginais.

Por que eles ganharam definitivamente a batalha? Nós tentamos fazer do crime uma violação social que deve ser punida de acordo com a sua gravidade. Eles, os maus elementos, conseguiram o impossível: fazer do crime de colarinho branco (o que rende) no máximo um erro, uma negligência. E riem para as câmeras.

Eu sinto vergonha quando vejo aquele pessoal reunido na Câmara ou no Senado, um tentando lavar a cueca suja do outro como se aquilo não passasse de um hobbiezinho. Diz o senador Lima, do Sergipe (a quem cheguei a levar a sério por alguns dias): "Este negócio é uma cachaça. Basta eu ver o Renan que me bate uma vontade enorme de lavar as cuecas sujas dele".

Além disso, elogiou o lobbista por exercer a bizarra profissão de passador de dinheiro de homem pra mulher. Já (sei do cacófato) Jader Barbalho, cuja presença jóia consegue joiar um trigal inteiro, reclama: "A perseguição contra mim é tão grande que não me deixam lavar nem um cantinho da cueca do Renan".

Agora eu vou explicar por que acho que perdemos a guerra contra os indivíduos. Ter vergonha é tomar consciência da desonra, da desgraça, da condenação. Se não estivéssemos no Brasil tratando de políticos brasileiros eu diria que a vergonha é a violação de valores culturais e sociais. Depois de 1964 (sempre cada vez mais aceleradamente), a vergonha deixou de ser uma necessidade de estabelecer limites na infância, uma vez que as crianças são incapazes de julgar suas próprias ações. No fundo é isso que as autoridades do Legislativo, do Judiciário e do Executivo querem que pensemos delas: que são pobres crianças expostas ao crivo da opinião pública.

Mas não são crianças. São Malfeitores e sentem-se à vontade entre os seus pares, pois conhecem os pecadilhos uns dos outros e sabem como devem agir na hora aprazada. Para quem não tem vergonha, um ato vergonhoso é digno de aplauso, assim como o ex-chefe de Renan, Collor de Mello, foi aplaudido quando de sua volta ao Parlamento.

Estou me lixando se o senhor Calheiros vai para a cama com A ou Z; também não me importa se tem filhos com B ou Y. O que é inadmissível é que sejamos nós a pagar a conta. Quanto à Mônica Veloso, um aviso: a luta pela obtenção de uma notícia tem limites.

P.S. - O contador de histórias que existe dentro de mim não resiste e se pergunta: o que aconteceria se amanhã um repórter engravidasse uma senadora ou deputada? Quem pagaria a pensão e a quem? O repórter, a política ou o lobista?

A farsa radical

Olavo de Carvalho, filósofo

O capitalismo distribuiu a imensas massas de classe média benefícios que antes eram privilégios da aristocracia. Mas a aristocracia pagava um alto preço por eles: era a casta guerreira, pronta a morrer no campo de batalha em lugar dos comerciantes e camponeses, isentos a priori de obrigação militar. Uma vida de liberdade e prazeres à sombra da morte iminente ou uma vida de trabalho e abstinência na relativa segurança da rotina econômica, eis as duas formas básicas de existência que, no seu equilíbrio mútuo, marcaram o repertório da humanidade ocidental até pelo menos o começo do século 19.

Cento e poucos anos bastaram para que, em amplas áreas da superfície terrestre, não só o acesso a uma quantidade de bens materiais nunca antes imaginados, mas a liberdade e os meios para a busca de prazeres praticamente sem limites fossem abertos à pequena burguesia e à boa parte da classe trabalhadora, sem que a isso correspondesse um acréscimo de obrigações morais. Bem ao contrário, a demanda crescente de satisfações veio acompanhada de uma intolerância cada vez maior ao sofrimento e da revolta geral contra toda forma de "repressão". A eternidade e a morte desapareceram do horizonte, a primeira tornando-se uma ficção de outras épocas; a segunda, uma idéia indecente, proibida nas conversações saudáveis. Em pouco tempo a Europa e as Américas povoaram-se de uma nova classe de adolescentes crônicos, ávidos de sensações, rebeldes a toda limitação, desfrutando da obra dos séculos como se fosse um direito natural e vivendo cada dia como se fosse a data inaugural de uma espécie de eternidade terrestre.

Postiça, desequilibrada, fútil e baseada na ingratidão radical para com as gerações anteriores, essa forma de vida produziu uma tremenda acumulação de culpas inconscientes, as quais, não podendo recair sobre os culpados autênticos - que toleram a idéia de culpas ainda menos que a da morte - são projetadas de volta sobre a fonte de seus benefícios imerecidos. Daí o aparente paradoxo, tantas vezes notado, de que o ódio ao capitalismo não germine entre suas supostas vítimas, os pobres, mas justamente entre seus principais favorecidos: a classe média, os estudantes e intelectuais, o beautiful people da mídia e da moda, os filhinhos-de-papai que vão à universidade num BMW de US$ 100 mil e destroem o refeitório porque a comida não é de graça.

Não há nisso paradoxo algum: há apenas a lógica implacável da projeção neurótica. A premissa oculta dessa lógica é o fato de que o verdadeiro pecado do capitalismo, a ruptura do equilíbrio natural entre prazeres e deveres, não pode ser denunciado. Tornou-se um tabu. É preciso então inventar culpas imaginárias, negar a realidade manifesta da prosperidade geral crescente e, num giro lógico formidável, imputar ao capitalismo até mesmo a miséria dos países socialistas.

Grande ou pequeno, moderado ou extremado, todo rebelde anticapitalista, sem exceção, é um farsante - não só nas suas atitudes exteriores, mas na base mesma da sua personalidade, na raiz do seu estilo de vida.

Heranças e mudanças

Carlos Sardenberg, Portal G1

O que vai bem no governo Lula?

A macroeconomia: inflação bem baixinha, contas públicas controladas, dívida em queda, comércio externo bombando, recuperação do consumo e do crescimento.Tudo isso é, primeiro, resultado da política econômica herdada de FHC: o regime de metas de inflação com Banco Central independente; superávit primário para pagar juros e reduzir a dívida pública; controle de dívidas de Estados e municípios; e câmbio flutuante.

Além disso, Lula contou com a sorte: a economia mundial em fase brilhante desde 2003.

Também choveu – e isso encheu os reservatórios das usinas hidrelétricas.

O governo Lula também vai bem na assistência social – a mais farta distribuição de bolsas e outros benefícios.

Onde vai mal o governo Lula? Não consegue deslanchar os investimentos em infra-estrutura. Cancelou as privatizações e não consegue implementar os investimentos públicos, nem as tais parcerias.

Onde mexeu...

Quando o Brasil crescia durante a noite

Wilson Figueiredo, jornalista , Jornal do Brasil

Numa dessas em que o presidente Lula se mete por afobação, e depois sai de fininho, anunciou-se num golpe de surpresa a nomeação do professor Mangabeira Unger para gerir a Secretaria de Ação a Longo Prazo. Ninguém no governo se dignou a explicar a que exatamente se destinava. Não demorou, porém, a desconfiança de que o pensador avulso nada acrescentaria ao ministério. Muito pelo contrário.

A coalizão em que Lula embarcou autoriza previsões inconvenientes.A falta de oposição já se fazia sentir perigosamente. A sensação de soberania incontrastável, nas pesquisas de opinião, subiu à cabeça presidencial. E, antes que a fórmula do ministério eclético gerasse dificuldades, Lula se adiantou. A inclusão de Mangabeira Unger foi entendida como um gesto imperial de quem tinha a oposição a seus pés e podia posar para o futuro. Não havendo mais nada a fazer no presente, Lula foi em frente. Ninguém o advertiu de que o ministro que iria operar abstratamente o futuro tinha sido, em passado recente, o mesmo que apontou o governo do PT como o mais corrupto da História (mas só do Brasil). Adiada a posse, o novo órgão, para preencher o tempo, passou de Secretaria Especial a ministério da mesma categoria. O título, sem nada dizer, deixava tudo correr solto e, por efeito da lei do menor esforço, virou Ministério do Futuro. Que, até bem pouco, se dizia que "a Deus pertence". Não mais.

A nomeação de Mangabeira Unger empacou. E logo Lula, depois da reflexão que passou a praticar diariamente, reconsiderou tudo. Mudou para Planejamento Estratégico (a rigor, de coisa nenhuma) o nome da secretaria, que ficou sem o título e a responsabilidade de operar a Longo Prazo (quando estaremos todos mortos). Com a metamorfose, o puxadinho foi apelidado de Ministério do Futuro, mais de acordo com o pensador e com o autor. O inquilino que se arranje, como naquele ditado segundo o qual o corcunda sabe como se deita. E o papudo, não? Lula dispõe de um mandato novo inteiro, menos seis meses queimados com fogo de artifício. A mão que nomeou Mangabeira Unger não se animou a fazer o resto. Ou seja, demitir antes da posse, não é para qualquer um. O presidente pensou melhor: quem tem o PMDB tem tudo, tanto para criar como para resolver problemas.

O Ministério do Futuro pareceu suficiente arcabouço teórico e base científica para a aceleração do crescimento que não se faz por si. Dizia-se no século 20 que o Brasil crescia à noite, enquanto o governo dormia. Faz falta algo assim para competir com o espetáculo da corrupção. O Brasil até hoje tem bronca com a fórmula de "país do futuro" com que Stefan Zweig quis retribuir à acolhida nacional quando aqui chegou. Os contemporâneos do livro acharam que era uma questão de tempo. Com o tempo, porém, verificaram que o futuro não viria por gravidade. Antes, por fatalidade. Seria preciso mais. Com a aceleração ativada por Lula, já se viu que o futuro pede muita paciência. A questão ficou mais complicada depois que o presidente, de maneira pouco republicana, optou por esvaziar o passado. A fórmula com que se refere aos seus antecessores ofende o que o brasileiro tem de mais valioso, os brios nacionais. Foram eleitos pelos cidadãos. "Nunca antes, neste país, nenhum governo fez tanto" quanto ele pensa que fez. Nas tarefas de governo, o futuro pede cautela, que já foi tradição servir quando faltava caldo de galinha na mesa dos governantes.

TOQUEDEPRIMA...

* Aliados de Renan fazem ameaças e chantagem
Veja Online

Aliados do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), decidiram pressionar os parlamentares que abandonaram sua defesa na Casa. O silêncio de muitos amigos de Renan e o crescente isolamento do senador em relação ao governo irritaram o grupo mais próximo a ele - que lançou ameaças e insinuou chantagens em nome de seu líder. Os aliados de Renan falam em fazer denúncias, revelar informações constrangedoras e até paralisar as votações de projetos no Congresso.

De acordo com reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, alguns casos incômodos para os colegas já são citados pelo próprio Renan durante conversas reservadas. Um exemplo é o caso de um senador que teria viajado aos EUA com a namorada, com diárias pagas pelo Congresso. Outro é de um líder partidário que teria dívida de 50 milhões de reais com um banco estatal. As ameaças explicariam o constrangimento de muitos senadores na hora de comentar o caso de Renan.

O presidente do Senado tentou obter o apoio do governo nos últimos dias - queria votos para o arquivamento imediato do processo no Conselho de Ética do Senado. Como não conseguiu, passou a procurar senadores que pediam favores no passado e pressioná-los. No Palácio do Planalto, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizem que ele não quer se envolver no caso - desejou boa sorte a Renan e "lavou as mãos", segundo reportagem divulgada pela Agência Estado.

* Questão de eficiência
Carlos Sardenberg, Portal G1

Como se fosse a coisa mais natural do mundo, o ministro da Defesa, Waldir Pires, manda avisar, de Paris, que a crise aérea não acaba antes de um ano. Considerando que a crise já vem infernizando os passageiros (e tripulantes e funcionários das companhias aéreas) há mais de um ano, serão no mínimo dois para equacionar o problema, como gostam de dizer os burocratas.

Por que são necessários esses dois anos?

Para contratar, treinar e dar gratificações a controladores do tráfego aéreo. De novo, o ministro disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo, que a Aeronáutica precisa de dois anos para arrumar o quadro de controladores.

Enquanto isso, no Rio, o ministro dos Portos, Pedro Brito Nascimento, disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo, que toda a gestão dos portos brasileiros está equivocada e travada. Tanto está que o governo não conseguiu liberar um único centavo dos R$ 2,1 bilhões previstos no PAC para obras de dragagem e modernização.

Para gastar, é preciso ter projetos – e parece que isso dá um trabalho danado.

Enquanto isso, a Receita Federal dá show de eficiência e bate recorde de arrecadação todo mês. E se não consegue gastar em obras de infra-estrutura, o governo é muito bom nos gastos com pessoal (contrata e cria cargos com facilidade), previdência e custeio.

* Lech Walesa: "Chávez é um demagogo e populista"
AFP

O presidente venezuelano Hugo Chávez é um "demagogo e populista que, em algum momento, terá de pagar pelo que fez", opinou nesta quinta-feira o ex-presidente polonês e Prêmio Nobel da Paz, Lech Walesa, de visita na capital peruana.

Em coletiva na sede da Associação de Imprensa Estrangeira no Peru (APEP), Walesa denunciou que na Venezuela há uma situação de injustiça que é provocada pelos demagogos e populistas.

"Considero Chávez um enorme demagogo e populista, que diz uma coisa e faz outra. Ele gosta de repartir entre as pessoas o que não pertence a ele, e tenta se aproveitar do descontentamento existente", afirmou ainda. "Até o momento continua tendo êxito, mas chegará o momento da verdade e ele terá de pagar por tudo o que fez".

Walesa recomendou aos países latino-americanos que trabalhem para uma união a exemplo da União Européia, um modelo bem sucedido. O ex-presidente da Polônia (1990-1995) e prêmio Nobel da Paz (1983) será recebido pelo presidente Alan García e, nesta sexta, dará uma conferência particular na Universidade de Lima, na companhia do escritor peruano Mario Vargas Llosa.

* A sub do sub
Lauro Jardim, Radar, Veja online

Sobrou para a física Sandra Miano, técnica da área nuclear da diretoria de Licenciamento Ambiental do Ibama, tocar as audiências públicas de Angra 3. O superintendente do Ibama no Rio de Janeiro, Rogério Rocco, mandou carta à Brasília abrindo mão da tarefa de cuidar as reuniões, e seu substituto imediato, o diretor André Dias, decidiu tirar férias.

Até o momento pelo menos cinco ONGs ambientalistas, como por exemplo o Greenpeace, pediram cancelamento dessas reuniões. Os verdes acusam o governo de querer construir Angra 3 a toque de caixa. E reclamam que Angra 2 ainda deve pelo menos 1,8 milhão de reais em compensações ambientais que deveriam ter sido aplicados no Parque Nacional da Serra da Bocaina.

* Melhor onde?
Maria Inês Dolci, Folha online

O melhor período da história do Brasil, como disse recentemente o presidente Lula, talvez não possa ser visto nos aeroportos brasileiros. O caos já foge a considerações sobre direito do consumidor. Com a insegurança alardeada constantemente, os aeroportos viraram questão de direitos humanos. Uma das dirigentes do Sindicato dos Aeronautas deu entrevista dizendo que agora só viaja de ônibus ou carro. Até quando, nós consumidores teremos que conviver com esta situação?

* Classe de baixa renda compra menos comida para ter bens duráveis
Folhapress
Os hábitos de consumo dos brasileiros tiveram uma profunda mudança nos últimos 20 anos, segundo livro lançado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério do Planejamento, e pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP). Uma das principais mudanças foi a redução nos gastos com alimentação entre as classes mais baixas da sociedade.

Segundo a Pesquisa de Orçamento Familiar do IBGE, entre 1987 e 1988 os brasileiros gastavam em média 20,4% da renda com alimentação. Esse índice, que foi de 18% em 1995/1996, recuou para 16,7% na virada 2002/2003.

Por outro lado, aumentou o acesso das classes mais baixas a bens de consumo duráveis. Os gastos dos 50% mais pobres com estes produtos cresceram de 5,6% para 8,2%, entre o final da década de 80 e os anos 2002/2003.

- A pesquisa mostra que houve uma desconcentração dos gastos das famílias e uma melhora no bem-estar da população, principalmente das classes mais baixas - avalia uma das organizadoras do livro, a professora do departamento de Economia da Universidade Federal de Pernambuco, Tatiane Menezes. De 1995/1996 para 2002/2003, os gastos com telecomunicações subiram de 2,1% para 4,2%. Já despesas com transportes dentro de serviços públicos passaram de 3,8% para 3,9%.

* Lula articula clã Sarney para presidência do Senado
Blog do Noblat

De acordo com reportagem do portal G1, o presidente Lula telefonou para o senador Renan Calheiro (PMDB-AL) desejando boa sorte. Calheiros teria dito a Lula que enfretava "um calvário" e não iria renunciar ao cargo.O Planalto não quis se posicionar publicamente sobre o caso do presidente do Senado. Porém, segundo o G1, Lula já articula nos os bastidores os nomes de Roseana Sarney (PMDB-MA) e José Sarney (PMDB-AP) para substituir Calheiros.