Correio Braziliense
Auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) apontou 400 obras paralisadas no país, no valor aproximado de R$ 3,5 bilhões — o valor total aplicado chega a R$ 2 bilhões. A maioria das paralisações (79,8%) refere-se a problemas no fluxo orçamentário, ou seja, descontinuidade na liberação de recursos. As obras com porcentagem de execução entre 70% e 90% são a maioria entre os empreendimentos informados, indicando que a interrupção não ocorre apenas no início da construção.
Como resposta a esse quadro de abandono e desperdício, o tribunal aprovou a proposta de criação de um cadastro geral de obras, apresentada pelo ministro relator, Valmir Campelo. A idéia é que o cadastro seja sustentado por um sistema informatizado, que forneça informações detalhadas para a administração pública federal, para órgãos de controle público e mesmo para qualquer cidadão. Com esse sistema, será possível um acompanhamento on-line dos gastos públicos realizados em obras custeadas com recursos federais, mediante execução direta ou por meio de transferência de recursos a estados e municípios.As obras foram separadas em duas categorias: paralisadas (que não tinham execução orçamentária há mais de um ano, mas ainda possuíam contrato vigente) e não concluídas (não ficaram prontas, apesar das vigências dos seus ajustes já terem expirado). Todas executadas com recursos da União, as obras também são divididas em dois grupos, aquelas executadas de forma direta (obras inacabadas da União) ou por meio de transferências intergovernamentais (obras dos estados e municípios).
Das 400 obras inacabadas que utilizaram recursos da União, apenas 130 são obras tocadas diretamente pelo governo federal, o equivalente a 32,5% do total. Considerando o valor das obras, mais da metade dos recursos concentram-se nessas obras (54,63%), que geralmente apresentam maior porte. Nesse grupo de obras, a maioria é formada por "obras não concluídas" (83,08% do total), ou seja, não possuem mais contrato vigente.
"Prejuízo potencial"
Nas 130 obras inacabadas tocadas pelo governo federal, já foram aplicados R$ 1,08 milhão. O tribunal salienta que não há como qualificar esses gastos como prejuízo, porque essas obras podem ser retomadas e concluídas. Algumas delas podem até estar sendo utilizadas mesmo sem a conclusão final. O valor aplicado nessas obras pode ser avaliado como "prejuízo potencial", porque ainda não se concretizou, mas tal soma representa "um investimento público sem expectativa de retorno de benefício à sociedade", segundo o relatório da auditoria.Na distribuição das obras inacabadas da União por unidade orçamentária, a grande maioria (94,62%) concentra-se no Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit). Isso se explica em função de os outros ministérios quase não executarem obras contratadas por eles mesmos. Na distribuição das obras inacabadas dos estados e municípios por unidade orçamentária, o ministério que possui a maior quantidade de obras inacabadas é o Ministério das Cidades (46,67%). Em segundo lugar vem o Dnit (21,1%), mas a quase totalidade desse percentual refere-se a obras não concluídas.
As obras com execução física maior que 90% correspondem a 20,3% do total da amostra. O prejuízo potencial para as obras dos estados e municípios realizadas com recursos federais corresponde a R$ 880 milhões.
Ranking: As obras inacabadas por ministérios
Transportes – 180
Cidades – 126
Educação – 31
Saúde – 27
Integração – 15
Turismo – 5
COMENTANDO A NOTICIA: Oh! meu Deus, quantas e quantas vezes já se falou deste problema aqui? E acreditem, muitas destas obras estão relacionadas no tal PAC de infra-estrutura que Lula lançou em janeiro como sendo algo “novo”. Errado. A maioria se trata de obras já iniciadas em outros governos, e que o próprio Lula interrompeu ao assumir. Agora vem e relança como sendo seu projeto de governo !!! Imaginem vocês os bilhões jogados fora ?
O Brasil para estar melhor precisa é de eficiência, precisa de GOVERNO, feito por gente séria, responsável e capaz. Não é com esta patifaria que se vê adotada pelo Planalto que sairemos do lugar. Não são com ações eivadas de ignorância e cretinice que o desenvolvimento chegará a toda a velocidade.
Lula precisa aprender um princípio básico para qualquer candidato a grande homem público: primeiro, ter a humildade de se reconhecer um servidor, um cumpridor da delegação de dirigir os destinos de um país por um breve espaço de tempo. E neste espaço, ninguém é salvador da pátria. É apenas mais um construtor colocando um tijolinho e assentando argamassa no grande edifício de uma nação.
Segundo, que é preciso mais humildade para reconhecer que as facilidades que encontra para fazer e acontecer, foram fruto do sacrifício e do trabalho daqueles que o antecederam. A história de um povo não começa na cabeça e no coração de um homem só. Respeitar esta história, ter consideração para com aqueles que vieram antes, é um princípio de dignidade, de grandeza de espírito, e principalmente, de reconhecimento pelo trabalho alheio. Todos somos limitados às vezes por nós mesmos, outras tantas, pelas circunstâncias históricas no momento em que tal ou qual fato aconteceu. O Brasil não teria a estabilidade econômica e política que vive no presente não fosse pelo trabalho feito por aqueles que primeiro restabeleceram a democracia no país. Depois, poderíamos até alinhar Collor, Itamar e Fernando Henrique. A soma combinada permitiu Lula viver um momento sem os problemas que aqueles enfrentaram.
Portanto, dê seguimento às estas obras, respeite o passado e saiba honrar cada centavo investido. Faça o básico e já terá feito muito, e terá o reconhecimento de todos. Não precisa mentir nem tampouco vender um país que nunca existiu.
Aprenda definitivamente esta lição, senhor Luiz Inácio: um grande homem não é feito nem de arrogância nem de prepotência. Ele é antes de tudo um construtor. Não cobre uma importância que somente a história será capaz de lhe dar. Seja, antes de tudo, um servidor público. O resto vem por conseqüência. Sem mentiras e sem marketing.