Daniel Gallas
O Brasil caiu nos rankings dos maiores países exportadores e importadores divulgados nesta quarta-feira pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
O Brasil caiu nos rankings dos maiores países exportadores e importadores divulgados nesta quarta-feira pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo a OMC, o Brasil exportou US$ 137 bilhões em mercadorias em 2006, ocupando a 24ª posição na lista – uma posição a menos do que no ranking do ano anterior.
As exportações brasileiras representaram 1,1% do mercado mundial em 2006, o mesmo percentual registrado em 2005. O Brasil tem a mesma fatia do mercado exportador que a Tailândia e a Áustria.
Comércio em 2006 (em US$ bi)
Exportadores
1. Alemanha – 1.112
2. Estados Unidos – 1.037
3. China – 969
4. Japão – 647
5. França – 490
24. Brasil – 137
Importadores
1. Estados Unidos – 1.920
2. Alemanha – 910
3. China – 792
4. Grã-Bretanha – 601
5. Japão – 577
29. Brasil – 88
Fonte: OMC
No ranking dos países importadores, o Brasil caiu duas posições – da 27ª em 2005 para a 29ª no ano passado. O Brasil representou 0,7% do mercado importador mundial em 2006, com importações de US$ 88 bilhões em bens.
Surpresa no Brasil
O Brasil é o segundo maior exportador e importador de bens da América Latina, atrás apenas do México. Em 2006, o México exportou quase o dobro do valor brasileiro em bens (US$ 250 bilhões) e importou mais de três vezes do que o Brasil (US$ 268 bilhões).
A queda brasileira nos rankings surpreendeu a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), já que 2006 foi considerado um ano bom para as vendas externas do país.
Mesmo tendo caído no ranking de exportadores, as vendas externas brasileiras cresceram 16% em 2006, um ponto acima da média mundial de 15%.
Para o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro, a queda do Brasil pode estar relacionada com o bom desempenho das economias européias.
"As exportações européias tiveram crescimento também (em 2006). A desvalorização do euro e a valorização do dólar no cenário internacional estimularam indiretamente as exportações da Europa também", disse à BBC Brasil.
O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, defendeu a Rodada Doha - de negociações comerciais internacionais para redução de barreiras comerciais em todo o mundo – como forma de melhorar o desempenho das economias mundiais.
"Uma conclusão bem-sucedida da Rodada Doha tem grande potencial para crescimento e alívio da pobreza. Um acordo também garantiria regras de comércio mais relevantes, ajudando a estabelecer uma fundação mais estável e certa para a dinâmica do mercado global de hoje", disse Lamy, em nota divulgada pela OMC.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Eis mais uma prova de que o Brasil não vai tão bem quanto Lula quer nos fazer crer. Vejam: no discurso presidencial, os números da nossa balança de comércio exterior são fantásticos, não é mesmo? Por certo que são, nunca vendemos tanto como agora. Mas o que é mesmo que estamos vendendo, além de comoditties cujos preços estão cada vez mais valorizados por conta das volumosas e cada mais crescentes compras da poderosa China ? Não fosse isso, e acreditem, estaríamos esmolando nas esquinas. E a causa é a incapacidade do governo de perceber que a atual política cambial é suicida. O ingresso de dólares, conforme tantas vezses já dissemos neste espaço, não se dá apenas por conta das exportações. Há muito ingresso financeiro, por conta da desoneração deste ingresso para financiamento da dívida pública. Com os juros mais altos do planeta, está feita a combinação perfeita para o real estar tão valorizado. E isto não é bom não. Fruto desta perversa combinação de fatores, já deixamos de exportar calçados, produtos têxteis, brinquedos e artesanato. Apesar do montante financeiro ser crescente nas exportações, estamos decaindo no volume. E poderíamos, senhores, estar bombando adoidado. O comércio mundial nunca foi tão dinâmico com tem sido desde 2003. E apesar dos nossos altos superávits, ainda assim, perdemos relevância neste comércio. Pela razão de que os ouros estão vendendo mais do que nós.
Por conta disto, é que estamos caindo no ranking. Não há discurso que resista aos fatos que os números reais nos exibem. Ontem informamos que o desemprego permanece estável, ou seja 10%. Quando se começam a juntar as peças que revelam a realidade de uma economia, e o cenário em que ela acontece, a realidade no caso do Brasil deveria ser muito preocupante. Estamos apenas olhando o nosso próprio passado, e esquecendo-nos de observar o que acontece à nossa volta no presente. O Brasil mesmo que esteja vendendo muito, em termos de valores, está perdendo muito em termos de volume e variedade. E isto representa retração de atividades que acabam desempregando. De um lado, há um lado positivo da economia que cresce, sem crises. Na comparação, os frutos de um acabam tolidos pelas decepções e perdas de outro. Dão porque estarmos na rabeira do crescimento dentre os emergentes. São as oportunidades que insistimos tanto de estarmos jogando fora. Sequer estamos nos mantendo dentro do ranking nas mesmas colocações de anos atrás. E como este quadro no governo Lula já se mantém há mais de quatro anos, e seu ufanismo exagerado não o deixa enxergar a realidade, acreditamos que esta estagnação ainda perdurará por muito tempo.
E não se vá cair na armadilha do crescimento em 5,0% do PIB ser um ótimo negócio: os outros já estão em 7,0%. Ou seja, estamos ficando para trás. Quer Lula aceite ou não, a realidade é dolorosa. E deveria merecer uma ação de ações não de longo prazo. Estamos é perdendo consistência no curto prazo mesmo.