quarta-feira, junho 06, 2007

Governo deve relaxar desarmamento no país

Veja online

O governo federal decidiu flexibilizar o Estatuto do Desarmamento, e deve editar, ainda neste mês, um conjunto de medidas provisórias, decretos e projetos de lei para alterar o texto. De acordo com reportagem publicada nesta terça-feira no jornal O Estado de S. Paulo, dois dispositivos polêmicos do regulamento devem ser mudados na prática: o prazo final para o recadastramento das armas de fogo e o valor da taxa de registro.

Antes fixado para 2 de julho, o limite para o recadastramento deve agora ser adiado para 31 de dezembro. Empresários do ramo de segurança privada, que pressionam o governo desde a aprovação do estatuto, tentam estender o prazo por mais três anos. A medida pode evitar que milhões de proprietários de armas de fogo sejam jogados na ilegalidade, uma vez que a adesão ao programa de registros ficou abaixo das expectativas. Até agora, a soma das armas recadastradas - 455.000 mil - e das devolvidas - 500.000 - à Polícia Federal não representa nem 10% do universo de armas do país, estimado em 10 a 15 milhões.

A taxa de renovação, fixada em 300 reais por um período de três anos, também será revista. O valor ainda está em estudo pelo ministério da Justiça. Conforme adiantaram delegados da PF à reportagem do jornal, ele certamente ficará em "menos da metade" do atual, algo em torno de 50 reais. O ministério teria informado que a meta, na verdade, é reduzir à metade todo o pacote que envolve a regularização de armas - com licença e taxa de exame psicológico e prático, o valor hoje chega a 600 reais.

Segurança dos bancos - O debate sobre as mudanças no estatuto se arrasta desde novembro, quando a União estabeleceu o prazo final para o recadastramento. Diante das indefinições, representantes das empresas ameaçaram entregar as armas, caso não tivessem as reivindicações atendidas. O Sindicato dos Bancários de São Paulo aderiu à causa e, no auge da discussão, afirmou que impediria a abertura de agências sem segurança armada.

Em vigor desde dezembro de 2003, o estatuto é apontado por especialistas como um dos principais responsáveis pela queda do número de homicídios no País. Em 1999, conforme a Secretaria da Segurança de São Paulo, bandidos matavam mais de 3.000 pessoas por trimestre no estado. O quadro começou a mudar no início desta década. E a partir do terceiro trimestre de 2003, iniciou-se uma queda vertiginosa. A redução acumulada é de 45% na capital e de 36% em todo o estado.

COMENTANDO A NOTICIA: É um retrocesso e chute no traseiro dos brasileiros que sempre procuram cumprir a lei, os prazos que lê a formalmente e se guiam pelo padrão moral de um país civilizado. Reparem que o Estatuto vigora desde dezembro de 2003. Perguntamos: neste prazo de três anos e meio que justifica pode alguém alegar para não ter feito o recadastramento ? Preguiça ou vagabundagem mesmo ? Não faz sentido agora “exigirem que o governo aumente o prazo. Tempo houve mais do suficiente. Ou o país aprende a conviver dentro da legalidade, e passa a atender aquilo que é do interesse coletivo, ou ficará difícil de sairmos do buraco. Ou será que nosso nível de segurança está tão bem que admita afrouxar as exigências legais para o porte de arma? Será que não bastam tantos assassinatos estúpidos diariamente e em grande número para que4 o governo federal perceba a necessidade de haver maior rigor ?

TOQUEDEPRIMA...

Mais do que irmão
Da coluna Painel da Folha de S.Paulo

"Quem priva da intimidade do presidente da República avalia que o indiciamento do irmão Vavá pela PF embute menos dano potencial do que a presença, entre os presos na Operação Xeque-Mate, de Dario Morelli Filho, faz-tudo de Lula desde meados da década de 90 até a eleição de 2002 e ainda hoje um auxiliar íntimo o bastante para lhe fazer companhia durante o Carnaval passado no Guarujá, litoral paulista.

"O Dario é mais próximo do Lula do que o irmão", afirma um petista graúdo sobre o ex-segurança, agora acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha. "Entrava e saía da casa do Lula sem pedir licença."

"Definição de quem conhece os personagens de longa data: "O Dario é uma espécie de dobradiça do Lula e do Paulo Frateschi" (presidente do PT paulista). Servia tanto para cuidar da segurança como para providenciar a cerveja do churrasco."

"Assim como Frei Chico, outro irmão de Lula, Dario também era encarregado de "cuidar da família", aí compreendido não apenas o núcleo formado por Marisa e filhos. Foi assim que se aproximou de Vavá."

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Chávez tenta explicar-se sobre críticas
Veja online

O governo da Venezuela lamentou a crise provocada pelas declarações agressivas do presidente Hugo Chávez contra o Congresso do Brasil. A informação foi dada nesta segunda-feira pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que acompanha a delegação brasileira em visita à Índia. De acordo com o chanceler, o próprio Chávez e o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolas Maduro, falaram com o embaixador brasileiro no país, João Carlos Souza Gomes, para esclarecer o assunto.

Amorim afirmou que Chávez e Maduro "se justificaram" pelas declarações - na quinta, o presidente venezuelano disse que o Congresso brasileiro é um "papagaio de Washington"; no sábado, que a Casa foi "grosseira" ao criticar o fechamento do canal RCTV. O tom de Chávez era de conciliação, disse o chanceler. "Ele reconheceu que houve um incômodo de nossa parte. Mas ao mesmo tempo procurou justificar", disse Amorim.

O chanceler brasileiro disse que ainda espera uma manifestação pública da Venezuela sobre as críticas ao Congresso. "Vamos ver se hoje ou amanhã haverá algo mais claro. Mas vamos levar isso sem excesso de dramaticidade", afirmou ele. "A posição do governo brasileiro é de defender as nossas instituições, que são democráticas e que têm funcionado. O nosso incômodo foi sobretudo com a maneira como foi dito, mas espero que tenha sido uma nuvem passageira."

Um dia antes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi pressionado pelos jornalistas a comentar as críticas de Chávez ao Congresso. Ele fez apenas uma curta declaração a respeito do tema - disse que não achou que a Casa havia sido "grosseira", como disse Chávez, pois apenas aprovou um requerimento sobre o fechamento da RCTV. Em seguida, Lula se esquivou das outras perguntas a respeito do assunto. "Deixa eu voltar para o Brasil antes", disse.

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Índia: Lula fala em balança comercial de US$ 10 bilhões
Veja online

Brasil e Índia assumiram o compromisso de atingir, até 2010, uma balança comercial de 10 bilhões de dólares. Em entrevista concedida durante sua viagem ao país, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta segunda-feira em Nova Délhi, que atualmente a balança entre os dois países está em 2,5 bilhões, mas as projeções são de crescimento. O presidente lembrou que o fluxo comercial entre os dois países já dobrou nos últimos quatro anos, mas reconheceu que um maior desenvolvimento depende da relação política entre as duas nações. A comitiva de Lula à Índia conta com a presença de 100 empresários para discutir quatro frentes: biocombustíveis, Rodada Doha, energia nuclear e Conselho de Segurança da ONU.

Na quarta-feira Lula estará na Alemanha para o encontro do G-8. Lula afirmou que o G-5 - China, Índia, México, Brasil e Nigéria - também estará presente no encontro em Berlim, e irá discutir o aquecimento global. "É preciso começar a dizer algumas coisas que nós consideramos verdade e que uma parte do mundo desenvolvido não quer discutir. Primeiro, é que 65% de emissão de gases na atmosfera são feitas pelos países ricos, portanto, cabe a eles maior responsabilidade para despoluir o planeta", disse.

Antes de ir a Nova Délhi, Lula passou por Londres, para assistir ao amistoso de futebol da seleção brasileira contra a Inglaterra. "A Fifa (Federação Internacional de Futebol) vai escolher o país que sediará a Copa do Mundo de 2014 e o Brasil está concorrendo sozinho, eu espero que não apareça ninguém para disputar."

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Enade: sub-reitor da Uerj culpa universitários
Ernani Alves, Redação Terra

O sub-reitor de Graduação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), José Ricardo Arruda, culpou nesta segunda-feira os alunos pelo fraco rendimento da instituição no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2006. Fizeram as provas 386.524 estudantes de 5.701 cursos de 1.600 instituições de Ensino Superior do País.

A Uerj ficou na 17ª colocação entre as universidades avaliadas. Segundo o sub-reitor, os alunos ainda não se conscientizaram da importância do Enade. "Falta uma consciência de que a avaliação é instrumento necessário para a melhoria da qualidade acadêmica. Os alunos não comparecem aos exames, e isso distorce o resultado", afirmou.

Arruda disse ainda que as universidades devem exercitar mais o lado profissional dos estudantes, independentemente da colocação no Enade. A única universidade do Rio de Janeiro entre as 10 melhores no Enade foi a PUC-RJ, na 8ª posição. A UFRJ ficou na 12ª colocação. Os cinco primeiros lugares foram ocupados por universidades mineiras.

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Enade: nota média nos conteúdos específicos é 36,4
Redação Terra

A nota média dos estudantes nas provas de conteúdo espefíco do Enade 2006 foi de apenas 36,4. Nas avaliações de formação geral o resultado foi um pouco melhor: 45,4. Em ambos os casos, os concluintes tiveram resultados melhores do que os ingressantes. Os resultados foram divulgados nesta quinta-feira, pelo Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC).

O exame, aplicado em novembro de 2006, avaliou instituições de ensino superior nas áreas de administração, arquivologia, biblioteconomia, biomedicina, ciências contábeis, ciências econômicas, comunicação social, design, direito, formação de professores (normal superior), música, psicologia, secretariado executivo, teatro e turismo.

A maior média na prova de formação geral foi a dos estudantes de arquivologia (50,7); a menor, de administração (42,1). No conteúdo específico, os alunos de psicologia obtiveram os melhores resultados (46,3). Os mais baixos foram registrados nos cursos de ciências contábeis (25,7). Participaram da prova 386.524 estudantes - 211.837 ingressantes e 174.687 concluintes - de todos os Estados e Distrito Federal.

A consulta aos resultados do exame de 2006 já está disponível na página eletrônica do Enade (clique aqui).

Com informações do Inep e do MEC

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Justiça suspende verba extra de parlamentares

Maria Clara Cabral, Redação Terra

A juíza Mônica Sifuentes, da 3ª Vara do Distrito Federal, determinou a suspensão imediata do pagamento da verba indenizatória aos parlamentares. No total, deputados e senadores recebem cerca de R$ 15 mil por mês para gastos extras. A decisão foi tomada após ação popular proposta pelo ex-deputado João Cunha.

De acordo com a liminar da juíza, a ajuda não é necessária, uma vez que os parlamentares já recebem auxílio moradia e cotas de transporte aéreo, entre outros benefícios. A base da sentença é a Emenda Constitucional nº 19, de 1998.

A emenda estabeleceu o princípio de que os membros de poder, detentores de mandato eletivo, ministros de Estado e secretários estaduais e municipais "serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verbas de representação ou outra espécie remuneratória".

Segundo a assessoria de imprensa da 3ª Vara, a decisão é passível de recurso e ambas as partes têm que ser avisadas. A decisão da juíza acontece pouco tempo depois de os parlamentares aumentarem seus salário em 28,5%, o que seria, segundo os deputados, a correção da inflação dos últimos quatro anos.

O reajuste dos deputados e senadores aumenta de R$ 12.847,20 para R$ 16.512,09 os salários, enquanto o do presidente da República passou de R$ 8.885,45 para R$ 11.420,21. O vice-presidente e os ministros, que ganhavam R$ 8.362,00, passam a receber R$ 10.748,43.

De acordo com o secretário da Câmara, Mozart Viana, o presidente Arlindo Chinaglia (PT-SP) já acatou a decisão da juíza e encaminhou a liminar para o diretor-geral da Casa, que determinará os próximos procedimentos. Já a Secretaria do Senado nega que a Casa tenha recebido a liminar.

Maldades por medidas provisórias

Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa

Mais uma nuvem negra forma-se no horizonte. Correu em Brasília, semana passada, a hipótese de o governo editar por medidas provisórias as reformas previdenciária e trabalhista. A razão? Desconfiança de que se as propostas forem apresentadas por projeto de lei, anos transcorrerão até a votação final, e sob o risco de o Congresso desfigurar as intenções do governo e das elites.

De início seria bom indagar que intenções são essas. Porque apesar de o presidente Lula ter afirmado a disposição de não reduzir direitos sociais, mais do que já foram reduzidos por Fernando Henrique, à sua volta a tendência continua oposta.

As elites pretendem limitar ao máximo os benefícios atuais, deixando aposentadorias e pensões em níveis até inferiores ao salário mínimo, para quem solicitá-las a partir da vigência das mudanças. Uma forma sibilina de levar a classe média a optar pela Previdência Privada, cujos ônus serão muito superiores aos descontos obrigatórios da Previdência Pública. Sem falar na supressão das pensões pagas às viúvas jovens e sem filhos, que o ministro Luiz Marinho deseja, no mínimo, ver casadas outra vez.

Quanto à reforma trabalhista, nunca será demais repetir: querem acabar com a multa de 40% sobre demissões imotivadas, além de parcelar em doze vezes o décimo-terceiro salário e as férias remuneradas. Recairiam sobre o trabalhador os custos hoje sobre os ombros das empresas, no caso das carteiras assinadas. Porque dada a perda do poder aquisitivo dos salários, em poucos anos desapareceriam as férias remuneradas e o décimo-terceiro salário.

Mesmo com maioria governamental garantida, as elites desconfiam ser afiada demais a navalha posta no pescoço dos assalariados. Afinal, os parlamentares precisam enfrentar o eleitorado, de quatro em quatro anos.

Por conta disso, e para evitar delongas e dissabores, os verdadeiros donos do poder, no caso, o econômico, pensam em medidas provisórias capazes de enfiar goela adentro da população essas e outras maldades. Ficaria bem mais fácil ao governo aprová-las em bloco do que discutir detalhes de projetos. A pergunta que se faz é sobre a contradição entre a palavra de Lula, contra a supressão dos direitos sociais que restaram, e a ação de seu governo nos últimos quatro anos e meio, sempre favorável aos interesses das elites. Imaginem qual o resultado...

Um ditadorzinho de mierda

Adriana Vandoni (*), Blog Prosa & Política
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Cansei de escrever mansinho. Fica parecendo que não adianta nada. Cansa! Mas, vou dizer uma coisa, deu vontade de chutar o pau da barraca. Que a política externa deste governo Lula é um desastre, todos com um mínimo de consciência já sabem. Sujeitou-nos ao presidente boliviano, deixando-o rasgar contratos sem quaisquer retaliações na justiça internacional, e vendendo o patrimônio da Petrobras, que não é do governo ou do PT, mas do povo brasileiro. Foi um desrespeito absurdo com nosso povo, que pagou preços mais altos por muitos anos para construir o patrimônio da empresa, e agora entregamos assim, fácil?! Faltou patriotismo, dignidade e coragem. Por essas e outras, e de tanto deixar que outros passem a mão no pandeiro brasileiro, que o Paraguai também resolveu “propor” renegociações nos contratos sobre Itaipu. Viramos um gigante fraco e covarde. Temos tamanho, mas falta-nos hombridade.

Mas o pior é o palhaço venezuelano, um típico ditador latino-americano, só que travestido do véu popularesco do socialismo. Desde o início do primeiro governo Lula, Chávez usava o Brasil como a sua casa da mãe Joana. Passava e entrava por nossas fronteiras sem a menor cerimônia, discursando para campesinos no Paraná, que logo após invadiam terras, ou ditando ideologias “bolivarianas” que não sabemos se nosso povo deseja ou ao menos que saiba o que é. Viramos um palanque para esse palhaço Chapolin subir e discursar seus recalques e teorias ideológicas para todo o continente. Viramos apenas um degrau para esse tiraninho de segunda subir e discursar.

Agora vemos sua crítica ao nosso congresso, que quer gostemos ou não, e mesmo que saibamos de todos seus erros absurdos, foi escolhido pelo povo brasileiro e só a este deve satisfação. Essa imitação barata e cafona de ditador não tem o direito de dizer que o Congresso Nacional do Brasil é cheio de “papagaios” que apenas repetem o que os EUA falam.

Que esse vanguardista do atraso e defensor de causa perdida se recolha à sua insignificância mundial. Um ditador de país, grande exportador de petróleo, que mesmo tendo enormes lucros decorrentes do alto valor desse produto, destrói a economia do seu país. Uma leitura rápida nos jornais de lá mostrará a quantas anda, por exemplo, a oferta de alimentos. A Venezuela importa dois terços dos alimentos que consome e, pasmem, boa parte disso do imperialista EUA. E o pior, mesmo com os lucros do petróleo, está faltando alimentos! Tem que comprar dos EUA. Dando dinheiro aos imperialistas, não é?, fanfarrão de mierda!

Uma coisa é um cidadão brasileiro falar da Venezuela, ou um cidadão venezuelano falar do Brasil, mas um chefe de Estado? Por isso escrevo mierda, e mierda repito, porque papagaios, Chapolin Colorado, diga aos seus congressistas daí!

Faça o seguinte: diga isso ao Congresso Nacional da Venezuela, em seus longos discursos, mas diga isso e complete que são um bando de calzonazos, que não tem autonomia alguma. Um bando de calzones-moles, em bom portunhol.

Raivas à parte, e recolhendo o pau da barraca chutado, esse é um problema diplomático que eu espero que seja tratado com toda a gravidade que merece. Chega de permitir que tripudiem sobre nosso país e instituições.

(*) Adriana Vandoni - é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ, professora do curso de pós-graduação.

Assessor de Lula sai em defesa de Chávez

Diante de mais uma reação destemperada do presidente da Venezuela ao pedido do Senado brasileiro para que reveja a cassação da licença de funcionamento do mais antigo canal de televisão (RCTV) e da convocação ao Itamaraty do embaixador venezuelano em Brasília, o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, ministro Marco Aurélio Garcia, saiu ontem em defesa do regime de Hugo Chávez.

Em entrevista coletiva concedida na capital indiana, Garcia afirmou que, ao rejeitar a prorrogação da concessão para a Rádio Caracas de Televisão (RCTV), "Chávez não fez nada de ilegal" nem violou os princípios democráticos de defesa da liberdade de expressão.

"Não julgamos que tenha sido violada nenhuma regra democrática. Andei não poucas vezes pela Venezuela. Em raros países eu vi a imprensa falar com tanta liberdade quanto na Venezuela", afirmou o assessor especial da Presidência.

"Constatação: todas as vezes que estive lá, eu vi a imprensa falar cobras e lagartos (de Chávez)", insistiu, ao relatar que os canais de televisão anunciavam manifestações contra Chávez até mesmo durante as populares novelas, por meio de legendas.

Moção
As atividades da RCTV, cuja linha editorial era claramente de oposição ao governo venezuelano, foram encerradas no último dia 28 por ordem de Chávez. Na quarta-feira passada, o Senado aprovou uma moção pedindo que o governo venezuelano revisse a decisão, o que levou Chávez, em entrevista a uma emissora de TV, a enviar "pêsames" ao povo brasileiro por contar com um Congresso que "repete como um papagaio" as posições dos EUA.

Também aconselhou os parlamentares brasileiros a se ocupar "dos problemas internos". "Que triste para o povo brasileiro!", declarara. No dia seguinte, de Londres, Lula revidou: em nota oficial, divulgada pelo Itamaraty, o presidente expressou seu "repúdio" às declarações de Chávez, qualificadas como "manifestações que (põe) em questão a independência, a dignidade e os princípios democráticos" das instituições brasileiras.

O general Júlio García Montoya, embaixador da Venezuela em Brasília, foi convocado ao Itamaraty para dar explicações oficiais sobre as declarações de Chávez. Ontem, Chávez voltou à carga. "O Congresso do Brasil emitiu um comunicado grosseiro, que me obrigou a respondê-lo. Não aceitamos a ingerência de ninguém em assuntos internos", afirmou, em uma manifestação de apoio à decisão de fechar a RCTV.

Na entrevista concedida em Nova Délhi, onde acompanha Lula em visita oficial à Índia, Marco Aurélio Garcia teve o cuidado de, ao elogiar o governo Chávez, não confrontar diretamente o discurso e a nota oficiais do presidente Lula emitidos na sexta-feira, em Londres.
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Reação
Ontem, ao ser abordado sobre a nova reação de Chávez, Lula defendeu que "o Congresso não foi grosseiro" ao aprovar uma moção de censura contra a decisão do governo venezuelano de fechar a RCTV. "A nota do Congresso pede a compreensão, apenas", rebateu Lula, que informou também ter havido uma conversa por telefone entre Chávez e o embaixador do Brasil em Caracas, João Carlos de Souza-Gomes.

"A moção do Senado não foi ofensiva", alinhou-se o assessor Marco Aurélio Garcia para, em seguida, elogiar o regime de Chávez. Garcia admitiu, também, que, nesse episódio, Chávez valeu-se de um "tom inadequado". Acrescentou que o governo Lula não está interessado em "esquentar" esse episódio e não gostaria de ver críticas provenientes do exterior, por exemplo, à sua iniciativa de criar a rede nacional de TV pública.

"Os interesses políticos e econômicos bilaterais e os projetos de integração da América do Sul e de ampliação do Mercosul são importantes demais e justificam a decisão do Brasil de apaziguar sua relação com a Venezuela", argumentou.

Mesmo quando confrontado com a versão de que a concessão da RCTV valeria até 2022 e com a situação de domínio absoluto de Chávez sobre as decisões da Justiça venezuelana, o assessor de Lula manteve sua posição. A nova bateria de declarações de brasileiros e venezuelanos em torno da RCTV foi disparada justamente no dia da abertura da Assembléia-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), na Cidade do Panamá.

A assembléia deve esquentar por conta da decisão do governo Chávez sobre a RCTV, os riscos à democracia venezuelana e de toda a região. Ao ser questionado sobre o posicionamento brasileiro nesses possíveis debates, Garcia afirmou que não espera ver nenhum país "reeditar a OEA das exceções dos anos 60", em clara referência à assembléia de 1962, na qual Cuba foi suspensa da organização por recusar os princípios democráticos - uma clara pressão dos Estados Unidos.

"Não me venham agora a fazer as bobagens dos anos 60, quando a OEA partidarizou-se muito", afirmou. "O Insulsa é um homem sensato. Foi eleito com o voto do Brasil e da Venezuela", completou, ao referir-se ao secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza, que terá o desafio de conduzir essa questão na assembléia.

O governo da Venezuela argumenta que não renovou a concessão da RCTV porque o canal apoiou o golpe militar que tirou Chávez do poder por três dias, em 2001. Desde que parou de funcionar, no dia 29 de maio, a RCTV foi substituída pela Televisora Venezolana Social (Tves), canal estatal.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Fazia tempo que o senhor Garcia não dava o ar de sua graça, e considerando o que disse, poderia ter ficado quieto por mais um bom período, do que pagar este mico danado. Dizer que “(...) em raros países eu vi a imprensa falar com tanta liberdade quanto na Venezuela (...), é sinal de que, ou o senhor Garcia anda viajando muito pouco, ou os lugares que tem visitado não guardam um padrão de democracia dos mais elogiáveis e característicos.

E quanto a dizer que “(...) o governo Lula não está interessado em "esquentar" esse episódio e não gostaria de ver críticas provenientes do exterior, por exemplo, à sua iniciativa de criar a rede nacional de TV pública(...)”, e daí o que tem isto demais ? Ou será que Lula também não aceita críticas ? Ou será que a democracia que você defende é aquela que não admite oposição e opiniões discordantes ? Neste caso, senhor Garcia, isto tem outro nome: e não é democracia, tampouco liberdade de expressão.

O que me impressiona não é Garcia defender Chavez. São socialistas do mesmo barril, vinagre com o mesmo azedume. Mas o que preocupa é a prática deste governo de sempre ficarem do lado de lá do balcão: ao invés de defender o interesse brasileiro, preferem “justificar” o estrangeiro que nos ataca, que nos rouba e nos agride.

Mais: o senhor Garcia poderia ao menos respeitar o nosso grau de informação, ou será que o múmia imagina que a gente não lê jornal, não vê televisão e não nos correspondemos com venezuelanos que estão nas ruas protestando contra a agressão praticada por Chavez na tal liberdade de imprensa ? Ou na sua falta de respeito para com instituições brasileiras com discursos canalhas ? Ora, senhor Garcia, se era para dizer asneiras, poderia ter ficado de boca fechado por mais um bom tempo !

TOQUEDEPRIMA...

Saúde privada cresce 30% desde 2000
Da Folha de S.Paulo

"Nos últimos seis anos, 10,2 milhões de brasileiros passaram a ter algum plano de saúde. Esse aumento aconteceu num ritmo superior ao do crescimento populacional do período e elevou de 34,5 milhões para 44,7 milhões o total de beneficiários, uma variação de 30%. Com isso, a taxa de cobertura do setor aumentou de 20,8% para 23,9% da população.

O registro desse crescimento consta do Caderno de Informação da Saúde Suplementar da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). A análise ano a ano mostra que a ampliação da cobertura aconteceu principalmente nos últimos três anos, quando, entre dezembro de 2003 e de 2006, 8,5 milhões de brasileiros passaram a ter algum tipo de plano de saúde.

Para analistas do setor ouvidos pela Folha, além da vontade de boa parte da população de não depender da rede pública, as razões desse crescimento são a oferta cada vez maior de planos exclusivamente odontológicos, a melhoria na renda das classes C e D e o crescimento do emprego formal."

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Dólar só voltará a R$ 2 em maio de 2008

O mercado financeiro acredita que o dólar só voltará aos R$ 2,00 em maio do próximo ano, de acordo com os dados da pesquisa semanal do Banco Central (BC). Mesmo assim, um mês depois, ou seja em junho de 2008, a taxa de câmbio voltará ao patamar de R$ 1,99, para depois terminar o ano em R$ 2,05.

Neste intervalo de tempo, a taxa não cairá abaixo dos R$ 1,90 e ficará oscilando entre R$ 1,93 e R$ 1,95.
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Depois disso, o câmbio subirá gradualmente até alcançar os R$ 2,00 em maio do próximo ano. Os economistas consultados esperam um crescimento de 4,20% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, segundo aponta a pesquisa Focus divulgada ontem pelo BC .

A previsão anterior para o PIB era de avanço de 4,16% para o fim de 2007. As estimativas de expansão da produção industrial neste ano avançaram de 4,19% para 4,23%. Para 2008, as projeções de crescimento do PIB seguiram estáveis em 4% pela sétima semana consecutiva. As apostas de crescimento da produção da industrial aumentaram na pesquisa do BC de 4,28% para 4,40%.

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Custo da construção civil sobe 1,21% em maio

SÃO PAULO - O Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil do Estado de São Paulo registrou alta de 1,21% em maio, na comparação com abril. O CUB é o índice oficial calculado pelo SindusCon-SP, que reflete a variação mensal dos custos do setor para utilização nos reajustes dos contratos da construção civil.

Em maio, os custos com mão-de-obra subiram 2,08%, refletindo aumento salarial dos trabalhadores, garantido na Convenção Coletiva 2007 assinada pelo SindusCon-SP e pelo Sintracon-SP (representante dos trabalhadores do setor na capital). As despesas administrativas (representadas pelo salário do engenheiro) também cresceram significativamente, registrando elevação de 5,38%.

Os custos das construtoras com insumos apresentaram ligeira alta, de 0,03%. A média ponderada entre essas variações resultou no CUB Representativo da construção civil paulista (R8-N) de 1,21%, o que significa um custo de R$ 709,49 por metro quadrado em maio. Dos 55 insumos da construção cujos preços são pesquisados mensalmente pelo SindusCon-SP, 31 apresentaram em maio variação superior à do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que foi de 0,04% no mês passado.

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OCDE: pirataria movimenta US$ 200 bilhões por ano

GENENBRA (Suíça) - A pirataria movimenta um comércio de pelo menos US$ 200 bilhões por ano e a China é de fato a maior produtora mundial desses produtos falsificados. A avaliação é da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que publicou ontem um levantamento sobre o impacto econômico dos produtos falsificados. Segundo um dos autores do estudo, Wolfgang Hubner, a situação no Brasil vem melhorando, mas o País precisa fortalecer a implementação das leis recentemente criadas para combater o problema.

O valor do comércio é superior a toda importação e exportação brasileira no ano passado e acima do PIB de 150 países. O levantamento, porém, reconhece que os prejuízos para uma economia podem ser muito maiores que os US$ 200 bilhões citados. Isso porque a OCDE não considerou nem a venda de produtos falsificados pela Internet e nem o comércio doméstico de bens falsificados.

"Os números são apenas referentes às apreensões que foram feitas nos últimos anos nos portos de diferentes países", afirmou John Dryden, coordenador do relatório. Para ele, o comércio de produtos falsificados só tende a crescer nos próximos anos. O estudo aponta que, embora o fenômeno esteja sendo visto em todos os países, a Ásia surge como a principal região responsável pelo comércio desses produtos.

A China, portanto, seria a maior produtora hoje de mercadorias falsificadas. Não por acaso, os americanos lançaram uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a falta de ação dos chineses para combater a pirataria.

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Bolsas da China têm a pior queda desde fevereiro

PEQUIM - O principal índice do mercado acionário chinês, o Xangai Composto, despencou 8,3% ontem, na maior queda em um dia desde o recuo de fevereiro, que provocou impactos em todos os mercados globais. O índice caiu pelo segundo dia consecutivo, fechando em 3.670,40 pontos, depois de ter recuado 2,7% sexta-feira. O Shenzhen Composto perdeu 7,9% e encerrou em 1.039,90 pontos.

Os declínios vieram após o governo chinês ter elevado o imposto sobre transações com ações, semana passada, em um esforço para esfriar o "boom" no mercado acionário, que tem preocupado as autoridades chinesas sobre a possibilidade de se criar uma perigosa bolha de preços.

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Estado de choque nos aeroportos
De O Globo

"Os R$ 3 bilhões em investimentos para melhorar a infra-estrutura aeroportuária brasileira que constam do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) são suficientes apenas para atender ao aumento da demanda nos principais terminais até 2010 — quando o volume de passageiros subirá dos atuais 118 milhões para 158,3 milhões. Mantido o ritmo de expansão da aviação civil a uma média de 12% ao ano, já em 2009 será necessário montar um novo plano de pelo menos R$ 10 bilhões, mais do que o triplo prometido pelo governo para evitar novo caos aéreo em quatro anos. Sem recursos suficientes para fazer frente ao desafio, o Executivo começou a estudar, com a bênção da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, parcerias com a iniciativa privada, que poderia até mesmo assumir aeroportos.

A previsão a que O GLOBO teve acesso foi elaborada pela própria Infraero, estatal que comanda os 67 aeroportos mais importantes do Brasil. O número é baseado nas promessas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), acima de 4,5% ao ano, e na expectativa de que o movimento nos terminais chegará aos 200 milhões de usuários em 2018. Segundo o presidente da estatal, brigadeiro José Carlos Pereira, o Palácio do Planalto já foi alertado."

Pensador federal tira leite de pedra

Augusto Nunes, Jornal do Brasil

O poeta federal eternizado nos versos de Carlos Drummond de Andrade tirava ouro do nariz. O pensador oficial Marco Aurélio Garcia, incumbido por Lula de ajudá-lo a entender o que vai pelo resto do planeta - e, eventualmente, falar por ele sobre complicações ocorridas em outras paragens e outros sotaques - é tão inventivo como a criatura de Drummond. Em vez de ouro do nariz, tira leite de pedra.

É o que tem feito há quatro anos o inquilino do gabinete reservado, segundo o maiúsculo cartão de visita, ao "Assessor Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais". Garcia sempre exerceu com aplicação o ofício de explicar o inexplicável. No Planalto, aprendeu a desfiar, com a naturalidade de quem avisa que o outono precede o inverno, raciocínios tão desalinhados quanto sua dentição inferior.

O acervo de lições implausíveis ministradas por esse professor de Mundo com PhD em América Latina foi engrossado nos últimos dias por aulas sobre a Venezuela de Hugo Chávez, um dos seus temas prediletos. Redesenhado pelo conselheiro de Lula, o berço da revolução bolivariana é muito mais bonito que o enxergado pela gente comum. "Andei não poucas vezes por lá", credencia-se Garcia. "Em raros países eu vi a imprensa falar com tanta liberdade quanto na Venezuela".

E a extensa procissão de jornalistas agredidos fisicamente por partidários de Chávez, como castigo por terem criticado o chefe? "Não sei de nenhum caso concreto", desconversa Garcia. E a decisão de não renovar a concessão para o funcionamento da RCTV, única emissora de televisão de dimensões nacionais que ousava discordar do governo? "Chávez não fez nada de ilegal", ensina o pensador federal.

A legislação venezuelana, explica o professor, determina que concessões de canais de rádio e TV têm data de vencimento, certo? Esse prazo de validade, ao esgotar-se, pode ser prorrogado ou não, certo? Ao optar pela segunda alternativa, o governo não feriu a lei, certo? Simples assim, conclui o imaginoso explicador. Pode até parecer um enunciado acadêmico. É apenas uma discurseira malandra.

Ao fechar a emissora líder de audiência, Chávez amputou um dos últimos braços com autonomia de movimentos. Garcia sabe disso. Ao substituí-la por outra emissora controlada pelo governo, o ditador em gestação implantou mais um tentáculo no polvo da propaganda bolivariana. Garcia sabe disso. Se não tivesse a visão turvada pela poeira espalhada pela Queda do Muro de Berlim, esse veterano de guerras contra o imperialismo ianque enxergaria uma paisagem pouco parecida com seu paraíso imaginário.

Aos olhos dos democratas, a Venezuela real vai incorporando matizes que forjam um painel decididamente perturbador. Favorecido pela miopia política da oposição, que boicotou as eleições parlamentares, o presidente transformou o Congresso num clube de devotos. Emasculado o Legislativo, Chávez demitiu todos os juízes independentes, substituiu-os por doutores em vassalagem e reduziu o Judiciário a uma filial do Executivo. Hoje, o presidente chefia os três poderes.

No tempo das repúblicas bananeiras, os ditadores latino -americanos dispensavam camuflagens: eles eram a lei. Republiquetas petroleiras requerem alguma sofisticação: neste começo de século, os tiranetes dos trêfegos trópicos cumprem as leis. Mas só depois de retoques nos códigos que legalizam a ilegalidade. Alguma coisa aprenderam com os avós europeus. Na Alemanha hitlerista, por exemplo, o extermínio dos judeus foi formalmente autorizado pelo Congresso.

Os nazistas condenados em Nuremberg perderam uma boa testemunha de defesa. Para Garcia, todos cumpriram a lei. Como tem feito Hugo Chávez.

IBGE estuda indicador para trabalho que não tem preço

Sabrina Lorenzi , Jornal do Brasil

Quanto custa cuidar dos filhos, da casa, do parente doente? O valor de cuidados que não têm preço reduz em até 20% a pobreza na América Latina, segundo a Comissão de Assuntos Econômicos para a América Latina (Cepal). A conclusão é uma prévia do que está para ser calculado, inclusive no Brasil pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O órgão vinculado ao Ministério do Planejamento estuda como medirá o uso do tempo e, para isso, poderá elaborar uma pesquisa nova, específica. Outra alternativa é incluir novas perguntas em levantamentos já realizados, como a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), realizada anualmente.

Para debater o tema com países já experientes no assunto, o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (UNIFEM) e o IBGE realizam hoje, no Rio, o Seminário Internacional sobre Uso do Tempo. Países do continente latino-americano planejam adotar uma metodologia padronizada nas pesquisas sobre o tema, como revela a Diretora Regional do UNIFEM para o Brasil e o Cone Sul, Ana Falú.

- É preciso reconhecer o trabalho invisível (tarefas não remuneradas) porque a contribuição, principalmente das mulheres, é fundamental para a redução das desigualdades e elaboração de políticas públicas - afirma a representante da ONU para este jornal.

As pesquisas sobre uso do tempo já são aplicadas em nove países da América Latina. Cuba e México são os pioneiros. Equador, Uruguai, Chile, Nicarágua, Guatemala, Costa Rica e República Dominicana também as adotaram.

No Uruguai, por exemplo, uma pesquisa mostra que cada criança precisa de 41 horas semanais de cuidados. Dar banho, vestir, alimentar, ensinar, conversar, levar para a escola, pegar na escola, dar janta, contar história, colocar para dormir ... O problema, segundo Ana Falú, é que mais de 60% disso tudo é feito pelas mulheres, que, muitas vezes, também trabalham fora e cuidam da casa. Se considerarmos cinco horas com o filho (pelo menos deveria ser, de acordo com as necessidades da criança), mais oito horas de trabalho e seis com as tarefas domésticas, restam apenas seis horas para a mulher ser mulher e dormir.

De acordo com Ana Falú, o cuidado com os filhos é uma das maiores preocupações dos estudos. Outro alvo dos estudos é estimar o valor monetário da tarefas domésticas e voluntárias.

Na Espanha, concluiu-se, por exemplo, que, para cada 12 horas sob cuidados médicos, o doente precisa de mais 88 de atenção de familiares ou acompanhantes pagos pela família. - A diferença é que o cuidado profissional é pago, mas o de parentes não - observa Ana Falú.

- Quanto custa a hora de uma empregada doméstica? Qual o valor no mercado de trabalho da mulher que fica em casa e faz essas tarefas? Quanto as mulheres geram de riqueza para o país fazendo esses trabalhos? Cuidados com idosos, enfermos e crianças no lar: tudo isso precisa ser medido, ter visibilidade e ser valorizado - completa.

A Pnad do IBGE já inclui perguntas sobre carga de trabalho de homens e mulheres, inclusive de horas dedicadas aos afazeres domésticos.

TRAPOS & FARRAPOS

CRESCIMENTOS E INVESTIGAÇÕES INVISÍVEIS
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Uma investigação e um aviso atrasados
Claro que para qualquer pessoa, ter um parente próximo seu envolvido em “trapaças”, ou sendo indiciado por ações suspeitas, é bastante desagradável. Ainda mais quando a pessoa em questão é nada mais nada menos do que o presidente da República.

Não se deve negar os méritos do trabalho da PF no seu trabalho de combater contrabando, tráfico de drogas, jogos, sonegação, etc. Precisamos disto mesmo. Mas este trabalho não pode ser feito ao arrepio da lei. Tanto a Justiça quanto diversas entidades de classe, OAB à frente, não cansam de criticar que, em muitas de suas operações, a Polícia Federal tem se colocado acima da lei. Nenhum abuso deve ser contemporizado por quem deve combater justamente a desobediência à lei. Assim, por mais que a PF reúna provas e evidências de culpabilidade das pessoas que indicia, não pode negar-lhes o amplo direito de defesa, a de tomarem conhecimento do que são acusadas e a de serem assistidas por advogados de defesa. É da lei, é do estado de legalidade, e assim deve ser.

Agora, quando a investigação chega às portas da autoridade máxima do país, no caso Lula, por haver um irmão seu envolvido, o cuidado deve ser redobrado e não se pode permitir leviandades. Há muito que se suspeita que existam muitas facções dentro da corporação. Dentre elas, umas agem como que escorando o governo para ver atendidos seus pleitos na questão salarial. Porém há um limite: se a questão é salário, então que se negocie abertamente, e sem prejuízo à atividade fim que justifica a existência da própria PF. Esperar que o presidente se ausente para atacá-lo como no caso do irmão Vavá, não colabora em nada.

Preocupa-me é o fato do uso que se faz de uma investigação do porte da Operação Navalha, para logo em seguida iniciar-se uma operação de greve. E no meio disto tudo, ataca-se, mesmo que por vias indiretas o próprio presidente. Algo está fora de sintonia, a começar pelo comando do ministro da Justiça, que muito embora tenha afirmado ter avisado Lula, o que se sabe é que o presidente, na verdade, foi tomado de surpresa. Conforme já informamos no boletim do TOQUEDEPERIMA, Tarso Genro terá que dar muitas explicações. E acho que terá que ouvir poucas e boas.

O outro lado desta história é o seguinte: desde 2005, quando Vavá foi notícia pela primeira vez e acusado de tráfico de influência (crime pelo qual é agora indiciado), ele deveria ter sido investigado, independentemente de seu grau de parentesco com quem quer que seja. Da mesma forma, Lula deveria ter advertido o irmão de que não poderia encobrir suas ações, em razão do cargo que ocupa. Agora, ei-lo de volta envolto com as mesmas encrencas. Que se investigue e se apure dentro da lei. Mas seria bom que a oposição não ficasse muito assanhada: ela está atrasada há pela menos dois anos. Portanto, não há proveito algum para ser tirado agora.


Falou demais e antes da hora
Se a gente tomar o cuidado de ler o recado enviado pelo Senado Federal para Hugo Chavez na questão da RCTV, não encontrará absolutamente nada de mais grave, e que justificasse a reação do ditador venezuelano. Pedia-se uma reanálise, de forma educada e cordial. Nada além disso. Chavez poderia ter respondido no mesmo tom. Mas se assim fosse, não seria o boquirroto que conhecemos. Achou-se no direito de agredir o Congresso Nacional como um todo, e forma descabida.

Primeiro, porque é um direito de qualquer pessoa ter sua própria opinião e expressá-la, mesmo que seja contrária tanto à maioria quanto às autoridades. Vê-se que Chavez não é muito chegado ao pensamento discordante. Nós também os nossos “Chavez” por aqui.

Porém é preciso um certo cuidado que o assunto escorrega para o perigoso terreno das relações internacionais. Chavez foi grosseiro, inconveniente e acabou com seu desequilíbrio, criando um atrito desnecessário. Muito embora Lula tente abafar uma crise que não lhe interessa, o fato pode ter repercussões continentais e atrapalhar ao próprio Chavez.

Acontece que pra consumar-se o ingresso da Venezuela no Mercosul, o convite feito por Lula precisa ser referendado pelo parlamento dos países membros. Argentina e Paraguai já disseram sim. Brasil e Uruguai ainda não se manifestaram. E O PSDB e os DEM já anunciaram que irão obstaculizar esta aprovação. Por certo, que se consumado na prática a intenção dos oposicionistas, teremos novos capítulos de ataques de imbecilidade a conta do caudilho venezuelano.

Convém que Chavez lembre-se de uma coisa: o Brasil precisa muito menos da Venezuela do que o contrário disto. Aliás, sequer fomos algum dia dependentes deles. Portanto, ter relações no nível em que Lula e Chavez sonham para os dois países, não pode apenas se concretizar pela vontade de ambos. Regra geral, o brasileiro nunca se sentiu muito ligado ao continente. Reparem que as nossas referências são voltadas para ou Estados Unidos ou Europa. Para nós, ter a Venezuela como parceira comercial tanto faz como tanto fez. Conviria, neste caso, que Chavez baixasse um pouco o tom de seu discurso. Ele sim precisa ter o Brasil como um parceiro estratégico. É uma questão de bom senso.

Se o PIB não cresce, vamos inchá-lo artificialmente.
Publicamos hoje uma reportagem da Revista Exame onde fica demonstrado que o tal grau de investimento, sonho de consumo dos economistas do governo, não pode ser encarado como uma panacéia. O upgrade é bem vindo, mas não é tudo, e sequer assegura o crescimento que se deseja. Aquele que invejamos nos demais países emergentes pelo acontece lá, e nos aborrecemos pelo que não acontece por aqui.

Também publicamos a revisão da projeção do governo de que o PAC, em 2007, ficará aquém das projeções iniciais do governo. Já se admite que no, cômputo geral, o governo se contentará se puder cumprir com 60 % de todo o pacote.

Vimos, também, o quanto a infra-estrutura está a exigir urgentes investimentos, e que no campo da energia, está aceso o sinal de alerta.

Pois bem, tudo isto nos desenha um cenário pouco animador para o crescimento do PIB que, pelas projeções do governo, deveriam ser de 4,5% este ano e 5,0% a partir de 2008. Reparem que já atingimos metade do ano e sequer a equipe que se responsabilizará por tocar o pacote todo, está completa. Há muito trabalho parado, hoje se contam 100,0 mil servidores em greve em diferentes áreas da administração pública. Não é pouca coisa, considerando ainda os entraves existentes no campos dos licenciamentos ambientais.

No final do ano passado, o governo encomendou ao IBGE uma arrumação nos critérios de cálculo do PIB. Isto fez com que artificialmente o crescimento pífio do primeiro mandato passasse de ridículo para pífio. Pois, antevendo o fiasco que se anuncia, e diante de tanta pompa e majestade além da publicidade custosa, tudo para engordar o PAC, se vê que ele não sai do lugar, o que o governo Lula fará? Vai mudar de novo o cálculo do PIB, os seus critério como que serão engordados para apresentar um resultado final menos ridículo.

Assim, agora serão computadas as tarefas ditas “não remuneradas”, como cuidar da casa, dos filhos, de um parente doente. Isto em nada acrescenta “crescimento econômico”, mas na publicidade um PIB maiorzinho um pouco, pode fazer uma enorme diferença. Pelo menos é o que pensam os marqueteiros...

TOQUEDEPRIMA...

Chinaglia descarta criação de CPI da Navalha

O presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que a instalação de uma CPI para apurar os desdobramentos da Operação Navalha, da Polícia Federal, tornaria o Congresso uma “caixa de ressonância” das investigações policiais.
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“Tenho verdadeiro horror à idéia de que o Congresso sirva como caixa de ressonância de operações da PF. Os trabalhos da PF têm meses, quiçá um ano, e nenhuma outra instituição precisa interferir”, disse o parlamentar.
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A respeito de CPIs que investigam o tráfego aéreo, o presidente da Câmara afirmou que as duas que já existem são mais do que suficientes para chegar a um “bom resultado.”

COMENTANDO A NOTÍCIA: Ao estilo petista de canalhar no poder, Arlindo demonstra que CPI no governo alheio é refresco.

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Lula diz que Chávez não é um perigo para América Latina

O presidente Lula afirmou o presidente venezuelano Hugo Chávez é um parceiro do Brasil e não é um perigo para a América Latina, em entrevista concedida em Londres, para a rede de TV BBC.
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“Chávez tem suas razões para brigar com os Estados Unidos. E os Estados Unidos têm suas razões para brigar com a Venezuela. O Brasil não tem nenhuma razão para brigar com os Estados Unidos ou a Venezuela”, disse Lula.
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Sobre o fechamento da TV no país vizinho, Lula declarou que cada local tem sua lógica legal e deve ser respeitada.
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Lula afirmou que está governando para ajudar os países mais pobres da América do Sul. “Brasil, como a maior economia do continente, tem que ter a responsabilidade de ajudar os países mais pobres da América do Sul a se desenvolver.”Quando questionado sobre as desigualdades, o presidente disse que o Brasil vive o melhor momento econômico dos últimos 100 anos.

COMENTANDO A NOTICIA: Ok, senhor Luiz Inácio, mas que tal cuidar primeiro dos pobres no Brasil, e que são milhões que estão a espera do governo que não governa? O fato de viver um bom momento na sua economia, isto se deve muito mais pelo bom momento da economia do que por méritos internos. Portanto, não esqueça: a prioridade número um, de qualquer governante, é cuidar primeiro de governar em benefício de seu próprio povo. Faça isto, e já estará de bom tamanho.

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Sobre o índio bufão
Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo

Não adianta. Não dá mais para fazer qualquer referência a cor da pele ou origem étnica sem ir para o paredão. Racista!

Outro dia apareceu neste espaço um “branquelo gordo”, referência ao documentarista Michael Moore, que detesta branquelos gordos. Até que as reações não foram tão indignadas.

Mas chamar o índio bufão Evo Morales de índio bufão foi demais. Racista! Preconceituoso contra as minorias indefesas! Detrator de povos tradicionais! E por aí vai.

Esclarecimento: o problema de Evo Morales não é ser índio, é ser bufão. Mas não tem graça chamá-lo de bufão sem chamá-lo de índio – simplesmente porque Morales é uma caricatura de índio, e é isso que o faz bufão.

O presidente da Bolívia usa sua natureza indígena para praticar o mais primário dos populismos. Perto dele, o Cacique Juruna era gênio da raça. O cocaleiro Evo Morales é um símbolo étnico tão genuíno como aqueles pataxós de carnaval que invadiram Porto Seguro para faturar com a mitologia do Descobrimento.

Temos grandes índios para reverenciar, como Ailton Krenak, Davi Ianomâmi, Marcos Terena e muitos outros grandes símbolos dos povos ancestrais.

Mas estamos próximos do dia em que palavras como índio, preto, judeu e paraíba serão apagadas do vocabulário, no estilo daqueles retoques fotográficos do stalinismo. Enquanto isso não acontece, pelo menos neste espaço, Evo Morales não será outra coisa: índio bufão.

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Inglaterra: Ela é a Midas da moda
Revista EXAME

Quanto vale uma celebridade? Para a rede de lojas de roupas femininas Topshop, que em 2006 faturou 1 bilhão de dólares, o aval da modelo britânica Kate Moss rendeu 6 milhões de dólares em apenas uma semana de vendas na Inglaterra. Outros 6 milhões de dólares foram gerados de mídia espontânea. Aos 33 anos, Kate Moss estreou recentemente como estilista da marca. O resultado animou os donos da rede, que já lançaram a coleção em Nova York e em Estocolmo.
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Miss segura
Alerta Total
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Taíza Thomsen, a Miss Brasil 2003 que desapareceu durante cinco meses e foi procurada pela Scotland Yard e Interpol, jura que não é uma prostituta como andam dizendo no Brasil.
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Tinha que sair do Brasil e trabalhar fora, pois estava ameaçada de morte. Nunca fiz programas e nem sequer conheço alguém ligado ao tráfico de pessoas”.Taíza revelou que um namorado belga chamado Yossef bancou sua viagem para a Inglaterra, onde ela dançou em boate de striptease para arranjar dinheiro e pagar a uma amiga.
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Aqui em Londres é comum boates onde as mulheres tiram a roupa, mas não fazem programas sexuais”.

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Uma nova personagem

A Polícia Federal investiga se uma pessoa identificada apenas como Ênio nas gravações telefônicas da Operação Navalha, que conversa com Sérgio Sá, lobista da Gautama, seria Ênio Branco, diretor-presidente da Celg (Companhia Energética de Goiás).

Em conversa captada pela PF, Sá conversa com Ênio sobre suas relações com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O lobista diz que ele e sua mulher foram convidados por Renan para um almoço em sua casa.
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Ênio é ligado ao PFL de Santa Catarina, do ex-senador Jorge Bornhausen.

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"Depois do Vavá, pode tudo, até você"
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Do ex-deputado Roberto Jefferson, em seu blog, sobre a ação da Polícia Federal na casa do irmão de Lula, o Vavá:

- O País vive um simulacro de democracia. Há insegurança quanto a direitos e garantias individuais (com o grampo correndo solto!) (...) A busca na casa do irmão do Lula parece um pretexto para agudizar ações do aparato. Depois do Vavá, pode tudo, até "vovocê". É covarde, pois a nomenklatura (PF) usa telefone antigrampo. Mas quem grampeia o grampeador? Querem fazer de Lula um mito, mas ele não é cotó.

Energia é dúvida

Carlos Sardenberg, Portal G1

Entrevistei hoje, na CBN, o presidente da Fiat da América Latina, o brasileiro Cledorvino Belini. Ele repetiu a preocupação levantada no início da semana pelo presidente da Vale, Roger Agnelli, e por outros executivos: preocupa o fornecimento de energia depois de 2010.
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Preocupa também a infra-estrutura geral do país. Eis como as estradas ruins e insuficientes prejudicam um negócio.
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A fábrica da Fiat em Betim, Minas, funciona no sistema “just in time”. Ou seja, as peças e componentes chegam à fábrica no momento em que serão utilizadas na linha de montagem. Grande vantagem: eliminam-se os estoques.
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Mas isso quer dizer que os fornecedores precisam fazer entregas todos os dias e, não raro, mais de uma entrega por dia. E se as vias de acesso à fábricas congestionam?Belini disse que tem preocupação com isso, porque tudo está funcionando no limite. A fábrica de Betim está em três turnos – 24 horas funcionando – não tem mais como ampliar a produção. Só com fábricas novas.
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Mas e a infra-estrutura?O fato é que a Fiat América Latina resolveu reativar uma fábrica na Argentina, em Córdoba, com investimentos de US$ 60 milhões e criação de mil empregos diretos. Vai produzir lá o Siena.
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Perguntei por que a Fiat não fez uma fábrica nova no Brasil. Belini disse que a fábrica argentina está pronta e praticamente desativada desde a última grande crise do país. Era mais fácil e mais barato reativá-la do que fazer uma nova no Brasil. Além disso, o Siena argentino será exportado ao dólar de lá, que é caro.
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Tudo bem, mas se a infra-estrutura fosse mais adequada no Brasil, poderia ser mais simples ampliar as instalações de Betim ou construir ali por perto.
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Perguntei a Belini se, no planejamento, a Fiat contava com falta de energia a partir de 2010. Disse que ainda não, mas inclui no planejamento a “preocupação”, a dúvida.

Infra-estrutura deficiente freia crescimento

Veja online

Os problemas da infra-estrutura brasileira já prejudicam o crescimento econômico do país em 2007. Com a economia aquecida e a promessa de expansão ainda maior no ano, em função do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), as grandes empresas aumentam a produção e as vendas. O aquecimento, contudo, esbarra na falta de infra-estrutura adequada para transporte de materiais e escoamento da produção.

De acordo com reportagem publicada neste domingo pelo jornal Folha de S. Paulo, os gargalos no transporte e na logística já atrapalham as empresas beneficiadas pelo aquecimento econômico - o custo dos fretes rodoviários subiu cerca de 20% e há fila para comprar novos caminhões (as montadoras não dão conta da demanda). Grandes companhias perdem negócios por causa da impossibilidade de cumprir prazos.

"Estamos deixando de entregar mercadorias e perdendo competitividade. A mercadoria não chega na hora certa, há atrasos nos embarques e custos adicionais por conta disso", disse Ruy Hirschheimer, CEO da Electrolux na América Latina, em entrevista à Folha. Conforme ele, a empresa de eletrodomésticos, que tem fábricas no Paraná, São Paulo e Amazonas, está crescendo, mas a logística "emperra" essa expansão.

Sem energia - O governo federal informa ter gasto até agora apenas 3,5% do dinheiro previsto no PAC para melhorar a infra-estrutura do país. Grandes empresas afirmam que não é possível planejar projetos ambiciosos para o futuro - o risco de crise energética e de transporte atrapalha os planos. Conforme estudo da UFRJ, os custos com transporte e logística equivalem a 12,75% do PIB brasileiro. Nos Estados Unidos, essa relação é de 8,2%.

Marina manda recado mas nega que seja para Dilma Rousseff

Estadão online

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse nesta terça-feira, 5, que o Ibama analisa com urgência os impactos ambientais das obras das usinas hidrelétricas do rio Madeira, mas avisou que a licença só deverá ser concedida se o projeto obedecer todos os dispositivos legais. Em discurso durante solenidade do Dia do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto, ela mandou recado a quem defende desenvolvimento sem conservação, mas negou que se referia à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que estava ausente do Planalto.

"Eu não dei recado para ninguém", disse Marina. "Estamos trabalhando no governo ao longo de quatro anos para resolver a equação desenvolvimento com preservação.Se continuarmos com essa visão de opor desenvolvimento com preservação, não conseguiremos chegar a lugar algum", afirmou.

A uma pergunta se estava em paz com Dilma, que é gerente do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),Marina respondeu: "Estou em paz em primeiro lugar com Deus e com minha consciência, e isso faz com que me sinta em paz com todas as pessoas". A ministra do Meio Ambiente disse ter um bom relacionamento pessoal com a colega de governo e que as duas não "confundem" esse relacionamento com posições. "Não trato as coisas como atritos gerenciais, mas como questões complexas, de naturezas diferentes."

O presidente da República em exercício José Alencar, que sempre apoiou as brigas da ministra do Meio Ambiente, disse que Marina é a "porta-voz" mais "valente" e "sensata" deste tempo. Ao ser questionado sobre a licença ambiental das usinas Santo Antônio e Jirau, no Madeira, Alencar disse acreditar que a permissão pode sair ainda neste mês. Ele observou, no entanto, que cabe a Marina fazer qualquer anúncio. Marina, porém, evitou falar em prazos: "Nós continuamos fazendo avaliações técnicas". "Não temos um prazo a colocar, estamos trabalhando com sentido de urgência."
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COMENTANDO A NOTICIA: É lógico que qualquer que afete o meio ambiente deve ser visto com o cuidado necessário. Nisto a Ministra Marina está coberta de razão. Porém, nada, mas absolutamente nada justifica que a licença para a instalação de qualquer projeto, tenha ele a dimensão que tiver, leve mais do que um ano, um ano e meio, se tanto e exagerando, para ser concedido ou não. Há casos de seis, sete e até mais de 10 anos que as licenças ambientais permanecem paradas. Isto é um absurdo. Já não se trata mais de cuidados excessivos com o meio ambiente, e sim de uma complexa rede de burocracia criada para não aprovar coisa alguma.

Aliás, esta ladainha já se prolonga desde antes do governo Lula, mas se acentuou a partir dele em razão dos métodos burocratas que passaram a vigorar no governo federal. Quem perde e quem ganha com isso ? Quem perde é o país que fica retardando seu crescimento amarrado que está a uma burocracia inexplicável. Toda e qualquer licenciamento pode sim ser obtido com todo o rigor de análise em prazo de no máximo 18 meses. Aqueles que defende esta mistura surreal de burocracia com retardo mental, talvez adore morar em cavernas e viver sob luz de lampião. Cada um com sua selvageria, mas não tem o direito de condenar seu primarismo para vigorar a toda a nação.
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Que se remova de uma vez por todas os absurdos da própria legislação, dando-lhe o dinamismo necessário e se pare com este discurso de final dos tempos;o Brasil tem pressa e precisa avançar e progredir, e pode fazê-lo tomando todos os cuidados necessários na defesa de seu meio ambiente.. São 180,0 milhões de pessoas que precisam do progresso para viverem com qualidade.

Fitch:Brasil não deve ser grau de investimento em 2007

João Caminoto, Estadão online

LONDRES - A agência de risco Fitch Ratings não descarta totalmente a possibilidade de o Brasil obter a nota de grau de investimento neste ano, mas sinaliza que esse passo deve levar mais tempo e está condicionado a melhorias na situação fiscal do País. "Um grau de investimento para o Brasil será um grande passo", disse à Agência Estado o diretor-gerente e principal economista da Fitch, Brian Coulton, durante um seminário sobre a economia mundial realizado nesta terça-feira, 5, em Londres.

Ele observou que a perspectiva conferida pela Fitch à nota para a dívida brasileira é estável e não positiva como no caso da Standard & Poor´s. "Isso significa que não estamos num estágio no qual um upgrade no curto prazo é visto como mais provável", explicou. "Não descartamos que isso possa ocorrer em 2007, mas queremos ver mais avanços fiscais no País."

No dia 10 de maio passado, a Fitch elevou o rating do Brasil para BB+, um degrau abaixo do grau de investimento. "Essa melhora foi ancorada principalmente pela expressiva melhora da situação das contas externas do País, e também pelo gerenciamento da dívida", disse Coulton.

"Mas embora o lado fiscal tenha mostrado avanços, é preciso ver mais progresso nessa área." Outro fator que poderia ajudar a acelerar a obtenção do grau de investimento seria a adoção de reformas estruturais. "Mas nessa área as perspectivas são de poucos progressos", acrescentou o analista.

Coulton observou que o Brasil está muito mais preparado para enfrentar eventuais movimentos negativos nos mercados internacionais. "Mas uma redução de liquidez e maior aversão ao risco global teria um impacto no Brasil, que tem uma grande dívida doméstica cuja curva ainda não é muito longa", disse.

ENQUANTO ISSO...

Lula soube na véspera sobre ação na casa do irmão
da Folha Online

O ministro Tarso Genro (Justiça) telefonou na noite de domingo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Nova Déli, para avisá-lo sobre o mandado de busca e apreensão que seria realizado na manhã do dia seguinte na casa de seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, em São Bernardo, informa o Blog do Josias.

A reportagem revela também que Tarso foi informado sobre a "Operação Xeque-Mate", da Polícia Federal, pelo diretor-geral da instituição, Paulo Lacerda, que teria afirmado ainda ao ministro que não havia ordem de prisão contra Vavá.

O irmão de Lula foi indiciado por tráfico de influência no Executivo e exploração de prestígio no Judiciário. A PF pediu a prisão de Vavá, mas a Justiça indeferiu o pedido alegando que o tráfico de influência e a exploração de prestígio não beneficiaram a máfia dos caça-níqueis e que ele não faria parte da quadrilha.

Hoje pela manhã, no entanto, o presidente Lula afirmou, na Índia, que ainda não havia recebido informações sobre o caso, mas elogiou o trabalho da Polícia Federal e disse não acreditar no envolvimento de seu irmão com o esquema de contrabando de peças para máquinas caça-níqueis, corrupção e tráfico de drogas.

"Não acredito que ele tenha envolvimento com qualquer coisa. Agora, como presidente da República, se a Polícia Federal tinha uma autorização judicial e o nome dele aparecia, paciência", disse.

Lula afirmou ainda não ter conversado com o irmão sobre a questão. "Eu sei poucos detalhes, as pessoas ainda não foram ouvidas. O que peço é que a polícia tenha serenidade nas investigações para que a gente não condene inocentes e não venha a absolver culpados", afirmou.


ENQUANTO ISSO...

Acusação ao irmão deixa Lula irritado
Veja online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira em Nova Délhi, na Índia, que não acredita que seu irmão mais velho, Genival Inácio da Silva, o Vavá, esteja envolvido com a quadrilha de contrabando, tráfico de drogas e exploração de caça-níqueis investigada pela Operação Xeque-Mate da Polícia Federal. A informação é da rádio CBN. "Sou capaz de acreditar que ele não tenha nada a ver com isso", disse Lula.

Segundo pessoas que estiveram com Lula nas primeiras horas desta terça, ele ficou surpreso com a notícia e depois manifestou irritação por não ter sido avisado do fato com antecedência. Aparentemente, segundo a agência Globo, houve uma tentativa de autoridades do Brasil de avisarem o presidente, o que não teria sido possível, por causa do fuso horário. Por volta das 23 horas de segunda-feira em Nova Délhi - 15h30m de Brasília - a informação da assessoria da Presidência era de que Lula já estava dormindo.

A Xeque-Mate, segundo balanço divulgado pela PF, capturou 77 pessoas em seis Estados - São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Rondônia, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Cerca de 600 agentes foram mobilizados. Entre os presos estão empresários, advogados e policiais civis e militares acusados de receber propinas para facilitar as atividades da organização. Um dos 77 detidos pela operação, Dario Morelli Filho, amigo de Lula, foi afastado nesta terça de seu cargo na Companhia de Saneamento de Diadema (Saned), na Grande São Paulo.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Acredito que o Tarso Genro foi tomado de surpresa ao saber do envolvimento do irmão do presidente Lula. Depois, como que querendo dar uma de esperto, veio com sua providencial lábio de rolando lero, tentando enrolar a opinião pública para não ficar mal na foto. Tarde demais, senhor Genro. O mal já foi feito. Aliás, dissemos isto aqui ontem quando comentamos o cumprimento do mandado de busca e apreensão na residência de Vavá e o seu indiciamento por tráfico de influência. Relembrando....

COMENTANDO A NOTÍCIA: Interessante a irritação de Lula: quantas vezes ele gabou-se da eficiência da Polícia Federal sob seu governo ? Quantas vezes ele próprio falou em cortar na própria carne ? E quantas outras tantas vezes disse que em seu governo tudo seria apurado ? Além do mais, é interessante que precisou Lula viajar para a Índia, do outro lado do mundo, para a PF ter liberdade de ação, mesmo que fosse apenas aquele lado que se sabe republicano ! Vamos ver a explicação na volta, sabendo-se que Márcio Bastos já não comanda mais a PF! Não sei porque, mas vai sobrar prô Tarso Genro...


Oportuno, também, foi o comentário do Reinaldo Azevedo. A seguir:

Tarso no comando? Não.

Tarso Genro, ministro da Justiça, faz saber a quantos estejam interessados que ele soube na véspera que a Operação Xeque-Mate, da Polícia Federal, chegaria a Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão de Lula. E teria avisado o presidente. É uma forma de não sair ridicularizado disso tudo. Pois este blog sustenta: NÃO SOUBE COISA NENHUMA. A Polícia Federal, quando acerta e quando erra, hoje em dia, é, digamos assim, de quem chegar primeiro. Está dividida em grupos, balcanizada.

Lula segue o roteiro aqui antecipado. Elogiou o trabalho da instituição, que também já lhe prestou relevantes serviços. Estamos diante de um show de desinformação. A PF que promove uma greve em meio a mais uma de suas operações-gigante não cansa de emitir sinais que rondam o Palácio do Planalto. E essa é a questão relevante que se tenta tirar do noticiário. Tarso faz de tudo para dar a impressão de que está no comando. E ele sabe que não está.Neste ponto, o leitor pode perguntar e considerar: “Mas isso não é bom? Quem sabe não se rompa a casca de proteção de certas autoridades...” Pergunto: a motivação do furor investigativo é a “lei, nada mais do que a lei” ou é uma pauta que não está muito clara? Sim, mas e Vavá? Ah, eu acho que Vavá merecia ser investigado desde outubro de 2005, quando a VEJA publicou duas reportagens a respeito de sua desenvoltura nos corredores do Planalto.